Um goverdo único?

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Um goverdo único?

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Seg Nov 07, 2011 12:05 am

Vcs acham que a sujestão de Bento 16 de haver um governo mundial pode resolver o problema econômico ?
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quemtembocadizaverdade

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Re: Um goverdo único?

Mensagem por Rafael Monteiro em Seg Nov 07, 2011 11:59 am

De onde você tirou essa suGestão?

Gostaria de uma fonte razoável, não vale esses sites protestantes...

Você deve estar se referindo à encíclica Caritas in Veritate.

Gostaria que o Pe. Anderson, que tem mais conhecimento sobre o assunto te respondesse...
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Rafael Monteiro

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Re: Um goverdo único?

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Nov 07, 2011 2:17 pm

Caros amigos,

A questao aqui levantada é bem interessante e, por acaso, eu sei algo sobre o tema. em primeiro lugar, há realmente a notícia de que foi lançado recentemente um documento do Conselho Pontifício Justiça e Paz com sugestoes para resolver a atual crise europeia. Esse documento nao é um documento magisterial, nao é um documento do Papa com autoridade dogmática para os católicos, mas sim sugestoes dos membros dessa Comissao que é um orgao consultivo do Vaticano de especialistas em área econômica. Esse documento diz:

“A constituição de uma Autoridade pública mundial, ao serviço do bem comum” é “o único horizonte compatível com as novas realidades do nosso tempo”: afirma a Nota hoje publicada pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz tendo como título “Para uma reforma do sistema financeiro internacional na perspetiva de uma Autoridade pública com competência universal”. Deseja-se propor “um contributo aos responsáveis da terra e a todos os homens de boa vontade”, perante a atual crise económica e financeira mundial que “revelou comportamentos de egoísmo, de cobiça coletiva e de açambarcamento de bens em grande escala”.

Para ler toda a notícia e um resumo dessa nota vejam essa notícia, da rádio vaticana:
http://www.radiovaticana.org/por/Articolo.asp?c=531719

A sugestao é de uma autoridade pública mundial para gerir a crise e nao um governo mundial, como quis informar a cara Erenice.

Agora, mesmo dentro do Vaticano esse documento recebeu críticas, pelo fato de que ele entra em questoes muito particulares, de modo diferente do Magistério Papal. O Papa de fato escreveu bastante sobre a crise financeira internacional na Encíclica Caritas in Veritatis e comentou muito no seu belíssimo livro "A Luz do Mundo", um livro de entrevistas. Na Encíclia o Papa disse no numero 41:

Também a « autoridade política » tem um significado polivalente, que não se pode esquecer quando se procede à realização duma nova ordem económico-produtiva, responsável socialmente e à medida do homem. Assim como se pretende fomentar um espírito empresarial diferenciado no plano mundial, assim também se deve promover uma autoridade política repartida e activa a vários níveis. A economia integrada de nossos dias não elimina a função dos Estados, antes obriga os governos a uma colaboração recíproca mais intensa. Razões de sabedoria e prudência sugerem que não se proclame depressa demais o fim do Estado; relativamente à solução da crise actual, a sua função parece destinada a crescer, readquirindo muitas das suas competências. Além disso, existem nações, cuja edificação ou reconstrução do Estado continua a ser um elemento-chave do seu desenvolvimento. A ajuda internacional, precisamente no âmbito de um projecto de solidariedade que tivesse em vista a solução dos problemas económicos actuais, deveria sobretudo apoiar a consolidação de sistemas constitucionais, jurídicos, administrativos nos países que ainda não gozam de tais bens. A par das ajudas económicas, devem existir outros apoios tendentes a reforçar as garantias próprias do Estado de direito, um sistema de ordem pública e carcerário eficiente no respeito dos direitos humanos, instituições verdadeiramente democráticas. Não é preciso que o Estado tenha, em todo o lado, as mesmas características: o apoio para reforço dos sistemas constitucionais débeis pode muito bem ser acompanhado pelo desenvolvimento de outros sujeitos políticos de natureza cultural, social, territorial ou religiosa, ao lado do Estado. A articulação da autoridade política a nível local, nacional e internacional é, para além do mais, uma das vias mestras para se chegar a poder orientar a globalização económica; e é também o modo de evitar que esta mine realmente os alicerces da democracia.

Entao o Papa nao pede uma autoridade mundial para enfrentar a crise, mas sim que as ajudas internacionais dadas aos países que sofrem com a mesma, tambem se preocupem por reforçar os Estados de Direito e busquem articulaçao nacional e internacional para orientar a globalizaçao economica. Há, pois, semelhanças e diferenças entre dois documentos e parece muito mais acertada a soluçao apontada pelo Papa do que as sugestoes dadas pelo recente documento.

Para ler mais do que disse o Papa no seu documento, que sim faz parte do Magistério Papal, vejam:
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html

Espero ter esclarecido algo. Um grande abraço e que o Senhor abençoe a todos.
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Pe. Anderson
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