A conversão de Constantino

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A conversão de Constantino

Mensagem por Fabricio em Sex Maio 18, 2012 7:49 am

NOTA DA MODERAÇÃO: Teor de abertura do tópico: As controvérsias sobre a verdadeira conversão de Constantino remontam sobre a paganização do cristianismo primitivo.
Mas apesar de seu batismo, há dúvidas se realmente ele se tornou cristão. A Enciclopédia Católica afirma: "Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo pontífice ele velou pela adoração pagã e protegeu seus direitos." E a Enciclopédia Hídria observa: "Constantino nunca se tornou cristão". No dia anterior ao da sua morte, Constantino fizera um sacrifício a Zeus, e até o último dia usou o título pagão de Sumo Pontífice. E, de fato, Constantino, até o dia da sua morte, não havendo sido batizado, não participou de qualquer ato litúrgico, como a missa ou a eucaristia. No entanto, era uma prática comum na época retardar o batismo, que era suposto oferecer a absolvição a todos os pecados anteriores — e Constantino, por força do seu ofício de imperador, pode ter percebido que suas oportunidades de pecar eram grandes e não desejou "desperdiçar" a eficácia absolutória do batismo antes de haver chegado ao fim da vida. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/ConstantinoConta-se que a origem da instituição do domingo como Dia do Senhor veio da adoração ao deus-sol, daí o termo inglês sunday.
O Imperador Constantino provocou uma divergência de opinião sobre a questão se deve ser o sábado ou o domingo o dia observado como dia de descanso. A divergência não se aplica aos judeus, para quem o dia de descanso (Shabat) é incontestavelmente no sábado, nem para os muçulmanos cujo dia sagrado (jumu'ah) é em uma sexta-feira. A divergência entre a tradicional observância religiosa judaica do Shabat e ao respeito ao primeiro dia da semana aparece com o concilio de Niceia (ano 325) pelo Imperador Constantino que impõe o domingo sobre o sábado, de modo a introduzir o povo pagão dentro dessa nova religião - o catolicismo e assim unificar todo o povo do seu império, baseando-se numa passagem biblíca que está na Bíblia em Atos 20:7 onde os discípulos se reuniram no "primeiro dia da semana e partiram o pão" juntos.

Em 325 d.C. as orientações decididas no Primeiro Concílio de Nicéia, estabelecem universalmente o primeiro dia da semana como dia sagrado, o nome do primeiro dia da semana foi modificado de Prima Feria para Dies Domenica. Decisão mantida pela maioria das denominações cristãs até a atualidade.

Por: Wikipédia. Domingo. http://pt.wikipedia.org/wiki/DomingoOutra afirmação a ser refutada ou confimada é sobre a canonização de Santa Helena, mãe de Constantino, como primeira santa do catolicismo.
A veneração a Santa Cruz remonta ao ano de 292, quando a imperatriz Helena, esposa de Constâncio Cloro, perseguida pela obsessão de encontrar a Cruz de Cristo, pediu ao imperador autorização para demolir o templo dedicado a um dos deuses do império romano, construído no monte Calvário, uma vez que estava convicta de encontrar a relíquia debaixo do grande templo.
Conseguida a autorização, mobilizou muitos obreiros, tendo encontrado os escombros do templo não uma, mas três cruzes, deduzindo que uma deveria corresponder a Cristo e as outras a cada um dos ladrões, com as quais haviam sido crucificados.
Como saber qual das cruzes seria a de Jesus? Diz-nos a lenda que Helena ordenou que trouxessem perante si um defunto, que encontrara prestes a ser sepultado, sobre o qual foram colocando cada uma das cruzes. Ao tocar uma delas, o defunto recuperou a vida. A dúvida havia-se dissipado: esta era a cruz em que morreu o Redentor do mundo. Por esta razão a imperatriz Helena foi canonizada, e se venera como Santa Helena da Cruz (ou Santa Cruz).
Fonte: http://praiadesantacruz.com/stcruz/historia/histstcruz-helena.htmHistoriadores debatem se ela realmente era casada com Constâncio e se ela foi a mandante do assassinato de sua nora Fausta.
_______________________________________

Vamos lá...
 
Em primeiro lugar, há de se registrar aqui que a Wikipedia não é nem um pouco confiável, pois qualquer um pode editar e escrever o que quiser, a despeito das fontes históricas dizerem o contrário.
 
Sinceramente, não vejo nenhuma controvérsia quanto a conversão de Constantino simplesmente porque há quase que uma unanimidade de que ele abraçou o cristianismo apenas no final da vida. Ainda sim, ele renegou a Sã Doutrina para abraçar a heresia ariana, por influência de sua irmã.
 
Além disto, o texto traz outras inconsistências:
No entanto, era uma prática comum na época retardar o batismo, que era suposto oferecer a absolvição a todos os pecados anteriores
 
Ora, há uma infinidade de documentos patrísticos anteriores e posteriores ao século IV atestando a prática do batismo de crianças. Inclusive, houve um Concílio regional em Cartago no século II onde se discutiu se deveria esperar até o oitavo dia de nascido para fazer o batismo (tal como na circuncisão) ou se deveria fazê-lo antes. Já há tópicos aqui tratando do batismo de crianças, não vou discorrer sobre isso aqui, se o colega tiver interesse no assunto procure nos tópicos adequados. Definitivamente, essa história de adiar o batismo não era prática comum naquela época. Ora, o batizado que carrega pecados graves em sua consciência tem o sacramento da confissão para reconciliar-se com Deus, o que torna totalmente incoerente essa história de "adiamento do batismo".
 
Vejamos outra afirmação bastante irresponsável:
e Constantino, por força do seu ofício de imperador, pode ter percebido que suas oportunidades de pecar eram grandes e não desejou "desperdiçar" a eficácia absolutória do batismo antes de haver chegado ao fim da vida.
O que se sabe é que Constantino passeou entre o paganismo, o catolicismo e o arianismo, acabando por aderir a esse último já no final da vida. Especular sobre o motivo pelo qual ele adiou o batismo é irresponsabilidade, pois ninguém sabe o que se passou no coração dele, somente Deus. Ele realmente pode ter tido um entendimento errado da doutrina, desejando adiar o batismo para não correr risco de pecar após batizado, ou pode ser que ele realmente só tenha chegado a uma conclusão sobre sua fé no final da vida (o que não é nenhum absurdo), só Deus sabe o que se passou com esse homem.
 
Vamos continuar:
O Imperador Constantino provocou uma divergência de opinião sobre a questão se deve ser o sábado ou o domingo o dia observado como dia de descanso
Essa sentença é bastante mentirosa! Meu caro, a Didaqué datada de 70d.C., o testemunho de Santo Inácio (107d.C.) e tantos outros já atestam a guarda do domingo por parte da Igreja. A guarda do domingo já estava mais do que estabelecida muito antes da época de Constantino.
Já há tópicos aqui no fórum tratando disso, onde o senhor pode encontrar as referências devidamente citadas, também não vou me estender sobre isso aqui.
 
Continuando...
Outra afirmação a ser refutada ou confimada é sobre a canonização de Santa Helena, mãe de Constantino, como primeira santa do catolicismo.
Não sei de onde o senhor tirou essa informação de que Santa Helena é a primeira santa do catolicismo, mas isso é outra mentira. Santa Helena viveu entre os séculos III e IV. A lista de santos anteriores a esse período é gigantesca, a começar pelos santos apóstolos e pela Virgem Maria.
 
Caro ricardo_gabriel,
Se realmente tens interesse em conhecer a história do cristianismo, sugiro que procure fontes mais críveis. Aliás, o melhor a fazer é beber diretamente da fonte, consultando os documentos patrísticos. Não há melhor maneira de saber como era a Igreja daquele tempo do que estudando o testemunho dos cristãos que viveram aquelas eras. Sítios de internet que fazem afirmações sem apresentar referências e Wikipedia são péssimas referências.

Fabricio

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Re: A conversão de Constantino

Mensagem por Fabricio em Sex Maio 18, 2012 9:28 pm

Vamos lá, senhor Ricardo...

Quanto ao sua primeira colocação:
(...)vale mais uma prova eletrônica do que um documento que não se tem acesso(...)
Desculpe, meu caro, mas sou obrigado a discordar. O que tem mais valor é uma prova autêntica, seja ela disponível em qualquer meio (eletrônico ou papel). Estamos aqui em busca da verdade, e não da comodidade.
Digo-lhe que ninguém é obrigado a se aprofundar em patrística ou teologia para ser bom cristão, mas aqueles que se propõem a fazer isso têm que estudar, e muito, não podem se deixar levar pelo comodismo. Se o senhor acha suficiente a internet e rejeita os livros, incorre em grave risco de aprender no erro, e é mil vezes pior aprender errado do que não saber nada. Já dizia Santo Agostinho: "Saber é melhor que ignorar, mas ignorar é melhor que equivocar-se".

Então vamos ver o resultado de suas pesquisas na internet:
Bem, São Constantino o Grande é venerado não só na Igreja Católica
Errado!!! A despeito do que o senhor encontrou na internet, mesmo que tenha sido em um sítio auto-denominado católico, não existe São Constantino o Grande no calendário litúrgico católico. O Constantino canonizado pela Igreja Católica viveu na região da Inglaterra durante a Idade Média, é uma pessoa totalmente distinta do imperador romano. Quanto aos Ortodoxos, bem, é melhor que questione a eles, pois este fórum é católico.

E suas pesquisas continuam...

Em 321, Constantino instruiu que os cristãos e não cristãos devem estar unidos em observar o venerável dia do sol

Meu caro, há inúmeros relatos da guarda do domingo bem anteriores à 321, como já lhe falei. Isto já foi comentado exaustivamente em outros tópicos. O senhor saiu do foco dizendo:

Cabe comentar que entre milhares de santos canonizados pelo Vaticano, a representatividade da "maior nação católica do mundo" seja tão pequena, de apenas 2.
Não, meu caro, eu citei Santo Inácio e a Didaqué (pelo amor de Deus, Diadqué não é santo...) para efeito de síntese. Como já falei, há inúmeros testemunhos de autenticidade comprovada quanto a guarda do domingo pelos cristãos em épocas bem anteriores ao reinado de Constantino. Não vou me estender nesse assunto aqui, já falei sobre isso em outro tópico. Pesquise que encontrará.

Qual a razão da Didaqué não fazer parte do cânon bíblico?
Ora, se todos os escritos produzidos pelos cristãos desde os apóstolos até hoje fossem introduzidos no cânon bíblico, não haveria papel suficiente para escrever as Escrituras...

Por fim, o senhor perde-se em afirmações descabidas de qualquer fundamento.

A primazia de Santa Helena não teria sido pelo ano de seu nascimento. Os santos que viveram antes dela teriam sido canonizados depois.
Errado! Veja por exemplo o caso de São Policarpo de Esmirna, que morreu em 156 d.C. Seus contemporâneos já celebravam sua morte. Aliás, na narrativa do "Martírio de São Policarpo" já há evidências claras do calendário litúrgico de celebração dos mártires. Também Orígenes, que viveu uns 100 anos antes do Concílio de Nicéa, já falava disso... mas isso já foi tratado em outros tópicos, não vou me estender aqui.

A própria denominação de Igreja Romana teria sido dada após o Concílio de Niceia, pois antes seria apenas católica, ou seja, universal.
Meu caro, aqui falas do que não sabes. Resultado: cai no erro! A denominação Católica mantém-se até hoje. A denominação Romana define a Igreja de Rito Latino. Mas a Igreja Católica engloba outras além da Romana, como a Maronita, a Greco-Melquita etc., todas em comunhão com Roma. Portanto, o termo Romana não foi definido no Concílio de Nicea. Ora, como você acha que os cristãos chamavam a Igreja que se localizava em Roma?

A prática da missa teria sido iniciada aos poucos
Errado! Ou o senhor não sabe o que é missa ou não leu a Bíblia. Ora, meu caro, a primeira missa foi celebrada pelo próprio Cristo! Por favor, informe-se primeiro sobre o que é missa para depois dizer uma coisa dessas...

As doutrinas do purgatório e dos sacramentos teriam sido absorvidas por volta de 1439
Outro erro! De início, cito-lhe os Escritos de Santa Tecla, datados do ano 180 d.C., os quais já falam do purgatório. Ora, isso é bem anterior a 1439. Tertuliano também fala do purgatório na sua carta De Monogamia entre os anos 160 e 220 d.C. Também São Cipriano (249) e São João Crisóstomo (407) falam do purgatório. Tudo muito antes de 1439. Mas isso também já é assunto de outro tópico. Fiquemos por aqui.

A Bíblia Sagrada, proibida aos leigos anos antes, receberia novos livros em 1546.
Aqui somam-se duas mentiras numa mesma frase. A primeira é dizer que a Bíblia foi proibida aos leigos. Isso é mentira! A Igreja nunca proibiu a leitura da Bíblia. O que foi proibido foram traduções não autorizadas para o vernáculo, pois havia diversas traduções erradas e tendenciosas, das quais brotaram diversas heresias. Só para exemplificar, Zwinglio trocou "isto é o meu corpo" por "isto significa o meu corpo" só para propagar sua heresia anti-eucaristia.
A segunda mentira é dizer que a Bíblia receberia novos livros em 1546. Ora, meu caro, a Vulgata Latina foi escrita mais de 1000 anos antes dessa data, e ela já continha todos os livros que encontramos hoje na Bíblia Católica. Além do mais, há os Concílios de Hipona e Cartago, realizados no século IV, bem como o Concílio de Florença, realizado no século XV, que atestam o cânon bíblico. Para corroborar isso, basta consultar a Bíblia de Guttemberg, impressa uns 100 anos antes dessa data. Lá estão todos os livros que o senhor irresponsavelmente diz que foram acrescentados apenas em 1546.

Essas coisas confirmariam a abertura das portas da Igreja ao paganismo.
Desculpe, senhor ricardo, mas "essas coisas" são mentira! E a mentira não confirma nada! Imagino que o senhor seja bem intencionado, talvez vale-se destas fontes por ingenuidade, não sei... só Deus o sabe. Mas quando propagas uma mentira, acaba tornando-se cúmplice dela. Por isso, pelo seu bem, peço-lhe que seja mais criterioso com suas fontes.

Fabricio

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Re: A conversão de Constantino

Mensagem por Lucas B. em Sab Maio 19, 2012 1:37 am

Acredito que todos os pontos foram bem explicados pelo Sr. Fabricio, ao que proponho apenas alguns acréscimos:
A primazia de Santa Helena não teria sido pelo ano de seu nascimento. Os santos que viveram antes dela teriam sido canonizados depois.
Deveria pesquisar melhor antes de tomar tais informações como verdadeiras, como já apresentado essa declaração é completamente falsa (mas é bem compreensível de onde deriva, cito posteriormente).
O processo de canônização é algo que se desenvolveu através do tempo na Igreja, não que tenha sido "inventado" do nada, pois a admissão à veneração pública sempre existiu, foram apenas as formas que se desenvolveram no decurso da história da Igreja. A saber, esse processo só começou a ser "uniformizado" com um decreto do Papa Alexandre III em 1170, tornando a canonização prerrogativa exclusiva do Pontífice Romano, até então os Metropolitas poderiam igualmente decretá-la, o que a certa altura levou a dissensões sobre "candidatos" cuja idoneidade era questionável, no entanto na maioria das Igrejas Ortodoxas ainda não seguem uma forma definida.
Utilizando dessa prerrogativa (mesmo antes dela ser oficialmente definida), o primeiro Santo considerado nessa perspectiva foi São Ulrich Arcebispo de Augsburg em 993.
Outro erro do comentário é dizer que os Santos que vieram antes dela teria sido canonizados depois. A verdade é que tanto eles como ela própria e muitos posteriores, prescindiram de canonização, as venerações adquiridas e incorporadas à Tradição foram preservadas.
Atualmente existe a Congregação para a Causa dos Santos, que trata dos processos nesse sentido de maneira bem mais diligente do que se poderia conceber no passado.

Mas de onde derivaria tal concepção?
Muito provavelmente da insistência nada histórica de viés protestante em considerar a Igreja Católica como surgida com Constantino, e logicamente (pelo menos na deles) sua mãe seria a primeira Santa Canonizada, num golpe mais político do que ato eclesial.
Cabe aqui um esclarecimento para outros apontamentos feitos, uma Doutrina da Igreja não passa a existir com a sua definição oficial como dogmas, como muitos querem pensar, mas a oficialização de uma Doutrina, é antes declarar de formas definidas algo que a Igreja já professa de forma vivida.

Entendi de outra forma o comentário:
Cabe comentar que entre milhares de santos canonizados pelo Vaticano, a representatividade da "maior nação católica do mundo" seja tão pequena, de apenas 2
Certamente deve estar a considerar que em nosso Brasil apenas tenhamos Santa Madre Paulina e Santo Frei Galvão.
Primeiramente saiba que a Igreja não é uma democracia, muito menos uma "Câmara ou Senado" onde partidos (nesse caso países), têm sua representatividade, isso sim seria desviar-se do ensinamento de Cristo, nesse ponto os fiéis são considerados pelo seus méritos em levar uma vida Cristã autentica, mas há diversos processos em andamento.
Segundo, em termos históricos o Cristianismo é relativamente novo no Brasil e em todo o "Novo Mundo", também em lugares onde nunca houve grande penetração do mesmo como partes da Africa, Ásia e Oceania. Ora é mais do que compreensível que não se possa esperar ainda uma "equiparação" à toda vivência Européia do Cristianismo, mas hoje este quadro já inverte-se e como já declarado, em breve a Europa deverá ser novamente Evangelizada, desta vez dos lugares onde a "semente" outrora foi lançada.
Ademais, como os termos em que o Brasil é considerado o maior país Católico do mundo são quantitativos, não cabe aqui uma consideração "qualitativa" qual seria a forma como é vivida.

Sobre a Didaqué, foi considerada em alguma Igrejas como pertencente ao Cânon, na nossa e em outras não, seria um trabalho aprofundado demais para este tópico trazer todas as questões relativas a este outros Escritos (mas acredito haver algo parecido no fórum), mas não há necessidade de todo Escrito útil estar necessáriamente incluso no Cânon, usamos os Escritos de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho abundantemente como forma do pensamento Cristão, e nem por isso há inteções de incluí-los no conjunto da Revelação.
Particularmente vejo ressaltar nesse caso apenas uma questão de autoria ou "apostolicidade" autoral, uma forma de ligá-los inequivocamente há uma comunidade de tradição apostólica verificável, o que não impede a utilização de seu conteúdo.

As demais acusações já possuem tópicos específicos para tais.
Essas coisas confirmariam a abertura das portas da Igreja ao paganismo.
Essas "coisas" sequer se confirmam a si mesmas, quanto mais à alguma outra coisa que não ao erro. Sejamos criteriosos...

Vinde Senhor Jesus!

Lucas B.

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Re: A conversão de Constantino

Mensagem por Geovanni146 em Sab Maio 19, 2012 11:15 am

A homem que, em 312, ia mudar com um só golpe o curso da história era um jovem príncipe de trinta e dois anos, Constantino.

Após a sua grande vitória contra Maxêncio sob a Ponte Mílvio, Constantino, diz o historiador cristão Lactâncio que, "pouco antes desta batalha, Canstantino teve um êxtase durante o qual recebeu de Cristo a ordem de colocar sobre o escudo das suas tropas um sinal formado pelas duas letras CH e R." Também Eusébio, seu contemporâneo, informado, segundo ele mesmo, pelo próprio imperador, afirma que, "Constantino apelou para o Deus dos Cristãos e então, em pleno dia, viu no céu, (...), uma Cruz luminosa com estas palavras em grego: "Com este sinal vencerás".

http://www.youtube.com/watch?v=wtrddEgKMTM&feature=youtube_gdata_player

Não é nem preciso discorrer muito sobre as verdadeiras razões que levariam Constantino a "conversão". Pois é sabido que alguns vêem nesta história apenas um jogo político do imperador. Outros, indo ainda 
mais longe, baseando-se no fato dele só ter se deixado batizar uns vinte e cinco anos depois, consideram sua conversão uma manobra ambiciosa e astuciosa. E quanto a visão, vêem nela apenas uma fantasia romanesca. Contudo, quem verdadeiramente procura conhecer esta figura incrível, os fatos narrados por Lactâncio ou por Eusébio nada tem de inverossímil.

Como a maioria do seu tempo, perseguido pela obsessão do sobrenatural, e sabendo que seu inimigo recorria aos oráculos pagãos e persuadido de que, segundo fala Lactâncio, "os inimigos de Jesus tinham todos um fim trágico", ele pode perfeitamente se ter impelido a implorar a Cristo, como fez posteriormente Clóvis na véspera da batalha de Tolbiac (quando venceu os Alamanos e converteu-se ao cristianismo). Após sua vitória, cumpriria sua promessa e daria início a uma política cristã. Seja como for, a sua determinação  foi providencial, no sentido mais histórico da palavra. 

Um dia após a grande vitória sob a Ponte Mílvio, mais precisamente no dia 29 de outubro de 312, Constantino entrou triunfante em Roma. Sobre as questões religiosas, não encontrou dificuldade. Com a evidente preocupação de não contrariar os seus súditos pagãos, aceitou sem hesitar as honras "divinas" que a bajulação tradicional lhe quis prestar.

É bem verdade que Constantino não rompeu, como acima dito, todas as amarras que o ligavam ao paganismo, conservou o título divino e a dignidade de Sumo Pontífice, que diga-se de passagem, todos os seus predecessores tinham ostentado, mas o fez com algumas reservas - talvez por necessidade política. Num Estado em que o cristianismo estava bem longe de contar a maioria dos cidadãos entre os seus fiéis, teria sido muito difícil para Constantino desfazer de um só golpe uma situação que já vinha de há mais de dois séculos. 

No entanto, é necessário notar que, se Constantino não quis ferir as suscetibilidades pagãs, nem por isso deixou de manifestar os sentimentos que experimentava para com o cristianismo. Logo de início mandou cunhar nas moedas  as  siglas CH-R. Mandou uma carta para Maximino Daia em tom "ameaçador", convidando-o a suspender sem demora a perseguição aos cristãos. Também enviou outra para o procônsul da África, com a ordem de devolver para a Igreja os bens confiscados. 

Sobre o tal Edito de Milão, que aliás, essa expressão nem deve ser tomada ao pé da letra. Não há qualquer texto, que tenha chegado até nós, assinado e promulgado em Milão, que fixe as bases da política cristã. O que conhecemos são apenas algumas cartas de Constantino e outras de Licínio (imperador do Oriente), as primeiras mencionadas por Eusébio e as segundas por Lactâncio. Tem-se perguntado se o Edito de Milão não teria sido um simples "protocolo"  assinado pelos dois imperadores, com o fim de passar a limpo as decisões que tinham tomado em comum, que estabeleciam a igualdade entre o cristianismo e o paganismo. A religião de Cristo torna-se "lícita", juntamente com muitas outras...

Sobre Santa Helena, todas as aparências são as de uma expiação. Muito pouco depois de Fausta ter sido assassinada, a já idosa mãe do Imperador, embarcou  para a primeira peregrinação feita por um  grande na terra. No entanto tudo isso permanece, digamos assim, um enigma, pois nenhum historiador até hoje conseguiu penetrar nas verdadeiras razões desse drama. Os autores cristãos da época esforçaram-se por justificar o crime; apenas S. Jerônimo, mais prudente, o fez sem comentários.

Fonte: A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, de Daniel-Rops, cap. IX (as fontes do autor: J. Maurice, Paris, 1924, e de A. Piganiol, Paris, 1932. Também H. Grégoire, La conversion de Constantin, in Revue de l'Université de Bruxelles, 1930-1931 etc. Sobre Sta. Helena e a sua peregrinação: A. M. Rouillon, Saite Helena, Paris, 1908, e J. Maurice, introdução a La Confrérie de la Sainte-Croix, Lila, 1927.)
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Re: A conversão de Constantino

Mensagem por Lucas B. em Ter Maio 22, 2012 6:13 pm

Esperando poder contribuir, acrescento:
E o São Constantino festejado no dia 27 de julho, é romano ou ortodoxo?
Há um São Constantino, Romano e Ortodoxo, celebrado no dia 27 de julho, no entanto é uma devoção antiquíssima, e não muito difundida fora da Europa e Oriente, ademais é uma festa de sete Santos companheiros, conhecidos como "Seven Sleepers" (não encontrei correspondente adequado em nossa língua senão - "os sete adormecidos", que no entanto nunca vi ser utilizada), possuem uma história bem peculiar, e remontam por volta ao ano de 250 d.C.
http://www.catholic.org/saints/saint.php?saint_id=757

Vinde Senhor Jesus!

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