SER Pessoa.

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SER Pessoa.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Ago 20, 2012 12:48 pm

O que é ser uma pessoa?!
Por exemplo menciono a seguinte analogia:
Você, homem ou mulher tem duas mãos, a direita e a esquerda.
Tanto uma como a outra mostram as suas (de você) qualidades de pessoa, falam por acenos, mostram alegria e tristeza, etc, etc, mas não são uma pessoa independente de si. A pessoa que está por detrás das suas mãos é precisamente você.
O mesmo se pode falar de YHWH.

Sempre fizeram parte de YHWH DEUS «o LOGOS» (ou PALAVRA DE DEUS a SUA simbólica mão direita, através da qual criou TUDO) e o SEU Espírito Santo que forneceu a energia de tudo o que foi criado. Vendo as coisas assim, não são 3 pessoas distintas, mas uma só YHWH. Os outros dois fazem parte do 1º. Na verdade, segundo o prisma da minha compreensão só há uma pessoa em YHWH.

No final dos tempos vem a «encarnação»: «e o VERBO (ou LOGOS) se fez carne» e habitou entre nós.

Agora a Palavra encarnou através da acção do Espírito Santo e surgiu uma pessoa humana: O Filho de Deus Yeshua MessiaH (Jesus Cristo).
Após a Encarnação já podemos ver no LOGOS, que tomou carne, uma pessoa distinta de YHWH. E se há Filho também há PAI.
Uma pessoa só pode ser considerada PAI se tiver um Filho. Assim, Pai e Filho são duas pessoas distintas com vontades diferentes.
«Pai, se for possível afasta de MIM este cálice. (vontade diferente), Mas faça-se a TUA VONTADE e não a MINHA (submissão perfeita e completa do Filho, perante o PAI).

Agora, o Pai é YHWH que continua a ter a SUA PALAVRA (LOGOS) DIVINA (que no final dos tempos encarnou como um ser humano passando a fazer PARTE integrante da CRIAÇÃO) e o seu Espírito Santo.

Yeshua Messiah é o ser humano que resultou da PALAVRA (LOGOS) que assumiu a carne humana com personalidade própria, distinta da do PAI.
Embora seja a encarnação que lhe atribuísse essa personalidade própria distinta do PAI (YHWH) não deixou de ser a PALAVRA (LOGOS) do PAI.
É um só ser, com duas naturezas: 1ª a divina que lhe vem do LOGOS e 2ª a humana que lhe vem da criação, pela parte de SUA MÃE, onde se gerou, cresceu, nasceu, se desenvolveu e por fim morreu. Veio ao que era seu, mas os seus não O receberam. Para que Yehsua fosse homem teve que se despir de toda a sua qualidade divina que lhe vinha da PALAVRA, isto é da sua «divindade» que possuía antes de ter sido concebido como ser humano.

Contudo para DEUS (YHWH) tudo o que realmente aconteceu já fazia parte dos seus propósitos, mesmo antes de ter fundado o mundo.

Quando voltou para YHWH (o PAI) depois da Ressurreição reassumiu a qualidade divina que já tinha antes como LOGOS, e continuou a ser um ser humano com a sua personalidade própria submissa ao PAI. Contudo, na SUA glória já não tem os condicionalismos e sofrimentos que teve aqui, na terra, antes da sua morte, pelo que a Sua submissão ao PAI é natural, pois ambos querem as mesmas coisas: «tal Pai, tal Filho», sendo a imagem perfeita do PAI, pois quem vê o Filho vê o PAI; «Não é verdade, Filipe?!»

De uma forma clara, e de acordo com o cap. 1º de João. é assim que eu vejo aquilo a que chamam de «mistério»: «O mistério que nos deu a SALVAÇÃO».

Quanto ao significado que os teólogos dão a «pessoa» parece-me que vai muito para lá desta compreensão e abrangência e que realmente me parece exagerada.

Os meus respeitosos cumprimentos.

Obs.
esta minha compreensão é muito recente, e veio depois de muito meditar e lutar contra preconceitos anteriores, embora sempre que lesse diversas passagens da Bíblia notasse um aviso do subconsciente que naturalmente repelia ou por desleixo não ligava.
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Manuel Portugal Pires

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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Ago 20, 2012 1:25 pm

Caro Manuel,

O que o senhor diz aqui é, em parte, a heresia "monarquianismo modalista" do século III d.C. Veja essa explicação:

"O monarquianismo dinamista
O monarquianismo dinamista professou que Jesus era mero homem, o qual no momento do Batismo terá sido revestido de poder (dynamis) divino; foi, portanto, um homem adotado por Deus como Filho, com intensidade especial. O fundador desta corrente foi Teódoto de Bizâncio, cristão de notável cultura grega, que o Papa São Vítor excomungou (190). Os seus discípulos, Asclepiódoto e Teódoto o jovem, quiseram organizar uma comunidade própria, para qual nomearam um Bispo chamado Natal; este foi o primeiro antipapa, o qual, arrependido, tornou´se ao seio da Igreja. Tal corrente teve novo representante na pessoa de Paulo de Samosata, homem ambicioso. Este via em Jesus um mero homem no qual terá habitado "como num templo" o Logos ou a Sabedoria de Deus, que em escala menor habitava em Moisés e nos profetas. Um concílio regional reunido em Antioquia excomungou Paulo (268); mas os numerosos adeptos deste continuaram a professar a sua doutrina, de modo que o Concílio ecumênico de Nicéia teve que se ocupar com a escola dos paulanos (325).

É de notar que o mencionado Concílio de Antioquia em 268 rejeitou a afirmação de que o Filho ou Logos é da mesma substância ou natureza (homoousios) que o Pai. Ora precisamente esta expressão foi consagrada pelo Concílio de Nicéia I (325) como fórmula de fé. Para entender os fatos, devemos observar que Paulo de Samosata usava a palavra homoousios para significar que o Logos ou o Filho era uma só pessoa com o Pai.

Monarquianismo modalista
Esta corrente ensinava que o Filho era o próprio Pai ou uma modalidade pela qual o Pai se manifestava; por conseguinte, o Pai terá padecido na cruz (donde o nome patri, de pater, pai; passianismo, de passus, padecido).Tal doutrina, devida a Noeto de Esmirna, foi levada para Roma e Cartago (África), dando origem ao partido patripassiano, que muito agitou a comunidade de Roma.

O Papa Zeferino (198´217), numa declaração oficial, afirmou a Divindade de Cristo e a unidade de essência em Deus, sem, porém, negar, como faziam os patripassianos, a diversidade de pessoas do Pai e do Filho. O modalismo foi estendido por Sabélio, em Roma, ao Espírito Santo. Este pregador professava três revelações de Deus: uma, como Pai, na criação e na legislação do Antigo Testamento; outra, como Filho, na Redenção; e a terceira, como Espírito Santo, na obra de santificação dos homens. Designava cada uma dessas manifestações como prósopon, palavra grega que significava originariamente "máscara ou papel de ator de teatro", visto que posteriormente prósopon significou também pessoa, a doutrina de Sabélio tornou´se ambígua e conquistou muitos adeptos, que de boa fé lhe aderiram sem querer negar a trindade de Pessoas em Deus.

Como se vê, o grande problema consistia em afirmar a Trindade de Pessoas em Deus sem cair no triteísmo ou sem professar três deuses. A controvérsia havia de arder por todo o século IV, envolvendo todas as camadas da população, desde o Imperador até os mais simples fiéis; a ingerência do poder imperial, que desde 313 era simpático ao Cristianismo, contribuiu para tornar difíceis e penosas essas discussões teológicas; elas assumiam, não raro, um caráter direta ou indiretamente político".

A fé católica, a fé de sempre dos cristãos, diz o seguinte:

"O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

253. A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66).

254. As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário» (67). «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho» (68). São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»(69). A unidade divina é trina.

255. As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância» (70). Com efeito, «n'Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação» (71). «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»(72).

256. São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária:

«Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe [...] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo [...] Deus, os Três considerados juntamente [...] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido» (73)".

Fonte: http://www.veritatis.com.br/doutrina/118-a-igreja/1083-heresias-trinitarias

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html

Grande abraço a todos.

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O que é ser PESSOA ?! ....

Mensagem por MSPP em Ter Ago 21, 2012 11:56 am

Caro «padre»
Não sei se foi de propósito, se por confusão sua, mas a minha tese não tem nada a ver com a que identificou.
Eu não considero Yeshua como um simples homem, mas procedente da encarnação do Verbo que faz parte de YHWH, pela acção do Espirito Santo. Ora se o Verbo, Logos ou Palavra sempre fez parte de YHWH, põe-se de parte a forma como interpretou a minha exposição.
O que friso é que O Filho de YHWH que é o Verbo em carne humana se despojou da sua divindade e isso é afirmado pela Biblia pela pena de PAULO.
Também afirmo que o Filho de Deus (o Verbo feito carne) depois de ressuscitar retomou a glória que tinha quando ainda era apenas o Verbo (em YHWH) sem deixar de ser Homem e isso. como sabe também é bíblico.

A grande questão que ponho é a seguinte:
O Verbo (a Palavra de DEUS-YHWH) já era ou não uma PESSOA distinta de YHWH antes de se ter tornado HOMEM? Friso e realço a palavra PESSOA. A minha conclusão é NÃO. Yeshua só passou a existir como pessoa depois do Verbo ter encarnado, pela acção do Espírito Santo de YHWH. Yeshua teve que crescer tanto em estatura como em graça como em sabedoria, diante de Deus e dos homens.(Lucas 2:52)
http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Lc+2#52

E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.
(Lucas 2:52)
Talvez isto lhe cause alguma confusão. mas vou colocar mais uma analogia que o sr «padre» conhece muito bem.
Roma é uma ou duas cidades?!
Resposta correcta. Roma é UMA cidade, mas dentro de ROMA existe a cidade-estado do Vaticano, independente de Roma por força do tratado de Latrão, e tendo alguns edifícios no outro lado do rio além dos que existem no monte Vaticano.
Assim, como apesar de o Vaticano ser uma cidade dentro da cidade de Roma, ROMA é apenas UMA cidade e não DUAS.
Da mesma forma YHWH é apenas uma só pessoa apesar de o LOGOS passar a ser uma pessoa, depois da encarnação, com uma vontade própria e esse LOGOS fazer parte de SI (YHWH) como sempre fez parte.
O LOGOS só passou a ser o FILHO de YHWH após a encarnação, Antes era como que o próprio YHWH (a sua PALAVRA).

Assim, as conclusões teológicas dos antigos em chamarem de pessoas com personalidade própria independente de YHWH é ir longe de mais com a generalização do significado da palavra «PESSOA». Assim como eu não posso nem devo dizer que a minha mão direita que é parte de MIM (e tem a minha própria substância) é uma PESSOA à parte de MIM.

A compreensão das coisas evolui com os tempos.
Assim quando da história que se conta de Santo Agostinho quando viu uma criança que lhe disse que era mais fácil deitar a agua do mar numa só pocinha que ele compreender o « mistério» que o perturbava. Agora a ciência sabe muito bem que é possível e bem possivel colocar toda a água do mar numa só pocinha. Isso acontece nos chamados « buracos negros» em que num volume muito inferior ao de uma pocinha cabe matéria de massa superior ao da TERRA INTEIRA, devido à concentração da mesma e à grande força da gravidade ai suportada.

A ideia de dizer que em YHWH há mais que uma pessoa é de origem não judaica e é uma aberração, ou mesmo um truque filosófico com fins que eu desconheço.

É uma honra muito grande para a HUMANIDADE ter em YHWH um seu representante, que se chama Yeshua Messiah (ou Yeshua ben Joseph).

Valorizarmos a natureza HUMANA do CRISTO deve ser uma preocupação de todos os que O seguem, pois nenhum de nós é DEUS, e podemos rever-nos n'Ele, apesar da sua natureza divina.

Ainda por cima, se estudarmos os prejuízos nefastos que causou no homem a defesa do trinitarismo de 3 pessoas distintas em DEUS (três em 1), como guerras, derramamento de sangue e outras formas de desavença, esse MISTÉRIO deixa muita pouca matéria para ser aceite na sua plenitude. Por outro lado, se isso é um mistério incompreensível é o mesmo que dizer que é NADA, ou apenas uma quimera do pensamento humano, e eu não gosto nada de organizar a minha vida (e em especial a salvação) baseando-me em simples quimeras incompreensíveis. Se homens virtuosos tiveram as suas opiniões, as suas formas de ver as coisas isso é de respeitar, mas não devemos ficar presos a simples especulações, por muito próximas que estejam da verdade.

Livremos-nos das amarras da escravidão e aproximemos-nos cada vez mais de YHWH e dos SEU conhecimento.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Ago 21, 2012 12:54 pm

Caro sr. Manoel,

Desculpa a pressa, mas dou somente algumas indicações a mais à questão:

Também Santo Ireneu falou do Filho e do Espírito Santo como as duas mãos de Deus, com as quais o Pai modelou o homem, feito à imagem e semelhança do Deus Uno e Trino, sem porém negar que o Filho e o Espírito Santo sejam pessoas distintas em Deus.

“Sempre fizeram parte de YHWH DEUS «o LOGOS» (ou PALAVRA DE DEUS a SUA simbólica mão direita, através da qual criou TUDO) e o SEU Espírito Santo que forneceu a energia de tudo o que foi criado. Vendo as coisas assim, não são 3 pessoas distintas, mas uma só YHWH. Os outros dois fazem parte do 1º. Na verdade, segundo o prisma da minha compreensão só há uma pessoa em YHWH”.

Equivocado. Em Deus há o Pai, o Filho (Logos, Verbo divino) e o Espírito Santo. São a mesma substância, ou natureza, não a mesma “Pessoa”. Pessoa significa o que há de distinto no seio da Trindade e substância ou natureza o que há de comum. O que há de distinto? As relações de origem. O Pai que gera desde toda a eternidade o Filho; o Filho é gerado desde toda a eternidade o Filho; e o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho. Damos o nome de Pessoa no seio da Trindade para indicar as relações diversas. Por que damos esse nome? Porque não temos um nome mais perfeito, não há nada tão perfeito na criação que pode se assemelhar a realidade divina.

“No final dos tempos vem a «encarnação»: «e o VERBO (ou LOGOS) se fez carne» e habitou entre nós”.

Outro engando. Não foi no “final dos tempos”, mas sim na “plenitude dos tempos” (Gal. 4, 4-5). O Verbo divino e eterno se fez carne e habitou entre nós. Não passou a ser uma pessoa, mas a segunda pessoa da Santíssima Trindade assumiu a natureza humana. O Verbo não deixou de ser Deus, não deixou de ser uma pessoa divina. Jesus Cristo fazia milagres, ressuscitava os mortos, lia os pensamentos, perdoava os pecados, deu a sua vida e a retomou. Tudo por sua vontade própria.

“Agora a Palavra encarnou através da acção do Espírito Santo e surgiu uma pessoa humana: O Filho de Deus Yeshua MessiaH (Jesus Cristo)”.

Errado. O Verbo, o Filho já era pessoa a ao encarnar-se se fez visível, como uma pessoa humana. Sua personalidade divina se uniu à humanidade, mas seu ser pessoal é eterno. Em Jesus Cristo há duas naturezas perfeitas, a humana e a divina, mas uma só pessoa, a Divina, à qual se uniu a humanidade do modo indefectível.

“Após a Encarnação já podemos ver no LOGOS, que tomou carne, uma pessoa distinta de YHWH. E se há Filho também há PAI.
Uma pessoa só pode ser considerada PAI se tiver um Filho. Assim, Pai e Filho são duas pessoas distintas com vontades diferentes.
«Pai, se for possível afasta de MIM este cálice. (vontade diferente), Mas faça-se a TUA VONTADE e não a MINHA (submissão perfeita e completa do Filho, perante o PAI)”.


Antes da encarnação já eram duas pessoas distintas e unidas na mesma substância. É verdade que Jesus é o Filho e se é Filho, há um Pai. Entretanto, Pai e Filho o são desde toda a eternidade, como Jesus Cristo mesmo diversas vezes o disse.
“Ninguem conhece o Pai senão o Filho”; “Antes que Abraão fosse, eu sou”;

“Para que Yehsua fosse homem teve que se despir de toda a sua qualidade divina que lhe vinha da PALAVRA, isto é da sua «divindade» que possuía antes de ter sido concebido como ser humano”.

Falso! Jesus Cristo tinha poderes divinos, vemos claramente nos Evangelhos e foi adorado pelos seus Apóstolos. Ele curava os enfermos, perdoava pecados, ressuscitava mortos, lia pensamentos, previa o futuro (previu a traição de Judas, entre tantas outras).

Um texto que escrevi essa semana e que penso que completa a questão:

“Jesus quando tinha doze anos quis ficar no Templo para mostrar a José, a Maria e a todos os cristão que já naquela ocasião Ele tinha perfeita consciência da sua missão e identidade. Ele sabia que era o Filho de Deus, que devia se ocupar das coisas do seu Pai, Deus. Esse texto evangélico é central para não nos permitir pensar que Jesus começou a pensar que era o Filho de Deus depois do seu Batismo (como alguns heréticos o fazem). Ele sempre soube que era o Filho de Deus, que era Deus, pois na sua pessoa divina estão presentes a inteligência divina e humana. O mais impressionante desse texto evangélico é que São Lucas diz que, embora Jesus tenha essa consciencia extraordinaria, ele volta para casa com Maria e José e "era-lhes submisso em tudo". E, ao mesmo tempo, "crescia em idade, sabedoria e graça", palavras que nos mostram que Ele era Deus e também verdadeiro homem, que podia crescer em sabedoria, idade e graça. Isso porque a sua divinidade comunicava sua presença à sua humanidade (graça) e sua inteligência divina comunicava seu conhecimento divino à sua inteligência humana. Sendo verdade que já era perfeita sua consciência sobre sua missão e identidade”.

Fonte: http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t1220-maria-foi-salva

Veja mais sobre a questão em outros lugares, com dezenas de textos bíblicos que confirmam a doutrina trinitária:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t88-santissima-trindade?highlight=Sant%EDssima+trindade

Cito alguns:

Mt 28, 16-20: Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda. Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

2 Cor 1,21-22: Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito.

Tit 3,1-7 “Admoesta-os a que sejam submissos aos magistrados e às autoridades, sejam obedientes, estejam prontos para qualquer obra boa, não falem mal dos outros, sejam pacíficos, afáveis e saibam dar provas de toda mansidão para com todos os homens. Porque também nós outrora éramos insensatos, rebeldes, transviados, escravos de paixões de toda espécie, vivendo na malícia e na inveja, detestáveis, odiando-nos uns aos outros. Mas um dia apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens. E, não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador, para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna.”

Outra reflexão nossa sobre o tema:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t71-quem-somos-nos?highlight=quem+sou+eu

Grande abraço e que “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Cor 13,13).
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Ago 21, 2012 12:59 pm

Completando:

"A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que n'Ele e com Ele é o mesmo e único Deus.

"A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho e pelo Filho «de junto do Pai» (Jo 15, 26), revela que Ele é, com Eles, o mesmo e único Deus. «Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado».

"«O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira; e, pelo dom eterno do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão».

265. Pela graça do Baptismo «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», (Mt 28, 19), somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna.

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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Ago 21, 2012 1:12 pm

Uma síntese da doutrina da Encarnação, com todos os textos bíblicos que a justificam:

E.10 ENCARNAÇÃO

§461 Retomando a expressão de São João ("O Verbo se fez carne" Jo 1,14), a Igreja denomina "Encarnação" o fato de Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação. Em um hino atestado por São Paulo, a Igreja canta o mistério da Encarnação:

Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus: Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,5-8).

§462 A Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério:

Por isso, ao entrar no mundo, ele afirmou: Não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram de teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui... para fazer a tua vontade (Hb 10,5-7, citando Sl 40,7-9 LXX)

§463 A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1Jo 4,2). Esta é a alegre convicção da Igreja desde o seu começo, quando canta "o grande mistério da piedade": "Ele foi manifestado na carne" (1 Tm 3,16).

E.10.1 Alma humana assumida pelo Filho de Deus

§472 Esta alma humana que o Filho de Deus assumiu é dotada de um verdadeiro conhecimento humano. Enquanto tal, este não podia ser em si ilimitado: exercia-se nas condições históricas de sua existência no espaço e no tempo. Por isso O Filho de Deus, ao tornar-se homem, pôde aceitar "crescer em sabedoria, em estatura e em graça" (Lc 2,52) e também informar-se sobre aquilo que na condição humana se deve aprender de maneira experimental. Isto correspondia à realidade de seu rebaixamento voluntário na "condição de escravo".


E.10.2 Concílios e Encarnação de Cristo

§465 As primeiras heresias, mais do que a divindade de Cristo, negaram sua humanidade verdadeira (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos a fé cristã insistiu na verdadeira Encarnação do Filho de Deus, "que veio na carne". Mas desde o século III a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samósata, em um concílio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adoção. O I Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, confessou em seu Credo que o Filho de Deus é "gerado, não criado, consubstancial (homousios) ao Pai" e condenou Ário, que afirmava que" o Filho de Deus veio do nada" e que ele seria "de uma substância diferente da do Pai.

§466 A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Diante dela, São Cirilo de Alexandria e o III Concílio Ecumênico, reunido em Éfeso em 431, confessaram que "o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem". A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde sua concepção. Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio: "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne".


§467 Os monofisistas afirmavam que a natureza humana tinha cessado de existir como tal em Cristo ao ser assumida por sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontado com esta heresia, IV Concílio Ecumênico, em Calcedônia, confessou em 451:

Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de um alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, "semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado"; gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida por sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase.

§468 Depois do Concílio de Calcedônia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o V Concílio Ecumênico, em Constantinopla, em 553, confessou a propósito de Cristo: "Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é Nosso Senhor Jesus Cristo, Um da Trindade". Na humanidade de Cristo, portanto, tudo deve ser atribuído à sua pessoa divina como ao seu sujeito próprio; não somente os milagres, mas também os sofrimentos, e até a morte: "Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e Um da Santíssima Trindade".

E.10.3 Efeitos da Encanação do Filho de Deus

§432 O nome de Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa de seu Filho feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. E o único nome divino que traz a salvação e a partir de agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens pela Encarnação, de sorte que "não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12)

§521 Tudo o que Cristo viveu foi para que pudéssemos vivê-lo nele e para que Ele o vivesse em nos. "Por sua Encarnação, o Filho de Deus, de certo modo, se uniu a todo homem." Nós somos chamados a ser uma só coisa com Ele; Ele nos faz partilhar (comungar), como membros de seu corpo, de tudo o que (Ele), por nós e como nosso modelo, viveu em sua carne.

E.10.4 Encarnação de Cristo dentro da história

§423 Cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, nascido judeu de uma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes Magno e do imperador César Augusto, carpinteiro de profissão, morto e crucificado em Jerusalém, sob o procurador Pôncio Pilatos, durante o reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem; que ele "veio de Deus" (Jo 13,3), "desceu do céu" (Jo 3,13; 6,33), "veio na carne", pois "o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos sua glória, glória que ele tem junto ao Pai, como Filho único, cheio de graça e de verdade... Pois de sua plenitude nós recebemos graça por graça" (Jo 1,14-16).

E.10.5 Encarnação e Ascensão

§661 Esta última etapa permanece intimamente unida à primeira, isto é, à descida do céu realizada na Encarnação. Só aquele que "saiu do Pai" pode "retomar ao Pai": Cristo. "Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13). Entregue a suas forças naturais, a humanidade não tem acesso à "Casa do Pai" à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo pôde abrir esta porta ao homem, "de sorte que nós, seus membros, tenhamos a esperança de encontrá-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu".

E.10.6 Fé na Encarnação de Cristo

§463 A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1Jo 4,2). Esta é a alegre convicção da Igreja desde o seu começo, quando canta "o grande mistério da piedade": "Ele foi manifestado na carne" (1 Tm 3,16).

§465 As primeiras heresias, mais do que a divindade de Cristo, negaram sua humanidade verdadeira (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos a fé cristã insistiu na verdadeira Encarnação do Filho de Deus, "que veio na carne". Mas desde o século III a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samósata, em um concílio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adoção. O I Concílio Ecumênico de Nicéia, em 325, confessou em seu Credo que o Filho de Deus é "gerado, não criado, consubstancial (homousios) ao Pai" e condenou Ário, que afirmava que" o Filho de Deus veio do nada" e que ele seria "de uma substância diferente da do Pai.

E.10.7 Filho de Deus faz obras humanas

§470 Uma vez que na união misteriosa da Encarnação "a natureza humana foi assumida, não aniquilada", a Igreja tem sido levada, ao longo dos séculos, a confessar a plena realidade da alma humana, com suas operações de inteligência e vontade, e a do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, teve de lembrar toda vez que a natureza humana de Cristo pertence "in proprio" à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Cristo é e o que faz nela depende do "Um da Trindade". Por conseguinte, o Filho de Deus comunica à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade. Assim, em sua alma como em seu corpo, Cristo exprime humanamente os modos divinos de agir da Trindade:

[O Filho de Deus] trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tomou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.

E.10.8 Filho de Deus tem conhecimento humano e divino

§474 Por sua união a Sabedoria divina na pessoa do Verbo encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava em plenitude da ciência dos desígnios eternos que viera revelar. O que ele reconhece desconhecer neste campo declara alhures não ser sua missão revelá-lo.


E.10.10 Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem sem mescla de confusão

§464 O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A Igreja teve de defender e clarificar esta verdade de fé no decurso dos primeiros séculos, diante das heresias que a falsificavam.

§499 O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo "não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal" de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a "Aeiparthenos" (pronuncie " áeiparthénos"), "sempre virgem".

E.10.11 Mistério da Encarnação

§359 "Na realidade o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado."

São Paulo ensina-nos que dois homens estão na origem do gênero humano: Adão e Cristo... "O primeiro Adão", diz ele, "foi criado como um ser humano que recebeu a vida; o segundo é um ser espiritual que dá a vida." O primeiro foi criado pelo segundo, de quem recebeu a alma que o faz viver... O segundo Adão estabeleceu sua imagem no primeiro Adão quando o modelou. E assim se revestiu da natureza deste último e dele recebeu o nome, a fim de não deixar perder aquilo que havia feito à sua imagem. Primeiro Adão, segundo Adão: o primeiro começou, o segundo não acabará. Pois o segundo é verdadeiramente o primeiro, como ele mesma disse: "Eu sou o Primeiro e o último"

E.10.12 Natureza humana assumida no Filho de Deus e não aniquilada

§470 Uma vez que na união misteriosa da Encarnação "a natureza humana foi assumida, não aniquilada", a Igreja tem sido levada, ao longo dos séculos, a confessar a plena realidade da alma humana, com suas operações de inteligência e vontade, e a do corpo humano de Cristo. Mas, paralelamente, teve de lembrar toda vez que a natureza humana de Cristo pertence "in proprio" à pessoa divina do Filho de Deus que a assumiu. Tudo o que Cristo é e o que faz nela depende do "Um da Trindade". Por conseguinte, o Filho de Deus comunica à sua humanidade seu próprio modo de existir pessoal na Trindade. Assim, em sua alma como em seu corpo, Cristo exprime humanamente os modos divinos de agir da Trindade:

[O Filho de Deus] trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tomou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.

E.10.13 Preparação para a encarnação

§522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da "Primeira Aliança", tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.

§523 São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. "Profeta do Altíssimo" (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser "o amigo do esposo" (Jo 3,29), que designa como "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Precedendo a Jesus "com o espírito e o poder de Elias" (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio.

E.10.14 Rosto humano de Cristo pode ser "representado"

§476 Visto que o Verbo se fez carne assumindo uma verdadeira humanidade, o corpo de Cristo era delimitado. Em razão disso, o rosto humano de Jesus pode ser "desenhado". No VII Concílio Ecumênico, a Igreja reconheceu como legítimo que ele seja representado em imagens sagradas.

E.10.15 Significação da encarnação

§461 Retomando a expressão de São João ("O Verbo se fez carne" Jo 1,14), a Igreja denomina "Encarnação" o fato de Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação. Em um hino atestado por São Paulo, a Igreja canta o mistério da Encarnação:

Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus: Ele tinha a condição divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fl 2,5-8).

§464 O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação do Filho de Deus não significa que Jesus Cristo seja em parte Deus e em parte homem, nem que ele seja o resultado da mescla confusa entre o divino e o humano. Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A Igreja teve de defender e clarificar esta verdade de fé no decurso dos primeiros séculos, diante das heresias que a falsificavam.

§479 No tempo determinado por Deus, o Filho Único do Pai, a Palavra Eterna, isto é, o Verbo e a Imagem substancial do Pai, encarnou sem perder a natureza divina, assumiu a natureza humana.

§483 A Encarnação é, portanto, o Mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa do Verbo.

E.10.16 Unidade do Verbo segundo a hipóstase

§468 Depois do Concílio de Calcedônia, alguns fizeram da natureza humana de Cristo uma espécie de sujeito pessoal. Contra eles, o V Concílio Ecumênico, em Constantinopla, em 553, confessou a propósito de Cristo: "Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é Nosso Senhor Jesus Cristo, Um da Trindade". Na humanidade de Cristo, portanto, tudo deve ser atribuído à sua pessoa divina como ao seu sujeito próprio; não somente os milagres, mas também os sofrimentos, e até a morte: "Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e Um da Santíssima Trindade".

§483 A Encarnação é, portanto, o Mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa do Verbo.

E.10.17 Verbo visível no Corpo de Cristo

§477 Ao mesmo tempo, a Igreja sempre reconheceu que, no corpo de Jesus, "Deus, que por natureza é invisível se tornou visível aos nossos olhos". Com efeito as particularidades individuais do corpo de Cristo exprimem a pessoa divina do Filho de Deus. Este fez seus os traços de seu corpo humano a ponto de, pintados em uma imagem sagrada, poderem ser venerados, pois o crente que venera sua imagem "venera nela a pessoa que está pintada".

E.10.18 Vontade humana de Cristo segue a vontade divina

§475 Paralelamente, a Igreja confessou no VI Concílio Ecumênico que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo por nossa salvação. A vontade humana de Cristo "segue a sua vontade divina sem estar em resistência nem em oposição em relação a ela; mas antes sendo subordinada a esta vontade todo-poderosa".

E.10.19 Razões da encarnação

E.10.19.1 Conhecimento do amor de Deus

§458 O Verbo se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus: "Nisto manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele" (1 Jo 4,9). "Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (Jo 3,16).

E.10.19.2 Homem consorte da natureza divina

§460 O Verbo se fez carne para tornar-nos "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4): "Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus".

"Pois o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus. "Unigenitus Dei Filius, suae divinitatis volens nos esse participes, naturam nostram assumpsit, ut homines deos faceret factus homo. O Filho Unigênito de Deus, querendo-nos participantes de sua divindade, assumiu nossa natureza para que aquele que se fez homem dos homens fizesse deuses."

E.10.19.3 Inauguração da nova criação

§504 Jesus é concebido pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, pois ele é o Novo Adão que inaugura a nova criação: "O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem vem do Céu" (1Cor 15,47). A humanidade de Cristo é, desde a sua concepção, repleta do Espírito Santo, pois Deus "lhe dá o Espírito sem medida" (Jo 3,34). É da "plenitude dele", cabeça da humanidade remida, que "nós recebemos graça sobre graça" (Jo 1,16).

E.10.19.4 Modelo de santidade para os homens

§459 O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade: "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim..." (Mt 11,29). "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6). E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: "Ouvi-o" (Mc 9,7). Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). Este amor implica a oferta efetiva de si mesmo em seu seguimento.

E.10.19.5 Tirar os pecados e alcançar a salvação

§456 Com o Credo niceno-constantinopolitano, respondemos, confessando: "E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espirito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem"

§457 O Verbo se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com Deus: "Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10). "O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo" (1Jo 4,14). "Este apareceu para tirar os pecados" (1Jo 3,5):

Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza humana para visita-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?

Fonte: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/e/encarnacao.html

Grande abraço a todos.
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Pe. Anderson
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A minha mão é uma PESSOA distinta de mim?! ..........

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 11:58 am

No pensamento judaico, donde deriva o cristianismo, só há uma pessoa em DEUS: YHWH.

Antes da criação e consequentemente da encarnação o Logos (λόγος) tinha a mesma vontade que tinha YHWH, não uma vontade distinta como a que Yeshua demonstrou quando disse.
Afasta de Mim este Cálice, mas faça-se a TUA vontade e não a minha.

Para atribuirmos ao Logos (λόγος) que estava em YHWH, antes de ter encarnado, uma personalidade distinta de YHWH, temos que dar á palavra PESSOA um significado muito distinto do que eu entendo e muito abrangente. O dizer 3 pessoas é apenas um «artifício» humano, sustentado por muitos anos, mas que é incompreensível.
Quando os teólogos não encontram uma palavra certa para definir algo, vão buscar uma palavra à qual estendem o seu significado usual.
Eu continuo com a analogia de «eu, minha mão direita. e a esquerda. Todas as partes do meu corpo têm funções distintas, mas nenhuma delas é por si só uma PESSOA distinta de mim. Eu, sim, sou uma pessoa. O mesmo acontece com YHWH e é neste sentido o pensamento judaico, no qual Yeshua cresceu, viveu e morreu. Houve no chamado cristianismo primitivo influência do pensamento gentio ao afastar-se (aberração) do pensamento judaico.

Maior erro que o dos Católicos é a dos Mórmons que dizem que o PAI é uma pessoa HUMANA como o FILHO e que Joseph Smith viu os dois um igual ao outro.

Quando usei a expressão (imprecisa) «fim dos tempos» referia -me à plenitude dos tempos. Falei num final relativo à encarnação o que não está totalmente errado. Como estava com pressa nem consultei o texto bíblico, como antes costumava fazer, para poder escrever a palavra mais correcta, pelo que peço desculpa. Assim pude ver que o sr. padre também consulta a Bíblia.

O pensamento Católico trinitário, não está muito longe da verdade. O problema está no uso ampliado de PESSOA (3 pessoas distintas). Isso causa uma tremenda confusão e faz um corte drástico com o pensamento judaico, onde nasceu o MONOTEÍSMO de YHWH. Eu também não tenho nenhuma palavra para usar em vez de «Pessoa» e a BÍBLIA também nunca usou nenhuma palavra, apenas fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sem se referir aos 3 que são pessoas distintas, num só DEUS.
Porque é que as coisas não continuaram na mesma linha?
A minha suposição é porque houve influência dos gentios em especial da filosofia grega.

Depois de ler acerca de S. Cirilo, devo dizer que foi um erro dele ter atribuído à mãe de Yeshua o título (honoris causa) de "Mãe de Deus" e de ter evocado as razões que evocou porque isso é como que um passo que empurra os crentes menos informados para a «idolatria».

Tenho ouvido falar de «geração eterna» para provar que o λόγος não foi criado do nada. Isto é uma artificio devido a atribuírem desde sempre ao λόγος a sua qualidade de Pessoa distinta. Será que depois da plenitude dos tempos o λόγος continua a ser gerado pelo Pai?| ... Se sim a palavra «gerar» tem um significado estendido e diferente do comum e que nunca acaba de ser gerado e assim eternamente inacabado! Para mim o λόγος nem foi criado nem gerado, mas sempre existiu em YHWH. O Filho (λόγος em carne) esse sim é que foi gerado na plenitude dos tempos e começou a fazer parte da criação como já fazia parte dos propósitos de YHWH.
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MSPP

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Heresias:

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 12:45 pm

Já li e ouvi várias versões acerca do conteúdo das diversas heresias apontadas.
O que acontece é que fico confuso com o que leio, e até é preferível não comentar muito, porque eles não estão aqui para se defenderem para dizerem qual é a versão verdadeira do seu pensamento que expuseram e que foi condenado.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 12:52 pm

Vejamos mais um pouco.

Certamente em Deus a palavra "Pessoa" tem o significado diverso do que tem aplicado a nós, seres humanos. Em Deus, "Pessoa" significa a relação subsistente, o que há de diverso no seio da Trindade. O Pai é quem gera, sua personalidade diversa vem do fato que só Ele gera o Filho; o Filho é gerado, e sua personalidade vem do fato que só Ele é gerado; e o Espírito Santo, que é o amor de Deus, procede do Pai e do Filho. Só o Espírito Santo procede. A relação de geração, de gerado e de procedência é o que há de diverso na Santíssima Trindade, o que caracteriza cada uma das pessoas.

Evidentemente todas as três Pessoas são o único Deus, o mesmo que iniciou a se revelar no Antigo Testamento e que foi revelado totalmente em Jesus Cristo. Ele nos revelou que Deus é somente um, mas no interno de Deus há o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Para nós, seres humanos, "pessoa" significa "substância individual de natureza racional", segundo a insuperável definição de S. Boécio. Essa definição, porém, não pode ser aplicada às pessoas divinas, pois em Deus há uma só substância (um só ser divino), mas nesse Deus há tres pessoas, tres relações subsistentes.

Afirmar que Maria é Mãe de Deus, se essa frase é bem compreendida, não tem nada a ver (nem de longe) com a idolatria. Idolatria é julgar divino uma criatura. Isso não ocorre, não ocorreu nem jamais ocorrerá no cristianismo. Para nós a idolatria é um pecado gravíssimo contra a fé. Só podemos adorar e prestar culto ao Deus que se revelou: o Deus Uno e Trino, único Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Para nós Maria é a Mãe de Deus, não porque lhe deu a divindade, mas porque foi a única Mãe do único Filho de Deus. "Somente ela e Deus Pai podem chamar a Jesus Cristo de meu Filho" (Sto. Tomás de Aquino). Ela gerou na Terra a pessoa única de Jesus Cristo, Salvado, o Emmanuel, Deus conosco, que é gerado para sempre no seio do Pai.

A geração de Cristo é eterna, mas a palavra "geração" não tem o mesmo significado que nõs usamos para falar da geração humana. Em Deus, "geração" quer dizer que o Pai é Pai de Cristo desde a eternidade e que Cristo é o Filho, o Verbo do Pai desde a eternidade. Isso não mudou com a Encarnação e não muda depois de sua morte e ressurreição. Jesus Cristo é Deus com o Pai, eternamente gerado porque recebe o seu ser sempre do Pai, assim como o Espírito Santo. As tres pessoas são o único Deus.

Compreendo sua dificuldade em entender o assunto, é o Mistério maior da nossa fé, ao qual jamais conseguiremos abranger totalemente. Mas podemos sim entender o que Jesus Cristo nos revelou e não confundi-lo com invenções humanas, que deturpam sua Revelação. Jesus Cristo foi condenado a morte porque chamava a Deus de Pai e "se fazia igual a Deus", pois Ele é realmente Deus, como diz claramente os textos bíblicos antes citados.

Não foram os teólogos que estenderam o uso da palavra "pessoa", mas na cultura grega essa nem mesmo existia. A palavra Pessoa que foi usada primeiramente para explicar o mistério trinitário que posteriormente passou a ser usado para explicar as criaturas racionais (homens e anjos). A palavra Pessoa provem da Teologia Trinitária.

Com todo o respeito, mas o fato de que uma coisa ser incompreensível para o senhor, não significa que seja de fato incompreensível. Por isso estamos esclarecendo aqui as confusões que o senhor expõe. Isso é normal. Quando não sabemos bem um tema devemos estuda-lo, perguntar a quem sabe mais do que nós e não inventar doutrinas novas e estranhas.

O pensamento Trinitário cristão não dana para nada o monoteísmo. Só há um Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Essa é a principal Revelação dada a nós por Jesus Cristo, o único que viu o Pai e que nos lo revela.

A analogia da pessoa e das duas mãos é uma metáfora, uma imagem e enquanto tal tem seus limites. Se significa que Deus é uma só natureza na qual há 3 distintas relações, tudo bem; se for usada para se negar a Trindade das pessoas em Deus, é uma analogia falsa e que não corresponde à mensagem bíblica.

Grande abraço e que o Deus Uno e Trino sempre lhe abençoe.


Última edição por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 1:04 pm, editado 1 vez(es)
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Pai-eterno.

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 1:03 pm

Pai eterno.
Ao ler acerca do significado de Pai-eterno, atribuído a YHWH, lembrei-me de Isaías 9:5 que é uma profecia que por analogia é atribuída ao Filho e não ao PAI.
Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros, e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai-Eterno, Príncipe da paz.
(Isaías 9:5)

Pesquisei na Bíblia e esta foi a única ocorrência que encontrei de Pai-Eterno.

Parece que a «Palavra de YHWH» está a desafiar a sabedoria dos homens mais doutos.

Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes.
(1ª Corintios 1:19)

Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Com efeito, está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.
(1ª Corintios 3:19)
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Palavras com outro significado bem diferente!

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 1:09 pm

Bem me parecia.
Os teólogos usam palavras comuns com um significado próprio, atribuído por eles, e incompreensível para aos leigos.
Assim as suas explicações só servem para discutirem entre eles, pois para os outros apenas geram confusão, e que confusão !!!!!
Para não falar das guerras e derramamento de sangue por causa disso.
Era isto o que Cristo queria?! ...
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 1:22 pm

A eternidade de Jesus Cristo, como o Filho eterno do Pai eterno está explicamente presente na Bíblia:

Jo 1, 1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. 2. Ele estava no princípio junto de Deus. 3. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. 4. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.

Jo 1, 14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.
15. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.
16. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.
17. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
18. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.

Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. (São Mateus 5,16)

Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. (São Mateus 5,45)

Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. (São Mateus 7,21)

Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto. (São Lucas 24,49)

o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. (I São João 1,3)

Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai. (I São João 2,23)

Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai. (I São João 2,24)

E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. (I São João 4,14)

Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. (São João 15,26)

Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará. (São João 16,15)

Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus. (São João 16,27)

Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai. (São João 16,28)

Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. (São João 17,5)

Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. (São João 17,21)

Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste. (São João 17,25)

Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. (São João 20,17)

Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. (São João 20,21)

São dezenas de textos nos Evangelhos e N.T. que Jesus Cristo fala do Pai. Ele é o único que o conheceu, desde antes da criação do mundo, ou seja, desde a eternidade (do inicio do mundo no tempo).

Mais uma coisa: não conhecemos os hereges antigos, eles não estão aqui, mas isso não nos impede de estudar o que eles disseram, escreveram e pregaram. Do mesmo modo o fato de não estar entre nós os iniciadores da Matemática, da Geometria ou da Filosofia não nos impede de estudar essas ciências.

Grande abraço.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 1:26 pm

Realmente houve algumas guerras na História por motivos políticos e com desculpas religiosas. Deve-se estudar bem o tema e não se dizer meras superficialidades. A discussão aqui é teológica e não vale a pena distorcer o seu conteúdo. Se quiser discutir algo de histórico, de concreto, façamos o tópico próprio. Vale a pena lembrar que as guerras mundiais, do século XX, feitas pela civilização tecnológica que tinha se livra de Deus e das religiões causou mais mortes do que todas as guerras da História da Humanidade juntas. As guerras por motivos religiosos foram aproximadamente 5% das que houveram até hoje.

Mas por favor, discutamos aqui o tema inicial que o senhor mesmo propos. Não é muito inteligente discutir um argumento trocando de assunto.

Grande abraço.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 1:48 pm

Falando de guerras e sangue, foi apenas um desabafo!
Ainda bem que o assunto veio à discussão, pois sei de certeza que a maioria dos cristãos, incluindo os Católicos irão ficar um pouco mais bem informados ao lerem este tema.
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πρόσωπα (segundo a Wikipédia)

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 2:14 pm

O que diz em relação à palavra πρόσωπα e sua explicação na wikipédia.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pessoa_(religi%C3%A3o)
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Relacionando; (união hipostática)

Mensagem por MSPP em Qua Ago 22, 2012 2:25 pm

Queiram pronunciar-se também em relação a «União hipostática» comentando o conteúdo da Wikipédia.
Este assunto também está relacionado e pode esclarecer o significado teológico da palavra «pessoa».
http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_hipost%C3%A1tica
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 4:31 pm

O texto da wikipedia em portugues está razoável, mas bem incompleto. Se querem ver um texto bem mais teológico e completo vejam esse link abaixo (em espanhol):

http://es.scribd.com/doc/56011791/Ratzinger-Persona-en-teologia

Grande abraço a todos.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 22, 2012 4:52 pm

Rapidamente,

A "união hipostática" se refere ao fato de que em Jesus Cristo, o Verbo de Deus encarnado há duas naturezas perfeitas, a humana (ele tem um verdadeiro corpo, alma, com inteligência e vontade humanas, paixões humanas, sensibilidade humana) e tem a natureza divina perfeita. Porque Ele é Deus, é "o Verbo divino que se fez carne e habitou entre nós".

Há em Cristo, pois, duas naturezas perfeitas unidas na única pessoa do Verbo divino Encarnado. Há duas naturezas perfeitas unidas na Pessoa do Verbo divino: isso significa união hipostática, união na hipóstasis do único Logos divino. Há duas naturezas em Cristo, mas não duas pessoas, porque tudo é unido na pessoa do Verbo divino que se fez verdadeiro homem.

Então Jesus Cristo tinha uma vontade humana e uma divina (sempre em harmonia uma com a outra); uma inteligência humana e uma divina, com as respectivos ciências humanas e divinas; a inteligência divina de Jesus Cristo sempre foi perfeita e atual, porque Deus não pode sofrer mudanças. E essa inteligência sabe tudo o que o Pai sabe (e o Espírito Santo) que são o único Deus.

Grande abraço a todos.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Ago 23, 2012 10:26 am

Caro sr. Manuel,

Posso trocar o nome desse tópico para "Ser e Pessoas divinas"? Acho que assim ficaria mais explícito os temas que aqui tratamos. Agradeço sua compreensão.

Grande abraço.
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Ser «pessoa» humana; e SER «PESSOA» DIVINA: πρόσωπα (prosopa)

Mensagem por MSPP em Qui Ago 23, 2012 11:11 am

Eu prefiro o nome que lhe dei, pois foi essa diferença de significado que me obrigou a dar esse nome.
Mas se quiser pode pôr o título:
Ser «pessoa» humana e SER «PESSOA» DIVINA: πρόσωπα, para que os leitores se apercebam bem da diferença, e que é muito grande.

Quanto à Wikipédia, que até está em português, qualquer pessoa humana pode modificar e acrescentar de acordo com os conhecimentos que possui.

Eu sei que o Sr. «padre» não gosta da Wikipédia, não sei porquê mas ela é muito consultada e dentro dos limites que possui tem sido muito útil.
Além disso, é mais provável ver nela várias correntes de pensamento e revelar-se mais isenta.

Quanto às palavras gregas Prosopon (em grego antigo: πρόσωπα; plural: em grego antigo: πρόσωπα - prosopa,) é minha simples opinião (para evitar as confusões dos diversos significados da palavra «pessoa» que além dos dois expostos tem mais significados de acordo com o ramo do saber em que se utiliza a palavra) que os teólogos utilizem um derivado do grego para se referirem ao que chamam de «pessoa divina», já que foi no meio grego que o conceito se desenvolveu.
Da mesma forma em português ressuscitou-se a palavra latina «óculos» que em latim quer dizer «olhos», mas que em português adquiriu um novo significado diferente de olhos e que toda a gente percebe, sem ter que frequentar uma universidade,

Eu penso que muitas vezes as pessoas entram em discussão e até em contradição apenas porque dão significados diferentes às mesmas palavras que utilizam; embora no fundo o pensamento delas não seja assim tão diferente. Depois arreliam-se umas com as outras e ficam com má impressão umas das outras.
Muitas vezes me pergunto se não se teria dado isso nas diferentes correntes de pensamento cristológico de antigamente! É muito provável que sim.
Além disso há a tónica de pensamento de cada corrente. Umas correntes queriam evidenciar a natureza divina no Cristo e outras a humana e ainda outras fazer a conciliação entre ambas. Há ainda a considerar o facto de cada corrente querer DOMINAR a outra, coisa que o próprio Cristo condenou como está muito bem explicito no cap. 23 de Mateus.

Depois de todas estas considerações gostaria que outras correntes de opinião deixassem aqui a sua «palavra», para enriquecer o tema.

Em Cristo!
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Ago 23, 2012 11:40 am

Caro sr. Manuel,

Vejamos mais uma vez: no mundo grego "prosopon" significava somente a máscara do teatro. Não significava "pessoa" tal como nós entendemos hoje. Essa palavra não existia no pensamento filosófico e jurídico antes do Cristianismo, antes da Revelação dada por Jesus Cristo. A partir da Revelação, Deus mesmo nos disse que em Deus há um Pai, um Filho e um Espírito Santo e que esses tres são o mesmo Deus. Como expressar isso em linguagem humana? Visto que na época a língua comum do mundo bíblico era o grego, os cristão não tiveram outra saída a não ser utilizar palavras que existiam para expressar a sua fé, dando-lhe evidentemente um significado novo, mais amplo do que até então o pensamento filosófico (e jurídico) conseguia alcançar. Então se viu que o que é único em Deus é o seu Ser, sua Natureza, sua substância (ousia). O que era diverso eram as pessoas, que expressam somente as relações divinas: O Pai é quem gera; o Filho é gerado; e o Espírito procede do Pai e do Filho. A partir de então a palavra "prosopon" passou a ganhar um significado totalmente novo: "pessoa" são as relações existentes no interno de Deus.

A partir disso, essa mesma palavra pôde ser aplicada à substância racional (anjos e homens). O significado dessa mesma palavra ganhava um novo sentido, para expressar as principais criaturas de Deus, feitas à sua imagem e semelhança. Como em Deus há uma Inteligência (o Verbo, o Filho) e o Amor (Espírito Santo), pessoa é aquele ser criado por Deus que possui também a capacidade ontológica de conhecer (inteligência) e de amar (vontade). A partir de então o conceito de pessoa entra na Filosofia e no Direito.

Então não é a Teologia que mudou uma palavra comum, uma cultura antiga, mas sim a Teologia que, ao interpretar a Revelação de Deus, passou a ser o centro inspirador e criativo de uma nova cultura: a cultura cristã, onde a pessoa passa a ser o seu centro.

Wikipedia é bom em certos assuntos, mas em outros é bem superficial. Por isso não pode ser a fonte de conhecimentos últimos dos seres humanos. Devemos buscar o caminho mais duro: os livros.

Também acho que as pessoas entram em discussão inutilmente porque não sabem bem o que estão discutindo. Veja o caso presente: o senhor diz que em Deus há uma só pessoa, contradizendo a fé cristã de sempre. E quando dizemos que em Deus há um só ser e tres pessoas, o senhor diz que não pode ser e logo depois reconhece que não sabe o significado da palavra "pessoa". Evidentemente, se não se sabe bem o que estamos discutindo (o termo "pessoa") é tão absurdo dizer que em Deus há 3 pessoas como dizer que há uma só. Pois não se sabe num caso ou noutro o que se está dizendo.

A solução é o caminho mais duro: estudar a origem do problema. Se devemos discutir se em Deus há uma ou 3 pessoas, devemos esclarecer o que significa "pessoa". E estamos esclarecendo bem aqui: Pessoa em Deus significa as relações subsistentes, ao interno do único ser divino.

Pensemos a questão desde um outro prisma. Se entendo bem o Direito, nascido na Civilização cristã, vejo que os entes (a realidade) é considerado pelo Direito ou como res (coisas) ou como pessoas (persona). Por isso, todos os que consideram, por exemplo, que o aborto de ser humanos pode ser feito, é porque consideram o feto como res e não como persona (o que é um absurdo). Então, para o Direito, os entes ou são res ou persona.

Vejamos o Evangelho e o N. T. Jesus Cristo falava de si mesmo, do Pai e do Espírito Santo como "res" ou como "persona"? Antes eu lhe citei uma lista grande de textos bíblicos, que não sei se o senhor considerou. Nesses textos, Jesus fala do Pai e do Espírito Santo como se fala de uma coisa ou de uma Pessoa? A resposta é evidente. Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas divinas, sem ser necessário dizer que são diversos seres divinos (o triteismo é uma heresia).

Sobre o pensamento cristológico antigo, para dar resposta às dúvidas não há outro modo a não ser o de estudar. Se não, vai se ficar a dizer superficialidades por toda a vida. Tem que se estudar cada autor, cada obra escrita para se chegar a conclusões ponderadas e não, como se diz no Brasil, "sair chutando de qualquer modo". Os assuntos aqui são sérios e merecem ser bem analisados; a superficialidade só nos faz mal.

Não há nada disso de "pensamento corrente", de "querer dominar" os outros no pensamento antigo. Os temas devem ser bem estudados e não a modo marxista, que vê briga e Revolução em tudo. É certo que houve uma evolução na linguagem, na forma de expor as verdades bíblicas, diversas discussões entre grandes homens da História. Temos é que estudar o que realmente houve, o que realmente foi dito e comparar a solução, os dogmas (as interpretações oficiais do Cristianismo aos textos bíblicos) com os textos bíblicos e se perguntar com sinceridade e inteligência: isso faz sentido ou não? Interpretaram corretamente ou não?

É esse nosso trabalho aqui. É isso que estou tentando fazer aqui e tentado mostrar ao senhor.

Deus nos fez inteligentes e para usar nossa inteligência. Quando pensamos, estudamos, discutimos um assunto não estamos pecando, nem mesmo tentando dominar a ninguém. Mas somente entender e esclarecer um tema. Isso foi o que foi feito na Igreja antiga e é exatamente o que fazemos agora. Quem não estiver de acordo, que apresente suas razões, sem querer julgar as intenções de ninguém. "Grandes inteligências discutem de ideias; médias inteligências falam de coisas; mediocres inteligências julgam as pessoas", como se diz num ditado dos EUA.

Grande abraço e que o Senhor sempre lhe abençoe.
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Motivar em vez de condenar!

Mensagem por MSPP em Qui Ago 23, 2012 1:25 pm

Caro «padre»
Eu sei muito bem o significado da palavra «pessoa».
O que não sabia era o significado que os teólogos davam a essa palavra nas suas discussões, o que é muito diferente. Eu conheço suficientemente a minha língua: o «Português» e eu não me chamasse de PORTUGAL.
Quanto à utilização da palavra grega «prosopon» foi apenas uma sugestão pertinente.
Não foi um ultimato.
A palavra nova com novo significado foi a grega prosopon (e não «pessoa»), tal como «óculo» do latim que significava «olho» e em português passou a significar «luneta».
Eu, ao contrário da maioria dos biliões de pessoas que vivem no mundo procuro saber a razão das coisas, mas quem tem a obrigação de ensinar são os chefes. Eu, posso gabar-me que sigo as recomendações de Yeshua «Procurai e encontrareis». Assim eu tenho procurado e encontro! Qual é a percentagem das pessoas viventes que fazem isso?!.
Portanto, acho que faz mal em me estar a criticar, pois isso é desmotivador, apesar de não procurar o louvor dos homens. Mas é um método redutor em vez de ser um modo edificante. Eu tirei o curso de professor primário e sei o que é «motivar» os alunos, embora o exercesse durante poucos meses,
Eu fui católico praticante ( e muito praticante em todos os sentidos, YHWH o sabe) durante várias dezenas de anos e nunca me ensinaram coisas que deveria saber.
Minha mãe educou-me precisamente para ser «padre», com uma educação muito esmerada, mas isso não foi possível, contra a vontade tanto de minha mãe como minha, por isso mesmo não se ponha em bicos de pés condenando-me, porque o efeito é o reverso do que o sr. «padre» tem em vista, e a sua igreja católica fica lesada com isso, devido à má impressão que causa nas pessoas.
Esta conversa e troca de ideias entre nós foi possível devido à MINHA iniciativa, ao ter criado o tema.
E com isto termino e peço desculpa por ser tão sincero, pois tudo o que aqui escrevi é sinceridade e com bons propósitos.

Em Cristo.
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Ser pessoa e SER "PERSONA."

Mensagem por MSPP em Sab Ago 25, 2012 12:50 pm

Na minha procura constante da verdade consultei um dicionário de «latim» que comprei há meses e verifiquei que a palavra «persona» que também foi e é mesmo agora muito utilizada no desenvolvimento da compreensão do dogma trinitário e na sequência da palavra grega «Prosopon» tem um significado muito semelhante à palavra grega, mas muito diferente do significado mais comum da palavra portuguesa para «pessoa». Assim, achava interessante que os teólogos portugueses a usassem em vez da palavra dúbia de «pessoa» e evitarem assim más interpretações à doutrina que têm desenvolvido.
Em português a palavra pessoa significa também SER, assim uma pessoa é também um SER; Ao passo que a palavra «persona» se adapta mais ao que os teólogos querem dizer e do significado mais correcto que estão a procurar ao se referirem à relação do «PAI, Filho e Espírito Santo» e do que os distingue.

No entanto podemos ler no cap. 13 da 1ª carta de Paulo as coríntios, precisamente no capítulo que é um hino ao amor AGAPE:

8*O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
9Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
10Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá
.

(1ª corintios cap 13)

... que o nosso conhecimento é IMPERFEITO, e isso é tanto no domínio da ciência (que terá o seu fim) como no domínio da teologia (que pode ser incluída por analogia no campo das profecias).

Ora se o que nos ensinam os teólogos (quando nos ensinam) é imperfeito, quando vier o que é perfeito, aquilo que nos ensinaram desaparecerá pois é falível, e não infalível como eles pensam que é ao criarem os «dogmas» bem feridos de falibilidade e imprecisão e não vale a pena «estar a tapar o sol com a peneira», mas reconhecerem essa imprecisão que os conduz à falibilidade .
Os que conseguem aproximar-se mais do conhecimento perfeito, não devem tentar ridicularizar nem excomungar as pessoas que não conseguem ir tão longe como eles, mas esperar que o Espírito de YHWH trabalhe no seu entendimento de acordo com as capacidades das mesmas pessoas.

E lembremos-nos sempre que é o amor AGAPE que perdurará para sempre.
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Yeshua Messiah é (um SER humano) e uma PESSOA humana.

Mensagem por MSPP em Qua Ago 29, 2012 1:16 pm

Yeshua Messiah (Jesus Cristo) é um SER humano?
Yeshua Messiah (Jesus Cristo) é uma PESSOA humana?

A resposta para estas duas perguntas é um SIM.

Nem o «Pai» nem o « Espírito Santo» são pessoas humanas (nem SERES humanos, nem ENTES humanos), mas o «Filho de DEUS» que é o «VERBO de DEUS» (LOGOS λόγος) que encarnou e se fez HOMEM, passando a fazer parte da Criação que foi feita por intermédio do LOGOS ( λόγος), antes de encarnar e mesmo antes da «fundação do mundo», passou a ser um SER humano e uma PESSOA humana. Depois de ter ressuscitado Yeshua foi para o PAI e tem a mesma glória que tinha antes do λόγος ter encarnado sem deixar de ser homem. Cristo não é um simples fantasma (espírito).
Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho.
ιδετε τας χειρας μου και τους ποδας μου οτι αυτος εγω ειμι ψηλαφησατε με και ιδετε οτι πνευμα σαρκα και οστεα ουκ εχει καθως εμε θεωρειτε εχοντα
(Lucas 24:39)

O texto a seguir mostra bem a relação (dependência) entre o Pai e o Filho, como «personas (πρόσωπα)» distintas.
Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.
Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.
E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos.
E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.
(1ª Corintios 15:27-28)

27pois Deus tudo submeteu debaixo dos pés dele. Mas quando diz: «Tudo foi submetido», é claro que se exclui aquele que lhe submeteu tudo. 28E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos.
(1ªCorintios 15:27-28 tradução dos padres capuchinhos)

Obs. Uso o termo «pessoa» com o significado comum e o termo «persona ("prosopon")» adaptando-o ao significado teológico, isto é, com significados diferentes para evitar confusões linguísticas de compreensão.
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Re: SER Pessoa.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Ago 29, 2012 5:35 pm

A questão é que a palavra "pessoa" (tradução portuguesa para a grega "prosopon") é uma palavra analógica, que se refere a várias realidades. Em primeiro lugar se refere ao que há de diverso em Deus; isso não pode ser o "ser", pois só há um ser divino, mas sim as relações. Por isso, em Deus "Pessoa" (ou prosopon) significa as relações subsistentes. Deus Pai é quem gera, Deus Filho é gerado e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.

Em sentido secundário "pessoa" foi e é utilizado para o ser racional: os anjos e os seres humanos.

Jesus Cristo é, pois, o Filho de Deus, o Verbo de Deus encarnado. De modo que o seu ser pessoa no seio da Trindade tomou uma carne, se fez ser humano, sem deixar de ser Deus. Jesus Cristo, pois, é uma pessoa divina que se fez homem, de modo que Ele é 100% Deus e 100% homem, duas naturezas perfeitas unidas na única pessoa do Filho de Deus Encarnado.

Deus Pai e Deus Espírito Santo não são pessoas humanas, isso é evidente e afirmar o contrário seria um absurdo (que nem os hereges mais criativos afirmaram), mas sim são as Pessoas divinas.

Grande abraço a todos.
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