Por que a Bíblia não tem imagens?

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Por que a Bíblia não tem imagens?

Mensagem por Fabricio em Qua Nov 14, 2012 8:06 pm

NOTA DA MODERAÇÃO: Tópico aberto nos seguintes termos: "As Sagradas Escrituras transmitem uma mensagem verbal de Deus para a humanidade. Os autores, inspirados pelo Espírito Santo, usaram da linguagem inteligível ao homem, e assim, as demais versões são traduzidas em línguas compreensíveis de cada povo. Se não há linguagem não-verbal na Bíblia, as imagens sacras podem nos trazer dados sobre o transcedente?

Se alguém vê a imagem de Jesus crucificado sem ter informações bíblicas de seu significado, pode inferir que ele morreu por nossos pecados, mesmo sendo inocente e que ressuscitou ao terceiro dia?

Por outro lado, o leque de opções espirituais de guias, pais, intercessores e padroeiros pode nos prender à ignorância da realidade espiritual e de certo modo evitar o contato com a revelação especial de Cristo nas Escrituras? E, por último, qual a razão de muitas das doutrinas e dogmas atuais não serem deduções lógicas de pressupostos bíblicos, mas sim derivados das tradições (que mesmo no tempo de Jesus já se revelava como oposta aos mandamentos antigos de Deus)?

As Bíblias infantis, que têm desenhos e figuras, bem como outros livrinhos, são mais didáticos do que a versão escrita original dos pergaminhos? Agradeço a leitura e possível consideração."
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Em primeiro lugar, que fique claro o seguinte: as imagens, ou mais corretamente, os ícones, têm função representativa. Ora, o ícone faz nada mais que representar uma realidade. O ícone definitvamente não é uma realidade. Daí vê-se a grande diferença entre ícone e ídolo (inclusive, é interessante notar que na Septuaginta, em todas as passagens bíblicas que se supostamente condenam o "uso de imagens", lê-se "eidelon", nunca "eicon").
 
Dito isto, não custa inferir que a própria escrita é um ícone. Nos hieróglifos egípcios, por exemplo, abundava-se o uso de figuras de animais ou outros objetos. O alfabeto chinês também usa deste artifício, porém mais implicitamente. Os hebreus e os gregos chegaram a uma forma mais eficiente de "desenhar sons", mas ainda sim suas letras continuam sendo representações, ou ícones. Então, não podemos dizer que a Bíblia não usa imagens, seja a versão que for.
 
Mas vamos lá, tentemos diferenciar as formas de comunicação, ou representação de determinada realidade, vamos classificar a escrita e o desenho como sendo diferentes. Vamos tentar representar esta realidade com papel e tinta. Chamemos um escriba e um pintor, e mostremo-lhes uma pessoa, peçamo-lhes que representem esta pessoa com os instrumentos que lhe foram dados. O escribra formulará um texto, no qual se lê que essa pessoa tem cabelos ligeiramente castanhos, pele parda e olhos esverdeados etc. O pintor simplesmente fará um retrato da tal pessoa. Agora chamemos a terceira pessoa: o entendimento desta pessoa sobre o que é um cabelo ligeiramente castanho pode ser diverso daquele do escriba, por mais habilidoso que ele seja com as palavras. Já a impressão do retrato (ao considerarmos arte concreta) é bem mais universal. Agora vamos pedir ao escriba e ao pintor que façam o mesmo para um grupo de centenas de pessoas. Ora, o escriba levará um dia e o pintor levará uma vida! Entendes porque não seria prático usar desenhos nas Escrituras?
 
Mas vamos às suas perguntas:
 
Se não há linguagem não-verbal na Bíblia, as imagens sacras podem nos trazer dados sobre o transcedente?
 
O conceito de linguagem não verbal é muito vago. Vou entender que o senhor refere-se à desenhos artísticos como linguagem não verbal. Primeiramente, nota-se que nos locais de culto dos cristãos primitivos, havia uma infinidade de desenhos. Se estavam presentes ou não nos pergaminhos (eu não o sei) era provavelmente por uma questão de ordem prática (como expus acima), nunca por uma questão de proibição (senão tais desenhos também não seriam permitidos nos locais de culto). É fato que a exposição do desenho é muitíssimo pedagógica. Se tiveres a oportunidade de visitar a Sainte-Chapelle em Paris, preste atenção nos vitrais, são uma verdadeira aula. Ah! Como devem ter ajudado o presbítero em suas explanações sobre as Escrituras... Além disso, os ícones têm claamente a função de adorno. A casa de Deus deve ser ricamente adornada. Lembremos que Deus agradou-se com o templo construído por Salomão, o qual possuia muitos ícones. E se o ícone representa uma realidade, a mesma reverência que é dada à leitura da Escritura, ou a um ato de glorificação a Deus (como o martírio de um santo, por exemplo) deve ser dada ao ícone que os representa. Só é importante ter em mente que nunca a reverência é devida ao ícone em si, mas à realidade que ele remete. Da mesma forma que o cristão não reverencia o papel e a tinta, mas a realidade representada pelos versos da Escritura.
 
Se alguém vê a imagem de Jesus crucificado sem ter informações bíblicas de seu significado, pode inferir que ele morreu por nossos pecados, mesmo sendo inocente e que ressuscitou ao terceiro dia?
Ora, é bem provável que não possa inferir nada. A mensagem cristã carece de ensinamento. Por isso Nosso Senhor instituiu a Igreja e enviou os apóstolos para propagar a Boa Nova. Poderia Ele muito bem ter ordenado que simplesmente se escrevessem e distribuíssem cartas, mas não o fez assim. Antes enviou pessoas com autoridade para ensinar. Assim, NINGUÉM apreende a mensagem cristã sozinho, nem por um ícone, nem mesmo pela Escritura.
 
Por outro lado, o leque de opções espirituais de guias, pais, intercessores e padroeiros pode nos prender à ignorância da realidade espiritual e de certo modo evitar o contato com a revelação especial de Cristo nas Escrituras?
Em primeiro lugar não há leque de opções espirituais. Tudo no ensinamento cristão remete à Cristo. Se consideramos alguém santo e digno de interceder por nós, é antes porque esse alguém foi um fiel seguidor de Cristo e praticante de sua mensagem. Em segundo lugar, qualquer fonte de revelação carente de explicação, ou mal explicada, pode nos afastar da Verdade Revelada, mesmo as Escrituras. Não é à toda que São Pedro refere-se às Escrituras como "difícieis de se entender", e acusa os "pouco doutos e menos fortalecidos" de deturpá-las. Por isso que São Paulo reclamava autoridade de apóstolo, porque a ele fora dada a missão de propagar a verdade, frente a muitos que propagavam deturpações e confundiam o povo.
 
E, por último, qual a razão de muitas das doutrinas e dogmas atuais não serem deduções lógicas de pressupostos bíblicos, mas sim derivados das tradições (que mesmo no tempo de Jesus já se revelava como oposta aos mandamentos antigos de Deus)?
Bem, isso é uma impressão sua. Talvez por desconhecimento, talvez por preconceito, não sei. Todos os dogmas proclamados pela Igreja são perfeitamente deduzidos pelas Escrituras. Aqui mesmo no fórum o senhor pode encontrar as explanações com bases bíblicas de quase todos os dogmas. Se o senhor aceita ou não o ensinamento da Igreja é outra história... Quanto à sua crítica às tradições, é importantíssimo diferenciar as tradições (ou costumes) das Tradições (Apostólicas), as quais o próprio São Paulo recomendava:
 
“Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (II Tessalonicenses, 2:15)
 
Além do mais, é importante compreender o contexto no qual Nosso Senhor fala das tradições. A condenação não é o costume em si, mas o mal uso dele para esquivar-se da prática da caridade. Por exemplo: não há nada de errado em consagrar um bem a Deus, o erro reside em usar isso como pretexto para não se dispor deste bem em favor do próximo. Vê que o problema não é a tradição, mas a deturpação da finalidade dela?
 
As Bíblias infantis, que têm desenhos e figuras, bem como outros livrinhos, são mais didáticos do que a versão escrita original dos pergaminhos?
Ora, para saber a resposta dessa pergunta, sugiro que você chame duas crianças, entregue à uma criança uma "Bíblia Infantil Ilustrada", e a outra um rolo original escrito em grego koiné sobre um pergaminho mal cheiroso e empoeirado, depois de 1 mês veja qual das duas conseguiu ir mais longe na leitura...rs
 
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Re: Por que a Bíblia não tem imagens?

Mensagem por Fabricio em Qua Nov 21, 2012 8:55 pm

Ok, meu caro

As Escrituras usam muitos termos de outras culturas para se referir ao demônio, ao inferno etc... Ora, se formos enumerar aqui quantas vezes aparecem palavras como Leviatã, Hades, Dragão etc. não vai haver espaço.

A representação do demônio como aquele ser de chifres e rabos (a qual, diga-se de passagem, já fazia parte da cultura judaica), apenas toma elementos de outras culturas para representar um ser maligno. E cá entre nós, representar o mal como algo assustador e o bem como algo belo é bastante didático. Quanto aos entendimentos deturpados, como já falei antes, qualquer mensagem carece de explicação, mesmo as próprias Escrituras. Se a representação artística for acompanhada da devida catequese, não há problema algum.

Por fim, o senhor contesta o fato dos artistas serem remunerados pelos seus desenhos. Ora, meu caro, os músicos que compõem hinos também são remunerados... que dizer então, que não se deve fazer música sacra? Até as editoras que vendem Bíblias também ganham dinheiro. Que dizer então, que não se deve imprimir Bíblias? Acho que não, né.

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Re: Por que a Bíblia não tem imagens?

Mensagem por MSPP em Qua Nov 28, 2012 4:05 pm

Permitam um pormenor acerca da IMAGEM de Satã.
Apesar de YHWH ter proibido terminantemente o uso de imagens, rabiscar uma imagem de Satã horrenda é para mim anti-pedagógico. Porquê?
Porque é uma forma de enganar as criancinhas.
No meu pensamento a sua reprentação correcta seria uma mulher muito bonita e sedutora (2ª Corintios 11:14). Uma representação horrorosa de Satã apenas nos causa repudio pela palavra Satã, mas não nos alerta pela real figura do Diabo que é um Demónio (δαίμονας) que em grego significava "divindade", "espírito" http://pt.wikipedia.org/wiki/Daemon
9*o grande Dragão, a Serpente antiga - a que chamam também Diabo e Satanás - o sedutor de toda a humanidade, foi lançado à terra; e, com ele, foram lançados também os seus anjos.
(Apocalipse 12:9)
Já repararam que quando nos dizem que o DIABO está nos «infernos» (palavra incorrecta), estão a dizer-nos que esta terra é um «INFERNO», pois foi para a «TERRA» que o «DIABO» foi lançado, quando foi expulso do céu?! Suponho que muitos ainda não se aperceberam disto! ...
E ele (Satã) persiste em se apresentar como um deus: o deus deste mundo:


3*Se, entretanto, o nosso Evangelho continuar velado, está velado para os que se perdem, 4para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo cegou, a fim de não verem brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é imagem de Deus. 5Pois, não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor, e nos consideramos vossos servos, por amor de Jesus. 6Porque o Deus que disse: das trevas brilhe a luz, foi quem brilhou nos nossos corações, para irradiar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo.(2ª Corintios 4:4)
(2ª Corintios 11:14)
A representação de Lilith estaria mais correcta, no ponto de vista PEDAGÓGICO.
Vela Lilith: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lilith que também vem na Biblia:
(Isaías 34:14, na tradução dos Capuchinhos)
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