Ponto de Felicidade

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Ponto de Felicidade

Mensagem por Rafaela Botelho em Sab Out 04, 2008 12:44 am

Olá.
Eu estava pensando... (não sei se vai encaixar no tema, acho que sim, caso não, desculpe..)
Freud fala sobre os mecânismos de defesa do ego (Recalque, Fantasia, Agressão deslocada, Racionalização, etc.). Todos os mecânismos têm por função proteger o nosso eu, manter o equilíbrio do ego.
Então... Isso quer dizer que em qualquer lugar que estivermos, por mais que seja um lugar desagradável [em nossa opinião], nossa mente vai criar como que pontos de felicidade para que não fiquemos 'malucos' [popularmente dizendo]. Ou seja, nunca conseguiríamos ser 'infelizes' completamente, a própria mente não permitiria isso. Mesmo em um lugar horrível, nossa mente criaria algum ponto positivo para nos apoiarmos.
Então, e a vocação?
Na Igreja se ouve muito: "Busque a vontade de Deus", "Estou discernindo a vontade de Deus em minha vida", "ONDE será que Deus me quer?".
Então não teria uma vocação propriamente dita para cada um? O seu lugar de felicidade, realização?
O ser humano então, em qualquer lugar vai ter um ponto de felicidade?
Não precisaria se fosse assim buscar a vocação, [digo vocação querendo dar foco no lugar em si, tipo na congregação] e tal.
Por exemplo, o cara quer ir pra Toca, mas não sabe se Deus o quer ali, se ali vai ser feliz.. Se for por Freud então, ele pode ir até para o Mosteiro São Bento que "seria a mesma coisa" [ou quase].
Não sei se consegui me fazer entender.

[OBS: Não seria um "questionamento" propriamente dito, mas, gostaria que fosse desenvolvido o assunto..]

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Felicidade sim!

Mensagem por Rebeca em Sab Out 04, 2008 3:01 pm

"Para os ignorantes,(Freud) Fréudi; Para os doutos e letrados,(Freud); Para nós, (Freud) FRAUDE!"

Chesterton

Existe ou não uma felicidade?
Sengundo Freud, não há infelicidade, nem poderia haver.
Entretanto, o Homem pode ser feliz. Nesta vida, não em plenitude, mas gozar de uma felicidade natural e de modo humano. A felicedade completa e plena, só na vida eterna.
Dizer que em qualquer lugar o homem pode ser feliz, parece confuso e é errado, pois o homem só se realiza quando se orienta a Deus. Se busca algo diferente de Deus se frustra.
Dizer que se pode ser feliz em qualquer lugar é precisamente relativismo ético. No caso de Freud a cosciência determina tudo: felicidade, satisfação......
Isto é mero subjetivismo, isto é, eu determino todas as coisas. Então, não haveria uma verdade objetiva. A verdade seria : cada um é dono de sua verdade. Isto seria o Káos....
Quanto a questão da vocação é um dom sobrenatural. Deus é quem dá a vocação. O homem deve buscar compreender o que Deus quer para ele. Isto não quer dizer que qualquer lugar seja o que Deus quer. Você deve procurar um lugar que favoreça suas potencialidades, carisma, dons e personalidade!
Portanto para nós há sim felicidade. Responder a Deus é encontrar a felicidade e caminho para a felicidade eterna.
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Cont.

Mensagem por Rafaela Botelho em Dom Out 05, 2008 5:34 pm

Olá.


Legal a frase.
Gostei da resposta, obrigada.


Mas, o que é a infelicidade em si?


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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por alessandro em Dom Out 05, 2008 11:17 pm

Ola Rafaela...antes de qualquer coisa receba as boas vindas em nome da moderação!
Qto à sua questão e a relação com Freud vou colocar algumas reflexões esta semana. Peço desculpas por não colocar agora, mas é que estou com um pouquinho de pressa. Very Happy

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enquanto a resposta oficial não vem

Mensagem por Binhokraus em Seg Out 06, 2008 12:17 am

Então, vale lembrar que muito desse assunto se relaciona com a onisciência de Deus! Então para trazer uma luz para o assunto vou citar coisas que já foram ditas no tópico que existe no fórum sobre a Onisciência Divina!
Quando dizemos da vocação, encontrar nosso lugar, ver o que Deus quer ou espera que eu faça, e coisas do gênero, temos que ter alguns cuidados. Um deles é entender que, como ensina a Igreja, nós temos o livre arbítrio, e portanto, podemos escolher ser o que quisermos ser! Independente de qualquer coisa! Se seremos felizes com a escolha que fizermos me parece ser a questão principal. Acredito, e me corrijam se eu estiver errado, que Nosso Senhor, em sua infinita sabedoria, conhece o caminho que nos levará a realização plena, felicidada plena, ou qualquer nome que desejemos dar, pois como dito no outro tópico, ele é a-temporal, e conhecedor de todo o futuro e todo passado! Então quando dizemos que estamos discernindo qual é a vontade de Deus para mim, é, na verdade, um exercício de escuta atenta daquele que conhece os caminhos, vislumbra as possibilidade e nos conhece melhor do que nós mesmos, sabendo exatamente quem somos e até aonde podemos chegar, então, nada mais sensato do que consulta-lo, pois ele saberá exatamente que caminho deveremos trilhar para alcançar a felicidade que tanto buscamos. Lembrando que a felicidade maior é e será estar diante de Nosso Senhor, e contemplá-lo face a face, tal qual Ele é! Então essa questão de vocação e felicidade, pode ser possível sim ser feliz em qualquer lugar, pq nós nos acostumamos com tudo, com as coisas boas e com as coisas ruins. Acredito que na verdade a pergunta que deveriamos nos fazer é:
Nós Seremos PLENAMENTE felizes em qualquer lugar? Em qualquer caminho que eu escolher caminhar, será que eu encontrarei a plenitude da felicidade?
Acredito que o pensamento de Freud nos dá uma pista. Quando ele diz que, independente da situação, nós nunca seremos completamente infelizes, pois criamos alguns pontos e tal.... isso nos mostra que talvez seja de fato ser feliz em qualquer lugar, mas também, precisamos perceber as entrelinhas, eu crio, a partir de um evento, ou uma situação ou um lugar, determinado, coisas que me proporcionem a felicidade, mesmo que tais lugares, situações e eventos sejam hostis! Então poderiamos presumir que a PLENITUDE da felicidade é encontrar um lugar aonde não precisassemos criar tais ilusões. Seria o lugar aonde não seria necessário criar pontos, pq estaremos de fato saciados dessa avidez pela felicidade. Logo a felicidade plena, a realização da plenitude da felicidade só seria possível na medida que ouvissimos e seguissimos a voz daquele que pode, e vê, o futuro de possibilidades que está na nossa frente todos os dias. Então somente quando ouvimos e seguimos a voz de Nosso Senhor, que pelo poder de sua onisciência enxerga além do que os nossos olhos e nossas mentes conseguem perceber, é que podemos caminhar por um caminho que irá nos conduzir a tal felicidade aonde os tais pontos de felicida, são simplesmente desnecessários, pq o estado, o lugar aonde se está é a realização plena de tudo aquilo que nós fomos concebidos para ser!
Deu pra entender?!?!?! hehehehe ou falei besteira demais?!
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Resposta da resposta, rs.

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Out 06, 2008 1:21 am

Olá.

Alessandro, obrigada. Aguardo então sua resposta.

Binhokraus, vc chegou num desenvolvimento da questão que eu já cheguei aqui e ia postar. O ser humano é um ser adaptável, que se acostuma fácil com as coisas. O que torna mais difícil ainda a questão da decisão. Por exemplo, se alguém está há 3 anos fazendo experiência [discernindo] em alguma congregação, sei lá, nesse tempo já fez amizades e já se acostumou com o ambiente, pessoas, cotidiano.. então torna mais difícil ainda a percepção dessa pessoa. Vai ser complicado para ver que não é aquilo que Deus quer pra ela.
Quanto a felicidade plena, passei bastante tempo pensando nessa questão. Mas, não sei se poderíamos chamar de 'felicidade plena' a felicidade em encontrar o lugar onde Deus te quer, porque, felicidade plena só vem depois. Acho que seria uma felicidade maior que 'felicidade' normal, comum ou que se encontra em momentos, e, menor que felicidade PLENA. Tá dando pra entender?
E, antes disso temos que responder o que é a infelicidade em si.

"...eu crio, a partir de um evento, ou uma situação ou um lugar, determinado, coisas que me proporcionem a felicidade, mesmo que tais lugares, situações e eventos sejam hostis!..."
Quanto a criar coisas que proporcionem felicidade, daí já vejo como 'alegrias ou emoções'. Porque a felicidade seria algo mais concreto. Criar momentos bons em lugares agradáveis [ou desagradáveis] seria algo momentâneo [não concreto], portanto, uma emoção ou alegria.

Mas, entendi o que vc disse. Continue a desenvolver por favor.
[OBS.: Só pra lembrar que a questão é mais para desenvolver mesmo o assunto, com isso, não estou atestando que estou num tipo de conflito interno sobre a autenticidade das coisas de FreudXIgreja não.] rs

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Ah!

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Out 06, 2008 10:04 am

Fábio, obrigada pela resposta aí pelo perfil da Rebeca.

Thales, estamos aguardando sua resposta.

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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por João em Seg Out 06, 2008 1:19 pm

Mas, o que é a infelicidade em si?

Olá!

Vou fazer minha costumeira viagem...

Infelicidade seria a não felicidade... ( Shocked

Mas, como assim???

- A felicidade plena, para nós cristãos, é estar junto de Deus, glorificando-o, certo?!?! Very Happy

- Se a felicidade plena é o contrário da infelicidade, logo a infelicidade é estar longe de Deus, ou seja, quando nós negamos a Deus, nos afastamos, (para nós cristãos) quando pecamos... Sad



Em relação a criar aqueles "pontos de felicidade", acredito o seguinte:

- Nós sempre buscamos a felicidade, para isso nós corremos atrás de algo que a traga, mesmo que isso seja apenas uma alegria ou um prazer momentâneo (não-contreto, ou algo assim). Esse algo que procuramos seriam esses tais "pontos de felicidade".

abraços
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Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Out 06, 2008 3:11 pm

Entendi o que vc quis dizer.

Sim, mas tem a questão da felicidade ainda não ser plena. [rs Isso tá ficando uma confusão..]
E conceito exato da felicidade em geral?
Huum, mas foi o que eu coloquei, essa alegria não-concreta não poderia ser felciidade.. Poderia?

... Aguardando!

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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por João em Seg Out 06, 2008 11:12 pm

Mas, não sei se poderíamos chamar de 'felicidade plena' a felicidade em encontrar o lugar onde Deus te quer

- Concordo com você, mas com certeza é uma GRANDE felicidade.


porque, felicidade plena só vem depois.

- Provavelmente depois do encontro pessoal com Deus, que é quando seremos completos.


mas tem a questão da felicidade ainda não ser plena

Vou criar três tipos de felicidades (se isso é possível):

- A felicidade plena é estar diante de Deus, a única felicidade existente;

- As felicidades quase-plenas (se assim podemos chamar, na falta de uma palavra melhor) não são a felicidade, pois só existe uma felicidade, mas são como um caminho no qual seguir em direção a plena, por exemplo, uma vocação;

- As contra-felicidades (felicidades não-plenas) são aquelas que não levam a plena, muito menos são a plena. São os prazeres do mundo, como as drogas, por exemplo.

Sendo assim, só poderíamos atingir a "felicidade quase-plena" e a contra-felicidade aqui na 'vida mortal'.


Felicidade:
- Bom êxito, sucesso (Dicionário Aurélio)
- O sentir-se completo, satisfeito (Minha definição)

Bem, espero ter conseguido adiantar alguma coisa...

abraços
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Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Out 06, 2008 11:36 pm

Até porque precisamos não nos sentir completos aqui. Se nos sentimos "completamente completos", sem sede de nada, com certeza tem algo errado.

Mas João, se dissermos que a ÚNICA felicidade é a plena [vida eterna], estamos atestando/afirmando a infelicidade na terra. O que seria errado...
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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por Thales em Ter Out 07, 2008 12:20 am

Olá!

Acho que o principal problema é que o conceito de felicidade nem sempre é entendido da mesma forma. Na concepção filosófica clássica, felicidade é a realização plena do indivíduo. Para Aristóteles, por exemplo, ela é encontrada na vida vivida em excelência, na vida virtuosa, e é fruto de toda uma vida inteira de esforço. A felicidade está intimamente relacionada com o bem, pois é praticando ações boas e gozando de boas coisas que o homem se torna feliz. Neste sentido, não haveria uma "infelicidade plena", pois não existe um mal absoluto que pode acontecer com o homem, ou que ele possa praticar.

Em um sentido mais cristão, a felicidade plena estaria em Deus, no perfeito relacionamento com Ele. Portanto, poderíamos dizer que a infelicidade seria estar privado por completo deste relacionamento, mas isso só acontece realmente no inferno.

Podemos ver que em ambos as concepções a felicidade está principalmente na ação humana. Nisso parece que a concepção de Freud se distancia, pois não faria sentido para Aristóteles dizer que a felicidade está apenas em encontrar nas coisas algo que a proporcione. Freud é um pensador naturalista, e por isso talvez seja mais fiel a ele interpretar seu conceito de felicidade como "prazer" ou "satisfação". Mas não sei se mesmo assim Freud diria que a felicidade é totalmente "criada" pelo inconsciente. Talvez, até para ele, fazer algo contra a vontade não seja a mesma coisa que fazer algo "segundo a vocação".

Mas de Freud, eu sei muito pouco ou quase nada. Acho que o Alessandro, apesar desta não ser a sua especialidade, pode contribuir bem mais.

OBS: Tópico movido de "Filosofia" para "Papo Cabeça" para permitir um desenvolvimento mais amplo da questão.

Abraços,


Última edição por Thales em Ter Out 07, 2008 12:57 am, editado 1 vez(es)
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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por Binhokraus em Ter Out 07, 2008 12:50 am

Rafaela Botelho escreveu:Quanto a felicidade plena, passei bastante tempo pensando nessa questão. Mas, não sei se poderíamos chamar de 'felicidade plena' a felicidade em encontrar o lugar onde Deus te quer, porque, felicidade plena só vem depois. Acho que seria uma felicidade maior que 'felicidade' normal, comum ou que se encontra em momentos, e, menor que felicidade PLENA. Tá dando pra entender?
E, antes disso temos que responder o que é a infelicidade em si.

"...eu crio, a partir de um evento, ou uma situação ou um lugar, determinado, coisas que me proporcionem a felicidade, mesmo que tais lugares, situações e eventos sejam hostis!..."
Quanto a criar coisas que proporcionem felicidade, daí já vejo como 'alegrias ou emoções'. Porque a felicidade seria algo mais concreto. Criar momentos bons em lugares agradáveis [ou desagradáveis] seria algo momentâneo [não concreto], portanto, uma emoção ou alegria.

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Então, como eu costumo fazer, sem querer é claro, acabei dando uma ambiguidade a coisa.... A felicidade plena é de fato estar na Presença de Deus! Na Glória! Adorando, contemplando Deus Face a Face!!!
Mas como se chega lá.... o Thales disse coisas bem interessantes acima, no que diz respeito de fazer o bem e tudo mais, para se encontrar a felicidade....
O lance, e vou tentar não ser ambiguo, é o seguinte.... hehehehe...... DEUS é o Sumo Bem! Nosso Pai! Conhece, TUDO! SABE TUDO! ELE nos criou, nos formou, então ELE como criador SABE o que de melhor nós possuímos, ELE nos conhece melhor do que a nós mesmos, então para encontrar a felicidade plena, precisamos trilhar o caminho de Deus, que é o caminho do bem, pois Ele é o Sumo bem, que, aqui na terra vai nos levar a uma vocação específica, seja religiosa ou leiga, todos tem uma vocação, um chamado, uma aptidão especial, que fica mais fácil de se perceber quando se caminha com o "Inventor" da coisa! Quem melhor que o criador para instruir a sua criatura naquilo que ela pode de melhor fazer? Sempre respeitando a liberdade que nos foi dada. Por isso a Felicidade Plena, já pode começar a ser sentida em vida, aqui na terra, pois como já dito em outro tópico por outra pessoa, podemos começar a viver o céu aqui na terra, pelas coisas que fazemos... Do mesmo modo a infelicidade plena, seria, como já dito, estar em um lugar completamente afastado de Deus! No caso o inferno, que nada mais é que a ausência de Deus, e mesmo estando lá sem sentir a presença de Deus, saber que ainda sim ele continua te amando causaria em nós uma infelicidade plena! E como o céu pode começar na terra, também o inferno pode começar por aqui... Esse lance de pontos de felicidade, para mim, é mascarar algo que não vai bem, como disse Freud, como um mecanismo de defesa.... mas será que é só isso? defesa? Isso não seria uma artimanha do inimigo para nos confundir e nos acostumar a viver sempre mascarando situações desfavoráveis!? Pois se tem um Deus que quer nos orientar no sentido de nos conduzir a plenitude da Felicidade, tem também aquele que luta para que as almas se percam na plenitude da infelicidade....
viajei??!!?
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huuum...

Mensagem por Rafaela Botelho em Ter Out 07, 2008 1:16 am

Bom, olá.

O Thales colocou umas coisas interessantes sobre a AÇÃO do homem estar ligada a sua felicidade, e não felicidade em coisas.
[ Homem = praticar boas ações e o bem = felicidade ] <-> [ claro que não seria só isso]

Quero ressaltar que a questão não é tanto o Freud ou qualquer outro, mas a situação que coloquei. Só citei o nome dele para vcs saberem de onde tirei aquilo. (ponto)
Pois é, o Thales colocou uma questão verdadeira, o estar privado totalmente de Deus é o inferno.

Mas o conceito que o Binho colocou de se começar a viver o céu na terra já leva o conceito de infelicidade para outro lado.

Acho que podemos explorar o "viver o céu na terra" (Thales, aguardando sua resposta sobre isso!).
Será que isso estaria certo?

Temos que ver qual concepção estaria correta para continuarmos, porque, uma "desmente" a outra se for desenvovlida.

Gostei do que o Binho disse sobre quem luta para nos conduzir ao caminho da infelicidade plena, que é o contrário de Deus. Faz super sentido.
Mascarar algo que está errado!

É, vc não viajou.. rs

Binho, só coloquei o exemplo de vocação por ser um exemplo amplo que abrange vários setores e se pode criar várias situações para questões.

Daí se é tudo uma farsa, se não se pode mesmo ter uma felicidade em qualquer lugar, criamos outra situação. Faz-se necessário o Auto-conhecimento [e profundo] para então chegar a felicidade.
O que seria então, o eu?

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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por João em Ter Out 07, 2008 5:12 pm

O que seria então, o eu?

Acho que isso já foi desenvolvido no tópico "Quem somos nós?"

abarços
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OBS

Mensagem por Rafaela Botelho em Ter Out 07, 2008 7:08 pm

1) Não sei se vai ser uma pergunta totalmente viagem, mas..
A felicidade está bastante relacionada as ações do homem, prática do bem, etc. [Como foi dito]
A felicidade é Deus. Então, o ateu praticando boas ações, fazendo o bem chegaria até Deus?
Alguém afastado de Deus poderia ser plenamente feliz?

2) Podemos continuar desenvolvendo a questão anterior..
[Lembrando que a questão anterior não foi só sobre o eu, mas também sobre viver o céu na terra]

OBS: Se a questão foi muito nada a ver, desconseiderem.

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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por Rafaela Botelho em Qua Out 08, 2008 11:07 pm

Aguardando respostas..!
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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por Diego em Seg Out 13, 2008 8:05 pm

Rafaela, respondendo a pergunta "1)", vale lembrar que a Igreja não possui apenas limites visíveis. Se a Igreja é o povo de Deus, então um ateu que pratique boas ações estaria sim se aproximando de Deus. Há lugares em que a existencia de Cristo é desconhecida, então lá um ateu ou membro de outra religião que estivesse fazendo o bem poderia estar próximo de Deus (mesmo que não saiba disso).

Vendo pela simples equação: se ele se sente feliz em fazer o bem, e Deus é a felicidade plena, então fazendo o bem ele se aproxima de Deus.

Se falei algo errado, por favor me corrijam...
Abraço a todos!
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Felicidade e vocação

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Out 15, 2008 3:36 pm

Cara Rafaela,

Você está colocando aqui assuntos muito sérios, que merecem muito estudo e reflexão. Por isso levamos tanto tempo para dar uma resposta. Tentarei te dar algum esclarecimento, de acordo com o que eu entendi de suas questões. Falar da felicidade não é tão fácil assim, sabemos que é algo que temos que descobrir durante toda a nossa vida. Tentarei te dar algumas luzes da Teologia católica e da filosofia.

Primeiro ponto: creio que está claro para você que todo homem deseja naturalmente a felicidade. Isso significa que homem nenhum é “plenamente feliz”, e busca preencher os espaços que estão vazios em seu ser. Lewis dizia (no livro “Os quatro amores”), que todo homem é um ser essencialmente necessitado. Todo homem está em busca, não se sabe bem do que. Isso é válido para todos, inclusive para o cristão. A diferença entre o homem não cristão e o homem que vive na graça de Deus é que o homem não cristão não sabe o que lhe falta, não sabe para onde se dirige e não se contenta com essa situação. O homem cristão, em graça, está necessitado de algo (na verdade de Alguém), é consciente disso e é capaz de viver em paz. Mas todo homem, enquanto vive nessa vida é essencialmente um ser necessitado.

Como está desenvolvido no tópico “quem somos nós”, podemos dizer que o homem está necessitado de responder a 3 questões: de onde venho? Para onde vou? e com quem posso contar nessa vida? Essas três perguntas são reflexos da imagem de Deus em nós e respondem demonstram que todo homem tem um desejo natural de Deus, como aparece no início do Catecismo da Igreja Católica.

Segundo ponto: a felicidade é uma noção analógica; quer dizer que é uma palavra que tem vários significados, todos relacionados, mas com significativas variações. O Thales já te explicou várias formas de entender esse conceito. No cristianismo o principal modo de entender a felicidade é a perfeita realização de nosso ser, uma posse perfeita da nossa perfeição, sem a possibilidade de perder essa posse. Na felicidade alcançamos a perfeição de todas nossas potencias, a atualização de todas nossas capacidades. Mas devemos lembrar que, como já dizia Aristóteles “a alma é de certo modo todas as coisas”. Isso quer dizer que nós somos capazes por natureza, de conhecer tudo o que existe. O que nos falta é o tempo e a vontade de conhecer tudo. Por isso, conhecer tudo nessa vida nos é impossível. Nós cristãos afirmamos que nossa sede de conhecer é infinita, assim como nossa sede de amar e ser amado; em outras palavras, é infinita nossa sede de felicidade. Essa sede infinita não pode ser satisfeita numa vida finita, imperfeita, limitada.

Por isso acreditamos que nossa sede só poderá ser satisfeita na eternidade. Como entendemos a eternidade? A resposta mais perfeita foi dada por Boécio: “eternidade é a posse total, simultânea e completa da vida interminável”. Por isso nós dizemos que só na eternidade, quanto tivermos posse total da vida interminável dada por Deus é que seremos felizes.

E nessa vida podemos ser felizes? Depende pelo que nós entendemos por felicidade. Num sentido principal não, pois é necessário estar na eternidade para estarmos na posse da felicidade e agora estamos no tempo. Mas, num sentido derivado podemos dizer que nós podemos participar da felicidade nessa vida. Isso ocorre quando Deus comunica a sua vida a nós homens, suas criaturas mais perfeitas. Essa auto-comunicação de Deus ao homem é o que nós chamamos de graça, que nos vem sempre por meio de Cristo. A graça é pois uma participação nossa na vida divina, um começo da eternidade. A graça é o começo da glória, nos diz Santo Tomás. Nós recebemos a Deus realmente em nossa alma em graça de forma que na graça “Deus está no homem como o amado está no amante”, nos diz Santo Tomás. A graça é pois uma nova forma de Deus estar no homem (já que Ele já está por sua onipresença, conforme já está tratado no tópico correspondente).

Deus portanto se comunica ao homem, e isso realmente transforma o homem por dentro. “Quem está em Cristo é uma criatura nova”, nos diz São Paulo; essa vida vai crescendo em nós até o ponto de podermos dizer “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”, como disse São Paulo no final de sua vida. A vida da graça realmente eleva nossa natureza, nos dá uma vida nova, passamos a viver a vida divina, princípio de imortalidade e dessa forma a felicidade começa para nós nessa vida. “A fé é o início da salvação”, nos diz o Concílio de Trento, nos revelando que a vida da graça, a vida da amizade com Cristo nos leva à felicidade eterna com Deus. A esse estado de felicidade na eternidade com Deus chamamos tradicionalmente de “Céu”. O Céu é pois o lugar eterno da amizade: “o Céu é o lugar onde os amigos não se separam”, nos diz Santo Agostinho. Portanto podemos ser “felizes” nessa vida, entendido como uma participação na vida eterna, que é uma vida de graça, de amizade com Deus, na qual Ele passa a morar dentro de nós e nos dá a esperança segura do nosso encontro definitivo com Ele.

Terceiro ponto: como fazer para conhecer a vontade de Deus para nossa vida? Como não confundir a vontade de Deus com nossas experiência psicológicas? Essa pergunta é excelente, é, na verdade, uma pergunta que todos os cristãos se fazem.

A primeira coisa que temos que ter em mente é que Deus é um ser Pessoal. Deus não é uma energia, uma força misteriosa, mas é um Deus pessoal. Isso significa que Deus tem inteligência (Logos, o Filho) e tem vontade que ama perfeitamente (Espírito Santo). Nosso Deus é nosso Pai, que nos ama como a filhos, realmente se comunica a nós e é um Deus que realmente fala conosco. Como conhecer a vontade de Deus? Em primeiro lugar, perguntando para ele; com a consciência que ele realmente nos escuta e fala conosco. Deus Pai, Filho e Espírito Santo está no mais profundo do nosso ser e nós devemos falar com esse Deus que habita dentro de nós. Isso é o que Santo Agostinho chamava de “Mestre Interior”, temos que falar com esse mestre interior. A essa conversa nossa com esse Mestre, nós chamamos de oração. A oração é pois o principal modo que temos para conhecer a vontade de Deus. Isso é trabalhoso e todo fiel que reza, está realmente lutando para discernir a vontade de Deus (que nos é realmente comunicada) e não confundi-la com nossos mecanismos psicológicos. Na oração nós pois lutamos para conhecer a Deus e nos conhecemos a nós mesmos. Isso é um trabalho longo e difícil, que leva toda a vida. para conhecermos a vontade de Deus para nós temos que entrar em contacto com Deus, com a confiança de Deus.

Um segundo ponto sobre essa questão é que quando alguém vai discernir sua vocação (em alguma ordem religiosa ou para o sacerdócio ou para o Matrimônio), o cristão tem consciência que ele não está sozinho. O cristão nesse processo deve ter alguém experiente que o acompanhe e o ajude a ver os sinais da vocação divina para a pessoa. A esse acompanhamento espiritual que os cristãos que buscam reconhecer a voz de Deus para eles, nós chamamos de direção espiritual. “Quem crê não está só”, isso sempre nos diz o Papa, e é uma realidade na vida de cada cristão. Também numa ordem religiosa sempre há um processo longo até que a pessoa faça seus votos perpétuos. Por que isso? Porque a Igreja está preocupada em que seus filhos respondam positivamente à sua vocaçã e sejam realmente “felizes”. Nesse processo cada um deve discernir se está buscando um refúgio ou realmente se está respondendo a Deus. Uma pessoa pode ficar certo tempo em alguma comunidade porque está acostumada, porque se sente bem ali, mas seguramente ninguém está disposto a entregar sua vida só por isso. Se não há um firme propósito de conhecer sua vocação e se não houver uma consciência clara de que aquilo é o que Deus lhe pede, ninguém permanece por muito tempo nessa situação. Portanto, um conhece sua vocação pela oração sincera e confiante a Deus; ademais, uma pessoa deve buscar ajuda e acompanhamento com uma pessoa mais experiente, que lhe ajudará a ver nos acontecimentos da vida a vontade de Deus.

Um último ponto que me parece que você toca, ainda que timidamente, é um assunto bastante grave na vida cristã: é o tema do silencio de Deus. Todo cristão começa sua caminhada, em geral com um encontro pessoal com Cristo, que o transforma. Isso é efeito da graça de Deus que o toca por primeira vez. Em geral, depois de um período de grande entusiasmo, parece à pessoa que Deus a deixa no silencio, parece que Deus se afasta um pouco, o entusiasmo e os sentimentos vão cessando e parece que a alma se esfria. Isso não é uma experiência de algumas pessoas de hoje em dia, mas é a experiência de todos os santos em toda a história do Cristianismo. Nós vemos isso nos escritos de todos os santos. Por que ocorre isso? Fundamentalmente porque assim Deus prova a alma, quer dizer, assim a alma se fortalece no amor, que é um ato espiritual da vontade, que se entrega a Deus. Esse é um tema da Teologia Espiritual, que é tratado em milhares de livros. Eu te aconselho você a ler uma resposta de Papa à pergunta de uma jovem italiana fez ao Papa no ano 2006, no encontro da juventude em Loreto:

“Eu creio no Deus que tocou o meu coração, mas são muitas as inseguranças, os questionamentos, os medos que trago dentro de mim. Não é fácil falar de Deus com os meus amigos; muitos deles vêem a Igreja como uma realidade que julga os jovens, que se opõe aos seus desejos de felicidade e de amor. Diante desta recusa percebo toda a minha solidão de ser humano e gostaria de sentir a proximidade de Deus. Santidade, neste silêncio, onde está Deus?”.

A resposta do Papa foi incrível: a primeira coisa que o papa disse foi que “todos nós devemos suportar este silêncio de Deus, também para poder entender os nossos irmãos que não conhecem Deus”.

Depois ele disse que: “A beleza da criação é uma das fontes onde realmente podemos tocar a beleza de Deus, podemos ver que o Criador existe e é bom, que é verdadeiro como a Sagrada Escritura narra no conto da Criação, isto é, que Deus pensou e fez com o seu coração, com a sua vontade, com a sua razão este mundo e achou-o bom”.

Depois disse: “também nós devemos ser bons, a fim de manter o coração aberto para perceber a verdadeira presença de Deus. Depois, ao ouvir a Palavra de Deus nas grandes celebrações litúrgicas, nas festas da fé, na grande música da fé, sentimos esta presença”.

Depois há a amizade, a companhia da fé. Se dúvida, a fé une, a amizade cria uma companhia de pessoas a caminho. E sentimos que tudo isto não vem do nada, mas realmente há uma fonte, que o Deus silencioso é também um Deus que fala, que se revela e, sobretudo, que nós mesmos podemos ser testemunhas da sua presença, que da nossa fé brota realmente uma luz, inclusive para os outros”.

Por fim afirma o Papa: “por um lado devemos aceitar que neste mundo Deus é silencioso, mas não devemos ser surdos ao seu falar, ao seu aparecer em tantas ocasiões e vemos, sobretudo na Criação, na bela liturgia, na amizade dentro da Igreja, a presença do Senhor e, repletos da sua presença, podemos também nós oferecer luz aos outros”.

Essa questão do silencio de Deus está presente na vida crista desde o início do cristianismo. Todos os grandes cristãos se depararam com esse problema em algum momento. Se você quiser eu te envio dezenas de textos sobre isso, mas creio que por hora minha resposta está muito longa.

Espero ter entendido suas questões e espero que essa resposta possa te ajudar. Se precisar de algo mais, pode perguntar, tentarei te ajudar. Que Deus te abençoe!
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Mensagem por Rafaela Botelho em Qua Out 15, 2008 5:17 pm

Olá.
Tudo bem?


Diego, sim acho que vc está correto. A questão das pessoas que nunca ouviram falar de Deus e tal, é explicada na Redemptoris Missio. A grande questão nem era essa da pessoa afastada geograficamente, mas, do ateu chegar a felicidade. (Que foi desenvolvida pelo Anderson, comentário abaixo)

Anderson, obrigada pela resposta. Confesso que pensei que a pergunta era repetitiva ou "chata" porque ninguém mais respondia. Depois pensei que a resposta era óbvia e que todos já tinham entendido menos eu.

Sobre a busca incessante do homem, sim, realmente isso é claro e notável. Gostei que vc ressaltou sobre a diferença do homem cristão saber o que busca e o homem não-cristão que busca algo que não sabe.

“Deus está no homem como o amado está no amante”, isso foi esclarecedor.

Gostei do modo como vc colocou a questão do "Mestre Interior", que a conversa com esse Mestre seria a oração. Porque, muitas vezes temos a concepção de oração ser uma coisa externa. Externa no sentido de "dentro para fora". Com o "Mestre Interior" já fica uma relação mais próxima, "dentro para dentro".
Muito interessante mesmo, isso que vc disse já é uma ajuda e tanto!

Nesse processo cada um deve discernir se está buscando um refúgio ou realmente se está respondendo a Deus.
Essa é uma situação complicada, porque entra a questão do auto-conhecimento que como vc mesmo disse, é um processo da vida toda. As vezes a pessoa busca esse "refúgio", fuga de si mesmo até inconscientemente. A questão do diretor espiritual, sim, é uma necessidade, nem seria opção. O complicado é que ele [o diretor espiritual] é outro, uma outra pessoa (com todas as qualidades e limitações do ser humano). Claro que sabemos que no momento da direção espiritual, Deus fala através dele.

Achei bem legal o jeito que vc coloca os conceitos e definições oficiais das questões sem abandonar os conceitos de fé. Na sua resposta sempre há um paralelo entre o "conceito correto" e o que nós cristãos devemos acreditar, citações, etc.

O silêncio de Deus que você fala, seria o "deserto"?
Sinceramente, acho até bom (se é que eu poderia dizer assim) esse silêncio, de certa forma. Porque no início queremos ter a tal "cosquinha no coração", sempre queremos "sentir" tudo. Com o passar do tempo na caminhada chegamos ao ponto de estarmos firmes apenas pela fé (algumas vezes) e não por "sentir" nada. Assim seria o amor de verdade, o amor para Deus que não espera senti-Lo, não espera receber nada em troca. Como já foi dito num outro tópico que não lembro agora (acho que foi o Thales) que não devemos estar na Igreja "só" pelo céu, pela recompensa, porque seria um amor de interesse.
E como já está na Palavra "o ferro é provado no fogo, o justo é provado na tribulação, provação..".
Esse período de silêncio, é sem dúvida um período de amadurecimento. É um período de riqueza espiritual. Grandes ensinamentos são dados nesta fase, que (penso eu) dura conforme a necessidade de cada um.
Não sei se seria um erro ou, como execução de sua essência, uma busca a questão do homem ter tão forte a Fé e a Razão. Chega um ponto que mesmo com nossa fé já um tanto amadurecida, tentamos buscar explicações através da razão para fundamentar nossa fé. Seria nossa fase "adolescente espiritual", como uma mãe que sempre manda um filho fazer tal coisa e ele obedece, numa determinada época, não querendo contrariar ou achando que sua mãe está errada, mas ele começa a questionar suas ações, quer saber o pq daquilo que faz, daquilo que sua mãe manda.
Daí surgem vários questionamentos, que se desenvolvidos de forma sadia constituem crescimento para a vida espiritual, mas, é um período que nos encontramos vulneráveis a ataques. Tanto desenvolvemos questões que de fato são interessantes quanto nos perguntamos por coisas bobas que antes pareciam óbvias.
Na encíclica Fides et Ratio isso é desenvolvido de forma magistral. Acho que a sensibilidade e percepção nos ajudam a passar de forma tranquila por essa fase. São necessárias: A (saber que mesmo sem senti-Lo, Ele está ali e continua agindo em sua vida, etc.) e a Sensibilidade/percepção (Caráter que todo ser humano tem devido a inclinação de nossa alma à contemplação, por mais que isso esteja meio adormecido ou enferrujado.. É o perceber Deus na natureza, no outro, no contemplar, admirar, etc.).
Acho que um consolo até para esse momento é a leitura de "Pegadas na Areia".

O interessante é que no momento em que as decisões estão em nossas mãos, no ápice disso tudo é quando também a busca pelo Supremo Bem cresce e "grita". Na fase de escolha da profissão, faculdade se junta com a voz do "Mestre Interior" que não cessa de convidar a fazer algo que não se sabe, e, que queremos responder mas ainda precisamos passar pelo difícil processo de discernimento. Daí vale ressaltar a importância do silêncio, não só externo, mas, dos pensamentos, para que possamos passar por isso com a calma necessária.
É quando nossa alma mostra que tem sede de eternidade.
É legal colocar que nessa sociedade atual temos muito o conceito de "no final tudo dá certo". Claro que na vida do cristão que põe sua confiança em Deus, se pode afirmar que por mais que as coisas não se mostrem da melhor forma agora, se tem uma certeza da felicidade plena, do céu. Mas, nossas decisões tem papel fundamental nesse "no final tudo dá certo". O que é complicado. Parece que por mais que eu vá pra lá ou pra cá [sem desviar dos caminhos de Deus] no fim tudo daria certo e seria feita a vontade de Deus. Mas o complicado é a questão das minhas decisões. Porque não é tão simples assim, não é só porque sou cristã e confio em Deus que tudo que eu fizer dentro da Igreja me encaminharia para a felicidade plena [ou é?]. As minhas decisões vão dizer isso..
Sei lá, tá entendendo a relação entre decisão e "final feliz certo"?
"Nesta terra do meu cativeiro hei de honrá-Lo e louvá-Lo" (Tobias 13,7)

Anderson, muito obrigada mais uma vez pela resposta. Você explicou tudo tim-tim por tim-tim, gostei da metodologia que utilizou.

Fiquem com Deus.
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Re: Ponto de Felicidade

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Jun 15, 2009 9:03 pm

Só para acrescentar, pois achei bem interessante...

"Se eu alcançar na minha condição e na profissão tudo o que eu posso alcançar, se minha felicidade está garantida pelo Direito, em suma, se eu, no pleno sentido da palavra, for um cidadão e se a palavra de meu país, liberdade - liberdade-, soasse novamente na boca dos homens honestos e felizes, estaria eu então satisfeito no meu íntimo? Deveria pensar que sim, mas não é verdade (...), o direito social não me satisfaz, o estado social não me realiza, não posso permanecer tranquilo sobre o fundamento da minha formação civil (...)"

(Pestalozzi)

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Re: Ponto de Felicidade

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