A floresta cresce silenciosamente

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A floresta cresce silenciosamente

Mensagem por camiloabc em Dom Mar 10, 2013 7:23 pm

É muito mais falado o mal que o bem, faz mais barulho uma árvore a cair que uma floresta a crescer.

Sugiro que aqui se deixem notícias e testemunhos de coisas boas, bons exemplos que a Igreja e os cristãos dêem nos acontecimentos diários. A enorme maioria destas obras acontece sem ser falada.

Começo por um texto de um professor catedrático que foi em tempos ministro de um governo do partido socialista português, o mais reconhecido sociólogo português:

António Barreto
A desumanidade da sociedade civil

Por razões de ordem pessoal, tive recentemente de me ocupar de questões ligadas à assistência aos desfavorecidos e à protecção de populações em risco. Entre estas, podem contar-se os idosos (especialmente sozinhos e doentes), crianças abandonadas, filhos de pais doentes, refugiados, vítimas de violência doméstica, pobres, certos desempregados, doentes acamados, pessoas sem abrigo, viciados, drogados, hospitalizados com parentes ausentes, presos e outros. Num vasto universo de organizações civis e não--governamentais que se dedicam ao apoio e ao conforto destas pessoas, encontrei ou tomei conhecimento da existência de milhares de voluntários que gastam, por dia, mês ou ano, horas sem fim com aqueles que assistem. Além do tempo de trabalho, que não é pouco, gastam também recursos pessoais.

Mais do que tudo isso, o esforço e a energia destas pessoas, em certas circunstâncias, são impressionantes. Quando vemos grupos de rapazes e raparigas a recolher alegremente géneros nos supermercados, podemos sempre pensar que existe algo de lúdico associado à generosidade. Mas esses são momentos excepcionais. O essencial da assistência e da solidariedade é muito mais difícil. O contacto humano com acamados idosos ou doentes terminais exige resiliência moral. Trazer, durante a noite, alimentos e uma palavra aos toxicodependentes e aos sem-abrigo, frequentando os locais mais esquálidos e infectos das cidades, implica um difícil despojamento dos códigos de comportamento estabelecidos. Levar água, pão e medicamentos a crianças doentes e esfomeadas nas áreas miseráveis onde se desenrolam guerras civis de enorme crueldade pede sacrifício e capacidade para correr riscos de vida. Visitar, todas as semanas, por vezes todos os dias, presos ou doentes, sempre em ambientes de dor ou de degradação física e moral, não é um gesto ao alcance de todos. Esta assistência, voluntária, sem remuneração, recompensa ou visibilidade, é uma das reservas de decência na nossa sociedade muito mais interessada na mercadoria ou na exibição.

Ao estudar estas actividades, dei-me conta de que a maior parte das organizações e dos voluntários tem uma qualquer inspiração religiosa. São grupos e entidades ligados às Igrejas (em Portugal, sobretudo a católica), às ordens, às comunidades religiosas, às paróquias e a outras instituições. Notei algumas de inspiração laica, movidas pela mais simples solidariedade, mas são a minoria. Conheci mesmo voluntários ateus ou agnósticos que se dedicam a esta acção com os grupos religiosos, pois os consideram mais eficientes e mais genuínos. Fica-se com a impressão de que a segurança organizada e o reconhecimento do direito de todos à protecção não substituem, nem de longe, a assistência humana e pessoal ou, mais simplesmente, o "amor ao próximo" em nome de um deus. As vantagens, que são muitas, da cidadania laica e do Estado de protecção social não incluem a humanidade, a decência e a capacidade para resolver caso a caso as situações individuais. A solidariedade civil parece não substituir o sentimento religioso.

Nos últimos anos, por causa da crescente voracidade da imprensa, mas também graças às tendências de evolução da sociedade (com maior escrutínio da actuação pública e maior consciência dos direitos das pessoas), quase todos os dias surgem notícias que põem em causa as competências e as funções do Estado-providência. Violência e assédio a menores nas instituições públicas estiveram à cabeça da lista. Menores abandonados às bolandas entre instituições e tribunais. Crianças desaparecidas ou abandonadas. Idosos brutalizados pelas famílias ou pelas instituições. Criminalidade e doença superiores nas zonas com mais densidade de populações em risco. Expansão das doenças contagiosas nas prisões e nas instituições. Em todos os casos, um traço comum: a falta de prontidão das agências oficiais, seja dos tribunais, sejam dos institutos ou serviços especializados. De comum ainda, a incapacidade de atender as pessoas com humanidade. Nada de novo. O sentido de humanidade e a decência, assim como a solidariedade, estão nas pessoas, não nas burocracias.

"Uma esmola dada a um pobre é mais um dia de atraso na revolução", terá dito Lenine ou um dos seus amigos. A esquerda (na qual incluo todas as espécies ditas racionalistas, republicanas, laicas, socialistas ou comunistas) viveu sempre em combate contra a caridade. A seu favor, fica o papel crucial que desempenhou no reconhecimento dos direitos sociais e da igualdade entre todos os cidadãos. Assim como o seu contributo para a criação do Estado-providência. Mas, a seu desfavor, fica a desumanização da assistência aos desprotegidos. O Estado não é eficiente, nem acode rapidamente. Sobretudo, o Estado não é capaz de trazer o que muitas vezes é essencial: o apoio humano, o conforto afectivo e a esperança.

Que o Estado não seja capaz de humanidade, não é para admirar. Mas que grande parte dos seus técnicos e funcionários também o não seja, já deixa a desejar. As instituições parecem feitas para enquadrar e regulamentar, não para agir individualmente, com a humana generosidade que, muitas vezes, faz tanta ou mais falta do que o alimento ou o abrigo. Mais ainda: nessa enorme constelação de agências de voluntários, são poucas as organizações e poucas as pessoas que se dedicam a estas sacrificadas actividades por mero espírito de solidariedade laica. Para se dedicarem ao exibicionismo, ao dinheiro e à competitividade, os laicos entregam ao Estado as actividades de protecção e de solidariedade. Pode a sociedade civil distinguir-se pelas liberdades e pela igualdade. Mas falhou radicalmente na fraternidade.

03.06.2007, António Barreto



pois tentarei vir aqui juntar exemplos daquilo que de bom o amor a Deus e ao próximo nos leva a fazer.

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Re: A floresta cresce silenciosamente

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Mar 11, 2013 5:36 am

Caro Camilo,

Muito boa essa sua iniciativa. Muitas vezes as pessoas valorizam o erro, o imoral e o escandaloso, me parece que no sentido de propagar o que não convém, de denegrir imagens de pessoas e de instituições.

Se perquirirmos, no conteúdo do nosso fórum, principalmente nos tópicos abertos por uma parte dos protestantes, essa realidade pode ser facilmente constatada.

Espero que os amigos vejam esta questão e comecem a valorizar o que é salutar, para que Deus seja glorificado no meio do seu povo, e para que as pessoas vejam e compreendam que o amor ainda existe, ainda transforma vidas e converte corações.

Um grande abraço !!!
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Re: A floresta cresce silenciosamente

Mensagem por camiloabc em Dom Abr 07, 2013 6:13 pm

Argentina: Papa Francisco envia donativo

50 mil dólares destinados à ajuda de emergência para vítimas das cheias na Arquidiocese de La Plata


Lusa
Cidade do Vaticano, 06 abr 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco enviou um donativo de 50 mil dólares (cerca de 38 mil euros) às populações atingidas pelas cheias na Arquidiocese de La Plata, Argentina, anunciou hoje o Vaticano.

O montante, que se destina a “ajuda de emergência” para os desalojados, foi entregue através do Conselho Pontifício ‘Cor Unum’ (um só coração), da Santa Sé.

As chuvas que esta semana atingiram a Argentina, país natal do Papa, provocaram pelo menos 50 mortes e obrigaram centenas de pessoas a abandonar as suas casas.

Francisco enviou uma mensagem ao arcebispo de Buenos Aires, na quinta-feira, manifestando-se “profundamente entristecido” pela tragédia que provocou mais de 50 mortes.

"O Papa Francisco, profundamente entristecido pela notícia dos graves danos provocados pelas chuvas torrenciais dos últimos dias, oferece orações ao Senhor pelo eterno descanso dos falecidos”, assinalava o texto, divulgado pelo Vaticano.

Francisco convidou as instituições civis e da Igreja Católica, para além das “pessoas de boa vontade”, a “prestar a ajuda necessária a quantos perderam os seus lares ou bens pessoas, com caridade e espírito de solidariedade cristã”.

O portal de notícias do Vaticano sublinha os “muitos donativos” da Igreja local e de outras organizações de solidariedade em prol das populações atingidas.

O Conselho Pontifício ‘Cor Unum’, instituído por João Paulo II, promove as iniciativas de caridade do Papa e coordena as instituições católicas de solidariedade em todo o mundo.

OC

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=95083http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=95083

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Re: A floresta cresce silenciosamente

Mensagem por camiloabc em Dom Abr 07, 2013 6:16 pm

Fundo de Solidariedade aprova cinco projetos em primeira reunião de 2013

Conselho do Fundo de Solidariedade (FDS) da Arquidiocese de Passo Fundo-RS realizou na última semana uma reunião de avaliação que resultou no apoio de cinco projetos comunitários. Com a aprovação destes, o Fundo chega à marca de 163 projetos apoiados desde seu início, em 2000.

As iniciativas, que devem beneficiar juntas mais de 800 pessoas, apoiam indiretamente as comunidades de Carazinho, Passo Fundo, Ronda Alta, Santo Antônio do Palma, Marau, Itapuca, Tio Hugo, São Domingos, Nicolau Vergueiro, Três Arroios, São João da Urtiga, Sananduva, Ibiraiaras, Santo Antônio do Planalto, Vanini, Tapejara e Casca.

O projeto “Esporte e Integração”, desenvolvido pelo Patronato Santo Antônio, em Carazinho, quer transformar o esporte em caminho para o crescimento humano e espiritual de 130 crianças e adolescentes entre 06 e 17 anos em situação de vulnerabilidade social. O Fundo deve apoiar a instituição na aquisição de materiais para práticas esportivas, como bolas, redes, coletes, cones e luvas.

Já o “15 anos construindo outras formas de abastecimento”, visa proporcionar a comemoração dos 15 anos de consolidação da Feira Ecológica, em Passo Fundo, que abrange hoje 70 famílias de produtores de diversas famílias da região e mais de 600 consumidores. Entre as atividades propostas estão a substituição de sacolas plásticas por retornáveis, incentivo para maior utilização de alimentos saudáveis pela população e materiais informativos e de divulgação.

Desenvolvida pela Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Passo Fundo, a iniciativa “Missões Jovens 2013/2014” prevê o auxílio para a realização da atividade que neste e no próximo ano, ocorrerá em Passo Fundo. A proposta, que é trabalhada em forma de processo, consiste na realização de dois encontros anuais com cerca de 80 jovens e das missões, que incluem visitas a mais de 300 famílias locais.

O quarto projeto apoiado na ocasião – “Traçando Kaingáng”, beneficia o Centro Cultural Kanhgág Jãre, na Terra Indígena da Serrinha, em Ronda Alta. Os recursos permitirão adquirir materiais e instrumentos necessários à prática da tecelagem, a fim de possibilitar a confecção de telas e vestuário com grafismos Kaingáng por um grupo de 12 adolescentes.

Finalmente, a quinta ação aprovada pelo conselho do FDS, o projeto “Doces Sabores”, foi proposta por um grupo de três famílias, moradoras do Bairro São Cristóvão, em Passo Fundo. A ideia busca gerar e ampliar renda para os integrantes através da produção de produtos caseiros como bolachas, bolos, pães e cucas, de forma que o fundo apoiará na aquisição de um forno, uma sovadeira e um cilindro.

Segundo Luiz Costella, membro da coordenação da Cáritas Arquidiocesana (instituição que administra o Fundo), “os projetos aprovados nesta reunião devem ser entregues nas próximas semanas aos grupos beneficiados, permitindo que todos tenham acesso o mais breve possível aos recursos e comecem a colocar as ideias propostas em prática”.

por Victória Holzbach, assessora de comunicação da Cáritas Arquidiocesana de Passo Fundo

Fonte: http://caritas.org.br/novo/2013/04/04/fundo-de-solidariedade-aprova-cinco-projetos-em-primeira-reuniao-de-2013/http://caritas.org.br/novo/2013/04/04/fundo-de-solidariedade-aprova-cinco-projetos-em-primeira-reuniao-de-2013/

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Re: A floresta cresce silenciosamente

Mensagem por camiloabc em Ter Maio 07, 2013 5:35 am

Um festival musical ecumênico para falar da verdade, da bondade e da beleza

Encerrada na Polônia a 23ª edição do Festival Internacional de Música Sacra Gaude Mater, iniciado em 1991 na Jornada Mundial da Juventude em Czestochowa

Roma, 06 de Maio de 2013 (Zenit.org)

As sugestivas notas do flamenco ressoaram na basílica polonesa de Jasna Góra neste 1º de maio, quando o célebre santuário recebeu a “Missa Flamenca”, obra de flamenco para coro clássico, durante a abertura do 23º Festival Internacional de Música Sacra Gaude Mater, evento musical que surgiu em 1991, durante a VI Jornada Mundial da Juventude, em Czestochowa.

A Missa Flamenca foi executada pelo violonista espanhol Paco Peña, compositor e produtor, pelos músicos da Paco Peña Flamenco Company e pelo grupo coral Camerata Silésia, da cidade polonesa de Katowice.

Durante o festival, foi apresentada também a "Missa in Memoriam Beati Georgii Popiełuszko", de Łukasz Urbaniak, dedicada ao beato Jorge Popiełuszko por ocasião do 30º aniversário da sua morte. A apresentação foi executada pelo coro da Universidade Cardeal Stefan Wyszynski, de Varsóvia, regido pelo prof. Kazimierz Szymonik, e pela Orquestra Nova et Vetera, regida por Michał Sławecki.

Na abertura do evento, dom Waclaw Depo, arcebispo de Czestochowa, recebeu o público recordando as três palavras que “sempre inspiraram a arte e a história dos povos e das nações: verum, bonum, pulchrum; ou seja, a verdade, a bondade e a beleza”.

"Pela verdade é preciso lutar, porque sem ela não se pode viver", disse o arcebispo. "A bondade é um valor que vem do próprio Deus, e, portanto, deve ser herdada. E a beleza é outro valor sem o qual o homem não pode ser criativo".

A programação do Festival Gaude Mater contou ainda com a participação de representantes da música gospel, da música ortodoxa e do canto gregoriano. Na igreja de São Tiago Apóstolo, em Czestochowa, algumas canções sacras orientais foram executadas pelo Trio Fawzy Al-Aiedy. Na igreja luterana foi apresentado um concerto de música gospel com os membros do coro inglês IDMC (Indivíduos Dedicados ao Ministério de Cristo). No dia 4 de maio, na igreja de Jesus Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, junto ao Seminário Maior, apresentou-se o coral da igreja ortodoxa Smolny, da Rússia.

O festival ofereceu ainda o espetáculo bíblico Jonas, no Teatro A, em Gliwice. A peça teatral é baseada no livro do Velho Testamento e foi concebida como iniciativa para o Ano da Fé.

Finalmente, realizou-se o extraordinário concerto pelo 80º aniversário do compositor polonês Krzysztof Penderecki, na basílica de Jasna Góra, na qual participaram, além dos solistas, os 90 músicos da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio Polonesa.

O 23º Festival Internacional de Música Sacra foi acompanhado pelo projeto cultural Ethno Gaude Mater, dedicado à dimensão multicultural do mundo da música sacra.

Durante o projeto, foi dada grande atenção à cultura da Geórgia e do Cazaquistão. O evento deste ano foi organizado pela Associação Amigos do Gaude Mater e aconteceu em seis cidades. A maioria dos dez shows, com artistas procedentes de 14 países, foi realizada em Czestochowa, mas envolveu outras cidades como Gdansk, Cracóvia, Katowice, Radomsko e Lubliniec.

O festival tem uma dimensão ecumênica que o torna um dos eventos musicais mais importantes da Polônia, além de uma das maiores manifestações de música sacra da Europa. “A ideia do Gaude Mater”, disse a ZENIT o diretor do Festival, Małgorzata Nowak, é reunir as diversas culturas e religiões, apresentando a música sacra típica das várias confissões religiosas".

(06 de Maio de 2013) © Innovative Media Inc.



Parece pouco, mas este testemunhos de convivência ecuménica são importantes.

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