O Cânon católico e o Cânon protestante

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O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por M.Levi em Dom Ago 31, 2008 10:12 am

Juliana escreveu:Como sabemos que os livros da nossa Bíblia são os livros inspirados? Por que protestantes não tem em suas bíblias alguns livros?
Em relação à última pergunta por que não há presença desses livros Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, partes de Daniel e Ester, o problema leva em consideração diversos por menores , como por exemplo o que levou a retirada desses livros da versão final protestante, de que Jesus e os apóstolos usaram um Canon diferente (seria o Canon menor, em detrimento a por exemplo o septuaginta, que nos utilizamos), porém essa justificativa é falha porque na verdade as citações feitas pelos apóstolos e mesmo Jesus utiliza sim a versão septuaginta, com dados quantitativos, cerca de 300 ( ao todo são por volta de 350) citações feitas ao Antigo Testamento são citadas a partir da versão septuaginta, logo Cristo e os apóstolos não citariam outra versão que fosse a spirada, só para completar a versão septuaginta é que contém os livros (Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc,) e não a do Canon Menor. Alterar, retirar, inserir dados na Canon não cabe a um único homem, para se chegar a versão final isso custou a homens muito trabalho sem a metade das informações do século XVI, e sem nenhum dos interesses do século XVI.

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por Juliana Correia em Dom Ago 31, 2008 10:40 am

oiiiii

Levi, você pode falar um pouco mais sobre o que seja o Canon e a versão septuaginta!!

Abraços
bounce

Juliana Correia

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por M.Levi em Dom Ago 31, 2008 3:46 pm

Então “Canon” é uma palavra que para o gregos clássicos significa norma, padrão, que ao passar dos séculos, possivelmente por volta do século IV os padres da Igreja começaram a utilizar esse termo em contraposição aos livros apócrifos, então aqueles que fazem parte dos livros da Bíblia inspirados por Deus fazem parte do “Canon”, levar em consideração tb que essa medida impossibilitou uma “contaminação” do livros inspirados, existe uma menção ao significado de “Canon” no ultimo capitulo de Gálatas 6. 16, no sentido de regra e norma. Em relação à septuaginta essa é a versão do Antigo Testamento traduzida para o grego, na verdade é a versão mais antiga traduzida, tb é chamada de versão dos setenta, nome dado por causa dos 72 rabinos que á traduziu. É a versão utilizada po católicos romanos. Acima quando disse que Lutero utilizou Canon Menor estava me referindo à versão judaica e não a septuaginta.

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por alessandro em Dom Ago 31, 2008 8:28 pm

Vou agora tentar responder a segunda questão: como saber quais livros são inspirados?

Esta é uma questão de fé. Não como há provar "cientificamente" a inspiração dos livros bíblicos. Há razões teológicas, mas em últimas instância há uma responsta de fé.

O canon do antigo testamento foi formado pelo povo judeu. Já o canon do novo foi definido pela Igreja baseada em alguns critérios, como por exemplo, o uso destes livros pela comunidade cristã primitiva.

Essa questão do canon é, em minha opinião, um dos pontos mais frágeis da reforma protestante. Lutero defende como princípio fundamental do protestantismo o "sola scriptura", isto é, que só a Bíblia é fonte de fé.
Isto gera alguns problemas, entre eles o seguinte: não há na Bíblia uma lista dos livros que a compõem. A escolha do canon foi feita por uma autoridade exterior à Escritura, que é a Igreja.
Vale lembrar também que não é possível encontrar fundamento bíblico para o "sola scriptura".

sei que no fim fugi um pouco do assunto, mas nao resisti a uma pequena reflexão. 8)

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Juliana

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Out 06, 2008 9:43 am

Acho que vou falar a mesma coisa que o M.Levi só com palavras diferentes, mas talvez ajude na compreensão.
Alguns judeus estavam em exílio na Babilônia, quando eles foram "liberados" uns voltaram para Israel [Jâmnia] e outros foram para Alexandria [Egito - um pouco mais abaixo].
Os judeus onde quer que estejam são muito fiéis a sua tradição, entretanto, em Alexandria se usava o grego [e não o hebraico]. A colônia deles lá foi próspera... Daí eles tiveram que traduzir a Bíblia do hebraico para o grego, que se chama a versão alexandrina da Bíblia. A lenda conta que esta tradução teve origem milagrosa, que o rei Ptolomeu querendo uma cópia dos livros sagrados, teria pedido ao sumo sacerdote Eleázaro de Jerusalém os tradutores. Eleázaro teria enviado seis sábios de cada uma das 12 tribos, então 72 sábios para Alexandria. Os 72 teriam ficado separados, isolados e teriam produzido o mesmo texto grego do Antigo Testamento [o que só podia ser milagre]. Essa lenda fez a tradução alexandrina ser também conhecida como "dos Setenta intérpretes".
No séc I começaram a aparecer os livros cristãos [cartas de S. Paulo, Evangelhos, etc.], que eram como cont. dos livros sagrados dos judeus. [OBS.: Já no séc I existiam 46 falsos Evangelhos]
Os judeus como não aceitam a Cristo, também não aceitam que "misturem" os livros. Daí se reunem para definir os critérios que determinam se um livro é ou não inspirado por Deus. Foram esses os critérios:
a) O livro sagrado não pode ter sido escrito fora da terra de Israel
b) Não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico
c) Não depois de Esdras
d) Não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés
Bom, será que Deus só fala se vc estiver em Israel? [rs, acho que foi mais uma implicância mesmo com os outros judeus que não quiseram voltar para casa]. Os judeus de Alexandria, como disse adotaram a língua grega pq era a língua que se usava lá. Esdras [458-428 a.C.] foi o sacerdote que organizou novamente em Israel as famílias vindas do exílio... Depois que Esdras morre Deus não fala ou inspira mais ninguém? [rs].
Essa edição grega bíblica encerra livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como Palavra de Deus; assim os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico, 1/2 Macabeus, Ester 10,4-16,24; Daniel 3-24-90; 13-14.
Então é como se existisse dois cânones entre os judeus: o restrido da Palestina [dos judeus de Jâmnia] e o amplo [que se tinha acesso] dos judeus de Alexandria.
Ora, até os apóstolos e evangelistas citavam a tradução grega mesmo quando essa diferia da hebraica.
Depois houve dúvidas sobre a autoridade/autenticidade dos livros, mas na Igreja prevaleceu a consciência de que o cânon do Antigo Testamento deveria ser o de Alexandria, adotado pelos apóstolos. Das 350 citações do Antigo Testamento no Novo, 300 são tiradas da versão dos Setenta.

Rsrs Isso ficou grande!
Desculpem qualquer erro, qualquer coisa completa aí.

Fiquem com Deus
Very Happy

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Livros Apócrifos e Pseudo-epígrafos ou Não Canônicos

Mensagem por nemehx em Dom Nov 02, 2008 11:49 am

E verdade que “Canon” é uma palavra que significa norma, padrão, regra, uma vara pra medir muitos livros foram escritos mais não todos pasaram pelas normas ou padrões impostas pra ser reconhecidas como inspiração divina, as quales foram reconhecidas como "Livros Apócrifos"

1. A palavra Apócrifo , do grego apokrypha, escondido, nome usado pelos escritores eclesiásticos para determinar,

1) Assuntos secretos, ou misteriosos;

2) de origem ignorada, falsa ou espúria;

3) documentos não canônicos.

Ainda que casualmente algum livro não canônico se ache apenso a manuscritos do N.T., esse fato é, contudo, tão raro que podemos dizer que, na realidade, nunca se tratou seriamente de incluir qualquer deles no Cânon.

  • I (ou III) de Esdras:
  • II (ou IV) de Esdras:
  • Tobias:
  • Judite:
  • Ester:
  • Sabedoria de Salomão:
  • Eclesiástico:
  • Baruque:
  • Adição à História de Daniel:
    O cântico dos três mancebos (jovens)
    : Esta produção foi destinada a ser Intercalada no livro canônico de Daniel, entre caps. 3.23,24.
    A história de Suzana: É também um acréscimo ao livro de Daniel.
  • Bel e o dragão: Outra história introduzida no livro canônico de Daniel.
  • Oração de Manassés, rei de Judá quando esteve cativo em Babilônia. Compare, 2º Cr 33.12,13. Autor desconhecido. Data provável, 100 anos A. C.
  • Primeiro Livro dos Macabeus:
  • Segundo Livro dos Macabeus:
  • Terceiro Livro dos Macabeus:
  • Quarto Livro dos Macabeus:


Livros Pseudo-epígrafos. Nenhum artigo sobre os livros apócrifos pode omitir estes inteiramente, porque de ano para ano está sendo mais compreendida a sua importância. Chamam-se Pseudo-epígrafos, porque se apresentam como escritos pelos santos do Antigo Testamento. Eles são amplamente apocalípticos; e representam esperanças e expectativas que não produziram boa influência no primitivo Cristianismo. Entre eles podem mencionar-se:

  • Livro de Enoque (etiópico), que é citado em Judas 14. Atribuem-se várias datas, pelos últi­mos dois séculos antes da era cristã.
  • Os Segredos de Enoque(eslavo), livro escrito por um judeu helenista, ortodoxo, na primeira metade do primeiro século d.C.
  • O Livro dos Jubileus(dos israelitas), ou o Pequeno Gênesis, tratando de particularidades do Gênesis duma forma imaginária e legendária, escrito por um fariseu entre os anos de 135 e 105 a.C.
  • Os Testamentos dos Doze Patriarcas: é este livro um alto modelo de ensino moral. Pensa-se que o original hebraico foi composto nos anos 109 a 107 a.C., e a tradução grega, em que a obra chegou até nós, foi feita antes de 50 d.C.
  • Os Oráculos Sibilinos, Livros III-V, descrições poéticas das condições passadas e futuras dos judeus; a parte mais antiga é colocada cerca do ano 140 a.C., sendo a porção mais moderna do ano 80 da nossa era, pouco mais ou menos.
  • Os Salmos de Salomão,
  • As Odes de Salomão,
  • O Apocalipse Siríaco de Baruque
  • O Apocalipse grego de Baruque
  • A Assunção de Moisés,
  • A Ascensão de Isaias,


O número dos livros apócrifos é maior que o da Bíblia canônica. É possível contabilizar 113 deles, 52 em relação ao Antigo Testamento e 61 em relação ao Novo. A tradição conservou outras listas dos livros apócrifos, nas quais constam um número maior ou menor de livros. Destaca-se, a seguir, alguns desses escritos segundo suas categorias.


Evangelhos:

  • de Maria Madalena,
  • de Tomé,
  • Filipe,
  • Árabe da Infância de Jesus,
  • do Pseudo-Tomé,
  • de Tiago,
  • Morte e Assunção de Maria,
  • Judas Iscariotes;

Atos:

  • de Pedro,
  • Tecla e Paulo,
  • Dos doze apóstolos,
  • de Pilatos;

Epístolas:

  • de Pilatos a Herodes,
  • de Pilatos a Tibério,
  • dos apóstolos,
  • de Pedro a Filipe,
  • Paulo aos Laodicenses,
  • Terceira epístola aos Coríntios,
  • de Aristeu;

Apocalipses:

  • de Tiago;
  • de João,
  • de Estevão,
  • de Pedro,
  • de Elias,
  • de Esdras,
  • de Baruc;
  • de Sofonias;

Testamentos:

  • de Abraão,
  • de Isaac,
  • de Jacó,
  • dos 12 Patriarcas,
  • de Moisés,
  • de Salomão,
  • de Jó;

Outros:

  • A filha de Pedro,
  • Descida de Cristo aos Infernos,
  • Declaração de José de Arimatéia,
  • Vida de Adão e Eva,
  • Jubileus, 1,2 e 3
  • Henoque,
  • Salmos de Salomão;
  • Oráculos Sibilinos.

nemehx

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por M.Levi em Dom Nov 02, 2008 12:38 pm

Fala nemehx, seja muito bem vindo.
Tem razão sobre a não citação dos " Pseudo-epígrafos ", acabei não citando mais por questão de objetivo mesmo, vale ressaltar tb que nem todos apócrifos ou Pseudo-epígrafos são execráveis, lógico que não dá levar a serio por exemplo a descida de Jesus ao Inferno chega a ser cômico, mas tb a exemplos do Evangelho de Maria que é de onde tiramos os nomes dos pais de Maria. A própria formação da Bíblia é muito custoso e penoso entender os cortes e enxertos, as temporalizações diferentes do mesmo texto, etc.
Valeu pela contribuição.

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por M.Levi em Dom Nov 02, 2008 9:11 pm

Para esclarecimento, em relação aos deuterocanônicos, eles só são considerados apócrifos pelo judeus e por protestantes, a quem por direito e por historicidade organizou a Bíblia eles não são apócrifos, lógico que a Revelação não se deu de uma vez, reunir e dar corpo as Sagradas Escrituras coube a Igreja, e o tempo fez a costura desses livros. Sim é verdade que fazendo referencia “Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, partes de Daniel e Ester” eles são adicionais, a própria terminologia significa “segundo” em detrimento aos protocanônicos que significa “primeiro”. Negar a validade dos euterocanônicos como inspirados e se basear na teoria judaica é cair em contradição, pq ? Simples os judeus determinaram por volta do ano 100 que a revelação havia terminado por volta do Segundo Cativeiro da Babilônia, pensemos, isso é bem distante do Cristo, então o Novo Testamento seria totalmente apócrifo, ora para nós o Novo Testamento só pra citar um música “Pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar.” Não podemos nós basear nessa teoria que tem uma razão política tb, negar o Cristo, determinado esses livros como apócrifos. De forma conclusiva os deuterocanônicos são inspirados, só pra finalizar nos deuterocanônicos temos idéias tais como o purgatório, as obras ( sim nós precisamos delas, e que elas sejam boas, não somente a fé) etc.

Qualque coisa é só comentar
Fica com Deus

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por Convidad em Qui Abr 30, 2009 11:21 pm

alessandro escreveu:
O canon do antigo testamento foi formado pelo povo judeu. Já o canon do novo foi definido pela Igreja baseada em alguns critérios, como por exemplo, o uso destes livros pela comunidade cristã primitiva.

Paz do Senhor

É verdade... O Cânon do Antigo Testamento foi realmente formado pelos judeus. Eles já haviam sido colecionados e reconhecidos por Esdras, no quinto século antes de Cristo. E as referências nos escritos do historiador judeu, Flávio Josefo, indicam a extensão do cânon do Antigo Testamento como os 39 livros que são adotados na Bíblia evangélica.
Fonte: wikipedia

Outra coisa, o próprio Jesus delimitou a extensão dos livros canônicos do Antigo Testamento quando acusou os escribas de serem culpados da morte de todos os profetas que Deus enviara a Israel, de Abel a Zacarias.

Lucas 11:51
desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário;


Ora, o relato de ABel está, é claro, em Gênesis e o de Zacarias se acha em 2 Crônicas 24:20-21, que é o último livro da disposição da Bíblia hebraica. Para nós, é como se Jesus tivesse dito " a culpa está
em toda a Bíblia, de Gênesis a Malaquias", que é a disposição que temos no nosso Antigo Testamento.

Em Cristo

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por alessandro em Dom Maio 03, 2009 11:05 pm

é possível afirmar que os livros deuterocanômicos são posteriores a Isaías? se não for o argumento não vale.

peço fontes caro amigo, se não permanecemos apenas no campo das opiniões.

abraços e fique com Deus

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por Convidad em Seg Maio 04, 2009 9:39 am

Oi Alessandro, Paz do Senhor, amigo...

alessandro escreveu:é possível afirmar que os livros deuterocanômicos são posteriores a Isaías? se não for o argumento não vale.

O que o amigo quer insinuar com essa pergunta? É certo que no tempo de JEsus Cristo, o livro de Isaías existia. E Ele leu e citou a passagem abaixo:

Lucas 4:17:20
17 E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:
18 O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração,
19 A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.

20 E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se;


Jesus citava o texto de Isaías, abaixo:

Isaías 61:1-2
1 O ESPÍRITO do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;
2 A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;


Assim, para o cristão, servo de Jesus, não resta dúvida... O livro de Isaías é Palavra de Deus, pois Jesus acreditava assim. Não há motivos para se pensar diferente do Mestre.

Quanto aos livros apócrifos, é verdade que alguns deles parece ter presença no Novo Testamento. É verdade que parece haver algumas alusões a eles no Novo testamento, o que indica que não eram desconhecidos para os autores sagrados. Mas jamais eles são citados como Escritura, como o foi, por exemplo, o livro de Isaías, na passagem acima!

Os apócrifos não são inspirados pelo Espírito Santo, visto que há erros grosseiros, e os próprios autores não reivindicam inspiração para o que escreveram. Vejam como é finalizado o livro de Macabeus:

II Macabeus 15:37-38
37. Por isso, aqui ponho fim à minha narrativa.
38. Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era isso que eu queria; se fracamente e de modo medíocre, é o que consegui fazer.


Nenhum escritor dos livros da Bíblia se refere dessa forma, ao que escreveu. Muito pelo contrário, encontramos passagens como:

deuteronomio 17:18-19
18 Será também que, quando se assentar sobre o trono do seu reino, então escreverá para si num livro, um traslado desta lei, do original que está diante dos sacerdotes levitas.
19 E o terá consigo, e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos, para cumpri-los;


Nenhum livro apócrifo traz, em seu texto, algo que o cubra da inspiração divina. Algo contrário, que lemos em toda a Bíblia, nos livros conhecidos como canônicos...

Salmo 1:1-2
1 BEM-AVENTURADO o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
2 Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.


Ora, a Lei do Senhor é a Sua Palavra. Todo aquele que ama a Jesus Cristo, ama a Palavra de Deus. FOi sobre isso que o Mestre falou, e foi direto a questão, quando disse:

Joa 14:23-24
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.


Ora, a Palavra de Deus é a Escritura Sagrada! É nela, na Escritura Sagrada, que o homem conhece a História do Messias de Deus! É nela que o homem aprende como se tornar discípulo de Jesus!

Joa 8:31
Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;


LEr e conhecer a Escritura é agradável aos Olhos do Senhor! É nela que está a Vontade de Deus para o homem, por isso, todo aquele que ama a Jesus, deve fazer como o salmista, que disse:

Sal 119:11
Guardei a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.


Isso, que o salmista disse acima, é a mais pura verdade. QUando não se conhece a Escritura, o homem pratica coisas que desagradam a Deus. E Jesus falou sobre isso quando disse:

Mat 22:29
Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras...

Mar 12:24
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?


Assim, não conhecer as Escrituras, é razão para o homem errar e pecar! A Escritura é a Palavra de Deus. É nela que o homem conhece Jesus, o Plano para salvar o homem de seus pecados.

Que o Senhor nos abençoe


David

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por alessandro em Seg Maio 04, 2009 10:57 am

ola ...
realmente acho que minha questão ficou ambígua.

quis dizer apenas que no protestantismo há a negação de certos livros da Escritura, como o de Macabeus.
perguntei se o critérios apontado por vc para definir o cânon do Antigo Testamento pode ser usado para tal exclusão. a meu ver não. por isso pedi as fontes...

abraço fraterno e perdão pela ambiguidade.

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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por Convidad em Seg Maio 04, 2009 4:37 pm

alessandro escreveu:ola ...
realmente acho que minha questão ficou ambígua.

quis dizer apenas que no protestantismo há a negação de certos livros da Escritura, como o de Macabeus.
perguntei se o critérios apontado por vc para definir o cânon do Antigo Testamento pode ser usado para tal exclusão. a meu ver não. por isso pedi as fontes...

abraço fraterno e perdão pela ambiguidade.

Os livros apócrifos são conhecidos pelos judeus, mas eles não o aceitam como Escritura. Pois sabem que são literatura com erro e não são inspirados como o são Isaías ou Jeremias, por exemplo...

Para o colega ter idéia, os livros apócrifos ensinam que dar esmolas perdoa pecados. Isso é heresia pura, e vai de encontro ao que é ensinado em toda a Escritura Sagrada...

(Tobias 4,10)
Pois a esmola livra da morte e não deixa ir para as trevas.

(Tobias 12,9)
A esmola liberta da morte e purifica de todo pecado.

(Eclesiástico 3,33)
A água apaga o fogo crepitante: assim a esmola expia os pecados.


Mais uma vez, isso é heresia pura. Quem perdoa pecados é o Sacrifício do Calvário, o Sangue de Jesus Cristo! O homem não consegue fazer nada por si mesmo que faça com que seus pecados sejam perdoados!

1 João 1:7
o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.


Em Cristo

David

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Fé e obras.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Maio 04, 2009 6:06 pm

Caro David,

Muito obrigado pela sua colaboraçao no nosso fórum. Esperamos crescer juntos na nossa compreensao da verdade, que é Cristo.

Sobre o que voce diz que nos livros "apócrifos" do Antigo Testamento, (para nós, católicos, chamados de deuterocanônicos) só possui heresias, creio que nao pode ser afirmado. É certo que eles sao um testemunho da Revelaçao, que só atinge sua plenitude em Cristo. Por isso devem ser entendidos como uma fase da "pedadogia divina", pois Deus nao se revelou plenamente em todos os livros da Bíblia. Por exemplo: em livros canônicos (assim considerados pelos católicos como para os protestantes) temos textos que dizem que o Deus de Israel é um deus entre os diversos deuses. Quer dizer, no princípio da Revelaçao o povo de Israel acreditava que haviam vários deuses (politeismo) e que Iahveh era o mais poderoso deles. Com o passar do tempo, essa idéia foi depurada e Deus se revelou como o único Deus vivo. Esses textos antigos nao sao considerados heresia, mas sim como Palavra de Deus, revelada dentro da "Pedagogia divina". Há outros textos no Antigo Testamento que permitem a poligamia (em textos canônicos) e nem por isso esses textos podem ser considerados heréticos.

Da mesma forma, nao podemos considerar heresia os textos de Tobias que elogiam as esmolas. É certo que nao sao essas obras que nos salvam, mas sim nossa fé em Cristo. No entanto, Gálatas 5,6 nos diz:"Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera pela caridade". As obras sao frutos da vida de fé, sao frutos da justificaçao que nós alcançamos pela nossa fé em Cristo. Portanto nao se deve dizer que as obras de nada servem para a nossa salvaçao. O Concílio de Trento interpretou esse texto dizendo que a "fé é o início da nossa salvaçao", pois a fé se manifesta pela caridade.

Mas será esse o ensinamento de Jesus? Podemos ir ao Evangelho de Cristo Rei, o Evangelho em que Ele nos diz quem se salvará e quem nao se salvará no final da história. É o conhecido texto de Mt 25, 31-46:

"Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos?
Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna".

Depois de lermos esse texto como podemos dizer que as esmolas nao demonstram que nós estamos no caminho da salvaçao? Como negarmos o valor das boas obras?

Portanto, os textos deuterocanônicos devem ser entedidos dentro do processo da "pedagogia divina", assim como os demais livros do Antigo Testamento.

Vale a pena lembrar também quais foram os critérios que os judeus reunidos em Jamnia, no ano 70 d.C. deram para definir os livros canônicos e os "apócrifos":
1) Que fossem escritos em aramaico ou hebraico, (nao em grego);
2) Que fossem escritos em Israel, nao em território estrangeiro.

Esses critérios supoem que Deus nao é capaz de inspirar um ser humano em grego e fora de Israel. Se usamos esses critérios (como Lutero os usou para discernir os livros "canônicos" dos "apócrifos"), todo o Novo Testamento será apócrifo. Por que os protestantes usam esses critérios para o Antigo Testamento e nao os usam para o Novo?

Espero ter ajudado na discussao. Depois entraremos na questao da Tradiçao. Um abraço e mais uma vez obrigado pela sua participaçao,

A paz de Cristo!

Pe. Anderson
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Re: O Cânon católico e o Cânon protestante

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Maio 04, 2009 9:38 pm

Olá
Como vão?

Bom, só ressaltando a questão dos critérios utilizados pelos judeus: Eles fizeram isso por "pirracinha" (e isso já foi explicado).

Pois é, quanto ao Novo Testamento deveriam ter as mesmas exigências então.

Outra coisa, a "pedagogia divina" que o Pe. Anderson colocou nos faz refletir sobre o todo. Ora, é lógico que se formos pegar apenas um versículo podemos fazer verdadeiros "estragos" e destorcer muitas verdades.

Fiquem com Deus
Boa reflexão!
Very Happy

Rafaela Botelho
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