Doação de órgãos e Cremação

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Doação de órgãos e Cremação

Mensagem por larissa em Dom Ago 31, 2008 4:36 pm

Olá.

Gostaria de saber a posição da Igreja em relação à doação de órgãos e cremação.

Obrigada.
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larissa

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Re: Doação de órgãos e Cremação

Mensagem por alessandro em Dom Ago 31, 2008 8:16 pm

Quanto a doação de órgãos nenhum problema. A doação é até uma forma de exercer a caridade.

Qto a cremação, preciso conferir para dar uma resposta mais profunda, no entanto não é um erro em si. O que não pode ocorrer é a negação da crença na ressurreição dos corpos.

Espero ter ajudado
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alessandro
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réplica

Mensagem por larissa em Qua Set 10, 2008 2:19 pm

mas ouvi dizer que a Igreja era contra...
por isso perguntei...
desculpe, mas vc tem certeza, alessandro? confused
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larissa

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Sobre a cremação

Mensagem por roberson_cmvd em Qua Set 10, 2008 5:01 pm

Oi Larissa,

No Judaísmo a cremação é proibida porque a morte envolve mais que apenas um corpo.

O Judaísmo não somente proíbe expressamente a cremação, como insiste num enterro muito simples diretamente no chão.

Já na Igreja Católica, a cremação foi sempre reprovada/proibida. Ela sempre representou uma demostração de ateísmo ou paganismo, devido à crença dos católicos na ressureição.

Porém, parece que após o Vaticano II mudou-se a prática da Igreja quanto à cremação. Se a mudança foi boa ou não, é uma questão. Apesar de não contrariar nenhuma afirmação do Credo, pode parecer uma alteração na fé.
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Re: Doação de órgãos e Cremação

Mensagem por alessandro em Qua Set 10, 2008 5:25 pm

Ola Larissa...vou desenvolver tentar desenvolver mais a questão.
Antes só uma observação: qdo for continuar uma questão tente manter no mesmo tópico...Não tem nenhum problema criar um novo, mas facilita a vida de quem for fazer alguma pesquisa no fórum. Very Happy

A meu ver não há razões teológicas para a proibição da cremação. O que podem existir são causas pastorais.
Vamos lá: é um ponto básico da dotrina cristã a crença na ressurreição dos corpos e da dignidade do corpo humano. Após o juízo final não apenas nossos espíritos desfrutarão da presença de Deus, mas nossos corpos também.
O enterro dos corpos sempre foi considerado mais digno do que a cremação. Por isso esta última foi "condenada" durante muito tempo. Note que isso não se trata de nenhum ponto de fé, mas apenas do que é considerado um cuidado maior com o corpo de nossos irmãos mortos. é uma questão de costume. Por isso uma mudança dessa, para um católico esclarecido, nunca o levará a crer que houve uma transformação na doutrina. Sãos coisas diferentes.

Não nenhum tipo de profanação na cremação, afinal mesmo o corpo enterrado será decomposto. O que pode haver é que a prática da cremação pode estar, em certos lugares, ligada a crenças religiosas distintas do cristianismo. (Qdo por exemplo se jogas as cinzas de alguém em um rio e se crê que a pessoa continurá a viver naquelas águas, a prática está ligada a uma crença pagã). Em casos assim pode se proibir a prática por razões pastorais.

Vale ainda ressaltar que o enterro dos mortos sempre foi considerado pelos cristianismo como uma obra de misericórdia. e é uma tradição milenar entre os cristãos (tradição originada entre os judeus, como bem lembrou o roberson) o enterro daqueles que faleceram.

Espero ter acrescentado algo à questão. Vou dar uma conferida e alguns pontos no catecismo e ver se consigo alguamas citações.
Uma abraço
alessandro


Última edição por alessandro em Qua Set 10, 2008 8:19 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Doação de órgãos e Cremação

Mensagem por roberson_cmvd em Qua Set 10, 2008 7:38 pm

Larissa,

O Código de Direito Canônico, nº 1176, diz o seguinte:

"DAS EXÉQUIAS ECLESIÁSTICAS

A Igreja recomenda insistentemente que se conserve o costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido escolhida por motivos contrários à doutrina cristã.*

* A disciplina da Igreja sobre a cremação de cadáveres, que por razões históricas era totalmente contrária, foi modificada pela Instrução da Sagrada Congregação do Santo Ofício Piam et constantem, de 5 de julho de 1963 (AAS 56, 1964, pp 822-823). Com as modificações introduzidas pelo novo Ritual de Exéquias, é possível realizar os ritos exequiais inclusive no próprio crematório, evitando porém o escândalo ou o perigo de indiferentismo religioso."

Abraço. Espero ter ajudado.
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Doaçao de órgaos

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Out 05, 2008 10:23 pm

Caros amigos,

Infelizmente, o caso da doação de órgãos não é tão fácil de resolver assim. Não é somente um caso de caridade, pois quando analisamos uma ação moral, não levamos em conta somente a intenção do agente, mas também o objeto moral da ação. Para que uma ação seja moralmente boa, devem ser bons o objeto da ação moral e a intenção. Não questionaremos aqui a intenção de quem doa um órgão, mas devemos analisar melhor o objeto moral dessa ação.

Em primeiro lugar devemos entender os termos da questão:

a) Autotransplantes ou enxertos “autoplásticos”: quando a parte de tecido ou do órgão pertence ao mesmo doador. Nesse caso, o mesmo sujeito é doador e receptor do transplante;

b) Heterotransplantes: nesse caso o doador e o receptor são diversos. Podem ser “xenotransplantes”, quando o órgão provem de um animal
para o organismo humano e homoplásticos (homólogos ou homotransplantes), quando se dá entre duas pessoas.

A Teologia Moral Católica diz que não há problemas morais nos xenotransplantes nem nos homotransplantes de cadáver para vivo.

Nos casos dos transplantes homoplásticos entre vivos temos que notar que causam um prejuízo orgânico para o doador. Não é tão simples como retirar um dente, a doação de um órgão. Por isso para a licitude desses transplantes temos alguns critérios bem claros:

1. Por parte do doador: a) não pode ser um órgão estritamente necessário para a sua vida; b) a doação deve ser livre, não exigida nem obrigada, inclusive no caso dos parentes; c) o doador deve saber com detalhes o risco a que se expõe;

2. Por parte do receptor: o transplante deve ser estritamente necessário para sua vida ou saúde;

3. Por parte da operação: deve haver razoáveis esperanças de êxito e deve haver justa proporção entre o benefício que se espera alcançar o receptor e o dano causado ao doador.

O princípio ético que garante a bondade moral da doação de órgãos entre vivos é o princípio da solidariedade e da caridade.

Esse tema nao é tao fácil de resolver e agora mesmo está sendo muito estudado no mundo inteiro (também no Vaticano), no referente ao caso da doaçao de mortos para vivos. Isso porque quando se tem certeza absoluta de que um ser humano está morto, (cessar de todas as atividades do organismo humano) nao se pode fazer mais nenhum transplante. Mas esse tema, desenvolverei melhor mais tarde. Por hora digo que o caso da morte cerebral está sendo estudada muito, por teólogos, filósofos, médicos e juristas de todo o mundo. Mais adiante explicarei os termos dessa discursao. Por hora, espero que tudo fique claro até aqui.

Um grando abraço,
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Doaçao de órgaos e morte cerebral.

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Nov 01, 2008 10:42 am

Para aprofundar um pouco mais no tema:

C.I.C. 2296. O transplante de órgãos não é moralmente aceitável se o doador ou seus representantes não deram seu consentimento consciente. O transplante de órgãos é conforme a lei moral e pode ser meritório se os perigos e riscos físicos ou psíquicos sobrevindos ao doador são proporcionados ao bem que se busca no destinatário. É moralmente inadmissível provocar diretamente para o ser humano bem a mutilação que lhe deixa inválido o bem sua morte, ainda que seja para retardar o falecimento de outras pessoas.

C.I.C. 2301. A autopsia dos cadáveres é moralmente admissível quando há razoes de ordem legal ou de investigação científica. O dom gratuito de órgãos depois da morte é legítimo e pode ser meritório.

A Igreja permite a incineração quando com ela não se questiona a fé na ressurreição do corpo (cf CIC can. 1176, 3).


Os dois números do CEC indicam não só a licitude da doação de órgãos, como também indicam que podem se tratar de atos meritórios, desde que (para transplante de órgãos vitais) sejam retirados esses órgão de um defunto.

O problema não está na questão da doação de órgão em si mesma, que é absolutamente lícita em caso de morte do doador, mas na definição de morte. A universidade de Harvard desenvolveu nos anos 60 o transplante de órgãos, ilícito (moral e legalmente) na época. Com muita pressão conseguiram que se aprovasse como lei a definição de morte cerebral, apresentada por essa universidade em um artigo do ano 68.

Com morte cerebral entendemos, com poucas diferenças entre países, de 3 a 24 horas de eletroencefalograma plano, ou seja, sem nenhuma atividade cerebral. Medicamente está comprovado que pacientes com morte cerebral não retornarão à vida e podem ser mantidos vivos apenas com o uso de máquinas. É lógico que essa manutenção não deve ser feita, pois se trataria de empregar meios extraordinários para a manutenção da vida (com exceção de alguns casos específicos, como, por exemplo, tentar salvar a vida de um feto).

A questão aqui é se a pessoa está de fato morta quando se dá a morte cerebral. Muitos médicos, movidos por uma mentalidade pragmática, não querem parar para pensar sobre essa questão, dando por suposta a morte.

O que sabemos da morte é que, quando se dá uma parada cardiorrespiratória unida a um eletroencefalograma plano, a pessoa está morta, porque já não existe unidade no corpo. O que não sabemos é em que momento exato desse, que podemos chamar “processo de morte”, se dá a morte, ou seja, se dá a separação entre alma e corpo. Essa é uma dúvida presente e ainda não resolvida pela Igreja. Nenhuma das duas academias pontifícias com autoridade na matéria se pronunciou até agora.

Creio, e isso é opinião pessoal, que na sociedade se criou uma mentalidade de absoluta necessidade da doação de órgãos. Não podemos deixar que essa mentalidade nuble a verdade que se esconde detrás dela. Com isso não afirmo nem que seja lícita, nem ilícita a doação de órgãos, só afirmo que é necessário pensar bem a questão antes de tomar uma decisão, em outras palavras, é necessário ter prudência.

Gostaria de deixar claro que essa dúvida só é válida no caso de doação de órgãos vitais, que devem supor a morte do individuo.
[justify]

Um grande abraço.
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Re: Doação de órgãos e Cremação

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