Celibato sacerdotal

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por alessandro em Ter Set 08, 2009 5:10 pm

o caso que vc está apontando não existe.
ninguém é obrigado a ser celibatário sendo casado.

um homem casado não será bispo...

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por são vieira em Ter Set 08, 2009 7:24 pm

mas é o que diz as escrituras em 1 timóteo 3:1-5... que o bispo deve ser marido de uma esposa

“Importa logo que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher.” (O grifo é nosso; 1 Timóteo 3:2, Figueiredo, versão católica.)

Dy:Challoner-Douay Version, católica (1750; impressão de 1941). “É necessário, pois, que um bispo seja . . . marido de uma só esposa [“que se tenha casado uma só vez”, MC Bíblia Sagrada (1982), Missionários Capuchinhos].”

“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher.” — 1 Timóteo 3:2, Imprensa Bíblica Brasileira.

as escrituras são bem claras... pode ser casado. portanto se regem por algo instituido pela igreja e não pelas escrituras... e usam outros textos mas a biblia não se contradiz

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por alessandro em Ter Set 08, 2009 8:29 pm

acho que uma leitura mais atenta das reflexões feitas pelo Pe Anderson neste e em outro tópico sobre assunto vai ajudar a esclarecer esta posição. o assunto já foi bastante aprofundado...

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Alan em Ter Set 08, 2009 10:01 pm

mas continuo a ter dúvida..uma coisa é ser celibatário por voluntariedade outra coisa é ser imposta e como já me afirmaram isso nunca foi imposto... mas é imposto á esposa do bispo? pois só se liberta do casamento com a sua morte? e se ela sentir desejo sexual não terá isso de direito? sinceramente não entendo..

Apesar do caso não existir hoje em dia para o grau Episcopal acho que o quote abaixo te esclarece a dúvida de como era antigamente e hoje em dia para o caso de Diáconos casados.

Desde o início a Igreja ordenou homens casados, desde que esses assumissem a obrigação da continência perfeita, com o consentimento das suas esposas.

Ou seja se há o consetimento da esposa a hipótese que você levantou não acontece.

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por são vieira em Qua Set 09, 2009 7:38 am

mas á aqui uma contradição porque alessandro diz-me que o bispo não pode ser casado e por outro lado pode, segundo alan...?

mas e se a esposa segundo alan sentir necessidade sexual mesmo tendo consentido... o marido não a pode satisfazer, será que Deus exija tal prova? não faz sentido o que defendem...o casamento é o unico meio pelo qual devemos expressar tal desejo de forma correta... não consigo entender mesmo.
só me vem á mente o texto de 1 timóteo 4:1-3...

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Set 09, 2009 3:01 pm

Caros amigos,

Creio que nós no nosso fórum ainda estamos falando português bem correto, mas está difícil sermos entendidos! Por isso, vamos esclarecer a "contradição" entre as palavras do Alessandro e as do Alan (coisa que qualquer leitor atento pode fazê-lo): os bispos não podem ser casados na Igreja Católica mais, desde o Concílio de Trento, que teve a audaciosa iniciativa de fundar os Seminários no mundo inteiro, que preparasse de forma adequada os futuros sacerdotes. Formação adequada significa uma sério estudo da Sagrada Escritura, da Tradição da Igreja e do Magistério, que é o servo da Escritura e da Tradição.

Antes do Concílio de Trento os que eram ordenados podiam ter sido casados sim, pois o casamento então não era fruto de uma escolha pessoal (o que faz o casamento é o consentimento mútuo dos cônjuges), mas era um imposto pelas famílias. No início, quando a sociedade não era cristã, os cristãos se convertiam, na maioria das vezes, adultos. Por isso alguns escolhidos para o ministério poderiam ter tido uma vida conjugal (lembremos por exemplo de Santo Agostinho, o grande Bispo de Hipona, que viveu junto a uma senhora e teve um filho com ela, antes da sua conversão).

Antes do período iniciado no Concílio de Trento (repitamos mais uma vez), os sacerdotes católicos provinham de três categorias de pessoas:

1) dos celibatários (que na Sagrada Escritura se denomina "eunucos" - em Mt 19): esses seguiam a Cristo deixando tudo, assim como Pedro disse a Jesus que ele e os outros Apóstolos o fizeram. Essa cena é importantíssima e vem logo após o episódio do Jovem Rico; os celibatários são os homens castos e o grupo equivalente entre as mulheres é o grupo das "virgens" (“Ordo das virgens”). Todo esse grupo quis sempre seguir o que Sao Paulo ensinou em 1 Cor 7, 5-9 (o texto acima citado). Esse texto infelizmente está absolutamente esquecido entre os protestantes.

2) dos monges: dos que viviam o celibato, numa vida comunitária. Entre os ortodoxos até hoje os bispos só saem deste grupo, uma vez que eles aboliram o celibato entre os padres e diáconos;

3) em menor escala, dos homens casados: esses homens podiam ser ordenados somente com o consentimento das suas esposas. Isso é possível porque naquela época o casamento era mais uma obrigação civil do que um ato religioso. Muitos cristãos casados juridicamente (segundo o Direito Civil Romano) viviam como irmãos, já que muitos queriam seguir o conselho de São Paulo. Os homens que viviam assim podiam, com o consentimento da suas esposas, com o compromisso público de se viver a “continência perfeita” e deixada toda coabitação, esses podiam ser ordenados sacerdotes. As mulheres e os filhos do matrimônio deviam ser sustentadas pela Igreja. Muitas delas ingressavam, livremente, a um mosteiro.

O texto de 1 Tim não exige a coabitação, não exige as relações entre os esposos. Exige que os bispos governem bem a sua casa e eduquem os membros da sua família na castidade! Pedro, o primeiro entre os bispos da Igreja disse a Jesus: “eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. E Jesus disse:

“Em verdade vos digo que ninguém que tenha deixado casa, pais, irmãos, esposa, filhos pelo reino de Deus deixará de receber muito mais no mundo presente e a vida eterna no mundo futuro”.
Se alguém duvida que os Apóstolos eram celibatários, que eles realmente deixaram tudo (casa, pais, irmãos, esposa, filhos) para seguir o Senhor, que por favor nos apresente aqui: onde na Bíblia aparecem as esposas dos Apóstolos? Há alguma lista com os nomes dessas senhoras? Essas mulheres deveriam ser muito importante para os primeiros cristãos, uma vez que os cristãos afirmam que a criatura mais perfeita que veio a essa terra foi exatamente uma mulher: Maria Santíssima. Qual os nomes dessas senhoras? Em qual cena dos Evangelhos elas aparecem?

Qualquer um que leia o Novo Testamento com atençao perceberá que Jesus foi celibatário, que Ele quis esse dom para os seus discípulos, especialmente para os que participam do seu único sacerdócio. Também poderá ver que os Apóstolos deixaram tudo e seguiram o Senhor, deixaram casa, esposa, filhos etc e receberam do Senhor o cêntuplo nessa vida e a vida eterna. O celibato nao é pois uma invençao da Igreja, mas era o "modus vivendi" do Senhor, que quis que alguns dos seus discípulos seguissem. Os Apóstolos imitaram na sua vida o exemplo do Senhor e transmitiram aos outros (principalmente para Sao Paulo), que entao transmitiram a outros. Esse "modus vivendi" do Senhor permanece viva na Igreja Católica até hoje, graças a Deus!

Um grande abraço a todos
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Alan em Qua Set 09, 2009 3:11 pm

Bom eu não disse que Bispos pode ser casados. Acho que você entendeu errado.

Vou tentar explicar melhor :

O Sacramento da Ordem tem 3 graus - Diaconal (Diáconos), Presbiteral (Padres) e Episcopal (Bispos).

È possivel para um homem que já tenha recebido o Sacramento do Matrimônio receber o Sacramento da Ordem no nível Diaconal.
Entretanto a admissão de um homem casado ao diaconato necessita de um consentimento por escrito da esposa sendo necessário que a família leve uma vida condizente com os valores cristãos e que o matrimônio tenha ocorrido há no mínimo 5 anos. A ordenação no diaconato paralisa o estado dos solteiros e viúvos, de modo que estes após o sacramento não podem mais se casar, devendo permanecer celibatários.

Portanto o Sacramento da Ordem nos níveis acima não podem ser ministrados à pessoas casadas, lógico isso nos dias de hoje.Nos primórdios da Igreja Católica é so ler o post do Pe. Anderson para entender como funcionava e o decorrer das mudanças até o que é hoje em dia Logo a afirmação do Alessandro está correta.

Espero ter ajudado e fique com Deus Very Happy
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por são vieira em Qua Set 09, 2009 4:33 pm

bem... é um ponto que discordamos absolutamente mas respeito...

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Ju Maria em Qua Set 09, 2009 11:11 pm

Olá galera!

Só para reforçar, aí vai o outro tópico sobre o assunto:
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/historia-da-igreja-f3/padre-viver-o-celibato-t534.htm

Tem um post muito bom do Pe Anderson lá. Vale a pena ser lido, pois tira todas as dúvidas a esse respeito. Depois de lê-lo, só não entende quem não quer!

Fiquem com Deus!!
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Teologia do Sacerdócio e do celibato Apostólico!

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Set 13, 2009 7:27 am

Caros amigos,

Para aprofundarmos um pouco a nossa discussao, gostaria de publicar aqui um discurso do nosso amado Papa Bento XVI. uma leitura exata da Sagrada Escritura, dando-nos as bases teológicas do sacerdócio e da disciplina do celibato, disciplina recebida dos Apóstolos.

Esse texto é tirado do discurso à Cúria Romana em dezembro de 2006. Há muitos outros textos que falama sobre esses temas, mas por hora, creio que isso nos dará muitas luzes para melhor compreender esse tema.

Ao falar de Deus, tocamos também precisamente o assunto que, na pregação terrena de Jesus, constituía o seu interesse central. O tema fundamental dessa pregação é o domínio de Deus, o "Reino de Deus".

Com isto não se expressa algo que acontecerá uma vez ou outra num futuro indeterminado. Nem sequer se compreende com isto aquele mundo melhor que procuramos criar passo após passo com as nossas forças. Na palavra "Reino de Deus", a palavra "Deus" é o genitivo subjetivo. Isto significa: Deus não é um acréscimo ao "Reino" que talvez se poderia também ignorar. Deus é o sujeito. Reino de Deus significa dizer na realidade: Deus reina. Ele mesmo está presente e é determinante para os homens no mundo. Ele é o sujeito, e onde falta este sujeito nada permanece da mensagem de Jesus. Por isso Jesus diz-nos: O Reino de Deus não vem de modo que se possa, por assim dizer, pôr-se na beira da estrada a observar a sua chegada. "Está no meio de vós!" (cf. Lc 17, 20s.).

Ele desenvolve-se onde é realizada a vontade de Deus. Está presente onde há pessoas que se abrem à sua chegada e assim deixam que Deus entre no mundo. Por isso é o Reino de Deus em pessoa: o homem no qual Deus está no meio de nós e através do qual nós podemos tocar Deus, aproximar-nos de Deus. Onde isto acontece, o mundo salva-se.

Com o tema de Deus estavam e estão relacionados dois temas que deram uma marca aos dias da visita na Baviera: o tema do sacerdócio e o do diálogo. Paulo chama Timóteo e nele o Bispo e, em geral, o sacerdote "homem de Deus" (1 Tm 6, 11). É esta a tarefa central do sacerdote: levar Deus aos homens. Certamente pode fazê-lo apenas se ele mesmo provém de Deus, se vive com e por Deus. Isto é expresso maravilhosamente num versículo de um Salmo sacerdotal que nós a velha geração pronunciamos durante a admissão ao estado clerical: "O Senhor é parte da minha herança e meu cálice: nas tuas mãos está a minha vida" (Sl 16 [15], 5). O orante-sacerdote deste Salmo interpreta a sua existência a partir da forma da distribuição do território estabelecida no Deuteronómio (cf. 10, 9). Depois da tomada de posse da Terra cada tribo obtém por meio do sorteamento a sua porção da Terra santa e com isto participa do dom prometido ao pai Abraão.

Só a tribo de Levi não recebe terreno algum: a sua terra é o próprio Deus. Esta afirmação tinha certamente um significado totalmente prático. Os sacerdotes não viviam, como as outras tribos, da cultivação da terra, mas das ofertas. Contudo, a afirmação é mais profunda. O verdadeiro fundamento da vida do sacerdote, o solo da sua existência, a terra da sua vida é o próprio Deus. A Igreja, nesta interpretação antico-testamentária da existência sacerdotal uma interpretação que emerge repetidamente também no Salmo 118 [119] viu com razão a explicação do que significa a missão sacerdotal no seguimento dos Apóstolos, na comunhão com o próprio Jesus. O sacerdote pode e deve dizer também hoje com o levita: "Dominus pars hereditatis meae et calicis mei".

O próprio Deus é a minha parte de terra, o fundamento externo e interno da minha existência. Esta teocentricidade da existência sacerdotal é necessária precisamente no nosso mundo totalmente funcionalista, no qual tudo está fundado sobre prestações calculáveis e verificáveis. O sacerdote deve conhecer verdadeiramente Deus a partir de dentro e assim levá-lo aos homens: este é o serviço prioritário do qual a humanidade de hoje tem necessidade. Se numa vida sacerdotal se perde esta centralidade de Deus, esvazia-se pouco a pouco também o zelo do agir. No excesso das coisas externas falta o centro que dá sentido a tudo e o reconduz à unidade. Ali falta o fundamento da vida, a "terra", sobre a qual tudo isto pode estar e prosperar.

O celibato, que está em vigor para os Bispos em toda a Igreja oriental e ocidental e, segundo uma tradição que remonta a uma época próxima da dos Apóstolos, para os sacerdotes em geral na Igreja latina, pode ser compreendido e vivido, em suma, só em base a esta orientação de fundo. As razões apenas pragmáticas, a referência à maior disponibilidade, não são suficientes: esta maior disponibilidade de tempo poderia facilmente tornar-se também uma forma de egoísmo, que se poupa aos sacrifícios e às fadigas exigidas pelo aceitar-se, pelo suportar-se reciprocamente no matrimônio; poderia assim levar a um empobrecimento espiritual ou a uma dureza de coração. O verdadeiro fundamento do celibato pode estar contido apenas na frase: Dominus pars Tu és a minha terra. Pode ser apenas teocêntrico.

Não pode significar permanecer privados de amor, mas deve significar deixar-se arrebatar pela paixão por Deus, e aprender depois, graças a um estar com Ele mais íntimo, a servir também os homens. O celibato deve ser um testemunho de fé: a fé em Deus torna-se concreta naquela forma de vida que só tem sentido a partir de Deus. Apoiar a vida n'Ele, renunciando ao matrimônio e à família, significa que acolho e experimento Deus como realidade e por isso posso levá-lo aos homens. O nosso mundo que se tornou totalmente positivista, no qual Deus entra em jogo no máximo como hipótese, mas não como realidade concreta, precisa deste apoiar-se em Deus do modo mais concreto e radical possível. Tem necessidade do testemunho por Deus que se encontra na decisão de acolher Deus como terra sobre a qual se funda a própria existência. Por isso o celibato é tão importante precisamente hoje, no nosso mundo atual, mesmo se o seu cumprimento nesta nossa época está continuamente ameaçado e posto em questão.

É necessário uma preparação cuidadosa durante o caminho rumo a este objetivo; um acompanhamento persistente da parte do Bispo, de amigos sacerdotes e de leigos, que apoiem juntos este testemunho sacerdotal. É necessária a oração que invoca incessantemente Deus como o Deus vivo e se apóia n'Ele quer nas horas de confusão quer nos momentos de alegria. Desta forma, contrariamente ao "trend" cultural que procura convencer-nos que não somos capazes de tomar tais decisões, este testemunho pode ser vivido e assim, no nosso mundo, pode voltar a pôr em jogo Deus como realidade.

Um grande abraço a todos.
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por andersonmodolon em Seg Out 26, 2009 9:24 am

talvez essas pasagens esclareçam bem ....


Mateus 19,12 : "Por que há Eunucos que são eunucos dentre o ventre da mãe, ha eunucos que se fazem eunucos pelos homens, e há eunucos que se fazem eunucos pelo reino de Deus..."


logo, leia todo I Corintios 7, que é uma capitulo breve, mas um "documento" que deixa CLARO o que é o celibato, logo a opção de seguir e dedicar-se totalmente ao evangelho, coisa que ele deixa claro que ois casados nao podem fazer da mesma forma que os solteiros...


Abraços!!


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O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Mar 10, 2010 8:59 am

Caros amigos,

Deixo aqui uma entrevista muito boa de um médico psiquiatra que deu uma palestra muito boa na Universidade onde eu estudo, sobre o celibato. Creio que pode nos iluminar em muitos pontos.


Entrevista com Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia
Por Carmen Elena Villa


ROMA, terça-feira, 9 de março de 2010 (ZENIT.org).- Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

Zenit entrevistou o professor Polaino, quem, em sua conferência, explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.


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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Mar 15, 2010 6:54 am

Depois de observar na sua profundidade os textos belíssimos postados pelo Pe. Anderson neste tópico, achei importante referendar, neste colóquio, a forma com que São Paulo, com peculiar sabedoria, descreve o sacardote: "Sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre" (Hb 7,3).
Chamo a atenção de todos para a compreensão do que é ser "sem pai, sem mãe, sem genealogia". Aqui se configura as duas dimensões da palavra "genealogia": Ser sem genealogia ascendente (sem pai, sem mãe) e ser sem genealogia descendente (não ter filhos). É impressionante a sabedoria com que São Paulo descreve essa realidade do sacerdote "sem pai e sem mãe" e acrescenta, para além dessa condição, a expressão "sem genealogia" que configura que é também sem filhos e, portanto, sem esposa. Eis aí a virtude do celibato sacerdotal, do celibato por amor ao Reino de Deus, como descreve o Evangelho.
Mais impressionante aínda é quando o mesmo São Paulo mostra o sacerdote como "comparável ao Filho de Deus". Talvez, aqui possamos ter justificado o fato de muitas vezes Jesus tratar Maria Santíssima como "mulher" e não como "mamãe". Com efeito, do ponto de vista de sua humanidade, considerando-se que a genealogia nas próprias Sagradas Escrituras considera tal estudo pelo gênero masculino, definindo a árvore genealógica sempre pelo nome do pai, Jesus não teve um pai biológico e, se o tivesse, no exercício do seu sacerdócio, teria, necessariamente, aberto mão dessa condição. Do mesmo modo, Jesus não teve esposa nem filhos.
Aqui, faço referência mais uma vez ao que afirmou São Paulo, ao se referir ao sacerdócio: "Comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus".
Precisamos dizer mais alguma coisa ?
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Ter Mar 23, 2010 5:57 am

Aprofundando um pouco mais a questão do celibato do sacerdote católico, ao examinarmos as Sagradas Escrituras, concluimos que é um ensino bíblico testemunhado de forma inconteste por Jesus, o sacerdote maior, o modelo, o protótipo dos sacerdotes.
Revisitando a história da Igreja nos seus primórdios, narram as Sagradas Escrituras, que os apóstolos escolhidos por Jesus abraçaram a vida celibatária, conforme está escrito:
"Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos declaro: No dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono de glória, vós que me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna" (Mt 19, 27-29)
Este texto é melhor explicado pelos dois evangelistas subseqüentes. São Marcos acrescenta: "por causa de mim e por causa do Evangelho" (Mc 10,28-30), e São Lucas torna a recompensa a que Jesus se refere de forma ainda bem mais clara: "neste mundo e no mundo vindouro" (Lc 18,28-30).
Mas o que significa deixar tudo para seguir a Jesus?
Esta passagem descrita nos três evangelhos sinóticos deixa de forma muito transparente que ao corresponderem o chamado de Jesus, os apóstolos deixaram tudo, inclusive mulheres e filhos, para se dedicarem de maneira exclusiva ao Evangelho, ao Reino de Deus, à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
As Sagradas Escrituras mencionam que Simão Pedero, o primeiro dentre os apóstolos, era casado, fazendo alusão à sua sogra (Mt 8,14; Mc 1,30; Lc 4,38). Entretanto, não há nas mesmas Sagradas Escrituras qualquer alusão à esposa de Simão Pedro, nem aos seus fihos, o que deixa muito evidente que os apóstolos, a exemplo de Pedro, ao seguirem Jesus, literalmente deixaram tudo, como discorremos anteriormente: "Eis que deixamos TUDO para te seguir!" (Mt 19,27-29). Assim, o celibato é um ensinamento bíblico, uma recomendação do próprio Jesus, concernente àuqeles que abraçam à vida sacerdotal e que expressa o abandono voluntário dos bens terrenos por um amor muito maior.
Como já foi demonstrado por várias vezes em várias postagens deste tópico, a realidade do celibato é descrita ainda em outros trechos das Sagradas Escrituras. Dentre eles, me chama a atenção a seguinte passagem:
"Há eunucos que o são desde o ventre materno, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens, e há eunucos que a si mesmo se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda" (Mt 19,12).
Especificamente nesta passagem, Jesus foi tão veemente em relação ao celibato que, para não deixar qualquer dúvida, enfatizou a forma imprescindível para a compreensão humana e para a aceitação dessa reslidade: "Quem puder compreender, compreenda!" (Op. Cit. 19,12). Esta veemência de Jesus na afirmação do celibato sacerdotal é demonstrada em outras passagens das Sagradas Escrituras, chamando a nossa atenção pela precisão de seus colóquios para expressar tamanha virtude:
"Enquanto caminhavam, um homem disse-lhe:
- Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás.
Jesus replicou-lhe:
- As rapousas têm suas tocas e as aves do céu têm sus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a sua cabeça.
A outro Jesus disse:
- Segue-me !
Mas ele pediu:
- Permite-me primeiro ir sepultar meu pai.
Mas Jesus disse-lhe:
- Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.
Um outro ainda lhe falou:
- Senhor, seguir-te-ei, mas permite-me primeiro que me despeça dos que estão em casa.
Mas Jesus respondeu-lhe:
- Aquele que póe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus"
(Mt 8,18-22; Lc 9,57-62).
Que diálogo magistral do ensinamento de Jesus a respeito do celibato! Nele, as três respostas de Jesus se complementam entre si formando um contexto extremamente sólido. A primeira deixa claro que para aqueles que o seguirem, não haverá mais um lugar de descanso pois, doravante, suas vidas serão exclusivas para Cristo, para o Evangelho, para a Igreja. A segunda e a terceira respostas complementam a primeira e ainda confirmam a necessidade imperativa de deixar tudo como o próprio Jesus já afirmara anteriormente: "E todo aquele que por minha causa e por causa do Evangelho deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa, receberá o cêntuplo neste mundo e a eternidade no mundo viondouro" (Mt 19,27-29; Mc 10,28-30; Lc 18,28-30).
Diante do exposto, se torna necessário questionar onde estão descritos nas Sagradas Escrituras os nomes das mulheres e dos filhos de Cristo e dos seus apóstolos. Ao percebermos que se não hpa qualquer descrição bíblica neste sentido, é porque de fato não existiram. Assim, o celibato é uma virtude que foi vivenciada com todas as forças pelo próprio Jesus e pelos seus apóstolos que foram os primeiros sacerdotes.
CONTINUO MAIS TARDE !
Um abraço para todos !
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qua Mar 24, 2010 5:40 am

Por volta do ano 56, São Paulo enfatiza a vivência do celibato na sua carta aos cristãos da comunidade de Corinto, utilizando-se de uma forma muito natural de discernimento no sentido de diferenciar as preocupações inerentes aos celibatários dos atributos referentes aos casados: "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar a sua esposa" (1Cor 7,32-33).
No preâmbulo desta afirmação, ele demonstra o desejo de ver os seus seguidores livres de toda preocupação, afirma não haver nenhum mandamento do Senhor neste sentido e aconselha tal proceder como pessoa digna de confiança. Na conclusão ele deixa evidente que o solteiro cuida das coisas que são do Senhor para tornar-se santo no corpo e no espírito, ressaltando ainda que tal conselho é o que melhor convém para unir o homem ao Senhor sem partilha, o que diz respeito, principalmente, à vida sacerdotal.
Assim, o celibato, mesmo não sendo um mandamento explícito do Senhor, como nos afirma São Paulo, é um ensinamento bíblico, tendo sua origem na Igreja nascente, sendo de maneira veemente defendido por Jesus não somente nas suas palavras, mas sobretudo no seu testemunho, conforme narram as Sagradas Escrituras.
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Jun 23, 2010 8:04 am

Caros amigos,

Vejam esse texto sobre o celibato. Foi durante o Encontro do sacerdotes com o Papa no dia 10 de junho de 2010, na véspera da conclusao do ano sacerdotal. Vejam como o Papa aqui explica o dom do celibato sacerdotal. É impressionante!

P. – Santo Padre, sou Pe. Karol Miklosko e venho da Europa, exactamente da Eslováquia, e sou missionário na Rússia. Quando celebro a Santa Missa encontro-me a mim mesmo e compreendo que ali encontro a minha identidade, a raiz e a energia do meu ministério. O sacrifício da Cruz revela-me o Bom Pastor que dá tudo pelo rebanho, por cada ovelha, e quando digo: "Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue" oferecido e derramado em sacrifício por vós, então compreendo a beleza do celibato e da obediência, que livremente prometi no momento da ordenação. Mesmo com as dificuldades naturais, o celibato parece-me óbvio, olhando para Cristo, mas sinto-me transtornado ao ler tantas críticas mundanas a este dom. Peço-lhe humildemente, Padre Santo, que nos ilumine sobre a profundeza e o sentido autêntico do celibato eclesiástico.


R. – Obrigado pelas duas partes da sua pergunta. A primeira, onde mostra o fundamento permanente e vital do nosso celibato; a segunda, que mostra todas as dificuldades nas quais nos encontramos no nosso tempo. A primeira é importante, isto é: o centro da nossa vida deve ser realmente a celebração quotidiana da Sagrada Eucaristia; e aqui são centrais as palavras da consagração: "Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue", ou seja: falamos "in persona Christi". Cristo permite que usemos o seu "eu", que falemos no "eu" de Cristo, Cristo "atrai-nos para si" e permite que nos unamos, une-nos com o seu "eu". E assim, através desta acção, este facto que Ele nos "atrai" para si mesmo, de modo que o nosso "eu" se torna um só com o seu, realiza a permanência, a unicidade do seu Sacerdócio; assim Ele é sempre realmente o único Sacerdote, e contudo muito presente no mundo, porque nos "atrai" para si mesmo e deste modo torna presente a sua missão sacerdotal.

Isto significa que somos "atraídos" para o Deus de Cristo: é esta união com o seu "eu" que se realiza nas palavras da consagração. Também no "estás perdoado" – porque nenhum de nós poderia perdoar os pecados – é o "eu" de Cristo, de Deus, o único que pode perdoar. Esta unificação do seu "eu" com o nosso implica que somos "atraídos" também para a sua realidade de Ressuscitado, que prosseguimos rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos Saduceus em Mateus, capítulo 22: é uma vida "nova", na qual já estamos além do matrimónio (cf. Mt 22, 23-32). É importante que nos deixemos sempre de novo embeber por esta identificação do "eu" de Cristo connosco, por este ser "lançados" para o mundo da ressurreição.

Neste sentido, o celibato é uma antecipação. Transcendamos este tempo e caminhemos em frente, e assim "atrairemos" para nós próprios e o nosso tempo rumo ao mundo da ressurreição, à novidade de Cristo, à vida nova e verdadeira. Por conseguinte, o celibato é uma antecipação tornada possível pela graça do Senhor que nos "atrai" para si rumo ao mundo da ressurreição; convida-nos sempre de novo a transcender-nos a nós mesmos, este presente, rumo ao verdadeiro presente do futuro, que hoje se torna presente.

E chegamos a um ponto muito importante. Um grande problema da cristandade do mundo de hoje é que já não se pensa no futuro de Deus: só o presente deste mundo parece suficiente. Queremos ter só este mundo, viver só neste mundo. Assim fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência. O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que deve ser vivido por nós como presente.

Por conseguinte, viver assim num testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar a minha vida em Jesus, na vida futura. E conhecemos agora as críticas mundanas das quais o senhor falou. É verdade que para o mundo agnóstico, o mundo no qual Deus não tem lugar, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade. Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isto deveria desaparecer!

Num certo sentido, esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que está cada vez mais na moda não casar. Mas este não-casar é uma coisa total, fundamentalmente diversa do celibato, porque o não-casar se baseia na vontade de viver só para si mesmo, de não aceitar qualquer vínculo definitivo, de ter a vida em todos os momentos em plena autonomia, decidir em qualquer momento como fazer, o que tirar da vida; e portanto um "não" ao vínculo, um "não" à definitividade, um ter a vida só para si mesmos.

Enquanto o celibato é precisamente o contrário: é um "sim" definitivo, é um deixar-se guiar pela mão de Deus, entregar-se nas mãos do Senhor, no seu "eu", e portanto é um acto de fidelidade e de confiança, um acto que supõe também a fidelidade do matrimónio; é precisamente o contrário deste "não", desta autonomia que não se quer comprometer, que não quer entrar num vínculo; é precisamente o "sim" definitivo que supõe, confirma o "sim" definitivo do matrimónio.

E este matrimónio é a forma bíblica, a forma natural do ser homem e mulher, fundamento da grande cultura cristã, das grandes culturas do mundo. E se isto desaparecer, será destruída a raiz da nossa cultura. Por isso, o celibato confirma o "sim" do matrimónio com o seu "sim" ao mundo futuro, e assim queremos ir em frente e tornar presente este escândalo de uma fé que baseia toda a existência em Deus.

Sabemos que ao lado deste grande escândalo, que o mundo não quer ver, existem também os escândalos secundários das nossas insuficiências, dos nossos pecados, que obscurecem o verdadeiro e grande escândalo, e fazem pensar: "Mas, não vivem realmente no fundamento de Deus!". Mas há tanta fidelidade! O celibato, mostram-no precisamente as críticas, é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo.

Rezemos ao Senhor para que nos ajude a tornar-nos livres dos escândalos secundários, para que torne presente o grande escândalo da nossa fé: a confiança, a força da nossa vida, que se funda em Deus e em Jesus Cristo!


O que comentar depois dessa explicaçao? Só podemos dizer uma coisa bem alto: OBRIGADO PAPA BENTO XVI! ESTAMOS EXTREMAMENTE FELIZES COM O DOM DO CELIBATO, QUE DEUS NOS DEU. QUEREMOS LEVAR ADIANTE ESTE VERDADEIRO ESCÂNDALO!

Grande abraço a todos.
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Ago 16, 2010 6:45 am

Caros amigos,

Mais material sobre o tema em formato de powerpoint. Muito bom e esquemático.

http://www.presbiteros.com.br/site/material-do-curso-de-atualizacao-de-sacerdotes-2010/

Grande abraço a todos.
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Dom Set 26, 2010 11:13 am

conheci uma mulher em brasilia que me contou ter sico acediada por um padre e me mostrou o idoso. na época disse ela ele disse que padre só não pode casar mas tem suas necessidades de homem, que bom que ele é normal
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por alessandro em Dom Set 26, 2010 2:36 pm

ola querido amigo, julgo bastante injusta sua colocação, afinal usou um exemplo individual para julgar uma postura de muitos.

caso fôssemos falar de pastores casados que assediam mulheres, faltaria espaço também.

O padre citado cometeu um erro (grave em minha opinião), no entanto isso não invalida nada do que foi dito aqui.

convido-o a ler com atenção a esposição do padre anderson.

Por ora, como não percebi argumentos pertinentes contra o que foi desenvolvido antes tranco o tópico. Caso queira levantar algum ponto que não foi levantado favor mandar mp para mim

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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sex Set 09, 2011 8:19 am

O celibato é uma opção voluntária e muitas vezes uma necessidade para quem não consegue «casar-se».
Eu como nunca consegui casar-me sou um celibatário.
Mas isto foi produto da própria vida e relacionamentos ou falta deles.

Mas o celibato por imposição é uma violência, que só se aparece quando a necessidade o impõe, e DEUS não retira de qualquer celibatário o instinto natural da procriação mesmo que para isso tenha feito um sem fim de «votos», quer seja a gosto quer a contra gosto.
Uma coisa é aconselhar, como fez Paulo, outra é impor com autoritarismo.
Mas eu não tenho nada com isso! Até acho piada quando contam anedotas e mesmo verdades acerca de padres que se disfarçam em conquistadores, quando estão longe do seu ambiente social. Coitados! ... ... ...
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Set 09, 2011 11:22 am

Caros amigos,

O celibato na Igreja Católica é e sempre foi opcional: todos os que o vivemos (sacerdotes diocesanos, que nao fazemos "votos", religiosos, religiosas e pessoas solteiras) somos conscientes disso e agradecidos a Deus por esse dom como o qual Deus enriquece sua Igreja. No caso dos sacerdotes a opçao pelo celibato é feita no mesmo dia em que um é ordenado. Nao há nada imposto, somente um esforço diário por viver o mesmo estilo de vida de Cristo.

É claro que há pessoas que falham no seus propósitos, nos seus compromissos, tanto celibatários quanto casados. Mas isso é porque cada homem é livre, tem uma liberdade enfraquecida, e precisa da graça de Deus para viver bem seus compromissos. Podemos dizer que é exatamente tao difícil uma pessoa viver o celibato assim como uma pessoa casada viver a fidelidade no seu matrimônio. Ambos tem a mesma dificuldade e a força para viver ambos os compromissos vem sempre de Deus.

Grande abraço a todos
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Re: Celibato sacerdotal

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sab Set 10, 2011 7:04 am

Os caminhos de Deus são perfeitos; a palavra do SENHOR {=YHWH} é provada no fogo. Ele protege os que nele confiam.
(Salmo 18,31)
E Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar, me negarás três vezes.» E, saindo para fora, chorou amargamente.
(Mateus 26,75)
30*Jefté fez um voto ao SENHOR {=YHWH}, dizendo: «Se realmente entregas nas minhas mãos os amonitas, 31pertencerá ao SENHOR {=YHWH} quem quer que saia das portas da minha casa para me vitoriar pelo meu regresso a salvo da terra dos amonitas; eu oferecê-lo-ei em holocausto.»
34*Quando Jefté regressou a sua casa em Mispá, eis que sua filha saiu para o vitoriar, dançando e tocando tamborim; ela era filha única; não tinha mais filhos nem filhas. 35*Ao vê-la, rasgou as suas vestes e disse: «Ai, minha filha! Tu fazes-me lançar no desespero! Tu és a minha desgraça! Eu falei demais na presença do SENHOR; agora não posso tornar atrás.»
36Ela disse-lhe: «Meu pai, tu falaste demais na presença do SENHOR; faz comigo segundo o que saiu da tua boca, pois o SENHOR deu-te a vingança contra os teus inimigos, os amonitas.» 37*Depois, disse a seu pai: «Concede-me o seguinte: deixa-me sozinha durante dois meses para que eu vá vaguear pelas montanhas, chorando a minha virgindade, eu e as minhas companheiras.» 38Ele disse: «Vai.»
E deixou-a partir durante dois meses; ela foi com as suas companheiras e chorou sobre as montanhas a sua virgindade. 39Ao fim de dois meses, voltou para junto de seu pai; este cumpriu nela o voto que havia feito. Ora ela não conhecera homem e foi assim que nasceu em Israel 40*o costume de, todos os anos, as filhas de Israel irem celebrar a filha de Jefté de Guilead, quatro dias por ano.
(Juízes 11,29-30.34-40)

9Nada mais enganador que o coração,
tantas vezes perverso:
quem o pode conhecer? (Jeremias 17,9)
3Confia ao SENHOR {=YHWH} todos os teus empreendimentos,
e os teus projectos terão bom êxito. (Provérbis 16,3)
24O SENHOR {=YHWH} é quem dirige os passos do homem;
como poderá o ser humano compreender o seu destino?(Provérbios 20,24)
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Re: Celibato sacerdotal

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