Rito Tridentino X Paulo VI

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Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Rafaela Botelho em Qui Out 30, 2008 10:41 am

Olá..
Tudo bem?


Qual a diferença do Rito Tridentino para o de Paulo VI?




Fiquem com Deus
Very Happy
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Rafaela Botelho
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Antônio Seixas em Sab Nov 01, 2008 1:45 am

Rafaela, já que os oficiais não lhe responderam, responde-lhe o oficioso:

A "Missa tridentina" é celebrada em latim, de acordo com as formas sucessivas do Missal Romano tal como foi promulgado em 5 de Dezembro de 1570 por S. Pio V, em cumprimento do mandato que recebera do Concílio de Trento (tridentina é o gentílico do topônimo "Trento") e utilizado por toda a Igreja Católica de rito romano até à reforma litúrgica ordenada pelo Concílio Vaticano II.

Em 7 de Julho de 2007, o Papa Bento XVI promulgou o motu proprio "Summorum Pontificum", em que liberaliza o uso do Missal Romano editado em 1962 como forma extraordinária do rito romano, cujo uso fica doravante ao arbítrio da cada padre, podendo a celebração ser solicitada por qualquer grupo de fiéis. A forma ordinária da celebração da Missa segundo o rito romano continua, todavia, a ser a do Missal Romano publicado por Paulo VI.

A "Missa de Paulo VI", refere-se à Missa promulgada no dia 3 de abril de 1969 pelo Papa Paulo VI, implantando na Igreja latina um rito novo, no lugar do rito promulgado por S. Pio V, em 1570. Vem inspirada pelas novos ares do Vaticano II.

Se quiser, podemos discutir suas diferenças liturgicas em outra oportunidade.
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Antônio Seixas

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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Rafaela Botelho em Sab Nov 01, 2008 2:54 pm

(Eu imaginava uma resposta completamente diferente, rs)

Ah! Então no caso a de Paulo VI é a atual?
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Rafaela Botelho
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Davison em Qua Jan 14, 2009 1:30 pm

Olá, sim, o rito romano ou latino ordinário é o de Paulo VI, quanto às mudanças ou diferenças são estruturais, ou seja, nos vários ritos que compunham a Missa Antiga, não há mudança substancial.
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Davison
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por papista em Qui Jan 15, 2009 9:45 am

Há uma diferença que acho substancial.
Na liturgia eucarística há a parte que Jesus oferece o seu sangue para o perdão de todos os homens. No Latim não aparece TODOS e sim PRO MULTIS, para muitos.
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papista

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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Davison em Qui Jan 15, 2009 1:53 pm

Olá meu caro!! A mudança não é substancial, até porque esta é uma questão de doutrina e não exatamente litúrgica em sentido aqui empregado. Vale lembrar que a Missa é a mesma, na sua essência: liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística, aqui não há mudança substancial, ambas permanecem, a Palavra é lida, e o Sacrifício atualizado. Acidentalmente, isto é, mudanças ocorreram, mas que não alteram o que é de instituição divina. Assim poderia ter uma 3° leitura, ou mais na liturgia da Palavra como o temos no sábado Santo.

Depois, o sangue do Senhor foi derramado por todos, a salvação é para todos os homens e não para uns escolhidos, essa é a doutrina católica, em seu sentido maior, podemos aplicar as palavras de Santo Tomás ao falar da Igreja: "Em todos os tempos, em todos os lugares, para todos os homens." (na exposição sobre o a Profissão de Fé, não recordo a fonte exata). Logo, o texto latino parece fazer referência a adesão individual, o que não torna o sacrifício de Cristo partitivo, mas vou estudar melhor para continuarmos a questão que é muito boa, e muito bem explorada por você.

Vale ressaltar a dificuldade de tradução também, estudo latim há 2 anos, e é bem complicado traduzir, há um adágio mais ou menos assim: "Tradutor, bom traidor."

Abç !!!
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Thales em Ter Jan 20, 2009 5:14 pm

É, e dizer "muitos" não necessariamente exclui que sejam "todos".
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por papista em Sex Jan 23, 2009 9:13 am

Se a questão é doutrinária aí é que complica. Sabemos que Morreu pela humanidade, mas somente aqueles que aderem a Ele é que se salvarão. E uma ressalva: Todos podem ser muitos, mas muitos não são todos.
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Camila Tatagiba em Seg Nov 02, 2009 7:25 pm

Uma dúvida:
E quanto ao uso do véu pelas mulheres?
É proibido,opcional o obrigatório?
Somente no rito tridentino?
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por são vieira em Ter Nov 03, 2009 4:02 am

olá a todos. o que as escrituras dizem?



João 3:16- Com
efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único,
para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

MATEUS 20:28-

É assim que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.

as escrituras em parte alguma diz que serão todos beneficiados com esse sacrificio, embora Deus não seja parcial mas as acções que mostram falta de fé e respeito pelo sacrificio de Jesus condena a pessoa a não fazer parte desses " muitos" .

joão 3:36

O
que crê no Filho, tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho,
não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.

portanto... dizer "todos" não é o mesmo que dizer "muitos"

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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por PJ em Qua Nov 11, 2009 9:27 am

"E quanto ao uso do véu pelas mulheres?
É proibido,opcional o obrigatório?
Somente no rito tridentino?"

Olá Camila, a paz!!!

Até onde eu sei, o véu caiu em desuso, não foi algo "proibido". Ou seja, as pessoas pararam de usar, mas não por uma regra que proibisse. O uso do véu não é proibido, nem obrigatório, mas sim opcional. E não nescessariamente precisa ser a missa tridentina (onde acredito, mas não tenho certeza, que seu uso é obrigatório), mas pode-se usar na missa de Paulo VI. O que acontece aqui, é que seria um pouco fora do comum numa missa onde a nenhuma mulher use véu, aparecer uma ou algumas com véu, sobre tudo se forem jovens.
Nada te impede de usa-lo, mas é bom consultar a opinião de seu paróco e ver qual o sentido de se usar o véu, para que não seja somente uma maneira de chamar atenção das pessoas, usando algo "diferente".

Espero também uma resposta mais completa e oficial, desculpe não citar fontes mas meu tempo é curto para responder.

Fique com Deus!

Unum cor et anima una!
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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

Mensagem por Convidado em Qui Jan 07, 2010 9:59 pm

Olá, boa noite!
Pax Christi.

Estava passando pelo fórum, ao qual por muito tempo não visito e vi o tópico. Só gostaria de colocar alguns pontos:

1º. De fato, as palavras usadas por Jesus Cristo ao consagrar o vinho, na Santa Ceia, foram estas:
"Bebei dele todos. Porque isto é o meu Sangue do Novo Testamento o qual será derramado por muitos para a remissão dos pecados" (São Mt. XXVI, 27-28).
"Isto é o meu Sangue do Novo Testamento que será derramado por muitos" (São Marcos, XIV, 24). (grifos meus)

2º. Os Evangelhos Sinóticos (Mt 26, 28; Mc 14, 24) fazem referência específica a "muitos" pelos quais o Senhor oferece o Sacrifício, e essa palavra foi enfatizada por alguns exegetas em conexão com as palavras do profeta Isaías (53, 11-12). Teria sido perfeitamente possível aos textos do Evangelho dizer "por todos" (por exemplo, cf. Lucas 12, 41); ao invés, a fórmula apresentada na narrativa da instituição [da Eucaristia] é "por muitos", e as palavras foram fielmente traduzidas assim na maioria das versões bíblicas modernas.

3º. O Rito Romano em latim sempre disse pro multis e nunca pro omnibus na consagração do cálice.

4º. As anáforas dos diversos ritos orientais, sejam em grego, siríaco, armênio, línguas eslavas, etc., contêm o equivalente verbal do latim pro multis em suas respectivas línguas.

5º. "Por muitos" é uma tradução fiel de pro multis, ao passo que "por todos" está mais para uma explicação do tipo que cabe mais propriamente à catequese.
[size=9]A expressão "por muitos", embora permanecendo aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o fato de que essa salvação não é aplicada de modo mecânico, independentemente da vontade e da participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam nesse mistério, agindo de acordo em sua vida, de modo a ser contado no número dos "muitos" aos quais o texto se refere.

Tal confusão foi gerada no CVII: "Por isso, proclamando a vocação altíssima do homem e afirmando existir nele uma semente divina o Sacrossanto Concílio oferece ao gênero humano a colaboração sincera da Igreja para o estabelecimento de uma fraternidade universal que corresponda a essa vocação" (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, nº 3. Os destaques são meus).

[size=9]Tem que ser feita uma distinção entre redenção objetiva e redenção subjetiva. Com efeito, por redenção objetiva, a doutrina católica entende que, sendo os méritos de Cristo infinitos, eles são suficientes para salvar todos os homens. Entretanto, isto não implica que todos os homens estejam automaticamente salvos.
Nem todos aproveitam desses méritos: é preciso, para se salvar, que um sujeito aceite a redenção, aceitando a Fé e pedindo o Batismo, a fim de poder participar dos méritos infinitos de Cristo, e aceitando os sacramentos, possa praticar a lei de Deus e da Igreja. É a isso que se chama redenção subjetiva: que cada sujeito queira aceitar a redenção de Cristo tornado-se membro da Igreja, pelo Batismo. A Congregação para o Culto Divino e disciplina dos sacramentos lançou um decreto determinando que, nas Missas, sejam proferidas fielmente as próprias palavras da consagração empregadas por Jesus Cristo, na quinta-feira Santa, quando o Divino Mestre instituiu a Sagrada Eucaristia.

Papa Gregório XVI (1831-1846), Mirari Vos: "Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef. 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo(Luc. 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha(Simb. Sancti Athanasii).(...) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)".

"O Papa Paulo VI julgou oportuno alterar as palavras da Consagração e Instituição, que permaneceram imutáveis na liturgia Romana durante 1.500 anos... Verdadeiramente problemática, na verdade verdadeiramente escandalosa, é a tradução da expressão pro multis como "por todos", uma tradução inspirada pelo pensamento teológico moderno, mas jamais encontrada em qualquer texto litúrgico histórico. (Na exegese de Heb. 9:29, São João Crisóstomo explica sucintamente: «Ele foi oferecido uma vez só, para carregar os pecados de muitos. Por que ele [São Paulo] diz "de muitos", e não "de todos"? Porque nem todos tiveram fé. Embora Ele morresse por todos, no que Lhe dizia respeito, para salvar a todos, e Sua morte sanasse a queda de toda a humanidade, contudo Ele não tirou os pecados de todos, pois nem todos quiseram que Ele o fizesse»." (Mons. Klaus GAMBER, The Reform of the Roman Liturgy, Harrison-N.Y.: Roman Catholic Books, 1993, p. 55-56).

“Nas coisas comuns, uniformidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, a caridade!" (S. Agostinho)



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Re: Rito Tridentino X Paulo VI

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