Tradição X Modernidade, o que não muda?

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Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Rafaela Botelho em Qui Nov 06, 2008 1:14 pm

Very Happy Oi gente..

Bom, em vários tópicos estamos discutindo sobre mudanças da Igreja em relação ao que se fazia antigamente e o que se vem mudando e modernizando.

No tópico do dízimo por cartão de crédito me surgiu uma dúvida que o Alessandro sugeriu criar um tópico para debatermos melhor esse assunto, então vamos lá, a pergunta foi a seguinte:

Agora me surgiu uma questão.
A Igreja é tão tradicional e perpetua seus costumes numas coisas, e, agora quer evoluir em outras.

No que a Igreja não muda? (no dízimo poderia mudar?)

(Não necessariamente o dízimo é a questão, mas tudo que envolva modernização)

Fiquem com Deus
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Rafaela Botelho
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Davison em Qui Nov 06, 2008 2:32 pm

Olá, utilizarei de forma simples dois princípios aristotélicos:

Tudo o que é essencial não pode mudar, tudo o que vem da instituição divina.
Exemplo: os ritos que compõem a Missa podem mudar, ritos iniciais, finais. Mas não pode deixar de ter a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, pode ser que tenha uma terceira leitura, mais um salmo.

Pode mudar tudo aquilo que é acidental, istó é, aquilo que está mas não define a coisa. Exemplo: acima, os ritos. Outro exemplo: pode se mudar a idade do matrimônio, mas não se pode permiti-lo entre pessoas do mesmo sexo.

Não sei se ajudei. Mas o caminho é esse.
ABç!!!
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Davison
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Rafaela Botelho em Qui Nov 06, 2008 2:58 pm

Então, eu nem estava colocando tanto a questão da Missa.
Acho que vai ser legal se debatermos essa parte das modernizações mesmo...

Seria legal a Igreja mudar a forma do dízimo? (perguntas como essa, e coisas também relacionadas a modismo).

A Igreja é também tradição, mas, onde ela admite modernização?
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Davison em Sex Nov 07, 2008 6:20 pm

Olá moça, desculpa não responder do melhor modo, mas tentei fazer uma analogia, pensei que ía entender, é um caminho utilizado na Filosofia, mas acho que não deu certo ...
Era só um caminho válido de reflexão !!! Laughing
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por jonathan_penha em Sex Nov 07, 2008 9:26 pm

Rafaela,
Primeiro temos que pensar em que tipos de mordenizações estamos falando. Geralmente, quando se toca no termo modernizar em relação à Igreja, as pessoas dizem que a Igreja não aceita que a sociedade é outra e que seus princípios devem ''ser adaptados a nova humanidade''.
O que o Davison quis dizer é que no que não é essencial (formas de pagamento como você citou do dízimo, tecnoligia para os sons na Missa pode ser outro exemplo) as mudanças são constantes, se adaptando com a realidade do povo. Contudo, em questões morais, liturgicas e dogmáticas (acho que dogmático não está incluído no litúrico né? Shocked ) as mudanças não podem ocorrer.
Nunca veremos um Papa contradizendo um dógma, mas podemos vê-lo elogiando um avanço na tecnologia.
Não sei se ajudei, ou se fugi da intenção da pergunta.
Grande abraço
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Rafaela Botelho em Sex Nov 07, 2008 11:40 pm

Olá pessoal.

Rsrsrs
Bom, acho que eu que não me fiz entender: Sim, eu entendi a questão do essencial. O que quis ressaltar foi que não se trata da Missa no sentido de "Partes da Missa".
A minha pergunta foi num sentido amplo de "Igreja" (conceitos, etc.).

Sei lá, dos exemplos mais simples ao que é mais complexo.. Não sei: túnica, batina, etc.

E a questão da Sagrada Tradição?
A Tradição também vai sofrendo mudanças e evolução ao longo do tempo? Até que ponto seria correto?

Desculpem acho que eu é que não estou conseguindo me expressar, não sei se era bem isso...
Queria um maior desenvolvimento..

Ah! Agora que o Alessandro já está mais aliviado, já que ele deu a idéia de colocar esse tema num tópico, convido-o a vir nos ajudar na reflexão, daí vão surgindo dúvidas com as colocações de cada um.

É que tem certas coisas que (mesmo se não for essencial) se mudarem, aos poucos vai perdendo a identidade...

Fiquem com Deus
Obrigada
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Abr 01, 2010 6:21 am

Que a paz do Senhor Jesus esteja sempre com todos nós !
Visitando este tópico, me deparei com a questão inerente à tradição e à modernidade, e a pergunta de Rafaela que, com certeza, desperta a curiosidade de qualquer pessoa que se debruçar sobre os vários colóquios aqui apresentados, considerando o antagonismo existente entre tradição e modernidade, o que implica examinar seus conceitos, definições e suas relações com a Igreja enquanto instituição que adentra no seu segundo milênio conservando várias tradições de outros milênios que antecederam à vinda de Jesus.
Se a tradição se constitui no ato de transmissão de conhecimentos, práticas, conceitos e valores sociais, morais e espirituais de geração em geração, a modernidade, se configurando como um processo de desencantamento do mundo, tem como característica fundamental a ruptura com os vários aspectos pertinentes às instituições, às organizações e aos sistemas previamente existentes, incluindo neste contexto as questões inerentes ao conhecimento filosófico e teológico, aos valores éticos, sociais, morais e humanos inerentes a estas mesmas instituições, organizações e sistemas.
Se de um lado a modernidade vem propiciando um exacerbado desenvolvimento científico e tecnológico que protagoniza a existência de uma sociedade de consumo marcada pela praticidade do uso da máquina, pela comodidade humana e pela incessante busca do capital, do outro lado, o ser humano, na busca incessante do ter sobre o ser, mergulha cada vez mais na barbárie, descuidando-se da sua essência, desprendendo-se dos seus valores e desfazendo-se de suas crenças e assumindo a condição de desumanização do humano.
É neste cenário que, como Igreja de Cristo, nos encontramos no contemporâneo pós-moderno no qual, gradativamente, o homem vai se despindo da sua própria humanidade na crescente busca dos bens temporais e no crescente esquecimento dos tesouros espirituais que o ladrão não rouba, nem a ferrugem consome e nem a traça corrói (Mt 6,20).
Não por acaso, por diversas vezes somos estimulados pelas Sagradas Escrituras à conservação das tradições que recebemos dos apóstolos (1Cor 11,2; Gl 1,14; 2Tes 2,15), no sentido de guardarmos os mandamentos, observar-mos a Palavra, vivermos em comunhão e no amor-caridade. O profeta Malaquias, ainda no Antigo Testamento, se refere a um sacrifício perfeito e eterno que seria oferecido desde o nascer ao por do sol (Ml 1,11), sacrifício este que se realiza na pessoa de Jesus, o Cordeiro de Deus, que é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade (Hb 13,8) e que se perpetua em cada missa que, sendo a perpetuação do sacrifício do Cordeiro Pascal, é sempre a mesma celebração do Corpo e do Sangue do Senhor, a mesma Eucaristia que é presença de Jesus vivo e ressuscitado, razão de nossa fé, o que nunca mudará.
São Paulo, nas suas cartas apostólicas, tratou com sabedoria de adequar a Igreja nas várias comunidades por onde andou. Assim, em algumas comunidades ele se referiu a questões particulares como, por exemplo, o uso do véu, a relação marido/melher, o comportamento da mulher nas assembléias religiosas e o uso dos carismas espirituais, dentre outros aspectos. Entretanto, a natureza do culto, a forma das celebrações e o ensino da doutrina permaneceram inalteráveis, deixando clara a necessidade de adequações ou aculturações à realidade social e cultural de cada comunidade particular. Da mesma maneira, a história da Igreja comprova que, mesmo havendo movimentos como a contra-reforma, as cruzadas, os concílios e tantos outros, modificam-se as estratégias, mas não se modifica a essência. Assim, percebemos que é necessário discernir entre adequação à realidade e modernização (processo de ruptura).
A modernidade tem buscado de todas as formas convencer a Igreja para a legalização da prática do aborto, da eutanásia, da pena de morte, do casamento de pessoas do mesmo sexo, dos mais diversos métodos anti-conceptivos e de preservação das doenças sexualmente transmissíveis, dentre tantas outras questões. Entretanto, a Igreja jamais estará aberta para a legalização dessas questões pois, no conjunto, vão de encontro aos mandamentos da lei de Deus, defendendo a promiscuidade, a prostituição, o adultério, o homicídio nas suas mais horrendas formas e a quebra do primeiro amor.
O estudo dos documentos da Igreja e, de modo mais específico, do Concílio Vaticano II nos apontam para esta realidade de adequação da Igreja às exigências do tempo, de modo que tal estudo é de caráter imprescindível para a compreensão desta questão.
Quero ainda, no final deste meu colóquio, referendar aquilo que com sabedoria e simplidade Rafaela afirmou se referindo às mudanças como possível meio para a quebra da originalidade.
Um abraço para todos !
Fiquemos na paz do Senhor Jesus !
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Re: Tradição X Modernidade, o que não muda?

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