Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

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Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Binhokraus em Seg Abr 20, 2009 4:14 pm

29. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles.
30. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho.
31. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu.

Gostaria de propor um debate a respeito da passgem acima citada. Estava meditando sobre esta passagem e me ocorreu o seguinte: PS.: Se alguma coisa for teologicamente incorreta, por favor não deixem de corrigir hehehe
Bom, sabendo-se de toda a passagem o trecho transcrito me chama a atenção pelo seguinte, ao entrar na cidade com os discípulos Jesus parte o pão, e distribui, nesse momento eles o reconhecem e ele desaparece.

Estava meditando sobre isso e me ocorreu que esse relato é mais um belo relato que confirma para nós católicos a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar. Ao partir o pão, no momento em que Jesus o distribui, ele desaparece diante dos olhos dos discípulos, mas o que significa esse desaparecer?
Jesus fez uma cena? Quis das um ar de sobrenatural, de mistério? Creio que não!

Penso que esse desaparecer é uma forma de Jesus confirmar que ao celebrar-mos o memorial da sua paixão, a santa missa, ele se faz presente na hora da consagração, Jesus não desaparece, ele se torna pão! Ao dar graças, ao consagrar o pão, ele se oferece, e esse desaparecer é um indicação de que agora o pão não é mais pão, mas o próprio Senhor Ressucitado que se entrega em alimento para a nossa salvação.

Entenderam o meu ponto de vista!? É viagem?! hehehehe O que vc´s podem dizer a esse respeito!??

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Rafaela Botelho em Seg Abr 20, 2009 4:41 pm

Olá Binho,

Gosto muito dessa passagem!

Entendi, mas no rodapé da Bíblia diz que não se pode definir se a passagem se trata do rito eucarístico pois era um costume judaico pronunciar uma bênção antes de tomar o alimento.

Fiquem com Deus
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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Binhokraus em Qua Abr 22, 2009 9:32 am

Sim eu sei...

Porém, o fato de Jesus desaparecer ao partir do pão, é um fato que chama bastante a atenção diante das circunstancias. A passagem deixa bem claro que foi só no momento do partir do pão que os olhos se abriram. Como vc disse era costume pronunciar uma benção, então Jesus não fazia nada demais, nada de novo, porém nesse gesto simples, de pronunciar uma benção e partir o pão, eles o reconheceram, e ao fazer isso, desapareceu. Ai eu me pergunto, e é ai que entra a reflexão... Jesus se fez pão, não desapareceu, mas se fez pão...

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Rafaela Botelho em Qua Abr 22, 2009 11:11 pm

Bom, mas essa é a SUA interpretação. Certo?

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Maio 06, 2009 11:39 am

Caros amigos,

Que legal, um tópico sobre os discípulos de Emaús! Muito bom isso. Eu vou postar aqui uma meditaçao sobre essa passagem. Espero que possa ajudar.

“Então o reconheceram ao partir o pão”: Emaús como caminhada para a descoberta do tesouro eucarístico.

"Os discípulos estavam tristes, decepcionados. Haviam abandonado o Senhor na sua paixão. Ele havia morto sem instaurar o novo rei de Israel. Não haviam compreendido as palavras do Senhor que devia morrer e ressuscitar no terceiro dia.

“Com a morte do Senhor o que se desfez foi a forma terrena e humana que, pela sua teimosia e visão egoísta, tinham imposto à sua fé. Essa concepção de um Messias poderoso e dominador que em breve devia subir ao trono de Davi apagou-se diante da cruz e do sepulcro selado”.

“O que Jesus vivo não pudera fazer, Jesus morto e enterrado levou-o a cabo: curou-os definitivamente de uma fé ingênua e infantil num caminho de Deus à moda humana, isto é, semeado de flores, cheio de brilho e de glória, em vez do caminho do sofrimento e da cruz. Pela primeira vez, em presença da cruz, tinham sido acariciados por um sopro que vinha da eternidade, inteiramente diferente do sopro da terra, um hálito dessa sabedoria que aos olhos do mundo é mera loucura. Cavou-se um vazio em suas almas, e desse modo abriu-se um espaço livre para receberem as possibilidades de Deus. A morte de Jesus abriu-lhes enfim a alma à prodigiosa profundidade e às inverossimilhanças da sabedoria divina, tornando livre o caminho para um compreensão verdadeiramente espiritual de Cristo” (K. Adam, Jesus Cristo, p. 112).

Lc 23,13-35: Alguns discípulos, na manhã de Páscoa abandonam à Igreja, seus sonhos, suas esperanças e voltam tristes para suas casas. Nessa caminhada deles, podemos ver nossas vidas.

1ª parte (13-16): caminham tristes, fechados em si mesmos (vendados, não queriam ver nada fora deles mesmos). Jesus começa a caminhar com eles; o mesmo Jesus, motivo de suas esperanças e agora de sua decepção está com eles.
Muitas vezes nós nos sentimos sozinhos, fechados, abandonados por Deus, sem sentir sua presença, sem sentir nada. Parece que nossa esperança desapareceu. Nesses momentos, ele caminha conosco, ao nosso lado; nesses momentos Ele está mais próximo de nós, interessado conosco, acompanhando-nos em nossos sofrimentos. Ele está conosco, Ele que foi morto e ressuscitado. Ele que se sentiu abandonado por Deus na cruz, está conosco. Não o vemos por causa do nosso egoísmo, da nossa indiferença, da nossa soberba. Preferimos nos fazer de vítimas e não reconhecemos a presença atenta, amorosa, silenciosa do Senhor. “Senhor, que eu veja”, devemos dizer ao Senhor sempre.

2ª parte (17-24): eles desabafam com Jesus. Mostra o seu erro: o erro de esperança. Esperavam o que Jesus nunca lhes havia prometido: a ressurreição da monarquia de Jerusalém. Jesus anunciou o Reino de Deus, para todos os homens, e eles queriam o Reino de Israel.
Quantas vezes nós nos enganamos, nos iludimos porque esperamos coisas erradas do Senhor. Esperamos o que ele não nos prometeu. Esperamos glória, reconhecimento, aplausos por seguir o Senhor. E Ele nos disse: “quem quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me”. Esperamos paz, tranqüilidade e Ele nos disse: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 11-12). Esperamos riquezas materiais e Jesus disse: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me”.

Erro de esperança: o que esperamos do Senhor? Em que pus minha esperança?

Santo Tomás de Aquino: Depois que Ele escreveu os textos do Ofício de Corpus Christi , os colocou sobre o sacrário e perguntou ao Senhor se era aquilo que esse escrevesse dele. O Senhor Jesus então lhe disse: escreveste muito bem de mim. Pede-me o que quiseres e eu te darei em recompensa. A resposta de Santo Tomas foi: “minha única recompensa é tu mesmo, Senhor”. Qual é a recompensa que eu espero do Senhor, da Igreja?

Os discípulos falaram com o Senhor! Foram sinceros, sem máscaras, apresentaram suas esperanças, seus sonhos que se perdiam. Falaram com o Senhor, mesmo sem o reconhecer. Jesus escuta em silêncio, com atenção, com extrema caridade. Devemos aprender a falar com o Senhor, sobre nossa vida, nossas esperanças, nossos sonhos, nosso dia a dia. “Qual o tema da tua oração? O tema da tua vida” (São Josemaria Escrivá). Parece que Ele não nos responde, às vezes, mas é quando Ele faz silêncio para nos escutar. Ele sempre nos escuta. Nenhuma oração nossa é perdida.

3ª parte (25-27): Jesus fala com os discípulos. Fala com firmeza, com segurança. O forasteiro é um Mestre. Fala que lhe era necessário o sofrimento para entrar na sua glória. Esse é o verdadeiro caminho cristão! Por aí passa nossa esperança. Não temos um caminho de flores, de glórias, de reconhecimento, de aplausos, mas um caminho de Cruz, que nos leva à ressurreição.

Jesus sempre nos fala! Às vezes, precisamos de paciência, de disposição para escutar suas palavras, que podem nos parecer duras. Ele nos fala, ele nos fala nas Escrituras (Moisés e Profetas). Não há como ser cristão, não há como estar nesse caminho de Cristo sem escutar o Senhor nos falando nas Escrituras. Ele nos fala sempre, devemos ter sede para escutá-lo, devemos dedicar um tempo fixo, todos os dias para meditar sua Palavra. Ele nos fala sempre.

4º parte (28-32): Eles reconhecem o Senhor ao partir o pão. “Fica conosco, já é tarde e já declina o dia”: sem Cristo, que explica as Escrituras, voltam as trevas, volta a decepção, a tristeza. Pedimos tantas coisas a Deus, nos falta aprender a pedir o Deus de todas as coisas. “Os não-cristãos podem perguntar-nos: o que Cristo trouxe de bom para o mundo? Continua havendo guerras, mortes, fomes, injustiças, crueldade? O que Cristo o seu Messias trouxe ao mundo? Nós cristãos respondemos: Cristo nos trouxe a Deus, o verdadeiro Deus, e isso nos basta” (Bento XVI, Jesus de Nazaré).

Se pedimos, Ele fica conosco. Ele quer escutar nosso pedido, Ele quer ficar, só espera nosso desejo. Ele alimentou o verdadeiro desejo nos seus discípulos, deu-lhes a verdadeira esperança. E por isso, Jesus fica conosco. Como que Cristo fica conosco?

Na intimidade, à mesa, entre amigos, os discípulos o reconhecem. “Ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e os entregou”. Isso o Senhor faz para seus discípulos sempre: em cada Missa Ele fica conosco. Eles abriram os olhos e o reconheceram, e Cristo desaparece. Na verdade Ele não foi embora, mas está presente no Pão da Vida. Ele fica como alimento para sua Igreja. A Caminhada de Emaús é uma preparação para o mistério eucarístico. Jesus lhes guiou até esse momento: quis mostrar que está vivo, entre os seus, como seu alimento. Ele é o alimento para quem está no Reino de Deus. Ele fortalece nossa esperança. Na Missa, Jesus nos explica as Escrituras, parte o pão para nós e aquece nosso coração. Ele nos dá a força para o caminho na Eucaristia.

5ª parte (33-35): os discípulos retornam à Igreja. Retornam cheios de disposição, de alegria, abertos ao próximo, à comunidade. A Eucaristia nos leva aos irmãos, faz crescer a comunhão na Igreja. A Eucaristia nos une, faz-nos uma família, alegra-nos o coração.
A Caminhada de Emaús é a caminhada cristã. Podemos partir cansados, desanimados. E Jesus se faz nosso companheiro de caminhada. Escuta nossas palavras, com atenção, com carinho e caridade. Depois Ele nos fala com sua sabedoria, com sua firmeza, com seu amor total. Depois Ele fica conosco, como nosso alimento, e nos dá a força necessária para seguirmos adiante, até a meta eterna. Ele vem a nós e nos busca. Ele quer nossa pessoa toda e quer que nós o amemos, o busquemos. Ele fica por nós na Eucaristia. Em cada Missa Ele nos explica sua vontade, abrasa nosso coração com o fogo do seu amor, com o fogo do Espírito. Caminhemos sempre com Cristo, sempre na Igreja, sempre no seu amor".

Um abraço a todos e espero contribuir com a discussao.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Binhokraus em Qua Maio 27, 2009 10:24 am

Poxa, desculpa a demora em voltar a esse tópico que eu mesmo porpus... hehehehe Embarassed

Mas nossa que alegria voltar! Muitíssimo obrigado Pe. pela reflexão, e é claro rafaela a interpretação dada era minha, um pensamento cru a respetio da passagem e como vc bem disse na nota de rodapé diz que não se pode afirmar, mas não se pode afirmar não significa que se pode negar totalmente, e a reflexão do Pe. Anderson nos mostra isso, de maneira muito mais maestral e profunda ele colocou aquilo que só superficialmente eu havia meditado... Fico muito feliz por isso... Sempre achei a passagem dos discípulos de Emaús uma bela passagem, e ainda mais agora, a terei muito mais em conta...

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Set 17, 2009 5:36 am

Meu Caro Bnho,
Que a paz de Jesus esteja sempre no seu coração!

Que bom poder contemplar no nosso coração aquela cena dos discípulos de Emaús. Confesso que sempre que a leio me emociono muito e chego às vezes a chorar. Para mim é uma das passagens mais belas das Sagradas Escrituras.

Normalmente eu fico matutando sobre o sentimento não somente daqueles discípulos, daqueles apóstolos e daquele povo que conviveu com a pessoa humana de Jesus. Fico imaginando a separação física trazida pela morte. Fico pensando na saudade que sentiram, no sentimento de abandono, de vazio, de não mais terem Jesus presente como antes de forma palpável e audível, de não mais o verem naquela casa, naquela mesa, naquele cenáculo e, enfim, naqueles "por onde Ele andava".

Com certeza, para aqueles que conviveram fisicamente com Jesus, ouvindo seus ensinamentos, gozando de sua presença tanto divina quanto humana, dos seus afagos, dos seus abraços e do seu ósculo, foi muito mais difícil de compreender do que para nós que nascemos depois da ressurreição e da ascenção de Jesus, pois eles ainda não tinham recebido a efusão do Espírito Santo, o Paráclito, o Consolador, o Mestre de toda a verdade. Isso se configura no momento em que Jesus, aparecendo a Tomé, lhe diz: "põe o teu dedo na minha chaga... Olha minhas mãos e o meu lado...Sou Eu mesmo... Não sejas incrédulo, mas crente...Creste porque viste...
FELIZES OS QUE NÃO VIRAM E CRERAM".

Assim sendo, nós que vivemos no tempo presente herdamos essa bem-aventurança: Somos felizes porque não vimos, mas cremos, e isso é Eucaristia, é celebração da presença de Jesus entre nós. Ele mesmo disse: "onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles".

Mas que relação teria aquela passagem de Emaús com a Sagrada Eucaristia?

Mesmo que o texto não nos deixe clara esta realidade no seu sentido estritamente literal, compreender esta realidade é pura ação do Espírito Santo em nós. Segundo o costume judaico, como afirmou Rafaela, os judeus sempre pronunciavam a bênção antes de tomar o alimento. Entretanto, aquele alimento sobre o qual pronunciavam a bênção estava "in loco" ou sobre a mesa, ao passo que a maneira como Jesus tomava o pão, abençoava e o partia era exclusiva, única e expressava o Sacramento. Foi esta diferença que fez com que aqueles discípulos abrissem os olhos e O reconhecessem.

Seria aquele gesto de Jesus uma repetição da última ceia? Não, pois aultima ceia não teve fim. Ela se perpetuou como sacrifíco perfeito, como sacrifício da Novae Eterna Aliança, de acordo com a profecia de Malaqueas: "SERÃO MEUS SACERDOTES PARA EXERCEREM UM CULTO ETERNO". Este culto, essa EUCARISTIA, é ininterrúpto, continua a cada momento em cada missa, em cada lugar "ONDE DOIS OU MAIS ESTIVEREM REUNIDOS EM NOME DE jESUS". Era ssim que estavam unidos os discípulos de Emaús: atordoados, sem esperança, com saudade, com a fé abalada, mas o objeto de sua conversa era a pessoa de Jesus. E quando pronunciamos o Santo Nome de Jesus, quando celebramos a Memória de Jesus, quando falamos dos Feitos de Jesus, mesmo que a nossa fé seja oscilante, Ele está presente e, mesmo que de maneira não sacramental, esta presença gloriosa é sempre EUCARISTIA e nela o milagre sempre acontece. Eucaristia é isso.

O texto do Padre Anderson é muito claro e oportuno. É impossível observá-lo nas suas entrelinhas e não compreender essa realidade eucarística da presença de Jesus entre nós. A dimensão de continuidade da Ultima Ceia, da Eucaristia, está presente em cada detalhe da nossa vida cristã. Às vezes não percebemos isso com muita clareza porque a nossa mente e o nosso coração se fixa em muitos alvos, quando o alvo supremo é a pessoa de Jesus. Somos, portanto, dispersos, por muitas vezes. Mas é impressionante a forma como o Padre Anderson nos coloca, com muita propriedade, servindo-se não somente da Palavra de Deus e completando-a com os exemplo dos santos, dos cristãos, do próprio Papa, diante desta realidade da presença de Jesus em nós e entre nós.

O que é a Eucaristia, senão a presençade Jesus entre nós? Como podemos afirmar algo diferente ou outra coisa? Foi assim que Jesus constituiu a nossa Igreja fundamentada na sua Palavra, enriquecida com o testemunho dos santos, os carismas, os ministérios, os sacramentos e tantos outros tesouros, mas sobretudo com o Santíssimo Sacramento que é a Eucaristia, Sacramento este que é o centro da vida cristã e que garante a Unidade da Igreja com Cristo, por Cristo e em Cristo.

Ao término deste meu colóquio, quero partilhar o carinho que tenho por aqueles que, renascidos pelo batismo e partícipes do Corpo e do Sangue do Senhor permanecem em comunhão com Cristo e com sua Igreja. Mesmo não os conheceno fisicamente, conheço-os pela fé que professamos, razãode nossa alegria e certeza de ENCONTRO. Isso é Eucaristia.

Binho, que Deus seja sempre louvado pela sua vida, pelo seu testemunho cristão. Você é muito abençoado e rico da graça de Deus. Sua interpretação está muito correta. Somente aqueles que são plenificados pelo Espírito Santo conseguem perceber o que você percebeu.

Que o Senhor Jesus esteja sempre com você!

Em Jesus e em Maria o abraço cordialmente.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 12, 2010 3:18 pm

O que pensaria se fosse um dos discípulos de Emaús?!

1º Ficava a saber como eles que o homem que nos tinha acompanhado era Yeshua, que tinha sido morto, há 3 dias.

2º Ficava admirado, pelo facto de ele nos ter acompanhado e de nós não o termos identificado.

3º Ficaria com vontade como eles de ir anunciar esse acontecimento aos meus amigos em Cristo que tinham ficado em Jerusalém escondidos e cheios de medo.

O resto para mim não passa de supostas especulações que eu respeito, pois cada qual pode ter uma opinião, mesmo que a mesma não seja válida.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por alessandro em Qua Maio 12, 2010 10:11 pm

antes de mais nada, quero dizer que acho interessante vc afirmar que sua opinião é meramente subjetiva.

quero acrescentar que as discussões levantadas não forma especulações não-válidas, mas exegeses bem interessantes, que trataram sobre pontos fundamentais da doutrina cristã.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sex Maio 14, 2010 8:28 am

Meu caro Alessandro,

O que interessa no ponto de vista da fé o que se passou com os discípulos de Emaús e o que é que eles acreditaram?

A mim nada, a eles tudo.

É apenas uma narrativa interessante, que pões os teólogos em polémica.

Devo lembrar que nessa altura o mandamento do Senhor «Fazei isto em minha Memória» ainda não se chamada de Eucaristia.

As especulações teológicas, dogmas etc... vieram muito depois.
As pessoas têm o direito de pensar o que quiser: somos seres pensantes, mas há muita coisa que só é do interesse dessas pessoas que fazem esse tipo de especulações e que elaboram para os outros essas doutrinas teológicas que nem eles compreendem. Parece que se esquece o essencial (ama ao teu próximo como a ti mesmo) para as pessoas porem num pedestal o que é acessório.

Quanto às minhas palavras, faça isso mesmo. Dê apenas importância àquilo que é importante para si (em relação ao seu futuro de vida eterna) , e neste momento. O resto não interessa, neste momento.

YHWH trabalha-nos com o seu Espírito, de acordo com as nossas capacidades que temos no momento em que actua.

Quanto às «exegeses bem interessantes» só têm valor para quem já está habilitado a compreendê-las.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Dom Maio 16, 2010 9:32 am

Corroborando com o pensamento de Alessandro, a passagem dos discípulos de Emaús tem um caráter exegético que configura o fato de se estar unido a Cristo e na sua Igreja.
Não se pode compreender como cristão aquele que está fora da Igreja, pois nesta condição, tal indivíduo é definido como fora da unidade com Cristo, fora da comunhão, excomungado (Jo 17).
A Eucaristia é, acima de tudo, comunhão com o Corpo e com o Sangue do Senhor, o que só pode se realizar na sua Igreja. Ela é o centro da vida cristã e a razão maior de sua existência. Assim, ser cristão implica estar na Igreja por Cristo, com Cristo e em Cristo.
Um certo dia, um jovem rico que desde a sua mocidade observava os mandamentos se apresentou diante de Jesus perguntando o que fazer para obter a vida eterna. A resposta que recebeu exigia, além do desfazer-se dos seus bens em favor dos pobres, seguir a Jesus sem qualquer reserva, o que fez com que aquele jovem se retirasse abatido e entristecido (Mt 19,16-29; Lc 18,18-30; Mc 10,17-22).
Este episódio nos mostra que para se ter a vida eterna é necessário não somente observar os mandamentos, mas é preciso seguir a Jesus, estar com Ele, estar na sua Igreja.
Auqele jovem era naturalmente um bom rapaz, mas percebeu que, dentre os dez mandamentos, não amava o próximo como deveria, teve medo de perder a sua comodidade e por isso, não seguiu a Jesus.
Da mesma forma, muitas são as pessoas que, como aquele jovem, mesmo conhecendo os mandamentos, são tomadas pelo livre arbítrio e optam pelas suas riquezas, saberes e pensamentos, não se dispondo a viverem na comunidade dos cristãos que é a Igreja, passando a viverem como ovelhas desgarradas e sem pastor.
Os discípulos Emaús reconheceram Jesus ao partir o pão, não porque simplesmente partiu o pão, mas porque o partiu como era comum entre os que celebravam a Ceia do Senhor, e é exatamente neste reconhecimento do Ressuscitado que está a grandeza da Eucaristia enquanto sacramento que dá sentido à vida cristã.
A vida cristã não tem qualquer sentido fora da comunidade dos cristãos, fora da Igreja (At 1,12-2,13.42-47). É nba Igreja que, em comunhão com o Corpo e com o Sangue do Senhor, recebemos a unção do Espírito Santo de Deus que nos capacita para a verdadeira vida cristã.
Não se pode afirmar que a passagem bíblica dos discípulos de Emaús é apenas uma narrativa interessante, pois ela transcende a isso e se configura como exemplo de uma vida cristã pautada na Eucaristia que, para além da memória que celebramos de Cristo, é também celebração solene e comunhão com o seu Corpo e com o seu Sangue, sacramento que garante a permanência recíproca com Cristo e a ressurreição no dia final.
Esta realidade não se trata de polêmica teológica ou qualquer outra coisa dessa natureza. Não importa se o termo "Eucaristia" surgiu depois da instituição deste sacramento, ou se a Igreja referenda nos seus dógmas uma realidade pré-existente e fundamentada nas Sagradas Escrituras. Muito antes da Santa Ceia, no seu discurso sobre o Pão da Vida (Jo 6), Jesus nos deixou claro ao extremo que a Eucaristia não se trata simplesmente de um memorial, muito embora que quando a celebramos, o façamos em sua memória. O discurso a respeito do Pão da vida afirma dez vezes que a Eucaistia é condição para a vida eterna, para a ressurreição. Logo, não se trata apenas de um memorial.
As palavras "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19; 1Cor 11,24) nao revogam a essência do Corpo e do Sangue do Senhor na Eucaristia. Esta verdade se torna consistente tanto antes quanto depois da instituição da Eucaristia.
Mas por que antes?
Como podemos comprovar, a partir do momento em que os que não aceitavam a doutrina da Eucaristia, murmuravam os judeus (Jo 6,52) e muitos dos seus discípulos e dos que andavam com Ele se retiraram (Jo 6,66), de maneira que restaram os doze apóstolos que creram como palavras de vida eterna (Jo 6,68).
E por que depois?
Porque aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue do Senhor de forma indigna se torna réu deste mesmo corpo e deste mesmo sangue (1Cor 11,27) comendo e bebendo a sua própria condenação (1Cor 11,29).
Logo, a Eucaristia não se constitui apenas em um memorial, pois nas suas espécies está o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor e, COITADO DE QUEM NÃO O DISTINGUE!
Retornando à afirmação de que não se pode compreender como cristão aquele que está fora da Igreja, tal afirmação se torna consistente no mmento em que tal pessoa, ao assumir esta postura, se conduz pelo seu livre arbítrio, crendo no que quer como se pudesse escolher da Palavra de Deus o que lhe é agradável e descartar o que acha que não está de acordo com suas idéias, pensamentos, paixões e comodidade.
Quem é Cristão, reconhece a Palavra de Deus na sua integridade sem qualquer descarte. Como crer na Palavra de Deus se não se crê na Eucaristia como sacramento que, para além da simples lembrança, é o Corpo e o Sangue do Senhor?
Da mesma maneira que os discípulos de Emaús reconheceram, o verdadeiros cristãos também O reconhecem, e nós católicos somos felizes porque O reconhecemos.
Um grande abraço a todos !

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qui Maio 20, 2010 7:30 am

Exmo. Senhor Flávio.

Tenho a impressão que já tinha respondido a esta sua última intervenção, mas o «demo» fez com que a mesma desaparecesse do mapa.

Talvez fosse dura de mais para digerir.
É necessário esperar para que tenha o acolhimento que merece.

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Jun 03, 2010 7:14 am

Caro Manoel,

É impressão, realmente, pois nada foi retirado neste tópico e o "demo" está muit distante disso. É possível que tenha pensado em postar algo mas que não o tenha feito, motivado por algo que talvez tenha surgido subtamente e que possa ter desviado a sua atenção. Isso às vezes acontece comigo. No nosso fórum quando algo é retirado é sempre justificado e comunicado a quem de direito. Com certeza está acontecendo um eqüívoco.

Que a paz do Senhor esteja sempre no seu coração!

Flávio Roberto Brainer de
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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sex Jun 04, 2010 8:20 am

Caro Flávio,

Como não tenho a certeza dou o benefício da dúvida.
Na verdade, o artigo que perdi, não era tão escaldante assim, pois estava dentro dos limites dos outros, mas imaginei que podia ter chocado alguém.

Já me cortaram artigos noutros sítes daí do Brasil, enquanto, em sites católicos de Portugal passavam naturalmente, pois aqui ainda há liberdade de informação e expressão.

Contudo, tirando este caso que teria ocorrido não por censura fundamentalista, mas porque talvez tive que disligar o computador à pressa .

Eu não tenho internet em casa, e como estou reformado, saio de casa e uso a internet de sítios públicos pagos pelo Estado.
Quando chega a hora tenho que sair, pois os PORTUGUESES são muito pontuais na saída.

Contudo devo informar que eu estou muito bem impressionado pelo respeito que este vosso site dá à liberdade de expressão.
Continuem assim e terão os meus sinceros parabéns.

Manuel Portugal Pires

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Re: Os Discípulos de Emaús Lc 24, 29-31

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Jun 08, 2010 2:31 pm

Caro senhor Manuel,

Nosso fórum sempre respeita a liberdade de expressao sim, mas essa deve ser bem entendida: nao é liberdade de ofender, mas de expressar os próprios pensamentos, com respeito às pessoas e à fé do próximo. Se alguma palavra faltar contra o espírito cristao, serao excluídas do nosso fórum.

Lembramos aqui que o objetivo do nosso fórum é discutir idéias, nao criticar pessoas. Espero a compreensao de todos. Até hoje, em 2 anos do nosso fórum, essas regras básicas foram obedecidas (até pelos ateus que entraram aqui!)

Grande abraço e fique na paz.

Pe. Anderson
Admin

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