Teologia da Libertação e Doutrina Social

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Out 30, 2009 1:28 pm

Caros amigos,

Creio que o livro que o Alessadro se refere que leu sobre o tema é um que eu o emprestei. Se chama "História de la Teología en la América Latina", de J. Saranyana. Recomendo a todos essa obra. Sao 4 volumes de umas 4.000 páginas, obra referência no mundo inteiro. Esses livros estao na Biblioteca do Seminário.

Sobre o capítulo da Teologia da Libertaçao eu fiz um pequeno resumo. Vou postar aqui para tentar ajudar um pouco na discussao.

Introdução:

Foi dito que “falar de Teologia na América
Latina depois do Vaticano II, é falar da Teologia da Libertação.” (MAIER). É certo que nem toda teologia saída da América Latina nesse período foi T.L. mas essa foi a mais difundida e a melhor conhecida pelos especialistas.

A T.L. teve diversas etapas. Houve uma católica e uma protestante. Os seus defensores defenderam teses diversas; Tiveram
interesses teológicos diversos e contraditórias entre si. Por isso é mais correto falar de diversas “teologias latino-americanistas”, com forte carta soteriológica e reivindicativa.

1. Influências doutrinais nas teologias latino-americanistas:
a) A discussão sobre a secularidade cristã:

Sustentam alguns historiadores da teologia que: “pode-se considerar como preparação a uma teologia da revolução o movimento de atenção às realidades terrestres”, que desembocou na Gaudium et Spes. Essa Constituiçao do Vaticano II, entretanto, não pode ser considerada
como um ponto final de um processo, mas o ponto inicial e um largo itinerário novo. Sendo assim, em 1972, G. Gutierrez interrogava:

“Que relação há entre a salvação e o processo de libertação do homem, ao longo da história? Ou, mais especificamente, que significa, à luz da palavra, a luta contra a sociedade injusta, a criação de um homem novo? Responder a estas questões implicará tratar de precisar o que se
entende por salvação, noção central do mistério cristão.[1]

b) A Encíclica “Populorum Progressio” (1967) e a América Latina:

Essa Encíclica foi lançada no dia 26 de março de 67, pouco depois do final do Concílio. Teve uma grande repercussão na opinião pública mundial. O Papa tratava especialmente da questão do grande desequilíbrio econômico entre os países ricos e os países em via de desenvolvimento. Citamos o número 76:

“As excessivas disparidades econômicas, sociais e culturais provocam, entre os povos, tensões e discórdias, e põem em perigo a paz. Como dizíamos aos Padres conciliares, no regresso da nossa viagem de paz à ONU, "a condição das populações em fase de desenvolvimento deve ser objeto da nossa consideração, ou melhor, a nossa caridade para com todos os pobres do mundo, e eles são legiões infinitas, deve tornar-se mais atenta, mais ativa e mais generosa". Combater a miséria e lutar contra a injustiça, é promover não só o bem-estar mas também
o progresso humano e espiritual de todos e, portanto, o bem comum da humanidade. A paz não se reduz a uma ausência de guerra, fruto do equilíbrio sempre precário das forças. Constrói-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justiça mais perfeita entre os homens.”

Essa Encíclica estava pensada, sobretudo para América Latina e para África, como aparece no seu preâmbulo. Foi tendenciosamente mal-interpretada os pontos 30 e 31.

30. “Certamente há situações, cuja injustiça brada aos céus. Quando populações inteiras, desprovidas do necessário, vivem numa dependência que lhes corta toda a iniciativa e responsabilidade, e também toda a possibilidade de formação cultural e de acesso à carreira social e política, é grande a tentação de repelir pela violência tais injúrias à dignidade humana.

31. Não obstante, sabe-se que a insurreição revolucionária - salvo casos de tirania evidente e prolongada que ofendesse gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudicasse o bem comum do país - gera novas injustiças, introduz novos desequilíbrios, provoca novas ruínas. Nunca se pode combater um mal real à custa de uma desgraça maior.

32. Desejaríamos ser bem compreendidos: a situação atual deve ser enfrentada corajosamente, assim como devem ser combatidas e vencidas as injustiças que ela comporta. O desenvolvimento exige transformações audaciosas, profundamente inovadoras. Devem empreender-se, sem demora, reformas urgentes. Contribuir para elas com a sua parte, compete a cada pessoa, sobretudo àquelas que, por educação, situação e poder, têm grandes possibilidades de influxo. Dando exemplo, tirem dos seus próprios bens, como fizeram alguns dos nossos irmãos no episcopado.(33) Responderão, assim, à expectativa dos homens e serão fiéis ao Espírito de Deus, porque foi "o fermento evangélico que suscitou e suscita no coração do homem uma exigência incoercível de dignidade.”

Essa encíclica trouxe grandes novidades na história da Igreja. Nela o Papa, quebrando uma grande tradição, citava teólogos do momento, economistas e cientistas políticos. A alusão a “Pour une théologie Du travail” (1955) teve grande repercussão.

Essa pequena obra (apenas 124 páginas) daquele grande teólogo francês pretendia ser um diálogo com a filosofia marxista. Nessa época havia certa amizade entre os católicos e os comunistas, por terem combatido juntos contra a invasão nazista. Uma tese simples e genialmente defendida naquela obra foi a seguinte: assim como, no século XIII Aristóteles tinha ajudado a Santo Tomás de Aquino a descobrir o homo naturalis, união substancial de espírito e de matéria, compreendendo por tal união a matéria que se transcende a si mesma, e spiritualizando-se de algum modo; assim, no século XIX e XX Karl Marx, outro “profeta” procedente dos gentios, havia ajudado a descobrir, graças a sua tese sobre o homo oeconomicus, um novo aspecto da verdadeira natureza do homem, quem, por meio do trabalho, eleva a natureza por cima de si mesma, manifestando que a natureza trabalhada transcende o que ela mesma é. Marx, com isso, teria contribuído a “humanizar” ao homem, mostrando-lhe que a civilização não é somente fruto do trabalho, mas o mais belo fruto do trabalho. Tal concepção de
Marx seria, pois “cristianizável”, concluía Chenu.

Na década de 40 e de 50 esse pequeno livro de Chenu teve grande impacto, ao ponto do mesmo Paulo VI não poder ocultar a impressão que essa obra lhe havia causado.

c) Medellín (1968) como encruzilhada de caminhos:

A Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (CELAM), realizada em Medellín estava em completa sintonia com a constituição pastoral Gaudim et Spes. Este foi o documento mais citado na Conferência, de forma que então se abriam novas perspectivas para a recepção do concílio na América Latina.

Esse documento fazia várias referencias aos “sinais dos tempos” (signa temporum), expressão que havia aparecido 3 vezes no Vaticano II. Também apareceu com força nesse documento a reflexão sobre a pobreza, que por vontade de João XXIII foi destacado tema do Concílio e recolhido em Lumen Gentium 8. Também aparecia na Encíclica Ecclesiam suam de Paulo VI em agosto de 1964.

2. História da T.L.:

As origens próximas da T.L. estão em março de 1964, numa reunião de teólogos em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Então o sacerdote jesuíta uruguaio Juan Luis Segundo dissertou sobre os problemas teológicos da América Latina; o sacerdote argentino Lucio Gera tratou da função do teólogo na América Latina; e Gustavo Gutiérrez pediu um diálogo salvador com as elites culturais, os profissionais e os mais pobres, com uma conclusão reinvidicativa sobre a situação de extrema pobreza do continente.

Outros encontros semelhantes foram realizados em Bogotá (julho de 65); La Habana (65), Cuernecava (65) sobre Cristologia e Pastoral; em Santiago do Chile (66), sobre a palavra e a evangelização; em Montevidéu (67) sobre a teologia e a história.

Enquanto isso, em Roma ocorria a XXXI Congregação Geral da Companhia de Jesus (julho de 1965); essa teve início em 7 de julho de 1965 e foi fechada por Paulo VI em 16 de novembro de 1966. Diz um historiador sobre essa reunião:

“Oxigenada com os novos ares do Concílio Vaticano II, que deu aos jesuítas uma decidida abertura ao mundo presente, esta Congregação foi a ata de disfunção da antiga e muito conservadora Companhia de Jesus – que ainda daria alguma resistência nos anos setenta – e o nascimento de uma Companhia de Jesus apaixonada pelo mundo moderno e pelo anúncio da fé desde as preocupações dos homens do seu tempo, para o qual se iniciaria toda uma renovação do modo de vida religioso na Companhia de Jesus.

Na mesma linha do documento anterior a carta do Pe. Pedro Arrupe, geral da companhia de Jesus desde 1965, a todos os provinciais da América Latina, instava-los a que se ocupassem das questões sociais, recolhendo todo o fruto da conferencia terminada em 1966.

Finalmente houve o II Encontro de Sacerdotes e Leigos, organizado pelo Movimento Sacerdotal de ONIS de Perú, em Chimbote, de 21 a 28 de julho de 1968. Ali G. Gutiérrez leu uma importante conferencia, crucial para o surgimento da T.L. Essa conferencia foi reelaborada e apresentada em Cartiny (Suíça), em novembro de 1969. Essa segunda versão gerou o livro base do movimento teológico: Hacia uma Teología de La Liberación.

3. Os diversos períodos da T.L.:

Há diversas formas de se periodizar a T.L. Os próprios teólogos da libertação discutem entre si sobre esse tema. Em geral os historiadores da T.L. oferecem quatro respostas à pergunta sobre a origem desse movimento teológico.

1) Para uns o núcleo fundamental da T.L. é uma questão epistemológica (também metodológica), quer dizer, querem uma nova resposta à questão sobre o “lugar teológico”;

2) Para outros a origem seria um movimento ou movimentos de libertação, onde seria cultivada a T.L. e traria conseqüências duradouras;

3) Para um terceiro grupo, a T.L. seria uma resposta a uma pergunta estritamente teológica: como se relaciona o processo de libertação (ou de desenvolvimento, de progresso) com a salvação do homem? Nesse caso, a T.L. seria um esforço para refletir sobre a secularidade cristã e sobre a questão teológica. O objeto da T.L. seria pois e “Reino de Deus”;

4) Para um último grupo a T.L. seria a recepção das inquietações teológicas trazidas pelo Vaticano II e sua recepção na América Latina, com o intento de se realizar uma teologia latino-americanista. É muito provável que as quatro respostas sejam verdadeiras e complementárias.

Não há dúvidas que G.S foi um poderoso estímulo para a jovem geração de teólogos da América Latina. Basta lermos o primeiro parágrafo daquele documento:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a
Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.”

4. Algumas elaborações teológicas vinculadas à T.L.:

a. Gustavo Gutiérrez e L. Boff: a T.L a partir do “lugar teológico”:

A T.L. se preocupou de forma especial com o “lugar teológico”. Esse expressão se refere ao teólogo espanhol Melchor Cano, do século XVI. Esse seria o objeto formal quo da Teologia, sob o qual se contempla o objeto material. Em Cano, o “lugar teológico” é o estudado na Teologia, onde a revelação divina se apresenta em maior ou menor medida. Para Gutiérrez e outros teólogos “o lugar privilegiado da T.L. é o
pobre e a sua causa de libertação.”

“O pobre é o lugar privilegiado da manifestação de Deus; a perspectiva do pobre e sua libertação é a ótica desde a que se lêem os acontecimentos e se relê a história; a teologia, como palavra segunda (primeiro é a experiência e a práxis e em segundo lugar, como ato segundo, a teologia), se constitui em instância crítica da ação eclesial e humana.

Segundo a teologia de Cano, o pobre poderia ser considerado um dos lugares onde se manifesta Revelação, um locus auxiliar, assim como são a razão, os filósofos, os juristas e a história com suas diferentes tradições humanas. Sem dúvida, não seria o lugar privilegiado de encontrarmos a revelação divina. No entanto, é isso o que afirmam os teólogos da T.L. “A T.L. é uma teologia integral, que trata com toda a
positividade da fé dentro de uma perspectiva particular: o pobre e sua libertação.” (SCANNONE).

Sobre esse tema afirmou L. Boff:

“A T.L. surgiu no seio mesmo da práxis dos cristãos (sacerdotes, religiosos e leigos, comprometidos com a mudança da sociedade de pobreza. A originalidade deste tido de teologia não reside no fato de que contemple como objeto de reflexão teológica o tema da opressão-libertação. Isto é sempre possível e, de certo modo, nunca esteve ausente em nenhuma corrente teológica. No entanto, o tema não obriga à teologia mudar de método e a se estruturar de forma diferente. Com os mesmos instrumentos com que abordou a divindade de Jesus, a paternidade
divina, a graça ou o pecado, se aproxima também do tema da libertação. Deste modo surgiram nos últimos decênios diversas teologias ‘de genitivo’ (do trabalho, do sexo, da secularização, da cidade etc.). A novidade reivindicada pela T.L. consiste em que é uma reflexão de fé a partir e desde dentro da práxis da libertação. Tenha-se em conta o seguinte: não se trata de reflexão sobre o tema teórico da ‘libertação’, mas sobre a práxis concreta da libertação realizada pelos pobres e pelos aliados dos pobres junto aos pobres. Os cristãos, motivados por sua fé, se comprometem ao lado dos pobres na transformação da sociedade, a fim de que haja nesta mais bens do Reino de Deus, tais como a justiça, participação, dignidade e fraternidade. E dentro desta prática popular tentam pensar todo o conteúdo da fé cristã. Surge então um novo modo de fazer teologia: a partir da práxis política, a partir do compromisso solidário com os oprimidos em ordem à sua libertação. É a práxis em seu sentido ‘pregnante’ de ação lúdica, consciente e tradutora de um projeto histórico.

Nesse autor vemos que não se trata tanto de uma reflexão teológica sobre os pobres (entendido como o lugar material da teologia), mas sim uma reflexão a partir dos pobres. A consideração dos pobres como novo lugar teológico faria que a Sagrada Escritura perdesse o seu centro na reflexão cristã. Esse autor o afirma na sua obra sobre a Escatologia: “ o apelo à Sagrada Escritura não será, certamente uma resposta adequada e por si mesma convincente sobre o ultimo fim do homem” (Sobre a vida Eterna, p. 17).


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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Out 30, 2009 1:32 pm

Continuando:

As instruções da Congregação da doutrina da fé:

Há dois documentos do Vaticano sobre o tema: Libertatis Nuntius de 1984 e
Libertatis Nuntius
de 1986. Apresentaremos uma síntese do primeiro
documento:

“A libertação é antes de tudo e principalmente libertação da escravidão
radical do pecado. Seu objetivo e seu termo é a liberdade dos filhos de Deus,
que é dom da graça. Ela exige, por uma conseqüência lógica, a libertação de
muitas outras escravidões, de ordem cultural, econômica, social e política,
que, em última análise, derivam todas do pecado e constituem outros tantos
obstáculos que impedem os homens de viver segundo a própria dignidade.
Discernir com clareza o que é fundamental e o que faz parte das conseqüências é
condição indispensável para uma reflexão teológica sobre a libertação.

Considerada em si mesma, a aspiração pela libertação não pode deixar de
encontrar eco amplo e fraterno no coração e no espírito dos cristãos.

Assim, em consonância com esta aspiração, nasceu o movimento teológico e
pastoral conhecido pelo nome de "teologia da libertação":num primeiro
momento nos países da América Latina, marcados pela herança religiosa e
cultural do cristianismo; em seguida, nas outras regiões do Terceiro Mundo, bem
como em alguns ambientes dos países industrializados.

A expressão "teologia da libertação" designa primeiramente uma
preocupação privilegiada, geradora de compromisso pela justiça,voltada para os
pobres e para as vítimas da opressão. A partir desta abordagem podem-se
distinguir diversas maneiras, freqüentemente inconciliáveis, de conceber a
significação cristã da pobreza e o tipo de compromisso pela justiça que ela
exige. Como todo movimento de idéias, as "teologias da libertação"
englobam posições teológicas diversificadas; suas fronteiras doutrinais são mal
definidas.

A aspiração pela libertação, como o próprio termo indica, refere-se a um
tema fundamental do Antigo e do Novo Testamento. Por isso,tomada em si mesma a
expressão "teologia da libertação" é uma expressão perfeitamente
válida: designa, neste caso, uma reflexão teológica centrada no tema bíblico da
libertação e da liberdade e na urgência de suas incidências práticas. A
convergência entre as aspiração pela libertação e as teologias da libertação
não é pois fortuita. O significado desta convergência não pode ser compreendido
corretamente senão à luz da especificidade da mensagem da Revelação,
autenticamente interpretada pelo Magistério da Igreja.

Já anunciado no Antigo Testamento, o mandamento do amor fraterno
estendido a todos os homens constitui agora a suprema norma da vida social. Não
há discriminações ou limites que possam opor-se ao reconhecimento de todo e
qualquer homem como o próximo.

A pobreza por amor ao Reino é exaltada. E na figura do pobre somos
levados a reconhecer a imagem e como que a presença misteriosa do Filho de Deus
que se fez pobre por nosso amor. Este é o fundamento das inexauríveis palavras
de Jesus sobre o Juízo, em Mt 25,31-46. Nosso Senhor é solidário com toda
desgraça; toda desgraça leva a marca de sua Presença.

Contemporaneamente, as exigências da justiça e da misericórdia, já
enunciadas no Antigo Testamento, são aprofundadas a ponto de revestirem no Novo
Testamento uma significação nova. Aqueles que sofrem ou são perseguidos são
identificados com Cristo. A perfeição que Jesus exige de seus discípulos (Mt
5,18) consiste no dever de serem misericordiosos "como vosso Pai é
misericordioso" (Lc 6,36).

Já anunciado no Antigo Testamento, o mandamento do amor fraterno
estendido a todos os homens constitui agora a suprema norma da vida social. Não
há discriminações ou limites que possam opor-se ao reconhecimento de todo e
qualquer homem como o próximo.

A pobreza por amor ao Reino é exaltada. E na figura do pobre somos
levados a reconhecer a imagem e como que a presença misteriosa do Filho de Deus
que se fez pobre por nosso amor. Este é o fundamento das inexauríveis palavras
de Jesus sobre o Juízo, em Mt 25,31-46. Nosso Senhor é solidário com toda
desgraça; toda desgraça leva a marca de sua Presença.

Contemporaneamente, as exigências da justiça e da misericórdia, já
enunciadas no Antigo Testamento, são aprofundadas a ponto de revestirem no Novo
Testamento uma significação nova. Aqueles que sofrem ou são perseguidos são
identificados com Cristo. A perfeição que Jesus exige de seus discípulos (Mt
5,18) consiste no dever de serem misericordiosos "como vosso Pai é
misericordioso" (Lc 6,36).

É em relação à opção preferencial pelos pobres, reafirmada com vigor e
sem meios termos, após Medelín, na Conferência de Puebla, de um lado, e à
tentação de reduzir o Evangelho da salvação a um evangelho terrestre, de outro
lado, que se situam as diversas teologias da libertação.

Lembremos que a opção preferencial, definida em Puebla, é dupla: pelos
pobres e pelos jovens. É significativo que a opção pela juventude seja, de
maneira geral, totalmente silenciada.

Dissemos acima (cf. IV, 1) que existe uma autêntica "teologia da
libertação", aquela que lança raízes na Palavra de Deus, devidamente
interpretada.

Mas sob um ponto de vista descritivo, convém falar das teologias da
libertação, pois a expressão abrange posições teológicas, ou até mesmo
ideológicas, não apenas diferentes, mas até, muitas vezes, incompatíveis entre
si.

A impaciência e o desejo de ser eficazes levaram alguns cristãos,
perdida a confiança em qualquer outro método, a voltarem-se para aquilo que
chamam de "análise marxista".

Seu raciocínio é o seguinte: uma situação intolerável e explosiva exige
uma ação eficaz que não pode mais ser adiada. Uma ação eficaz supõe uma analise
científica das causas estruturais da miséria. Ora, o marxismo aperfeiçoou um
instrumental para semelhante análise. Bastará, pois, aplicá-lo à situação do
Terceiro Mundo e, especialmente, à situação da América Latina.

O termo "científico", porém, exerce uma fascinação quase
mítica; nem tudo o que ostenta a etiqueta de científico o é necessariamente.
Por isso, tomar emprestado um método de abordagem da realidade é algo que deve
ser precedido de um exame crítico de natureza epistemológica. Ora, este prévio
exame crítico falta a várias "teologias da libertação".

A advertência de Paulo VI continua ainda hoje plenamente atual: através
do marxismo, tal como é vivido concretamente, podem-se distinguir diversos
aspectos e diversas questões propostas à reflexão e à ação dos cristãos.
Entretanto, "seria ilusório e perigoso chegar ao ponto de esquecer o
vínculo estreito que os liga radicalmente, aceitar os elementos da análise
marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da
luta de classes e de sua interpretação marxista sem tentar perceber o tipo de
sociedade totalitária à qual este processo conduz".

A concepção partidarista da verdade, que se manifesta na práxis
revolucionária de classe, corrobora esta posição. Os teólogos que não
compartilham as teses da "teologia da libertação", a hierarquia e
sobretudo o Magistério romano são assim desacreditados a priori, como
pertencentes à classe dos opressores. A teologia deles é uma teologia de
classe. Os argumentos e ensinamentos não merecem, pois, ser examinados em si
mesmos, uma vez que refletem simplesmente os interesses de uma classe. Por
isso, decreta-se que o discurso deles é, em princípio, falso.

Aparece aqui o caráter global e totalizante da "teologia da
libertação". Por isso mesmo, deve ser criticada não nesta ou naquela
afirmação que ela faz, mas a partir do ponto de vista de classes que ela adota
a priori e que nela funciona como princípio hermenêutico determinante.

Por causa deste pressuposto classista, torna-se extremamente difícil,
para não dizer impossível, conseguir com alguns "teólogos da
libertação" um verdadeiro diálogo, no qual o interlocutor seja ouvido e
seus argumentos sejam discutidos objetivamente e com atenção. Com efeito, estes
teólogos, mais ou menos conscientemente, partem do pressuposto de que o ponto
de vista da classe oprimida e revolucionária, que seria o mesmo deles,
constitui o único ponto de vista da verdade. Os critérios teológicos da verdade
vêem-se, deste modo, relativizados e subordinados aos imperativos da luta de
classes. Nesta perspectiva, substitui-se a ortodoxia, como regra correta da fé,
pela idéia da ortopráxis, como critério de verdade. A este respeito, é preciso
não confundir a orientação prática, própria à teologia tradicional, do mesmo
modo e pelo mesmo título que lhe é própria também a orientação especulativa,
com um primado privilegiado, conferido a um determinado tipo de práxis. Na
realidade, esta última é a práxis revolucionária que se tornaria assim critério
supremo da verdade teológica. Uma metodologia teológica sadia toma em
consideração sem dúvida, a práxis da Igreja e nela encontra um de seus
fundamentos, mas isto porque essa práxis é decorrência da fé e constitui uma
expressão vivenciada dessa fé.

A doutrina social da Igreja é rejeitada com desdém. Esta procede,
afirma-se, da ilusão de um Possível compromisso, próprio das classes médias,
destituídas de sentido histórico.

Privilegiar deste modo a dimensão política é o mesmo que ser levado a
negar a radical novidade do Novo Testamento e, antes de tudo, a desconhecer a
pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, bem
como o caráter específico da libertação que ele nos traz e que é
fundamentalmente libertação do pecado, fonte de todos os males.

É claro que a fé no Verbo encarnado, morto e ressuscitado por todos os
homens, a quem "Deus fez Senhor e Cristo", é negada. Toma o seu lugar
uma "figura" de Jesus, uma espécie de símbolo que resume em si mesmo
as exigências da luta dos oprimidos.

Propõe-se, assim, uma interpretação exclusivamente política da morte de
Cristo. Nega-se, desta maneira, seu valor salvífico e toda a economia da
redenção.

A nova interpretação atinge, assim, todo o conjunto do mistério cristão.

De modo geral, ela opera o que se poderia chamar de inversão dos
símbolos. Assim, em lugar de ver no Êxodo com São Paulo uma figura do batismo
se tenderá ao extremo de fazer deste um símbolo da libertação política do povo.

Pelo mesmo critério hermenêutico, aplicado à vida eclesial e à
constituição hierárquica da Igreja, as relações entre a hierarquia e a
"base" tornam-se relações de dominação que obedecem à lei da luta de
classes. A sacramentalidade, que está na raiz dos ministérios eclesiásticos e
que faz da Igreja uma realidade espiritual que não se pode reduzir a uma
análise puramente sociológica, é simplesmente ignorada.

Verifica-se ainda a inversão dos símbolos no domínio dos sacramentos. A
Eucaristia não é mais entendida na sua verdade de presença sacramental do
sacrifício reconciliador e como dom do Corpo e do Sangue de Cristo. Torna-se
celebração do povo na sua luta. Por conseguinte, a unidade da Igreja é
radicalmente negada. A unidade, a reconciliação, a comunhão no amor não mais
são concebidas como um dom que recebemos de Cristo. É a classe histórica dos
pobres que, mediante o combate, construirá a unidade. A luta de classes é o
caminho desta unidade. A Eucaristia torna-se, deste modo, Eucaristia de classe.
Nega-se também, ao mesmo tempo, a força triunfante do amor de Deus que nos é
dado.

A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito
que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se
deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre as experiências
históricas amargas às quais ele conduziu. Compreenderiam então que não se
trata, de modo algum, de abandonar uma via eficaz de luta em prol dos pobres em
troca de um ideal desprovido de efeito. Trata-se, pelo contrário, de
libertar-se de uma miragem para se apoiar no Evangelho e na sua força de
realização.

Grande abraço.
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Leo Santos em Ter Nov 03, 2009 2:54 pm

Como o marxismo nada teve de bom e suas derivações menos ainda, como a teologia da libertação, que é uma manobra Gramcista dentro da igreja católica para destruí-la, incentivando a luta de classes, irmão contra irmão, algo ruim como tudo que tem raiz marxista ou é marxista.

Fico com o Padre Paulo Ricardo ao classificar isso como heresia da libertação.

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Alan em Ter Nov 03, 2009 7:26 pm

Leo Santos escreveu:Como o marxismo nada teve de bom e suas derivações menos ainda, como a teologia da libertação, que é uma manobra Gramcista dentro da igreja católica para destruí-la, incentivando a luta de classes, irmão contra irmão, algo ruim como tudo que tem raiz marxista ou é marxista.

Fico com o Padre Paulo Ricardo ao classificar isso como heresia da libertação.

Olá Leo

Desculpa mas o que você diz está extremamente exagerado e demonstra muita intolerância.

Visto que por essa sua frase
Leo Santos escreveu:Fico com o Padre Paulo Ricardo ao classificar isso como heresia da libertação.
muito de suas deduções vem do que os outros falam o que leva a minha teoria do preconceito. Isso é comum na nossa sociedade visto que muitos são levados a não pensar por si próprios e sim pelo que outros falam.

Falar que a Teologia da Libertação foi criada visando a destruição da Igreja Católica da quase num segundo Código da Vinci Laughing. È interessante quando muitos dentro da Igreja Católica falam de Ecumenismo mas não demonstram isso dentro da própria Igreja Católica. Se queremos realmente o Ecumenismo temos que começar a dar exemplo dentro da nossa Igreja.

Paz e Bem

Alan
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Leo Santos em Qua Nov 04, 2009 3:30 pm

Gramsci chegou à conclusão que não era possível destruir a igreja católica externamente, por ser muito forte, assim como a democracia, mas percebeu que ambas poderiam ser destruídas por dentro.

Se pesquisasse mais sobre o tema, sobre o Gramcismo, saberia que a teologia da libertação está neste meio, ao invés de vir com este discurso batido de preconceito, intolerância, etc.

Logo, o Padre Paulo Ricardo, pela sua otica, também é intolerante e preconceituoso?

Nada que derive do marxismo presta.E em folhetos de missa já foi vista essa dita teologia, que de cristã não tem nada.

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Alan em Qua Nov 04, 2009 4:49 pm

Sei quem foi Gramsci e o que ele fez porém inserir a TL dentro do Gramscismo como uma alternativa de tal para destruir a Igreja Católica é que acho exagerado. O discurso de preconceito, intolerância não é batido e sim muito comum na nossa sociedade que tem o pensamento "Se não pensa igual a mim esta errado e consequentemente fora do meu ciclo social".

Leo Santos escreveu:Logo, o Padre Paulo Ricardo, pela sua otica, também é intolerante e preconceituoso?

Ao meu ver sim. Pelo que eu saiba, mesmo ele sendo um sacerdote e possivelmente estudado todas as TLs ao fazer uma afirmação tão superficial me mostra sim intolerância com quem pensa de modo diferente do que ele julga ser certo. Somos todos humanos e passiveis de erros mesmo os sacerdotes.

O Papa não faz declarações superficiais sobre os temas que divergem da doutrina da nossa fé, então a única coisa que me vem a mente em declarações como essa é a intolerância que nós seres humanos demonstramos com o que confronta nosso valores e pensamentos.

Concordo contigo que as TLs que tem o foco no confronto entre classes realmente estão erradas e provavelmente derivaram das idéias do marxismo/gramscismo mas creio que nem todas tenham essa mesma ideologia, portanto generalizar é um erro na maioria dos casos.

Paz e Bem

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Leo Santos em Sex Nov 06, 2009 10:09 am

Bem plausível a parte do Gramcismo em que se deve destruir a Igreja católica por dentro, já que é um dos pilares de sustentação de uma sociedade, através da teologia da libertação.

Como fruto de arvore ruim é tão ruim quanto, não existe essa de corrente boa da teologia da libertação, uma vez que o todo não presta.Uma vez que o objetivo é fomentar a luta de classes dentro das fileiras da Igreja, é uma ação lógica tal curso.Só não vê quem é ingênuo ou imbuído de má-fé, pois não interessa ao socialismo nem a igreja, corroída pela teologia da libertação, e nem a família.

Nada que derive do marxismo é coisa boa, seja ele cultural ou até a teologia da libertação.

Vi que não apresentou argumentos que digam que o Padre Paulo Ricardo, que utilizou-se dos estudos do então cardeal Ratzinger, está errado e preferiu desqualificá-lo pessoalmente tachando-o como preconceituoso.Deve ser sinal de má-fé.
É uma questão de observar se a explicação dada se encaixa ou não no que é visto, no que é observado e vivido e não entrar na velha seguir a maioria.Seguir a maioria é achar que o Boff é um coitadinho injustiçado e que a teologia da libertação é algo válido.Os maiores exemplos de sua invalidez são o Frei Betto e a cpt, que, aliás, a põe em prática com invasões e sabe-se lá quais ilegalidades.


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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Alan em Sex Nov 06, 2009 12:39 pm

Acho que não está a entender o que eu estou a falar.....
Eu sequer simpatizo com o marxismo, tanto que todas as coisas que tem suas origens nele eu não simpatizo como por exemplo com o PT.

Já em relação ao Padre Paulo Ricardo se deixei a minha resposta sem argumentos me perdoe não foi a intenção mas vamos desenvolver alguns pontos.Mesmo ele tendo utilizado os estudo do Papa Bento enquanto cardeal, como você mesmo disse ele classificou como heresia da libertação. Visto que provavelmente esta classificação não estava nos estudos feitos pelo Papa, isso para mim ser torna uma opinião pessoal. Agora porque eu classifico (nota que isso é minha opinião ) isso como preconceito e uma generalização errónea:

Como a TL não é uma só mas sim dividida em varias correntes, então temos várias TL e como o próprio Alessandro disse:

alessandro escreveu:Vale ressaltar que além da teologia da libertação há outras formas de
pensar teologicamente a questão social e mesmo dentro da TL existem
correntes não materialistas e marxistas.

Ou seja temos TL que não são marxistas ou seja elas não impelem a briga entre classes dentro da Igreja.

Como eu não sei o contexto em que o Pe. Paulo Ricardo fez a classificação das TL como "heresia da libertação" mas do modo que você colocou parecia que ele estava generalizando e se o fez ao meu ver esta errado pois eu creio que ele estava a classificar as TLs com origem marxista mas nem todas são de origem marxista. Ai está o porquê eu acho que isso é preconceito.

Em relação ao Boff e derivados dele, eu penso da seguinte maneira.... somos responsáveis pelos nossos atos, o que aconteceu com ele foi resultado das atitudes dele então dizer que ele é coitado, ijustiçado é besteira pois ele estava bem consciente do que ele estava fazendo e das consequências que estavam por vir.

Paz e Bem

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Leo Santos em Sab Nov 07, 2009 10:14 am

Eu concordo com ele porque já li sobre esse mesmo assunto da teologia da libertação no livro "O eixo do mal latino Americano e a nova ordem mundial", do autor Heitor de Paola e a palestra dp parde paulo ricardo apenas aprofundou o tema com informações ausentes no livro.

Respeito o Alessandro, é um dos meus mais caros amigos, mas não concordo com ele, pelos motivos já expostos.

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Alan em Sab Nov 07, 2009 10:30 am

Creio que nossas disparidades se devem a pontos de vista diferentes o que pra mim é bom porque se todos tivessem as mesmas opiniões o mundo seria muito chato

Mas creio que entre nós há um ponto em comum que é não aprovamos as TL de origem marxista.

Paz e Bem

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Leo Santos em Sab Nov 07, 2009 11:08 am

Eu rejeito toda a teologia da libertação porque já li sobre ela em outros meios.

"Com outras palavras, Gramsci disse isso:

Não ataquem a religião como ópio do povo.Isto não deu e não dará certo.Só reforçará a fé e a solidariedade interna.
Penetrem nas Igrejas e substituam os Evangelhos por nosso próprio ópio, o marxismo, como se Evangelhos fossem".

A fé cristã é solidariedade, logo é empecilho para os marxistas.

Teologia da libertação:

"A Igreja deveria ser reconstruida a partir de suas bases locais, enraizadas na experiência popular e numa nova leitura da palavra de Deus".

Não tem de ter nova releitura.A boa leitura do Evangelho é em oração, com a iluminação do Espirito Santo.

Trechos citados do livro O eixo do mal Latino Americano e a nova ordem mundial.
Como a teologia da libertação bota uma ideologia proletária, nada de bom tem para a Igreja, já que proletário é usado na ideologia comunista e seguiu os ensinamentos de Gramsci.

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Alan em Seg Dez 14, 2009 4:46 pm

Olá a todos, Paz e Bem

Venho trazer uma notícia, com relação a TL, segue abaixo na íntegra:

Papa pede superar divisão causada pela teologia da libertação ao receber um grupo de bispos do Brasil

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 7 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI elevou um comovente pedido a superar as divisões suscitadas na Igreja pela teologia da libertação, ao receber neste sábado um grupo de bispos do Brasil.

O pontífice reconheceu que comunidades eclesiais, particularmente no Brasil, ainda precisam fazer a experiência do perdão, para que as feridas das polêmicas possam finalmente cicatrizar.

No discurso dirigido neste sábado aos bispos das Regionais Sul 3 e Sul 4 (Estados do Rio Grande de Sul e Santa Catarina) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Santo Padre recordou que em agosto passado se comemoraram os 25 anos da instrução Libertatis nuntius, da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação.

Como ele mesmo esclareceu, nela se sublinha “o perigo que comportava a assunção acrítica, feita por alguns teólogos de teses e metodologias provenientes do marxismo”.

Na verdade, como explicou então o cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, há muitas correntes da “teologia da libertação”, pois a libertação é uma das mensagens centrais da Revelação, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Pois bem, uma delas, particularmente nas três últimas décadas do século XX, tomou como elemento de interpretação a análise marxista – o materialismo histórico – para tentar compreender a complexa e às vezes escandalosa realidade social que se vive na América Latina. Esta corrente passou a ser chamada de teologia marxista da libertação.

Segundo explicou o Santo Padre os bispos brasileiros, “as suas seqüelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas”.

Por isso, suplicou “a quantos de algum modo se sentiram atraídos, envolvidos e atingidos no seu íntimo por certos princípios enganadores da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece de mão estendida”.

Citando João Paulo II, Bento XVI esclareceu que “a regra suprema da fé [da Igreja] provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, numa reciprocidade tal que os três não podem subsistir de maneira independente”.

Por este motivo, concluiu dirigindo-se aos que ainda veem uma resposta na teologia marxista da libertação, “no âmbito dos entes e comunidades eclesiais”, para assegurar-lhes que “o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras de Santa Cruz”.

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Breno em Qua Jan 27, 2010 9:45 pm

A aversão a qualquer tipo de pensamento ou proposta advinda sob o nome
de teologia da libertação pode ser algo perigoso e sem fundamentos,
segue um texto do grande J.P.



, o
papa João Paulo II dirigiu uma carta à CNBB
, datada de 9 de abril de 1986, pedindo o
compromisso com o verdadeiro desenvolvimento desta teologia: “…estamos
convencidos, nós e os senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna,
mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa – em estreita conexão
com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a tradição
apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o magistério
ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da
doutrina social da Igreja expressa em documentos que vão da Rerum Novarum a
Laborem Exercens”. “Os pobres deste país, que tem nos senhores os seus
pastores, os pobres deste continente são os primeiros a sentir urgente
necessidade deste evangelho da libertação radical e integral. Sonegá-lo seria
defraudá-los e desiludi-los”


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Leonardo Boff e a Teologia da Libertação

Mensagem por Jones Bernardes Machado em Qui Jan 28, 2010 12:19 am

Caríssimo,
Salve Maria!


Gostaria, primeiramente, de dizer que a Teologia da Libertação é herética! Ela foi condenada por João Paulo II. Ora pois, não existe Teologia da Libertação aceita pela Igreja! Frei Boff defende que a Virgem Maria é a hipóstase do Espírito Santo, isto é, que Ela seria a encarnação do Espírito Eanto. Um delírio de heresia. A Teologia da Libertação é marxista, comunista, socialista, defende a luta de classes e que Deus é imanente no mundo. Frei Boff declarou que recusa um deus superior ao universo. Em sua palestra "Pelos Pobres, Contra a Pobreza", em Teólfilo Ottoni, ele declarou que é ateu desse Deus lá em cima, esse "velho barbudo que quer se impor aos homens dando dez manadamentos".



Eis algumas citações para melhor ser analizado o tópico:


"O que propomos não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia".

"O método da Teologia da Libertação... é o método dialético." (Leonardo e Clodovis Boff, Teologia da Libertação no Debate Atual, Vozes, Petrópolis, p. 22).

"A teologia da libertação arranca deste tipo de leitura da realidade social, crítico radical e dialético estruturalista" (L. e Clodovis Boff, Da Libertação, Vozes, Petrópolis, 4a edição , p,17).


"Na Teologia da Libertação, a questão de fundo não é a Teologia, mas a Libertação" (L. Boff e Clodovis Boff , Teologia da Libertação no Debate Atual, Vozes, Petrópolis, 1985, p.17).

"Mas quando falo em libertação eu entendo concretamente isso: acabar com o sistema de injustiça que é o capitalismo. É libertar-se dele para criar em seu lugar uma nova sociedade, digamos assim, uma sociedade socialista" (Leonardo e Clodovis Boff, Da Libertação, Vozes, Petrópolis, 4a edição , p, 70).

"É preciso dizer claro e vigoroso: a libertação é a emancipação social dos oprimidos. Trata-se concretamente para nós de superar o sistema capitalista em direção a uma nova sociedade de tipo socialista" (L e C. Boff, Da Libertação, p. 113).

"Se assim é, eu afirmo que hoje, para nós, o Reino de Deus é concretamente o socialismo" (L. Boff e Cl. Boff. Da Libertação, p. 96).

"O interesse principal da teologia da libertação é criar uma ação da Igreja que ajude, efetivamente, os pobres. Tudo deve convergir para a prática (amor)" (L. e Cl. Boff Da Libertação, pp.13-14.).

"A terapia apresentada por esta consciência crítica radical não é a reforma do sistema [capitalista] ; isto implicaria apenas em fazer um curativo na ferida sem perceber o foco gerador da enfermidade; postula-se uma nova forma de organizar toda a sociedade sob outras bases; não mais a partir do capital em mãos de alguns , mas a partir do trabalho de todos, com a participação de todos nos meios de produção e nos meios de poder; fala-se de libertação"( L e Cl. Boff, Da Libertação, pp. 16-17. O negrito é nosso, salientando a adoção de princípios marxistas).

Portanto, a Teologia da Libertação adota princípios e método marxistas, e tem o mesmo fim dos movimentos comunistas: destruir o sistema capitalista, para instituir uma nova sociedade "socialista". E socialismo, aí, é um "eufemismo" enganador, para não assustar burguês. Sociedade socialista, aí, significa, em concreto, uma sociedade comunista como a de Fidel em Cuba, ou de Stalin na URSS.

Michael Löwy assim resume a doutrina e fins da Teologia da Libertação:

"1- Um implacável requisitório moral e social contra o capitalismo dependente, seja como sistema injusto, iníquo, seja como forma de pecado estrutural".

"2- A utilização do instrumental marxista para compreender as causas da pobreza, as contradições do capitalismo e as formas da luta de classes".

"3 - Uma opção preferencial em favor dos pobres e da solidariedade com a sua luta pela auto libertação".

"4 - O desenvolvimento de comunidades cristãs de base entre os pobres, como uma nova forma da Igreja e como alternativa ao modo de vida individualista imposto pelo sistema capitalista".

"5 - Uma nova leitura da Bíblia, voltada principalmente para as passagens como o Êxodo -- paradigma da luta de libertação de um povo escravizado".

"6 - A luta contra a idolatria (e não o ateísmo) como inimigo principal da religião -- isto é, contra os ídolos da morte, adorados pelos novos faraós, os novos Césares e os novos Herodes: Mamon, a Riqueza, o Poder, a Segurança Nacional, o Estado, a Força Militar, a "Civilização Ocidental".

"7 -- A libertação humana histórica como antecipação da salvação final em Cristo, como Reino de Deus".

"8 -- Uma crítica da teologia dualista tradicional como produto da filosofia platônica grega e não da tradição bíblica -- nas quais as histórias humana e divina são distintas mas inseparáveis" (Michael Löwy, Marxismo e Teologia da Libertação, Cortez ed. São Paulo, 1991, pp. 27-28.).

Um breve histórico da TL:

"A Teologia da Libertação foi feita para justificar a Ost Politik do Vaticano, no tempo de Paulo VI, e para ajudar a expansão comunista nas Américas. É sabido que, em 1952, às vésperas do Concílio Vaticano II, João XXIII queria o comparecimento de observadores da Igreja Cismática Russa, no Concílio. O ecumenismo exigia uma aproximação também com a Igreja Cismática Russa controlada então pelo Partido Comunista soviético. Até mesmo os mais altos dignatários dessa Igreja eram, então, membros da KGB, a polícia secreta do Bolchevismo. O Governo Soviético, inicialmente, não queria permitir a presença de membros da Igreja Cismática no Concílio Vaticano II, mas, depois, aproveitou dos desejos ecumênicos do Vaticano e de João XXIII, para exigir, em troca da presença desses observadores, que no Concílio jamais fosse citada a palavra comunismo, nem a palavra marxismo e nem se condenasse a URSS e a sua política expansionista. João XXIII capitulou diante dessas condições, e foi assinado, em Metz, ainda em 1962, um pacto entre a Santa Sé e a URSS comunista. Pelo pacto de Metz, a Igreja se comprometia a que, no Concílio, o Comunismo não fosse nem condenado, nem citado. Em troca, a URSS permitiria que alguns de seus espiões, vestidos de Bispos e Popes, viessem "observar" o que se passaria no Vaticano II. O Pacto de Metz foi assinado, em nome do Papa, pelo cardeal Tisserand, e em nome da Rússia pelo Arcebispo e Coronel da KGB, Nikodim, o mesmo que terá morte misteriosa diante de João Paulo I. Pacto assinado, pacto cumprido. No Vaticano II nem se tratou do maior inimigo que a Igreja jamais teve: o comunismo. A capitulação da política vaticana chegou a tal ponto que nem se discutiu, nem citou na aula conciliar do pedido de mais de 700 Bispos de Consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, como Nossa Senhora o havia pedido em Fátima. O Vaticano II quis ser pastoral, para não ter que anatematizar o marxismo e o comunismo. Em conseqüência do humanismo do Vaticano II, desenvolveu-se, então, a chamada Teologia da Libertação que, nada tendo de Teologia, pretendia libertar os países latino americanos, especialmente, das garras do capitalismo internacional. Na verdade essa era uma fórmula propagandística que significava acabar com o capitalismo e a democracia liberal -- que nada tem de santo -- para instaurar em seu lugar a tirania comunista. Evidentemente, Cuba e Fidel passaram a ser o núcleo da propaganda marxista vestida com a batina da Teologia. No tempo de Paulo VI, a Assembléia dos Bispos da América Latina em Medellin, deu um grande impulso à Teologia da Libertação e à ação concreta de padres modernistas a favor da guerrilha comunista. Aqui no Brasil, a Ação Católica eivada de princípios modernistas, se aliou aos partidos marxista, surgindo a POlop (Política Operária). Na década de 60, os católicos de esquerda apoiaram a guerrilha comunista de Carlos Marighella. Frei Betto esteve envolvido nessa guerrilha como muitos outros padres e frades do Convento dominicano das Perdizes, em São Paulo. A Teologia da Libertação, no Brasil, teve o apoio total do Cardeal de São Paulo, Dom Arns, assim como da ala esquerdista que dominava a CNBB, liderada então por Dom Arns, e pelo Cardeal Aloísio Lorscheider, por Dom Ivo Lorscheider, por Dom Mauro Morelli, Dom Casaldálga, Dom Luciano Mendes de Almeida, entre outros. Na América latina, a Teologia da Libertação foi fundada e liderada pelo Padre Gustavo Gutierrez. Entretanto, o teólogo que acabou por simbolizar essa Teologia comunista foi o então Frei Leonardo Boff, que, tendo controlado a Editora Vozes de Petrópolis, a usou para publicar inúmeros livros dessa corrente teológica. Frei Boff era um frade franciscano que estudava muito, e cujos livros tinham um embasamento muito mais sólido do que os pobres livrecos de Frei Betto. Frei Leonardo Boff encarnou a Teologia da Libertação, e sua condenação por Roma, acabou por anular -- por algum tempo pelo menos -- a revolução teológica. A laicização do ex-Frei Boff -- que se tornou, de novo, apenas Genésio Boff, se não me equivoco -- e seu casamento "pós-moderno", como ele mesmo definiu, com uma mulher casada, mãe de seis filhos, liquidou a sua influência no Brasil. Boff passou a ser figura de segundo plano, embora suas idéias continuem atuando, e muito, na CNBB."

Unido em oração, subscrevo-me,
Jones Bernardes Machado.


Última edição por Jones Bernardes Machado em Qui Jan 28, 2010 12:26 am, editado 2 vez(es) (Razão : Christus vincit! Christus regnat! Christus imperat!)

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Dom Jan 31, 2010 9:13 am

Toda a teologia é da libertação, visto que trata de libertar o homem do pecado a partir do conhecimento de Deus.

Não estou aqui me referindo ao movimento entitulado erroneamente como "Teologia da Libertação" que se desenvolveu em vários países da América Latina em um tempo marcado pela repressão política, por governos caracterizados pela ditadura e pela opressão.

Não se pode negar a importância desse movimento no trabalho de conscientização dos povos para as questões políticas e sociais nas quais estavam inseridos em seus respectivos países.

Sabemos que muitos povos, influenciados pela "teologia da libertação, passaram a reivindicar seus direitos e buscar uma sociedade mais justa, o que de certa forma foi muito positivo.

Por outro lado, sabemos que a "telogia da libertação", além de fragmentar a unidade da Igreja, agiu em detrimento da evangelização enquanto priorizava a luta de classes, a organização dos trabalhadores e dos sindicatos no sentido de, em combate aos males do capitalismo, incrementar os do marxismo.

Em resumo, não se pode misturar política e religião.

A política se sustenta nas ideologias dos partidos, ao passo que a religião se sustenta na unidade do corpo místico de Cristo, cujo desejo maior é "QUE TODOS SEJAM UM" (Jo 17).

Mesmo que vários teólogos, sacerdotes e bispos insistam em afirmar que a teologia da libertação foi um mal necessário no sentido de legitimar e defender tal movimento, é bom que entendamos que não existe mal necessário.

Todo mal é ruim, mesmo que nos ensine algo de positivo, mas seria muito melhor que aprendessemos o que é bom por meio do que é bom.

O Evangelho nos ensina a viver perfeitamente como irmãos no amor, na partilha, na fé, na comunhão e na graça do Senhor, sem que precisemos recorrer às ideologias marxistas e capitalistas, dentre outras.

Precisamos, sim, de uma única ideologia e esta é a de CRISTO !

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por alessandro em Qua Fev 10, 2010 1:29 pm

concordo com muito do que foi dito, só desejo lembrar um coisa, não dá para colocar tudo no mesmo saco.

os documento da Igreja codenama as teologias da libertação de orientação marxista, ou seja, abre a possibilidade de existência de outras teologias da libertação.

abraços

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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qua Fev 10, 2010 6:39 pm

Não tenho muita propriedade para discorrer a respeito da "Teologia da Libertação" com base nos documentos da Igreja. Vivi muitas experiências em grupos jovens e comunidades eclesiais de base que caminhavam à luz dessa "Teologia". No início dos trabalhos, ainda pude ver algo que se aproximasse da evangelização. Entretanto, com o passar do tempo, as questões inerentes à evangelzação passavam desapercebidas diante do objetivo maior que era o trabalho de conscientização social e política que, muitas vezes se servia de meios não condizentes com a evangelização.
Concordo que um povo evangelizado, com certeza, protagoniza uma vida social e política fundamentada nos princípios evangélicos e, consequentemente, mais justa e mais humana e, portanto, mais cristã.
Entretanto, por onde pude acompanhar a "Teologia da Libertação", vi nela muitas distorções do evangelho e senti, muito de perto, que a falta de acompanhamento sistemático, levou a a muitos desvios, dividiu muito os católicos e deu grande ênfase à evasão e o consequente crescimento das seitas protestantes.
Assim sendo, sob a minha ótica, a "Teologia da Libertação" teve grande importância na vida social e política do povo mais oprimido, mas, repito, AO MEU VER, não foi boa para a Igreja.
Não cheguei a conhecer outra modalidade de "Teologia da Libertação", cuja possibilidade de existência nos aponta Alessandro. Na verdade não conheço e assim concordo que deva haver essa possibilidade.
Voltando ao meu colóquio anterior, vejo a Teologia na sua essência, considerando a libertação do homem do domínio do pecado a partir do conhecimento de Deus, como verdadeira TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.
Que o Senhor nos abençoe sempre mais!
Grande abraço!
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Fev 18, 2010 6:40 am

Ainda para esclarecer melhor o meu ponto de vista, é preciso distinguir "teologia da libertação" (MINÚSCULO E ENTRE ASPAS) de TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.

Fiquemos na paz do Senhor !
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Fev 27, 2011 11:21 am

Caros amigos,

Vejam que interessante esse texto sobre a Doutrina Social da Igreja. Eu estou de acordo com o que è dito aqui: a melhor resposta para a crise atual està na Enciclica Caritas in Veritatis, do Papa Bento XVI.

Doutrina social da Igreja é resposta à crise econômica
Conferência de Ettore Gotti Tedeschi, presidente do IOR

A crise econômica e suas raízes, a lei natural ignorada, a criação de um bem-estar somente material: estes foram alguns dos problemas relacionados à encíclica Caritas in Veritare que estiveram no centro de uma conferência, ontem, do presidente do Instituto para Obras Religiosas (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, no final do seminário "Economia social de mercado: uma nova visão", em uma das sedes da Câmara dos Deputados, em Roma.

O orador recordou que a economia de mercado foi definida pelo economista italiano Luigi Einaudi como "uma terceira via entre o capitalismo e o socialismo, que garante a liberdade individual freando seu instinto egoísta, através de critérios de subsidiariedade e de solidariedade. Nem estatismo nem capitalismo exagerado".

"Entretanto, para que funcione - esta é a minha opinião -, tem que ser baseada na doutrina social da Igreja, porque ela tem experiência e valor", disse ele.

O banqueiro lembrou que "a doutrina social da Igreja foi a forma mais eficaz de tornar o amor efetivo, apesar de que, como diz Bento XVI na encíclica, a caridade desvinculada da verdade não pode subsistir".

No entanto, existem algumas condições: "A doutrina da Igreja, para poder funcionar, requer duas colunas: ensinar, porque a Igreja é mestra, e um Estado que não seja ávido".

O presidente do IOR explicou que "a economia social de mercado, como primeiro objetivo, deve usar os recursos disponíveis de maneira eficiente e obter resultados mais eficazes. O segundo objetivo tem de assegurar o progresso integral, tendo presente a unidade corpo-alma do homem. E, finalmente, precisa distribuir a riqueza criada, não só por caridade, mas também por sustentabilidade".

Crise de sentido

"A encíclica diz que, se a liberdade vem antes da verdade, o homem imaturo raramente chegará à verdade e, portanto, não saberá distinguir entre meios e fins e confundirá o uso dos instrumentos."

"E os instrumentos são neutros. Não existe banco ético nem finanças éticas; existe o homem ético, que faz as finanças de maneira ética e moral, ou seja, dando sentido às suas ações."

"Na introdução da encíclica, o Papa diz que, se o homem começa a refletir e dar sentido à sua vida, os instrumentos, a política, a medicina adquirirão independência e autonomia moral. Mas o instrumento não pode ter autonomia moral. É o homem que dá sentido ao uso dos instrumentos."

"E Bento XVI, na Caritas in veritate, lembra o que Paulo VI disse na Humanae Vitae e na Populorum progressio: não se pode prescindir das ações humanas e do pleno respeito pela vida e não se pode fazer um plano de desenvolvimento econômico se o progresso é apenas material, porque o homem não é apenas um animal material."

Eutanásia e orçamento

Gotti Tedeschi lembrou que "temos negado a dignidade da vida e estamos fazendo progressos apenas materiais. E agora está em discussão a lei sobre a eutanásia. Para provocar, direi: é uma lei econômica, porque não se podem manter os velhos, que custam muito quando não nascem crianças; é uma questão de orçamento".

"A questão - continuou ele - é que os Estados Unidos e a Europa representam, há 30 anos, um bilhão de pessoas. A diferença é a idade delas. Há 25 anos, 25% das pessoas eram menores de 25 anos. Hoje, são 10%. E os de 65 representavam 15%, e hoje são 65% da população."

"Quando as pessoas saem do ciclo de produção, geram gastos de saúde e aposentadoria. O que acontece em uma sociedade que não tem nenhuma mudança geracional? Se a estrutura permanece a mesma, o que é feito para aumentar o PIB?"

"Tudo isso está contido na encíclica - reiterou Gotti Tedeschi. E, no começo, ela afirma que negamos a vida e o desenvolvimento integral."

Redução da dívida

"É possível reduzir a dívida?", perguntou-se Gotti Tedeschi. E lembrou que os três sistemas são: um default, como o argentino; a inflação, uma nova bolha; e que o Papa ensina: a austeridade.

"É preciso voltar a economizar para formar a base monetária e construir - disse. Além disso, 60% das coisas que são consumidas não geram mão de obra."

Do ponto de vista econômico, "o homem tem três dimensões: produtor, consumidor e economizador. Há 20 anos, as dimensões eram coerentes. Agora, porém, eu trabalho e produzo um produto, mas compro um similar feito na Ásia, melhor e que custa menos. Depois de três anos, a minha empresa, que produzia esse mesmo produto, vai falir e, portanto, não gastarei mais".

"Este é o paradoxo da globalização consumista. É o que o Papa chamou de ‘desenvolvimento econômico não-integrado'. Porque o homem se esqueceu de que tem uma alma; considera somente um corpo, pela influência do niilismo e do relativismo."

"Como dizia um ex-ministro italiano da Saúde, Umberto Veronesi, ‘é inútil pensar que o homem tem uma faísca do divino quando o homem é apenas um animal inteligente. Comem e se divertem, mas depois reclamam se alguém faz isso demais'."

Grande abraço a todos.
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Dom Fev 27, 2011 4:12 pm

Muito boa reflexão. É preciso que o homem saiba diferenciar valores vitais de valores materiais. A grande preocupação da doutrina social da Igreja está na preservação do ser humano. Esta preservação implica antagonismo às estruturas políticas e econômicas que prezam pelo capital como bem maior e patrimônio de poucos, promovendo a violência da miséria, a injustiça das diferenças sociais, doença, fome e morte, dentre outros aspectos contrários à vida humana. Foi entre os cenários do "ter" e do "ser" que a teologia da lebertação, fazendo opção preferencial pelos pobres, se estabeleceu à luz da doutrina social da Igreja, cujo fundamento maior está no exemplo dos primeiros cristãos que tinham tudo em comum.

Um grande abraço a todos !!!
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Re: Teologia da Libertação e Doutrina Social

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