Testemunho da Conversão do Rabino Chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial

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Testemunho da Conversão do Rabino Chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial

Mensagem por M.Levi em Sex Ago 21, 2009 11:11 pm

Olá pessoal, então depois de muito tempo achei dois textos que relatam a conversão do Rabino chefe de Roma ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial. Diversos aspectos podem ser analisados, o primeiro deles : Como um judeu pode ter se convertido ao catolicismo exatamente sob o governo de Pio XII ? ( Aquele mesmo acusado de ser aliado de Hitler), segundo : A visão das perseguições sofridas ao convertido, terceiro a postura de Zolli de como judeu ao aceitar o Cristo ter sua vida completa, pois como judeu ele esperava o Messias. Gente o relato é comovente, vale muuuiiiiito a pena ser lido....

Esclarecendo fatos controvertidos:

Em síntese: O Pe. Arthur Klyber C.SS.R é um judeu convertido que escreveu um artigo sobro o ex-rabino Israel Zolli, convertido ao Catolicismo em 1945. O artigo tem importância, pois esclarece a controvertida questão da conversão do rabino: foi sincera; foi mesmo o desabrochamento natural da fé judaica de Israel Zolli, que sofreu graves represálias por ter abandonado a Sinagoga.

O Pe. Arthur Klyber nasceu em 1900, de família judaica, nos Estados Unidos. Com 17 anos de idade serviu à Marinha norte-americana e participou da primeira guerra mundial. Foi batizado em 1920 e entrou na Congregação Redentorista, onde foi ordenado sacerdote em 1932. Em 1945 escreveu um artigo intitulado "The Chief Rabbi's Conversion", publicado na revista redentorista The Liguori em 1945 mesmo. Eis a tradução brasileira desse escrito, muito elucidativo para se compreender o relacionamento entre cristãos e judeus.

«A Conversão do Rabino-Chefe

Aos 17 de fevereiro de 1945, Israel Zolli, o rabino-chefe de Roma e sua esposa foram batizados na basílica de Santa Maria dos Anjos por Mons. Luigi Traglia. Zolli foi o rabino-chefe de Trieste durante 25 anos antes de partir para Roma. O seu profundo conhecimento das Escrituras e da literatura semítica é atestado pelos muitos livros que publicou. Eruditos católicos reconheceram a sua sabedoria anos antes que se convertesse, quando o convidaram para colaborar com a Pontifícia Comissão Bíblica assim como na confecção da Enciclopédia Católica Italiana. Aos 65 anos de idade (em 1945), o ex-rabino goza de saúde vigorosa. Nasceu na Polônia. Sua mãe era uma judia alemã; do lado da família dela, havia uma tradição rabínica de 130 anos. Não é raro encontrarmos nos jornais comentários avessos ao gesto do Zolli... É desrespeitoso e ofensivo considerar a sua conversão "uma religiosa mancada", pois na verdade foi o ponto final de um processo que durou ao menos treze anos de séria reflexão e estudo... Como rabino-chefe de Roma, esse homem corajoso se ofereceu como refém aos nazistas que então ocupavam a cidade, caso aceitassem soltar algumas centenas de seus companheiros judeus. Seria esta a conduta de um sonhador? Não seria antes a atitude de um abnegado pastor, dotado de bom senso prático?

Os judeus, principalmente os rabinos da corrente ortodoxa não se convertem ao Cristianismo sem um poderoso auxílio da graça divina. A experiência tem demonstrado que aquele que tenciona converter-se do judaísmo para o Cristianismo, deve sempre contar com a prospectiva de severos boicotes da parte de sua família, seus amigos e todas as associações israelitas. Se é ortodoxo, saiba que até pai e mãe se voltarão amargamente contra ele. Hão de rechaçá-lo de sua casa e apagar de sua memória o nome do filho. Se o convertido é membro de algum ramo mais brando do judaísmo, como são os conservadores e os liberais[1], mesmo assim sofrerá duras penalidades por se converter.

Israel Zolli e sua esposa tiveram que enfrentar muitos desses males. Objetaram ao ex-rabino que se convertera por interesses materiais; ao que ele respondeu: "Nenhum interesse egoísta me levou a converter-me. Quando minha mulher e eu abraçamos o Cristianismo, perdemos tudo o que possuíamos neste mundo. Agora temos que procurar trabalho. Deus nos ajudará a encontrá-lo". Por isto, quando um judeu deseja assumir uma tal cruz como preço de sua conversão, ele realiza tal corte com o seu passado somente porque tem a convicção firme como a rocha de que está fazendo a vontade de Deus e o faz somente por efeito do poder divino. Isto fica bem claro no caso de Zolli, se se considera a defesa que ele fez de sua decisão.
Quando perguntaram ao generoso rabino por que havia abandonado a Sinagoga para entrar na Igreja, respondeu mostrando nítida compreensão do que fez:
'Eu não abandonei a Sinagoga. O Cristianismo é a plenitude (consumação ou coroa) da Sinagoga. Com efeito, a Sinagoga era uma promessa, e o Cristianismo é o cumprimento dessa promessa. A Sinagoga aponta para o Cristianismo; o Cristianismo pressupõe a Sinagoga. Como você percebe, um não pode existir sem o outro. Eu me converti para o Cristianismo vivo'.

'Então o Sr. crê que o Messias (o Cristo) já veio?'

Respondeu Zolli: 'Sim, de fato. Eu acreditei nisso durante muitos anos. Mas agora estou tão firmemente convencido desta verdade que posso enfrentar o mundo inteiro e defender minha fé com a certeza e a solidez das montanhas'.

'Mas por que o Sr. não procurou alguma das denominações protestantes, que também são cristãs?'


- 'Porque protestar não é atestar. Eu não tenciono incomodar quem quer que seja, perguntando: 'Por que esperar 1500 anos para protestar?' A Igreja Católica foi reconhecida por todo o mundo cristão como a verdadeira Igreja de Deus durante quinze séculos consecutivos. Ninguém sem se embaraçar seriamente, pode chegar ao final desses 1500 anos se dizer que a Igreja Católica não é a lgreja de Cristo. Eu só posso aceitar a Igreja que foi apregoada a todas as criaturas por meus antepassados, os doze Apóstolos, que, como eu, saíram da Sinagoga.Estou convicto de que, após esta guerra (1939-45), o único meio de resistir às forças da destruição e de empreender a reconstrução da Europa será a aceitação do Catolicismo, isto é, a idéia, apregoada por Cristo, referente a Deus e à fraternidade entre os homens, não uma fraternidade baseada em raça e super-homens, pois não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, visto que sois todos um só em Cristo' (Cl 3, 28). Eu era um católico de coração já antes que a guerra estourasse. Em 1942 prometi a Deus que eu me tornaria cristão se eu sobrevivesse a guerra. Ninguém jamais tentou converter-me. Minha conversão deve-se a uma lenta evolução íntima. Há anos atrás, sem que eu tivesse a intenção, dei tal caráter cristão aos meus escritos que um Arcebispo em Roma disse a respeito do meu livro "The Nazarene": 'Todos podemos errar, mas na medida em que posso perceber, como Bispo eu subscreveria esse livro'. Estou começando a entender que por muitos anos eu fui naturalmente cristão. Se eu tivesse dito isto em público trinta anos atrás, o que acontece agora teria acontecido então'.
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Re: Testemunho da Conversão do Rabino Chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial

Mensagem por M.Levi em Sex Ago 21, 2009 11:17 pm

Como era de esperar, a notícia da conversão provocou grande agitação nos círculos religiosos. De um dia para o outro, o venerável e erudito rabino, que oferecera sua vida por suas ovelhas, para alguns tornou-se um desconhecido e, para todos, um herege e traidor. A Sinagoga de Roma proclamou dias de jejum em desagravo pela deserção de Zolli e pranteou-o como se tivesse morrido; ao mesmo tempo era ele denunciado como "meschumad" (apóstata, ferido por Deus) e foi excomungado. Eis aí um espécimen da veemência com que um judeu podia ser lançado fora da Sinagoga nos dias em que os dirigentes judeus ainda eram capazes de manusear o machado.

Não ficou claro se algum documento a respeito de Zolli foi lido em alta voz na Sinagoga; mesmo, porém, que não tenha sido lido, podemos estar certos de que os ditos sentimentos ardiam nos coraçães dos judeus de Roma para com alguém que eles sinceramente consideravam ser um traidor de Deus e do povo judeu. O mesmo tipo de condenação foi lançado contra o filósofo Baruch Spinoza em Amsterdam no ano de 1656, por causa de seus heréticos conceitos relativos a Deus: 'De acordo com o julgamento dos anjos, e a sentença dos santos, anatematizamos, execramos, amaldiçoamos e rechaçamos Baruch Spinoza, tendo o apoio de toda a sagrada comunidade... que pronuncia contra ele a maldição escrita no livro da Lei. Seja amaldiçoado de dia e amaldiçoado de noite; amaldiçoado quando se deita e quando se levanta; amaldiçoado quando sai e amaldiçoado quando entra. Possa o Senhor jamais o reconhecer; possa a ira e o desagrado do Senhor acender-se a partir do agora contra esse homem; carregue-o com todas as maldições escritas no livro da Lei. Seja o seu nome apagado debaixo do céu. Possa o Senhor eliminá-lo das tribos de lsrael. Em conseqüência, todos são exortados a que não tenham conversa com ele nem por palavra da boca nem por escrito. Ninguém está autorizado a lhe prestar algum serviço; ninguém habite debaixo do mesmo teto que ele; ninguém chegue menos de quatro cúbitos em torno dele; e ninguém leia algum documento ditado por ele ou escrito por sua mão'. A um cristão desinformado isto pode parecer excessivamente severo, mas os judeus acreditavam que Spinoza merecia tal punição; acreditam que o rabino Zolli merece a mesma coisa. Embora a muitos pareça espantoso fanatismo condenar um homem corno Zolli, devemos evitar condenar, odientos, os judeus por causa de tal atitude. A Igreja Católica também excomungou hereges com severas penalidades. O rabino Zolli, como outros que se tornaram cristãos, foi condenado pelos anciãos judeus porque, segundo o modo de ver deles, violara o nome de Deus acreditando que o homem Jesus é Deus. A bem da verdade, devemos crer que os judeus de Roma julgaram estar sendo honestos no caso da conversão do seu rabino. Ademais os judeus têm longa memória. Eles ainda estão padecendo pelas inúmeras perseguições do passado. Em nossos dias os seus pobres corpos estão sofrendo o mais horrendo morticínio de massa ou de milhões na Europa. Por certo, os cristãos deveriam resistir à tentação de censurar os judeus pelo modo como trataram Zolli e outros convertidos. Ao contrário, deveriam compadecer-se e rezar pelos judeus, como o ex-rabino e sua esposa estão fazendo. Incoerentemente (ou coerentemente, diria alguém?) os judeus não ortodoxos de nossos dias consideram Baruch Spinoza o mais famoso judeu dos tempos modernos. Tal julgamento efetuado pelos judeus modernos não tem raízes na ortodoxia judaica do passado e do presente. Os 'judeus reformados', talvez sem o perceberem, eles mesmos abandonaram a fé revelada que seus antepassados professaram; são capazes de ensinar quase qualquer coisa e pô-la em prática. Já que muitos deles nutrem dúvidas a respeito do Adonai Echod (o Único Deus), em testemunho do qual os seus Pais entregaram a própria vida, não nos deve surpreender o fato de os encontrarmos louvando agora aqueles que seus antepassados condenaram. Einstein, o cientista, cometeu o mesmo crime espiritual que Spinoza; não obstante, ele agora é elogiado e reverenciado pelos judeus reformados. A Ortodoxia condenou também Einstein, ao menos silenciosamente; bem desejariam os ortodoxos condená-lo em público, como fizeram com Zolli, mas com razão hesitam, pois sentem que o povo israelita está sofrendo muito; além do quê, Einstein não professou ser cristão.

Todas as diferenças entre as crenças religiosas dos judeus devotos e as dos católicos consistem em uma só questão: 'Esse Jesus que o mundo inteiro cultua como Deus, é realmente o Messias cuja vinda foi predita pelos profetas de Israel e da antiga Lei?'.

Os católicos que obstinadamente negam que Jesus seja o Filho de Deus, são excomungados pela Igreja e se acham em perigo de eterna condenação a menos que se retratem. Paralelamente, um judeu que professe que Jesus é o Messias, será alijado da Sinagoga como Zolli foi. Os judeus ortodoxos de hoje acreditam que suas antigas doutrinas são perfeitas e firmes, como os católicos acreditam ser o ensinamento da Igreja. É necessário assinalar, para o bem da paz, que, embora os judeus repudiem os seus compatriotas que se tornam cristãos, eles ensinam tranqüilamente que os não judeus (gentios) que crêem no único Deus do céu e da terra e cumprem a vontade dele, podem entrar na vida eterna mesmo que a sua compreensão do único Deus seja por vezes manchada por noções concernentes a Jesus e sua missão.

A filha de Zolli, ainda não convertida, afirma em defesa de seu pai: 'Não sinto que a conversão de meu pai tenha sido uma traição do judaísmo. O fato de que meu pai pôde viver quarenta anos ensinando Judaísmo, prova que ele bem sabia relacionar entre si as duas religiões'. O próprio Zolli disse com tristeza: 'Eu continuo a manter inalterado todo o meu amor pelo povo de Israel; e na minha dor pela desgraça que recaiu sobre eles, eu nunca deixarei de amar os judeus. Não abandonei os judeus ao tornar-me católico'.

'Uma vez judeu, sempre judeu' é um shibbolet[2] freqüentemente citado por judeus bem orientados como testemunho de que um judeu nunca pode, no fundo do seu coração, tornar-se um cristão. Quando Israel Zolli foi interrogado a respeito de se considerar ainda judeu, ele respondeu citando tal expressão; atribuiu-lhe, porém, um significado correto: 'Será que Pedro, Tiago, João, Mateus, Paulo e centenas de judeus como eles deixaram de ser judeus por terem seguido o Messias e se haverem tornado cristãos? Evidentemente, não'.

Um judeu que aceita o Messias hoje, fica sendo tão judeu quanto aquele que aguarda um futuro Messias para aderir a ele onde e quando ele vier. Com outras palavras, um judeu que aceita Jesus como seu Messias, aceita um judeu e fica sendo ele mesmo judeu. Isto pode parecer estranho e até heterodoxo a católicos que tenham apenas um conhecimento superficial da história profética do Judaísmo e do ensinamento católico respectivo. Um judeu convertido aceita como o seu Messias o judeu Jesus, cuja genealogia recua até o rei Davi sem ruptura; pode alguém ser mais judeu do que tal judeu? O judeu convertido aceita um Messias judeu que provou que sua missão vinha de Deus fazendo centenas de coisas que os profetas predisseram; entre estas, estão os seus incontestáveis e numerosos milagres e a sua ressurreição dentre os mortos. Os seus milagres continuam e se multiplicam na sua Igreja até o momento presente. Terá algum Messias jamais feito o mesmo? Pôde algum judeu realizar algo de mais significativo do que colocar o selo de Deus sobre os seus ensinamentos?

Quando um devoto judeu se torna um seguidor de Jesus, ele não muda de nacionalidade (que fica sendo hebréia), nem de religião, que fica sendo o Judaísmo. Mas então que faz ele?

Ele apenas leva a sua religião até a consumação, como Zolli demonstrou. Ele colhe a fruta madura da árvore que Deus plantou. Tal foi a razão pela qual o ex-rabino pôde afirmar que não abandonou a Sinagoga para entrar na Igreja, pois um não pode existir sem o outro. Esta também é a razão pela qual ele repetiu corretamente: 'Uma vez judeu, sempre judeu'. Se há alguma noção que deva ser incutida tanto a judeus como a cristãos, é precisamente a concepção de que Jesus não pregou no mundo uma nova religião, mas apenas trouxe uma nova Aliança ou um novo Testamento referente à antiga Religião que o próprio Deus entregou ao povo de Israel. A natureza mesma de Deus rejeita a idéia de que ele possa ter dado ao mundo mais do que uma religião ou um caminho de vida e adoração".


Última edição por M.Levi em Sex Ago 21, 2009 11:27 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Testemunho da Conversão do Rabino Chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial

Mensagem por M.Levi em Sex Ago 21, 2009 11:18 pm

REFLETINDO...
O artigo é interessante e precioso, pois trata do delicado problema da conversão dos judeus ao Cristianismo. Sugere algumas considerações, que vão, a seguir, propostas:
1) O articulista é um judeu convertido, que se fez sacerdote católico na Congregação do Santíssimo Redentor. Seu objetivo é demonstrar que tornar-se cristão, para um israelita, não é traição nem desabono da religião judaica, mas, ao contrário, significa abraçar o Judaísmo até as últimas conseqüências pois a religião de Israel é essencialmente a expectativa do Messias prometido aos Patriarcas de Israel; é colher o fruto maduro da árvore que o próprio Deus plantou. Vale, pois, o axioma: "Uma vez judeu, sempre judeu". Existem atualmente no mundo algumas correntes de israelitas que reconhecem Jesus como o seu Messias, professando adesão a Cristo em sua Igreja ou fora da Igreja Católica; a respeito ver PR 375/1993, pp. 345-356 e 377/1993, pp. 455-461.
2) O autor do artigo ilustra a sua tese comentando o caso do ex-rabino Israel Zolli, cuja conversão foi mal compreendida. O Pe. Arthur Klyber lembra as declarações pelas quais Zolli afirmava que, mediante o estudo mesmo das Escrituras, se convencera de que Jesus é o Servo Sofredor descrito por Is 53; durante treze anos Zolli refletiu sobre as profecias bíblicas e assim preparou o seu pedido de Batismo. Não tinha em vista qualquer vantagem de ordem temporal, pois a sua passagem para o Cristianismo lhe valeu desemprego e necessidade de procurar sobreviver dignamente.
3) Podendo escolher entre as várias denominações cristãs, Zolli optou pela Igreja Católica. Por quê? - Foi esta que o judeu Jesus fundou; foi esta que os primeiros judeu-cristãos - Mateus, Marcos, Tiago, João, Paulo... - apregoaram; foi esta que durante quinze séculos os povos consideraram a Igreja de Cristo. No século XVI houve um protesto, que Zolli julga tardio e incapaz de extinguir a autenticidade da Igreja fundada por Jesus.
4) O Pe. Klyber se refere às represálias dos judeus ortodoxos dirigidas contra os irmãos que se convertem à fé católica... É oportuno lembrar que entre os judeus há três correntes: 1) a ortodoxa, extremamente fiel à Lei de Moisés e fechada ao messianismo cristão; 2) a reformada, mais aberta e 3) a indiferente, que guarda por vezes a observância de alguns ritos tidos como característicos da nacionalidade hebréia.
Os ortodoxos reagem severamente contra os irmãos que se tornam cristãos ou que apostatam da fé dita "javista" (fé em Javé). Fazem-no por dever de consciência, diz Klyber. Acrescenta o autor que também a Igreja Católica pune os hereges. A propósito convém notar:
Os cristãos medievais julgavam dever, em consciência, condenar os hereges; faziam-no de acordo com os procedimentos habituais naquela época. Sejam entendidos dentro dos parâmetros da cultura medieval e ainda pós-medieval. Em nossos dias a Teologia se vale da distinção entre pecado formal e pecado material:
- pecado formal é aquele que alguém comete consciente e voluntariamente; sabe que está errando e quer errar. Quem assim procede, se afasta de Deus; mas nem por isto se pode dizer que já está condenado ao inferno, pois até o fim desta vida terrestre a graça de Deus pode converter tal indivíduo, fazendo-o voltar ao caminho devido;
- pecado material é a falta cometida por alguém que não sabe estar errando ou, se o sabe, não o quer (é violentado). Tal pessoa pode estar de boa fé, ou de consciência cândida, no erro; Deus não lhe pedirá contas daquilo que tal pessoa, sem culpa própria, não sabia ou não podia realizar. As causas do pecado material são, entre outras, a ignorância religiosa e o deficiente aprendizado das verdades da fé. Quem não conhece ou quem conhece mal o Credo que professa, pode deixar-se arrastar pelo erro religioso; se a sua ignorância ou o seu aprendizado deficiente são totalmente inculpados, a sua apostasia não é culpada. Na prática, porém, sabe-se que há muita negligência culposa no tocante à formação religiosa de numerosos fiéis católicos.
São estas as principais consideraçães que o artigo do Pe. Arthur Klyber nos sugere. A temática toca o mistério do povo judeu, por cuja cegueira o Apóstolo São Paulo muito sofria:
"Digo a verdade em Cristo, não minto, e disto me dá testemunho a minha consciência no Espírito Santo: sinto uma grande tristeza e uma dor incessante em meu coração. Quisera eu mesmo ser anátema, separado de Cristo, em favor de meus irmãos, de meus parentes segundo a carne, que são os israelitas, aos quais pertencem a adoção filial, a glória, as alianças..." (Rm 9, 1-4).
A título de complemento, vai transcrita uma notícia extraída da revista REB, março de 1999, p. 207:
"Judeus messiânicos": presentes em muitos países. - Os "judeus messiânicos" - judeus que veneram a Cristo como o Messias prometido por Deus - somam hoje mais de 350 comunidades, presentes em mais de dez países, principalmente nos EUA. Em Israel, inclusive, há uma significativa presença de "Judeus messiânicos": ao todo 50 grupos. Admitem que Jesus é o Messias prometido por Deus (chamam a Jesus de "Yoshuah há Mashiah"); reúnem-se ao menos uma vez por semana, geralmente aos sábados ("Jesus observava o sábado" - dizem eles), para estudarem a Torá e lerem o Evangelho; circuncidam os meninos no oitavo dia; e quando fazem oração, usam símbolos judaicos, pois consideram os símbolos cristãos um resíduo empobrecido da clássica herança simbólica do povo eleito. Nos EUA, onde os judeus messiânicos são mais numerosos, há três grandes associações: a União das Comunidades Judeu-Messiânicas, a Aliança Judeu-Messiânica da América, e a Federação das Comunidades Messiânicas.
-----
Notas:
[1] Podem-se distinguir no judaísmo três correntes: a dos ortodoxos (muito rígidos), a dos conservadores ou reformados (mais abertos) e a dos liberais (muito abertos).
[2] A palavra "shibbolet" quer dizer em hebraico espiga de trigo. Depois que Jefté venceu os efraimitas, tal palavra foi utilizada como teste para distinguir e capturar os efraimitas que fugiam através dos vaus do rio Jordão. Os efraimitas não conseguiam pronunciar "Chibolet", mas diziam "Sibolet", de modo que eram assim detectados. Eis o que se lê em Jz 12, 4-6: "Jefté reuniu todos os homens de Galaad, ofereceu batalha a Efraím, e os homens de Galaad feriram Efraím... Os homens de Galaad tomaram a Efraím os vaus do Jordão, de maneira que, quando um fugitivo de Efraím dizia: 'Deixai-me passar', os galaaditas lhe perguntavam: 'És efraimita?'. Se dizia 'Não!', respondiam-lhe: 'Então dize Chibolet'. Ele dizia 'Sibolet', porque não conseguia pronunciar de outro modo. Então agarravam-no e matavam-no nos vaus do Jordão". Na linguagem moderna, o vocábulo "shibbolet" pode ser empregado como sinal distintivo (Nota do Tradutor).

Autor: d. Estêvão Bettencourt
Fonte: PR 446 - pp. 317- 324
Tradução:
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Re: Testemunho da Conversão do Rabino Chefe de Roma durante a Segunda Guerra Mundial

Mensagem por Ju Maria em Qua Ago 26, 2009 8:44 pm

Muito legal esse texto!
Obrigada Levi por partilha-lo conosco!!
=]

Fiquem com Deus!!
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