Andando com Jesus

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Andando com Jesus

Mensagem por David em Sex Out 09, 2009 7:50 pm

Paz do Senhor a todos...


O que seria "Andar com Jesus", amados?

Andar com Jesus é um privilégio que vai muito além de apenas dizer com a boca "eu amo Jesus"... É algo que vai muito além de somente ir a igreja aos domigos, ou nos dias da Ceia do Senhor...

Lendo o tópico sobre cristãos, fiquei aqui meditando, e resolvi criar esse tópico para que possamos refletir sobre o que é realmente ANDAR COM JESUS...

Assim, vejo que muita gente, a grande maioria das pessoas que é classificada como "cristã", imagina que andar com Jesus é simplesmente um STATUS... De tal forma, amados, que se chegarmos na rua e indagarmos qualquer pessoa, essa dirá que anda com Jesus, que ama a Jesus... No meio político, por exemplo, estes proclamam na televisão que amam a JEsus e muitos, inclusive os ateus, propagam as palavras mais bonitas ao Mestre! No entanto, vemos o fruto de cada uma dessas pessoas, que dizem AMAR a Jesus, e observamos que elas realmente NÃO ANDAM com Jesus!

Para outros amados, andar com Jesus é sinônimo de ter um TALISMÃ DA SORTE... Embora seja evangélico, sou totalmente contra aquilo que chamam de doutrina da prosperidade... E, assim, entre esses, andar com Jesus é sinônimo de riqueza... "Voce está desempregado? Venha para minha igreja que voce vai ficar rico... Está doente? Deve ter sido um pecado "cabeludo" que voce cometeu...". Assim, imginam que andar com JEsus é o mesmo que ter um amuleto, em que a pessoa fica invulnerável a doenças, e não pode ser pobre nunca... Essas pessoas parecem realmente não conhecer aquilo que está escrito, pois que os apóstolos, nenhum deles, se tornou RICO, mas, a partir do momento que aceitaram andar com Jesus, dificuldades surgiram em suas vidas... FOram presos, muitos deles apanharam de soldados e, no fim, foram ainda decapitados...

Para outros, andar com Jesus é como um HOBBIE... É simplesmente ir a igreja aos domingos e feriados, como se fosse ir a praia ou ao cinema. Esses vão a igreja aos domingos e muitas vezes participam da Ceia do Senhor mas, no entanto, quando saem da igreja, demonstram quem na verdade são. Pessoas que ainda não NASCERAM de novo... EM sua boca, mora ainda a palavra torpe, o palavrão, a mentira... São pessoas que estão na igreja apenas porque não tinham aonde ir...

Amados, "andar com" é diferente de "SEGUIR"... O verdadeiro discípulo do Mestre Anda com JEsus, e SEGUE seus ensinamentos! Para andar com Jesus, é necessário toda uma mudança na vida do homem. Todo discípulo genuíno, aquele que realmente anda com Jesus, passa por um milagre, que a Escritura chama de NOVO NASCIMENTO. Antes era herdeiro da segunda morte e, ao aceitar a JEsus passou a ser herdeiro da VIDA, antes estava sujo, elameado pelo pecado, agora é limpo, suas vestes são lavadas no Sangue do Cordeiro, e ele se tornou templo do Espírito Santo de Deus!

Não há como alguém andar com JEsus e NADA MUDAR nessa vida, amados, pois JESUS CRISTO MUDA VIDAS! Isso é real!

Assim, muitos daqueles, que imaginam que "Andar com JEsus" é um hobbye, ou que "andar com Jesus" é um Status, ou que é o mesmo que ter um talismã no bolso, estarão diante do Senhor e dirão:

Mateus 7:22-23
22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Essas pessoas estavam dentro da igreja, amados... Muitos dirão "Senhor, eu cantava no coral... Em teu Nome, expulsei demônios, e muitas curas foram feitas... EU não posso estar a tua esquerda, Senhor... Eu SOU CRISTÃO, eu ANDAVA COM JESUS..."... E o Senhor dirá: "Apartai-vos de mim, vós que praticais a INIQUIDADE... Amados, essas pessoas eram da igreja e eram classificadas como CRISTÃS... ELas deveriam participar, inclusive de conjuntos ou de ministérios dentro da igreja mas, no entanto, não haviam NASCIDO DE NOVO e, assim, viviam na INIQUIDADE. Talvez algumas dessas fizesse sexo constatmente sem ser casada, ou vivesse no homosexualismo, ou vivesse uma vida de mentira e de enganação com o seu próximo... Enfim, eram pessoas que viviam numa prática constante, numa rotina, num dia a dia diário daquilo que a Escritura define como PECADO!

Assim, é bom que cada um REFLITA, como anda sua comunhão com o Senhor... Meu "andar com Jesus" é um hobbie, é apenas uma questão de status, ou só me aproximei dele em busca de bençãos materiais?

Que o Senhor nos abençoe


David

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Re: Andando com Jesus

Mensagem por Alan em Sex Out 09, 2009 6:08 pm

Creio que esta passagem demonstra o que seria "Andar com Jesus"

Mc 8,34-35
Chamou, então, a multidão, juntamente com os discípulos, e disse-lhes: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”! Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará.


Muitas pessoas vão à Igreja somente para cumprir seu compromisso dominical, ou para fazer um social com a comunidade e etc. Porém o compromisso de um cristão vai muito além do que somente essas superficialidades. Mas ai vem a pergunta, o que seria "renunciar a si mesmo"? Eu entendo isso como abraçar de todo o coração o amor , o mesmo amor que Cristo teve por todos nós na cruz. Como eu diria amar é se dar pelo outro. Uma das maiores renuncias que eu já vi em toda a minha vida foi a de São Francisco. Lendo a história dele eu entendi um pouco melhor o que é essa renuncia.
A cruz acho que representa para nós a perseverança nos momentos ruins e difíceis. Mesmo nos momentos em que parece não ter esperança, em Cristo tudo somos capazes. Ele foi capaz de carregar a sua cruz por amor a todos nós.. o mínimo que podemos fazer em gratidão é segui-lo independente dos problemas no caminho e sempre ter em mente que tendo Ele em nossos corações mesmo que um turbilhão desestabilize a nossa vida, seja ele por meio de uma doença, desemprego, alguém querido que morreu e deixou aquela saudade, etc, nós não perderemos a nossa capacidade de amar que nós leva adiante para prosseguir nessa caminhada.

Então para refletir em tudo isso sempre tenha em mente duas coisas uma é essa frase de São Francisco de Assis

"O homem vale o que é diante de Deus e nada mais"

e essa passagem da carta de São Tiago

Tg 2,17-18
Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.


Paz e Bem

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Re: Andando com Jesus

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Abr 08, 2010 11:52 am

Caros amigos,

Publico um texto aqui sobre o tema proposto. Se trata de uma homilia do Papa Bento XVI no último domingo de Ramos. Nesse dia celebramos a caminhada de Jesus verso a Jerusalém e o Papa, assim como os amigos que participam do tópico presente, convida a todos os cristaos a "caminhar com Jesus". Ele explica de uma forma única nesse texto o que significa realmente caminhar com Jesus. Espero que possa ajudar a todos esse texto.


"Amados irmãos e irmãs
Queridos jovens!

O Evangelho da bênção dos ramos, que ouvimos aqui reunidos na Praça de São Pedro, começa com a frase: "Jesus seguiu para diante, em direcção a Jerusalém" (Lc 19, 28). Logo no início da liturgia deste dia, a Igreja antecipa a sua resposta ao Evangelho, dizendo: "Sigamos o Senhor". Com isto o tema do Domingo de Ramos é claramente expresso. É o seguimento. Ser cristãos significa considerar o caminho de Jesus Cristo como o caminho justo para o ser homens – como aquele caminho que conduz à meta, a uma humanidade plenamente realizada e autêntica. De modo particular, gostaria de repetir a todos os jovens e moças, nesta XXV Jornada Mundial da Juventude, que ser cristãos é um caminho, ou melhor: uma peregrinação, um ir juntamente com Jesus Cristo. Um ir naquela direcção que Ele nos indicou e nos indica.

Mas de qual direcção se trata? Como se encontra? A frase do nosso Evangelho oferece duas indicações a este propósito. Em primeiro lugar diz que se trata de uma subida. Isto tem antes de tudo um significado muito concreto. Jericó, onde teve início a última parte da peregrinação de Jesus, encontra-se a 250 metros sob o nível do mar, enquanto que Jerusalém – a meta do caminho – está a 740-780 metros acima do nível do mar: uma subida de quase mil metros. Mas este caminho exterior é sobretudo uma imagem do movimento interior da existência, que se realiza no seguimento de Cristo: é uma subida à verdadeira altura do ser homens. O homem pode escolher um caminho confortável e afastar qualquer fadiga. Pode também orientar-se para baixo, para o vulgar. Pode precipitar no pântano da mentira e da desonestidade. Jesus caminha diante de nós, e vai para o alto. Ele conduz-nos para o que é grande, puro, conduz-nos para o ar saudável das alturas: para a vida segundo a verdade; para a coragem que não se deixa atemorizar pelas tagarelices das opiniões dominantes; para a paciência que suporta e apoia o outro. Ele conduz para a disponibilidade em relação aos sofredores, aos abandonados; para a fidelidade que está da parte do outro também quando a situação se torna difícil. Conduz para a disponibilidade a dar ajuda; para a bondade que não se deixa desarmar nem sequer pela ingratidão. Ele conduz-nos para o amor – conduz-nos para Deus.

"Jesus seguiu em diante, em direcção a Jerusalém". Se lermos esta palavra do Evangelho no contexto do caminho de Jesus no seu conjunto – um caminho que, precisamente, prossegue até ao fim dos tempos – podemos descobrir na indicação da meta "Jerusalém" diversos níveis. Antes de tudo deve entender-se naturalmente só o lugar "Jerusalém": é a cidade na qual se encontrava o Templo de Deus, cuja unicidade devia aludir à unicidade do próprio Deus. Portanto, este lugar anuncia antes de tudo duas coisas: por um lado diz que Deus é um só em todo o mundo, supera imensamente todos os nossos lugares e tempos; é aquele Deus ao qual pertence toda a criação. É o Deus do qual todos os homens no mais profundo andam à procura e do qual de certa forma todos têm também conhecimento. Mas este Deus deu-se um nome. Deu-se a conhecer a nós, deu início a uma história com os homens; escolheu um homem – Abraão – como ponto de partida desta história. O Deus infinito é ao mesmo tempo o Deus próximo. Ele, que não pode ser encerrado em edifício algum, deseja contudo habitar entre nós, estar totalmente connosco.

Se Jesus juntamente com Israel peregrinante sobe a Jerusalém, é para celebrar com Israel a Páscoa: o memorial da libertação de Israel memorial que, ao mesmo tempo, é sempre esperança da liberdade definitiva, que Deus doará. E Jesus caminha para esta festa consciente de ser Ele mesmo o Cordeiro no qual se cumprirá o que o Livro do Êxodo diz a este propósito: um cordeiro sem mancha, varão, que é imolado ao pôr do sol, diante dos olhos dos filhos de Israel "como rito perene" (cf. Êx 12, 5-6.14). E por fim Jesus sabe que a sua vida irá além: não terá na cruz o seu fim. Sabe que a sua vida arrancará o véu entre este mundo e o mundo de Deus; que Ele subirá ao trono de Deus e reconciliará Deus e o homem no seu corpo. Sabe que o seu corpo ressuscitado será o novo sacrifício e o novo Templo; que em volta d'Ele, da multidão dos Anjos e dos Santos, se formará a nova Jerusalém que está no céu e contudo já está também na terra, porque na sua paixão Ele abriu o confim entre céu e terra. O seu caminho conduz para além do cume do monte do Templo até à altura do próprio Deus: é esta a grande subida à qual Ele convida todos nós. Ele permanece sempre connosco na terra e está sempre junto de Deus, Ele guia-nos na terra e para além dela.

Assim, na amplitude da subida de Jesus tornam-se visíveis as dimensões do nosso seguimento a meta para a qual Ele nos quer conduzir: até às alturas de Deus, à comunhão com Deus, ao ser-com-Deus. É esta a verdadeira meta, e a comunhão com Ele é o caminho. A comunhão com Ele é um estar a caminho, uma subida permanente rumo à verdadeira altura da nossa chamada. Caminhar juntamente com Jesus é ao mesmo tempo um caminhar sempre no "nós" daqueles que desejam segui-l'O. Introduz-nos nesta comunidade. Dado que o caminho até à vida verdadeira, até um ser homens conformes com o modelo do Filho de Deus, Jesus Cristo, supera as nossas próprias forças, este caminhar é sempre também um ser guiados. Encontramo-nos, por assim dizer, num grupo com Jesus Cristo – juntamente com Ele na subida rumo às alturas de Deus. Ele atrai-nos e ampara-nos. Faz parte do seguimento de Cristo que nos deixemos integrar neste grupo; que aceitemos que sozinhos não o conseguimos. Faz parte dele este acto de humildade, o entrar no "nós" da Igreja; o unir-se ao seu grupo, a responsabilidade da comunhão – não romper a corda com a teimosia e o pedantismo. O crer humilde com a Igreja, como o estar atados ao grupo da subida para Deus, é uma condição essencial do seguimento. Deste estar no conjunto do grupo faz parte também o não se comportar como donos da Palavra de Deus, não correr atrás de uma ideia errada de emancipação. A humildade do "estar-com" é essencial para a subida. Também faz parte dela que nos Sacramentos nos deixemos sempre guiar de novo pela mão do Senhor; que nos deixemos purificar e corroborar por Ele; que aceitemos a disciplina da subida, até se estivermos cansados.

Por fim, devemos dizer ainda: a Cruz faz parte da subida para a altura de Jesus Cristo, da subida até à altura de Deus. Como nas vicissitudes deste mundo não se podem alcançar grandes resultados sem renúncia e exercitação árdua, assim como a alegria por uma grande descoberta cognoscitiva ou por uma verdadeira capacidade concreta está relacionada com a disciplina, aliás ligada à fadiga da aprendizagem, também o caminho para a própria vida, rumo à realização da própria humanidade está ligada à comunhão com Aquele que subiu à altura de Deus através da Cruz. Em última análise, a Cruz é expressão daquilo que o amor significa: só quem se perde a si mesmo, se encontra.

Resumindo: o seguimento de Cristo exige como primeiro passo o despertar da nostalgia pelo autêntico ser homens e assim despertar para Deus. Exige depois que se entre no grupo de quantos sobem, na comunhão da Igreja. No "nós" da Igreja entramos em comunhão com o "Tu" de Jesus Cristo e assim alcancemos o caminho para Deus. Além disso, é exigido que se ouça a Palavra de Jesus Cristo e que a vivamos: em fé, esperança e amor. Assim estamos a caminho rumo à Jerusalém definitiva e jádesde agora, de algum modo, nos encontramos lá, na comunhão de todos os Santos de Deus.

A nossa peregrinação no seguimento de Cristo não vai em direcção a uma cidade terrena, mas à nova Cidade de Deus que cresce no meio deste mundo. A peregrinação para Jerusalém terrestre, contudo, pode ser precisamente também para nós cristãos um elemento útil para esta viagem maior. Eu próprio relacionei a minha peregrinação na Terra Santa do ano passado com três significados. Antes de tudo, tinha pensado que nos pode acontecer em tal ocasião o que São João diz no início da sua Primeira Carta: o que ouvimos, podemos de certo modo vê-lo e tocá-lo com as nossas mãos (cf. Jo 1, 1). A fé em Jesus Cristo não é uma invenção legendária. Ela funda-se numa história que aconteceu realmente. Por assim dizer, nós podemos contemplar e tocar esta história. É comovedor encontrar-se em Nazaré no lugar onde o Anjo apareceu a Maria e lhe transmitiu a tarefa de se tornar a Mãe do Redentor. É comovedor ir a Belém ao lugar onde o Verbo, que se fez carne, veio habitar entre nós; pôr os pés no terreno sagrado no qual Deus quis fazer-se homem e menino. É comovedor subir a escada para o Calvário até ao lugar no qual Jesus morreu por nós na Cruz. E por fim, estar diante do sepulcro vazio; rezar onde os seus despojos santos repousaram e onde no terceiro dia se verificou a ressurreição. Seguir os caminhos exteriores de Jesus deve ajudar-nos a caminhar mais jubilosamente e com uma nova certeza pelo caminho interior que Ele nos indicou e que é Ele mesmo.

Quando vamos à Terra Santa como peregrinos, também vamos lá – e este é o segundo aspecto – como mensageiros da paz, com a oração pela paz; com o convite a todos para fazer naquele lugar, que tem no nome a palavra "paz", o possível para que ele se torne deveras um lugar de paz. Assim, esta peregrinação é ao mesmo tempo – como terceiro aspecto – um encorajamento para os cristãos a permanecer no país das suas origens e a comprometer-se intensamente nela pela paz.

Voltemos mais uma vez à liturgia do Domingo de Ramos. Na oração com a qual são abençoados os ramos de palmeira nós rezamos para que na comunhão com Cristo possamos dar o fruto de boas obras. De uma interpretação errada de São Paulo, desenvolveu-se repetidamente, durante a história e também hoje, a opinião de que as boas obras não fariam parte do ser cristãos, contudo seriam insignificantes para a salvação do homem. Mas se Paulo diz que as obras não podem justificar o homem, com isto não se opõe à importância do agir recto e, se ele fala do fim da Lei, não declara superados e irrelevantes os Dez Mandamentos. Não há necessidade agora de reflectir sobre a amplitude da questão que interessava ao Apóstolo.

É importante realçar que com a palavra "Lei" ele não indica os Dez Mandamentos, mas o estilo de vida complexo mediante o qual Israel se devia proteger contra as tentações do paganismo. Mas agora Cristo trouxe Deus aos pagãos. A eles não é imposta esta forma de distinção. É-lhes dado como Lei unicamente Cristo. Mas isto significa o amor a Deus e ao próximo e tudo o que dele faz parte. Fazem parte deste amor os mandamentos lidos de modo novo e mais profundo a partir de Cristo, aqueles mandamentos que mais não são do que regras fundamentais do verdadeiro amor: antes de tudo e como princípio fundamental a adoração de Deus, a primazia de Deus, que os primeiros três Mandamentos expressam. Eles dizem-nos: sem Deus nada tem o êxito justo. Quem e como é este Deus sabemo-lo a partir da pessoa de Jesus Cristo. Seguem depois a santidade da família (quarto Mandamento), a santidade da vida (quinto Mandamento), o ordenamento do matrimónio (sexto Mandamento), o ordenamento social (sétimo Mandamento) e por fim a inviolabilidade da verdade (oitavo Mandamento). Tudo isto é hoje da máxima actualidade e precisamente também no sentido de São Paulo – se lermos totalmente as suas Cartas. "Dar fruto com as boas obras": no início da Semana Santa peçamos ao Senhor que conceda cada vez mais a todos nós este fruto.

No final do Evangelho para a bênção dos ramos ouvimos a aclamação com que os peregrinos saúdam Jesus às portas de Jerusalém. É a palavra do Salmo 118 (117), que originariamente os sacerdotes da Cidade Santa proclamavam aos peregrinos, mas que, entretanto, se tinha tornado expressão da esperança messiânica: "Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor" (Sl 118[117], 26; Lc 19, 38). Os peregrinos vêem em Jesus o Esperado, que vem em nome do Senhor, aliás, segundo o Evangelho de São Lucas, inserem mais uma palavra: "Bendito seja Aquele que vem, o rei, em nome do Senhor". E prosseguem com uma aclamação que recorda a mensagem dos Anjos no Natal, mas modificam-na de modo que faz reflectir. Os Anjos tinham falado da glória de Deus no mais alto dos céus e da paz na terra para os homens de boa vontade. Os peregrinos na entrada da Cidade Santa dizem: "Paz no céu e glória nas alturas!". Sabem muito bem que na terra não há paz. E sabem que o lugar da paz é o céu – sabem que faz parte da essência do céu ser lugar de paz. Assim esta aclamação é expressão de um sofrimento profundo e, ao mesmo tempo, é oração de esperança: Aquele que vem em nome do Senhor traga à terra o que está nos céus. A sua realeza torne-se a realeza de Deus, presença do céu na terra. A Igreja, antes da consagração eucarística, canta a palavra do Salmo com a qual Jesus é saudado antes da sua entrada na Cidade Santa: ela saúda Jesus como o Rei que, provindo de Deus, em nome de Deus entra no meio de nós. Também hoje esta jubilosa saudação é sempre súplica e esperança. Rezemos ao Senhor para que nos traga o céu: a glória de Deus e a paz dos homens. Entendemos esta saudação no espírito do pedido do Pai Nosso: "Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu!". Sabemos que o céu é céu, lugar da glória e da paz, porque ali reina totalmente a vontade de Deus. E sabemos que a terra não é céu enquanto nela não se realiza a vontade de Deus. Portanto, saudemos Jesus que vem do céu e peçamos-lhe que nos ajude a conhecer e a fazer a vontade de Deus. Que a realeza de Deus entre no mundo e assim ele seja repleto com o esplendor da paz. Amém."

Grande abraço a todos.

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