Aborto - Abuso sexual

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Aborto - Abuso sexual

Mensagem por Helô em Dom Dez 06, 2009 2:40 pm

Olá gente!

Lendo o tópico que falava sobre a indicação por parte do médico do uso da camisinha como um mal menor em casos particulares e refletindo sobre todas as situações frente as quais médicos cristãos podem se deparar, resolvi também criar esse tópico.

Sou estudante de Medicina e há algum tempo uma professora colocou para um grupo de alunos no qual estou incluída um caso que me chocou muito e gerou uma grande discussão.
Era o caso de uma menina que aos 12 anos teve sua primeira relação sexual com seu namorado e na mesma semana sofreu abuso sexual de seu próprio pai. E a menina ficou grávida.
Os médicos envolvidos no caso estavam "correndo" para conseguir fazer um exame chamado amniocentese para determinar quem seria o pai da criança pelo exame de DNA. Pois caso fosse o pai da menina, a gravidez sendo fruto de abuso sexual poderia ser interrompida, através do aborto até 20 semanas. E a menina já estava num estágio avançado da gravidez (aprox. 14 semanas).
Minha professora era a pessoa que estava responsável por levar esse caso até a secretária de saúde daqui de Petrópolis para que esta autorizasse o exame, já que este precisaria ser feito no Rio de Janeiro.

Meus colegas de turma foram todos a favor do aborto em caso de abuso sexual. Eu tentei explicar minha posiçao, mas foi em vão. O que me incomoda é ninguém percebeu que a criança no ventre daquela menina não tem culpa da maneira como ela foi concebida e que não quero que a menina seja obrigada a criar seu "filho-irmão", se for o caso, que a criança seja enviada a adoção, mas que pelo menos tenha o direito mais básico de qualquer pessoa humana, o direito à vida.

Minha questão é: hoje sou estudante. Mas daqui a 4 anos serei médica. Quando um caso desses cair em minhas mãos, por exemplo, e infelizmente eles tem sido a cada dia mais comuns, o que fazer? Na posição de minha professora, encaminharia o caso e ficaria tudo por isso mesmo? Pelo menos para mim, não me parece justo com a criança, quem está pensando nessa criança? Eu seria só mais uma que teria que deixar isso passar pelas minhas mãos?

Para terminar, o exame foi feito, e o pai da criança era mesmo o pai da menina. A menina está grávda de seu prório pai, e tem o direito ao aborto.
Graças a Deus Ele olha por todos e tem o poder de tocar corações, literalmente. Quando a menina fez um exame ultrassom após saber que estava grávida de seu próprio pai e ouviu o coraçãozinho do bebê batendo resolveu por conta própria que não faria o aborto e está hoje seguindo com a gestação!

Bem, fico no aguardo de respostas!
E peço também a todos que rezem por essa menina e seu filho!

Helô

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Re: Aborto - Abuso sexual

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Dom Dez 06, 2009 9:15 pm

Cara Helô,


Que a paz do Senhor esteja sempre no seu coração !


Que bom agente saber que o Senhor está preparando uma médica católica! Que Deus seja louvado por isso !


"Não matarás" (Ex 20,13; Dt 5,17; Mt 5,21;19,18; Lc 18,20; Rm 13,9; Tg 2,11), é um dos mandamentos do Senhor. Compreendendo o seu significado, sabemos que não podemos matar ninguem sob qualquer pretexto, pois não matar é não matar.


É muito complexo ter que tomar uma posição diante de um fato como o que você relata, dentre tantos outros que acontecem quase que cotidianamente.


Sabemos que, neste caso, a criança que se gerou é fruto da quebra de outro mandamento: "Não cometerás adultério" (Ex 20,14; Dt 5,18; Mt 5,27), seja ele por meio do estupro, do incesto consentido ou não, ou ainda sob qualquer outra forma ou modalidade.


A quebra de qualquer um dos mandamentos se constitui também na quebra do primeiro e do segundo, respecivamente, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Com efeito, quando se mata alguem, está se fazendo com o outro aquilo que não se quer que seja feito a si mesmo. Eis aí a quebra do segundo mandamento.


Em outra dimensão, se aquilo que fazemos ao nosso próximo, estamos fazendo ao nosso Deus, fica configurada também a quebra do primeiro mandamento.


Percebe-se, pois, que a gravidade do pecado vai aumentando à medida que examinamos a Sagradas Escrituras.


Em resumo, não matar é permitir a vida. A Igreja Católica é a favor da vida. Obviamente, não nos é perimitido matar.


Recentemente, aqui em Pernambuco houve um caso de estupro de uma criança no qual a posição da Igreja através de Dom José Cardoso (Arcebispo de Olinda e Recife) gerou muita polêmica, por confirmar a excomunhão dos executores do aborto. Observe-se, neste caso, que usei a expressão "confirmar a excomunhão" porque a própria pessoa é que se auto-excomunga e, à autoridade eclesiástica compete confirmar, como sabiamente o fez Dom José Cardoso.


No seu pronunciamento, dentre outros aspectos, além de explicar o fato à luz dos mandamentos da Lei de Deus, o Arcebispo afirmou claramente que o estupro é um pecado muito grave e que o aborto é um pecado muito maior, independentemente das sequelas físicas, espirituais e psicológicas que ambos possam deixar.


Como você fez referência ao caso do uso da camisinha que foi amplamente discutido no nosso fórum, podemos afirmar que o discernimento a esse respeito deve ser o mesmo, fazendo-se, digamos assim, uma opção pelo mal menor, uma vez que um erro não concerta o outro.


Acredito que a um médico católico compete, antes de tudo, mostrar ao paciente o que diz a nossa doutrina e tentar de todas as formas evitar o mal maior. No caso de não encontrar receptividade por parte do paciente deve, considerando a Lei de Deus, explicar para o cliente que em virtude da fé, não pode atendê-lo.


Creio que devo ter contribuido de alguma forma, mas é bom observar o que diz a Igreja através dos seus sacerdotes, e de modo mais específico, Pe. Anderson e Pe. Léo que caminham conosco e nos orientam com a sabedoria que vem do Alto.


Que Deus lhe dê muita sabedoria e discernimento para exercer a medicina segundo o Seu Coração e Sua Lei!


Grande Abraço !



Flávio Roberto Brainer de
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Re: Aborto - Abuso sexual

Mensagem por Ricardo Jahara em Dom Dez 06, 2009 10:58 pm

"Meus colegas de turma foram todos a favor do aborto em caso de abuso
sexual. Eu tentei explicar minha posiçao, mas foi em vão. O que me
incomoda é ninguém percebeu que a criança no ventre daquela menina não
tem culpa da maneira como ela foi concebida e que não quero que a
menina seja obrigada a criar seu "filho-irmão", se for o caso, que a
criança seja enviada a adoção, mas que pelo menos tenha o direito mais
básico de qualquer pessoa humana, o direito à vida."

O que fica claro ,ao meu ver, é a incoerencia, pois se for filho do pai, não se trata como uma vida, se for filha do namorado, se trata??
Parece que são duas pessoas diferentes, quando opinam sobre uma vida,seja filha do pai ou do namorado.
Que bom saber da decisão da menina. Se talvez tivessem dado essa chance a menina de Pernambuco, de fazer um ultrassom, ouvir o coração, com certeza hj as duas crianças estariam com ela.
Abraços.

Ricardo Jahara

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