A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

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A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Dez 21, 2009 5:23 pm

Caros amigos,

Gostaria de publicar aqui um texto excelente, que creio que dará muito para discutir. É um texto de Santa Edith Stein, sobre o papel da mulher na Igreja. Ela faz uma relaçao espetacular entre a mulher, a Igreja e Maria. Podemos ver nesse texto um estilo nela muito parecido ao de Joseph Ratzinger: extremamente simples e profundo. Esse texto é uma excelente Teologia, uma antecipaçao da Teologia apresentada nos textos do Vaticano II. Com o tempo espero poder publicar mais fragmentos desse texto (que vou traduzindo aos poucos).

"A mulher como membro do Corpo de Místico de Cristo", de Santa Edith Stein:

"Cap. 1:

A posição da mulher na Igreja:

O propósito da formação religiosa consiste em fazer os jovens encontrem sua posição no Corpo místico de Cristo, o lugar que está preparado para eles desde a eternidade. Todos os que participam da redenção se tornam filhos da Igreja, e nisto não há diferenças entre os homens e as mulheres. A Igreja não só é a comunidade dos crentes, mas também o Corpo de místico de Cristo, quer dizer, um organismo no qual os indivíduos assumem o caráter de membro e de órgão, e por natureza os dons e um são diferentes dos dons do outro; por isso a mulher assim que tal tem uma posição particular orgânico na Igreja. Ela é chamada a personificar, no desenvolvimento mais alto e puro da sua essência, a mesma essência da Igreja, a ser seu símbolo. A formação das meninas e das jovens tem que dirigir para estes graus de pertença à Igreja.

A primeira condição necessária para entender esta função consistirá em saber com claridade qual é a essência da Igreja é. Para a razão humana é particularmente acessível o conceito de Igreja como a comunidade dos crentes. Quem acredita em Cristo e no seu Evangelho, quem espera as suas promessas, se une a Ele por amor e observa os seus mandamentos, se une na mais profunda unidade de pensamento e de amor com todos aqueles que têm a mesma convicção. Aqueles que viveram ao redor do Senhor durante a sua vida terrestre se tornaram o fundamento da grande comunidade Cristã: eles a propagaram, deixando como herança aos tempos próximos o tesouro da fé contida nela.

Se a sociedade humana natural é mais que um agrupamento simples de indivíduos e, como se pode verificar, esta se funde em um tipo de unidade orgânica, isto vale com mais razão para a sociedade sobrenatural que é a Igreja. A união da pessoa com Cristo é algo muito diferente da união entre pessoas humanas: é radicar-se nele e crescer nele (assim nos conta a parábola da videira e dos sarmentos); começa com o batismo e é afiançado sempre mais com os outros sacramentos, assumindo em cada indivíduo uma orientação diversa. Este real fazer-se um com Cristo comporta o transformar-se em membros uns dos outros para todos os cristãos. E a Igreja se torna o Corpo de Cristo deste modo. O Corpo é um corpo vivo, e o espírito que vivifica, é o Espírito de Cristo, que se transmite da Cabeça aos membros; o
espírito que se difunde de Cristo é o Espírito Santo, por isso a Igreja é templo do Espírito Santo.

Apesar da unidade real, orgânica, entre a Cabeça e o corpo, a Igreja está em frente a Cristo como pessoa independente. Enquanto Filho do Pai eterno, Cristo vivia antes do tempo e de todos os seres humanos. Com a criação a humanidade começou a viver antes que Cristo assumisse a natureza e entrasse nela. E quando entrou, levou consigo sua vida divina. Com a redenção a fez receptiva e a encheu de graça: a gerou de novo. A Igreja é a humanidade novamente gerada, redimida por Cristo. A primeira célula da humanidade redimida é María: ela foi a primeira na que atuou a pureza e a santidade de Cristo, a plenitude do Espírito Santo. Antes de que o Filho do homem nascesse desta Virgem, o Filho de Deus criou esta virgem cheia de graça, e nela e com ela criou a Igreja. Por isso Maria, enquanto criatura nova, está ao seu lado, embora está indissoluvelmente ligada a ele.

E deste modo cada alma, purificada pelo batismo e elevada ao estado de graça, é gerada por Cristo e dada à luz por Cristo. Mas é gerada na Igreja e dado à luz por meio da Igreja. Na realidade, é por meio dos órgãos da Igreja que o todo novo membro é formado e repleto de vida divina. Por isso a Igreja é a mãe de todos os redimidos. Mas o é por sua união íntima com Cristo: ela é a sponsa Christi, que está ao seu lado e colabora com Ele em sua obra, na redenção da humanidade.

Órgão essencial nesta maternidade sobrenatural da Igreja é a mulher, fundamentalmente com sua maternidade corporal. De forma que para que a Igreja alcance sua perfeição, ligada ao alcance do número estabelecido de membros, a humanidade tem que continuar crescendo. A vida da graça pressupõe a vida natural. O organismo corpóreo-espiritual da mulher está formado para a função da maternidade natural, e a procriação dos filhos foi ratificada pelo sacramento do matrimônio e deste modo foi assumida no processo vital da Igreja. Mas a participação da mulher na maternidade espiritual vai muito mais adiante; ela é chamada para favorecer nas crianças a vida da graça. A mulher é um órgão imediato da maternidade sobrenatural da Igreja e participa desta maternidade sobrenatural. E isso não se reduz só aos próprios filhos. O sacramento do matrimônio fundamentalmente inclui a missão recíproca de favorecer o fazer nascer a vida de graça no cônjuge; também é característico da mãe incluir em sua preocupação materna a todos esses que vivem dependendo dela; e, finalmente, é missão de todo cristão suscitar e promover a vida de fé em toda alma, sempre que seja possível. A mulher é chamada de modo particular para esta missão, devido à posição especial que nela está em frente ao Senhor.

A narração da criação põe à mulher junto ao homem como ajuda proporcional, de forma que eles obrem juntos como um ser único. A carta aos Efésios representa esta relação como uma relação entre cabeça e corpo, como um símbolo da relação entre o Cristo e a Igreja. Por isso é necessário ver na mulher é um símbolo da Igreja. Eva, que nasce do lado de Adão, é um símbolo da nova Eva – por tal nós entendemos a Maria, mas também à Igreja inteira – que nasce do lado aberto do Adão novo. A mulher ligada por um matrimônio genuinamente cristão, quer dizer, por uma unidade de vida e de amor indissolúvel com o seu esposo, representa à Igreja, esposa de Cristo. Esta personificação da Igreja é mais íntima e mais perfeita na mulher que, qual sponsa Christi, consagrou sua vida ao Senhor e se uniu com Ele com um laço indissolúvel. Ela está ao seu lado como a Igreja, como a Mãe de Deus, que é o protótipo e a célula germinal da Igreja como colaboradora na obra da redenção. O dom total do seu ser e de toda sua vida, lhe faz viver com Cristo e colaborar com Ele; isso também significa sofrer com Ele e morrer aquela morte da qual a vida de graça surge para a humanidade. E assim a vida da esposa de Deus se enriquece com a maternidade espiritual sobre toda a humanidade redimida; e não existe diferença se ela trabalha diretamente entre as pessoas ou se ela com o sacrifício traz frutos de graça, que nem ela nem nenhum outro ser humano tem conhecimento".

Grande abraço a todos.
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Marcelo Ribeiro dos Santo em Qua Jan 06, 2010 10:51 pm

Pe. Anderson, graça e paz.

Duas questões para uma discussão no assunto apresentado, desculpe-me se este não foi seu objetivo principal, mas acho legal para esclarecimento e também para adquirir conhecimentos.

1ª segue a frase -Todos os que participam da redenção se tornam filhos da Igreja, e nisto não há diferenças entre os homens e as mulheres.

Segundo esta frase porque a mulher não pode exercer o sacerdócio uma vez que não há distinção?

2ª segue a frase-Ela está ao seu lado como a Igreja, como a Mãe de Deus, que é o protótipo e a célula germinal da Igreja como colaboradora na obra da redenção.

Como compreender a questão "MÃE DE DEUS" uma vez que cremos em um Deus trino, Pai, Filho e Espírito Santo?
Deus tem mãe, se têm esta é DIVINA por ser mãe DELE?

Fiquemos com Deus...

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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Yuri07 em Qui Jan 07, 2010 10:00 am

Creio que o padre responde melhor que eu, mas posso falar um pouco.

Maria, ao receber Jesus em seu ventre, recebe toda a pessoa de Jesus: em sua humanidade e divindade. E por receber a divindade, por ser mãe daquele que é Deus, ela é verdadeiramente a mãe de Deus. Contudo ela é uma criatura, a mais bela criatura, mas nunca deusa.
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Jan 07, 2010 12:41 pm

Caro Marcelo,

Muito obrigado pela sua participaçao nesse tópico.

Sobre a sua segunda questao, da maternidade divina: nós já explicamos exaustivamente essa questao em outros tópicos.


http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/filosofia-e-teologia-f1/maria-mae-da-humanidade-t161.htm

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/questoes-disputadas-f7/porei-inimizade-entre-ti-e-a-mulher-entre-a-tua-descendencia-e-a-dela-gn-3-15-t558-30.htm

Poderia te dizer rapidamente: Maria é Mae de Deus porque é Mae de Jesucristo, que é o Verbo único de Deus que se encarnou no seu seio. Maria nao deu a Jesus a sua divindade, nem mesmo ela é uma deusa. Ela é criatura, foi redimida por Cristo, mas, ao mesmo tempo, ela é a mulher que Deus havia pensado desde o pecado de Eva, que viria colaborar de forma especial com a obra da salvaçao.

Segundo a fé crista, Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem; tem duas naturezas perfeitas (humana e divina) unidas indissoluvelmente na unica pessoa do Verbo de Deus encarnado. Maria deu a Cristo o que uma mae dá para o seu filho, ou seja, ela colaborou com a matéria na generaçao do seu filho, como toda mae colabora.

A analogia que os Padres da Igreja e o Magistério fazem para explicar a Maternidade divina é a seguinte: toda mae dá ao seu filho uma parte da sua matéria, nao dá ao seu filho a sua alma, que vem diretamente de Deus. Mas mesmo assim, a mae é mae da pessoa, nao de uma parte da matéria. Da mesma forma, Maria deu a Jesus uma colaboraçao material, nao deu a Jesus sua alma e sua divindade. Mas, do mesmo modo que toda mae natural, ela é verdadeira mae da Pessoa de Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado, e nao é a mae de uma parte da matéria de Jesus.

Como dizia Santo Tomás: "somente Maria e Deus Pai puderam dizer com toda simplicidade a Jesus Cristo: meu Filho"; essa é a fonte de todos os privilégios de Maria.

Sobre a questao do sacerdócio feminino, vou explicar mais tarde, com vários argumentos. Por hora, antecipo dois bem simples:

1) As mulheres tem os mesmos direitos dos homens ao sacerdócio: Nenhum! O sacerdócio nao é um direito, mas é um dom dado por Deus, a quem ele quis. No Novo Testamento, é bem explícito que Jesus só chamou homens para seguir o seu sacerdócio. E a Igreja nao tem autoridade de mudar a vontade de Cristo;

2) O sacerdócio nao é uma questao de poder, mas de serviço; na Igreja, desde o seu início, nao há dúvidas que Maria é superior a Pedro, no entanto, ninguém jamais afirmou que Maria fosse "sacerdotisa".

Depois aprofundarei essa questao. Um grande abraço e obrigado por sua participaçao. Obrigado Yuri por sua colaboraçao tambem, voce tocou o ponto essencial.
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 12:24 pm

Mãe de DEUS.

A minha questão não é se é ou não legitimo o uso do título de «Mãe de DEUS», mas se isso é ou não conveniente e porquê.

Quanto à legitimidade, tudo depende do significado que damos às palavras.

Quanto à conveniência aí é que são elas!

Para "Cirilo" era conveniente: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cirilo_de_Alexandria
Agora para sermos imparciais veja outra posição diferente: http://caiafarsa.wordpress.com/maria-mae-de-deus-adoracao-oficicalizada-em-431/
Veja este link que afirma que Cirilo até distribuiu «subornos e presentes» aos outros «bispos»: http://tharsik.spaceblog.com.br/

Parece que nessa altura o suborno era muito costumeiro.

Mas entre o povo, isso não poderia promover involuntariamente a «idolatria»?!
Acho que se correu um risco espiritualmente desnecessário, mas que teve proveitos materiais, isto é económicos.
Devemos proceder com prudência como afirmou Paulo, num outro contexto, mas similar:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Rm+14
... Tomai de preferência esta decisão: não ser para o irmão causa de tropeço ou de escândalo
(Romanos 14,13)

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=1+Cor+8

*Mas, tomai cuidado, que essa vossa liberdade não venha a ser ocasião de queda para os fracos.
(1ª Corintios 8, 9)

A mãe de Cristo nunca pediu para ser aplaudida dessa forma, nem nunca teve sede de títulos para a enaltecer.
O facto de ter sido a ESCOLHIDA dentre todas para ser a mãe do Cristo Redentor é mais que suficiente.
Essa escolha é que a tornou «bemaventurada» entre todas (e todos): http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Lc+1#48

48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 12:41 pm

Observação: Depois de enviar a mensagem anterior quis corrigir o que disse a respeito do link que me mostrou acerca do comportamento de Cirilo em relação aos «subornos»,e que encontrei através do GOOGLE, mas que depois de voltar a verificar me aparecia um outro site completamente diferente e já não me tive permissão de corrigir.
Por isso peço que cada um procure saber a verdade acerca disso.

Mais um link que está em cache mas que pode desaparecer que diz o mesmo:
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://www.scribd.com/doc/29388183/Historia-do-Cristianismo-Concilios-Ecumenicos-da-Igreja-Crista,
Mas a página final também desapareceu, pelos vistos.
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 1:27 pm

Mais um link que fala dos subornos, mas que também pode ser apagado:
http://espectadores.blogspot.com/2009/01/acerca-do-artigo-o-cdigo-escondido-da.html
Também descarreguei um texto em PDF que trata de vários subornos e também fala de Cirilo:
http://descargas.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras/13526397912796495222202/032144.pdf?incr=1
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Re: A mulher como membro do Corpo Místico de Cristo: Edith Stein.

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Jun 25, 2010 7:52 am

Caros amigos,

Olha o que está escrito no link que o Senhor Manuel postou aqui:

http://caiafarsa.wordpress.com/maria-mae-de-deus-adoracao-oficicalizada-em-431/

OBSERVE também a temerária acusação contra os católicos:

“ADORAÇÃO A MARIA É OFICIALIZADA…”. “… o Lógos (a Palavra, Cristo) habitava na humanidade de Jesus como um homem se acha num templo ou numa veste; haveria duas pessoas, em Jesus uma divina e outra humana unidas entre si por um vínculo afetivo ou moral”. MARIA É MÃE DE DEUS PORQUE É MÃE DA ÚNICA PESSOA DE CRISTO QUE É DEUS.


COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL

Toda a lengalenga do Daniel se baseia em documento absolutamente fajuto. Se alguém quiser saber da verdade pode até escrever pro Daniel. Duvido, porém, que obterá resposta.

Mas que adoração?

Afinal o que o Concílio declarou é que MARIA É MÃE DE DEUS, pois é mãe de Cristo que é Deus.

Com isto, em lugar NENHUM este concílio a considerou “UMA DEUSA”, sabendo de antemão que Cristo possui duas naturezas, a divina (de origem divina), e a humana (de origem humana).

Entretanto, Cristo é UMA ÚNICA PESSOA e não duas como querem supor os hereges de hoje que repetem a mesma heresia cristológica de Nestório que ensinava:

Em conseqüência dessa heresia, Maria não seria MÃE DE DEUS, mas da pessoa humana de Cristo. Os bispos do sacro Concílio e o Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 15,28) declararam HERÉTICA a fórmula nestoriana.

Portanto, Cristo não recebeu a divindade de Maria senão sua humanidade, caso contrário, Maria seria uma deusa; de outro lado, ele não recebeu a humanidade do Pai, caso contrário, este seria humano.

Discurso de São Cirilo de Alexandria:

Na homilia que São Cirilo de Alexandria pronunciou no Concílio de Éfeso, dirigiu à Mãe de Deus louvores como estas:

“Salve, Maria, Mãe de Deus, veneradíssimo tesouro de todo o círculo, tocha inextinguível, coroa da virgindade, trono da reta doutrina, templo indestrutível, pequena habitação daquele que não pode ser contido em lugar algum, Virgem e Mãe por quem nos deu o chamado nos Evangelhos bendito o que vem em nome do Senhor.

Salve, você que encerrou em seu seio virginal ao que é imenso e inacabável. Você, por quem a Santíssima Trindade é adorada e glorificada. Você, por quem a cruz preciosa é celebrada e adorada em todo mundo. Você, por quem exulta o céu, alegram-se os anjos e arcanjos, fogem os demônios, por quem o diabo tentador foi arrojado do céu, e a criatura, queda pelo pecado, é elevada ao céu…

Quem de entre os homens será capaz de elogiar como se merece a Maria, digna de tudo louvor? É Virgem e Mãe: que maravilha! Este milagre me enche de estupor. Quem ouviu jamais dizer que ao construtor de um templo se o proíba entrar nele? Quem poderá tachar de ignomínia a quem toma a sua própria pulseira por Mãe?

Nós temos que adorar e respeitar a união do Verbo com a carne, temos que ter temor de Deus e dar culto a Santa Trindade, temos que celebrar com nossos hinos a Maria, a sempre Virgem, templo santo de Deus, e a seu Filho, o Marido da Igreja, nosso Senhor Jesus Cristo. a glória pelos séculos dos séculos. Amém.”

Já naqueles tempos se falava da “pessoa” ou “União hipostática”: o verbo, ao encarnar-se, assumiu a natureza humana em sua pessoa divina, de modo que não havia duplicidade de pessoas em Jesus (só há uma pessoa, que é divina), embora sem duplicidade de naturezas, divina e humana. A teologia católica desenvolveu amplamente esta tese, derivada da filosofia grega. Santo Tomás diz: “A bem-aventurada Virgem é chamada Mãe de Deus não porque seja mãe da divindade, mas sim porque é mãe, segundo a humanidade, da pessoa que tem a divindade e a humanidade. O ser concebido e o nascer se atribuem a hipóstases por razão da natureza em que a hipóstase por razão da natureza é concebida e nasce. Agora bem, como no mesmo princípio da concepção (de Cristo) a natureza humana se uniu à pessoa divina, podemos afirmar com toda verdade que Deus é concebido e nascido da Virgem. diz-se que uma mulher é mãe de uma pessoa porque esta foi concebida e nasceu que ela. Logo a bem-aventurada Virgem pode chamar-se verdadeira Mãe de Deus. (…) O nome de “Deus”, comum às três pessoas divinas, umas vezes designa só à pessoa do Pai, outras à pessoa do Filho, e outras a do Espírito Santo. Assim, quando se diz que a bem-aventurada Virgem é Mãe de Deus, a palavra “Deus” designa só à pessoa do Filho”.

http://www.acidigital.com/Maria/santamaria/cirilo.htm

Para completar:

SÃO LUCAS: “Donde a mim esta dita de que a MÃE DE MEU SENHOR venha ter comigo?” (Luc. 1, 43).

E nas escrituras do antigo testamento também trazem esta confirmação de que o filho da virgem seria chamado pelo nome de DEUS conosco:

“Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” . (Is 7,14)

Na Sagrada Escritura o termo "Senhor " é só aplicado a Deus. De forma que a afirmaçao "a Mae do meu Senhor" equivale a dizer "Mae do Meu Deus". Assim também vemos na profissao de Tomé: ele se ajoelhou de Jesus ressuscitado e afirmou: "Meu Senhor e meu Deus". Portanto, ou nós acreditamos na Sagrada Escritura ou acreditamos em textos de "Theology Fiction", um gênero literário muito frequente na internet, em alguns péssimos sites de protestantes. Na verdade, temos duas opçoes: ou acreditar na verdade Bíblica ou acreditar na "sabedoria wikpedia", em sites que aparecem e desaparecem.

TESTEMUNHO ARQUEOLÓGICO

Em 1917 a Biblioteca John Ryland, de Manchester (Inglaterra) adquiriu no Egito um pequeno fragmento de papiro de 18 x 9,4 cm (Ryl. III,470), cujo conteúdo foi identificado em 1939; é o texto de uma oração dirigida a Maria Santíssima invocada como Theotókos (=Mãe de Deus) no séc. III. Quando em 431 (séc. V) o Concílio de Éfeso proclamou Maria Theotókos, fez eco a uma tradição cujo primeiro termo conhecido remonta a Orígenes (243 dC).

“Sob a tua misericórdia nos refugiamos,
Mãe de Deus!Não deixes de considerar as nossas súplicas
em nossas dificuldades.Mas livra-nos do perigo,
única casta e bendita!”

“Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta”.

Já no século II era dirigido a Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso em 431. O texto primitivo do qual derivam as diversas variações litúrgicas (copta, grega, ambrosiana e romana) é o seguinte:

“Sob a asa da vossa misericórdia nós nos refugiamos, Theotókos; não recuse os nossos pedidos na necessidade e salva-nos do perigo: somente pura, somente bendita”.

TESTEMUNHO DOS “PAIS DA IGREJA”

IRENEU- “A Virgem Maria… sendo obediente à sua palavra, recebeu do anjo a boa nova de que ela daria à luz Deus” (Santo Irineu, Bispo de Lion, Discípulo de Policarpo, 180 d.C. – Contra Heresias);

SANTO ALEXANDRE - “Jesus Cristo … teve um corpo gerado, não em aparência, mas verdadeiramente, derivado da Mãe de Deus” (Santo Alexandre, morto em 328 – antes do concílio de Éfeso de 431);

SANTO EFRÉM - “A obra prima da Sabedoria de Deus tornou-se a Mãe de Deus” Santo Efrém que viveu na Síria em 373 (antes do concílio de Éfeso).

Só para acrescentar: nao há nenhuma afirmaçao científica (em documentos históricos válidos) que afirmam que Sao Cirilo subornou os Padres Conciliares, como afirmam alguns ingênuos. Mas, ainda que isso fosse verdade, nao mudaria em nada a verdade crista de todos os séculos, que sempre considerou Maria verdadeira Mae de Jesus, que é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Evidentemente alguns continuarao repetindo mecanicamente que afirmar isso é o mesmo que idolatrar Maria. É importante lembrar que idolatrar significa por uma pessoa ou coisa no lugar de Deus. Idolatria é um pecado gravíssimo contra a religiao, como bem sabe todo católico. Infelizmente alguns afirmam que os católicos idolatram os santos e a Maria. Nós dizemos que isso é um absurdo. Mas parece que esses ignorantes sabem melhor do que os católicos o que os mesmos católicos adoram. É possível isso? Ou será uma consideraçao de baisíssimo nível intelectual?

Creio que é um excelente resume da questao já exposta uma infinidade de vezes no nosso fórum.

Grande abraço a todos
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