Cristo desceu aos Infernos

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Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Jan 24, 2010 7:55 am

Caros amigos,

Abro esse tópico para esclarecermos melhor a questao.

Em primeiro lugar, ponho aqui os textos bíblicos que afirmam que Jesus, depois de sua morte, pregou para os espíritos dos que estavam na mansao dos mortos (nos "Infernos"). Isso supoe, é claro, que as almas dos mortos nao estao em um estado de sono, de inconsciencia, como ensinam alguns protestantes, mas está sim em estado consciente e pode adquirir novos conhecimentos:

1 Ped, 18-20 Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água.

1 Ped 4,6-8: "Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito. O fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados" (Pr 10,12).

Exponho agora a explicaçao dada pelo Catecismo da Igreja Católica:

631 "Jesus desceu às profundezas da terra. Aquele que desceu é também aquele que subiu" (Ef 4,9- 10). O Símbolo dos Apóstolos confessa em um mesmo artigo de fé a descida de Cristo aos Infernos e sua Ressurreição dos mortos no terceiro dia, porque em sua Páscoa é do fundo da morte que ele fez jorrar a vida: Cristo, teu Filho,que, retomado dos Infernos, brilhou sereno para o gênero humano, e vive e reina pelos séculos dos séculos. Amem.

CRISTO DESCEU AOS INFERNOS

632 As freqüentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus "ressuscitou dentre os mortos" (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados.

633 A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, Visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no "seio de Abraão". "São precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos Infernos". Jesus não desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido.

634 "A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos..." (1Pd 4,6). A descida aos Infernos é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a fase última da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta em sua significação real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, pois todos os que são salvos se tomaram participantes da Redenção.

635 Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que "os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam" (Jo 5,25). Jesus, "o Príncipe da vida", "destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte" (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 1,18), e "ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos" (Fl 2,10).

Um grande silêncio reina hoje na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos... Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão acorrentado e Eva com ele cativa. "Eu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta –te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos."

Grande abraço a todos.
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por bruninho em Seg Mar 01, 2010 11:34 pm

queria tirar uma duvida !

se tem em alguma passagem onde diz que Jesus abriu as portas do Céu ?
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Mar 04, 2010 11:40 pm

Meu Caro Bruniho,
Que a paz de Jesus esteja sempre no seu coração !
Há várias passagens nas Sagradas Escrituras que mostram essa realidade. Duas dentre elas nos mostram essa realidade com muita clareza:
1. Na hora da morte de Jesus o véu do templo se rasgou (Mt 27,50-51), e esse rasgar-se do véu do templo marcou, pelo sacrifício de Jesus, um novo tempo no qual temos livre acesso ao céu. 2. Este fato também pode ser compreendido a partir do diálogo de Jesus com Dimas no alto do Calvário (Lc 23,42-43).
Mas há ainda uma questão que merece ser observada: É Jesus quem nos abre as portas do céu, mas nós é que temos que bater à porta (Mt 7,7; Lc 11,9), ou seja, em outas palavras, temos que buscá-lo, conforme nos ensina o profeta Jeremias (Jr 29,13).
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por bruninho em Sex Mar 05, 2010 12:00 am

Mas essa questão que os protestantes julgam bastante em relação a passagem que diz lá em apocalipse mais ou menos assim "Jesus a de vir para julgar os vivos e os mortos", por causa dessa passagem que eles acreditam que os mortos estão adormecidos !
pode me explicar, por favor !

Obrigado

"A fé rompe as barreiras divinas, o amor rompe as barreiras humanas" Very Happy
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Yuri07 em Sex Mar 05, 2010 10:31 am

Essa passagem fala do julgamento final. Mais tarde no tópico dos dogmas falarei sobre o juízo final. Julgar os vivos e os mortos porque haverá a ressurreição dos mortos e eles serão julgados, mas agora não tenho tempo de me extender sobre a assunto.
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Sex Mar 05, 2010 4:24 pm

Meu Caro Bruniho,
Que a paz do Senhor Jesus esteja sempre com você !
Esta questão que você apresenta é uma forma que os protestantes, cuja missão é PROTESTAR, encontraram para negar a existência do purgatório e que os santos estão nos céus, conforme narram as Sagradas Escrituras e proclama o Sagrado Magistéio da Igreja.
Para compreender essa realidade, é necessário esclarecer um aspecto que considero muito importante e que servirá como base ou fundamento para responder ao seu questionamento. Trata-se da compreensão das dimensões física e espiritual do ser humano, considerando que o homem é constituido de um corpo físico que é mortal e de uma alma espiritual que é imortal, dimensões estas que diferem o homem dos outros animais. Assim, a morte do homem é inerente ao seu corpo físico e não à sua alma espiritual.
São Paulo nos ensina que "está determinado que o homem morra uma só vez, e logo em seguida vem o juízo" (Hb 9,27). Esta afirmação de São Paulo nos leva a crer que logo após a morte do homem, o seu espírito é julgado e, a este primeiro julgamento, a Igreja denomina "JUIZO PARTICULAR".
Este JUIZO PARTICULAR se torna muito evidente quando Jesus afirma que "todo o que tiver pecado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, pecar contra o Espírito Santo de Deus, não alcançará perdão nem neste século, nem no século vindouro" (Mt 12,32), sendo tal pecado de caráter eterno (Mc 3,29), cujo perdão não será concedido (Lc 12,10).
Com efeito, quando Jesus afirma que o pecado contra o Espírito Santo de Deus não será perdoado nem neste século (primeiro julgamento, Juizo Particular), nem no outro (segundo julgamento, Juizo Universal, Juizo Final), está afirmando que há pecados que são perdoados depois do juizo particular, conseqüentemente, no Juizo universal que acontecerá no ultimo dia (Mt 25,31-46).
Assim, fica muito claro que haverá dois julgamentos, sendo o primeiro PARTICULAR, e o segundo UNIVERSAL (JUIZO FINAL). Esta mesma passagem das Sagradas Escrituras, dentre outras, deixa clara a existência do purgatório que os protestantes insistem em negar, mas que se constitui em um estado de purificação compreendido entre o juizo particular e o juizo universal, sem qualquer ponderação inerente ao fator tempo.
Aqui, abro um parêntese para, fugindo um pouco do objeto de estudo, uma vez que me referi à existência do purgatório, para melhor fundamentá-lo de acordo com as Sagradas Escrituras: "Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o ultimo centavo" (Mt 5,25-26). Aqui está, portanto, de maneira muito clara, a existência do purgatório !
Retrocedendo um pouco, quero fazer referência ao meu último colóquio neste tópico, quando me servi da passagem do Bom-ladrão que, crucificado ao lado de Jesus, reconhecendo os seus pecados, buscou a misericórdia do Senhor e obteve dele a seguinte resposta: "Em verdade te digo: hoje mesmo estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Diante dessa passagem, gosto muito de fazer a seguinte reflexão: Como poderia Dimas estar no Paraíso antes da ressurreição do ultimo dia? Esta passagem nos mostra de maneira ineqüívoca que os santos estão nos céus !
Como afirmei, fundamentado nas Sagradas Escrituras, que os santos estão nos céus, abro mais um parêntese para complementar esta verdade: Na passagem da Transfiguração do Senhor, Ele aparece GLORIFICADO junto com Moisés e Elias (Mt 17,1-9; Mc 9,2-13; Lc 9,28-36), o que deixa claro que se Moisés e Elias apareceram GLORIFICADOS com Jesus, é porque na terra não estavam. Convém lembrar, neste caso que, embora as Sagradas Escrituras descrevam com precisão o local da sepultura de Moisés, ninguem jamais a encontrou (Dt 34,5-6), e Elias foi arrebatado para os céus num turbilhão de fogo (2Rs 2,11).
Da mesma maneira, narra o Apocalipse de São João, que a Mãe de Jesus apareceu como um grande sinal no céu (Ap 12), e se Ela apareceu no céu, é porque na terra não está. Portanto, os santos estão nos céus !
Há ainda outra passagem que nos mostra com muita clareza essa realidade: "Pedro, então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós que me haveis seguido, estareis sentadosem doze tronos para julgar as doze tribos de Israel" (Mt 19,28).
Fica mais uma vez muito claro que os santos estão nos céus !
Diante do exposto, penso que a sua pergunta está respondida.
Mas aínda para deixar mais claro, nós, os Católicos, temos no Símbolo dos Apóstolos, também conhecido como Oração do Credo ou Profissão de fé, a grande resposta: "CREIO NA RESSURREIÇÂO DA CARNE" que acontecerá no ultimo dia, por ocasião do Juizo Final, o Juizo Universal, a Segunda Ressurreição (1Tes 4,13-18; Ap 20, 11-15).
Fiquemos com Deus !
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por bruninho em Sex Mar 05, 2010 5:10 pm

muito obrigado !
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Ralão em Sex Maio 14, 2010 3:05 pm

Boas,

Faz tempo que não venho ao site, contudo agora que tenho mais disponibilidade gostava de colocar esta questão:

"Retrocedendo um pouco, quero fazer referência ao meu último colóquio neste tópico, quando me servi da passagem do Bom-ladrão que, crucificado ao lado de Jesus, reconhecendo os seus pecados, buscou a misericórdia do Senhor e obteve dele a seguinte resposta: "Em verdade te digo: hoje mesmo estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Diante dessa passagem, gosto muito de fazer a seguinte reflexão: Como poderia Dimas estar no Paraíso antes da ressurreição do ultimo dia? Esta passagem nos mostra de maneira ineqüívoca que os santos estão nos céus !"

Mas Cristo não subiu aos Céus só na ascenção?
Cristo não desceu 1º aos infernos?

Alguém me pode ilucidar?

Cumprimentos,

Ralão
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Sab Maio 15, 2010 5:13 pm

Meu Caro Ralão,
Que bom tê-lo novamente no nosso fórum depois de algum tempo!
Esta passagem do Evangelho (Lc 23,43) nos mostra que Jesus, mesmo antes da sua ressurreição já estava nos céus. Como Ele mesmo afirmou "Eu e o pai somos um... Quem vê a mim vê o Pai", dentre outras afirmações que por hora não me recordo, acrdito que, sendo Ele o próprio Deus, estava (e está) tanto na terra quanto no céu.
A ascenção de Jesus aos céus foi um acontecimento que deu aos homens a noção real do que acontecerá no ultimo dia por ocasião de sua volta, quando acontecerá a ressurreição da carne. Entretanto, a ascenção não significa afirmar que Jesus não estava nos céus porque Ele é Deus e está em toda parte.
Se na cruz Ele afirmou para o bom ladrão que naquele mesmo dia estariam no paraíso, é porque na verdade estariam e, mesmo que não compreendamos como isso se sucedeu, aconteceu de fato.
Costumo afirmar que algumas passagens das Sagradas Escrituras que nos parecem incompreensíveis à luz da razão podem ser apreendidas à luz da fé. Sem fé é impossível agradar a Deus.
Para além desta citação, nas Sagrada Escrituras, Moisés e Elias aparecem conversando com Jesus no momento da sua transfiguração diante de Pedro, Tiago e João.
Em outra passagem, Jesus afirma para os seus doze apóstolos que eles estarão sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel por ocasião de sua volta.
Estas passagens comprovam que os santos estão nos céus.
Em relação à descida de Jesus aos infernos deve ter se constituido talvez em uma fração de tempo, visto que por ocasião de sua morte na cruz aconteceu que muitos mortos ressuscitaram, mesmo antes da ascenção de Jesus aos céus, como também, antes da ressurreição do ultimo dia.
Creio que devo ter contribuido de alguma maneira para a sua compreensão.
Que a paz do Senhor Jesus esteja sempre com você!
Um abraço !
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Maio 17, 2010 1:30 pm

Agora vejamos que há quem dê às palavras de Yeshua outra interpretação que não é menos válida.
Curiosidades:
(João 20, 17) Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.'»

A coisa não é assim tão simples, mas continua polémica até aos dias de hoje.

Está claro que os teólogos interpretam céu, como sendo a união com o Cristo, e isto dá para tudo.

Mais Cristo em Lucas 23,43 não falou de céu, mas de Paraíso, o que não é bem a mesma coisa.
Mais os dois pontos que lá são colocados não estavam no texto grego, pois nessa altura não se usava ainda pontuação.
Ora confirme a dita passagem neste site católico: http://www.bibliacatolica.com.br/11/49/23.php
Pode também consultar o texto em grego: http://dubitando.no.sapo.pt/nt_gr.htm
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Maio 18, 2010 7:40 am

Quanto à expressão «Cristo desceu aos "infernus" (Hades/Xeol)» está bem exposta pelo Pe. Anderson e que julgo correcta e imparcial.
Veja a abertura deste tema.

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/catecismo-f9/cristo-desceu-aos-infernos-t681.htm?sid=46797ca0efce5b553f62b0f59825c4f6#5844

Quanto à expressão «Jesus abriu as portas do céu» é metafórica.
O que Yeshua fez foi ganhar a salvação para a Humanidade.
A «Humanidade» estava irremediavelmente perdida devido ao pecado de Adão אדם, perdendo o direito à vida (eterna).
Cristo abriu a toda a humanidade as portas para essa vida (eterna) ao pagar o preço devido ao pecado.
Desta forma, reconciliou-nos com YHWH-DEUS.
Penso que é isso o que o povo quer dizer ao «abrir as portas do céu».

Mas muitas vezes usa-se essa expressão com um sentido supersticioso:
Por exemplo: «Hoje S. Pedro vai mandar muita chuva do céu», etc. etc.
É necessário saber distinguir as verdades espirituais dos mitos culturais.
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Maio 18, 2010 8:04 am

Quanto ao juízo particular e ao juízo universal tocado neste link:
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/catecismo-f9/cristo-desceu-aos-infernos-t681.htm#6034

Para quê dois juízos?!
Será que YHWH-DEUS vai mudar, no primeiro condena e no 2º perdoa ou vice-versa?
Eu vejo que esse chamado juízo particular de YHWH serve para escolher os «eleitos» que são muito poucos dentre os muitos chamados e dá-se logo após a morte das pessoas. Os eleitos são os mencionados no cap. 20 de Apocalipse e que vão ter direito à 1ª ressurreição.
Quanto aos outros, menos venturosos que os primeiros, serão julgados no juízo final aquando da ressurreição global e está simbolicamente relatada no final desse mesmo cap. 20 de Apocalipse. Cada um receberá segundo as suas obras e os que não têm os seus nomes escritos no livro da vida tem a sua quinhão no simbólico lago de fogo.

Quanto ao «céu», «inferno» e «purgatório» dos teólogos da ICAR referem-se a diferentes graus da relação dos homens com DEUS. «Céu» será a comunhão total com Deus; «Purgatório» será uma comunhão parcial e «Inferno» será a ausência total de Deus. Mas estes termos fogem ao significado usado na Bíblia. Os teólogos com a sua deficiência verbal usaram os termos de «céu» e «inferno» usados na Bíblia, com significado bem diferente, e inventaram o termo teológico de «purgatório».
Quanto a fundamentar esses ensinos na Bíblia é polémico e foram buscar o que melhor lhes parecia que se aproximava analogicamente.
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Ralão em Ter Maio 18, 2010 2:40 pm

Boas,

"Esta passagem do Evangelho (Lc 23,43) nos mostra que Jesus, mesmo antes da sua ressurreição já estava nos céus. Como Ele mesmo afirmou "Eu e o pai somos um... Quem vê a mim vê o Pai", dentre outras afirmações que por hora não me recordo, acrdito que, sendo Ele o próprio Deus, estava (e está) tanto na terra quanto no céu."

Caro Flávio antes demais agradeço a gentileza das suas palavras.

Quanto ao tema julgo que a sua interpretação faz sentido.
De facto se Jesus é Deus na trindade, podia-se encontar no paraiso com o bom ladrão.

Agradecido,

José Ralão
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 7:32 am

Não mostra não senhor. Afirmação sem fundamento lógico.

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Lc+23#43

Mas Cristo como tem a possibilidade (ubiquidade) de estar em vários sítios ao mesmo tempo podemos dizer que isso é possível.

http://pt.wiktionary.org/wiki/ubiquidade

Então há bons ladrões?! Curioso!
Se começar a roubar talvez me chamem de «BOM LADRÃO»!
Coisas das tradições, sem sentido.
========
Quanto ao facto mencionado
aqui (clique para confirmar) de que os mortos estão como que adormecidos tem fundamento biblico, não é apenas especulação).
Ora consulte a Bíblia no Antigo Testamento.
Eis algumas passagens:

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Ecl+9#5

5Os que estão vivos sabem que hão-de morrer,
mas os mortos não sabem nada,
nem para eles há ainda retribuição,
pois a sua lembrança foi esquecida.
6O seu amor, ódio e inveja pereceram juntamente com eles;
e nunca mais terão parte
em tudo quanto se faz debaixo do céu.

10Tudo o que a tua mão possa fazer,
fá-lo com todas as tuas faculdades,
pois na região dos mortos para onde irás,
não há trabalho nem inteligência, não há ciência nem sabedoria.
Obs. a região dos mortos é traduzida na vulgata por inferos, «inferno».

http://www.bibliacatolica.com.br/09/25/9.php (veja o versículo 10)

quodcumque potest manus tua facere instanter operare quia nec opus nec ratio nec scientia nec sapientia erunt apud inferos quo tu properas
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 8:05 am

Esclarecimento acerca do que o Sr. «Flávio Roberto Brainer de» disse
no link:
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/catecismo-f9/cristo-desceu-aos-infernos-t681.htm#6034

que transcrevo

Há ainda outra passagem que nos mostra com muita clareza essa realidade: "Pedro, então, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? Respondeu Jesus: Em verdade vos declaro: no dia da renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da glória, vós que me haveis seguido, estareis sentadosem doze tronos para julgar as doze tribos de Israel" (Mt 19,28).

É certo que Yehshua já está sentado no trono da glória, mas ainda não chegou o dia da renovação do mundo.
Logo é forçada, e muito, a utilização desta passagem para semelhantes conclusões.
Os 12 tronos de Mateus,19, 28 http://www.paroquias.org/biblia/?c=Mt+19
em que os 12 Apóstolos irão julgar as 12 tribos de Israel ainda não estão necessáriamente a funcionar, mas estarão no tempo mencionado em Apocalipse 20,4-6 http://www.paroquias.org/biblia/?c=Ap+20.
Há lá mais tronos além dos 12 (simbolicamente 24 tronos)
http://www.paroquias.org/biblia/?c=Ap+4 (Apocalipse 4,4)

Suponho que os outros 12 são para os «santos» oriundos do paganismo julgarem (reinando) os não israelitas (pagãos: as nações), durante esse tempo.

Nessa altura Satanás não tem poder (nem de enganar) as nações porque vai ficar simbolicamente acorrentado, durante esse periodo, que ainda não chegou.
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qua Maio 19, 2010 8:28 am

A afirmação tem fundamento lógico e teológiso, Sr. Manoel.
O que não tem lógica é o Senhor afirmar crer em Jesus negando a sua palavra!
Se Cristo disse ao bom ladrão que naquele mesmo dia estaria com ele no paraízo, é porque realmente estaria.
Se Cristo afirmou que no julgamento final os seus apóstolos estarão sentados em doze tronos para proceder ao julgamento, é porque estarão.
Seria até mesmo cômico afirmar que o "bom ladrão" está no paraíso desde o dia de sua morte enquanto que os apóstolos estarão, de acordo com sua "suposição", somente no dia "D".
A Palavra de Cristo é a verdade!
Só Ele tem palavras de vida eterna!
Quanto ao termo "Bom Ladrão", isso não é coisa sem sentido e não é somente da tradição apostólica, mas é uma alusão a um ladrão que, ao humilhar-se confessando o seu pecado, foi justificado por Cristo e recebeu a promessa do paraíso naquele mesmo dia (conforme narram as Sagradas Escritruras).
É bom ressaltar que naquele momento havia outro ladrão que sem humildade, num comportamento antagônico ao primeiro, blasfemava, apesar de ter ao seu lado Aquele que o poderia salvar.
O termo "bom ladrão" é utilizado para distinguir o primeiro do segundo, sem qualquer intenção de referendar o roubo. Basta ter o mínimo de sensatez para comreender esta realidade. É como o Senhor costuma afirmar: "Só não vê quem quer!"
Prefiro confiar na Palavra de Cristo e não na de qualquer pessoa anátema que quer se sobrepor à Palavra de Cristo!
Fiquemos na paz do Senhor Jesus...
...E PERMANEÇAMOS NA SUA PALAVRA!
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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Maio 19, 2010 11:42 am

Eu nunca afirmei que o chamado «bom ladrão» (o que mostrou arrependimento) esteve no céu ou mesmo no paraíso com Yeshua nesse mesmo dia.
A expressão de Yeshua no grego é ambígua e polémica.
Mas o que interessa é o que o «malfeitor» arrependido compreendeu e não o que os teólogos querem demonstrar sem fundamento firme.

Quanto aos 12 tronos nem sequer há ambiguidade quanto ao tempo.
Nada diz na escritura que seria de imediato, mas «no dia da renovação do mundo» como o Sr. Flávio muito bem citou (Mateus 19,28) e que eu repito citando outra tradução: a tradução dos Capuchinhos: http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Mt+19,28
28*Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel
Neste texto, como no citado por si, vemos que o dia da regeneração de todas as coisas ainda não chegou, pelo que a sua conclusão foi inadvertida e ilógica.

Voltando ao caso do malfeitor arrependido e suplicante, a resposta de Yeshua que é traduzida para as bíblias de hoje é mesmo polémica, embora isso talvez não seja do conhecimento do Senhor Flávio. Eu já li comentários a defender ambas as interpretações e chego à conclusão que nada fica esclarecido quanto a esse assunto, pelo que confesso a minha ignorância.

Olhe aqui uma outra visão num site espírita: http://www.forumespirita.net/fe/o-evangelho-segundo-o-espiritismo/em-verdade-te-digo-hoje-estaras-comigo-no-paraiso/

Não fique agora a pensar que eu sou espirita:
Veja agora um site não espirita: http://torahweb.forumbrasil.net/assunto-geral-f7/te-digo-hj-estara-comigo-no-paraiso-t206.htm

As chamadas «Testemunhas de Jeová» e os «Adventistas do 7º dia» também interpretam diferente da maioria dos outros cristãos.

Na verdade a expressão de Yeshua admite ambas as interpretações, por isso não serve para provar NADA acerca do tempo.

Portanto, a minha suposição quanto ao tal dia (era) «D» (que não sei quando é, pois não foi suficientemente revelada) está mais correcta que a tradicionalmente defendida pelos magnânimos da ICAR (Igreja Católica ROMANA).

Sim o Senhor tem razão. «A palavra de Cristo é a verdade», mas não ponha na boca do Cristo o que ELE não disse realmente.

Sim, o Senhor tem razão: «Só ELE (Cristo) tem palavras de Vida eterna»; e não a tradição da ICAR; embora isso até pareça lógico.
O termo «bom» em vez de «arrependido» também pode trazer tradicionalmente uma carga psicológica de sedução propositada.
Não me refiro a si, que é vitima da tradição, mas ao passado cuja cultura chegou aos nossos dias.
Mesmo neste campo devemos estar devidamente VIGILANTES, para não cairmos em erros que realçam o secundário para nos distrair do que é verdadeiramente essencial e que é a SALVAÇÃO. Não queiramos pôr o «mito» no lugar da verdade, como fazem com as criancinhas com o pai natal etc.

http://www.paroquias.org/biblia/index.php?c=Heb+5,11-14

11Temos muitas coisas a dizer sobre isto e coisas difíceis de explicar por palavras, porque vos tornastes lentos para compreender. 12*Pois, vós, que há muito tempo devíeis ser mestres, precisais ainda de alguém que vos ensine os primeiros rudimentos das palavras de Deus e tornastes-vos necessitados de leite, em vez de comida sólida. 13Ora, o que se alimenta de leite é incapaz de entender a doutrina da justiça, pois é uma criança.
14A comida sólida, porém, é para os adultos, para os que têm já exercitadas, pela prática, as faculdades de distinguir o bem do mal.
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Manuel Portugal Pires

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Re: Cristo desceu aos Infernos

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Jun 02, 2010 5:26 pm

Caros amigos,

Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar por nao poder ter usado o fórum nessas ultimas duas semanas. Estava numa paróquia no sul da Itália onde não havia internet. Sobre as questões discutidas aqui gostaria de colaborar com alguns pontos.

Em relação às palavras de Jesus na cruz ao ladrão arrependido:

"Em verdade te digo: hoje mesmo estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43).”
“kai eipen autw o ihsouV amhn legw soi shmeron met emou esh en tw paradeisw”.

Nós já explicamos aqui esse texto e o tema da morte de Jesus. Em primeiro lugar, diz a fé crista que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Se é assim, ele tem uma verdadeira natureza divina (consubstancial ao Pai) e uma verdadeira natureza humana (consubstancial a nós homens). Uma verdadeira natureza humana significa que ele havia um verdadeiro corpo e uma verdadeira alma. Dessa forma, na única pessoa de Jesus Cristo, “o Verbo de Deus que se fez carne e veio habitar em meio a nós” (Cfr. Jo 1) há um verdadeiro corpo, uma verdadeira alma humana, uma verdadeira divindade.

Como entender a morte de Jesus? A morte é sempre a separação de corpo e alma. Foi isso que aconteceu com o Senhor. Dessa forma, da sexta feira santa até o final do sábado santo aconteceu com o Senhor o seguinte: o seu corpo estava no sepulcro; a sua alma desceu aos infernos, onde ele “foi a pregar aos espíritos que estavam detidos no cárcere”. Nisso consiste sua morte, na separação do corpo e da alma. E a divindade de Jesus? Onde estava? A divindade, enquanto tal, é sempre onipresente. Dessa forma, a divindade estava tão unida ao corpo quanto à sua alma. Nesse sentido, faz todo sentido a afirmação do Senhor que o Flávio lembrou aqui: "Eu e o pai somos um... Quem vê a mim vê o Pai."

A afirmação da presença do Senhor nos infernos está explicita na carta de São Pedro:

1 Ped, 18-20 Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água.
1 Ped 4,6-8: "Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito. O fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados" (Pr 10,12).

Esses textos mostram de maneira evidente que os mortos estavam nos “Infernos” (expressão que nós já explicamos) de maneira consciente. Os protestantes negam esse estado de consciência das almas separadas do corpo baseados somente no texto:

“Os que estão vivos sabem que hão-de morrer,mas os mortos não sabem nada, nem para eles há ainda retribuição, pois a sua lembrança foi esquecida. O seu amor, ódio e inveja pereceram juntamente com eles; e nunca mais terão parte em tudo quanto se faz debaixo do céu. Tudo o que a tua mão possa fazer, fá-lo com todas as tuas faculdades, pois na região dos mortos para onde irás, não há trabalho nem inteligência, não há ciência nem sabedoria.” (Ecl. 9)

Esse texto deve ser compreendido dentro do contexto desse livro particular da Bíblia (que é belíssimo). Esse livro parece ser o primeiro livro existencialista da literatura mundial. O autor vai fazendo reflexões, guiado pelo Espírito Santo, sobre a vida do homem sobre essa terra. Faz essas reflexões de maneira bem livre e despreocupado, de forma que parecem que há algumas contradições nesse livro. Em outro momento posso expor melhor esse tema; mas adianto que, ler um versículo isoladamente, fora do contexto do próprio livro e fora do ensinamento de toda a Bíblia, é um absurdo, ao qual, infelizmente, muitos caem.

Aliás sabemos que o livro de Eclesiastes está no Antigo Testamento, quando não havia chegado ainda a plenitude da Revelação com Cristo. Tudo o que diz esse livro é verdade, mas dentro do plano de salvação de Deus. Significa que, naquele ponto da história, Deus ainda não tinha se revelado plenamente e, alguns pontos, ainda não tinham sido completamente esclarecidos.

Com a vida e o ensinamento de Cristo, temos a perfeita compreensão da morte. Sabemos que as pessoas depois da sua morte, permanecem em estado consciente, com suas almas separadas do corpo, à espera da ressurreição dos mortos, que se dará no ultimo dia. De onde baseamos essa afirmação? Em muitos textos do Novo Testamento. Na parábola de Lázaro e do rico, onde Jesus nos diz que o Rico conhece a sua triste situação e pede a Abraao para retornar à casa e avisar aos seus irmãos da sua triste situação, a fim de que esses se convertam. Na outra vida, esse rico reconhece a Lázaro, que estava no seio de Abraao, e que na terra esperava as migalhas caídas da mesa do próprio rico. Outros textos:

Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3,6)? Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados. (Marco (12, 25-27)

São Paulo quando se despede dos seus, dizendo que não iria em direção à morte, mas em direção à Cristo.

Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição. (2Timóteo 4, 6-8)

A partir desses ensinamentos, a morte não é vista mais como um lugar triste, sem sentido, em que se está inconscientemente. Mas é um momento necessário para o definitivo encontro com Cristo.

Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus. (Romanos 6, 3-11)

Por tudo isso diz o nosso Catecismo:

632 As freqüentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus "ressuscitou dentre os mortos" (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados.

Portanto, como resposta à questão do ladrão arrependido: Cristo disse que “hoje” mesmo o ladrão estaria com Cristo no paraíso e isso é absolutamente verdadeiro. Evidentemente, o ladrão não poderia estar com o corpo e a alma de Cristo no paraíso naquele mesmo dia, poiso seu corpo passou o sábado santo no sepulcro e a sua alma passou nos “Infernos”, mas a divindade do Senhor esteve sempre no Paraíso, assim como no sepulcro e nos Infernos, devido ao fato que a divindade é sempre onipresente.

Quanto à pergunta do Bruninho:

“Se tem em alguma passagem onde diz que Jesus abriu as portas do Céu ?”

Lembramos que Cristo "detém a chave da morte e do Hades" (Ap 1,18), e "ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos" (Fl 2,10).

Quanto a afirmação do senhor Flávio:

“Em relação à descida de Jesus aos infernos deve ter se constituido talvez em uma fração de tempo, visto que por ocasião de sua morte na cruz aconteceu que muitos mortos ressuscitaram, mesmo antes da ascenção de Jesus aos céus, como também, antes da ressurreição do ultimo dia.”

Eu só acrescentaria que, segundo Santo Tomás de Aquino, Cristo (a sua alma) passou nos “Infernos” o mesmo tempo que passou o seu corpo no sepulcro (a tarde de sexta-feira e o dia de sábado). Qual o motivo disso? Por que assim Jesus cumpria o descanso sábatico, da mesma forma que Deus descansou no sétimo dia da criação. Dessa forma, com a morte e ressurreição de Cristo se inicia uma nova criação e, ao mesmo tempo, Jesus cumpria em plenitude a Lei mosaica, dando a essa o seu definitivo sentido.

Sobre o que disse o senhor Manuel:

“Mais Cristo em Lucas 23,43 não falou de céu, mas de Paraíso, o que não é bem a mesma coisa.”

Nós já explicamos em outro lugar, de acordo com o nosso amado Papa, que o Céu não indica um lugar superior por cima das estrelas, mas sim a vida do homem em Deus. “O ser do homem em Deus, isso é o Céu”, afirmava o Papa. Dessa forma o Céu é o lugar de uma vida em perfeita amizade, de perfeita comunhão com Deus. Esse estado de amizade, de graça, de comunhão com Deus, no livro do Gênesis, é descrito com a imagem do Paraíso. Dessa forma, Céu e Paraíso significam a mesma coisa: a comunhão perfeita do homem com Deus, através de Cristo. O Paraíso é a vida eterna com Cristo, por isso Jesus disse: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”. Esse “hoje” de Jesus Cristo significa o dia eterno do homem salvo, redimido pelo amor pessoal de Cristo.

Sobre a seguinte afirmação do senhor Manuel:

“Quanto à expressão «Jesus abriu as portas do céu» é metafórica. O que Yeshua fez foi ganhar a salvação para a Humanidade.”

Certamente a expressão “portas do Céu” é metafórica, visto que Céu não indica um lugar, mas sim um estado de comunhão com Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Essa imagem de “porta” foi também usada pelo Senhor em outra parábola: a parábola do Bom Pastor:

“Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.” (João 10, 7-10)

De acordo com esse texto, podemos dizer não somente que Jesus abriu as portas do Céu, mas sim que Ele mesmo é a porta do Céu! Quem não passa por ele, não entra nos Céus! Que significa isso? Significa que nele, na sua mesma pessoa, se realiza a essência do Céu: Ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O homem entra no Céu ao entrar nele, ao receber em si a mesma vida divina de Jesus, pela graça. Dessa forma, o homem entra em comunhão com Ele, com Deus mesmo, passa pela porta, se une a Deus.

Manuel: “Mas muitas vezes usa-se essa expressão com um sentido supersticioso: Por exemplo: «Hoje S. Pedro vai mandar muita chuva do céu», etc. etc.”

Essa afirmação é uma expressão popular que mostra bem o espírito cristão do ótimo povo português. Não tem nada de supersticioso, pois superstição significa atribuir um valor divino (ou mágico) a um objeto humano.

Essa expressão desse amado povo cristão faz referencia à expressão de Jesus nos Evangelhos a São Pedro: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mateus 16, 18)

O povo simples e cristão entende essa afirmação como São Pedro participando do mesmo poder de Cristo, o Rei do Reino dos Céus. E Cristo é Deus verdadeiro, verdadeiramente criador com o Pai e com o Espírito Santo (pois todas as obras ad extra da Trindade são obras das três pessoas divinas). Se São Pedro participa do poder de Cristo, pode nos ajudar, pode interceder por nós para nos mandar chuva. Lembremos também do profeta Elias que rezou a Deus pedindo a seca em Israel (que adorava a Baal, o deus da fertilidade,das chuvas) e ficou 3,5 sem chover em Israel. Depois desse tempo, ele pediu a Deus a chuva e essa caiu sobre a terra.

Manuel: Para quê dois juízos?!
Será que YHWH-DEUS vai mudar, no primeiro condena e no 2º perdoa ou vice-versa?

Para responder a essa pergunta (que reflete uma grande ignorância da fé católica) citamos o texto do Catecismo da Igreja Católica:

1021 A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.

1022 Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre.
“No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor.” (São João da Cruz)

1038 A ressurreição de todos os mortos, "dos justos e dos injustos" (At 24,15), antecederá o Juízo Final. Este será "a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,28-29). Então Cristo "virá em sua glória, e todos os anjos com Ele. (...) E serão reunidas em sua presença todas as nações, e Ele há de separar os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e por as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. (...) E irão estes para o castigo eterno, e os justos irão para a Vida Eterna" (Mt 25,31-33.46).

1039 É diante de Cristo - que é a Verdade - que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus. O Juízo Final há de revelar até as últimas conseqüências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrestre.

1040 O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua
providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte.

1041 A mensagem do Juízo Final é apelo à conversão enquanto Deus ainda dá aos homens "o tempo favorável, o tempo da salvação" (2Cor 6,2). O Juízo Final inspira o santo temor de Deus. Compromete com a justiça do Reino de Deus. Anuncia a "bem-aventurada esperança" (Tt 2,13) da volta do Senhor, que “virá para ser glorificado na pessoa de seus santos e para ser admirado na pessoa de todos aqueles que creram (2Ts 1,10). (Parágrafos relacionados 1432,2854)

Manuel: “Quanto ao «céu», «inferno» e «purgatório» dos teólogos da ICAR referem-se a diferentes graus da relação dos homens com DEUS. “

Em primeiro lugar, tenho que reconhecer que esse apelido que o senhor Manuel dá à Igreja Católica é para mim uma grande novidade (e seguramente será para todos os católicos). Nós chamamos a nossa Igreja de Católica, Apostólica e Romana. Católica porque é universal, está em todo o mundo e porque possui a plenitude dos meios necessários para a salvação.

Apostólica porque está fundamentada sobre a fé dos Apóstolos. A Igreja recebeu o “sagrado depósito” de Cristo (expressão de São Paulo na carta a Timóteo). A esse depósito sagrado entregado nós chamamos “Tradição”. A tradiçao, como nós já explicamos no nosso fórum não é aquilo que Jesus condenou no capítulo 15 de Mateus. Nesse capítulo ele condenou as tradições dos fariseus (forma de lavar copos, vasilhas, as mãos antes de comer etc). Quando a Igreja Católica diz que tem por regra da fé a Tradição, (juntamente com a Sagrada Escritura na sua integridade e com o serviço do Magistério), não está se referindo à forma de lavar copos e vasilhas. Mas a “Tradição” que é a base da nossa fé é, essencialmente, a pregação oral de Cristo aos seus Apóstolos (com suas instituições próprias) e o modo com o qual Cristo interpretava o Antigo Testamento. Tudo isso forma o único depósito da nossa fé.

“Romana”: porque na cidade de Roma deram testemunho de Cristo, com sua morte, os Apóstolos Pedro e Paulo. A partir de então, os sucessores desses dois grandes Apóstolos na cidade de Roma passaram a conduzir a cristandade como “vigários de Cristo”. A prova disso é que todos os hereges, todos os personagens importantes que se rebelaram contra a Igreja na sua bimilenar história, antes de se rebelar e se separar da Igreja, acudiram em algum momento ao Papa de Roma, esperando dele a aprovação das suas “genialidades” não descubertas pelo imenso número de cristãos presentes no mundo inteiro. Como o Papa não aprovava algumas doutrinas (em geral, em comunhão com o episcopado mundial) esses senhores “iluminados” se rebelaram e preferiram sair da Igreja. A história nos ensina a mesma lição em todos os séculos.

Recordamos também que a Igreja Católica não é uma “religião do livro”. É sim a religião da Palavra, ou seja, da “Palavra de Deus que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Cristo é a verdadeira Palavra de Deus. Uma parte dos ensinamentos da “Palavra” única de Deus (Cristo) foi colocada por escrito pelos Apóstolos e seus estreitos colaboradores. Essa parte é a Sagrada Escritura, que contém somente a verdade da fé, mas que não contem todos os ensinamentos sobre Deus. Tudo o que diz a Bíblia sobre Deus é verdade. Mas nem tudo o que Deus é, está escrito na Bíblia. Na Bíblia está escrito tudo o que é necessário à nossa salvação. Mas não toda a verdade de Deus está contida na Bíblia. Está sim contida em Cristo, que é um com o Pai.

Manuel: «Céu» será a comunhão total com Deus; «Purgatório» será uma comunhão parcial e «Inferno» será a ausência total de Deus. Mas estes termos fogem ao significado usado na Bíblia. Os teólogos com a sua deficiência verbal usaram os termos de «céu» e «inferno» usados na Bíblia, com significado bem diferente, e inventaram o termo teológico de «purgatório».
Quanto a fundamentar esses ensinos na Bíblia é polémico e foram buscar o que melhor lhes parecia que se aproximava analogicamente.”

Essas afirmações do senhor Manuel representam doutrinas novas para mim. Eu não as conhecia assim. Mas como sempre, é a coisa mais lógica do mundo que um não católico conheça melhor a doutrina católica que os próprios católicos. Há uma infinidade de sites na internet, feitos por não católicos, explicando aos católicos o que eles crêem. Evidentemente esses explicam para criticar. Na verdade vemos que esse criticam, com boas razoes, a doutrinas que eles mesmos inventaram e atribuíram aos católicos.

E o que é realmente o Céu, o Purgatório e o Inferno, segundo a doutrina católica. Isso já foi explicado no nosso site um grande número de vezes, basta procurar um pouco que um é capaz de encontrar as respostas. Mas, para facilitar as buscas, explicamos mais uma vez o de sempre, com as palavras do Catecismo:

Céu:

1023 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem “tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12)
Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. 1025 Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá conservam - ou melhor, lá encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.

1026 Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bemaventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.

Purgatório:
1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.

1031 A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador. No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.

Inferno:
1033 Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido ele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo- Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bemaventurados que se designa com a palavra "inferno".

1034 Jesus fala muitas vezes da "Geena", do "fogo que não se apaga", reservado aos que recusam até o fim de sua vida crer e converter -se, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo[a27] . Jesus anuncia em termos graves que "enviar seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha ardente" (Mt 13,41-42), e que pronunciar a condenação: "Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!" (Mt 25,41).

1035 O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

1036 As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno. Constituem também um apelo insistente à conversão: "Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. E poucos são os que o encontram" (Mt 7,13-14).

1037 Deus não predestina ninguém para o Inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim. Na Liturgia Eucarística e nas orações cotidianas de seus fiéis, a Igreja implora a misericórdia de Deus, que quer "que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se" (2Pd 3,9)

Bom creio que com isso todas as questoes aqui apresentadas foram suficientemente respondidas. Podemos continuar a discussao até o infinito, mas creio que nao seja realmente necessário. Por isso, fechamos o tópico. Se algum tema relacionado com o presente precisar ainda de explicaçao, abram um novo tópico. Se algo sobre o que foi dito aqui precisar ainda algum esclarecimento, por favor, nos envie por mensagem privada. Se a pergunta for pertinente, será respondida adequadamente. Mas sinceramente, creio que tudo o que precisava ser respondido foi respondido aqui. Mas estamos sempre à disposiçao.

Grande abraço e que o Senhor abençoe a todos.
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