Quem somos nós?
Quem tem boca vai a Roma! :: Doutrina Católica :: Teologia Católica: "fides quaerens intellectum" (a fé que busca compreender).
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Quem somos nós?
Uma pergunta que costuma ecoar em minha cabeça e na de outros...
QUEM SOU EU???
não sei se vale a pena falar aqui, mas...
abraços
QUEM SOU EU???
não sei se vale a pena falar aqui, mas...
abraços

João- Mensagens: 85
Data de inscrição: 02/09/2008
Idade: 21
Localização: Petrópolis, RJ (São Cristóvão)
Re: Quem somos nós?
o joão...
Brincadeirinha....rs....
Brincadeirinha....rs....
_________________
Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer!!!

alessandro- Tira-dúvidas oficial
- Mensagens: 751
Data de inscrição: 16/08/2008
Re: Quem somos nós?
Oi João,
Interessante você fazer esta pergunta na parte de Filosofia... Alguns filósofos dizem que a grande pergunta da filosofia, por trás de todas as outras, é "o que é o homem".
Isso traduz-se de diversas formas. A Ética, por exemplo, responderia à pergunta sobre o que o homem deve ou não fazer. A Epistemologia, por sua vez, nos responderia sobre o que o homem pode conhecer.
Portanto, vê-se logo que não há uma resposta definitiva e que abranja todos os aspectos da pergunta "quem somos nós". Entre animal racional e imagem de Deus, existem várias outras definições que preocupam-se com aspectos específicos da existência humana.
Uma reflexão que gosto muito, de uma autora chamada Hanna Arendt, é que o homem é um ser inacabado. Como diria uma professora minha, é como se Deus tivesse criado todas as outras coisas inteiras, mas criou o homem pela metade, encarregando-o de terminar sua própria criação, de dizer de si mesmo.
Por isso, cabe a cada um de nós responder, ao seu modo, à pergunta que não quer calar: "Quem sou eu?"
Abraços,
Interessante você fazer esta pergunta na parte de Filosofia... Alguns filósofos dizem que a grande pergunta da filosofia, por trás de todas as outras, é "o que é o homem".
Isso traduz-se de diversas formas. A Ética, por exemplo, responderia à pergunta sobre o que o homem deve ou não fazer. A Epistemologia, por sua vez, nos responderia sobre o que o homem pode conhecer.
Portanto, vê-se logo que não há uma resposta definitiva e que abranja todos os aspectos da pergunta "quem somos nós". Entre animal racional e imagem de Deus, existem várias outras definições que preocupam-se com aspectos específicos da existência humana.
Uma reflexão que gosto muito, de uma autora chamada Hanna Arendt, é que o homem é um ser inacabado. Como diria uma professora minha, é como se Deus tivesse criado todas as outras coisas inteiras, mas criou o homem pela metade, encarregando-o de terminar sua própria criação, de dizer de si mesmo.
Por isso, cabe a cada um de nós responder, ao seu modo, à pergunta que não quer calar: "Quem sou eu?"
Abraços,

Thales- Tira-dúvidas oficial
- Mensagens: 252
Data de inscrição: 08/08/2008
Localização: Petrópolis

Quem somos nós?
Caro João,
Sua pergunta é muito boa, digamos que essa é a grande pergunta humana. Já que o Thales te deu uma resposta filosófica, tentarei te dar aqui uma resposta mais teológica.
Segundo a Sagrada Escritura, o homem (cada homem em particular) é "imagem e semelhança de Deus". Como entender essa afirmação? Te darei a resposta dada por J. Ratzinger.
Segundo ele, a Filosofia cristã parte de um pressuposto que a filosofia grega não tinha. O Deus Criador é um Deus-Trindade. Por isso, tudo o que é feito por Deus tem sua imagem, é feito à imagem do Deus Trino. Isso está de acordo com o princípio filosófico clássico: "o agir segue ao ser". Nossa Metafísica está pois marcada pela referencia Trinitária.
Se perguntarmos para a Teologia quem é o Deus Trinitário veremos o seguinte: Deus é Pai, quer dizer é um ser todo para o Filho, que se entrega totalmente, desde a eternidade ao seu Filho. Esse é o amor de Deus (entrega pessoal e absoluta ao Deus Filho). Por isso podemos chamar a Deus Pai de "SER-PARA".
Deus Filho: é o Deus desde o Pai, que recebe seu ser desde a eternidade do Pai e se entrega totalmente ao Pai. Deus Filho é essencialmente, desde toda a eternidade uma "SER-DESDE", ser desde o Pai.
Da entrega mútua do Pai ao Filho e do Filho ao Pai surge o Deus Espírito Santo, que é o amor eterno e fecundo de Deus Pai ao Filho e do Filho ao Pai. O Deus Espírito Santo é pois o SER-COM, o ser com o Pai e com o Filho, desde toda a eternidade.
Assim, o Deus Trino é um SER-PARA, um SER-DESDE e um SER-COM. E o homem? O homem é imagem e semelhança do Deus Trindade. Por isso o homem é um ser desde Deus (criado), para Deus (essa é sua vocação última), e um ser que só se realiza com Deus e com os demais (o homem é pois por natureza um ser social).
Por isso o homem passa toda sua vida tentando responder a tres perguntas: Para onde vou? (ser-para) De onde venho? (ser-desde) e com quem estou nesse mundo? (ser-com). De aí que o homem só encontra sossego quando consegue dar uma resposta adequada a essas tres perguntas, que são as perguntas essenciais da vida do homem.
Caro João, creio que isso responde a sua pergunta: quem sou eu? Sou imagem e semelhança do Deus Uno e Trino; sou um ser nascido de Deus, que me encaminho para Deus na companhia de Deus.
Um grande abraço e que Deus te abençoe.
Última edição por Pe. Anderson em Sab Mar 06, 2010 5:29 am, editado 4 vez(es)

Pe. Anderson- Admin
- Mensagens: 952
Data de inscrição: 10/09/2008
Idade: 31
Localização: Roma
huuuum...
Olá.
Tudo bem?
De fato são as questões fundamentais da vida do homem que pensa sobre sua própria existência.
Realmente esclarecedor, apesar de não ter postado eu também estava de olho na resposta.
E que resposta!
Obrigada.
Mas então, esse seria o eu-em-si, e o eu-no-mundo?
Fiquem com Deus
Tudo bem?
De fato são as questões fundamentais da vida do homem que pensa sobre sua própria existência.
Realmente esclarecedor, apesar de não ter postado eu também estava de olho na resposta.
E que resposta!
Obrigada.
Mas então, esse seria o eu-em-si, e o eu-no-mundo?
Fiquem com Deus

Rafaela Botelho- Acolhedora
- Mensagens: 530
Data de inscrição: 03/10/2008
Re: Quem somos nós?
Na minha humilde opinião, este tópico gerou as duas respostas mais interessantes do fórum até agora!! (estou falando da do anderson e do Thales...embora a minha tb seja interessante..

Última edição por alessandro em Qua Out 08, 2008 3:20 pm, editado 1 vez(es)
_________________
Só vale a pena viver pelo que vale a pena morrer!!!

alessandro- Tira-dúvidas oficial
- Mensagens: 751
Data de inscrição: 16/08/2008
....caraca.....
Concordo plenamente com o Alessandro, e paralelamente a isso, pode-se fundir aqui o tópico que nasceu com o nome ponto de felicidade.... a vocação, o chamado, o que devo fazer, vontade de Deus... tudo se resume a essas duas explicações... simplesmente fantástico...

Binhokraus- Moderadores
- Mensagens: 738
Data de inscrição: 26/09/2008
Idade: 31
Localização: Petrópolis
Re: Quem somos nós?
CARACA!!!
Concordo com o Alessandro!!!
Nem precisa de comentário...
abraços
Concordo com o Alessandro!!!
Nem precisa de comentário...
abraços

João- Mensagens: 85
Data de inscrição: 02/09/2008
Idade: 21
Localização: Petrópolis, RJ (São Cristóvão)
Re: Quem somos nós?
Caros amigos,
Gostaria de reanimar esse tópico. Deixarei aqui uma explicaçao desse tema dada pelo nosso querido Papa. Foi um discurso feito no Seminário de Roma, em 20 de fevereiro de 2009. Deixo aqui para que seja meditado, e, se possível, comentado. Muito interessante é como o Papa trata aqui do tema da liberdade humana.
"Senhor Cardeal
Caros amigos
Para mim é uma grande alegria estar no meu Seminário, ver os futuros sacerdotes da minha diocese, estar convosco no sinal de Nossa Senhora da Confiança. Com Ela que nos ajuda e nos acompanha, que nos dá realmente a certeza de ser sempre ajudados pela graça divina, vamos em frente!
Agora, queremos ver o que nos diz São Paulo com este texto: "Fostes chamados para a liberdade". A liberdade, em todos os tempos, foi o grande sonho da humanidade, desde o início, mas particularmente na época moderna. Sabemos que Lutero se inspirou neste texto da Carta aos Gálatas, e a conclusão foi que a Regra monástica, a hierarquia e o magistério lhe pareciam como um jugo de escravidão, do qual era necessário libertar-se. Sucessivamente, o período do Iluminismo foi totalmente orientado, imbuído deste desejo de liberdade, que se julgava ter finalmente alcançado. Mas também o marxismo se apresentou como caminho para a liberdade.
Esta tarde perguntamo-nos: o que é a liberdade? Como podemos ser livres? São Paulo ajuda-nos a compreender esta realidade complicada que é a liberdade, inserindo este conceito num contexto de visões antropológicas e teológicas fundamentais. Ele diz: "Esta liberdade não se torne um pretexto para viver segundo a carne, mas mediante a caridade ponde-vos uns ao serviço dos outros". O Reitor já nos disse que "carne" não é o corpo, mas "carne" na linguagem de São Paulo é expressão da absolutização do eu, do eu que quer ser tudo e tomar tudo para si mesmo. O eu absoluto, que não depende de nada nem de ninguém, parece possuir realmente, de modo definitivo, a liberdade. Sou livre se não dependo de ninguém, se posso fazer tudo o que quero. No entanto, precisamente esta absolutização do eu é "carne", ou seja, é degradação do homem, não é conquista da liberdade: o libertinismo não é liberdade mas, ao contrário, falência da liberdade.
E Paulo ousa propor um paradoxo forte: "Mediante a caridade, ponde-vos ao serviço" (em grego, douléuete); isto é, a liberdade realiza-se, paradoxalmente, no serviço; tornamo-nos livres, se nos tornarmos servos uns dos outros. E assim Paulo insere todo o problema da liberdade na luz da verdade do homem. Reduzir-se à carne, elevando-se aparentemente ao grau de divindade "Somente eu sou o homem" introduz na mentira. Porque na realidade não é assim: o homem não é um absoluto, como se o eu pudesse isolar-se e comportar-se somente segundo a própria vontade. É contra a verdade do nosso ser. A nossa verdade é que, antes de tudo, somos criaturas, criaturas de Deus, e vivemos no relacionamento com o Criador. Somos seres relacionais. E somente aceitando esta nossa relacionalidade entramos na verdade; caso contrário, decaímos na mentira e, no final, nela destruímo-nos a nós mesmos.
Somos criaturas, portanto dependentes do Criador. No período do Iluminismo, sobretudo para o ateísmo isto devia parecer como uma dependência da qual era necessário libertar-se. Porém, na realidade, seria dependência fatal somente se este Deus Criador fosse um tirano, não um Ser bom, só se fosse como são os tiranos humanos. Se, ao contrário, este Criador nos ama e a nossa dependência consiste em estar no espaço no ser amor, em tal caso a dependência é liberdade. Com efeito, deste modo estamos na caridade do Criador, estamos unidos a Ele, a toda a sua realidade, a todo o seu poder. Portanto, este é o primeiro ponto: ser criatura quer dizer ser amado pelo Criador, estar nesta relação de amor que Ele nos concede, com a qual nos previne. Disto deriva em primeiro lugar a nossa verdade que é, ao mesmo tempo, chamada à verdade.
E por isso ver Deus, orientar-se para Deus, conhecer Deus, conhecer a vontade de Deus, inserir-se na vontade, ou seja, no amor de Deus é entrar cada vez mais no espaço da verdade. E este caminho do conhecimento de Deus, do relacionamento de amor com Deus, é a aventura extraordinária da nossa vida cristã: porque em Cristo conhecemos o rosto de Deus, o rosto de Deus que nos ama até à Cruz, até ao dom de si mesmo.
Mas a relacionalidade criatural implica também um segundo tipo de relação: estamos em relação com Deus mas, ao mesmo tempo, como família humana, estamos também em relação uns com os outros. Por outras palavras, liberdade humana significa, por um lado, estar na alegria e no amplo espaço do amor de Deus, mas implica também ser um só com o outro e pelo outro. Não existe liberdade contra o outro. Se eu me absolutizo, torno-me inimigo do outro, não podemos mais conviver, e toda a vida se torna crueldade, falência. Só uma liberdade compartilhada é uma liberdade humana; permanecendo juntos, podemos entrar na sinfonia da liberdade.
E portanto este é outro ponto de grande importância: somente aceitando o outro, aceitando também o aparente limite que deriva para a minha liberdade do respeito pela liberdade do outro, só inserindo-me na rede de dependências que finalmente faz de nós uma única família, estou a caminho da libertação conjunta.
Aqui surge um elemento muito importante: qual é a medida da partilha da liberdade? Vemos que o homem tem necessidade de ordem, de direito, para que assim possa realizar-se a sua liberdade, que é uma liberdade vivida em comum. E como podemos encontrar esta ordem justa, na qual ninguém seja oprimido, mas cada qual possa oferecer a sua contribuição para formar esta espécie de concerto de liberdades? Se não há uma verdade comum do homem, como se manifesta na visão de Deus, permanece apenas o positivismo e tem-se a impressão de algo imposto até de maneira violenta. Daqui deriva esta revolta contra a ordem e o direito, como se se tratasse de uma escravidão.
Mas se podemos encontrar a ordem do Criador na nossa natureza, a ordem da verdade que atribui a cada um o seu lugar, ordem e direito podem ser precisamente instrumentos de liberdade contra a escravidão do egoísmo. O serviço recíproco torna-se instrumento da liberdade, e aqui poderíamos inserir toda uma filosofia da política segundo a Doutrina Social da Igreja, que nos ajuda a encontrar esta ordem conjunta que atribui a cada um o seu lugar na vida comum da humanidade. Por conseguinte, a primeira realidade a respeitar é a verdade: liberdade contra a verdade não é liberdade. O serviço recíproco cria o espaço comum da liberdade.
E depois Paulo continua, dizendo: "Pois toda a lei se encerra num só preceito: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo"". Por detrás desta afirmação aparece o mistério de Deus encarnado, aparece o mistério de Cristo que na sua vida, na sua morte, na sua ressurreição se torna a lei viva. Imediatamente, as primeiras palavras da nossa Leitura "Sois chamados à liberdade" referem-se a este mistério. Fomos chamados pelo Evangelho, fomos chamados realmente no Baptismo, na participação na morte e na ressurreição de Cristo, e deste modo passamos da "carne", do egoísmo para a comunhão com Cristo. E assim estamos na plenitude da lei.
Provavelmente todos vós conheceis as bonitas palavras de Santo Agostinho: "Dilige et fac quod vis", "Ama e faz o que queres". O que Agostinho diz é verdade, se compreendemos a palavra "amor". "Ama e faz o que queres", mas devemos entrar realmente em comunhão com Cristo, identificar-nos com a sua morte e ressurreição, estar unidos a Ele na comunhão do seu Corpo. Na participação nos sacramentos, na escuta da Palavra de Deus, realmente a vontade divina, a lei divina entra na nossa vontade, a nossa vontade identifica-se com a sua, tornando-se uma única vontade, e assim estamos realmente livres, podemos verdadeiramente fazer o que queremos, porque queremos com Cristo, queremos na verdade e com a verdade.
Portanto, peçamos ao Senhor que nos ajude neste caminho iniciado com o Batismo, um caminho de identificação com Cristo que se realiza sempre de novo na Eucaristia. Na terceira Oração eucarística, nós dizemos: "Em Cristo, tornamo-nos um só corpo e um só espírito". É um momento em que, através da Eucaristia e mediante a nossa verdadeira participação no mistério da morte e da ressurreição de Cristo, nos tornamos um único espírito com Ele, estamos nesta identidade da vontade e assim chegamos realmente à liberdade.
Por detrás desta palavra a lei está completa por detrás desta única palavra, que se torna realidade na comunhão com Cristo, aparecem atrás do Senhor todas as figuras dos Santos que entraram nesta comunhão com Cristo, nesta unidade do ser, nesta unidade com a sua vontade. Aparece sobretudo Nossa Senhora na sua humildade, na sua bondade, no seu amor. Nossa Senhora infunde-nos esta confiança, toma-nos pela mão, guia-nos e ajuda-nos no caminho do nosso estar unidos à vontade de Deus, como Ela esteve desde o primeiro momento e expressou esta união no seu "Fiat".
E finalmente, depois destas bonitas expressões, mais uma vez na Carta há uma referência à situação um pouco triste da comunidade dos Gálatas, quando Paulo diz: "Se vos mordeis e devorais mutuamente, vede que não acabeis por vos destruirdes totalmente uns aos outros... Caminhai segundo o Espírito". Parece-me que nesta comunidade que já não estava no caminho da comunhão com Cristo, mas da lei exterior da "carne" sobressaem naturalmente também polémicas, e Paulo diz: "Vós tornais-vos como feras, mordendo-vos uns aos outros". Refere-se assim às polémicas que nascem onde a fé degenera em intelectualismo, e a humildade é substituída pela arrogância de ser melhor que o outro.
Vejamos bem que também hoje existem situações semelhantes onde, em vez de se inserir na comunhão com Cristo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, cada um quer ser superior ao outro e, com arrogância intelectual, quer fazer crer que ele seria melhor. E assim nascem as polémicas que são destruidoras, nasce uma caricatura da Igreja, que deveria ser uma única alma e um só coração.
Nesta advertência de São Paulo, também hoje temos que encontrar um motivo de exame de consciência: não pensar que somos superiores ao outro, mas encontrar-nos na humildade de Cristo, encontrar-nos na humildade de Nossa Senhora e entrar na obediência da fé. É precisamente assim que deveras se abre, também para nós, o grande espaço da verdade e da liberdade no amor.
Enfim, queremos dar graças a Deus porque nos mostrou o seu rosto em Cristo, porque nos ofereceu Nossa Senhora, nos doou os Santos, nos chamou a ser um só corpo, um único espírito com Ele. E oremos para que nos ajude a estar cada vez mais inseridos nesta comunhão com a sua vontade, para assim encontrarmos, com a liberdade, o amor e a alegria."
Fica aqui o texto como sugestao de leitura. Um grande abraço!
[i]Gostaria de reanimar esse tópico. Deixarei aqui uma explicaçao desse tema dada pelo nosso querido Papa. Foi um discurso feito no Seminário de Roma, em 20 de fevereiro de 2009. Deixo aqui para que seja meditado, e, se possível, comentado. Muito interessante é como o Papa trata aqui do tema da liberdade humana.
"Senhor Cardeal
Caros amigos
Para mim é uma grande alegria estar no meu Seminário, ver os futuros sacerdotes da minha diocese, estar convosco no sinal de Nossa Senhora da Confiança. Com Ela que nos ajuda e nos acompanha, que nos dá realmente a certeza de ser sempre ajudados pela graça divina, vamos em frente!
Agora, queremos ver o que nos diz São Paulo com este texto: "Fostes chamados para a liberdade". A liberdade, em todos os tempos, foi o grande sonho da humanidade, desde o início, mas particularmente na época moderna. Sabemos que Lutero se inspirou neste texto da Carta aos Gálatas, e a conclusão foi que a Regra monástica, a hierarquia e o magistério lhe pareciam como um jugo de escravidão, do qual era necessário libertar-se. Sucessivamente, o período do Iluminismo foi totalmente orientado, imbuído deste desejo de liberdade, que se julgava ter finalmente alcançado. Mas também o marxismo se apresentou como caminho para a liberdade.
Esta tarde perguntamo-nos: o que é a liberdade? Como podemos ser livres? São Paulo ajuda-nos a compreender esta realidade complicada que é a liberdade, inserindo este conceito num contexto de visões antropológicas e teológicas fundamentais. Ele diz: "Esta liberdade não se torne um pretexto para viver segundo a carne, mas mediante a caridade ponde-vos uns ao serviço dos outros". O Reitor já nos disse que "carne" não é o corpo, mas "carne" na linguagem de São Paulo é expressão da absolutização do eu, do eu que quer ser tudo e tomar tudo para si mesmo. O eu absoluto, que não depende de nada nem de ninguém, parece possuir realmente, de modo definitivo, a liberdade. Sou livre se não dependo de ninguém, se posso fazer tudo o que quero. No entanto, precisamente esta absolutização do eu é "carne", ou seja, é degradação do homem, não é conquista da liberdade: o libertinismo não é liberdade mas, ao contrário, falência da liberdade.
E Paulo ousa propor um paradoxo forte: "Mediante a caridade, ponde-vos ao serviço" (em grego, douléuete); isto é, a liberdade realiza-se, paradoxalmente, no serviço; tornamo-nos livres, se nos tornarmos servos uns dos outros. E assim Paulo insere todo o problema da liberdade na luz da verdade do homem. Reduzir-se à carne, elevando-se aparentemente ao grau de divindade "Somente eu sou o homem" introduz na mentira. Porque na realidade não é assim: o homem não é um absoluto, como se o eu pudesse isolar-se e comportar-se somente segundo a própria vontade. É contra a verdade do nosso ser. A nossa verdade é que, antes de tudo, somos criaturas, criaturas de Deus, e vivemos no relacionamento com o Criador. Somos seres relacionais. E somente aceitando esta nossa relacionalidade entramos na verdade; caso contrário, decaímos na mentira e, no final, nela destruímo-nos a nós mesmos.
Somos criaturas, portanto dependentes do Criador. No período do Iluminismo, sobretudo para o ateísmo isto devia parecer como uma dependência da qual era necessário libertar-se. Porém, na realidade, seria dependência fatal somente se este Deus Criador fosse um tirano, não um Ser bom, só se fosse como são os tiranos humanos. Se, ao contrário, este Criador nos ama e a nossa dependência consiste em estar no espaço no ser amor, em tal caso a dependência é liberdade. Com efeito, deste modo estamos na caridade do Criador, estamos unidos a Ele, a toda a sua realidade, a todo o seu poder. Portanto, este é o primeiro ponto: ser criatura quer dizer ser amado pelo Criador, estar nesta relação de amor que Ele nos concede, com a qual nos previne. Disto deriva em primeiro lugar a nossa verdade que é, ao mesmo tempo, chamada à verdade.
E por isso ver Deus, orientar-se para Deus, conhecer Deus, conhecer a vontade de Deus, inserir-se na vontade, ou seja, no amor de Deus é entrar cada vez mais no espaço da verdade. E este caminho do conhecimento de Deus, do relacionamento de amor com Deus, é a aventura extraordinária da nossa vida cristã: porque em Cristo conhecemos o rosto de Deus, o rosto de Deus que nos ama até à Cruz, até ao dom de si mesmo.
Mas a relacionalidade criatural implica também um segundo tipo de relação: estamos em relação com Deus mas, ao mesmo tempo, como família humana, estamos também em relação uns com os outros. Por outras palavras, liberdade humana significa, por um lado, estar na alegria e no amplo espaço do amor de Deus, mas implica também ser um só com o outro e pelo outro. Não existe liberdade contra o outro. Se eu me absolutizo, torno-me inimigo do outro, não podemos mais conviver, e toda a vida se torna crueldade, falência. Só uma liberdade compartilhada é uma liberdade humana; permanecendo juntos, podemos entrar na sinfonia da liberdade.
E portanto este é outro ponto de grande importância: somente aceitando o outro, aceitando também o aparente limite que deriva para a minha liberdade do respeito pela liberdade do outro, só inserindo-me na rede de dependências que finalmente faz de nós uma única família, estou a caminho da libertação conjunta.
Aqui surge um elemento muito importante: qual é a medida da partilha da liberdade? Vemos que o homem tem necessidade de ordem, de direito, para que assim possa realizar-se a sua liberdade, que é uma liberdade vivida em comum. E como podemos encontrar esta ordem justa, na qual ninguém seja oprimido, mas cada qual possa oferecer a sua contribuição para formar esta espécie de concerto de liberdades? Se não há uma verdade comum do homem, como se manifesta na visão de Deus, permanece apenas o positivismo e tem-se a impressão de algo imposto até de maneira violenta. Daqui deriva esta revolta contra a ordem e o direito, como se se tratasse de uma escravidão.
Mas se podemos encontrar a ordem do Criador na nossa natureza, a ordem da verdade que atribui a cada um o seu lugar, ordem e direito podem ser precisamente instrumentos de liberdade contra a escravidão do egoísmo. O serviço recíproco torna-se instrumento da liberdade, e aqui poderíamos inserir toda uma filosofia da política segundo a Doutrina Social da Igreja, que nos ajuda a encontrar esta ordem conjunta que atribui a cada um o seu lugar na vida comum da humanidade. Por conseguinte, a primeira realidade a respeitar é a verdade: liberdade contra a verdade não é liberdade. O serviço recíproco cria o espaço comum da liberdade.
E depois Paulo continua, dizendo: "Pois toda a lei se encerra num só preceito: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo"". Por detrás desta afirmação aparece o mistério de Deus encarnado, aparece o mistério de Cristo que na sua vida, na sua morte, na sua ressurreição se torna a lei viva. Imediatamente, as primeiras palavras da nossa Leitura "Sois chamados à liberdade" referem-se a este mistério. Fomos chamados pelo Evangelho, fomos chamados realmente no Baptismo, na participação na morte e na ressurreição de Cristo, e deste modo passamos da "carne", do egoísmo para a comunhão com Cristo. E assim estamos na plenitude da lei.
Provavelmente todos vós conheceis as bonitas palavras de Santo Agostinho: "Dilige et fac quod vis", "Ama e faz o que queres". O que Agostinho diz é verdade, se compreendemos a palavra "amor". "Ama e faz o que queres", mas devemos entrar realmente em comunhão com Cristo, identificar-nos com a sua morte e ressurreição, estar unidos a Ele na comunhão do seu Corpo. Na participação nos sacramentos, na escuta da Palavra de Deus, realmente a vontade divina, a lei divina entra na nossa vontade, a nossa vontade identifica-se com a sua, tornando-se uma única vontade, e assim estamos realmente livres, podemos verdadeiramente fazer o que queremos, porque queremos com Cristo, queremos na verdade e com a verdade.
Portanto, peçamos ao Senhor que nos ajude neste caminho iniciado com o Batismo, um caminho de identificação com Cristo que se realiza sempre de novo na Eucaristia. Na terceira Oração eucarística, nós dizemos: "Em Cristo, tornamo-nos um só corpo e um só espírito". É um momento em que, através da Eucaristia e mediante a nossa verdadeira participação no mistério da morte e da ressurreição de Cristo, nos tornamos um único espírito com Ele, estamos nesta identidade da vontade e assim chegamos realmente à liberdade.
Por detrás desta palavra a lei está completa por detrás desta única palavra, que se torna realidade na comunhão com Cristo, aparecem atrás do Senhor todas as figuras dos Santos que entraram nesta comunhão com Cristo, nesta unidade do ser, nesta unidade com a sua vontade. Aparece sobretudo Nossa Senhora na sua humildade, na sua bondade, no seu amor. Nossa Senhora infunde-nos esta confiança, toma-nos pela mão, guia-nos e ajuda-nos no caminho do nosso estar unidos à vontade de Deus, como Ela esteve desde o primeiro momento e expressou esta união no seu "Fiat".
E finalmente, depois destas bonitas expressões, mais uma vez na Carta há uma referência à situação um pouco triste da comunidade dos Gálatas, quando Paulo diz: "Se vos mordeis e devorais mutuamente, vede que não acabeis por vos destruirdes totalmente uns aos outros... Caminhai segundo o Espírito". Parece-me que nesta comunidade que já não estava no caminho da comunhão com Cristo, mas da lei exterior da "carne" sobressaem naturalmente também polémicas, e Paulo diz: "Vós tornais-vos como feras, mordendo-vos uns aos outros". Refere-se assim às polémicas que nascem onde a fé degenera em intelectualismo, e a humildade é substituída pela arrogância de ser melhor que o outro.
Vejamos bem que também hoje existem situações semelhantes onde, em vez de se inserir na comunhão com Cristo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, cada um quer ser superior ao outro e, com arrogância intelectual, quer fazer crer que ele seria melhor. E assim nascem as polémicas que são destruidoras, nasce uma caricatura da Igreja, que deveria ser uma única alma e um só coração.
Nesta advertência de São Paulo, também hoje temos que encontrar um motivo de exame de consciência: não pensar que somos superiores ao outro, mas encontrar-nos na humildade de Cristo, encontrar-nos na humildade de Nossa Senhora e entrar na obediência da fé. É precisamente assim que deveras se abre, também para nós, o grande espaço da verdade e da liberdade no amor.
Enfim, queremos dar graças a Deus porque nos mostrou o seu rosto em Cristo, porque nos ofereceu Nossa Senhora, nos doou os Santos, nos chamou a ser um só corpo, um único espírito com Ele. E oremos para que nos ajude a estar cada vez mais inseridos nesta comunhão com a sua vontade, para assim encontrarmos, com a liberdade, o amor e a alegria."
Fica aqui o texto como sugestao de leitura. Um grande abraço!
Última edição por Pe. Anderson em Seg Maio 18, 2009 1:21 pm, editado 1 vez(es) (Razão : "In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas.")

Pe. Anderson- Admin
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Idade: 31
Localização: Roma
Re: Quem somos nós?
retomando o tópico depois da leitura desse lindíssimo texto do Papa.
Refletindo sobre tudo o que foi postado aqui, e volto a afirmar como disse o alessandro, ainda são as respostas mais interessantes desse tópico para mim. Mas refletindo sobre essas respostas, percebo que essa pergunta sobre quem eu sou tem na verdade um caminho bem marcado que nos guia para um provável resposta.
Penso que quem eu sou pouco importa, pq na verdade eu sozinho não sou muita coisa. A totalidade da pessoa só pode ser desvendada quando ela se descobre como eu e como outro, eu sou eu e ao mesmo tempo eu sou o outro, o próximo.
Muito interessante pois somos imagem e semelhança do Deus Trino, que apesar de serem tres pessoas formam um só Deus. Nós somos essa imagem e semelhança, mas não vivemos a plenitude da nossa unidade de maneira que nos reconhçamos como o somos plenamente, somos partidos, seccionados, divididos...
Eu sou parte de um todo, então eu sozinho nunca posso ser plenamente nada, a não ser um pequeno pedaço, penso que eu só responderei a pergunta quem sou eu, quando eu me descobrir como pedaço infimo de um todo muito maior, pedaço infimo, porém importante. A conclusão que chego, e me corrijam se eu estiver viajnado, é que eu sou parte do outro, e o outro é parte de mim, e eu nunca vou conseguir dizer de mim mesmo enquanto me ver como eu totalizado em mim mesmo, porque por mais que eu me conheça eu sou só um pedaço de algo maior, então por mais que eu saiba dizer de mim mesmo eu só sei dizer de um pedaço, uma parte daquilo que realmente eu sou de verdade, porque o que eu sou de verdade transcende em muito a perspectiva de um corpo só, de uma pessoa só. Eu sou eu, e sou o outro, e só quando todos nós nos descobrirmos e compreendermos como nós somos o eu, é que poderemos atingir a totalidade dessa resposta.
Quando fala de sua professora que diz que Deus nos fez incompletos para que nós possamos dizer de nós mesmos eu entendo que o que falta a nós mesmos é vivermos como se fossemos um só, somente quando atingirmos a utópica totalidade da unidade é que de fato voltaremos a ter plenamente a imagem e semelhança de Deus, pois como a Divindade são tres pessoas divinas, que se conhecem plena e intimamente formando assim esse único ser divino, penso que igualmente, a imagem e semelhança dessa divindade, a humanidade não são pessoas separadas em si mesm mas sim a união de todas elas, então eu sou a humanidade e para descobrir a totalidade de uma afirmação dessas é preciso que cada pessoa se conheça de maneira tão plena e tão íntima como a Santíssima trindade, dessa forma a humanidade se descobre e e se encontra novamente com a causa primeira de sua criação.
Viagem? hehehehehehe
Refletindo sobre tudo o que foi postado aqui, e volto a afirmar como disse o alessandro, ainda são as respostas mais interessantes desse tópico para mim. Mas refletindo sobre essas respostas, percebo que essa pergunta sobre quem eu sou tem na verdade um caminho bem marcado que nos guia para um provável resposta.
Penso que quem eu sou pouco importa, pq na verdade eu sozinho não sou muita coisa. A totalidade da pessoa só pode ser desvendada quando ela se descobre como eu e como outro, eu sou eu e ao mesmo tempo eu sou o outro, o próximo.
Muito interessante pois somos imagem e semelhança do Deus Trino, que apesar de serem tres pessoas formam um só Deus. Nós somos essa imagem e semelhança, mas não vivemos a plenitude da nossa unidade de maneira que nos reconhçamos como o somos plenamente, somos partidos, seccionados, divididos...
Eu sou parte de um todo, então eu sozinho nunca posso ser plenamente nada, a não ser um pequeno pedaço, penso que eu só responderei a pergunta quem sou eu, quando eu me descobrir como pedaço infimo de um todo muito maior, pedaço infimo, porém importante. A conclusão que chego, e me corrijam se eu estiver viajnado, é que eu sou parte do outro, e o outro é parte de mim, e eu nunca vou conseguir dizer de mim mesmo enquanto me ver como eu totalizado em mim mesmo, porque por mais que eu me conheça eu sou só um pedaço de algo maior, então por mais que eu saiba dizer de mim mesmo eu só sei dizer de um pedaço, uma parte daquilo que realmente eu sou de verdade, porque o que eu sou de verdade transcende em muito a perspectiva de um corpo só, de uma pessoa só. Eu sou eu, e sou o outro, e só quando todos nós nos descobrirmos e compreendermos como nós somos o eu, é que poderemos atingir a totalidade dessa resposta.
Quando fala de sua professora que diz que Deus nos fez incompletos para que nós possamos dizer de nós mesmos eu entendo que o que falta a nós mesmos é vivermos como se fossemos um só, somente quando atingirmos a utópica totalidade da unidade é que de fato voltaremos a ter plenamente a imagem e semelhança de Deus, pois como a Divindade são tres pessoas divinas, que se conhecem plena e intimamente formando assim esse único ser divino, penso que igualmente, a imagem e semelhança dessa divindade, a humanidade não são pessoas separadas em si mesm mas sim a união de todas elas, então eu sou a humanidade e para descobrir a totalidade de uma afirmação dessas é preciso que cada pessoa se conheça de maneira tão plena e tão íntima como a Santíssima trindade, dessa forma a humanidade se descobre e e se encontra novamente com a causa primeira de sua criação.
Viagem? hehehehehehe
_________________
Cleber Nunes Kraus
Biólogo
"Quem não ora, não precisa de demônio que o tente." Sta. Tereza D'Avila

Binhokraus- Moderadores
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Re: Quem somos nós?
Caro Binho,
Interessante sua reflexao. Creio que seria mais compreensível para o leitor se voce colocasse mais virgulas, mais pontos no seu texto e tentasse dizer uma coisa de cada vez.
Um abraçao e continuamos em discussao.
Interessante sua reflexao. Creio que seria mais compreensível para o leitor se voce colocasse mais virgulas, mais pontos no seu texto e tentasse dizer uma coisa de cada vez.
Um abraçao e continuamos em discussao.

Pe. Anderson- Admin
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Idade: 31
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Re: Quem somos nós?
hehehehehe
Obrigado Pe. eu tenho esse pequeno problema mesmo...
Vou procurar melhorar...
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Vou procurar melhorar...
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Cleber Nunes Kraus
Biólogo
"Quem não ora, não precisa de demônio que o tente." Sta. Tereza D'Avila

Binhokraus- Moderadores
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Idade: 31
Localização: Petrópolis
Re: Quem somos nós?
bem.. é um assunto que mesmo não sendo crente em Deus se põe...
a Bíblia diz que Deus, o criador é espírito e em êxodo 33: 20 diz que nenhum homem o poderia ver se não morreria e em João 1: 18 diz que ninguém jamais viu a Deus... então como somos nós á sua semelhança? pelas belas qualidades que Ele possui, das quais as 4 principais: amor, justiça, sabedoria e poder... e claro em infima escala...
para onde vamos? o desenrolar da história desde adão mostra claramente para onde vamos... para o cumprimento inicial da sua vontade e propósito para a terra
a Bíblia diz que Deus, o criador é espírito e em êxodo 33: 20 diz que nenhum homem o poderia ver se não morreria e em João 1: 18 diz que ninguém jamais viu a Deus... então como somos nós á sua semelhança? pelas belas qualidades que Ele possui, das quais as 4 principais: amor, justiça, sabedoria e poder... e claro em infima escala...
para onde vamos? o desenrolar da história desde adão mostra claramente para onde vamos... para o cumprimento inicial da sua vontade e propósito para a terra
são vieira- Mensagens: 578
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Idade: 31
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O QUE É O HOMEM ?
Conforme Alessandro enfatizou, há dois pensamentos a respeito de quem é o homem que se destacam neste tópico. De um lado, Thales expõe a questão sob o ponto de vista da filosofia, e de outro lado, o Pe Anderson expõe a mesma questão do ponto de vista cristão, o que torna essa discussão muito interessante.
Esta indagação é alvo de uma inquietude que tem deixado o ser humano perplexo desde a sua origem. A busca do auto-conhecimento tem nessa inquietude várias hipóteses que apontam para a vida individual e social do ser humano, bem como para sua crença e conduta, de modo que o homem se tornou objeto de estudo para a filosofia, a teologia, a biologia, a antropologia e a medicina, dentre outras ciências.
O pensamento da filosofia clássica se volta para uma dimensão cosmocêntrica do homem. Por outro lado, a filosofia cristã trata o homem numa concepção teocêntrica. Em outra dimensão, a filosofia contemporânea tem buscado essa compreensão numa perspectiva antropocêntrica.
No contexto da filosofia helênica, Protágoras definiu o homem como sendo a medida de todas as coisas. Ainda neste contexto, Sófocles afirma que muitas são as coisas grandiosas dotadas de vida, mas a mais grandiosa de todas é o homem.
Os filósofos materialistas definiram o homem como um conjunto de átomos que se dispersam após sua morte., conforme afirma Demócrito, ao passo que os filósofos humanistas-materialistas acreditam na existência da alma humana. Assim, Platão afirma que, na sua essência, o homem é alma espiritual, incorruptível e imortal. Para ele, o corpo é a prisão da alma, de forma que a alma se liberta do corpo a partir da morte. O saber, o querer e o desejar são componentes da natureza humana que, em perfeita harmonia, resulta na justiça como virtude maior.
Para Aristóteles, o homem é costituido de corpo e alma que formam uma unidade, sendo a segunda a forma do primeiro: "anima est forma corporis". Para ele, a alma é imortal e o homem é um ser vivo dotado de razão, o que o difere dos outros animais.
Sócrates afirma que definir o homem implica na observação da categoria a que pertence no seu espaço ontológico, considerando os elementos designados como categoria proxima e difeença específica que distingue o homem dos animais. Neste sentido, Aristóteles define o homem como um animal racional, sendo "animal" a categoria próxima e "racional" a diferença específica.
CONTINUO DAQUI A POUCO !!!

Flávio Roberto Brainer de- Tira-dúvidas oficial
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Re: Quem somos nós?
Segundo a concepção judaica, o homem está suspenso entre um mundo finito que é material e plenamente compreensível tanto de forma empírica quanto pelo uso da razão, e outro mundo infinito que transcende à matéria, os sentidos vitais e a própria inteligência.
A partir do cristianismo, o homem passou a ser entendido não mais numa dimensão do cosmo, mas no pensamento de que a imagem de Deus é refletida na alma humana. Assim, Santo Agostinho afirma que Deus transcende a compreensão humana. Para ele, o ponto de partida para a compreensão do homem passa a ser Deus, numa perspectiva teocêntrica.
São Tomaz de Aquino faz uma relação entre fé e razão (FIDES ET RATIO), estabelecendo um paralelo entre a filosofia humanista-metafísica e as Sagradas Escrituras. Para ele, a alma é imortal e não quer se desprender do corpo, havendo, portanto, uma ressurreição física.
Com o advento da modernidade, o homem passou a ser estudado numa dimensão antropocêntrica. Neste período, aparece Descartes, conhecido como fundador da filosofia moderna. A partir de uma das mais famosas de suas frases, "COGITO, ERGO SUM" (penso, logo existo), o homem é colocado com muito mais ênfase como objeto de pesquisa filosófica e como centro da investigação crítica.
Russeau afirma que o homem nasce bom, mas se corrompe com a sociedade, à medida que nela vai sendo inserido.
Não mais percebido por esta correntede pensamento filosófico na sua relação com Deus, o homem passa a ser considerado como o centro do universo. Entretanto, nessa mesma época, uma nova maneira de pensar o homem se estabelece a partir de Kant. Nela, o home é tido tanto como cidadão material, quanto como cidadão espiritual. Para Kant, jamais o homem pode adquirir um conhecimento absoluto, mas sim um conhecimento prático ou moral a respeito de si mesmo, do mundo e de Deus.
A partir de então, os pensamentos metrafísico e da razão pura passam a ser questionados, de maneira que o homem passa a ser visto de diversas formas por diversos pensadores. Assim, Darwin definiu o homem como um ser biológico-evolucionista, Kierkegaard o definiu como um ser existencial, Marx como um ser econômico, e Freud como um ser instintivo, dentre inúmeras outras formas de pensamento de vários campos da ciência.
Percebe-se, pois, que historicamente, à medida que surgem novas formas de visão, o homem vai ficando cada vez mais perplexo quando busca uma resposta para a indagação "QUEM É O HOMEM ?"
Analisando as várias concepções a que me reporto neste pequeno resumo, observa-se que a grande maioria faz referência a um ser espiritual do homem que transcende ao seu ser físico ou material, de modo que, para aqueles que não crêem nessa dimansão espiritual, me parece que o homem perde o sentido de sua existência, perde o sentido da vida.
CONTINUO MAIS TARDE !
Fiquemos com Deus !

Flávio Roberto Brainer de- Tira-dúvidas oficial
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Data de inscrição: 13/09/2009
Idade: 54
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