Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Dom Jul 10, 2011 9:30 am

Desculpe, mas deve procurar cura para a sua doença.
Tenho muita pena de si!
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Manuel Portugal Pires

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Jul 10, 2011 12:06 pm

Caro sr. Manuel, queridos amigos

Manuel: Enfim, os argumentos de vossa reverência distanciam-se do assunto que referenciou como meus argumentos, em todos eles.
Uma coisa não implica necessariamente a outra.

Com todo o respeito, qualquer pessoa com um mínimo de atencao, que leia o que estou escrevendo percebe que nao estou me desviando em nada do tema discutido: a Eucaristia, segundo o ensinamento bíblico, a fé crista de todos os tempos e a partir disso respondemos aos seus argumentos.

Continuemos pois o comentário aos seus textos, que desvirtuam a fé crista (nao sei se voluntariamente ou por mera ignorancia) e ao mesmo tempo suas críticas às doutrinas que o senhor mesmo inventou, pensando ser as doutrinas católicas, que estao expostas com toda a clareze e à disposiçao de todos no Catecismo da Igreja Católica.

Manuel: Quanto a sacramentos, li algures que para os primeiros cristãos tudo o que faziam na sua vida dentro da vontade de DEUS (por ex. a pregação) era um SACRAMENTO.

Isso é mais ou menos preciso. Na verdade, haviam muitos ritos sagrados no Cristianismo que nao eram considerados Sacramentos, enquanto nao se formulou uma noçao precisa de Sacramento. Tal noçao foi formulada no século XII e a partir de entao se definiu que os Sacramentos da Igreja sao 7. Nao é que tudo era sacramento, mas haviam muitos ritos sagrados no cristianismo primitivo (a maioria deles ainda existem) nos quais nao se tinha uma noçao precisa de Sacramento como a atual. Esses ritos sagrados eram: as diversas bençaos, especialmente as bençaos de abades e de abadesas, a coroaçao de reis e de chefes de Estado cristaos, os rituais de exéquias e algo mais. Com a formulacao da noçao de Sacramentos, se chegou a conclusao que esses ritos sao sacramentais. A difentença entre ambos é que os primeiros sempre dao a graça, quando sao realizados com a intençao de se fazer o que faz a Igreja quando os celebra; os sacramentais sao oraçoes de súplicas a Deus em diversas intençoes, que comunicam a graça de acordo com a disposicao de quem a pede.

Os 7 Sacramentos sao esses porque tem todos eles fundamentos bíblicos e a Igreja atualiza as mesmas palavras e açoes de Cristo, devido á fidelidade de Cristo á sua Palavra, que prometeu permanecer conosco todos os dias até o final dos tempos. Nós, católicos, acreditamos que essas palavras do Senhor sao verdadeiras, independentemente dos nossos pecados pessoais (que temos a coragem de reconhecer e inclusive de pedir perdao). Por outro lado, jamais vi ninguem pedir perdao pelos pecados cometidos contra a Igreja; estranha contradiçao...

Lembremos entao que "a pior mentira é a que mais se parece com a verdade" (Chesterton).

Manuel: Na verdade não há nada que me possa fazer acreditar que basta consagrar o pão (e o vinho) para que se transforme no corpo (e sangue de Cristo).

Entendo o sr. Isto não quer dizer que deva ser profanado o pão e o vinho que não for usado como comunhão do Senhor, mas repito não deve ser exposto para adoração.

Manuel:Ora imagine uma procissão onde o «padre» leva a hóstia numa custódia.
Aparece um cão forte que se atira ao padre e deixa cair a custódia, quebrando-se o vidro e o cão come o pão consagrado: Acha que o cão comeu o "corpo de Cristo"?!
Eu acho que não!
Comeu apenas, além do pão, a impotência simbólica do padre que o consagrou.

Exemplo clássico que o senhor nao argumenta, mas usa de imaginaçao somente. Contra imaginaçao nao há argumentos...

Manuel: Assim para quê tanta vanglória?!

É isso o que nós empre dizemos ao senhor, o senhor (nem ninguem) nao tem poder de julgar o interior das pessoas. “Vangloria” é um pecado feito por pensamentos, e o sr. nao é onipotente, nao tem poder de dizer a ninguem se está pecando ou nao. Por favor, lhe peço pela 100 vez, deixemos a Deus o poder de julgar as pessoas. Nao estamos nos vangloriando de nada aqui, estamos mostrando a doutrina real católica, mostrando que o que sr. afirma ser a doutrina da Igreja nao é real doutrina da Igreja. Nós mostramos com claridade nossa fé e nao nos gloriamos de nada. De qualquer modo, só Deus pode nos julgar e ao senhor, fique no ambito de argumentos de doutrinas.

Manuel: Mas eu sei que é dogma e, uma vez dogma, fica fulminado pela crença da infalibilidade.

Nao sei o que o senhor quer dizer com isso, nao tem sentido essa frase. Nós mostramos aqui a doutrina bíblica e a infalibilidade é da Bíblia. O senhor pode ter fé ou nao, se nao tem, nao negue nossa fé com esses argumentos tao superficiais.

Manuel: Por isso, para mim, só há corpo (e sangue de Cristo) logo que haja comunhão com Cristo ao comer do pão (e ao beber do vinho).
E essa comunhão é não só com Cristo como com os irmãos que são de Cristo.
Foi por isso que Cristo orou ao Pai no cap 17 de João.

Para mim também, há um só corpo e sangue de Cristo, que por seu infinito amor é dado a cada um de nós e nos faz um só corpo com Ele. Esse corpo de Cristo é a Igreja, esposa de Cristo. É essa nossa fé. Recebemos o corpo de Cristo, assim como Ele prometeu em Jo 6 e instituiu como Sacramento na sua ultima Ceia, que se renova em cada celebraçao da Eucaristia.

Nesse sentido, Jo 6 e Jo 17 estao perfeitamente de acordo com nossa fé, graças a Deus.

Com todo o respeito, nao vejo coerència na sua atitude de criticar sempre aquilo que nao conhece. Se o senhor nao teve uma boa formaçao na Igreja, isso seria mais um motivo para o senhor nao criticar aquilo que nao conhece. Se quer criticar algo, pelo menos conheça primeito o que é realmente a doutrina da Igreja e tente criticar. Assim teremos em maior relevància os seus argumentos. Se quer conhecer o que é a verdadeira doutrina da Igreja sobre os sacramentos, nao procure em sites de seitas neo-farisaicas, mas procure no Catecismo da Igreja Católica, onde a doutrina é exposta sem nenhuma distorçao. Isso nos economizará trabalho e tempo.

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html

Grande abraço a todos.
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Pe. Anderson
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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Dom Jul 10, 2011 1:25 pm

Senhor Padre

Quando eu disse que «uma coisa não implica necessariamente a outra» queria dizer o seguinte:
O sr. chama o cap. 6 de João para contra-argumentar o que eu venho a afirmar que não posso acreditar que basta o pão e o vinho serem consagrados por um padre para se tornarem imediatamente (isto é como que por magia) no corpo e sangue do Cristo. Isso será ir longe demais e colocar o «padre» a um nível superior ao de Cristo. Percebeu o ponto onde que eu estou a debater?!
Ao passo que o Sr. faz vista grossa a este ponto chamando a atenção no que Cristo disse no cap. 6 para querer provar que Cristo nos queria dar o seu corpo através das espécies do pão e vinho. Assim foge do assunto da discussão. Eu acredito nas palavras de Yeshua, embora nem tudo compreenda. Talvez o Sr. pensasse apressadamente que eu estava a defender a precipitada posição protestante.
Penso que os protestantes começaram a negar a presença de Cristo, porque repararam que havia algo de mal no que a Igreja Mãe lhes ensinava, e em vez de verificarem onde podia estar o erro, deram às palavras de Cristo um sentido puramente metafórico.
Ao analisar o que acabei de dizer talvez compreenda melhor as outras coisas que disse, mas cujos argumento não entendeu, porque nem sequer viu onde eu os estava a enquadrar.

Mas concluindo, com definições tão dogmáticas, já não há nada a fazer, apenas esperar que as pessoas fechem os olhos a pormenores que podem ter importância quando Cristo é desviado e psicologicamente para a pessoa do que consagra.

Ainda me lembro de ouvir dizer que o padre era outro Cristo.

http://www.osv.com/tabid/7636/itemid/5748/Priest-Alter-Christus.aspx
http://www.merriam-webster.com/dictionary/alter%20christus

Eu não concordo com isso, mesmo que usem a expressão no sentido metafórico.
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Manuel Portugal Pires

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Jul 10, 2011 3:36 pm

Caro sr. Manuel,

De fato, ainda nao entendo o que o sr. quer dizer aqui. Creio que possa esclarecer suas palavras ambíguas as palavras seguintes do Catecismo:

CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

I. Quem celebra?

1136. A liturgia é «acção» do «Cristo total» (Christus totus). Os que agora a celebram para além dos sinais, estão já integrados na liturgia celeste, onde a celebração é totalmente comunhão e festa.
OS CELEBRANTES DA LITURGIA CELESTE

1137. O Apocalipse de São João, lido na liturgia da Igreja, revela-nos, primeiramente, um trono preparado no céu, e Alguém sentado no trono (1), «o Senhor Deus» (Is 6, 1) (2). Depois, o Cordeiro «imolado e de pé» (Ap 5, 6) (3): Cristo crucificado e ressuscitado, o único Sumo-Sacerdote do verdadeiro santuário (4), o mesmo «que oferece e é oferecido, que dá e é dado»(5). Enfim, «o rio da Vida [...] que corre do trono de Deus e do Cordeiro» (Ap 22, 1), um dos mais belos símbolos do Espírito Santo (6).

1138. «Recapitulados» em Cristo, tomam parte no serviço do louvor de Deus e na realização do seu desígnio: os Poderes celestes (7), toda a criação (os quatro viventes), os servidores da Antiga e da Nova Aliança (os vinte e quatro anciãos), o novo povo de Deus (os cento e quarenta e quatro mil) (8), em particular os mártires, «degolados por causa da Palavra de Deus» (Ap 6, 9) e a santíssima Mãe de Deus (a Mulher (9); a Esposa do Cordeiro (10) enfim, «uma numerosa multidão que ninguém podia contar e provinda de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7, 9).

1139. É nesta liturgia eterna que o Espírito e a Igreja nos fazem participar, quando celebramos o mistério da salvação nos sacramentos.

OS CELEBRANTES DA LITURGIA SACRAMENTAL

1140. É toda a comunidade, o corpo de Cristo unido à sua Cabeça, que celebra. «As acções litúrgicas não são acções privadas, mas celebrações da Igreja, que é "o sacramento da unidade", isto é, povo santo reunido e ordenado sob a direcção dos bispos. Por isso, tais acções pertencem a todo o corpo da Igreja, manifestam-no e afectam-no, atingindo, porém, cada um dos membros de modo diverso, segundo a variedade de estados, funções e participação actual» (11). Também por isso, «sempre que os ritos comportam, segundo a natureza própria de cada qual, uma celebração comum, caracterizada pela presença e activa participação dos fiéis, inculque-se que esta deve preferir-se, na medida do possível, à celebração individual e como que privada» (12).

1141. A assembleia que celebra é a comunidade dos baptizados, que «pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma casa espiritual e um sacerdócio santo, para oferecerem, mediante todas as obras do cristão, sacrifícios espirituais» (13). Este «sacerdócio comum» é o de Cristo, único Sacerdote, participado por todos os seus membros (14):

«É desejo ardente da Mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e activa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da liturgia exige e que é, por força do Baptismo, um direito e um dever do povo cristão, "raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido"(1 Pe 2, 9) (15)»(16).

1142. Mas «nem todos os membros têm a mesma função» (Rm 12, 4). Alguns deles são chamados por Deus, na Igreja e pela Igreja, a um serviço especial da comunidade. Estes servidores são escolhidos e consagrados pelo sacramento da Ordem, pelo qual o Espírito Santo os torna aptos para agirem na pessoa de Cristo-Cabeça ao serviço de todos os membros da Igreja (17). O ministro ordenado é como que o «ícone» de Cristo-Sacerdote. Por ser na Eucaristia que se manifesta plenamente o sacramento da Igreja, na presidência da Eucaristia aparece em primeiro lugar o ministério do bispo e, em comunhão com ele, o dos presbíteros e diáconos.

1143. Para o exercício das funções do sacerdócio comum dos fiéis, existem ainda outros ministérios particulares, não consagrados pelo sacramento da Ordem, e cuja função é determinada pelos bispos segundo as tradições litúrgicas e as necessidades pastorais. «Também os acólitos, os leitores, os comentadores e os membros do coro desempenham um verdadeiro ministério litúrgico» (18).

1144. Assim, na celebração dos sacramentos, toda a assembleia é « liturga», cada qual segundo a sua função, mas «na unidade do Espírito» que age em todos. «Nas celebrações litúrgicas, limite-se cada um, ministro ou simples fiel, ao exercer o seu ofício, a fazer tudo e só o que é da sua competência, segundo a natureza do rito e as leis litúrgicas» (19).

Quanto ao capítulo 6 de Joao, alí encontramos as palavras de Cristo nas quais ele dizia que sua carne é verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida. De modo que é necessário comer seu verdadeiro corpo e verdadeiro sangue para se entrar no Reino dos Céus. Os discípulos nao compreenderam essas palavras de Cristo, (mas a tomaram como "palavras de vida eterna") até que Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia, quando ele tomou o pao, deu graças, o partiu e deu a seus discípulos dizendo "tomai e comei istó é meu corpo entregue por vós". E com o vinho disse: "isso é meu sangue derramado em sacrifício por vós". Em nenhum momento Ele disse que simbolizam seu corpo e seu sangue, mas sim que é o seu corpo e sangue. No pensamento ocidental, o que se refere ao ser mesmo da coisa, é o que é chamado de "substància", aquilo que tem o ser por si mesmo. Por isso, em fidelidade ás palavras de Cristo e de acordo com nosso modo humano de pensar, dissemos que na Eucaristia se dá a transformaçao da substancia do pao e vinho na substancia do corpo e sangue do Senhor. Isso nao é magia *(suposiçao absurda, que demonstra ignorar o que é uma magia, o que é um Sacramento e o que fez e ensinou Cristo nos Evangelhos), mas dom dado por Cristo á Igreja de todos os tempos.

Sobre a Instituiçao da eucaristia, diz assim o Catecismo, que é uma interpretaçao da Bíblia.

A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA

1337. Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor (170). Para lhes deixar uma garantia deste amor, para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso, «constituindo-os, então, sacerdotes do Novo Testamento» (171).

1338. Os três evangelhos sinópticos e São Paulo transmitiram-nos a narração da instituição da Eucaristia. Por seu lado, São João refere as palavras de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, palavras que preparam a instituição da Eucaristia: Cristo designa-se a si próprio como o pão da vida, descido do céu (172).

1339. Jesus escolheu a altura da Páscoa para cumprir o que tinha anunciado em Cafarnaum: dar aos seus discípulos o seu corpo e o seu sangue:

«Veio o dia dos Ázimos, em que devia imolar-se a Páscoa. [Jesus] enviou então a Pedro e a João, dizendo: "Ide preparar-nos a Páscoa, para que a possamos comer" [...]. Partiram pois, [...] e prepararam a Páscoa. Ao chegar a hora, Jesus tomou lugar à mesa, e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes então: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer. Pois vos digo que não voltarei a comê-la, até que ela se realize plenamente no Reino de Deus". [...] Depois, tomou o pão e, dando graças, partiu-o, deu-lho e disse-lhes: "Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim". No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice e disse: "Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós"» (Lc 22, 7-20) (173).

1340. Celebrando a última ceia com os seus Apóstolos, no decorrer do banquete pascal, Jesus deu o seu sentido definitivo à Páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus para o seu Pai, pela sua morte e ressurreição – a Páscoa nova – é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia, que dá cumprimento a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino.

«FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM»

1341. Ao ordenar que repetissem os seus gestos e palavras, «até que Ele venha» (1 Cor 11, 26), Jesus não pede somente que se lembrem d'Ele e do que Ele fez. Tem em vista a celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do memorial de Cristo, da sua vida, morte, ressurreição e da sua intercessão junto do Pai.

1342. Desde o princípio, a Igreja foi fiel à ordem do Senhor. Da Igreja de Jerusalém está escrito:

«Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. [...] Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração» (Act 2, 42.46).

1343. Era sobretudo «no primeiro dia da semana», isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam «para partir o pão» (Act 20, 7). Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental. Ela continua a ser o centro da vida da Igreja.

1344. Assim, de celebração em celebração, anunciando o mistério pascal de Jesus «até que Ele venha» (1Cor 11, 26), o Povo de Deus em peregrinação «avança pela porta estreita da cruz» (174) para o banquete celeste, em que todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino.

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Sobre os presbíteros

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Jul 10, 2011 3:51 pm

Caros amigos,

para saber mais sobre o que é presbítero, segundo a doutrina real da Igreja Católica, e nao segundo uma doutrina imaginada, convido-os a conhecer esse documento, Presbyterorum Ordinis, do Vaticano II. No referente ás questoes aqui tratadas, podemos citar o seguinte:

Natureza do Presbiterado

2. O Senhor Jesus, «a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, (Jo. 10,36), tornou participante todo o seu Corpo místico da unção do Espírito com que Ele mesmo tinha sido ungido (2): n'Ele, com efeito, todos os fiéis se tornam sacerdócio santo e real, oferecem vítimas a Deus por meio de Jesus Cristo, e anunciam as virtudes d'Aquele que os chamou das trevas para a sua luz admirável(3). Não há, portanto, nenhum membro que não tenha parte na missão de todo o corpo, mas cada um deve santificar Jesus no seu coração (4), e dar testemunho de Jesus com espírito de profecia(5).

O mesmo Senhor, porém, para que formassem um corpo, no qual «nem todos os membros têm a mesma função» (Rom. 12,4), constituiu, dentre os fiéis, alguns como ministros que, na sociedade dos crentes, possuíssem o sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados (6) e exercer oficialmente o ofício sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens. E assim, enviando os Apóstolos assim como Ele tinha sido enviado pelo Pai (7), Cristo, através dos mesmos Apóstolos, tornou participantes da sua consagração e missão os sucessores deles, os Bispos (8), cujo cargo ministerial, em grau subordinado, foi confiado aos presbíteros (9), para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores (10) da Ordem do episcopado para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo.

O ministério dos sacerdotes, enquanto unido à Ordem episcopal, participa da autoridade com que o próprio Cristo edifica, santifica e governa o seu corpo. Por isso, o sacerdócio dos presbíteros, supondo, é certo, os sacramentos da iniciação cristã, é, todavia, conferido mediante um sacramento especial, em virtude do qual os presbíteros ficam assinalados com um carácter particular e, dessa maneira, configurados a Cristo sacerdote, de tal modo que possam agir em nome de Cristo cabeça(11).

Participando, a seu modo, do múnus dos apóstolos, os presbíteros recebem de Deus a graça de serem ministros de Jesus Cristo no meio dos povos, desempenhando o sagrado ministério do Evangelho, para que seja aceita a oblação dos mesmos povos, santificada no Espírito Santo (12). Com efeito, o Povo de Deus é convocado e reunido pela virtude da mensagem apostólica, de tal modo que todos quantos pertencem a este Povo, uma vez santificados no Espírito Santo, se ofereçam como «hóstia viva, santa e agradável a Deus» (Rom. 12, l). Mas é pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando mesmo Senhor vier (13). Para isto tende e nisto se consuma o ministério dos presbíteros. Com efeito, o seu ministério, que começa pela pregação evangélica, tira do sacrifício de Cristo a sua força e a sua virtude, e tende a fazer com que «toda a cidade redimida, isto é, a congregação e a sociedade dos santos, seja oferecida a Deus como sacrifício universal pelo grande sacerdote, que também se ofereceu a si mesmo por nós na Paixão para que fôssemos o corpo de tão nobre cabeça» (14).

Por isso, o fim que os presbíteros pretendem atingir com o seu ministério e com a sua vida é a glória de Deus Pai em Cristo. Esta glória consiste em que os homens aceitem consciente, livre e gratamente a obra de Deus perfeitamente realizada em Cristo, e a manifestem em toda a sua vida. Os presbíteros, portanto, quer se entreguem à oração e à adoração quer preguem a palavra de Deus, quer ofereçam o sacrifício eucarístico e administrem os demais sacramentos, quer exerçam outros ministérios favor dos homens, concorrem não só para aumentar a glória de Deus mas também para promover a vida divina nos homens. Tudo isto, enquanto dimana da Páscoa de Cristo, será consumado no advento glorioso do mesmo Senhor, quando Ele entregar o reino nas mãos do Pai (15).

Os presbíteros, ministros dos sacramentos

5. Deus, que é o único santo e santificação, quis unir a si, como companheiros e colaboradores, homens que servissem humildemente a obra da santificação. Donde vem que os presbíteros são consagrados por Deus, por meio do ministério dos Bispos, para que, feitos de modo.especial participantes do sacerdócio de Cristo, sejam na celebração sagrada ministros d'Aquele que na Liturgia exerce perenemente o seu ofício sacerdotal a nosso favor (12). Na verdade, introduzem os homens no Povo de Deus pelo Baptismo; pelo sacramento da Penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; com o óleo dos enfermos, aliviam os doentes; sobretudo com a celebração da missa, oferecem sacramentalmente o Sacrifício de Cristo. Em todos os sacramentos, porém, como já nos tempos da Igreja primitiva testemunhou S. Inácio mártir (13), os presbíteros unem-se hieràrquicamente de diversos modos com o Bispo, e assim o tornam de algum modo presente em todas as assembleias dos fiéis (14).

Os restantes sacramentos, porém, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado; estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam (15). Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja (16), isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo; assim são eles convidados e levados a oferecer, juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e todas as coisas criadas. Por isso, a Eucaristia aparece como fonte e coroa de toda a evangelização, enquanto os catecúmenos são pouco a pouco introduzidos na participação da Eucaristia, e os fiéis, já assinalados pelo sagrado Baptismo e pela Confirmação, são plenamente inseridos no corpo de Cristo pela recepção da Eucaristia.

Portanto, o banquete eucarístico é o centro da assembleia dos fiéis a que o presbítero preside. Por isso, os presbíteros ensinam os fiéis a oferecer a Deus Pai a vítima divina no sacrifício da missa, e a fazer, com ela, a oblação da vida; com o exemplo de Cristo pastor, ensinam-nos a submeter de coração contrito à Igreja no sacramento da Penitência os próprios pecados, de tal modo que se convertam cada vez mais no Senhor, lembrados das suas palavras: «Fazei penitência, porque o reino dos céus está próximo» (Mt. 4,17). De igual modo os ensinam a participar nas celebrações da sagrada Liturgia, para que também nelas façam oração sincera; guiam-nos a exercer durante a vida toda o espírito de oração cada vez mis perfeito, segundo as graças e necessidades de cada um, e entusiasmam a todos a observar os deveres do próprio estado, e aos mais adiantados a pôr em prática os conselhos evangélicos, do modo que convém a cada um. Ensinam; por isso, os fiéis para que possam cantar ao Senhor nos seus corações com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a Deus Pai em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo (17).

Os próprios presbíteros, ao recitar o ofício divino, distribuem pelas horas do dia os louvores e acções de graças que elevam na celebração da Eucaristia; é com o ofício divino que eles, em nome da Igreja, rezam a Deus por todo o povo que lhes fora confiado; mais ainda, por todo o mundo.

A casa de oração em que é celebrada e conservada a Santíssima Eucaristia, e os fiéis se reunem, e na qual a presença do Filho de Deus, nosso Salvador, oferecido por nós no altar do sacrifício, é venerada para auxílio e consolação dos fiéis, deve ser nobre e apta para a oração e para as cerimónias sagradas (18). Nela são convidados os pastores e os fiéis a corresponderem generosamente ao dom d'Aquele que pela sua humanidade continuamente infunde á vida divina nos membros do seu corpo (19). Procurem os presbíteros cultivar rectamente a ciência e a arte litúrgica, para que, pelo seu ministério litúrgico, Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, seja louvado cada vez mais perfeitamente pelas comunidades a eles confiadas.

A VIDA DOS PRESBÍTEROS

I-A VOCAÇÃO DOS PRESBÍTEROS À PERFEIÇÃO

União com Cristo, sacerdote santo

12. Pelo sacramento da Ordem, os presbíteros são configurados com Cristo sacerdote, como ministros da cabeça, para a construção e edificação do seu corpo, que é a Igreja, enquanto cooperadores da Ordem episcopal. Já pela consagração do Baptismo receberam com os restantes fiéis, o sinal e o dom de tão insigne vocação e graça para que, mesmo na fraqueza humana (1), possam e devam alcançar a perfeição, segundo a palavra do Senhor: «Sede, pois, perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt. 5, 48). Estão, porém, obrigados por especial razão a buscar essa mesma perfeição visto que, consagrados de modo particular a Deus pela recepção da Ordem, se tornaram instrumentos vivos do sacerdócio eterno de Cristo, para poderem continuar pelos tempos fora a sua obra admirável, que restaurou com suprema eficácia a família de todos os homens (2). Fazendo todo o sacerdote, a seu modo, as vezes da própria pessoa de Cristo, de igual forma é enriquecido de graça especial para que, servindo todo o Povo de Deus e a porção que lhe foi confiada, possa alcançar de maneira conveniente a perfeição d'Aquele de quem faz as vezes, e cure a fraqueza humana da carne a santidade d'Aquele que por nós se fez pontífice «santo, inocente, impoluto, separado dos pecadores» (Heb. 7,26).

Cristo, que o Pai santificou ou consagrou e enviou ao mundo (3), «entre a Si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniquidade e adquirir um povo que Lhe fosse aceitável, zeloso do bem» (Tit. 2,14), e assim, pela sua Paixão, entrou na glória (4). De igual modo os presbíteros, consagrados pela unção do Espírito Santo e enviados por Cristo, mortificam em si mesmos as obras da carne e dedicam-se totalmente ao serviço dos homens, e assim, pela santidade de que foram enriquecidos em Cristo, podem caminhar até ao estado de varão perfeito(5).

Deste modo, exercendo o ministério do Espírito e da justiça, se forem dóceis ao Espírito de Cristo que os vivifica e guia, são robustecidos na vida espiritual. Pelos ritos sagrados de cada dia e por todo o seu ministério exercido em união com o Bispo e os outros sacerdotes, eles mesmos se dispõem à perfeição da própria vida. Por sua vez, a santidade dos presbíteros muito concorre para o desempenho frutuoso do seu ministério; ainda que a graça de Deus possa realizar a obra da salvação por ministros indignos, todavia, por lei ordinária, prefere Deus manifestar as suas maravilhas por meio daquelas que, dóceis ao impulso e direcção do Espírito Santo, pela sua íntima união com Cristo e santidade de vida, podem dizer com o Apóstolo: «se vivo, já não sou eu, é Cristo que vive em mim, (Gál. 2,20).

Por isso, este sagrado Concílio, para atingir os seus fins pastorais de renovação interna da Igreja, difusão do Evangelho em todo o mundo e diálogo com os homens do nosso tempo, exorta veementemente todos os sacerdotes a que, empregando todos os meios recomendados pela Igreja (7), se esforcem por atingir cada vez maior santidade, pela qual se tornem instrumentos mais aptos para o serviço de todo o Povo de Deus.

A santidade no exercício do ministério

13. Os presbíteros atingirão a santidade pelo próprio exercício do seu ministério, realizado sincera e infatigàvelmente no espírito de Cristo. Sendo eles os ministros da palavra, todos os dias lêem e ouvem a palavra do Senhor que devem ensinar aos outros. Esforçando-se por a receberem em si mesmos, cada vez se tornam mais perfeitos discípulos do Senhor, segundo a palavra do Apóstolo Paulo a Timóteo: «Medita estas coisas, permanece nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Atende a ti e à doutrina. Persevera nestas coisas. Fazendo isto, não só te salvas a ti, mas também aos que te ouvem (1 Tim. 4, 15-16). Investigando como mais convenientemente poderão dar aos outros aquilo que meditaram (8), mais profundamente saborearão «as insondáveis riquezas de Cristo» (Ef. 3,8) e a multiforme sabedoria de Deus (9). Tendo diante de si que é o Senhor quem abre os corações (10) e que a sublimidade não vem deles mas da virtude de Deus(11), na própria pregação unam-se mais intimamente com Cristo mestre e deixem-se levar pelo seu espírito. Assim unidos a Cristo, participarão da caridade de Deus, cujo mistério, escondido desde os séculos (12), foi revelado em Cristo.

Como ministros das coisas sagradas, é sobretudo no sacrifício da missa que os presbíteros dum modo especial fazem as vezes de Cristo, que se entregou como vítima para a santificação dos homens. Por isso, são convidados a imitar aquilo que tratam, enquanto, celebrando o mistério da morte do Senhor, procuram mortificar os seus membros de todos os seus vícios e concupiscências (13). No mistério do sacrifício eucarístico, em que os sacerdotes realizam a sua função principal, exerce-se continuamente a obra da nossa Redenção (14). Por isso, com instância se recomenda a sua celebração quotidiana, porque, mesmo que não possa ter a presença dos fiéis, é acto de Cristo e da Igreja (15). Assim, enquanto que os presbíteros se unem com a própria acção de Cristo sacerdote, oferecem-se todos os dias totalmente a Deus, e, alimentando-se do Corpo do Senhor, participam amorosamente na caridade d'Aquele que se dá como alimento aos fiéis. De igual modo, na administração dos sacramentos unem-se à intenção e caridade de Cristo, o que se dá especialmente quando se mostram sempre totalmente dispostos a administrar o sacramento da Penitência todas as vezes que os fiéis racionalmente o pedirem. Na recitação do ofício divino, emprestam à Igreja a sua voz, que persevera na oração, em nome de todo o género humano, unida a Cristo, «sempre vivo a interceder por nós» (Hebr. 7,25).

Conduzindo e apascentando o Povo de Deus, são incitados pela caridade do Bom Pastor a dar a sua vida pelas ovelhas (16), prontos para o supremo sacrifício, seguindo o exemplo daqueles sacerdotes que mesmo em nossos dias não recusaram entregar a sua vida. Sendo educadores na fé e tendo eles mesmos «firme confiança de entrar no santuário mediante o sangue de Cristo» (Heb. 10,19), aproximam-se de Deus «com coração sincero, na plenitude da fé» (Heb. 10,22); dão mostras duma esperança firme perante os fiéis (17), a fim de poderem consolar aqueles que se encontram na angústia, com aquela exortação com que eles são exortados por Deus (18); chefes da comunidade, cultivam a ascese própria dos pastores de almas, renunciando às próprias comodidades, buscando não aquilo que lhes é útil a si, mas a muitos, para que se salvem (19), aperfeiçoando-se sempre cada vez mais no desempenho do seu múnus pastoral, dispostos a tentar novas vias, onde for necessário, guiados pelo Espírito de amor, que sopra onde quer (20).

Fonte: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19651207_presbyterorum-ordinis_po.html

Grande abraço a todos.
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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Jul 11, 2011 12:44 pm

Então diga-me:
Porque é que junto à Igreja de Ermesinde vi lá um lugar para estacionar o carro reservado para «O CELEBRANTE»?!
Eu pensei que estaria reservado para o padre.
Afinal, enganei-me!
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Manuel Portugal Pires

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por RenatoPaulo em Seg Jul 11, 2011 6:15 pm

Vcs ai em Portugal so sabem reclamar...

Povo nescio e desgracado!
Quer seja profeta,quer seja de letras,quer seja artista,quer seja de canticos,Deus o tira de vosso seio.

Depois chorais lagrimas de pena nascida em vossos rins!
Ai meu Deus!Olha para eles Oh Deus invisivel!
Ja confundem a praia com o Paraiso...
Andam de jornal debaixo do braço,com pulseira bem polida e a cruz do ourives a criar raizes entre os cabelos do peito.
As mulheres de nariz empinado,com oculos de sol a esconder olhos de lagarto,a imitar a Eva de seios livres na praia,dizendo-se santas...

A velha com o rosario as costas,pois esta chegando seus dias e o velho sem reforma paga,sentado no banco da frente na Igreja,mas com a mão a fazer a cruz de voto para o sr.deputado.

Ai meu DEUS!Olha para eles Oh DEUS de Abraão!
De jornal debaixo do braço,para atraves dele rezarem a oração.
Oração de jornal,oração para o comilão!
Quem morreu?-perguntam ao orar o jornal
O Quim ou o Zé...-respondem as beatas de soslaio
Que deus os tenha...melhor ele do que eu...foi na sua hora...-oram aquele povo de meia tigela

Terra boa o SENHOR vos ofereceu,mas foi por vós encalcetada de pedra solarenta.
E a semente?Para onde ira cair agora?
Em cima de pedra?

Oh jovem,onde estas?
-Drogado.
E tu?
-Na bebedeira...
E tu,jovem de cabelo encaracolado?
Desempregado...

Oh meu DEUS!Oh DEUS de Moises e de David!Repara neles...
Mostra-lhes a figueira!

As portas foram pintadas com sinal de sangue,para o povo santo se encantar...
Mas a vós,nem telhado todo pintado vos ira salvar!
Na Igreja vos ides esconder,para pedir perdão,pois quereis agora vos salvar...
Mas o Sopro por debaixo da porta ira entrar,para muitos de vós levar...

Mas quando a angustia acabar...
Os sinos alegremente irão tocar.

E o açido destruira a pedra da calçada...
Para a semente ser amanhada e amada
E nascer pelo sinal da alvorada


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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Sex Jul 15, 2011 10:18 pm

Caríssimos Irmãos,

No sentido de aprofundar ainda mais o nosso conhecimento a respeito da Eucaristia, estou sugerindo a reflexão a respeito da carta encíclica Ecclesia de Eucharistia (João Paulo II):

http://www.padrefelix.com.br/sacr_eucaristia07.htm

Um grande abraço a todos !!!
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O amor de YHWH liberta-nos da cegueira humana.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Dom Jul 17, 2011 1:18 pm

Jesus disse:
27*Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim! 28Pai, manifesta a tua glória!» Veio, então, uma voz do Céu: «Já a manifestei e voltarei a manifestá-la!» (João 12,27)

Yeshua disse isto depois de ter sido proclamado REI pela multidão, na sua entrada em Jerusalém.

Sim, Yeshua veio para ser REI. Ser Messiah implica ser o REI escolhido por YHWH.

Mas Yeshua sabia que a seguir iria ser condenado, entregue e morto.

Ele veio para o que era seu, mas os seus não o RECEBERAM. (João 1,11)

A condenação e morte de Yeshua (o REI escolhido por YHWH) foi o ERRO maior que toda a humanidade cometeu. Todos estavam cegos e surdos.
Em contrapartida, o amor de YHWH em Yeshua não teve limites e em troca dessa morte concedeu o PERDÃO.

Cristo (o Messiah) não queria morrer: (Mateus 14,36; Lucas 22,42)

Mas Yeshua, previu (assim como as profecias) que a humanidade (judeus e gregos; israelitas e pagãos) cega iria repudiar o REI escolhido por YHWH, dando a morte e uma morte desonrosa, uma morte de maldição: (Gálatas 3,13)

Ora isto não poderia ser esquecido, até que se cumprissem os propósitos de YHWH, isto é a aceitação do Messiah como Rei eterno:

Foi por isso que ELE instituiu, na sua última ceia, aquilo que agora chamam de Eucaristia a fim de que o PECADO da humanidade e o AMOR de YHWH fossem lembrados até à vinda gloriosa do Messiah de YHWH:

23*Com efeito, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus na noite em que era entregue, tomou pão 24e, tendo dado graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim». 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes, em memória de mim.» 26*Porque, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
27*Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. 28Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; 29pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação. 30Por isso, há entre vós muitos débeis e enfermos e muitos morrem. 31Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; 32mas, quando somos julgados pelo Senhor, Ele corrige-nos, para não sermos condenados com o mundo.
33Por isso, meus irmãos, quando vos reunirdes para comer, esperai uns pelos outros. 34*Se algum tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para vossa condenação. Quanto a outros assuntos, hei-de resolvê-los quando chegar.(1ª Corintios 11)

Assim, preparemos-nos para a sua chegada triunfal (Apocalipse 19) arrependendo-nos do ERRO (imperdoável para os homens, mas perdoável para DEUS) e aceitando o Seu AMOR:

porque:

«O que é impossível aos homens é possível a Deus.» (Lucas 18,27)
(Mateus 19,26; .... Marcos 10,27)
Isto é indispensável para constituirmos o SEU CORPO: a sua ekklesia (Grego: ἐκκλησία).
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Manuel Portugal Pires

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Petrus Romanus em Dom Jul 17, 2011 9:36 pm

O senhor parece confundir o corpo místico de Cristo, a Igreja, com o corpo sacrificado do Cristo na ara da cruz, que era verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Não foi a Igreja que foi pregada na cruz e muito menos nós, foi o próprio Cristo em seu corpo e alma. E como diz a Escritura: "Dir-lhes-ás: eis o sacrifício pelo fogo que oferecereis ao Senhor: um holocausto quotidiano e perpétuo de dois cordeiros de um ano, sem defeito. Oferecerás um pela manhã e outro entre as duas tardes" (Números 28,3s). Assim também nós em memória do sacrifício único e suficiente (Hebreus 10,12), celebramos o sacrifício de Cristo, o nosso cordeiro pascal, todos os dias, em memória dele e em cumprimento da Escritura. Portanto a hóstia tem de ser verdadeiramente o cordeiro, e o sangue tem de ser verdadeiro o sangue expiatório do cordeiro, do contrário não haveria cumprimento da Escritura, do contrário teríamos nós negligenciado os estatutos perpetuos que foram reconfirmados pelo Cristo: "e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim." (1 Corintios 11,24)

Já a Igreja representa sua gloriosa ressurreição e seu corpo místico que tanto nos céus quanto na terra tem muitos filhos e um só marido, Jesus, que é a cabeça da Igreja.

Que Maria, Rainha-mãe do Universo, seja a nossa auxiliadora na caminhada por Cristo ao Pai

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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Jul 18, 2011 12:00 pm

Não, não confundo.
O que eu quero dizer é que não só o que chamamos igreja (ou corpo mistico de Cristo) mas toda a humanidade é culpada da morte do Messiah.
YHWH não obrigou ninguém a matar o Messiah. A morte foi uma consequências da imperfeição (pecados) da mesma, tanto de judeus, como de gregos (isto é de israelitas, representados pelos sacerdotes que O condenaram, como dos gentios representados pelos romanos, que O mataram).

Também posso dizer com toda a convicção que YHWH (DEUS) não morreu, nem foi morto. Deus não pode morrer nem tão pouco a Sua divindade, quer a que está inerente em si mesmo, quer a do Filho que procede do PAI.
Morreu apenas um homem, escolhido por YHWH para ser Rei e a sua realiza foi rejeitada por toda a humanidade. Isso foi um erro crasso.
Mas se a humanidade chegou a pecar até ao extremo a ponto de matar o escolhido de YHWH, o AMOR de DEUS também chegou até ao extremo concedendo aos agressores a possibilidade de perdão.

Quanto ao cumprimento profético da morte de Yeshua já previsto nas escrituras do A.T. não implica que tenha sido essa a vontade de YHWH, mas ELE que sabe tudo, o que vai acontecer no futuro, respeitando sempre a vontade (livre arbítrio) das suas criaturas humanas, já sabia que isso ia acontecer. Por isso, providenciou tudo (incluindo a morte sacrificial de Yeshua), mesmo antes de ter criado o ser humano. Yeshua não queria morrer, mas para que se cumprissem os propósitos de YHWH, no que respeita à humanidade, aceitou ser a vítima salvadora.

Deus escreve sempre direito, mesmo por linhas tortas.

Por isso permitam-me que transcreva as seguintes palavras de Paulo:
33*Oh, que profundidade de riqueza,
de sabedoria e de ciência é a de Deus!
Como são insondáveis as suas decisões
e impenetráveis os seus caminhos!
34*Quem conheceu o pensamento do Senhor?
Quem lhe serviu de conselheiro?
35*Quem antes lhe deu a Ele,
para que lhe seja retribuído?
36Porque é dele, por Ele
e para Ele que tudo existe.
Glória a Ele pelos séculos! Ámen.

(Romanos 11)
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A Igreja vive da Eucaristia

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Jul 27, 2011 3:14 pm

Caros amigos,

Aproveitando a sugestao do Flávio, vejamos o que disse o grande Papa Joao Paulo II sobre a relaçao da Eucaristia com a Igreja.

1. A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt. 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança.

O Concílio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é « fonte e centro de toda a vida cristã ».(1) Com efeito, « na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo ».(2) Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

3. Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Actos do Apóstolos: « Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações » (2, 42). Na « fração do pão », é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois, continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E, ao fazê-lo na celebração eucarística, os olhos da alma voltam-se para o Tríduo Pascal: para o que se realizou na noite de Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia, e nas horas sucessivas. De fato, a instituição da Eucaristia antecipava, sacramentalmente, os acontecimentos que teriam lugar pouco depois, a começar da agonia no Getsémani. Revemos Jesus que sai do Cenáculo, desce com os discípulos, atravessa a torrente do Cedron e chega ao Horto das Oliveiras. Existem ainda hoje naquele lugar algumas oliveiras muito antigas; talvez tenham sido testemunhas do que aconteceu junto delas naquela noite, quando Cristo, em oração, sentiu uma angústia mortal « e o seu suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra » (Lc. 22, 44). O sangue que, pouco antes, tinha entregue à Igreja como vinho de salvação no sacramento eucarístico, começava a ser derramado; a sua efusão completar-se-ia depois no Gólgota, tornando-se o instrumento da nossa redenção: « Cristo, vindo como Sumo Sacerdote dos bens futuros [...] entrou uma só vez no Santo dos Santos, não com o sangue dos carneiros ou dos bezerros, mas com o seu próprio sangue, tendo obtido uma redenção eterna » (Heb. 9, 11-12).

4. A hora da nossa redenção. Embora profundamente turvado, Jesus não foge ao ver chegar a sua « hora »: « E que direi Eu? Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que cheguei a esta hora! » (Jo 12, 27). Quer que os discípulos Lhe façam companhia, mas deve experimentar a solidão e o abandono: « Nem sequer pudestes vigiar uma hora Comigo. Vigiai e orai para não cairdes em tentação » (Mt. 26, 40-41). Aos pés da cruz, estará apenas João ao lado de Maria e das piedosas mulheres. A agonia no Getsémani foi o prelúdio da agonia na cruz de Sexta-feira Santa. A hora santa, a hora da redenção do mundo. Quando se celebra a Eucaristia na basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, volta-se de modo quase palpável à « hora » de Jesus, a hora da cruz e da glorificação. Até àquele lugar e àquela hora se deixa transportar em espírito cada presbítero ao celebrar a Santa Missa, juntamente com a comunidade cristã que nela participa.
« Foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia ». Estes artigos da profissão de fé ecoam nas seguintes palavras de contemplação e proclamação: Ecce lignum crucis in quo salus mundi pependit. Venite adoremus - « Eis o madeiro da Cruz, no qual esteve suspenso o Salvador do mundo. Vinde adoremos! » É o convite que a Igreja faz a todos na tarde de Sexta-feira Santa. E, quando voltar novamente a cantar já no tempo pascal, será para proclamar: Surrexit Dominus de sepulcro qui pro nobis pependit in ligno. Alleluia - « Ressuscitou do sepulcro o Senhor que por nós esteve suspenso no madeiro. Aleluia ».

5. Mysterium fidei! - « Mistério da fé ». Quando o sacerdote pronuncia ou canta estas palavras, os presentes aclamam: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! ».
Com estas palavras ou outras semelhantes, a Igreja, ao mesmo tempo que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: Ecclesia de Eucharistia. Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo. O seu fundamento e a sua fonte é todo o Triduum Paschale, mas este está de certo modo guardado, antecipado e « concentrado » para sempre no dom eucarístico. Neste, Jesus Cristo entregava à Igreja a atualizarão perene do mistério pascal. Com ele, instituía uma misteriosa « contemporaneidade » entre aquele Triduum e o arco inteiro dos séculos.
Este pensamento suscita em nós sentimentos de grande e reconhecido enlevo. Há, no evento pascal e na Eucaristia que o atualiza ao longo dos séculos, uma « capacidade » realmente imensa, na qual está contida a história inteira, enquanto destinatária da graça da redenção. Este enlevo deve invadir sempre a assembleia eclesial reunida para a celebração eucarística; mas, de maneira especial, deve inundar o ministro da Eucaristia, o qual, pela faculdade recebida na Ordenação sacerdotal, realiza a consagração; é ele, com o poder que lhe vem de Cristo, do Cenáculo, que pronuncia: « Isto é o meu Corpo que será entregue por vós »; « este é o cálice do meu Sangue, [...] que será derramado por vós ». O sacerdote pronuncia estas palavras ou, antes, coloca a sua boca e a sua voz à disposição d'Aquele que as pronunciou no Cenáculo e quis que fossem repetidas de geração em geração por todos aqueles que, na Igreja, participam ministerialmente do seu sacerdócio.


1. « O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue » (1Cor. 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia.Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos.(9) Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação « mistério da fé » feita pelo sacerdote: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte ».
A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d'Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois « tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente ».(10)
Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ».(11) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nele, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável.(12) É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste Mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós?Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao « extremo » (cf. Jo 13, 1), um amor sem medida.
12. Este aspecto de caridade universal do sacramento eucarístico está fundado nas próprias palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não Se limitou a dizer « isto é o meu corpo », « isto é o meu sangue », mas acrescenta: « entregue por vós (...) derramado por vós » (Lc. 22, 19-20). Não se limitou a afirmar que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas exprimiu também o seu valor sacrificial, tornando sacramentalmente presente o seu sacrifício, que algumas horas depois realizaria na cruz pela salvação de todos. « A Missa é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o memorial sacrificial em que se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão do corpo e sangue do Senhor ».(13)
A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ».(14) Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: « Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá ».(15)
A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário.
13. Em virtude da sua íntima relação com o sacrifício do Gólgota, a Eucaristia é sacrifício em sentido próprio, e não apenas em sentido genérico como se se tratasse simplesmente da oferta de Cristo aos fiéis para seu alimento espiritual. Com efeito, o dom do seu amor e da sua obediência até ao extremo de dar a vida (cf. Jo 10,17-18) é em primeiro lugar um dom a seu Pai. Certamente, é um dom em nosso favor, antes em favor de toda a humanidade (cf. Mt. 26, 28; Mc. 14, 24; Lc. 22, 20; Jo 10, 15), mas primariamente um dom ao Pai: « Sacrifício que o Pai aceitou, retribuindo esta doação total de seu Filho, que Se fez “obediente até à morte” (Flp. 2, 8), com a sua doação paterna, ou seja, com o dom da nova vida imortal na ressurreição ».(18)
Ao entregar à Igreja o seu sacrifício, Cristo quis também assumir o sacrifício espiritual da Igreja, chamada por sua vez a oferecer-se a si própria juntamente com o sacrifício de Cristo. Assim no-lo ensina o Concílio Vaticano II:
« Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, [os fiéis] oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela ».(19)
14. A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Assim o lembra a aclamação da assembléia depois da consagração: « Proclamamos a vossa ressurreição ». Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia. S. Ambrósio lembrava aos neófitos esta verdade, aplicando às suas vidas o acontecimento da ressurreição: « Se hoje Cristo é teu, Ele ressuscita para ti cada dia ».(20) Por sua vez, S. Cirilo de Alexandria sublinhava que a participação nos santos mistérios « é uma verdadeira confissão e recordação de que o Senhor morreu e voltou à vida por nós e em nosso favor ».(21)
15. A reprodução sacramental na Santa Missa do sacrifício de Cristo coroado pela sua ressurreição implica uma presença muito especial, que – para usar palavras de Paulo VI – « chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem ».(22) Reafirma-se assim a doutrina sempre válida do Concílio de Trento: « Pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação ».(23) Verdadeiramente a Eucaristia é mysterium fidei, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceite pela fé, como lembram freqüentemente as catequeses patrísticas sobre este sacramento divino. « Não hás-de ver – exorta S. Cirilo de Jerusalém – o pão e o vinho [consagrados] simplesmente como elementos naturais, porque o Senhor disse expressamente que são o seu corpo e o seu sangue: a fé t'o assegura, ainda que os sentidos possam sugerir-te outra coisa ».(24)
« Adoro te devote, latens Deitas »: continuaremos a cantar com S. Tomás, o Doutor Angélico. Diante deste mistério de amor, a razão humana experimenta toda a sua limitação. Compreende-se como, ao longo dos séculos, esta verdade tenha estimulado a teologia a árduos esforços de compreensão.
São esforços louváveis, tanto mais úteis e incisivos se capazes de conjugarem o exercício crítico do pensamento com a « vida de fé » da Igreja, individuada especialmente « no carisma da verdade » do Magistério e na « íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais » (25) sobretudo os Santos. Permanece o limite apontado por Paulo VI: « Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério, para estar de acordo com a fé católica deve assegurar que na sua realidade objetiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o corpo e o sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho ».(26)

Com isso respondemos tudo desse tópico. Expomos de modo sintético nossa fé que é, certamente, a mesma fé bíblica. Se alguem quiser acrescentar algo de relevante, envie-nos uma mensagem pessoal ou que abra um novo tópico. Grande abraço a todos.
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Pe. Anderson
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Re: Eucaristia, muito mais que reunião fraterna

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