Quem somos nós?

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Re: Quem somos nós?

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Ter Mar 09, 2010 6:24 am

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn1,26-27; 5,1; 9,6; Jó 10,8; Sl 118,73; Sab 2,23; Eclo 17,1; Tg 3,9). Esta concepção do homem como imagem e semelhança de Deus, fundamentada nas Sagradas Escrituras, faz parte da nossa fé e descreve o homem desde a sua origem, desde a sua criação.

Mas o que significa essa afirmação de que o homem é imagem e semelhança de Deus? Isso significa que o homem foi criado para ser santo, para viver na santidade, cujo modelo é Deus (Dt 6,5; Mt22,37; Mc 12,30; Lc 10,27) e no amor ao próximo (Lev 19,18; Mt 5,43-48; 12,31; 19,19; 22,39; Lc 10,27; Rm 13,9; Gl 5,14; Tg 2,0).

A santidade é, pois, o maior desejo de Deus a respeito do homem. Muitas vezes Deus nos fala na sua Palavra: "Sede santos como eu sou santo" (Lv 11,44; 1Pd 1,16) ou "sede perfeitos como o Pai Celestial é perfeito" (Mt 5,48), de forma que o homem jamais se conhecerá a si mesmo enquanto não adentrar por completo nesta santidade, nesta perfeição.

Foi pela desobediência que o homem maculou a imagem e a semelhança de Deus que havia em si mesmo, tornando-se inquieto em si mesmo e fazendo indagações a seu próprio respeito. Assim, mesmo antes da filosofia se estabelecer como ciência, a inquietude do homem no sentido de se auto-definir passou a ser uma constante na sua vida.


CONTINUO MAIS TARDE (chegou a hora de ir para o trabalho)

Flávio Roberto Brainer de
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Re: Quem somos nós?

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Ter Mar 09, 2010 8:57 am

CONTINUANDO...


Neste sentido, Jó foi levado a questionar a essência do ser humano no seguinte teor: "O que é o homem para fazerdes caso dele, para te dignares ocupart-te dele?" (Jó 7,17). Este mesmo questionamento aparece nas Sagradas Escrituras por várias vezes demonstrando não somente essa inquietude, como também, a natureza do homem um pouco menor do que a dos anjos e a sua missão de, coroado de glória e de honra, crescer e dominar as obras do seu Criador (Sl 8,5-7; Hb 2,6-8).


De semelhante maneira, São Francisco de Assis questiona a pequenez do ser humano diante da grandiosidade de Deus: "Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós, o altíssimo Senhor do céu e da terra, e eu, um miserável vermezinho, vosso ínfimo servo", confirmando assim, a missão humana de completar a obra do Criador.


Ao se questionar a maneira como Deus se preocupa com o homem, tem-se a noção de que o homem, tendo a sua natureza corrompida pelo próprio pecado, mesmo tendo sido criado perfeito e santo, tornou-se imperfeito, pecador e cheio de defeitos, carecendo, portanto, da graça de Deus para ser recuperado, restaurado, regenerado.


Aqui, me parece oportuno, referendar o colóquio de Thales quando, citando Hanna Arendt, afirma que "o homem é um ser inacabado". Esta concepção tem suas raízes nas Sagradas Escrituras e pode ser percebida quando afirma o salmista: "O Senhor completará o que em meu auxílio começou" (Sl 137,8).


Percebemos pois, que mesmo que de forma desfigurada, o homem é imagem e semelhança de Deus que, tendo maculada a sua imagem e semelhança no homem que se permitiu esconder por trás de um véu de pecados, nos dá a graça para recuperarmos aquilo que havíamos perdido, conforme nos ensina São Paulo: "Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Senhor e nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandescentes, pela ação do Espírito do Senhor" (2Cor 3,17-18).


Assim sendo, responder a pergunta "O que é o homem?", como afirmei anteriormente, nos coloca diante de uma constante inquietude que se multiplica em sucessivas indagações. Se somos imagem e semelhança de Deus, por que nos tornamos pecadores? Por que somos inquietos? Por que não nos conhecemos a nós mesmos?


A estas indagações, não sei como responder com a devida precisão, mas gostaria de, ao terminar este meu colóquio, deixar para a nossa reflexão, uma frase de Santo Agostinho que, ao meu ver, parece ter uma resposta muito satisfatória, visto que, mesmo não respondendo de uma forma direta, nos aponta o caminho para tal resposta:


"FIZESTE-NOS PARA TI, SENHOR, E O NOSSO CORAÇÃO ESTARÁ INQUIETO ENQUANTO NÃO ADENTRAR NO REPOUSO DA TUA SANTIDADE" (Confissões de Santo Agostinho)


Um abraço a todos !!!

Flávio Roberto Brainer de
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Re: Quem somos nós?

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Ter Mar 09, 2010 3:37 pm

Não poderia deixar de fazer referência ao que, sabiamente o Pe. Anderson escreveu:


"Sou imagem e semelhança do Deus Uno e Trino; sou um ser nascido de Deus, que me encaminho para Deus, na companhia de Deus"


Esta resposta do Pe. Anderson nos chama a atenção para o cuidado que Deus tem para conosco, nos criando por amor e permanecendo conosco enquanto caminhamos para Ele.


Nesta resposta, vi sintetizada toda a história do homem desde a sua criação até a chegada do dia eterno (que não tem ocaso), que é a realidade do céu. Me veio ao coração a parábola do bom samaritano (Mt 22,34-40; Mc 12,28-34; Lc 10,30-35).


Diz a parábola que o homem desceu de Jerusalém para Jericó, ou seja, em outras palavras, o homem veio de Deus, foi criado por Deus e colocado, por seu imenso amor, no paraíso terrestre. Convém, nesta passagem do bom samaritano, ver Jerusalém como cidade de Deus e Jericó como uma cidade-oásis situada no meio do deserto, o que nos dá, com precisão, a idéia do paraíso terrestre descrito pelo Gênesis.


Este homem caiu nas mãos de ladrões e salteadores, diz a parábola, se referindo à ação da antiga serpente que, levando o homem ao pecado, o deixou ferido e meio morto, ou seja, desfigurado da sua primeira imagem, corrompido pelo pecado.


Por fim, o samaritano curou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho e o levou para uma hospedaria e cuidou dele, deixando-o aos cuidados dos que alí estavam, prometendo-lhes a recompensa no dia de sua volta. Aqui vemos o cuidado imenso de Jesus para conosco, curando as nossas feirdas, perdoando os nossos pecados, nos ungindo com o óleo de unção e nos lavando com o seu preciosíssimo sangue. Ele nos deixa na sua Igreja aos cuidados dos seus servos até o dia de sua volta, quando estaremos com Ele para todo o sempre.


Assim, a relação existente o que o Pe Anderson escreveu ao responder quem é o homem com a parábola do bom samaritano é muito simples e nos mostra de onde viemos, o que somos e para onde vamos.


Obrigado, Pe. Anderson, pela profundidade teológica com que você tem nos ensinado com sua linguagem simples e cheia de amor.


Que Deus o conserve sempre bem pertinho da gente !


Um Abraço !

Flávio Roberto Brainer de
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Imagem de Deus e aborto.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Mar 10, 2010 12:18 pm

[justify]Caro Flávio,

Obrigado pelas palavras, que bom que nossas palavras o ajudaram. Muito interessante a relação que você faz dessa explicação com a Parábola do Bom Samaritano. Realmente aí nós percebemos que Deus sempre nos precede, nos acompanha, nos dirige e, quando preciso, nos cura.

Mas só gostaria de lhe dizer que essa explicação teológica que apresentei, que trata do homem como imagem e semelhança de Deus, não é uma explicação minha. Na verdade é do Papa Bento XVI, apresentada num dos livros mais geniais que eu li dele: “Fé, Verdade e Tolerança”. Esse livro é absolutamente genial e existe no Brasil. Recomendo muito a sua leitura.

Na verdade, temos que dizer que essa explicação do Papa é uma exposição moderna da Teologia de Santo Agostinho. Foi ele que explicou o homem como “imagem e semelhança” do Deus Uno e Trino. Isso porque cada homem, na sua vida interior, tem uma trindade substancial: cada homem possui uma memória, com a qual é consciente de si mesmo e das coisas; uma inteligência (para conhecer a verdade) e uma vontade (para amar o bem). A memória do homem é imagem de Deus Pai (princípio e origem de toda a Trindade), a inteligência humana é imagem de Cristo, a Inteligência (O Lógos, segundo João 1) de Deus; e a vontade, que é capacidade de amar o bem. Essa capacidade de amar é imagem do Espírito Santo, o amor substancial de Deus. Essa doutrina trinitária de Santo Agostinho está apresentada e extensamente desenvolvida no seu grande livro: De Trinitate. Dessa forma, cada pessoa humana é um ser uno e trino: uno em sua substância e trino nas suas faculdades. Isso reflexa a unidade da substancia divina presente na multiplicidade de pessoas. Essa é no fundo a raiz ultima da dignidade humana e esse seria o significado da expressão bíblica “imagem e semelhança de Deus.”

O Papa retoma essa idéia de Santo Agostinho no seu livro. E o mais surpreendente: ele explica o ser humano dessa forma quando começa a tratar do aborto! Isso mesmo, quando ele começa a falar do aborto, ele explica o homem como um ser-para (imagem de Deus Pai, Ser-Para o Filho), ser-desde (imagem de Jesus Cristo, o Ser-Desde o Pai), ser-com (Imagem do Espírito Santo, Deus-Com o Pai e com o Filho). Segundo o Papa o ser humano, quando está no seio materno é imagem e semelhança de Deus da forma mais elevada.

Sendo assim, o homem no sei materno é totalmente "ser-desde", ou seja, um ser que depende absolutamente de outro, da mãe. Nesse caso é uma imagem de Deus Filho; ao mesmo tempo, é um "ser-com", ou seja, é um ser tão dependente e tão unido a outro que, podemos dizer que vive a mesma vida da mãe. Como “ser-com a mãe”, o homem é imagem do Deus Espírito Santo; também o ser humano no seio materno não é a mãe, não é um pedaço do corpo da mãe, mas sim é um ser diverso, autônomo. Se esse for retirado do seio da mãe, como simples embrião, pode viver cerca de 100 anos. O ser humano no seio da mãe é um ser independente, um ser que em certo sentido não pertence à mãe, é um “ser-para” a sociedade, é um ser para o mundo. Por isso nessa fase, o ser humano é um “ser indisponível”, um ser que não pode ser tocado, manipulado, ameaçado.

Então todo ser humano no seio materno representa a Santíssima Trindade do modo mais perfeito, e revela para o homem o ser mais intimo de Deus. Deus é um só, mas não é solitário, é comunitário.

De tudo isso, nós podemos concluir a extrema gravidade do aborto! Desde um ponto de vista teológico,o aborto é um atentado direto contra a principal forma de imagem e semelhança de Deus! O aborto é um atentado direto contra uma vida humana inocente e um atentado gravíssimo contra Deus, que doou aquela vida à mulher para custodiá-la, protegê-la, amá-la, assim como Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo se amam totalmente.

O aborto é, com toda a certeza, uma das principais ofensas a Deus e à dignidade humana. Com toda a certeza o aborto é um pecado demoníaco, uma tentativa do homem “ser como Deus”, sem depender de Deus.

Isso explica também o quanto é traumatizante para a mulher que comete o pecado do aborto. É uma situação muito triste. A ciência hoje nos fala de “Sindrome pos-aborto”, que afeta às mulheres que cometem tal ato. Isso significa que, para a maioria delas, todos os dias, com muita freqüência, vem à sua mente, à sua consciência: “você matou seu filho, um filho que Deus te deu.” Isso é realmente muito triste, terrível. Dessa forma, até mesmo a ciência biomédica mostra hoje que todo aborto é sempre a destruição de duas vidas: a da criança e a da mãe. O aborto causa feridas tão graves na mulher (não somente na mulher religiosa, mas em todas as mulheres, crentes, atéias ou pagãs) que se manifestam tantas vezes: na perca do trabalho; na perca da capacidade de se relacionar com outros homens; na perca da alegria de viver; na depressão, no rompimento do matrimônio, até mesmo no suicídio.

O papel dos cristãos para com as mulheres que cometeram esse tipo de ato não pode ser jamais de condena, mas sim de compaixão. O cristão deve rezar por essas senhoras, acompanhá-las em seus sofrimentos, ajudá-las a expiar por esse pecado. O cristão deve sim, com todas as forças, condenar o ato em si, condenar o pecado, jamais o pecador. “Pois Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva”. O cristão deve procurar ajudar àqueles que pecaram, condenar sempre a gravidade desse ato moral, procurar que não ocorram mais esse tipo de atos e educar aos jovens.

Somente um governo irresponsável socialmente, dirigido por Ideologias demoníacas pode incentivar a prática do aborto, que destrói a vida de um número imenso de vidas e ajuda a destruir as bases de uma sociedade.

Temos que lembrar também que o primeiro Estado Moderno a permitir a prática do aborto, a despenalizar no início e a incentivar posteriormente, foi a Rússia comunista. É bom saber também que quando Nossa Senhora apareceu em Fátima falou à 3 simples crianças portuguesas que “Rússia espalharia os seus erros pelo mundo, mas no final o meu Imaculado Coração triunfará.” Três crianças que jamais tinham ouvido falar de “Rússia” transmitiram essas palavras de Nossa Senhora ao mundo inteiro no início do século XX.

Creio que é isso, achei que escrevi muito já. Deixo essas idéias para que meditemos e que Nossa Senhora esteja sempre conosco.
[/justify]

Pe. Anderson
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Re: Quem somos nós?

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Mar 11, 2010 10:23 pm

Muito obrigado, Pe. Anderson !


Tudo o que você afirmou neste ultimo colóquio me faz amar mais ainda o nosso Santo Padre, bem como aqueles que estão em comunhão com ele.


Grande abraço e, fique com Deus !

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E afinal Quem sou eu?! ...

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qui Jul 28, 2011 12:04 pm

Nasci em 26 de Fevereiro de 1944, em Arrifana - Guarda, porque minha mãe se casou com o meu pai, que era da paróquia onde seu irmão veio a paroquiar nos seus 3 últimos anos de vida.
Assim, depois de nascer, meu pai registou-me logo no registo civil da Guarda com o nome de «Manuel Portugal Pires».
Passado algum tempo fui baptizado na igreja matriz de Arrifana com o nome de «Manuel da Silva Portugal Pires».

Assim eu sou como que DUAS pessoas distintas, numa única personalidade.
Curioso, foi minha mãe que me ensinou as primeiras letras, e ela tinha apenas a 2ª classe incompleta.
Quando chegou a hora de me matricularem na Escola, a professora (ela parecia mais uma víbora) disse-me que não podia assinar mais o meu nome como «Manuel da Silva Portugal Pires», porque na cédula constava «Manuel Portugal Pires». Isso foi, para mim uma proibição que me encheu de tristeza, por ser obrigado a desobedecer a minha mãe que me amava para ser obrigado a obedecer àquela víbora a quem chamávamos de «minha senhora».

A partir daqui, começou a cumprir-se em mim aquela maldição escrita no cap. 3 de Génesis:

11 E Deus perguntou: "Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?"
12 Disse o homem: "Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi".
13 O Senhor Deus perguntou então à mulher: "Que foi que você fez?" Respondeu a mulher: "A serpente me enganou, e eu comi".
14 Então o Senhor Deus declarou à serpente: "Uma vez que você fez isso, maldita é você entre todos os rebanhos domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre você rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida.
15 Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar".
16 À mulher, ele declarou: "Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará".
17 E ao homem declarou: "Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida.
18 Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo.
19 Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará".

(Génesis 3)


Eu tenho sido vitima desta inimizade entre as víboras (descendentes da serpente) e a descendência da mulher.

Mas até quando, SENHOR até quando! ... ... ...

Manuel Portugal Pires

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