Mulheres Sacerdotes

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Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Bernardo em Sab Jun 12, 2010 2:07 pm

Olá, primeiramente não sei se já tem uma discussão disso neste fórum caso tenha me indiquem o link por favor. Coloquei este tópico em história da Igreja pois talvez tenha um pouco a ver.

Nestes últimos dias tive algumas discussões com amigos meus sobre mulheres sacerdotes. Na hierarquia da Igreja sabemos que existem apenas sacerdotes homens. Alguns destes meus amigos compartilham a opinião de que isto é machismo e que nos dias de hoje onde homens e mulheres têm os mesmos direitos e são vistos como iguais isto deveria ser modificado. Tem alguns que argumentam que é assim até hoje em dia pois Jesus escolheu apenas homens para seus discípulos. Mas isso não me convence muito já que qualquer um na posição de Jesus também escolheria apenas homens pois a palavra de uma mulher na época não era de muita importância e confiança.

Bem, sabemos que isto não é algo necessário pára a nossa fé, e que devemos obediência à escolha da Igreja pois cabe a Ela decidir o que é melhor para seu povo. Mas eu gostaria de saber qual o argumento da Igreja sobre isso e qual a opinião de todos vocês...

Fiquem com Deus.....
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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Jun 12, 2010 3:16 pm

Caro Bernardo,

Seja bem-vindo ao nosso forum. Eu estou devendo uma resposta a essa questao há muito tempo. Penso que nos próximos dias desenvolverei esse tema, pois tenho a resposta em mente, mas nao consigo tempo para colocá-la no papel.

Só te adianto duas idéias: as mulheres tem exatamente os mesmos direitos dos homens para ser sacerdotes: nenhum! O sacerdócio nao é um direito, nem mesmo um poder: é uma vocaçao. Deus chama a quem ele quer, porque Ele quer.

O sacerdócio nao pode ser entendido em categorias marxistas: nao é uma espécie de poder na Igreja, mas é um serviço. Como dizia o cardeal Ratzinger, na Igreja primitiva, Maria era superior à Pedro, entretanto jamais se afirmou que ela fosse sacerdote.

Depois, na sua vida, Jesus só escolheu homens para ser sacerdotes e escolheu outrar mulheres para seguí-lo. Jesus nao era machista, nem mesmo a Igreja. Só que a Igreja nao tem poder para mudar a vontade do Senhor, que foi transmitida à Ela em forma de diversas instituiçoes.

Depois desenvolvo melhor o tema, mas acho que isso já diz alguma coisa. Grande abraço e que o Senhor o abençoe.
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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Bernardo em Ter Jun 15, 2010 9:50 pm

Obrigado pela resposta. Realmente acabamos pensando que sacerdócio é uma
espécie de poder na Igreja...

Mas é um pouco difícil de crer que
nenhuma mulher sinta-se chamada a esta vocação. Pois é algo que
realmente nos enche os olhos.
O Sacerdote é a presença de Cristo numa
comunidade. Sem o sacerdote, não há Cristo presente na eucaristia. E
levar Cristo aos fiéis deve ser um prazer muito grande.
É claro que
vocação é diferente de trabalho, onde fazemos o que queremos e gostamos,
mas sei lá, é um pouco difícil de acreditar que nunca Deus despertou
uma vocação sacerdotal em uma mulher...

Mas também, acho que
nunca saberemos isso, pois no seminário não são aceitas mulheres. Então a
própria Igreja escolhe apenas homens para o sacerdócio. Sei que cabe à
Igreja decidir isto, pelo magistério. A Igreja sabe o que é melhor para
ela própria.
Mas eu gostaria de saber o porquê da Igreja escolher
isto.. Pois se for apenas porque Jesus escolheu apenas homens acho um
argumento que não me convence muito, pois era a realidade da época na qual o que as mulheres falavam não era levado em conta.

Obrigado, sua benção padre

Ah, agora ví que tem uma seção com o nome cristianismo hoje e acho que este tópico ficaria melhor lá. Se alguém puder mudar...
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Bernardo

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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Aline Rigueti em Qui Jun 17, 2010 8:16 pm

Olá, sou nova por aqui, essa é minha primeira vez num tópico, rs

Sobre essa questão que o Bernardo levantou, sempre tive dúvidas também. E não entendo muito bem esse argumento usado pelo Pe. Anderson "O sacerdócio nâo é um direito, nem mesmo um poder: é uma vocação."

Acredito que o sacerdócio seja ao mesmo tempo uma vocação e um poder, já que a Igreja tem o poder de como o próprio Jesus fala: "tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus". E isso é sim um poder! E quem exerce esse poder é o Magistério da Igreja (formado por padres!) baseado nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição da Igreja.

Outro ponto importante a ser tocado aqui é que mais do que poder e vocação o sacerdócio é também um sacramento, ou seja, um sinal visível da graça de Deus. E a graça de Deus é gratuita e universal. Não entendo por que esse sacramento, ou seja, essa graça, só pode ser recebido por homens. Enquanto todos os outros são "abertos" a ambos os sexos.

Espero que alguém possa me ajudar nessa questão.
Fiquem com Deus.

Aline Rigueti

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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Jun 22, 2010 8:25 am

Caros amigos,

Em primeiro lugar gostaria de dar as boas-vindas à Aline ao nosso fórum. Obrigado também por sua participação. Tenho que te dizer que dá muito gosto vermos perguntas tão boas e inteligentes como as que você nos apresenta aqui. Gostaria de pedir perdão aos amigos se demorei muito em dá uma resposta aqui às questões apresentadas. Estive com o tempo bem limitado nos últimos dias e tive que estudar mais para dá uma resposta mais sólida às questões aqui apresentadas.

I- Apresentação Histórica do tema:

Em primeiro lugar gostaria de fazer um percurso histórico para vermos o início da questão aqui apresentada. A questão da Ordenação das mulheres surgiu no Cristianismo moderno, propriamente com a Reforma Protestante. Esses reformadores compreendem o sacerdócio no seu aspecto meramente funcional: o sacerdote é um representante da comunidade que é o responsável para exortar à comunidade a viver de acordo com a Palavra de Deus. Dessa forma, os protestantes clássicos negavam a distinção de grau entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio dos ministros ordenados. Com isso, negavam a sacramentalidade da Ordem.

Era de se esperar que com isso, no mundo protestante, fosse possível a presença de mulheres como “sacerdotes”, ou como “representantes da comunidade.” Por incrível que pareça, de fato, essas nunca existiram. Começaram a existir somente em meios do século XX, em Igrejas Reformadas, por influxo do feminismo.

No ambiente católico posterior Concílio, alguns teólogos passaram a defender a Ordenação de mulheres tendo por base a mesma Teologia da Reforma Protestante. Por isso, em certa ocasião, o Cardeal Ratzinger comentou que parecia curioso o fato de que os teólogos que defendem a Ordenação de mulheres são os mesmos que dizem que não há valor nenhum a Ordenação. Esses defendiam ao mesmo tempo que as mulheres devem ter o “direito” à Ordenação (e aqui usavam argumentos de tipo marxista) e que a Ordenação não tem valor nenhum (já que não haveria diferença essencial entre o ministério ordenado e o ministério comum dos fiéis).

Na verdade, mais precisamente, a discussão moderna sobre a questão da Ordenação de mulheres surgiu na Alemanha no contexto da Segunda Guerra Mundial. Naquele país, nas paróquias católicas e protestantes há sempre umas espécies de centros sociais, que fazem muitas obras de caridade. Esses centros, em geral eram administrados pelos mesmos sacerdotes. Com ocasião das Guerras Mundiais, muitos sacerdotes tiveram que acompanhar os exércitos como capelães. Com isso, as paróquias passaram a ser administradas, em muitos casos, por mulheres (já que quase todos os homens estavam na Guerra). Depois da guerra, os alemães, que são gente muito séria e de alta capacidade intelectual, descobriram algo que é evidente: as mulheres são capazes de administrar uma paróquia tão bem, ou melhor, do que os homens. Então surgiu a questão: por que não se permitir a Ordenação de mulheres?

Esses argumentos são interessantes, mas tem todos um mesmo defeito na sua raiz: considerar o sacerdócio ministerial um mero ofício. Todos esses não consideram o sacerdócio como um configuração ontológica com Cristo, Cabeça e Pastor da Igreja, mas o consideram como mero “administrador”, como mero ofício, como mero “representante” da comunidade.

Por isso, a meu modo de ver, o melhor argumento que conheço a favor do sacerdócio feminino foi dado, na Idade Média por Santo Tomás de Aquino! Isso mesmo! Ele tratava a questão da Ordenação de mulheres em uma questão da Suma Teológica. O argumento que ele dá (nas objeções à não Ordenação das mulheres) é o seguinte: o sacerdócio ministerial é essencialmente distinto do sacerdócio comum porque esse imprime na alma do sacerdote um selo espiritual, o “caráter” espiritual indelével. Ora, dizia Santo Tomás, é evidente que a alma humana, enquanto tal, não é nem masculina, nem feminina, pois é uma realidade meramente espiritual. Portanto, nada impediria que a Ordenação fosse conferida o homens ou a mulheres.

Esse argumento de Santo Tomás é extraordinário porque não considera o sacerdócio como uma mera função, não parte do “fazer” sacerdotal, mas sim do próprio “ser sacerdotal”. O sacerdócio ordenado é superior ao comum por um selo espiritual. Isso é uma afirmação perfeita da doutrina católica.

Melhor do que esse argumento é a resposta que Santo Tomás dá ao mesmo. Dizia então: é verdade que o que faz uma pessoa sacerdote é o caráter espiritual, impresso na alma de forma indelével. Mas ao mesmo tempo, no mundo real em que nós vivemos, não existem almas separadas dos corpos. As almas são sempre a forma substancial do corpo. A sexualidade humana não e somente alguma coisa do corpo, mas sim é da pessoa toda, na sua união substancial de corpo e alma. E entre os seres humanos (compostos de corpo e alma) Jesus Cristo só escolheu homens para fazer parte do Grupo dos 12 Apóstolos. Não existem almas em si nesse nosso mundo, mas somente almas que informam corpos. E entre esses, somente homens Jesus escolheu para continuar sua missão.

Esse argumento é genial. É uma resposta ao melhor argumento formulado até hoje na História da Teologia, creio eu, a favor da ordenação de mulheres. Daremos outros mais adiante.

Agora, para darmos continuidade a nossa resposta, citaremos trechos da Declaraçao Inter Insigniores, sobre a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial. É uma Declaraçao da Sagrada Congregaçao para a Doutrina da Fé, do ano 1976, que dava uma resposta clara ao tema tratado.

A tese principal que defende essa Declaração diz o seguinte:

Por todas estas razões, para execução de um mandato recebido do Santo Padre e como eco da declaração que Ele próprio fez na Sua carta de 30 de Novembro de 1975, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé reputa ser seu dever recordar que a Igreja, por um motivo de fidelidade ao exemplo do seu Senhor, não se considera autorizada a admitir as mulheres à Ordenação sacerdotal; ademais, julga a mesma Congregação ser oportuno, na conjuntura atual, explicar esta posição da Igreja, o que talvez possa ser sentido pesarosamente, mas cujo valor positivo se manifestará a longo prazo, pois pode vir a ajudar a aprofundar a missão que cabe respectivamente ao homem e à mulher.

II- A tradição Judaica- cristã é machista?

Agora temos que tratar um tema importante: se diz com freqüência que a tradição judeu-cristã representa uma tradição machista, contrária aos direitos da mulher. Para responder a isso, basta um mínimo de conhecimento das Sagradas Escrituras, da Tradição da Igreja (e da judaica também) e da história da Igreja.

A primeira coisa que podemos observar na Bíblia, no Antigo Testamento é o papel de Eva. Alguns dizem que a Bíblia é machista porque diz que Eva foi a responsável pelo pecado original e pelos pecados de todo o mundo. Assim começam a distorcer o ensinamento bíblico.

Que devemos dizer antes de Eva? Sigo aqui a explicação dada por João Paulo II. Ele dizia que no relato da criação nos vemos como Deus vai criando, através de um processo, o mundo a partir dos elementos mais simples até os mais perfeitos e complicados. Deus cria todas as coisas com uma ordem, segundo um grau ascendente de perfeição. Ora e nesse plano de Deus, qual é a última coisa que Deus cria? Basta ler o livro do Gênesis para percebermos que a última criação de Deus foi da mulher: de Eva. É ela (a mulher) a criação mais perfeita de Deus, a obra prima da perfeição. (Também podemos dizer que as mulheres são as criaturas mais complicadas da criação, com todo o respeito.) A mulher é a obra prima da criação, e exatamente por isso, o Demônio vai tentar em primeiro lugar a Eva. Ele sabia perfeitamente que se destruísse o mais perfeito, destruiria tudo o demais. O Demônio é muito inteligente e nós vemos nesse fato. Também vemos que, em todas as épocas, quando se quer destruir uma sociedade, se deve atacar a mulher, especialmente na sua moralidade. Isso é o que nós, infelizmente vemos nos nossos dias, até mesmo nos meios de comunicação, onde as mulheres se convertem, na maioria das vezes, numa espécie de mercadoria à exibição. Isso é realmente uma ofensa à dignidade das mulheres, um desprezo escandaloso por suas imensas qualidades intelectuais e morais.
Mas voltando ao nosso assunto, é verdade que Eva foi a que primeiro pecou. Mas antes disso, a Bíblia nos afirma que ela era a criatura mais perfeita entre as obras de Deus. Também é verdade que Deus imediatamente promete à humanidade à salvação, que viria através de uma nova Mulher: “Colocarei inimizade entre ti e a Mulher, entre o teu descendente e o dela. Esse te ferirá a Cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gen. 3,14) Evidentemente, esse texto se refere a Cristo, que viria a esse mundo através de uma Mulher, inimiga do Demônio (por não haver em si a mácula do pecado) e que destruiria as obras do Demônio. Sinceramente creio que se deve ser muito cego para não se ver nesse texto um anúncio de Cristo e de Maria, a nova Eva.

Mais adiante, no Antigo Testamento podemos ver algo extraordinário: há diversos livros dedicados a mulheres. Isso raramente acontecia no mundo antigo, em outras culturas e religiões: temos no Antigo Testamento os livros de Judite, Ester e o mais impressionante de todos, o livro de Rute, que era a avó do Rei David e não era nem mesmo judia. Nessa mulher se anunciava já que a salvação de Deus viria para todos os povos, não somente para o povo de Israel, através da descendência de David. Esses livros são todos esses belíssimos e, infelizmente, quase desconhecidos pela grande maioria dos cristãos!

Depois o Cristianismo afirmou com toda a segurança que a criatura mais perfeita e pura que veio a esse mundo foi exatamente uma mulher: Maria, a Nova Eva, a verdadeira Eva, a mulher totalmente Imaculada e pura, que sempre foi e será Inimiga do Diabo. Evidentemente também Jesus Cristo foi Imaculado, Puro e verdadeiro homem. Mas, ao mesmo tempo, Ele é verdadeiro Deus e, enquanto tal, não poderia jamais pecar. Maria é “Toda Pura” (como a chamavam os primeiros Padres da Igreja) sendo criatura perfeitamente humana.

Agora vamos aprofundar ainda o papel de Jesus com as mulheres em seu tempo. Jesus Cristo era machista? O Cristianismo primitivo estava condicionado pelo pensamento de sua época e por isso não permitiu a Ordenação de mulheres? Para responder à essas questões cito o documento de 1976.

Jesus Cristo não chamou mulher alguma para fazer parte do grupo dos Doze. Se Ele agia desse modo, não era para se conformar com os usos da época, porque a atitude de Jesus em relação às mulheres contrasta singularmente com aquela que existia no seu meio ambiente e assinala uma ruptura voluntária e corajosa.

Assim, é com grande espanto dos seus próprios discípulos que Ele conversa publicamente com a Samaritana (cfr. Jo. 4, 27); de igual modo, Ele não tem em consideração alguma o estado de impureza legal da hemorroíssa (cfr. Mt. 9, 20-22); e depois, permite que uma pecadora d'Ele se aproxime, em casa do fariseu Simão (cfr. Lc. 7, 37 e ss.); e ainda, ao perdoar à mulher adúltera, Ele tem a preocupação de mostrar que não se deve ser mais severo para com a falta de uma mulher do que para com as faltas dos homens (cfr. Jo. 8, 11). Mais ainda: Ele não hesita em afastar-se da lei de Moisés, para afirmar a igualdade dos direitos e dos deveres do homem e da mulher perante os vínculos do matrimónio (cfr. Mc. 10, 2-11; e Mt. 19, 3-9).

Durante o seu ministério itinerante, Jesus faz-se acompanhar não somente pelos Doze, mas também por um grupo de mulheres: « Maria, que era chamada Madalena e de quem tinham sido expulsos sete demónios, Joana, mulher de Cuzá, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que os serviam com os seus haveres » (Lc. 8, 2-3). Contrariamente à mentalidade judaica, que não reconhecia grande valor ao testemunho das mulheres, conforme atesta o próprio direito hebraico, são as mulheres todavia as primeiras a ter o privilégio de ver o mesmo Cristo ressuscitado e é a elas que Jesus confia o encargo de levar a primeira mensagem pascal aos mesmos Onze (cfr. Mt. 28, 7-10; Lc. 24, 9-10; e Jo. 20, 11-18), a fim de os preparar para se tornarem as testemunhas oficiais da Ressurreição.

... Aqui é necessário reconhecer que há um conjunto de indícios convergentes que acentuam o facto notável de que Jesus não confiou a mulheres o encargo dado aos Doze. Nem a sua própria Mãe, tão intimamente associada ao seu mistério e cujo papel sem par é bem realçado pelos Evangelhos e São Lucas e de São João, nem ela foi investida do ministério apostólico; o que levará os Padres a apresentar Maria como o exemplo da vontade de Cristo nesta matéria: « Se bem que a bem-aventurada Virgem Maria superasse em dignidade e em excelência todos os Apóstolos, repetiria ainda nos princípios do século XIII o Papa Inocêncio III, não foi a ela, contudo, e sim a estes que o Senhor confiou as chaves do Reino dos Céus ».

Portanto a Teologia e os ensinamentos bíblicos não nos permitem afirmar que a tradição judaica – cristã seja machista. Ninguém reconhece tanto o valor da mulher e a sua dignidade imensa como essas duas grandes religiões. O fato de Eva ser a obra prima da criação de Deus e o fato dela ter nascido do lado de Adão nos indicam essa verdade. Evidentemente, a Palavra de Deus deve sempre informar a cultura. Isso não ocorreu em todas as épocas da história, da mesma forma que não ocorre em todos os lugares nos nossos dias. Mas é evidentemente que, onde a Palavra de Deus é bem compreendida e vivida, torna-se totalmente supérfluo tanto o machismo como o feminismo.

III- A Prática dos Apóstolos

A comunidade apostólica manteve-se fiel à atitude de Jesus. No pequeno círculo daqueles que se reuniram no Cenáculo depois da Ascensão, Maria ocupava um lugar privilegiado (cfr. Act. 1, 14); e no entanto, não foi nela que recaiu a designação para entrar no Colégio dos Doze, a quando da eleição que se concluiria com a escolha de Matias; aqueles que foram apresentados eram dois discípulos, dos quais não se faz sequer menção nos Evangelhos.

No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre todos, homens e mulheres (cfr. Act. 2, 1; 1, 14); no entanto, o anúncio e o cumprimento das profecias em Jesus é feito por « Pedro e pelos Onze » (cfr. Act. 2, 14).

No mundo helenístico, realmente, numerosos cultos de divindades pagãs estavam confiados a sacerdotisas. Os gregos, efectivamente, não compartilhavam as concepções dos judeus: embora alguns filósofos tenham professado a inferioridade da mulher em relação ao homem, os historiadores põem em relevo, entretanto, a existência de um certo movimento de promoção feminina durante o período imperial. E de facto, nós podemos verificar, através do livro dos Actos dos Apóstolos e das Epístolas de São Paulo, que mulheres trabalhavam juntamente com o Apóstolo em prol do Evangelho (cfr. Rom. 16, 3-12; Filip. 4, 3); ele enumera os seus nomes com complacência nas saudações finais das suas Cartas; algumas de tais mulheres exercem por vezes uma influência relevante em certas conversões: Priscila, Lídia e outras; Priscila, sobretudo, a qual se assumiu a tarefa de completar a formação de Apolo (cfr. Act. 18, 26); Febe, ao serviço da Igreja de Cêncreas (cfr. Rom. 16, 1). Todos estes factos manifestam ter-se dado na Igreja dos tempos apostólicos uma evolução considerável em relação aos costumes do judaísmo. E, não obstante, em momento algum foi posta a questão de conferir a essas mulheres a Ordenação.

IV- IV. Alguns outros argumentos dados a favor da Ordenação de mulheres e respondidos pelo Documento de 1976:

Pretenderam alguns, nomeadamente, que a tomada de posição de Jesus e dos Apóstolos se explica em virtude da influência do seu meio ambiente e do seu tempo. Se Jesus — diz-se — não confiou, de facto, às mulheres e nem sequer a sua Mãe um ministério que as assemelhasse aos Doze, isso foi devido às circunstâncias históricas que não lh'o permitiam. E no entanto, ninguém conseguiu jamais provar — e sem dúvida é impossível prová-lo — que aquela atitude se inspira somente em motivos sócio-culturais. O exame dos Evangelhos, como nós vimos, mostra-nos até o contrário; ou seja, Jesus rompeu com os preconceitos do seu tempo, indo em ampla medida contra as discriminações praticadas em relação às mulheres. Não se pode sustentar, pois, que pelo facto de não ter chamado mulheres para entrarem no grupo apostólico, Jesus se deixou guiar simplesmente por motivos de oportunidade. Com muito maior razão ainda, um tal condicionamento sócio-cultural não teria sido bastante para deter os Apóstolos no meio ambiente grego, onde as mesmas discriminações não existiam.

[...] Entretanto, a interdicção feita às mulheres pelo Apóstolo de « falarem » na assembleia (cfr. 1 Cor. 14, 34-35; 1 Tim. 2, 12) é de natureza diferente; e os exegetas explicam deste modo o sentido em que ela se há-de entender: São Paulo não se opõe de maneira alguma ao direito de profetizar na assembleia, que ele aliás reconhece às mulheres (cfr. 1 Cor. 11, 5); a sua proibição diz respeito unicamente à função oficial de ensinar na assembleia cristã. Esta prescrição, para São Paulo, está ligada ao plano divino da criação (cfr. 1 Cor. 11, 7; Gén. 2, 18-24): e nisto dificilmente se poderá ver a expressão de um dado cultural. Depois, é necessário não esquecer que se deve a São Paulo um dos textos mais vigorosos do Novo Testamento acerca da igualdade fundamental do homem e da mulher, como filhos de Deus em Cristo (cfr. Gál. 3, 28). Não há razão, portanto, para o acusar de preconceitos hostis em relação às mulheres, uma vez que podemos verificar a confiança que ele demonstra para com elas e a colaboração que ele lhes pede no seu apostolado.

V. A matéria sacramental e o porque da Ordenação só pode ser conferida a homens:

Conforme aquilo que recordava Pio XII, « a Igreja não tem poder algum sobre a substância dos Sacramentos, quer dizer, sobre tudo aquilo que Cristo Senhor, conforme o testemunho das fontes da Revelação, quis que fosse mantido no sinal sacramental ». Isto, aliás, era já o que ensinava o Concílio de Trento, quando declarava que « na Igreja sempre existiu este poder, quanto à administração dos Sacramentos: que, mantendo inalterada a substância destes, ela possa prescrever e modificar tudo aquilo que julgar conveniente, ou para a utilidade daqueles qu os recebem, ou para o respeito devido aos mesmos Sacramentos, conforme variarem as circunstâncias, os tempos e os lugares ».

[...] O Sacerdócio ministerial não é apenas um simples serviço de cura pastoral, mas garante a continuidade das funções confiadas por Cristo aos Doze e dos poderes que com tais funções andam relacionados. A adaptação às civilizações e às épocas, por conseguinte, nunca poderá abolir, quanto aos pontos essenciais, a referência sacramental aos acontecimentos fundamentalmente constitutivos do Cristianismo e ao próprio Cristo.

É a Igreja, em última análise, que, pela voz do seu Magistério, garante, nestes diversos domínios, o discernimento entre aquilo que pode mudar e aquilo que deve permanecer imutável. Se a Igreja julga que não pode aceitar certas mudanças, é porque ela se sente ligada pelo procedimento de Cristo; a sua atitude então, não obstante as aparências, nesse caso não é de arcaísmo, mas sim de fidelidade: somente a esta luz pode ser compreendida essa sua atitude. A Igreja pronuncia-se, em virtude da promessa do Senhor e da presença do Espírito Santo, com a finalidade de melhor proclamar o mistério de Cristo e de salvaguardar e manifestar integralmente a riqueza do mesmo.

VI- O Sacerdócio Ministerial a Luz do Mistério de Cristo

O ensino constante da Igreja, reiterado e determinado pelo II Concílio do Vaticano, recordado também pelo Sínodo dos Bispos em 1971 e por esta Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé na sua Declaração de 24 de Junho de 1973, proclama que o Bispo ou o Presbítero, no exercício do seu ministério, não age em seu nome próprio, « in persona propria »: ele representa Cristo, o qual age através dele: « o sacerdote faz realmente as vezes de Cristo », conforme escrevia no seu tempo, já no século III, São Cipriano.(15) É precisamente este valor de representação de Cristo que São Paulo considerava como característico da sua função apostólica (cfr. 2 Cor. 5, 20; Gál. 4, 14). Tal valor de representação atinge a sua expressão mais alta e uma forma muito particular na celebração da Eucaristia, que é a fonte e o centro da unidade da Igreja, convívio sacrifical no qual o Povo de Deus é associado ao sacrifício de Cristo: o sacerdote, que é o único que tem o poder de o realizar, age então não somente em virtude da eficácia que Cristo lhe confere, mas « in persona Christi », fazendo o papel de Cristo, até ao ponto de ser a sua própria imagem, quando pronuncia as palavras da consagração.

O sacerdócio cristão, portanto, é de natureza sacramental: o sacerdote é um sinal cuja eficácia sobrenatural lhe advém da Ordenação recebida; mas um sinal que deve ser perceptível e que os fiéis devem poder reconhecer sem dificuldade. A economia sacramental, efectivamente, está baseada em sinais naturais, em símbolos inscritos na psicologia humana: « os sinais sacramentais, diz Santo Tomás de Aquino, representam aquilo que eles significam por uma semelhança natural ». Esta mesma lei da semelhança natural tem valor tanto para as pessoas como para as coisas: quando se torna necessário traduzir na prática sacramentalmente o papel de Cristo na Eucaristia, não existiria uma tal « semelhança natural », que deve existir entre Cristo e o seu ministro, se a função de Cristo não fosse desempenhada por um homem: caso contrário, dificilmente se veria no mesmo ministro a imagem de Cristo. Com efeito, o próprio Cristo foi e continua a ser um homem.

Efectivamente, a salvação oferecida por Deus aos homens, aquela união com Ele para a qual os mesmos homens são chamados, numa palavra, a Aliança, acha-se descrita, já desde o Antigo Testamento e no modo de expressar-se dos Profetas, sob a forma preferida de um mistério nupcial: o povo escolhido torna-se para Deus urna esposa ardentemente amada; a profundidade de uma tal intimidade de amor foi descoberta pela tradição tanto judaica como cristã, ao ler e reler o Cântico dos Cânticos: o Esposo divino permanecerá fiel mesmo quando a Esposa vier a atraiçoar o seu amor, quando Israel se tornar infiel a Deus (cfr. Os. 1, 3; Jer. 2). Quando chegou depois a « plenitude dos tempos » (cfr. Gál 4, 4), o Verbo, Filho de Deus, assumiu a carne para inaugurar e sigilar a nova e eterna Aliança com o seu sangue, que será derramado por muitos para a remissão dos pecados: a sua morte congregará os filhos de Deus que andavam dispersos; do seu lado traspassado nascerá a Igreja, assim como Eva nasceu do lado de Adão. É então que se realiza plena e definitivamente o mistério nupcial anunciado e cantado no Antigo Testamento: Cristo é o Esposo; a Igreja é a sua esposa, que Ele ama por isso mesmo que a remiu com o seu sangue e a tornou resplandecente de glória, santa e sem mancha, e doravante Ele é inseparável dela. Este tema nupcial, que se vai desenvolvendo e precisando a partir das Epístolas de São Paulo (cfr. 2 Cor. 11, 2; Ef. 5, 22-33) até aos escritos de São João (sobretudo, Jo. 3, 29; Apoc. 19, 7 e 9) acha-se presente também nos Evangelhos sinópticos: enquanto o esposo estiver com eles, os seus amigos (de Cristo) não devem jejuar (cfr. Mc. 2, 19); o Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias de seu filho (cfr. Mt. 22, 1-14). É através desta linguagem da Escritura, toda ela entretecida de símbolos, mas que exprime e atinge o homem e a mulher na sua identidade profunda, que nos é revelado o mistério de Deus e de Cristo, mistério que, de per si, é insondável.

É por isso que não se pode transcurar o facto de que Cristo é um homem. E portanto, a menos que se queira ignorar a importância de um tal simbolismo para a economia da Revelação, tem de se admitir que naquelas acções que exigem o carácter da Ordenação e em que é representado o próprio Cristo, autor da Aliança, Esposo e Chefe da Igreja a exercer o seu ministério da Salvação — como sucede no mais alto grau no caso da Eucaristia — a seu papel há-de ser desempenhado (é este o significado primigénio da palavra « persona ») por um homem; isto não depende de haver neste último superioridade alguma pessoal na ordem dos valores, mas tão somente de uma diversidade de facto, ao nível das funções e do serviço.

Poder-se-á dizer que, estando Cristo actualmente na condição celeste, seria indiferente doravante que a representá-lo fosse um homem ou uma mulher, uma vez que « na ressurreição, nem os homens terão mulheres, nem as mulheres maridos » (Mt. 22, 30)? Primeiramente, este texto não significa que a distinção entre o homem e a mulher, na medida em que ela determina a identidade própria da pessoa, seja suprimida na glorificação; e aquilo que vale para nós vale também para Cristo. E depois — quase nem seria necessário estar aqui a recordá-lo — nos seres humanos a diferença sexual exerce uma influência importante, mais profunda do que, por exemplo, as diferenças étnicas: estas não atingem a pessoa humana tão intimamente como a diferença dos sexos, ordenada directamente tanto para a comunhão entre as pessoas, como para a geração dos homens; tal diferença aparece na Revelação bíblica como o efeito de uma vontade primordial de Deus « ... e criou-os homem e mulher » (Gén. 1, 27).

Entretanto, dirá alguém ainda, o sacerdote, sobretudo quando ele preside às acções litúrgicas e sacramentais, representa igualmente a Igreja: ele age em nome da mesma Igreja, com « a intenção de fazer aquilo que ela faz ». Neste sentido, os teólogos da Idade Média diziam que o ministro age também « in persona Ecclesiae », ou seja, em nome de toda a Igreja e para a representar. Com efeito, seja qual for o grau de participação dos fiéis numa acção litúrgica, é justamente em nome de toda a Igreja que essa acção é celebrada pelo sacerdote: ele ora então em nome de todos; e na Santa Missa oferece o sacrifício de toda a Igreja: na nova Páscoa, é a Igreja que imola Cristo, sacramentalmente, por intermédio dos sacerdotes. Deste modo, uma vez que o sacerdote representa também a Igreja, não haverá a possibilidade de pensar que esta representação poderia ser assegurada por uma mulher, conforme o simbolismo já exposto? É verdade que o sacerdote representa a Igreja, que é o Corpo de Cristo. No entanto, se ele o faz, é precisamente porque em primeiro lugar representa o próprio Cristo, que é Cabeça e o Pastor da Igreja, na formula usada pelo II Concílio do Vaticano, que explica ulteriormente e completa a expressão « in persona Christi ». É nesta qualidade que o sacerdote preside à assembleia cristã e celebra o sacrifício eucarístico « que a Igreja inteira oferece e no qual ela mesma se oferece toda inteira a si própria ».

VII- VII. O SACERDÓCIO MINISTERIAL NO MISTÉRIO DA IGREJA

Assim, tem de ser bem acentuado quanto a Igreja é uma sociedade diferente das outras sociedades, original pela sua natureza e pelas suas estruturas. A função pastoral na mesma Igreja, anda normalmente ligada ao sacramento da Ordem: esta função não é um simples acto de governar, comparável à maneira de exercitar a autoridade que se verifica nos Estados. É algo que não é outorgado apenas por uma escolha espontânea dos homens: ainda mesmo quando o conferir tal função comporta uma designação por via de eleição, é a imposição das mãos e a oração dos sucessores dos Apóstolos que garantem a escolha da parte de Deus; é o Espírito Santo, dado pela Ordenação, que faz com que alguém participe do poder de reger do Supremo Pastor, Cristo (cfr. Act. 20, 28). A função pastoral é serviço e amor: « se tu me amas, apascenta as minhas ovelhas » (cfr. Jo. 21, 15-17).

Por esta razão, não se vê como seja possível o propôr o acesso das mulheres ao sacerdócio, em virtude da igualdade dos direitos da pessoa humana, igualdade que conserva todo o seu valor também para os cristãos. Para tal fim, faz-se uso por vezes daquele texto citado em precedência da Epístola aos Gálatas (3, 28), segundo o qual, em Cristo, já não haveria distinção entre o homem e a mulher. Essa passagem, porém, não se refere de maneira alguma aos ministérios; nela, afirma-se simplesmente a vocação universal para a filiação divina, que é a mesma para todos. Além disso e sobretudo, seria desconhecer completamente a natureza do sacerdócio ministerial o considerá-lo como um direito: o Baptismo não confere título algum pessoal para o ministério público na Igreja. O sacerdócio não é conferido para honra ou para simples vantagem daquele que o recebe; mas sim, para ser um serviço a Deus e à Igreja; ele constitui o objecto de uma vocação específica, totalmente gratuita: « Não fostes vós que me escolhestes a mim; fui eu que vos escolhi a vós e vos constituí... » (Jo. 15, 16; cfr. Hebr. 5, 4).

Diz-se por vezes e chega mesmo a escrever-se nos livros e nas revistas haver mulheres que sentem em si uma vocação sacerdotal. Mas, um tal atractivo, por muito nobre e compreensível que ele seja, não constitui ainda uma vocação. Esta, efectivamente, nunca poderá ser reduzida a um simples atractivo pessoal, que pode permanecer algo puramente subjectivo. O sacerdócio, sendo coma é um ministério peculiar de que a Igreja recebeu o encargo e poder de superintender, carece de uma indispensável autenticação da mesma Igreja: Cristo escolheu « os que Ele quis » (Mc. 3, 13). Em contrapartida, existe uma vocação universal de todos para o exercício do sacerdócio real, pela oferta da própria vida a Deus e pelo testemunho como louvor do mesmo Deus.

As mulheres que formulam a sua petição em ordem ao sacerdócio ministerial são com certeza inspiradas pelo desejo de servir a Cristo e à Igreja. E não é de estranhar que num momento em que as mulheres tomam consciência das discriminações de que foram objecto, elas cheguem a desejar o próprio sacerdócio ministerial. Mas é preciso não esquecer nunca que o sacerdócio não faz parte dos direitos da pessoa; é sim algo que depende da economia do mistério de Cristo e da Igreja. O múnus sacerdotal não pode tornar-se a meta de uma promoção social; nenhum progresso puramente humano da sociedade ou da pessoa poderá, por si mesmo, dar o direito de acesso ao sacerdócio: este é qualquer coisa de uma ordem diversa.

Creio que com isso respondo a todas as questões aqui apresentadas. Se não, podem continuar perguntando que podemos continuar aprofundando à questão.

Só gostaria de terminar contando algo que eu considero bem divertido. Certa vez, uma jornalista, na Itália perguntou pela centésima vez a um mesmo bispo católico o porque da Igreja não permitir a Ordenaçao de mulheres como sacerdotes. Aquele Bispo (hoje ele é cardeal), que é sempre muito divertido e estava cansado de responder sempre a mesma coisa disse então àquela jornalista:

“Ordenar uma mulher sacerdote seria o mesmo que celebrar a Santa Missa com Coca-Cola.”

Acho que com isso ele acabou com a questao. Um grande abraço e que o Senhor abençoe a todos.

Obs: o texto que cita diversas vezes o documento acima de Sao Paulo, que afirma a igualdade de dignidade entre homem e mulher é o seguinte:

"Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus." (Gálatas 3, 27-28)
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Sacerdócio:

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sab Ago 27, 2011 3:19 pm

No Antigo testamento havia a classe Sacerdotal, que só pertencia aos descendentes masculinos de Aarão. Os descendentes de Levi, tribo da qual fazia parte Aarão, mesmo sem serem sacerdotes entregavam-se ao ensino da Lei (TORA) e estavam espalhados por todo o Israel.
Quanto ao cristianismo Yeshua é o «Sumo Sacerdote», não segundo a ordem de Aarão, mas de Melquisedec (Salmo 110,4).
Contudo este sacerdócio não é um sacerdócio temporal como o da ordem de Aarão, em que as pessoas morrem e têm os seus sucessores. O Sacerdócio de Cristo é eterno e por isso sem sucessores.
Nestes links eu falo desse tipo de sacerdotes
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t921-extra-ecclesiam-nulla-salus#9524
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t730-sacerdotes-ou-presbiteros#9520
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t687-deus-do-at-e-o-deus-de-jesus#9502

Para este tipo de sacerdócio são chamados e escolhidos tanto homens como mulheres e não pertence a este mundo.

Mas a igreja «Católica Apostólica Romana» ainda pertence a este mundo e por isso rege-se segundo as suas próprias regras que ela mesmo criou para si.
Portanto ela tem o poder e o direito de criar e abandonar as leis que ela quiser e achar convenientes para esse efeito.

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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Ago 27, 2011 9:39 pm

Caros amigos,

Vamos mais uma vez responder a essas superficialidades e preconceitos estúpidos com a verdadeira doutrina da Igreja de Cristo, presente no Catecismo da Igreja Católica e nao em imaginaçoes de pessoas ignorantes:

S.4.2 Igreja povo sacerdotal

§784 Ao entrar no Povo de Deus pela fé e pelo Batismo, recebe-se participação na vocação única deste povo, em sua vocação sacerdotal: "Cristo Senhor, Pontífice tomado dentre os homens, fez do novo povo 'um reino e sacerdotes para Deus Pai'. Pois os batizados, pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para ser uma morada espiritual e sacerdócio santo.

§941 Os leigos participam do sacerdócio de Cristo: cada vez mais unidos a ele, desenvolvem a graça do Batismo e da Confirmação em todas as dimensões da vida pessoal, familiar, social e eclesial e realizam, assim, o chamado à santidade, dirigido a todos os batizados.

§1591 Toda a Igreja é um povo sacerdotal. Graças ao Batismo, todos os fiéis participam do sacerdócio de Cristo. Esta participação se chama "sacerdócio comum dos fiéis". Baseado nele e a seu serviço existe outra participação na missão de Cristo, a do ministério conferido pelo sacramento da Ordem, cuja tarefa é servir em nome e na pessoa de Cristo Cabeça no meio da comunidade.

§1119 Formando com Cristo-Cabeça "como que uma única pessoa mística", a Igreja age nos sacramentos como "comunidade sacerdotal", "organicamente estruturada". Pelo Batismo e pela Confirmação, o povo sacerdotal é capacitado a celebrar a liturgia; por outro lado, certos fiéis, "revestidos de uma ordem sagrada, são instituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja por meio da palavra e da graça de Deus".

S.4.3 Igreja reino de sacerdotes

§1546 DUAS PARTICIPAÇÕES NO SACERDÓCIO ÚNICO DE CRISTO Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja "um Reino de sacerdotes para Deus, seu Pai" (Cf Ap 1,6; 5,9-10; 1 Pd 2,5.9). Toda comunidade dos fiéis é, como tal, sacerdotal. Os fiéis exercem seu sacerdócio batismal por meio de sua participação, cada qual segundo sua própria vocação, na missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei. E pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são "consagrados para ser... um sacerdócio santo".

S.4.4 Ministérios particulares

§1143 No intuito de servir às funções do sacerdócio comum dos fiéis, existem também outros ministérios particulares, não consagrados pelo sacramento da ordem, e cuja função é determinada pelos bispos de acordo com as tradições litúrgicas e as necessidades pastorais. "Também os ajudantes, os leitores, os comentaristas e os membros do coral desempenham um verdadeiro ministério litúrgico."

S.4.5 Participação no Sacerdócio de Cristo

§1546 DUAS PARTICIPAÇÕES NO SACERDÓCIO ÚNICO DE CRISTO Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja "um Reino de sacerdotes para Deus, seu Pai" (Cf Ap 1,6; 5,9-10; 1 Pd 2,5.9). Toda comunidade dos fiéis é, como tal, sacerdotal. Os fiéis exercem seu sacerdócio batismal por meio de sua participação, cada qual segundo sua própria vocação, na missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei. E pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são "consagrados para ser... um sacerdócio santo".

S.4.6 Sacerdócio comum dos batizados

§1141 A Assembléia que celebra é a comunidade dos batizados, os quais, "pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual e sacerdócio santo e para poderem oferecer um sacrifício espiritual toda atividade humana do cristão". Este "sacerdócio comum" é o de Cristo, único sacerdote, participado por todos os seus membros:

A mãe Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis sejam levados àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da liturgia exige e à qual, por força do batismo, o povo cristão, "geração escolhida, sacerdócio régio, gente santa, povo de conquista" (1 Pd 2,9), tem direito e obrigação.

§1143 No intuito de servir às funções do sacerdócio comum dos fiéis, existem também outros ministérios particulares, não consagrados pelo sacramento da ordem, e cuja função é determinada pelos bispos de acordo com as tradições litúrgicas e as necessidades pastorais. "Também os ajudantes, os leitores, os comentaristas e os membros do coral desempenham um verdadeiro ministério litúrgico."

§1268 Os batizados tornaram-se "pedras vivas" para a "construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo" (1 Pd 2,5). Pelo Batismo, participam do sacerdócio de Cristo, de sua missão profética e régia; "sois a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para sua luz maravilhosa" (1Pd 2,9). O Batismo faz participar do sacerdócio comum dos fiéis.

§1273 Incorporados Igreja pelo Batismo, os fiéis receberam o caráter sacramental que os consagra para o culto religioso cristão. O selo batismal capacita e compromete os cristãos a servirem a Deus em uma participação viva na sagrada liturgia da Igreja e a exercerem seu sacerdócio batismal pelo testemunho de uma vida santa e de uma caridade eficaz.

§1546 DUAS PARTICIPAÇÕES NO SACERDÓCIO ÚNICO DE CRISTO Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja "um Reino de sacerdotes para Deus, seu Pai" (Cf Ap 1,6; 5,9-10; 1 Pd 2,5.9). Toda comunidade dos fiéis é, como tal, sacerdotal. Os fiéis exercem seu sacerdócio batismal por meio de sua participação, cada qual segundo sua própria vocação, na missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei. E pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são "consagrados para ser... um sacerdócio santo".

§1547 O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis, embora "ambos participem, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo", diferem, entretanto, essencialmente, mesmo sendo "ordenados um ao outro". Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça batismal, vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e de conduzir sua Igreja. Por isso, é transmitido por um sacramento próprio, o sacramento da Ordem.

§1547 O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis, embora "ambos participem, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo", diferem, entretanto, essencialmente, mesmo sendo "ordenados um ao outro". Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça batismal, vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e de conduzir sua Igreja. Por isso, é transmitido por um sacramento próprio, o sacramento da Ordem.

Grande abraço a todos.
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Um povo sacerdotal! ... ... ...

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Dom Ago 28, 2011 6:38 am

Muito interessante e astutamente elaborado. Por acaso já tinha ouvido falar disto tudo por alturas do Concílio Vaticano II que terminou no dia 8 de Dezembro de 1965, já sob o pontificado de Paulo VI.
Nessa altura falava-se muito disto!

Afinal, todas as mulheres católicas são sacerdotisas e nem todas o sabem.
O que querem mais ainda!

Vamos, pois, todas e todos, e por todo o lado, exercer esse sacerdócio em vez de fazermos figuras de autênticas múmias fantasmagóricas!
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Manuel Portugal Pires

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Re: Mulheres Sacerdotes

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Ago 30, 2011 9:26 pm

Caros amigos,

Só para esclarecer, todo batizado, homem e mulher forma a Igreja, povo sacerdotal de Cristo. Nesse sentido todos sao sacerdotes, pois participam do sacerdócio comum.

Há ainda outro ministério na Igreja, o sacerdócio ministerial que participam do sacerdócio de Cristo Cabeça e Pastor. Esses sao os sucessores dos apóstolos, que só escolheu 12 homens entre os seus discípulos. Jesus Cristo nao escolheu nenhuma mulher para o grupo dos 12 e por isso a Igreja nao tem autoridade de fazer o que Cristo nao fez. Por isso, nao pode ordenar mulheres sacerdotisas, enquanto participantes do ministério de Cristo Cabeça.

Isso nao é nenhum problema, nem discriminaçao pois "na Igreja primitiva Maria era superior a Pedro e jamais se afirmou que Maria fosse sacerdotisa" (J. Ratzinger).

Um grande abraço a todos.
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Re: Mulheres Sacerdotes

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