O BOM SAMARITANO (Lc 10,30-34)

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O BOM SAMARITANO (Lc 10,30-34)

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Jun 28, 2010 12:25 pm

Caros Irmãos,


Que a paz do Senhor Jesus esteja sempre com cada um de nós !


Deixo para todos um resumo de uma reflexão que gosto muito:



A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


A parábola do Bom Samaritano é, sem dúvida, uma das mais belas passagens das Sagradas Escrituras que nos leva a meditar sobre toda a história da salvação dos homens. Antes, porém, é preciso entendermos bem que uma parábola se trata de uma narração alegórica que ensina uma doutrina moral, ou que explica com uma linguagem simbólica algo que se deseja comunicar. Lendo as Sagradas Escrituras nos deparamos muitas vezes com este tipo de gênero literário e, de modo muito específico, vemos que Jesus se serviu muito de parábolas para nos dirigir os seus ensinamentos.


Compreendido o que é uma parábola, é importante, adentrando no estudo do tema proposto, percebermos que, na parábola do Bom Samaritano, Jesus nos ensina, dentre outras coisas, algo que é muito questionado por uma grande massa de seitas protestantes: trata-se do valor das boas obras que fazemos. Jesus nos mostra que Deus nos recompensa por tudo o que fazemos em benefício do nosso próximo, dando ênfase ao mandamento: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19,18; Mt 22,39).


Por outro lado, Jesus também se serve dessa parábola para dar uma resposta, para dar um "tapa de luvas" àquele doutor da lei que o queria por à prova, que o queria desafiar e desmoralizar.


Ainda na mesma parábola, Jesus nos coloca diante de uma explanação muito profunda do amor de Deus para com o homem, criando-o à sua imagem e semelhança, colocando-o num paraíso e, sobretudo, depois do pecado, reconduzindo-o de volta para o Criador, cuidando do mesmo homem com misericórdia por amor e com carinho de Pai.


A parábola do Bom Samaritano nos ensina que a nossa origem está em Deus. O Criador tinha plantado um jardim no Édem, ao lado do oriente, e nele colocou o homem que havia criado (Gn 2,8). Confrontando os textos bíblicos, a parábola nos diz que o homem desce de Jerusalém para Jericó. As cidades de Jerusalém e de Jericó têm um significado bíblico que transcende às questões históricas e geográficas. Na linguágem bíblica, Jerusalém quer dizer a cidade de Deus, a cidade santa, o céu (Gl 4,25-26; Hb 12,22; Ap 21,2-10). Dessa forma entendida, a parábola nos mostra que o homem veio de Deus, o homem veio do coração de Deus que o criou sua imagem e semelhança, isto é: DESCEU DE JERUSALÉM!


Do outro lado, Jericó era uma cidade importante por ser um lugar muito verde, um oásis naquela região geográfica caracterizada pela sua natureza desértica. Ficava distante de Jerusalém cerca de 25 Km para o leste, na direção do rio Jordão. Considerando-se que toda aquela região era desértica, Jericó era um paraíso no meio do deserto. Assim compreendendo, Deuscriou o homem e o colocou num paraíso, o paraíso terrestre.


Lendo o terceiro capítulo do livro do Gênesis, vemos que a Bíblia narra a história do pecado, da desobediência a Deus. Vemos o homem perder a sua paz, a sua inocência, colocaando maldade na sua nudez e se envergonhando de Deus. Vemos o homem ser expulso do paraíso e arcar com as conseqüências do pecado.


A parábola nos diz que o homem caiu nas mão dos ladrões, enquanto o Gênesis nos revela que o homem caiu nas mãos da serpente, do demônio.


A parábola nos diz que o homem foi despojado, enquanto o Gênesis nos mostra que satanás roubou do homem aquilo que ele tinha de mais precioso, que era a semelhança com Deus, a imortalidade.


A parábola nos diz que os ladrões maltrataram aquele homem com muito ferimentos (ferimento espiritual: afastamento de Deus; ferimento físico: dor, suor, trabalho árduo; ferimento psicológico: o homem acusa a mulher, a mulher acusa a serpente, e ninguém se assume nem se entende).


A parábola nos diz que os ladrões se retiraram deixando o homem meio morto, ou seja, ferido nas suas três áreas: física, psicológica e espiritual. Assim, o homem tornou-se desfigurado por perder a sua semelhança com Deus, recebendo em si mesmo, como herança do pecado, a morte física. Pelo pecado, o homem saiu do domínio da graça: "Com efeito, todos pecaram e estão destituidos da gloria de Deus" (Rm 3,23).


A parábola nos diz que um sacerdote e um levita passaram por aquele lugar e viram aquele homem em deplorável estado e tomado pelos ferimentos, mas nada fizeram. Estas figuras de sacerdote e de levita correspondem aos trabalhadores do templo segundo a lei antiga na qual o sacrifício era tão somente simbólico, pois segundo as Sagradas Escrituras, "os dons e os sacrifícios que eles ofereciam eram incapazes de justificar a consciência daqueles que praticavam o culto" (Hb 9,9), ou seja, o sangue dos holocaustos de bois e de carneiros e o incenso oferecido no tempo correspondente ao Antigo Testamento eram insuficientes ou incapazes de perdoar os pecados dos homens.


Finalmente, chegou o Samaritano. Mas quem era aquele Samaritano?


Tinha que ser alguem que que tivesse o poder de perdoar os pecados, e só Jesus tinha este poder, esta autoridade, já que o sacerdócio cristão ainda não tinha sido instituído.


Por outro lado, Jesus era judeu, nascido na cidade de Belém de Judá.


E como Jesus poederia ser o Samaritano, se judeus e samaritanos não se entendiam nem se aceitavam?


As Sagradas Escrituras nos dão esta resposta: "Jesus veio para os seus (para os judeus), mas eles não O reconheceram" (Jo 1,11), e por causa disso, Jesus tornou-se "O SAMARITANO".


A paráboloa nos diz que o Samaritano moveu-se de compaixão por aquele homem e atou-lhe as feridas. Bem antes, o profeta já nos dissera: "O Senhor olha as chagas do seu povo e cura as suas feridas" (Is 30,26). O Samaritano, sobre as feridas daquele homem, derramou zeite e vinho. Na linguagem bíblica, o azeite significa a unção, a efusão do Espírito Santo e o sacramento da unção dos enfermos (Mc 6,13; Tg 5,14). Por outro lado, o vinho é sinônimo de alegria e representa o o Sangue do Senhor que foi derramado na cruz e é suficiente e eficaz para purificar de todo o pecado e habilitar o homem para comparecer diante de Deus (Hb 10,19-20; 1Jo 1,7; Ap 7,14). Assim, Jesus cura as nossas doenças e perdoa os nossos pecados. Ele nos coloca na sua própria montaria, ou seja, faz com que trilhemos nos seus caminhos e andemos no poder do seu Espírito (Ez 36,23-28). Ele faz com que tenhamos uma vida com Ele, na sua Igreja, Ele como Pastor e nós como ovelhas do seu rebanho (Jo 10,1-16), como comunidadede irmãos que partilha os bens, o amor, e vive uma realidade sacramental que é a Eucaristia (At 4,32-35) que nos sustenta e nos faz "permanecr no seu amor" (Jo 15,9-11). Por fim, o Senhor nos conduz à sua casa, onde estaremos com Ele para todo o sempre (Sl 22,6; Ap 21, 10-27).


Que o Senhor nos abençoe a todos !


Flávio Roberto Brainer de
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