A PROFISSÃO DE FÉ

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A PROFISSÃO DE FÉ

Mensagem por FRANCIDILSO SILVA em Qui Set 09, 2010 1:35 am

[center]A PROFISSÃO DE FÉ
A profissão de fé é sinal da confiança do homem em Deus; é adesão livre dos seus desígnios e dos seus projetos. Abraão (Gn 12,1-8) e Maria (Lc 1,26-38) são exemplos que sinalizam essa fé através da obediência a Palavra de Deus, mesmo em suas incertezas seguiram-na respondendo firmemente com o “SIM” de suas vidas.
A profissão de fé, proferida logo após a proclamação da homilia, é a resposta da assembléia ao que o Senhor lhe dirige. A profissão é uma adesão pessoal a pessoa de Jesus e participação no seu Espírito. Assim, a Igreja não cessa de confessar a sua fé em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. (CIC, n. 152)
Apesar de ser um ato pessoal, a profissão de fé, não é um ato isolado, pois é manifesta a fé da comunidade que se entrelaça construindo uma comunhão profunda de fé e fraternidade. Diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC, n. 166): “Ninguém crer sozinho, assim como ninguém vive sozinho. Ninguém deu a fé a si mesmo, assim como ninguém deu a vida a si mesmo [...] Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros.”
Não cremos nas fórmulas, mas nas realidades que elas expressam e que a fé nos permite “tocar”. (cf. CIC. n. 170) Porém, estas fórmulas nos permitem expressar e transmitir a fé,celebrá-la em comunidade, assimilá-la e vivê-la cada vez mais.
Desde a origem, a Igreja apostólica exprimiu e transmitiu sua própria fé em fórmulas breves e normativas para todos. Recolhendo o essencial de sua fé em resumos orgânicos e articulados, destinados sobretudo aos candidatos ao batismo, como nós lembra o singular: creio. Estes resumos chamam-se “profissões de fé”, “credo” ou “símbolos de fé”.
O “símbolo da fé” é, inicialmente, o símbolo batismal. Por ele, nós, confessamos a nossa fé tendo como referência às três pessoas da Santíssima Trindade. Porém são várias as profissões de fé ou símbolos de fé devido às necessidades de respostas nas diversas épocas. Citaremos alguns: “Quicumque” (dito de Sto. Atanásio) ; a profissão de fé de certos Concílios (Toledo (397) , Latrão, Lião, Trento); profissão de alguns papas, como a “Fides Damasi ” (S. Dâmaso) ou Credo do Povo de Deus (Paulo VI) .
Entre todos os símbolos dois ocupam um lugar de destaque na vida da Igreja, são eles: o Símbolo dos Apóstolos e o símbolo niceno-constantinopolitano. O primeiro, o Símbolo dos Apóstolos, é denominado assim por ser considerado o resumo da fé dos apóstolos; sua autoridade é devido ser o símbolo guardado pela Igreja de Roma, onde Pedro teve sua Sé e para onde trouxe a comum expressão de fé (cf. At 2, 14ss). Já o Símbolo niceno-constantinopolitano tem sua autoridade por ser resultado dos dois primeiros concílios ecumênicos sendo, ainda hoje, comum nas Igrejas do Oriente e Ocidente . Trata-se de uma confissão teológica e polêmica que visa expressar a ortodoxia.
Foi no oriente que o Credo foi introduzido na Missa. A introdução na Liturgia teria sido feita por Timóteo de Constantinopla pelo ano de 515, antes do começo da eucaristia. Este costume se espalhou pelo Oriente e foi sancionado como lei pelo imperador Justino em 568.
No século VI este credo oriental passou para a Espanha. Com a introdução do Credo na Missa, alguns arianos desejavam professar publicamente a sua fé e reparar os danos causados a fé de todos os fiéis. Esse desejo foi sancionado pelo Concílio de Toledo, mas o Credo foi cantado antes do Pater.
A entrada do Credo para a missa da Igreja de Roma aconteceu tarde. Sabemos por Bernão de Reichenau (978-1048), que a sua introdução foi pedida ao papa Bento VIII(1012-1024) pelo imperador Henrique II (934-1024). Parece, porém, que só começo a fazer parte no século XII. No entanto, o Credo foi limitado a algumas festas e alguns domingos. A parcimônia no uso do Credo tem sua explicação pelo papa Bento VIII que declarou a não utilização do credo anteriormente porque nenhuma heresia tinha exigido a sua introdução na missa para precisar a fé dos fiéis.
No século VI e o começo do VIII, o missal de Stowe continha o Credo no seu Ordo missae, não antes do Pater, mas no ofertório. Finalmente, o credo foi introduzido na Missa da Igreja de Roma, depois do evangelho, por pedido do imperador Henrique II, no começo do século XII.
O Credo é um alegre “sim” dos fieis à mensagem ouvida e, assim sendo, possui uma letra fixa, que não pode ser alterada. Sendo recomendado, quando possível, cantar-se aos domingos, solenidades e celebrações especiais, tais como: festa da padroeira (o) da comunidade...
“O símbolo, ou profissão de fé, tem como finalidade permitir que todo o povo reunido, responda à palavra de Deus anunciada nas leituras da sagrada Escritura e exposta na homilia, e que, proclamando a regra da fé, segundo a fórmula aprovada para o uso litúrgico, recorde e professe os grandes mistérios da fé, antes de começarem a ser celebrados na Eucaristia. O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote juntamente com o povo, nos domingos e nas solenidades. Pode também dizer-se em celebrações especiais mais solenes.” (IGMR, 68)
Portanto, a Palavra de Deus é proclamada, meditada, explicada e PROFESSADA.

FRANCIDILSO SILVA

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Re: A PROFISSÃO DE FÉ

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qua Maio 25, 2011 9:18 pm

Muito pertinente esta reflexão. Ela nos dá a visão muito lúcida da única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto comunidade dos cristãos. Aqui, também se torna pertinente a análise da palavra "comunidade", perquirindo o seu verdadeiro sentido que se fundamenta na unidade como um bem comum, conforme o desejo do Divino Salvador (Jo 17). Assim, entendemos a profissão de fé como uma atitude comum aos verdadeiros membros da mesma Igreja, UNA, SANTA CATÓLICA, APOSTÓLICA ROMANA.

A citação do Catecismo da Igreja Católica (CIC, n. 166) aqui apresentada - “Ninguém crer sozinho, assim como ninguém vive sozinho. Ninguém deu a fé a si mesmo, assim como ninguém deu a vida a si mesmo [...] Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros” - nos transporta à revisão de uma das mais belas afirmações de Santo Agostinho: "O DEUS QUE NOS CRIOU SOZINHO NÃO NOS SALVARÁ SOZINHO". É neste contexto que está o sentido de ser Igreja em comunhão uns com os outros. Ninguem pode ser igreja fora da comunidade dos verdadeiros cristãos que proclamam a mesma Palavra meditando e professando a fé que provém desta mesma Palavra.

Um grande abraço a todos !!!

Flávio Roberto Brainer de
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