Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

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Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Out 28, 2010 8:20 am

Caros amigos,

Publico um discurso do Papa Bento XVI aos bispos e aos católicos do Brasil, no qual nosso Papa nos dá orientaçoes bastante sérias sobre como comportar-se no período eleitoral.

Deixo aqui para o conhecimento de todos.


Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Deixo para vossa reflexao. Grande abraço a todos.
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Qui Out 28, 2010 4:07 pm

Meu Caro Pe. Anderson,

Peço a sua bênção e desejo que paz do Senhor esteja sempre com você !

Que beleza é poder refletir sobre o conteúdo desta mensagem do Santo Padre, enriquecida com o discernimento cristão que lhe é peculiar enquanto príncipe da nossa Igreja.

É impressionanate a forma com que coloca cada palavra em cada frase em consonância com o Evangelho, sem partidarismo, preservando a unidade da Igreja no seu episcopado e nos cristãos católicos do Brasil, de maneira antagônica à postura de alguns bispos brasileiros que, se servindo de uma frase na qual Dilma Roussef se posiciona de maneira favorável à legalização do aborto, se colocaram a favor de José Serra, sem levarem em consideração que o mesmo normatizou de forma parcial a prática do aborto no Brasil quando ocupou o cargo de ministro da saúde, difundiu a pílula do dia seguinte (que também é uma prática contrária à vida humana) e socializou a prática de inúmeros métodos anti-conceptivos que vão de encontro à moral cristã, normatizando e defendendo a promiscuidade sexual de todas as formas, em detrimento do sacramento do matrimônio e da preservação da família como mãe da sociedade e como "igreja doméstica".

Ao meu ver, faltou-lhes o discernimento, uma vez que optaram pelo que intitucionalizou tais práticas, em detrimento de alguem que manifestou seu pensamento que, apesar de errado, ainda era uma manifestação. Assim, se comprometeram com o erro consumado, diante do que seria uma possibilidade de errar, portanto, menos grave. Em suma faltou equilíbrio na tomada de decisão, o que é profundamente lamentável.

O discurso do Papa aponta para a preservação da vida humana como dom precioso de Deus, denunciando a barbárie da legalização do aborto (que é comum aos dois candidatos que concorrem ao cargo de presidente do Brasil), da eutanásia e de todas as formas contrárias à vida humana. Dentro dessas formas contrárias à vida humana, estão várias formas de morte que são contraídas com a falta de qualidade de vida, com a má distribuição de trabalho, de renda, de educação, etc., que se constituem em protagonista de violência e de morte.

O ato de escolher um candidato para um cargo de tão grande importância, deve levar em conta todos os meios de preservação da vida humana e, neste sentido, na condição de leigo e de católico, tenho que fazer uma opção muito consciente pelo projeto de Dilma Roussef, por ver no trabalho desenvolvido pelo governo petista, uma preocupação com a causa do pobre infinitamente maior do que o que podemos ver no mesmo tempo de governo do PSDB, cuja marca principal foi a privatização do patrimônio nacional, que retirou abruptamente dos brasileiros mais pobres a possibilidade do usufruto dos bens de sobrevivência provenientes do patrimônio perdido.

Não vejo os nossos candidatos como cristãos, pois suas palavras e atitudes dão testemunho de suas vidas. Entretanto, refletindo sobre o que nos propõe o Santo Padre, como católico, observando aquilo que o Papa delega aos ligos no seu documento, creio que a proposta de Dilma Roussef é muito menos nociva que a do seu oponente.

Assim sendo, recomendo aos irmãos católicos que, OPTANDO PELO MAL MENOR QUE SE CONFIGURA NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DO POVO BRASILEIRO, NA REDUÇÃO DAS DIFERENÇAS ECONÔMICAS E SOCIAIS, E NA CONSEQÜENTE REDUÇÃO DOS ÍNDICES DE MORTALIDADE, VOTEM EM DILMA ROUSSEF.

Um grande abraço a todos !!!

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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Out 30, 2010 8:26 am

Caro Flavio,

Que Deus abençoe a você e a sua família sempre.

Penso que eu já disse quase tudo que eu tinha para dizer sobre as eleições no artigo que escrevi com outros dois amigos, mas sua mensagem me fazem manifestar alguns pontos, para nossa reflexão.

Como sempre, estou de acordo com quase tudo o que você nos diz. Você sempre nos apresenta sua opinião tão cheia de equilíbrio, educação e sabedoria. Mas ha alguns pontos que gostaria de comentar.

Em primeiro lugar, tenho que dizer que a cada dia nosso Papa me impressiona mais. Realmente ele é uma grande benção de Deus para a Igreja. Creio que os cristãos descobrirão toda a grandeza do Papa Bento XVI daqui a uns 100 anos. Esse grande homem, quando tinha 38 anos foi convidado para participar do Concílio Vaticano II e era já considerado um dos homens mais cultos do mundo. Hoje, cada vez que ele nos fala, podemos compreender a realidade dessa consideração. Tenho certeza que toda vez que Joseph Ratzinger abre a boca o Inferno treme e os anjos se admiram. Que Deus conserve nosso amado Papa por muitos anos.

Hoje fiquei sabendo, aqui em Roma, que esse discurso do Papa foi publicado integralmente ontem em mais de 60 jornais do Brasil e do mundo. Parece que foi a primeira vez na História da Igreja que isso ocorre! Esse discurso do Papa já entrou para a História! Outra coisa impressionante è o fato que os jornalistas brasileiros sublinharam realmente os pontos centrais do texto do Papa e não o distorceram (como ocorrido já varias vezes com os discursos do Papa). Outra coisa impressionante é o fato que esse discurso foi pronunciado pelo Papa para uns 20 bispos (aliás do Maranhão, sua terra natal, caro Flávio) e em poucas horas foi conhecido por todo o Brasil! Até mesmo os dois candidatos à eleição comentaram o mesmo e ambos se mostraram favoráveis ao Papa. Realmente são muitas coisas impressionantes para um só dia.

Estou de acordo com você que o discurso do Papa foi totalmente feito de acordo com o Evangelho e sem demonstrar nenhum partidarismo. Ao mesmo tempo, tenho que reconhecer que há partidarismo entre o episcopado brasileiro. Esse partidarismo é feito, sem dúvidas, para ambos os lados e isso realmente è algo que não deveria ocorrer. Vejo ao mesmo tempo que hà um acordo de base na defesa dos valores da vida e da família, o problema està na analise da situraçao atual e nao forma de aplicar essa norma geral no caso especifico.

O Papa diz bem claro que “Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas” (cf. GS, 76).

Ou seja, tem a obrigação de emitir um juízo moral, mesmo em matérias politicas, mas não um juízo partidário. Esse juízo partidário não pode ocorrer em nenhuma das duas direções e creio que isso deve ser lembrado.

Agora gostaria de partilhar com você algumas experiências particulares, que creio que podem ajudar a entender algumas coisas que agora penso. Uma das coisas que aprendi no final da mina infância foi, graças a Deus, a jogar xadrez. Quando aprendemos a jogar esse jogo com certa profundidade, descobrimos que o bom jogador è aquele que pensa não somente no seu próximo movimento, mas è aquele que consegue prever 3, 4 ou 5 jogadas do adversário e consegue responder antecipadamente às mesmas.

Esse jogo tem a capacidade de nos deixar sempre com o hábito (ou o vício) de nos fazer pensar sempre como se tivéssemos jogando xadrez. Esse jogo nos ensina a olhar mais além do imediato e isso nos ajuda muito na hora de analisar os acontecimentos da vida e nos ajuda muito na hora de argumentar, sobre qualquer tema. Esse modo de pensar me ajuda muito na hora de estudar Filosofia e sempre quanto tenho que analisar fatos presentes em vista de um futuro.

Se você permite minha necedade, gostaria de argumentar agora como um jogador de xadrez, na hora de analisar o atual período eleitoral brasileiro. Adianto que não quero defender nenhum candidato, não estou recomendando o voto a ninguém, mais sim, afirmo que cada um tem o dever moral de votar segundo o que diz a própria consciência (que cada um deve se esforçar por bem formá-la).

Ontem mesmo a senhora Dilma disse que è pessoalmente contraria ao aborto, embora tenha afirmado que è necessário dividir as coisas e que o aborto não è uma mera coisa de opinião pessoal, mas sim de saúde pública. Ela disse que morrem 2 mulheres por dia por causa desse tema (ela não disse onde morrem essas mulheres, se no Brasil ou se no mundo etc). Evidentemente esses argumentos são um sofisma e são repetições mecânicas de dados falsos. Já demonstramos isso no nosso outro texto nosso e não o faremos agora o mesmo.

http://www.presbiteros.com.br/site/e-o-aborto-uma-questao-de-saude-publica/

Já dissemos que isso representa uma forma sutil de enganar o povo. Significa que cada um tem suas ideias pessoais, mas no âmbito da saúde pública se deve agir de determinado modo. Isso mostra a evidente intenção de legalizar o aborto no Brasil. Seria muito melhor que ela tivesse dito: “eu sou pessoalmente favorável ao aborto, mas, respeitando a vontade do povo brasileiro me comprometo a não permitir que o aborto seja despenalizado no Brasil”. Em outras palavras, nos importa muito pouco as opiniões particulares dos nossos políticos, o que nos importa são suas verdadeiras intenções de ação no campo social.

Outro problema da Dilma, que está sendo esquecido aqui, é que ela e o presidente Lula assinaram em 21/12/2009 o PNDH-3, no qual se recomendava a despenalização do aborto no nosso Pais. Essa afirmação foi logo substituída pela falsa afirmação de que o aborto è uma questão de saúde pública, o que mostra a intenção nítida de se regularizar a prática no período posterior às eleições.

Outra coisa que vale a pena fazer è ler o PNDH-3. Esse Decreto está todo disponível na internet e tem toda a aprencia de um programa de governo. Eu li esse texto completo e fiz uma "seleçao" dos melhores pontos desse mesmo:

Ações programáticas:
a) Expandir e consolidar programas de serviços básicos de saúde e de atendimento domiciliar para a população de baixa renda, com enfoque na prevenção e diagnóstico prévio de doenças e deficiências, com apoio diferenciado às pessoas idosas, indígenas, negros e comunidades quilombolas, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, crianças e adolescentes, mulheres, pescadores artesanais e população de baixa renda.


k) Assegurar o acesso a laqueaduras e vasectomias ou reversão desses procedimentos no sistema público de saúde, com garantia de acesso a informações sobre as escolhas individuais.

g) Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos. (pag 91)

Recomendação: Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto.

h) Realizar campanhas e ações educativas para desconstruir os estereótipos relativos às profissionais do sexo.

a) Realizar campanhas e ações educativas para desconstrução de estereótipos relacionados com diferenças étnico-raciais, etárias, de identidade e orientação sexual, de pessoas com deficiência, ou segmentos profissionais socialmente discriminados.

d) Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade.

Recomendação: Recomenda-se aos estados, Distrito Federal e municípios a promoção de ações que visam a garantir o uso do nome social de travestis e transexuais.

g) Fomentar a criação de redes de proteção dos Direitos Humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), principalmente a partir do apoio à implementação de Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia16 e de núcleos de pesquisa e promoção da cidadania
daquele segmento em universidades públicas.

h) Realizar relatório periódico de acompanhamento das políticas contra discriminação à população LGBT, que contenha, entre outras, informações sobre inclusão no mercado de trabalho, assistência à saúde integral, número de violações registradas e apuradas, recorrências de violações, dados populacionais, de renda e conjugais.

e) Realizar relatório sobre pesquisas populacionais relativas a práticas religiosas, que contenha, entre outras, informações sobre número de religiões praticadas, proporção de pessoas distribuídas entre as religiões, proporção de pessoas que já trocaram de religião, número de pessoas religiosas não praticantes e número de pessoas sem religião.

Ações Programáticas:
a) Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas.

Ações programáticas:
a) Instituir mecanismos que assegurem o livre exercício das diversas práticas religiosas, assegurando a proteção do seu espaço físico e coibindo manifestações de intolerância religiosa.
Recomendação: Recomenda-se aos estados e ao Distrito Federal a criação de Conselhos para a diversidade religiosa e espaços de debate e convivência ecumênica para fomentar o diálogo entre estudiosos e praticantes de diferentes religiões.
b) Promover campanhas de divulgação sobre a diversidade religiosa para disseminar cultura da paz e de respeito às diferentes crenças.
c) Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.
Recomendação: Recomenda-se o respeito à laicidade pelos Poderes Judiciário e Legislativo, e Ministério Público, bem como dos órgãos estatais, estaduais, municipais e distritais.
d) Estabelecer o ensino da diversidade e história das religiões, inclusive as derivadas de matriz africana, na rede pública de ensino, com ênfase no reconhecimento das diferenças culturais, promoção da tolerância e na afirmação da laicidade do Estado.

Isso significa que estou condenando a Dilma e estou recomendando o voto ao Serra? Resposta: NÃO. Continuemos a pensar como um jogador de xadrez.

As palavras e as atitudes do senhor Serra são, nesse tema, demasiado ambíguas. Ele mesmo tomou atitudes inaceitáveis desde o ponto de vista da moral católica quando era ministro da saúde do nosso País. Outro problema: ele não se comprometeu publicamente a trabalhar pela vida no nosso País em nenhum momento e não temos nenhuma garantia de que ele assim o fará. Ainda mais podemos pensar que o argumento que usa a Dilma atualmente (“sou pessoalmente a favor do aborto, mas essa é uma questão de saúde pública, que exige a despenalização do mesmo no nosso País”) pode ser usado por ele da mesma forma depois das eleições.

Mas demos um passo mais (continuemos pensando como um jogador de xadrez). Por que a ameaça contra a vida humana no nosso País provem de ambos os partidos políticos? Por que nesse aspecto moral já não há uma diferença nítida entre os diversos partidos no Brasil (e em quase todo o mundo)?

O motivo disso è que há diversos organismos mundiais que estão se empenhando por difundir pelo mundo os chamados “novos direitos” humanos. Esses são o direito ao aborto, à eutanásia, aos novos “modelos de família” etc. São grupos de poucas e muito influentes pessoas. E quais são esses grupos? A melhor coisa è darmos o nome de todos:

O IFFP (Federação Internacional de Planejamento Familiar);

A OMS (Organização Mundial de Saúde);

Tony Blair Faith Foundation (Uma fundação internacional fundada pelo “católico” Tony Blair e Cherie Booth)

As paginas da Internet dessas fundações, onde se mostra claramente esses objetivos, são as seguintes:

www.tonyblairfaithfoundation.org
http://ddp-ext.worldbank.org/ext/GMIS/home.do?siteld=2
http://www.uri.org
http://weltethos.org/dat-english/index.htm
http://attitude.co.uk

Essas fundações têm como grandes líderes atuais dois personagens importantíssimos: Barack Obama e Tony Blair. O primeiro tem em mente por o segundo como presidente da União Europeia, para assim poder implantar esse “novos direitos humanos” em todo o mundo (começando pela América Latina e África). Por isso, a primeira atitude do presidente Obama foi de permitir que fossem usados os fundos do Governo americano para a promoção do aborto em todo o mundo. Tudo isso pode parecer muito fantástico, quase absurdo, mas está perfeitamente exposto nas páginas das mesmas fundações acima citadas e foi exposto também recentemente no Vaticano, numa excelente palestra dada na Pontifícia Academia das Ciências Sociais. O texto íntegro dessa palestra pode ser consultado (na página do Vaticano!):

www.vatican.va/romam curia/pontifical academies/acdscien/documents/rc pa acdscien doc 20030207 social index general en.html

São essas fundações responsáveis pela promoção do aborto em todo o mundo e tem como principal objetivo a América Latina. Infelizmente, como essas fundações tem muito poder no mundo, elas tentam com todas as forças dominar a todos os governos do mundo (independentemente dos partidos). Essas fundações querem dominar também o nosso País. Por isso nós dissemos no nosso outro texto que a defesa da vida no nosso País não é uma questão partidária, não pode se reduzir ao período pre-eleitoral e não é uma luta meramente religiosa.
Mas devemos olhar mais adiante, como um jogador de xadrez. O que podemos fazer? Creio que nosso País tem uma grande força, que muitos países do mundo não têm: a maioria do nosso povo é cristão praticante e demonstra uma profunda rejeição ao aborto e a esse tipo de leis; nosso País é jovem, nosso povo é inteligente e não se deixa dominar facilmente por nenhuma forma de imperialismo cultural anti-cristão (coisa que, infelizmente, nossos políticos nem sempre tem a capacidade de fazer).

Devemos nos unir e nos proteger contra essas agressões à dignidade humana. Uma pesquisa recente do Datafolha mostra que o índice das pessoas que pensam que a lei do aborto deve continuar como está no nosso Pais é de 71%. Esse índice è praticamente o mesmo entre os eleitores dos 3 principais candidatos à Presidência no nosso Pais.

Como pois nos unir na defesa da vida, independentemente da nossa religião e das nossas opções políticas em defesa da vida? Temos duas opções: ou fazermos uma abaixo assinado em apoio ao “Estatuto do Nascituro” projeto de lei elaborado pelo ex-deputado do PT, Buassuma, expulso do mesmo partido por haver se declarado pessoalmente contrário ao aborto (da mesma forma que a senhora Dilma está fazendo agora); a segunda opção è elaborar um Projeto de Lei, por iniciativa popular, como o “Ficha Limpa”, que defenda a vida humana em todas as suas fases (desde a sua concepção até a morte natural) e apresentar no Congresso e Senado. Assim todos os brasileiros, de todos os partidos e religiões podem se unir eficazmente na defesa do nosso bem mais importante e sagrado: a vida humana e participaremos de modo eficaz na democracia da nossa amada nação.

Agora demos mais um passo e olhemos mais avante. Todos os países que promoveram políticas contrárias à vida e à família estão numa crise financeira e moral sem precedentes na História mundial. Refiro-me aos países europeus, principalmente. E como sair dessa crise? Quais os motivos das mesmas?

Há vários motivos, outra hora posso expor melhor esse tema. O mais evidente atualmente è um problema grave que o Papa Bento XVI teve a audácia de denunciar na Enciclica Spes Salve (uma Encíclica maravilhosa e silenciada): os países europeus estão metidos na crise financeira devido ao envelhecimento da população. O motivo è logico: a população envelhece num ritmo absurdo na Europa e o resultado é que em poucos anos haverá mais pessoas aposentadas na Europa do que pessoas jovens trabalhando. Qual será o resultado? Que os jovens terão que trabalhar muito para ter uma vida muito difícil. Os idosos também terão uma vida dura, pois os Estados estão extremamente individados e, dentro de poucos anos, haverá mais pessoas precisando de ajuda dos Estados do que pessoas produzindo riquezas e pagando impostos aos mesmos.

Qual a origem disso? Todas as políticas anti-vida das mesmas nações. A isso nos referimos todas às medidas contrárias ao matrimonio (o divórcio, por exemplo) e especialmente o aborto, que está eliminando toda uma geração. Um exemplo disso: na França está havendo uma grande crise financeira, que começou com a falência de grandes construtoras desses países. Essas construtoras sobreviviam com o dinheiro que tiravam emprestado dos bancos. Com a falência das mesmas, os Bancos também falem. E qual è o motivo? Nesse País as construtoras construíram um número imenso de apartamentos minúsculos e caríssimos (180.000 euros para um apartamento de 50 metros quadrados!) Essas empresas construíam esses apartamentos evidentemente confiando nas famílias. Como assim? Eles estavam confiando que as famílias não tem futuro e que sempre os casais se separam. Por isso è necessário fazer tantos apartamentos e tão caros para toda essa gente que moraria sozinha, pensavam então. Qual o resultado? Com a falência das famílias, faliram as construtoras, os bancos e agora todo a França está praticamente em revolução social. De quem è a culpa?

Caros amigos, é esse o modelo de sociedade decadente que querem propor ao nosso País!

Por tudo isso e porque tenho um inquebrantável otimismo (fruto da fé) vejo o presente do nosso País deslumbrando o futuro da humanidade. Temos que ser a vanguarda mundial na defesa da vida. Temos que fazer com que nossos governos nos escutem mais do que a esses absurdos niilistas, interesseiros e sem escrúpulos, que querem se instalar na nossa sociedade. Temos que dizer um sim muito grande à vida e à família e temos que ser, dessa forma, exemplo para o mundo! A renovação da humanidade pode começar conosco, que somos um povo jovem, inteligente, trabalhador, cheio de esperança, alegria e de fé. Não podemos nos omitir e creio que não podemos olhar só para o imediato.

Portanto, amigos, temos que estar sempre alerta e não podemos nos calar. Não quero indicar o voto a ninguém, mas não posso me calar diante de tudo o que nós estamos vendo. Temos que lutar pela vida, pela nossa sociedade em todos os momentos.

Indico a todos, por fim, que cada um vote segundo a pròpria consciencia, que peça a ajuda de Deus para fazer a coisa certa e que continuem rezando sempre pelo nosso País e pelo nosso futuro governo (seja ele qual seja). Ao mesmo tempo, temos que nos compromenter a lutar pela vida e pela democracia no nosso Pais sempre (e nao so no perido pre-eleitoral).

Um grande abraço e que Deus abençoe a todos.
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Nov 01, 2010 9:42 am

Caro Pe. Anderson

Que bom é receber a sua bênção !!!

Inicialmente, quero manifestar o meu agradecimento pelas suas palavras a respeito do que tenho postado no nosso fórum, sobretudo quando percebo que, de acordo com o seu testemunho, as palavras que venho escrevendo, pautadas na minha fé cristã e nas minhas convicções, têm provocado algumas reflexões ainda mais profundas a respeito de matérias consideradas quase findas ou acabadas, o que vejo como graça de Deus, pois n’Ele está a sabedoria, a verdade e a razão de ser de todas as coisas.

Devo confessar que, da mesma forma, sempre que visito suas mensagens, reflito muito mais e aprendo bem mais, mesmo havendo alguns aspectos nos quais os nossos pensamentos e convicções sejam divergentes. Creio firmemente que, consideradas com seriedade e com o devido respeito, as divergências nos ensinam muito mais que as congruências, pois enquanto estas nos levam a uma certa acomodação ou conformismo, aquelas nos enchem de inquietudes e nos levam a reflexões bem mais profundas, principalmente quando amamos aqueles que as detém. Assim, penso que é exatamente na divergência tratada com seriedade e respeito pelo outro que o nosso fórum nos edifica mais, uma vez que, nos levando a inúmeras reflexões e estudos, considerando que o que nos une é a fé, nos faz acreditar na unidade que se constrói sobre os alicerces da diversidade de conceitos, de pensamentos e de convicções.

Como você coloca a questão da visão de um jogador de xadrez no discernimento das questões do cotidiano da vida, é algo muito profundo e que eu trabalho sistematicamente no dia-a-dia das minhas aulas de educação física, onde incluí o xadrez como conteúdo da disciplina exatamente por considerar esse caráter. Costumo ainda, no desenvolvimento das minhas aulas, mostrar para os estudantes as relações históricas do passado com o momento presente e numa perspectiva de futuro, indagando sempre o como era antes, o como é hoje e o como poderá ser no futuro, a partir do momento em que cada um se coloca como protagonista da história que lhe compete escrever.

Comungo plenamente com a sua visão a respeito do Santo Padre pelas mesmas razões que você me apresenta. Ele sempre me surpreende de forma muito positiva. Aliás, como católico batizado no dia do papa e dedicado desde a mais tenra infância, tenho observado que cada um dos Papas que vem dirigindo a nossa igreja tem carregado na sua vida as peculiaridades do seu tempo e agido de acordo com as moções do Espírito Santo, de maneira que, no tempo presente, tenho saboreado muitos frutos provenientes do Concílio Vaticano II. Assim, quando você afirma que os cristãos descobrirão a grandeza do Papa Bento XVI daqui a uns cem anos, vejo essa realidade em relação ao Papa João XXIII, por quem tenho grande admiração e carinho indescritíveis, além do sentimento de saudade.

Em relação ao discurso do Papa, mesmo sabendo que a visão da mídia brasileira e dos dois candidatos não seria a da imparcialidade que encerra, fiz questão de afirmar no nosso fórum a sua coerência com o Evangelho e o fato de preservar a unidade da Igreja não demonstrando qualquer intenção político-partidária. A referência feita à Gaudium et Spes me fez revisitar os documentos do CELAM de Puebla e Medelin, cujo posicionamento em conclave do episcopado latino americano foi de acordo com os princípios da doutrina social da igreja, mas que na prática, distorcidos, abriu imensas crateras no campo da unidade eclesial sob a alegação de uma opção preferencial pelos pobres que se distanciou dos parâmetros evangélicos para adentrar no campo da política de esquerda que tirou proveito da teologia da libertação distorcendo-lhe fundamentos e conceitos em um tempo no qual a América Latina tentava sobreviver à sombra dos escombros da ditadura.

Da mesma forma como muitos bispos e clérigos desviaram o foco do Evangelho para a inserção dos católicos numa dimensão político-partidária de extrema esquerda nos anos da ditadura latino-americana, como previa, pude observar que quando o discurso do Papa se tornou objeto dos nossos meios de comunicação social, o seu verdadeiro sentido foi suplantado, principalmente pela associação ao posicionamento equivocado, distorcido e tendencioso de alguns membros do nosso episcopado que direcionou o processo da campanha eleitoral para uma visão unilateral na qual a questão do aborto se tornou o seu foco, ofuscando muitas outras questões de fundamental importância que deveriam ser amplamente exposta pelos dois candidatos para análise e discernimento do eleitorado e a conseqüente escolha do projeto de governamental a ser deferido através do voto. Assim, o discurso do Papa amplamente divulgado pela mídia brasileira foi maldosamente considerado como referendo para o candidato tucano e como repúdio para a candidata petista, retirando dos católicos a possibilidade de sua verificação à luz da fé. Em suma, aquilo que deveria ser divulgado pela Igreja de forma coerente à luz da fé e da razão, foi divulgado de forma perniciosa por quem não tinha o direito de fazê-lo.

Concordo plenamente com os artigos que você me enviou e que, por concordar com eles e ver no seu contexto a importância de tal discussão, fiz questão de levá-lo para a escola onde trabalho, no sentido de tentar fazer com que os professores de filosofia e ética e cidadania os incluam no processo de organização e sistematização de conteúdos destas disciplinas, como também estou levando o PNDH-3, por reconhecer nele um instrumento capaz de despertar a consciência dos nossos alunos para uma tomada de posição consciente a favor da vida, levando ainda essa concepção à análise dos pais e de toda a comunidade escolar, uma vez que coordeno o conselho da escola que cuida especificamente da relação escola/família.

As questões inerentes ao IFFP e a OMS referendadas no texto que me apresenta, com certeza darei o mesmo tratamento no que diz respeito à escola que é o lugar onde o Senhor me colocou para fazer a diferença que Ele espera, de modo que, tudo o que você me tem enviado, vejo como matéria pertinente ao tempo presente e que, como cristão, tenho o dever de ponderar devidamente.

Tenho acompanhado sistematicamente as crises dos diversos países, incluindo neste contexto a atual questão da França, da Grécia e de outros países europeus. Tenho acompanhado a problemática inerente a não inserção dos países europeus mais pobres na união européia por não atenderem a vários requisitos de diversas naturezas, e de modo mais específico, de natureza econômica que é na prática o que mais os diferencia.

Adentrando no campo do momento político eleitoral no nosso Brasil, não posso deixar de considerar as questões que sabiamente me tem apresentado e que julgo de suma importância, uma vez que contempla o desrespeito a várias questões de ordem moral do ponto de vista cristão, que tenho que defender com todas as minhas forças. Mas tenho que considerar também que, mesmo que estejam incluídas outras questões, a discussão dessas questões no nosso fórum, a exemplo da própria campanha política no momento atual, se alicerçou principalmente na questão do aborto (como afirmei anteriormente), como se isso fosse o critério único ou mais importante para o discernimento do voto consciente.

É preciso, como jogador de xadrez – permita-me servir-me da mesma expressão – ver as jogadas anteriores, e neste sentido, questionarmos os dados estatísticos comparando o que foi bom para o Brasil nos oito anos dos governos dos dois partidos.

Sabemos que a maioria absoluta aponta com muita sobra para a proposta do PT e seus aliados, valendo salientar que quando falo da proposta não estou me referindo a ideologia, uma vez que no cenário do pluripartidarismo morre a ideologia do partido maior em favor da costura de acordos que supostamente garantirão o processo de governabilidade. Entretanto, é inegável os avanços do Brasil em quase todos os aspectos e, principalmente se compararmos os números dos dois partidos no exercício da gestão em tempos iguais. Os números do crescimento econômico e da redução da desigualdade social em si mesmos já apontam para uma nova realidade onde se configura a redução da mortalidade nas estatísticas do país, sem se considerar apenas questões como a do aborto que é uma das causas imorais de morte humana, tão imoral quanto os outros casos de morte provenientes da desigualdade social (fome, doenças, violência, etc., etc., etc.).

Indagado a respeito da ausência de FHC na sua campanha e questionado se essa ausência era por divergências pessoais ou por reprovação à segunda metade do seu governo, José Serra deixou perplexo e sem qualquer resposta todo o eleitorado brasileiro, deixando muito claro que o ex-presidente estaria fora do trabalho da campanha, muito embora o apoiasse. Entretanto, paralelamente a isso, FHC costurava com representantes de entidades de outros países a possibilidade de privatização nos moldes internacionais de várias empresas brasileiras, dentre elas, a Petrobrás, Itaipu e Banco do Brasil, dentre tantas outras. (Ver: http://brasilmobilizado.blogspot.com/2010/10/fhc-diz-americanos-que-domou-aecio-e.html )

Quando um país se desfaz do seu patrimônio do qual provém suas riquezas, submete-se a recolher apenas os impostos de toda a produção, abrindo mão do lucro que deveria ser utilizado na implantação e manutenção dos programas de governo em favor do seu povo. Isso mata muito mais do que o aborto e, retrata a principal característica da proposta governamental do PSDB e seus aliados, experiência esta que vivemos em um passado muito recente e que como conhecedores profundos, não podemos referendar.

Como você afirma no seu texto, ninguém pode garantir nem esperar (grifo meu) que qualquer um dos dois candidatos que venha a ganhar a eleição possa se posicionar a favor da vida tanto por não serem, ao meu ver, autênticos cristãos quanto pela natureza parlamentar que caracteriza a forma de governo do nosso país.

Como país tradicionalmente cristão, embora pouco praticante (um dos pontos em que nossos pensamentos divergem), acredito na força do trabalho de defesa da vida humana, da família e dos valores cristãos, morais, éticos e sociais como um desafio a ser assumido pela Igreja.
Quando você afirma que “temos que ser a vanguarda mundial na defesa da vida”, me recordo de um dos sermões do Pe Antônio Vieira, no qual ele faz referências ao Brasil como a terra onde fluem o leite e o mel tantas vezes citada nas Sagradas Escrituras.

Aqui não questiono a sua posição política, se é favorável a um ou a outro candidato, até mesmo porque sei que uma postura político partidária publicamente exposta por um sacerdote aos quatro ventos do mundo a favor de A e contra B não é recomendável para a Igreja, dando espaço para a quebra da unidade e da comunhão eclesial, de modo que nunca fiz esse juízo a seu respeito.

Conhecendo-o como se apresenta no conjunto das suas publicações no nosso fórum, vejo-o como um sacerdote exemplar, dedicado à oração, ao incansável estudo das coisas pertinentes à nossa Igreja, prudente e caridoso em cada detalhe do que escreve, creio na sua consciência.
Sei que a posição de um sacerdote no sentido de manifestar um posicionamento político para além do fato de denunciar o erro e a injustiça é algo extremamente complicado quando se leva em conta a unidade da Igreja, a comunhão eclesial.

Como estávamos dialogando inspirados na conduta de um jogador de xadrez, a posição a ser tomada por um sacerdote no campo da política pode ser melhor compreendida se nos inspirarmos na conduta de um jogador de sinuca (hehehe) !!!

Concordo com você quando diz que cada um vote conforme a sua consciência e peça a ajuda de Deus em oração. Entretanto, sabemos que muitas pessoas, apesar da oração, têm dificuldade para entender, discernir e assimilar as respostas que Deus lhes dá durante as orações. Muitas vezes as respostas de Deus estão nas palavras dos irmãos da mesma forma que, em várias circunstâncias, estão na voz dos seus profetas.

Creio que neste período que precedeu as eleições no nosso país, é muito provável que tenhamos sentido o peso da divergência das concepções políticas manifestadas por vários irmãos no nosso fórum.

Por diversas vezes afirmei me sentir constrangido ao postar qualquer coisa pertinente a essa questão, e até mesmo por não ver em qualquer momento da campanha algo de concreto em termos de propostas governamentais nos dois candidatos, nem qualquer alternativa que se fundamentasse no verdadeiro espírito cristão, o que é profundamente lamentável.

Finalmente, quero aqui manifestar o meu pedido de desculpas e até mesmo de perdão, se for o caso, se por acaso, nos meus colóquios, magoei ou ofendi a qualquer um dos meus irmãos do fórum com a exposição das minhas convicções políticas. O mais importante neste momento, é reconhecer que apesar das divergências de pensamento e de posicionamento político, o que me une a cada membro do nosso fórum de maneira sublime, suprema e indescritível é uma fé viva que move montanhas e que me permite dizer a cada um em particular: “ EU TE AMO !!! “

Rezemos pelo nosso Brasil, pelo povo brasileiro e pela nossa presidente, para que encontremos juntos a forma de conduzirmos o nosso país nos caminhos do Senhor, á luz de sua Palavra e à sombra dos seus mandamentos !!!

Um grande abraço a todos !!!





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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por alessandro em Seg Nov 01, 2010 11:06 am

Ola a todos,

Bom as eleições acabaram, mas a vigilância deve continuar. Afinal de contas todos sabemos que a política não deve ser feita apenas de dois em dois anos.

Parei para escrever aqui apenas para parabenizar todos aqueles que discutiram aqui no forum sobre as eleições. Quero dizer que este foi um dos poucos espaços nos quais vi uma discussão séria e ao mesmo tempo cordial. Não houve troca de ofensas, ao mesmo tempo em que as posições eram discutidas com convicção.

Como todos aqui sabem, o candidatos em que votei, tanto no primeiro quanto no segundo turno, perderam as eleições. No entanto rezo para que a presidente Dilma Roussef faça um bom mandato, nos quais o ser humano seja realmente priorizado. Continuarei acompanhando o cenário político braseleiro e, muito provavelmente, continuarei criticando, mas sinceramente, espero que aqueles que votaram na Dilma estejam certos e eu errado.

abraços fraterno a todos.

ps: também publlicarei este post no tópico sobre o voto em josé serra.

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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Nov 07, 2010 5:32 pm

Caros amigos,

Caro Flávio, a discussao é realmente muito interessante. Somente gostaria de te dizer que creio que respondi às questoes que aqui voce apresenta em outro tópico do forum:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/papo-cabeca-f12/eleicoes-o-que-pensar-do-comportamento-dos-nossos-pastores-t822.htm

E como dizia o Papa Joao Paulo II: "a mentira sempre necessita da violência para se justificar." Por isso os que querem promover uma cultura de morte sempre se servem da mentira.

A esse respeito,veja essa notícia, do Diário da Uniao de 4 de outubro de 2010:

http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=88&data=04/10/2010

Ministério da Saúde publicou ontem, 04/11/2010, no DOU seção III, página 88, o Termo de Cooperação do Governo do Brasil com a Fundação Oswaldo Cruz para despenalizar o aborto. O alvo do governo petista é legalizar o aborto até fevereiro de 2011. Veja abaixo a informação documentada:

ESPÉCIE: PRIMEIRO TERMO ADITIVO AO TERMO DE COOPERAÇÃO
Nº. 137/2009 CONVENENTES: Celebram entre si a União Federal, através do Ministério da Saúde – CNPJ nº. 00.530.493/0001-71, e FUNDACAO OSWALDO CRUZ, Estado do RIO DE JANEIRO – CNPJ nº. 33.781.055/0001-35.
OBJETO:
Prorrogar a vigência do Termo de Cooperação nº. 137/2009, destinado Estudo e Pesquisa – Despenalisar o Aborto no Brasil, até 04/02/2011, a contar de seu vencimento.
PROCESSO: 25000.656836/2009-31.
VIGÊNCIA: Entrará em vigor a partir de sua assinatura até 04/ 02/ 2011.

DATA DE ASSINATURA: 29/09/2010.
SIGNATÁRIOS: ARIONALDO BOMFIM ROSENDO – C.P.F. nº 182.782.991-53
- DIRETOR-EXECUTIVO DO FUNDO NACIONAL DE SAÚDE/MS;
PAULO ERNANI GADELHA VIEIRA – C.P.F. nº. 422.312.997-04
-PRESIDENTE , FUNDACAO OSWALDO CRUZ.

Grande abraço a todos.


Última edição por Pe. Anderson em Seg Nov 08, 2010 9:28 am, editado 1 vez(es)
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Binhokraus em Dom Nov 07, 2010 5:38 pm

Desculpa dizer isso, mas infelizmente os cristãos que se omitiram, ou não quiseram ver a verdade dos fatos presentes, terão parte da culpa caso isso realmente aconteça. Se a legalização do aborto ocorrer em fevereiro, aqueles que votaram na dilma serão Cúmplices desse ato....

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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Nov 08, 2010 6:27 am

Vejo com preocupação a publicação do DOU de 04/10/2010, preocupação esta que manifestei nos meus colóquios ao colocar-me de maneira clara e ineqüívoca contra a legalização do aborto e contra todas as formas de morte não natural.

Por outro lado, creio que os cristãos, mesmo que a questão do aborto venha a ser legalizada, não se darão a essa prática, conforme já afirmei em outras postagens no nosso fórum.

Quanto a afirmação de cumplicidade com a legalização do aborto por parte de quem votou em Dilma Rousseff, respeito a posição de Binho, pois cada um tem o direito e a liberdade de expressar seus próprios pensamentos.

Entretanto, conforme afirmei em outros colóquios neste tópico, os dois candidatos que chegaram ao segundo turno das eleições (Dilma Rousseff e José Serra) eram caracterizados respectivamente pelo discurso e pela prática a favor da legalização do aborto, o que ninguem garante que no caso de vitória de José Serra, estariamos livres de tal constrangimento.

De maneira particular, ao votar em Deilma Rousseff, votei numa possível proposta caracterizada pela redução da desisgualdade social e pelo aceleramento do desenvolvimento do país como patrimônio dos brasileiros que possam usufruir das suas riquezas, sabendo que onde há maior justiça social e distribuição de renda, se reduz, como conseqüência, a maioria dos índices de mortalidade humana.

Me sentirei indignado, caso o governo da Dilma venha a abandonar os grandes programas e projetos do governo Lula, projetos estes com os quais se comprometeu diante de toda a nação. Caso isso aconteça, muitos que sairam da linha da miséria voltarão para a condição anterior; grande número de pessoas, inclusive crianças, vai voltar a morrer como vítimas da fome, da violência e de tantas outras causas que são conseqüências da falta de políticas públicas voltadas para a redução da pobreza extrema, da fome e da miséria no mundo.

Sabemos que, dentre as estatísticas que são divulgadas a respeito da mortes humanas nas mais diversas modalidades, os que se referem ao aborto não são confiáveis por serem manipulados. Por sinal, o Pe. Anderson nos mostrou no nosso fórum documentos que comprovam uma realidade fantasiosa dos números de morte por meio da prática do aborto. Entretanto, as estatísticas das outras modalidades de morte devem ser consideradas e, como me referi em outros momento, são bem mais reais e, quantitativamente muito maiores.

Um grande abraço a todos !!!

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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Binhokraus em Seg Nov 08, 2010 6:00 pm

Olá Flávio. Agradeço a compreensão e gostaria de dizer que apesar do meu discurso um tanto quanto inflamado, eu também respeito bastante a sua opinião.

Gostaria só de dizer que eu não tenho nada contra a candidata Dilma, o problema, a meu ver, é o PT. Entendo que nenhum dos dois candidatos eram garantia de que o aborto continuará sendo uma prática ilegal. O problema é que o PT, através do PNDH3, já milita a favor do aborto. Diferente do PSDB, que mesmo que tenha intenções de legalizar, não a manifestou tão abertamente quanto o PT o fez.
Sobre as políticas sociais do atual governo, acredito que elas foram uma lição para muitos partidos. E agora, felizmente ou infelizmente, elas sempre farão parte das campanhas futuras, seja por uma real consciência da necessidade de se lutar pelos mais pobres, seja por uma campanha meramente com intenção de ganhar mais votos. Então, não acredito que somente a presidenta eleita fosse a unica capaz de tocar tais campanhas a frente. Acredito que qualquer candidato com um mínimo de consciência as tocaria a frente e as melhorariam, visto que essa políticas sociais foram uma das responsáveis pela grande popularidade do atual governo.

Minha preocupação, é, e sempre foi, com o PT. Me preocupo muito quando vejo o fundador deste partido apoiando o candidato rival, e dando declarações contra o partido que ele fundou. Me preocupo mais ainda quando vejo um José Dirceu, declarar publicamente que um eventual, agora real, governo de Dilma, seria um governo do PT. Pois os 8 anos de governo Lula, não foram um governo totalmente petista, pois, segundo palavras do José Dirceu, Lula é maior que o PT.

Sabidamente o PT, apóia certas políticas e tem certas posições contrárias a Santa Igreja, incluindo-se ai a questão do aborto. Meu receio, e ele é grande, é que a presidenta Dilma, não tenha pulso, nem força suficiente para peitar ou barrar essas idéias do PT. Os prognósticos não são nada favoráveis a esse respeito.
Entendo que houve ao longo de toda campanha muitos mal entendidos, e também muitos excessos em discursos sobre os candidatos. Mas, em toda a posição da igreja eu vejo preocupação justamente com o Partido dos Trabalhadores. Preocupação por seus posicionamentos contra a vida, contra os princípios e morais cristãs católicas. Ao se posicionar contra a candidata dilma, era um posicionamento contra o PT, por tudo que este partido pretende fazer ao continuar no Poder. A igreja é mãe e mestra. Ela se declarou, por meio da CNBB contra os posicionamentos deste partido, nessas eleições representada pela candidata eleita Dilma.
O juízo, é particular, a igreja tem o direito e o dever de instruir seus fiéis, mas não pode lhes exigir que façam isso ou aquilo, cabendo a decisão ao juízo de cada um. Acredito que cada um de nós tem plena ciência disto, a prova é este debate maravilhoso neste fórum.
Mas, diante de tantas coisas boas que Lula e o PT fizeram, fica difícil não acreditar que essas mudanças podem continuar, e muito difícil não dar um voto de crédito a eles. Principalmente em se tratando do Nordeste do nosso país, que é tão discriminado e esquecido por muitos governantes.
Como o Pe. Anderson muito bem disse, é preciso olhar adiante, como um jogador de xadrez, e neste sentido acredito que o PT fez uma grande jogada, grande jogada mesmo. Aproveitou bem a popularidade de Lula para eleger uma candidata que não é como o atual presidente, e que poderá ser facilmente manipulada por este partido para alcançar seus fins.
Entendo que a igreja enxergou isso, e tentou alertar seus fiéis, não podendo no entanto, declarar abertamente tais coisas. É um vislumbre de uma possibilidade. E possibilidades são só possibilidades. Mas diante da possibilidade de um governo que atenta contra a vida, contra a moral e princípios a igreja não podia, não podia ficar calada. Alertou, exortou ao cuidado, pediu insistentemente que se olhasse para estas questões. Alguns não se conteram e declararam abertamente ser contra a candidata do PT, por essa representar o PT e não por uma questão meramente pessoal. Como a igreja é mãe e mestra, entendo que o mais prudente, mesmo sem entender muito bem a princípio, seria acatar as palavras da mãe igreja. Por isso me expressei daquela forma. Foi mais um desabafo, apesar de respeitar profundamente a opinião e o voto de todos que votaram na candidata eleita, não deixo de estar também, profundamente triste, por muitos cristãos católicos, não perceberem as intenções da santa madre igreja quando se manifestou a respeito dessas eleições....

Bom já escrevi demais, e como vc´s podem perceber, é mais um desabafo do que qualquer outra coisa.... enfim... vamos orar a Deus, para que todos nós, que declaramos profunda desconfiança pela presidenta eleita, estejamos enganados. E caso estejamos certos, orar para que nada do que está previsto pelo PT que atenta contra vida, se cumpra.

Permaneçam em Deus! Paz, unção e música!!!

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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Nov 08, 2010 6:30 pm

Binho,

É sempre muito bom trocar idéias com você. Gosto muito dos seus colóquios e compreendo a sua preocupação que, em alguns aspectos, é a mesma minha e de tantos católicos que, como nós, amam profundamente a nossa Igreja.

Da mesma forma que você, porém, desde o início das discussões a respeito da política, os meus colóquios nos respectivos tópicos foram um desbafo que inclusive já confessei por várias vezes que o faço com o coração apertado, constrangido e extremamente preocupado.

Em uma das minhas comunicações (MP) com Pe. Andedrson, me referi a uma questão que não me lembro de ter abordado com a mesma intensidade e riqueza de detalhes no nosso fórum, descrevendo, como tive a graça de também viver no sudeste percorrendo diariamente toda a região do vale do Paraíba em São Paulo, sul de Minas e todo o noroeste fluminense, poder constatar "in loco" as diferenças de aplicação de recursos e até mesmo da aplicação de políticas públicas nas regiões sudeste e nordeste.

Como afirmei em alguns colóquios, fato que você também o descreve nesta sua ultima postagem, antes do governo do PT, o Nordeste foi condenado a uma terrível discriminação, que somente tem condições de descrevê-la devidamente quem conhece as duas realidades.

Gostaria muito que os amigos do nosso fórum viessem aqui no Nordeste para constatarem de fato, vendo as obras e ouvindo as pessoas, essa realidade e, dessa forma, entenderem melhor porque nossa região referendou o governo do PT. Não posso comentar muita coisa, mas posso afirmar que é preciso ver para crer.

Não acho que possamos temer um governo petista na sua essência, pois o pluripartidarismo não deixa espaços para essa possibilidade, uma vez que se isso ocorrer, se coloca em "xeque" a governabilidade do país.

Mas quero deixar bem claro que concordo com você quando nos mostra a importância de ouvir a nossa Igreja enquanto Mãe e Mestra...

O que nos resta, por hora, é rezar, e rezar muito.

Que Deus abençoe o nosso país !!!

UM GRANDE ABRAÇO PRÁ TU !!!!
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Nov 10, 2010 6:06 pm

Caros amigos,

Completo as informaçoes aqui num outro tópico:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/papo-cabeca-f12/o-direito-a-vida-no-brasil-esta-com-os-seus-dias-contados-t827.htm

Grande abraço a todos.
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Nov 11, 2010 5:19 pm

Caros amigos,

Vejam esse texto que publiquei em outro tópico, que nos fazem entender melhor o que nós estamos dizendo aqui:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/papo-cabeca-f12/a-ippf-em-perguntas-e-respostas-t828.htm

Também é importante a leitura do discurso do Papa na ONU, quando ele falou exatamente sobre os chamados "novos direitos humanos", que organizaçoes internacionais estao tentando implantar em todo o mundo. Esses direitos sao: o direito ao aborto, a eutanasia, a "formas alternativas de família", à pedofilia (chamada por esses grupos de "Revoluçao sexual para os menores") etc. Vejam o texto em portugues, completo, e assim se entenderá melhor o que nós estamos apresentando aqui:

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?iid=257621

Grande abraço e que Deus abençoe a todos.
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Re: Bento XVI aos Bispos do Brasil sobre as eleiçoes.

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