Eleições: o que pensar do comportamento dos nossos pastores?

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Eleições: o que pensar do comportamento dos nossos pastores?

Mensagem por Pe. Anderson em Dom Out 31, 2010 6:42 pm

Eleições: o que pensar do comportamento dos nossos pastores?

É inegável que nesse período eleitoral muitos dos fiéis católicos tenham se decepcionado com o comportamento de alguns dos seus pastores: bispos e sacerdotes. Certamente, em alguns casos essa decepção pode ter sido bem fundada; em outros, entretanto, tal decepção pode se basear em certa superficialidade da parte de alguns na hora de julgar o comportamento dos seus pastores.
Para que possamos aprofundar no atual problema, gostaria de propor uma questão aos fiéis cristãos: se você, caro amigo, fosse um sacerdote de Cristo, qual seria a sua posição durante o período eleitoral? Talvez sua resposta seja imediata, talvez você pense que a resposta a essa questão é simples e evidente, mas cremos que a questão não é tão fácil de ser resolvida assim. As opções que os sacerdotes têm diante de um período eleitoral são as seguintes:

a) Tomar posição diante de um partido ou de um candidato: essa é a resposta mais fácil e que exige uma menor reflexão. Mas nesse caso, o sacerdote é acusado de trair o seu ministério de Pastor de Cristo, pode parecer que está violentando as consciências, que está gerando divisão e confusão entre os seus fiéis;
b) Não se pronunciar na época das eleições, deixando a cada fiel a tarefa de decidirem por conta própria: nesse caso, o sacerdote não poderia ser acusado de violentar às consciências, mas certamente seria acusado de omissão, de covardia, de faltar com o dever de guiar povo a ele confiar, que espera sempre desse uma palavra sábia, que possa iluminar a sua decisão;
c) Não se pronuncias em questões político-partidárias, mas somente indicar os princípios do Evangelho que mostram como guiar os cristãos na hora de seu voto: nesse caso, o Evangelho mostra que quem vota deve sempre apoiar a candidatos que defendem a vida desde o nascimento até a morte natural e a família na sua verdade intrínseca. Nesse caso, o sacerdote será acusado de hipocrisia, pois estaria se mostrando preocupado com a vida dos que não nasceram e pareceria não mostrar interesse com a vida de tantos homens, oprimidos pelo peso da miséria e de tantos sofrimentos. (Evidentemente, para se acusar os pastores de hipocrisia é necessário, antes, se esquecer de todo o trabalho social que a Igreja realiza no nosso País nas dezenas de Universidades, milhares de escolas, asilos, creches, sem contar do imenso trabalho feito pela Pastoral da Criança, que a cada ano salva a vida de milhares de crianças carentes em cada comunidade do nosso País).

Olhando essas opções, talvez possamos entender que a escolha dos nossos pastores não é algo simples e automático. Dessa forma vemos que se um sacerdote de Cristo se pronuncia, é criticado; se não se pronuncia, também é criticado. Em uma ou outra situação esse corre o risco de ser impopular e de decepcionar um grupo dos seus fiéis.

Mas para compreendermos melhor o paradoxo aqui apresentado, olhemos por um momento para a História recente. Atualmente é, em alguns lugares, freqüente o número de pessoas que criticam o Papa Pio XII por sua atitude durante a Segunda Guerra Mundial. O motivo dessas críticas é evidente para todos: ele não teria se pronunciado com suficiente clareza para condenar o Nazismo que exterminava os judeus e que oferecia uma ameaça terrificante em todo o mundo. O Papa Pio XII tem sido criticado, certamente, não pelo que ele fez como Papa, mas sim porque ele não tenha dito o necessário, no tempo devido. Como pudemos perceber na última visita do Papa Bento XVI na Sinagoga de Roma, os discursos dos rabinos manifestavam um grande agradecimento ao Papa Pio XII pela imensa obra daquele homem, que coordenou em todo o mundo católico (especialmente em Roma) o trabalho da Igreja que acolheu uma multidão de judeus nos seus institutos religiosos e, dessa forma, salvaram um grande número de pessoas. Apesar de todo o perigoso trabalho que a Igreja realizou naquela dura época (assim como secretamente ordenava o Papa Pio XII) esse homem continua sendo criticado, por seu silêncio. Evidentemente ele manifestou rejeição ao governo Nazista e ao holocausto, mas sempre de maneira sutil e sem jamais se referir explicitamente ao governo Nazista e ao holocausto dos judeus e por isso ele é hoje criticado.

Pois bem, nos nossos dias, a mesma sociedade que critica o Papa Pio XII diz que o Papa (e os demais Pastores da Igreja) não tem direito de se manifestar em questões sociais e políticas. Aqui então podemos nos perguntar: onde está a coerência e onde está a hipocrisia? Na Igreja, por se manifestar na defesa da vida e da família hoje assim como sempre ela fez? Ou em parte da sociedade atual que, olhando para o passado, condena os pastores da Igreja por não terem se manifestado de modo suficientemente claro em situações especialmente difíceis, e, ao mesmo tempo, quer reduzir os pastores da Igreja ao silêncio, nos nossos dias?

Certamente, se aprendemos os exemplos da História recente, temos que concluir que os pastores da Igreja não podem se calar, ainda que essa atitude não seja popular. Os critérios para que as palavras dos pastores da Igreja sejam um verdadeiro serviço à sociedade e um serviço verdadeiro a Cristo, nos foram dados pelo Papa Bento XVI, recentemente.

“Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76). [...]Portanto, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo.”

E agora que o período eleitoral terminou como superar todo possível mal-estar que possa ter surgido entre fiéis e pastores? Certamente creio que nesse momento, todos nós, devemos voltar nosso olhar para Cristo, superando todo espírito de crítica, de divisão e recomeçar nossa vida eclesial, unidos a Cristo.

É lógico que o espírito de críticas, de divisões é algo próprio da cultura atual; cultura essa formada principalmente pelo que nos dita uma parte dos nossos meios de comunicação. Sabemos bem que esses, na maioria das vezes, só conseguem passar uma imagem pessimista da realidade, pois só se interessam em transmitir escândalos, tragédias e futilidades. É algo evidente que em certos meios de comunicação social há uma “exclusão voluntária do bem”; bem esse que é real, feito pela maioria da nossa população, na maior parte da nossa vida e que, infelizmente, não fazem uma notícia. Infelizmente, nos nossos dias, muitas vezes o sensacionalismo sufoca a verdade e nosso povo tem pode ceder à tentação ao pessimismo, ao espírito de crítica e divisão, que por si mesmo é estéril e incapaz de transformar a realidade.

Creio que devemos nesse momento olhar para Cristo e escutar novamente a palavra de Deus. Talvez nessa possamos escutar: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. (Rom. 12,2)

Portanto, caros amigos, busquemos com sinceridade superar toda divisão, todo pessimismo, todo julgamento superficial e desprovido de caridade e busquemos renovar nosso espírito com a paz de Cristo. Somente assim continuaremos a crescer na nossa vida cristã e teremos as forças necessárias para construir uma sociedade justa e digna. Certamente, para fazermos é necessário termos a “coragem de sermos bons” (Bento XVI), de buscar constantemente a santidade e termos a ousadia de perdoar aos que não pensam ou agiram como nós gostaríamos.
Por fim, sugiro a todos uma oração que me acompanhou nesses últimos dias. Peçamos a Deus que a doce luz da sua graça nos guie sempre e ilumine sempre nossos corações e almas.

Luz gentil

Guia-me tu, luz gentil,
Através a escuridão que me circunda,
Sejas tu a conduzir-me!
A noite é escura e estou longe de casa,
Seja tu a conduzir-me!
Sustenta os meus pés vacilantes:
Eu não peço de ver
Aquilo que me espera no horizonte,
Um só passo só me será suficiente.
Não me senti jamais como me sinto agora,
Nem rezei jamais pedindo que fosses tu a conduzir-me.
Amava escolher e programar o meu caminho;
Mas agora, sejas tu a conduzir-me!
Amava o dia deslumbrante e, apesar do medo,
O meu coração era escravo do orgulho;
Não recordes os anos já passados.
Assim, por muito tempo, a tua força me tem abençoado,
E certamente me conduzirá ainda,
Colina após colina, pântano após pântanos,
Sobre rochas e torrentes, até que a noite cederá;
E com o surgir da manhã,
Voltarei a ver o sorriso daqueles rostos angélicos
Que há tempo amo
E que por pouco perdi.
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