A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

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A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Nov 17, 2010 11:02 am

Caros amigos,

Publico aqui esse grande texto de Dom Estevao Bettencourt. Creio que pode ser muito útil para quem quiser realmente se esclarecer sobre esse tema:


A Inquisição não foi criada de uma só vez, nem procedeu do mesmo modo no decorrer dos séculos. Por isto distinguem-se:

1) A lnquisição Medieval, voltada contra as heresias cátara e valdense nos séculos XII-XIII e contra falsos misticismos nos séculos XIV-XV;

2) A lnquisição Espanhola, instituída em 1.478 por iniciativa dos reis Fernando e Isabel; visando principalmente aos judeus e muçulmanos, tornou-se poderoso instrumento do absolutismo dos monarcas espanhóis até o século XIX, a ponto de quase não poder ser considerada instituição eclesiástica (não raro a lnquisição Espanhola procedeu independentemente de Roma, resistindo à intervenção da Santa Sé, porque o rei de Espanha a esta se opunha);

3) A lnquisição Romana (também dita Santo Ofício) instituída em 1.542 pelo Papa Paulo III, em vista do surto do protestantismo.
Apesar das modalidades próprias, a Inquisição Medieval e a Romana foram movidas por princípios e mentalidade características. Passamos a examinar essa mentalidade e os procedimentos de tal instituição, principalmente como nos são transmitidos por documentos medievais.
Antecedentes da Inquisição contra os hereges a Igreja antiga aplicava penas espirituais, principalmente a excomunhão; não pensava em usar a força bruta. Quando, porém, o Imperador romano se tornou cristão, a situação dos hereges mudou. Sendo o Cristianismo religião de Estado, os Césares quiseram continuar a exercer para com este os direitos dos imperadores romanos (Pontifices maximi) em relação à religião pagã; quando arianos, perseguiam os católicos; quando católicos, perseguiam os hereges. A heresia era tida como um crime civil, e todo atentado contra a religião oficial como atentado contra a sociedade; não se deveria ser mais clemente para com um crime cometido contra a Majestade Divina do que para com os crimes de lesa-majestade humana.
As penas aplicadas, do século IV em diante, eram geralmente a proibição de fazer testamento, a confiscação dos bens, o exílio. A pena de morte foi infligida, pelo poder civil, aos maniqueus e aos donatistas; aliás, já Diocleciano em 300 parece ter decretado a pena de morte pelo fogo para os maniqueus, que eram contrários à matéria e aos bens materiais.
Agostinho, de início, rejeitava qualquer pena temporal para os hereges. Vendo, porém, os danos causados pelos donatistas (circumcelliones) propugnava os açoites e o exílio, não a tortura nem a pena de morte. Já que o Estado pune o adultério, argumentava, deve punir também a heresia, pois não é pecado mais leve a alma não conservar fidelidade (fides, fé) a Deus do que a mulher trair o marido (epist. 185, n. 21, a Bonifácio). Afirmava, porém, que os infiéis não devem ser obrigados a abraçar a fé, mas os hereges devem ser punidos e obrigados ao menos a ouvir a verdade.
As sentenças dos Padres da lgreja sobre a pena de morte dos hereges variavam. São João Crisóstomo (+ 407) Bispo de Constantinopla, baseando-se na parábola do joio e do trigo, considerava a execução de um herege como culpa gravíssima; não excluía, porém, medidas repressivas. A execução de Prisciliano, prescrita por Máximo Imperador em Tréveris (385) foi geralmente condenada pelos porta-vozes da lgreja, principalmente por São Martinho e Santo Ambrósio.
Das penas infligidas pelo Estado aos hereges não constava a prisão; esta parece ter tido origem nos mosteiros, donde foi transferida para a vida civil. Os reis merovíngios e carolíngios castigavam crimes eclesiásticos com penas civis assim como aplicavam penas eclesiásticas a crimes civis.
Chegamos assim ao fim do primeiro milênio. A Inquisição teria origem pouco depois.

As origens da lnquisição
No antigo Direito Romano, o juiz não empreendia a procura dos criminosos; só procedia ao julgamento depois que Ihe fosse apresentada a denúncia. Até à Alta ldade Média, o mesmo se deu na Igreja; a autoridade eclesiástica não procedia contra os delitos se estes não Ihe fossem previamente apresentados. No decorrer dos tempos, porém, esta praxe mostrou-se insuficiente. Além disto, no séc. XI apareceu na Europa nova forma de delito religioso, isto é, uma heresia fanática e revolucionária, como não houvera até então: O catarismo (do grego katharós, puro) ou o movimento dos albigenses (de Albi, cidade da França meridional, onde os hereges tinham seu foco principal).
Considerando a matéria por si os cátaros rejeitavam não somente a face visível da lgreja, mas também instituições básicas da vida civil — o matrimônio, a autoridade governamental, o serviço militar — e enalteciam o suicídio. Destarte constituíam grave ameaça não somente para a fé cristã, mas também para a vida pública.
Em bandos fanáticos, às vezes apoiados por nobres senhores, os cátaros provocavam tumultos, ataques às igrejas etc., por todo o decorrer do séc. XI até 1.150 aproximadamente, na França, na Alemanha, nos Países-Baixos... O povo, com a sua espontaneidade, e a autoridade civil, se encarregavam de os reprimir com violência: Não raro o poder régio da França, por iniciativa própria e a contra-gosto dos bispos, condenou à morte pregadores albigenses, visto que solapavam os fundamentos da ordem constituída.
Foi o que se deu, por exemplo, em Orleães (1.017) onde o Rei Roberto, informado de um surto de heresia na cidade, compareceu pessoalmente, procedeu ao exame dos hereges e os mandou lançar ao fogo; a causa da civilização e da ordem pública se identificava com a fé! Entrementes a autoridade eclesiástica limitava-se a impor penas espirituais (excomunhão, interdito, etc.) aos albigenses, pois até então nenhuma das muitas heresias conhecidas havia sido combatida por violência física; Santo Agostinho (+ 430) e antigos bispos, São Bernardo (+ 1.154), S. Norberto (+ 1.134) e outros mestres medievais eram contrários ao uso da forma ("Sejam os hereges conquistados não pelas armas, mas pelos argumentos", admoestava São Bernardo, In Cant, serm. 64).
Não são casos isolados os seguintes:
Em 1.144 na cidade de Lião o povo quis punir violentamente um grupo de inovadores que aí se introduzira; o clero, porém, os salvou, desejando a sua conversão, e não a sua morte.
Em 1.077 um herege professou seus erros diante do bispo de Cambraia; a multidão de populares lançou-se então sobre ele, sem esperar o julgamento, encerrando-o numa cabana, à qual atearam o fogo!
Contudo, em meados do século XII, a aparente indiferença do clero se mostrou insustentável: Os magistrados e o povo exigiam colaboração mais direta na repressão do catarismo.
Muito significativo, por exemplo, é o episódio seguinte: O Papa Alexandre III, em 1.162, escreveu ao Arcebispo de Reims e ao Conde de Flândria, em cujo território os cátaros provocavam desordens: "Mais vale absolver culpados do que, por excessiva severidade, atacar a vida de inocentes... A mansidão mais convém aos homens da Igreja do que a dureza... Não queiras ser justo demais (noli nimium esse iustus)". Informado desta admoestação pontifícia, o Rei Luís VII de França, irmão do referido arcebispo, enviou ao Papa um documento em que o descontentamento e o respeito se traduziam simultaneamente: "Que vossa prudência dê atenção toda particular a essa peste (a heresia) e a suprima antes que possa crescer. Suplico-vos para bem da fé cristã, concedei todos os poderes neste Campo ao Arcebispo (do Reims) ele destruirá os que assim se insurgem contra Deus, sua justa severidade será louvada por todos aqueles que nesta terra são animados de verdadeira piedade. Se procederdes de outro modo, as queixas não se acalmarão facilmente e desencadeareis contra a Igreja Romana as violentas recriminações da opinião pública". (Martene, Amplissima Collectio II 638 s)
As conseqüências deste intercâmbio epistolar não se fizeram esperar muito: O Concílio Regional de Tours em 1.163, tomando medidas repressivas contra a heresia, mandava inquirir (procurar) os seus agrupamentos secretos. Por fim, a assembléia de Verona (Itália) à qual compareceram o Papa Lúcio III, o Imperador Frederico Barba-Roxa, numerosos bispos, prelados e príncipes, baixou, em 1.184, um decreto de grande importância: O poder eclesiástico e o civil, que até então haviam agido independentemente um do outro (aquele impondo penas espirituais, este recorrendo à força física) deveriam combinar seus esforços em vista de mais eficientes resultados: Os hereges seriam doravante não somente punidos, mas também procurados (inquiridos); cada bispo inspecionaria, por si ou por pessoas de confiança uma ou duas vezes por ano, as paróquias suspeitas; os condes, barões e as demais autoridades civis os deveriam ajudar sob pena de perder seus cargos ou ver o interdito lançado sobre as suas terras; os hereges depreendidos ou abjurariam seus erros ou seriam entregues ao braço secular, que lhes imporia a sanção devida.
Assim era instituída a chamada "Inquisição episcopal", a qual, como mostram os precedentes, atendia a necessidades reais e a clamores exigentes tanto dos monarcas e magistrados civis como do povo cristão; independentemente da autoridade da lgreja, já estava sendo praticada a repressão física das heresias. No decorrer do tempo, porém, percebeu-se que a inquisição episcopal ainda era insuficiente para deter os inovadores; alguns bispos, principalmente no sul da França, eram tolerantes; além disto, tinham seu raio de ação limitado às respectivas dioceses, o que lhes vedava uma campanha eficiente. À vista disto, os Papas, já em fins do século XII, começaram a nomear legados especiais, munidos de plenos poderes para proceder contra a heresia onde quer que fosse.
Destarte surgiu a "Inquisição Pontifícia" ou "legatina", que a princípio ainda funcionava ao lado da episcopal, aos poucos, porém, a tornou desnecessária. A Inquisição papal recebeu seu caráter definitivo e sua organização básica em 1.233, quando o Papa Gregório IX confiou aos dominicanos a missão de Inquisidores; havia doravante, para cada nação ou distrito inquisitorial, um Inquisidor-Mor, que trabalharia com a assistência de numerosos oficiais subalternos (consultores, jurados, notários...) em geral independentemente do bispo em cuja diocese estivesse instalado. As normas do procedimento inquisitorial foram sendo sucessivamente ditadas por Bulas pontifícias e decisões de Concílios.
Entrementes a autoridade civil continuava a agir, com zelo surpreendente contra os sectários. Chama a atenção, por exemplo, a conduta do Imperador Frederico II, um dos mais perigosos adversários que o Papado teve no séc. XIII. Em 1.220 este monarca exigiu de todos os oficiais de seu governo prometessem expulsar de suas terras os hereges reconhecidos pela lgreja; declarou a heresia crime de lesa-majestade, sujeito à pena de morte e mandou dar busca aos hereges. Em 1.224 publicou decreto mais severo do que qualquer das leis citadas pelos reis ou Papas anteriores: As autoridades civis da Lombardia deveriam não somente enviar ao fogo quem tivesse sido comprovado herege pelo bispo, mas ainda cortar a língua aos sectários a quem, por razões particulares, se houvesse conservado a vida. E possível que Frederico II visasse a interesses próprios na campanha contra a heresia; os bens confiscados redundariam em proveito da coroa.
Não menos típica é a atitude de Henrique II, rei da Inglaterra: Tendo entrado em luta contra o arcebispo Tomás Becket, primaz de Cantuária, e o Papa Alexandre III, foi excomungado. Não obstante, mostrou-se um dos mais ardorosos repressores da heresia no seu reino: Em 1185, por exemplo, alguns hereges de Flandres tendo-se refugiado na Inglaterra, o monarca mandou prendê-los, marcá-los com ferro em brasa na testa e expô-los, assim desfigurados, ao povo; além disto, proibiu aos seus súditos lhes dessem asilo ou Ihes prestassem o mínimo serviço.
Estes dois episódios, que não são únicos no seu gênero, bem mostram que o proceder violento contra os hereges, longe de ter sido sempre inspirado pela suprema autoridade da Igreja, foi não raro desencadeado independentemente desta, por poderes que estavam em conflito com a própria lgreja. A inquisição, em toda a sua história, se ressentiu dessa usurpação de direitos ou da demasiada ingerência das autoridades civis em questões que dependem primeiramente do foro eclesiástico.

Em síntese, pode-se dizer o seguinte:
1) A Igreja, nos seus onze primeiros séculos, não aplicava penas temporais aos hereges, mas recorria às espirituais (excomunhão, interdito, suspensão...). Somente no século XII passou a submeter os hereges a punições corporais. E por quê?
2) As heresias que surgiram no século XI (as dos cátaros e valdenses), deixavam de ser problemas de escola ou academia, para ser movimentos sociais anarquistas, que contrariavam a ordem vigente e convulsionavam as massas com incursões e saques. Assim tornavam-se um perigo público.
3) O Cristianismo era patrimônio da sociedade, à semelhança da prática e da família hoje. Aparecia como o vínculo necessário entre os cidadãos ou o grande bem dos povos; por conseguinte, as heresias, especialmente as turbulentas, eram tidas como crimes sociais de excepcional gravidade.
4) Não é, pois, de estranhar que as duas autoridades - a civil e a eclesiástica tenham finalmente entrado em acordo para aplicar aos hereges as penas reservadas pela legislação da época aos grandes delitos.
5) A lgreja foi levada a isto, deixando sua antiga posição, pela insistência que sobre ela exerceram não somente monarcas hostis, como Henrique II da Inglaterra e Frederico Barba-roxa da Alemanha, mas também reis piedosos e fiéis ao Papa, como Luís VII da França.
6) De resto, a Inquisição foi praticada pela autoridade civil mesmo antes de estar regulamentada por disposições eclesiásticas. Muitas vezes o poder civil se sobrepôs ao eclesiástico na procura de seus adversários políticos.
7) Segundo as categorias da época, a Inquisição era um progresso para melhor em relação ao antigo estado de coisas, em que as populações faziam justiça pelas próprias mãos. E de notar que nenhum dos Santos medievais (nem mesmo S. Francisco de Assis, tido como símbolo da mansidão) levantou a voz contra a Inquisição, embora soubessem protestar contra o que Ihes parecia destoante do ideal na lgreja.

Procedimentos da Inquisição
As táticas utilizadas pelos Inquisidores são-nos hoje conhecidas, pois ainda se conservaram manuais de instruções práticas entregues ao uso dos referidos oficiais. Quem lê tais textos, verifica que as autoridades visavam a fazer dos juizes inquisitoriais autênticos representantes da justiça e da causa do bem. Bernardo de Guy (séc. XIV) por exemplo, tido como um dos mais severos inquisidores, dava as seguintes normas aos seus colegas: "O Inquisidor deve ser diligente e fervoroso no seu zelo pela verdade religiosa, pela salvação das almas e pela extirpação das heresias. Em meio às dificuldades permanecerá calmo, nunca cederá à cólera nem à indignação... Nos casos duvidosos, seja circunspeto, não dê fácil crédito ao que parece provável e muitas vezes não é verdade; também não rejeite obstinadamente a opinião contrária, pois o que parece improvável freqüentemente acaba por ser comprovado como verdade... O amor da verdade e a piedade que devem residir no coração de um juiz, brilhem em seus olhos, a fim de que suas decisões jamais possam parecer ditadas pela cupidez e a crueldade." (Prática VI p... ed. Douis 232 s). Já que mais de uma vez se encontram instruções tais nos arquivos da Inquisição, não se poderia crer que o apregoado ideal do Juiz Inquisidor, ao mesmo tempo eqüitativo e bom, se realizou com mais freqüência do que comumente se pensa? Não se deve esquecer, porém (como adiante mais explicitamente se dirá) que as categorias pelas quais se afirmava a justiça na Idade Média, não eram exatamente as da época moderna...
Além disto, levar-se-á em conta que o papel do juiz, sempre difícil, era particularmente árduo nos casos da Inquisição: O povo e as autoridades civis estavam profundamente interessados no desfecho dos processos; pelo que, não raro exerciam pressão para obter a sentença mais favorável a caprichos ou a interesses temporais; às vezes, a população obcecada aguardava ansiosamente o dia em que o veredictum do juiz entregaria ao braço secular os hereges comprovados. Em tais circunstâncias não era fácil aos juízes manter a serenidade desejável. Dentre as táticas adotadas pelos Inquisidores, merecem particular atenção a tortura e a entrega ao poder secular (pena de morte).
A tortura estava em uso entre os gregos e romanos pré-cristãos que quisessem obrigar um escravo a confessar seu delito. Certos povos germânicos também a praticavam. Em 866, porém, dirigindo-se aos búlgaros, o Papa Nicolau I a condenou formalmente. Não obstante, a tortura foi de novo adotada pelos tribunais civis da Idade Média nos inícios do séc. XII, dado o renascimento do Direito Romano. Nos processos inquisitoriais, o Papa Inocêncio IV acabou por introduzi-la em 1.252, com a cláusula: "Não haja mutilação de membros nem perigo de morte para o réu". O Pontífice, permitindo tal praxe, dizia conformar-se aos costumes vigentes em seu tempo (Bullarum amplissima collectio II 326).
Os Papas subseqüentes, assim como os Manuais dos lnquisidores, procuraram restringir a aplicação da tortura; só seria lícita depois de esgotados os outros recursos para investigar a culpa e apenas nos casos em que já houvesse meia-prova do delito ou, como dizia a linguagem técnica, dois "índices veementes" deste, a saber: O depoimento de testemunhas fidedignas, de um lado e, de outro lado, a má fama, os maus costumes ou tentativas de fuga do réu. O Concílio de Viena (França) em 1.311 mandou outrossim que os Inquisidores só recorressem a tortura depois que uma comissão julgadora e o bispo diocesano a houvessem aprovado para cada caso em particular. Apesar de tudo que a tortura apresenta de horroroso, ela tem sido conciliada com a mentalidade do mundo moderno ... ainda estava oficialmente em uso na França do séc. XVIII e tem sido aplicada até mesmo em nossos dias... Quanto à pena de morte, reconhecida pelo antigo Direito Romano, estava em vigor na jurisdição civil da Idade Média. Sabe-se, porém, que as autoridades eclesiásticas eram contrárias à sua aplicação em casos de lesa-religião. Contudo, após o surto do catarismo (séc. XII) alguns canonistas começaram a julgá-la oportuna, apelando para o exemplo do Imperador Justiniano, que no Séc. VI a infligira aos maniqueus. Em 1.199 o Papa Inocêncio III dirigia-se aos magistrados de Viterbo nos seguintes termos: "Conforme a lei civil, os réus de lesa-majestade são punidos com a pena capital e seus bens são confiscados. Com muito mais razão, portanto, aqueles que, desertando a fé, ofendem a Jesus, o Filho do Senhor Deus, devem ser separados da comunhão cristã e despojados de seus bens, pois muito mais grave é ofender a Majestade Divina do que lesar a majestade humana". (Epist. 2,1). Como se vê, o Sumo Pontífice com essas palavras desejava apenas justificar a excomunhão e a confiscação de bens dos hereges; estabelecia, porém, uma comparação que daria ocasião a nova praxe... O Imperador Frederico II soube deduzir-lhe as últimas conseqüências: Tendo lembrado numa Constituição de 1.220 a frase final de Inocêncio III, o monarca, em 1.224, decretava francamente para a Lombardia a pena de morte contra os hereges e, já que o Direito antigo assinalava o fogo em tais casos, o Imperador os condenava a ser queimados vivos. Em 1.230 o dominicano Guala, tendo subido à cátedra episcopal de Bréscia (Itália), fez aplicação da lei imperial na sua diocese. Por fim, o Papa Gregório IX, que tinha intercâmbio freqüente com Guala, adotou o modo de ver deste bispo: Transcreveu em 1230 ou 1231 a constituição imperial de 1.224 para o Registro das Cartas Pontifícias e em breve editou uma lei pela qual mandava que os hereges reconhecidos pela Inquisição fossem abandonados ao poder civil, para receber o devido castigo, castigo que, segundo a legislação de Frederico II, seria a morte pelo fogo. Os teólogos e canonistas da época se empenharam por justificar a nova praxe; eis como fazia S. Tomás de Aquino: "É muito mais grave corromper a fé, que é a vida da alma, do que falsificar a moeda que é um meio de prover à vida temporal Se, pois, os falsificadores de moedas e outros malfeitores são, a bom direito, condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito mais razão os hereges, desde que sejam comprovados tais, podem não somente ser excomungados, mas também em toda justiça ser condenados à morte" (Summa Theologiae II/II 11,3c).
A argumentação do Santo Doutor procede do princípio (sem dúvida, autêntico em si) de que a vida da alma mais vale do que a do corpo; se, pois, alguém pela heresia ameaça a vida espiritual do próximo, comete maior mal do que quem assalta a vida corporal; o bem comum então exige a remoção do grave perigo (veja-se também S. Teol. II/II 11,4c).
Contudo as execuções capitais não foram tão numerosas quanto se poderia crer. Infelizmente faltam-nos estatísticas completas sobre o assunto; consta, porém, que o tribunal de Pamiers, de 1.303 a 1.324, pronunciou 75 sentenças condenatórias, das quais apenas cinco mandavam entregar o réu ao poder civil (o que equivalia à morte); o lnquisidor Bernardo de Guy, em Tolosa, de 1.308 a 1.323, proferiu 930 sentenças, das quais 42 eram capitais; no primeiro caso, a proporção é de 1/15; no segundo caso, de 1/22. Não se poderia negar, porém, que houve injustiças e abusos da autoridade por parte dos juízes inquisitoriais. Tais males se devem a conduta de pessoas que, em virtude da fraqueza humana, não foram sempre fiéis cumpridoras da sua missão.
Os Inquisidores trabalhavam a distâncias mais ou menos consideráveis de Roma, numa época em que, dada a precariedade de correios e comunicações, não podiam ser assiduamente controlados pela suprema autoridade da lgreja. Esta, porém, não deixava de os censurar devidamente, quando recebia notícia de algum desmando verificado em tal ou tal região. Famoso, por exemplo, é o caso de Roberto, o Bugro, Inquisidor-Mor de França no século XIII.
O Papa Gregório IX a princípio muito o felicitava por seu zelo. Roberto, porém, tendo aderido outrora à heresia, mostrava-se excessivamente violento na repressão da mesma. Informado dos desmandos praticados pelo lnquisidor, o Papa o destituiu de suas funções e o mandou encarcerar. Inocêncio IV, o mesmo Pontífice que permitiu a tortura nos processos da inquisição, e Alexandre IV, respectivamente em 1.246 e 1.256, mandaram aos Padres Provinciais e Gerais dos Dominicanos e Franciscanos, depusessem os lnquisidores de sua Ordem que se tornassem notórios por sua crueldade.
O Papa Bonifácio VIII (1.294-1.303) famoso pela tenacidade e intransigência de suas atitudes, foi um dos que mais reprimiram os excessos dos inquisidores, mandando examinar, ou simplesmente anulando, sentenças proferidas por estes. O Concílio regional de Narbona (França) em 1.243 promulgou 29 artigos que visavam a impedir abusos do poder. Entre outras normas, prescrevia aos lnquisidores só proferissem sentença condenatória nos casos em que, com segurança, tivessem apurado alguma falta, "pois mais vale deixar um culpado impune do que condenar um inocente." (cânon 23) Dirigindo-se ao Imperador Frederico II, pioneiro dos métodos inquisitoriais, o Papa Gregório IX aos 15 de julho de 1.233 lhe lembrava que "a arma manejada pelo Imperador não devia servir para satisfazer aos seus rancores pessoais, com grande escândalo das populações, com detrimento da verdade e da dignidade imperial." (ep. saec. XIII 538-550).

Avaliação
Procuremos agora formular um juízo sobre a Inquisição Medieval. Não é necessário ao católico justificar tudo que, em nome desta, foi feito. É preciso, porém, que se entendam as intenções e a mentalidade que moveram a autoridade eclesiástica a instituir a Inquisição. Estas intenções, dentro do quadro de pensamento da Idade Média, eram legítimas e, diríamos até, deviam parecer aos medievais inspiradas por santo zelo. Podem-se reduzir a quatro os fatores que influíram decisivamente no surto e no andamento da Inquisição:
1) Os medievais tinham profunda consciência do valor da alma e dos bens espirituais. Tão grande era o amor à fé (esteio da vida espiritual) que se considerava a deturpação da fé pela heresia como um dos maiores crimes que o homem pudesse cometer (notem-se os textos de São Tomás e do Imperador Frederico II atrás citados); essa fé era tão viva e espontânea que dificilmente se admitiria viesse alguém a negar com boas intenções um só dos artigos do Credo.
2) As categorias de justiça na Idade Média eram um tanto diferentes das nossas: Havia muito mais espontaneidade (que às vezes equivalia a rudez) na defesa dos direitos. Pode-se dizer que os medievais, no caso, seguiam mais o rigor da lógica do que a ternura dos sentimentos; o raciocínio abstrato e rígido neles prevalecia por vezes sobre o senso psicológico (nos tempos atuais verifica-se quase o contrário: Muito se apela para a psicologia e o sentimento, pouco se segue a lógica; os homens modernos não acreditam muito em princípios perenes; tendem a tudo julgar segundo critérios relativos e relativistas, critérios de moda e de preferência subjetiva).
3) A intervenção do poder secular exerceu profunda influência no desenvolvimento da inquisição. As autoridades civis anteciparam-se na aplicação da forma física e da pena de morte aos hereges; instigaram a autoridade eclesiástica para que agisse energicamente; provocaram certos abusos motivados pela cobiça de vantagens políticas ou materiais. De resto, o poder espiritual e o temporal na Idade Média estavam, ao menos em tese, tão unidos entre si que lhes parecia normal, recorressem um ao outro em tudo que dissesse respeito ao bem comum. A partir dos inícios do Séc. XIV a lnquisição foi sendo mais explorada pelos monarcas, que dela se serviam para promover seus interesses particulares, subtraindo-a às diretivas do poder eclesiástico, até mesmo encaminhando-a contra este; é o que aparece claramente no Processo Inquisitório dos Templários, movido por Filipe o Belo da França (1.285-1.314) à revelia do Papa Clemente V. (cf. capítulo 25)
4) Não se negará a fraqueza humana de Inquisidores e de oficiais seus colaboradores. Não seria Iícito, porém, dizer que a suprema autoridade da Igreja tenha pactuado com esses fatos de fraqueza; ao contrário, tem-se o testemunho de numerosos protestos enviados pelos Papas e Concílios a tais ou tais oficiais, contra tais leis e tais atitudes inquisitoriais. As declarações oficiais da Igreja concernentes à Inquisição se enquadram bem dentro das categorias da justiça medieval; a injustiça se verificou na execução concreta das leis. Diz-se, de resto, que cada época da história apresenta ao observador um enigma próprio na Antigüidade remota, o que surpreende são os desumanos procedimentos de guerra. No Império Romano, é a mentalidade dos cidadãos, que não conheciam o mundo sem o seu Império (oikouméne — orbe habitado — Imperium) nem concebiam o Império sem a escravatura. Na época contemporânea, é o relativismo ou ceticismo público; é a utilização dos requintes da técnica para "lavar o crânio", desfazer a personalidade, fomentar o ódio e a paixão. Não seria então possível que os medievais, com boa fé na consciência, tenham recorrido a medidas repressivas do mal que o homem moderno, com razão, julga demasiado violentas? Quanto à Inquisição Romana, instituída no Séc. XVI, era herdeira das leis e da mentalidade da Inquisição Medieval. No tocante à Inquisição Espanhola, sabe-se que agiu mais por influência dos monarcas da Espanha do que sob a responsabilidade da suprema autoridade da Igreja.

Grande abraço a todos.
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Pe. Anderson
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Não condeneis e não sereis condenados!

Mensagem por Petrus Romanus em Sab Jan 22, 2011 4:44 pm

Li o texto, mas não espero que o senhor queira retirar a culpa de papas que relamente abusaram do poder, a tortura foi e é em minha opinião a mais barbara crueldade e sua instituição na igreja, como forma de confissão é desumana, e aquele que a aprovou se compara a Judas Iscariotes, que apesar de conhecer os decretos de Deus, o traiu. Não há contexto que justifique tal inquisição, me desculpe Pe., e querer achar qualquer explicação digna para tal coisa é contornar um problema, e dar saltos em cima das escrituras e da tradição para arrancar o que se deseja.
Jesus disse categoricamente, e o que for além disso, me desculpe, não pertence ao amor de Deus.

"Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados;" (Lucas 6: 36-37)

Não nos é digno julgar se qualquer pessoa pecou contra Deus; o estado julga e condena de acordo com suas leis, mas nós devemos seguir a lei de Cristo e conferir somente a Deus o julgamento, só porque o estado condena praticas que ele acha ser errada, e para nós praticas contra Deus são piores, não significa que as praticas contra Deus devam ser condenadas pela estado também, porque nós temos o nosso juiz e legislador, e nós não fazemos parte do mundo e de suas condenações (São João 15:19, Atos 5:29). A Igreja errou em se juntar ao estado, errou ao condenar quem quer que fosse ao poder secular. Não julgo e nem condeno a Igreja por isso, Jesus nos disse que haveriam escandalos: "Jesus disse também a seus discípulos: É impossível que não haja escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm! Melhor lhe seria que se lhe atasse em volta do pescoço uma pedra de moinho e que fosse lançado ao mar, do que levar para o mal a um só destes pequeninos. Tomai cuidado de vós mesmos. Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe. Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido, perdoar-lhe-ás." (São Lucas 17: 1-4), Jesus também nos disse que o joio cresceria no meio do trigo, mas que no devido tempo este joio seria arrancado, Glória a Deus porque assim se sucedeu! Não é vergonha para a Igreja de Cristo dizer que errou, somos imperfeitos, Abraão errou e seu erro foi registrado, Jacó errou, Isaque errou e seus erros foram registrados e aceitos, mas mesmo assim Deus continuou sendo o Deus de Abraão e de Isaque e De Jacó.


Que a bondade de Deus, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, a comunhão do espirito santo e o amor de Maria estejam convosco!

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Petrus Romanus

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Jan 22, 2011 7:02 pm

Caro Petrus Romanus,

Seja muito bem-vindo ao nosso forum. Muito obrigado mesmo por sua participaçao.

Li o texto, mas não espero que o senhor queira retirar a culpa de papas que relamente abusaram do poder, a tortura foi e é em minha opinião a mais barbara crueldade e sua instituição na igreja, como forma de confissão é desumana, e aquele que a aprovou se compara a Judas Iscariotes, que apesar de conhecer os decretos de Deus, o traiu. Não há contexto que justifique tal inquisição, me desculpe Pe., e querer achar qualquer explicação digna para tal coisa é contornar um problema, e dar saltos em cima das escrituras e da tradição para arrancar o que se deseja.
Jesus disse categoricamente, e o que for além disso, me desculpe, não pertence ao amor de Deus.

Caro amigo, em nenhum momento eu justifiquei erros aqui. O que está errado está errado. Eu quis apresnetar esse texto para explicar bem a História, que muitas vezes vem distorcida. Também estou de acordo que só Deus tem o poder de perdoar os pecados e é só Ele que julga os coraçoes das pessoas. Ele julgará os que foram injustos dentro da Inquisiçao, assim como Ele julgará a cada um de nós. Entretanto, por esses que vieram antes de nós e erraram, nós podemos perdoa-los e rezar por eles. Será Deus que os julgará.

As suas outras afirmaçoes, estou bastante de acordo. Ou melhor, até parece diversas afirmaçoes que estou fazendo no nosso forum nos últimos dias.

Grande abraço e que o Senhor sempre o abençoe.
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Não existe discordia contra a Igreja de Deus que sobreviva a uma pesquisa detalhada

Mensagem por Petrus Romanus em Dom Jan 23, 2011 2:30 pm

Agradeço a compreensão e a saudação Pe.

Obrigado pelo esclarecimento da historia da inquisição sobre um ponto de vista um tanto diferente, creio eu que, se todas as pessoas que por algum motivo qualquer desejam sair da Santa Igreja, se estas fossem e pesquisassem mais afinco sobre o tema de discordia, veriam que esta discordia realmente é futil em si e retornariam para a Igreja de Deus, e um desses temas na maioria das vezes é a Inquisição.
Gostaria de lhe pedir que quando o senhor tiver algum tempo disponivel que por gentileza me responda a pergunta sobre o nome de Deus, no catecismo, pois esta é a unica pergunta que ainda não encontrei resposta.

Um abraço, e que Deus o abençoe. [b]
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sab Ago 27, 2011 2:53 pm

Enfim, a chamada «Igreja» enveredou por princípios contrários aos de Cristo, deixando-se enredar pelos princípios deste mundo.
Se fosse movida pela acção do Espírito Santo isso nunca aconteceria.
Os humanos falíveis, isto é, fora da acção do Espírito de Yeshua, são suceptiveis desses erros.
Daí o ditado «errare humanum est».
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Fabricio em Seg Ago 29, 2011 9:07 pm

A Inquisição é um tema por demais fascinante. Uma questão importante neste tema é a seguinte: não devemos julgar os atos do passado com os valores atuais. Isto é muito pouco honesto. Em uma sociedade combalida por invasões bárbaras, dividia e sem rumo, a unidade da fé era fundamental para sua própria existência. Também não se podia esperar diplomacia e cordialidade de uma sociedade recém-saída da barbárie, assolada pelas cimitarras maometanas, entregue à toda sorte de peste. Naquele tempo as contendas se resolviam com sangue. Neste contexto, a Inquisição surge como a primeira estrutura jurídica daquela sociedade, evitando assim os linxamentos públicos e execuções sumárias, garantindo o direito à defesa aos acusados e a investigação dos fatos. O Tribunal do Santo Ofício era muito mais brando que qualquer instituição civil, ao ponto em que a maioria dos meliantes preferia entregar-se ao julgo da Igreja do que ao julgo do rei. Lembremos também que a Igreja foi a primeira instituição a abolir a tortura como prática de interrogatório (dizia-se que esta técnica era pouco eficiente porque "os mais fortes a tudo resistiam, enquanto que os mais fracos tudo confessavam").

A Inquisição foi fundamental para manter a unidade da fé, tão importante à Europa naquele tempo, sem a qual o Cristianismo teria sucumbido diante do Islã. Lembremos da retomada da Península Ibérica. Seria possível sem a unidade da fé? Vejamos que já no final do século XVI, enquanto a Europa era retaliada entre as inúmeras seitas protestantes, os resquícios da Unidade Cristã promovida pela Igreja Católica foram fundamentais à grande vitória na batalha de Lepanto, impedindo assim o avanço do Império Otomano em terras cristãs. Sabe onde estavam os divididos e desentendidos protestantes nessa hora tão cara ao continente cristão? Estavam brigando entre si...

A comparação de alhos com bugalhos é, além de errada, desonesta. É claro que houve abusos, assim como até hoje nossas instituições cometem excessos, mas quando devidamente inserida no seu contexto, a Inquisição foi mais um bem do que um mal à nossa civilização.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Ago 30, 2011 8:06 am

A inquisição é uma «marca» do poder da BESTA.
O nº 666 representa a imperfeição do poder universal humano.
A mim também me faz lembrar o dinheiro cujo valor é imposto pelas autoridades governamentais. Não me refiro ao simples «papel moeda» que toda a gente usa para comprar e vender, mas à dependência dele pelas pessoas para procurarem a sua felicidade.
Essa dependência está na testa (símbolo do cérebro) e na mão direita (símbolo do trabalho).
Quantas pessoas passam o tempo a trabalhar, mais e mais, e deixam o mais importante que é a sua família. Quantos lares se desfazem pelo motivo simples da ganância?! ...
Mas para que é essa tão aclamada ganância?!
É para terem a possibilidade de exercer o seu PODER sobre os demais dizendo:
EU SOU O MAIOR! ... ... ...
É mesmo isto o que realmente significa a Besta do Apocalipse que tem 7 cabeças e dez chifres. Tanto o nº se7e como o nº 10 significam inteireza, universalidade, globalidade, totalidade. Assim tanto as se7e cabeças da Besta, como os 10 cornos representam a totalidade do PODER, isto é TODOS OS REINOS deste mundo.
Mas a realiza do Cristo não é deste mundo.
Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» (João 18,36)
O que é que Satanás ofereceu a Yeshua (Jesus) quando o tentou?! ...

8Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, 9disse-lhe: «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» 10*Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» (Mateus 4,7-8)
E satã disse a Yeshua que esses reinos lhe tinham sido entregues:
5Levando-o a um lugar alto, o diabo mostrou-lhe, num instante, todos os reinos do universo 6*e disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poderio e a sua glória, porque me foi entregue e dou-o a quem me aprouver. (Lucas 4)

Mas ELE recusou-os.

Mes satã é o deus deste mundo:

para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo cegou, a fim de não verem brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é imagem de Deus.
(2ª Corintios 4,4)

É satã (o dragão) o deus deste mundo que manda na Besta e deu poder à Besta:
4E adoraram o Dragão porque tinha dado o seu poder à Besta. E adoraram também a Besta, aclamando:
«Quem semelhante à Besta?
E quem poderá lutar contra ela?»
/Apocalipse 13,3)

Ambos (o Dragão e a Besta) exercem o seu poder, com a ajuda do falso profeta (Apocalipse 16,13) e são os responsáveis impulsionadores por todo o género de contendas que existem na terra.
Mas os seus dias estão contados quando o simbólico cavaleiro do cavalo branco derrotar todos os PODERES dos reis e «falso profeta» na batalha simbólica mencionada no cap. 19 de Apocalipse.

11Depois, vi o céu aberto e apareceu um cavalo branco. O Cavaleiro chama-se «Justo e Verdadeiro.» Ele julga e combate com justiça; 13*estava vestido com um manto embebido em sangue e o seu nome é «Verbo de Deus.» 15*Da sua boca saía uma espada aguda para ferir as nações que Ele governará com ceptro de ferro. E pisará o lagar do vinho da ardente ira de Deus Todo-Poderoso. 17*Vi ainda, no Sol, um anjo que estava de pé. Gritou com voz potente a todas as aves que voavam no mais alto do céu:
«Vinde, juntai-vos
para o grande banquete de Deus,
18para comerdes as carnes dos reis,
as carnes dos generais,
as carnes dos poderosos,
as carnes dos cavalos,
as carnes dos cavaleiros,
as carnes de todos,
livres e escravos,
pequenos e grandes

19*Vi então a Besta e os reis da terra e os seus exércitos que se tinham reunido para combater contra o Cavaleiro e contra o seu exército.
20*A Besta foi capturada e, com ela, o falso Profeta, o que fazia maravilhas na sua presença e com as quais enganou os que levavam o sinal da Besta e os que adoravam a sua estátua. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo e enxofre ardente. 21Os restantes foram mortos pela espada do Cavaleiro, pela espada que sai da sua boca. E todas as aves do céu se fartaram com as suas carnes.
(Apocalipse 19,11.13.15.17-21)
Enfim, TODO o PODER humano vai sucumbir, porque é imperfeito na sua inteireza como o nº 666.
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Fabricio em Ter Ago 30, 2011 1:03 pm

Sr Manuel,

Na incapacidade de contra-argumentar minha última postagem, o senhor nos brinda com a entediante n-ésima história da besta. Mas foge totalmente do assunto...
Vamos aos fatos
Se um policial deixar de prender um bandido, ele peca contra os cidadãos de bem; se um professor deixar de repreender um aluno bagunceiro, ela peca contra o restante da classe; se um pai deixa de castigar um filho que se encontra no caminho errado, peca contra o próprio filho. E todos pecam contra Deus. Deixar de exercer uma autoridade que lhe foi legitimamente conferida é pecado. E pecado gravíssimo.
Os próprios Santos Apóstolos exerceram sua autoridade. E com muito rigor, diga-se de passagem (At 5,1:11).
Da mesma forma, o clero tem o dever de exercer a autoridade que lhe foi conferida. Caso contrário peca por omissão.

O senhor delira em suas teorias conspiratórias, e acaba confundindo poder com autoridade. Pobre do senhor, que abomina a autoridade, fazendo-se juiz de si próprio, elevando-se a um nível mais alto do que lhe é permitido por Deus. Cuidado, quanto mais alto se voa, mas dura é a queda.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Ago 30, 2011 2:41 pm

Meu caro prior Fabricio.
As conclusões que expôs são suas. Não são minhas!
Afinal de contas quem está a confundir tudo é o senhor!
Eu não confundo «autoridade» com autoritarismo.
Quanto às suas provocações, o melhor é esquecer!

Mas que passagem foi buscar para fazer valer os seus pontos de vista:
(Actos 5,1-11)
Afinal Pedro apenas falou o que iria acontecer e aconteceu por vontade divina.
Já viu as diferenças?! ...
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A Igreja e os judes

Mensagem por Fabricio em Sex Set 02, 2011 7:51 pm

Prezados,
Embora não seja historiador, aprecio bastante o estudo da História. E a Inquisição é um tema bastante interessante. Nesta discussão, a questão dos judeus acaba ganhando importância, e muitas pessoas (não sei se por desconhecimento ou por maldade, só Deus o sabe) acabam por tentar usá-la para atacar a Igreja.
A História, porém, mostra que a relação da Igreja com os judeus é bem diferente do que se diz. De fato, a colônia judaica de Roma sempre foi uma das mais prósperas nos tempos medievais. A perseguição aos judeus na Europa realmente existiu, principalmente na Península Ibérica, mas antes de julgá-la, é bom entendermos o contexto. Em uma terra recém-saída do julgo estrangeiro imposto pelos mouros maometanos, era natural (mas não justificável, é claro) a pouca tolerância com estrangeiros. É sabido também, que os judeus eram sempre muito imprevisíveis em suas alianças: por muitas vezes favoreceram os mouros, em outras os cristãos. Como já disse antes, os judeus abriram os portões de Toledo para a entrada das horas mouras, e curiosamente também o abriram para a retomada pela Cavalaria Cristã. A perseguição também não foi uma constante, houve momentos em que os judeus gozavam de muito prestígio nas cortes cristãs. O ápice do problema deu-se sob o reinado de Fernão e Isabel, como mostra o texto do Pe. Anderson. Neste tempo, em que os reis beneficiavam os cristãos, muitos judeus faziam jogo duplo, (ora dizendo-se cristãos, ora dizendo-se judeus), o que irritava tanto cristãos quanto judeus mais ortodoxos. A combinação da revolta popular com as pretensões políticas dos monarcas não teve um bom resultado, como sabemos.

No passar dos séculos, a Igreja sempre ocupou uma posição favorável aos judeus, condenando constantemente os excessos cometidos pelos monarcas. Em outro momento, já postei aqui uma bula papal de proteção aos judeus. Lembremos também que São Bernardo de Claraval, que tinha muito prestígio diante do papa, combateu o anti-semitismo com muito rigor.

E essa questão se arrasta até os tempos atuais. Mesmo em episódios da História recente, como a II Grande Guerra, tentam usar os judeus para atacar a Igreja. Esquecem-se da Encíclica "Mit brennender Sorge" publicada por Pio XI em alemão condenando o nazismo, esquecem-se de nomes como Clemens Von Galen, São Maxiliano Kolbe, Edith Stein... etc. Esquecem-se que personalidades como Albert Einstein e Isaac Herzog agradeceram à Igreja pela sua atuação durante a Guerra, na qual salvou inúmeras vidas de judeus...mas isso é um outro assunto, podemos tratar em um tópico mais apropriado.

Enfim, só gostaria de dizer que não há distinção entre judeus e qualquer outro povo. Nós temos uma estreita ligação com esse povo, temos com eles muita coisa em comum. Porém, eles não são nem melhores nem piores que outros povos, são seres humanos como todos nós. O que quero para eles é o mesmo que quero para todos os povos da Terra, que se rendam ao amor de Cristo.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sab Set 03, 2011 8:38 am

O sr. quer lavar a imagem negativa da sua igreja.
Já que gosta dela faz muito bem, mas já se perguntou acerca das razões dessa imagem negativa?! Ora isto é que é importante, para não voltar a acontecer o mesmo no futuro, nas mesmas circunstâncias. É fácil condenar o mal quando ele ainda não nos ameaça. Mas se aquilo que antes condenávamos nos pode trazer algo favorável, a tendência de quase toda a gente é esquecer o mal do passado e deixar andar, quando supomos que poderemos utilizar o mal dos outros em nosso benefício.
A sua Igreja foi muito benévola para com « Mussolini» (o fascista) e em troca recebeu os benefícios materiais acordados no «tratado de Latrão». Mussolini era aliado de Hitler, não é verdade?! A sua igreja condenou o «nazismo» quando ainda não estava no poder e até dizem que chegou a negar os sacramentos aos católicos que se filiassem nesse partido. Uma boa atitude, sem dúvida. Mas será que todos os bispos católicos da Alemanha tomaram atitudes semelhantes quando Hitler tinha já o PODER absoluto?! ...
Muitas pessoas da confiança de Hitler e que fizeram as piores das atrocidades eram antes de Hitler pessoas de comportamento praticamente irrepreensível.
Eu estou apenas a avisar, para que não sejamos cegos!
A fraqueza humana é grande!
Vigiai e orai, para não cederdes à tentação; o espírito está cheio de ardor, mas a carne é débil.» (Marcos 14,38)
E Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar, me negarás três vezes.» E, saindo para fora, chorou amargamente. (Leia também Mateus 26,30-35.69-75)
Pedro tinha olhos de coruja a respeito da sua fidelidade para com o seu Messiah, mas só pôs as lentes de águia depois de ter claudicado, e perante a realidade dos factos chorou amargamente! Como foi possível ter negado o Mestre que tanto amava?! ...
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Binhokraus em Sab Set 03, 2011 9:45 am

Eu gostaria de que o senhor, que como o senhor mesmo se descreveu, que tem olhos de águia, apontasse para nós, historicamente contextualizado, qual foi o mal que a Igreja Católica fez ao mundo. Lembre-se dentro do contexto histórico, e por favor, comentários como:
Mas será que todos os bispos católicos da Alemanha tomaram atitudes semelhantes quando Hitler tinha já o PODER absoluto?!
O motivo é simples e já repetimos inúmeras vezes, se fulano A ou B não segue o que a Igreja pede, ele não é, de forma alguma, representante dessa mesma, uma vez que pela desobediência, passa a fazer justamente o contrário do que foi instruído. Se houveram Bispos Alemães que não seguiram as orientações da Igreja, eles estavam errados, e como estamos cansados de repetir, não tratamos de pessoas aqui.
Volto a dizer, nos diga, historicamente contextualizado, qual foi o mal que a Igreja Católica fez ao mundo. Historicamente contextualizado, eu quero dizer que, não adianta julgar os acontecimentos históricos com os conceitos contemporaneos.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Binhokraus em Sab Set 03, 2011 9:50 am

Esqueci de dizer, peço que o senhor ABRA um tópico sobre esse assunto, para não desviarmos o foco desse assunto aqui, que é a inquisição. A não ser que o mal que o senhor queira atribuir a igreja seja a inquisição.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Set 05, 2011 12:34 am

Caros amigos,

Nao há nada pior do que caluniar, do que lançar meias verdades para confundir e atacar sem o menor fundamento.

É verdade que no início do governo de Mussolini foram assinados os Pactos de Latrao, que concedia à Igreja um mínimo dos bens que essa tinha (possuia 1 terço da atual Italia e passou a ter autonimia no território Vaticano, ou seja, uma Igreja, um museu, uma praça e alguns prédios). Até entao nao se tinha a menor ideia de que Mussolini se aliaria com Hitler e nem se sabia bem o que significava "fascista". Acusar atos humanos fora do contexto histórico é uma estupidez gigantesca. Depois disso, as tensoes entre a Igreja e Mussolini continuaram até o final do seu período desse.

Quanta estupidez! Se houve algum bispo alemao que apoiou Hitler, que se diga os nomes, fundamentado em algum documento histórico, nao em imaginaçoes. É fácil caluniar, atacar, o difícil é comprometer-se com a verdade.

"A pior mentira é a que mais se parece com a verdade" (Chesterton).

Além disso, nao tem nada a ver esse tema com o tema da Inquisiçao.

Lembremos mais uma vez: o lugar próprio de se caluniar gratuitamente, de falar mentiras descaradas e de alimentar ódios irracionais é o INFERNO.

Grande abraço a todos.
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O INFERNO da INQUISIÇÃO.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Set 05, 2011 7:09 am

Sim é o «inferno» da INQUISIÇÂO! ...
E já agora o que aconteceu aos Valdenses que inadvertidamente há tendência a confundir com os «cátaros» ou «albigenses»?!?
Os «cátaros» e os «Albigenses» ressuscitaram as doutrinas de Marcião, isto é eram dualistas pensando que havia um deus do mal e outro do Bem. Mas a verdade é que Cristo disse «dai a César o que é de César e a DEUS o que é de Deus». Assim nunca se meteu nas politicas das nações. Esta é que é a verdade do Evangelho!
Os Valdenses tiveram como percursores cristãos que viviam nas montanhas dos Alpes desde o tempo dos Apóstolos e que nunca se ligaram em cumplicidade com ROMA:
http://bibliotecabiblica.blogspot.com/2010/03/os-valdenses-hereges.html
http://www.aguasvivas.ws/revista/45/espigando2.htm

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Set 05, 2011 9:42 am

Eu ainda não sabia que a candidata ao lugar de «esposa» de Cristo: noiva, enquanto na terra, já teve a propriedade material de cerca de 1/3 (um terço) de Itália ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !
Mas Cristo enquanto esteve na terra, nem tinha onde repousar a cabeça:
Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.»
(Lucas 9,58)
(Mateus 8,20)

Será ELA a escolhida? ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Set 05, 2011 12:06 pm

Caro sr. Manuel,

A Inquisiçao católica ou a protestante? Por que esquecemos dessa parte?

O problema da Inquisiçao nao é a Inquisiçao, mas as lendas sobre a Inquisiçao. Há muita ignorancia sobre esse tema e muita distorçao. Se fizermos perguntas simples, os que gostam de caluniar sem fundamentos nao tem a mínima ideia de respostas:

Quando começou a Inquisiçao? Em que paises? Em quais períodos atuou? quantos morreram na Inquisiçao? Como nao se sabe nada dessas perguntas, a imaginaçao ganha espaço e a estupidez só aumenta.

Os valdenses exitem até hoje. Inclusive em roma há várias igrejas históricas dos Valdenses.

Seus links só mostram superficialidades, sem nenhum fundamento histórico. O senhor é valdes?

Sobre o um terço da Italia (aproximadamente) me refiro aos Estados Pontifícios, fruto da doaçao de Carlos Magno ao Papa e de famílias nobres que se convertiam ao cristianismo e doavam seus bens à Igreja. Essas questoes humanas, naturais e históricas para nada diminuem a santidade da Igreja, que se refere ao fato dela ter no seu seio todos os medios necessários para que os seus filhos se tornem santos (Sagrada Escritura, Sacramentos instituidos por Cristo, comunhao universal etc.). Esses meios estao à disposiçao de todos os seus filhos, mas cada um é livre e aproveita desses meios como quer. O fato de alguem se fazer católico nao o torna impecável e nao lhe garante a salvaçao. Nao basta começar a luta pela santidade, é necessário ser fiel até o fim. "Aquele que perseverar até o fim se salvará", nos disse o Senhor, assim como nos disse que no seu campo, na Igreja, haverá até o fim dos tempos joio e trigo. Só no final da História haverá essa divisao e agora ninguem pode se colocar no lugar de Deus para julgar os coraçoes dos próximos (nem de católicos, nem de protestantes, nem de ninguem de qualquer religiao e crença). Só Deus conheçe os coraçoes e só Ele pode julgar.

É estúpido considera a Igreja Católica como se fosse um só homem, um só sujeito moral. Na verdade, cada um é membro do Corpo de Cristo e responderá pela própria vida diante dele. O principal erro eclesiológico é o que eu chamo de Idealismo Eclesiológico, que significa afirmar que na Igreja ou tudo está corrompido, ou é tudo santo. Santos sao os meios que Deus nos deu, na sua Igreja, mas cada um é livre para vive-los ou nao, sempre. Ou seja, "nao basta fazer parte da Igreja, é necessário ser Igreja".

Grande abraço a todos.

Um grande abraço.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Set 05, 2011 2:24 pm

Eu não sou «valdes» nem valdense. Ando apenas a informar-me para não morrer completamente estúpido, à medida que me aparecem as coisas.
Sabe que de ambas as partes, pois ninguém é imparcial, há a informação e a contra-informação.
Como a minha formação escolar foi limitada devido a diversos condicionalismos, incluindo o económico, aproveito a "internet", que é o que tenho à disposição, pois até há lugares onde o acesso é gratuito, e aí observo as diversas opiniões: prós e contras.
Depois comparo as coisas com os ensinamentos de Yeshua. Esta comparação não se compadece dos costumes históricos de cada época!
Depois à medida que vou lendo, ouvido e observando tiro as minhas conclusões.
Só vou até ao sitio onde posso ir!
E evito, a todo o custo, deixar-me impressionar por palavras sedutoras.
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Set 05, 2011 6:58 pm

Caro sr. Manuel,

É ótimo procurar se informar. A única coisa que nos entristece no senhor é o fato de que o senhor é extremamente crítico para com à Igreja Católica, dando crédito às acusaçoes mais superficiais e caluniadoras e nao demonstra nenhum espírito crítico para com outras informaçoes, provindas de grupos anti-católicos. Nisso é que nao vemos coerência, e é isso o que chamamos de catolico-fobia (ou fanatismo anti-católico). Isso é o que nos decepciona no senhor.

Grande abraço e que o Senhor sempre o ajude.
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Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Set 05, 2011 8:02 pm

Há alguns críticos da Igreja, dentre os quais inclui-se o senhor Manuel, que se recusam a aceitar a realidade de que o grão de mostarda tenha se transformado em uma árvore. Tais pessoas idealizam um cristianismo tão tímido que, se dependesse deles, a religião cristã ainda estaria confinada nas catacumbas. Isso contraria fortemente a exortação de Nosso Senhor "Ide e ensinai!" (...) "até os confins da Terra".
Essas repulsa ao Estado é incompreensível. Por que motivo a Igreja não deveria aproveitar as facilidades que o Estado provê para propagar o Evangelho? Lembremos que o próprio São Paulo valeu-se da sua condição de cidadão romano para pregar o Evangelho em Roma. Fosse o apóstolo seguir esse pensamento limitado teria recusado sua condição de cidadão romano, no entanto ele valeu-se dela! Por que a Igreja tem que fazer diferente do apóstolo quando o próprio nos exorta a sermos "seus imitadores"?
Entendo que se condene a submissão da Igreja ao Estado. Porém, lembremos que essa máxima foi propagada pelos protestantes (vide as monarquias britânica e nórdicas). Foi o Rei James, protestante, o maior teórico do absolutismo. E foi o padre jesuíta Francisco Suarez o maior crítico do Rei James, tendo sua obra inspirado até mesmo o Contrato Social de Russeau. A História mostra que o Estado tentou subjugar a Igreja, mas não teve êxito, como se vê na recusa da Santo Ambrósio, na questão das investiduras, nas guerras napoleônicas, enfim, até mesmo aqui no Brasil, na perseguição que D. Pedro II executou a algumas ordens religiosas...
Já disse que a Igreja não deve servir ao Estado. Agora pergunto, por que o Estado não pode servir à Igreja? Se o Estado é o reflexo da sociedade, que por sua vez é formada por pessoas, que mal há em o Estado exprimir a Fé de seus cidadãos? Não deveria o Estado estar à disposição de Nosso Senhor? Bem disse o Santo Padre Leão XIII, na Encíclica Immortale Dei: "Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados". Infelizmente esse tempo passou... estamos nos tempos do Estado laico, do casamento homossexual, do aborto, da eutanásia...

Essa repulsa ao Estado cheira a gnosticismo. Não é outra coisa senão isso! Enfim, muito me entristece as pessoas nos fazerem acusações sem um mínimo de conhecimento de causa. Que Deus nos proteja a todos!

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Set 06, 2011 4:11 am

Paulo valeu-se da sua condição de cidadão Romano para salvar a sua vida entre os judeus que o queriam matar e em Roma passou a estar em prisão domiciliária! Os judeus eram para Paulo como que uma "inquisição" traiçoeira!
E agora eu é que sou acusado das meias-verdades!
Quanto ao cristianismo «tímido» digo que vale mais uma maçã rica em nutrientes que mil maçãs podres!
Quanto ao «ide e ensinai» infelizmente omite nas reticências o mais importante e que eu destaco: «a cumprir tudo o que vos tenho mandado» (Mateus 28,18-20)
Quanto aos estados e instituições o problemas é de ambos.
O que está em questão é que o Reino de DEUS nada tem de comum com os reinos dos homens deste mundo como Cristo disse e muito bem a Pilatos. (João 18,36)
Cristo poderia aproveitar e conciliar os interesses do Império com os interesses dos sacerdotes, a fim de eliminar os temores de ambos, mas não o fez.(João 11,50; João 18.14)

Será que foi Yeshua que errou imprudentemente?!?
Penso que ELE é que estava certo!
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Fabricio em Ter Set 06, 2011 7:30 am

Quanto às meas-verdades, vamos esclarecê-las:

"Na noite seguinte, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Coragem! Deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em Roma." (At, 23:11)

Vê como uma benesse do Estado ajudou São Paulo a propagar o Evangelho! Só na lógica gnóstica do senhor Manuel deve-se recusar tudo que é facilidade que o Estado provê.

A Igreja valeu-se do Estado para propagar o Evangelho. Se o senhor vê divergência entre propagar o Evangelho e cumprir os mandamentos de Nosso Senhor, acho que não está entendendo muito bem o que lê.

Ora, Cristo poderia materializar-se na frente de cada homem e pregar-lhe o Evangelho, mas não o fez, Ele apenas plantou a semente, a qual floresceu e tornou-se árvore, e continua crescendo (Mc, 4:30-32). É isso que o senhor recusa-se a enxergar.

Por fim, minha postagem questiona por quê o Estado não pode servir à Igreja, que por sua vez serve a Deus. E o senhor, sem argumentos, convenientemente fugiu da questão. Aliás, como sempre faz.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Set 06, 2011 8:29 am

Para fugirmos das meias verdades vamos lá raciocinar em relação a Paulo:
Quando foi a Jerusalém os cristãos judeus disseram-lhe:

Vês, irmão, quantos milhares de judeus abraçaram a fé, sem deixarem de ser ardentes defensores da Lei? 21*Ora, a teu respeito, disseram que ensinas a todos os judeus espalhados entre os pagãos a apostasia em relação a Moisés, aconselhando-os a não circuncidarem os filhos e a não seguirem a Lei. 22Que fazer então? Decerto, hão-de ouvir dizer que tu chegaste. 23Faz, pois, o que te vamos sugerir: temos aqui quatro homens que têm um voto a cumprir. 24Leva-os contigo, submete-te, com eles, aos ritos da purificação e paga-lhes as despesas para raparem a cabeça. Toda a gente ficará, assim, a saber que nada há de verdadeiro nos rumores postos a circular a teu respeito, mas que, pelo contrário, te mantens fiel cumpridor da Lei. (Actos 21,20-24)
Paulo seguiu a sugestão dos irmãos cristãos de Jerusalém e cumpriu os rituais judaicos.
26No dia seguinte, Paulo levou consigo esses homens, purificou-se com eles e entrou no templo, onde anunciou a data em que terminavam os dias da purificação, ao fim dos quais devia ser oferecido o sacrifício por cada um deles.
(Actos 21,26)

Quando o tempo dos rituais estava já a acabar os judeus denunciaram-no da sua Apostasia e apoderaram-se dele.

- 27Quando os sete dias estavam já a terminar, os judeus da Ásia viram-no no templo e, amotinando o povo, 28*gritaram: «Homens de Israel, acudi! Este é o homem que a todos prega, e em toda a parte, contra o nosso povo, contra a Lei e contra este lugar! Além disso, até gregos introduziu no templo e profanou este lugar santo.»
29*De facto, tinham visto antes, na cidade, o efésio Trófimo com ele, e pensaram que Paulo o introduziu no templo. 30A cidade inteira ficou alvoroçada e o povo corria de todos os lados. Apoderaram-se de Paulo e arrastaram-no para fora do templo, cujas portas imediatamente fecharam. (Actos 21,27-30)
Eles pensaram erradamente que Paulo se tinha atrevido a introduzir no templo um pagão (que por sinal se tinha convertido ao Cristianismo, mas não ao judaísmo).
Fanatizados prepararam-se para o matar.
31Preparavam-se para o matar, quando chegou ao tribuno da coorte a denúncia de que Jerusalém se encontrava toda em alvoroço. (Actos 21, 31)

Nesse instante foi salvo pelo tribuno que o salvou das mãos deles e levou-o para a fortaleza.
Também o salvou da multidão enfurecida. (Actos 21,31-40)
No cap 22 de Actos Paulo protegido pelos soldados falou à multidão que o queria matar. (actos 22)
Como a multidão insistia, o tribuno para dissuadir o povo ordenou que Paulo fosse açoitado, como era costume fazerem, mas isso não era permitido aos que tinham cidadania romana, pelo que Paulo, e bem, reclamou pelos seus direitos de cidadão romano ((Actos 22, 22-29)
O cap. 23 de Actos trata de várias peripécias inquisitoriais, no Sinédrio, contra Paulo, sob a protecção do tribuno.
(Actos 23,1-11)
Em Actos 23, versos 12 a 22 é narrada uma artimanha conjuratória de mais de 40 judeus para matarem Paulo à traição. Contudo, um sobrinho de Paulo foi informar o tributo dessa conspiração e depois de saber do que estava a passar resolveu mandar Paulo em segredo para Cesareia para o proteger.
O cap 24 de Actos fala do cativeiro de Paulo em Cesareia, sob a protecção do governador. (actos 24), assim como várias peripécias dos judeus para o incriminarem e lhe tirar a vida.
O cap. 25 de Actos,começa com uma negociação entre os sacerdotes e o governador no sentido de permitir que Paulo voltasse a Jerusalém para fazerem lá inquisições sobre o seu comportamento. Paulo sabendo que o que queriam era matá-lo recorreu para César, pois tinha esse direito como cidadão Romano.
O rei Agripa ao ter conhecimento da detenção de Paulo, ao visitar o governador, como estava ao corrente dos cristãos quis ouvir Paulo.
Essa audiência teria por motivo saberem bem ao certo o que deveriam escrever ao Imperador o motivo por que era acusado.
O cap. 26 de Actos , trata da defesa de Paulo e do que defendia como cristão e a conclusão tanto do governador como do rei Agripa era de que deveria ser solto, mas como ele tinha apelado para César, foi enviado para ROMA.
Os últimos dois cap. de Actos tratam da viagem atribulada de barco até Roma, com todas as peripécias até ao desembarque. (Actos 27 e Actos 28)
A partir do ( verso 16), Paulo (em prisão domiciliar durante 2 anos) conta aos Judeus de Roma acerca do equivoco da acusação de que tinha sido alvo, Deu-lhes testemunho de Yeshua e do Reino de DEUS, assim como a todos os que o procuraram visitá-lo.
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Set 06, 2011 8:35 am

Fabricio,
Não é o Estado que tem servido a DEUS,
Deus que é supremo soberano é que se serve dos Estados, para que se cumpram os seus desígnios, mesmo que eles não o queiram.
É o mesmo que escrever direito por linhas tortas.
ELE é TODO-PODEROSO.

Quanto à parábola do grão de mostarda (Marcos 4,30-32), não se aplica necessariamente nem à igreja católica em particular, nem às outras igrejas em geral, mas ao REINO DE DEUS.
O sr. Fabricio parece estar a confundir as coisas. O Reino de DEUS é obra do próprio Deus e não dos homens, que se está formando apesar do travão accionado pelos homens, por causa das suas próprias instituições e interesses.
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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

Mensagem por Fabricio em Ter Set 06, 2011 7:01 pm

Senhor Manuel,
Em sua primeira postagem, o senhor navega em muitas palavras para tentar, em vão, negar um fato óbvio: São Paulo serviu-se de sua cidadania romana, e usou-a em favor da Igreja!
Na segunda o senhor começa com uma pérola, confundindo o que Deus permite com o que Deus efetivamente faz. Nessa sua lógica o senhor põe Deus como autor do mal (o que é absurdo) e contradiz o princípio do livre-arbítrio.
Quanto à comparação com o grão de mostarda, entendo suas limitações, pois o senhor enxerga a Igreja como um clube. Essa visão deturpada já foi refutada aqui neste fórum. Mostramos inclusive a divergência dessa ideia com a fé de sempre. Desculpe, senhor Manuel, mas não dá para trocar um conceito cristão consolidado em 2.000 anos de História por uma opinião infundada de mais um auto-proclamado intérprete das Escrituras.
Por fim, mas uma vez eu coloco uma simples questão: que mal há em a Igreja servi-se do Estado para proclamar o Evangelho? Ou por que o Estado não pode ser usado para servir a Igreja (e consequentemente a Deus)?... e o senhor não conseguindo apresentar uma objeção, tenta mudar o rumo do debate. Vê bem que suas respostas, embora longas, fogem muito do questionamento central da minha última postagem. Não passam de sofismas.

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Re: A Inquisição: uma história poucas vezes bem contada.

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