As Cruzadas

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As Cruzadas

Mensagem por Eraldo em Qua Set 24, 2008 9:06 pm

Salve, Salve amigos!!!... estou apreciando demais o fórum e gostando mt das respostas.
Resolví perguntar sobre as cruzadas pq considero um assunto interessante, desculpem-me se já falaram sobre o tema, mas ainda não lí todas as perguntas e respostas.
Gostaria de saber um pouco mais sobre os interesses das cruzadas e sobre as cruzadas das crianças.
Quais foram as conclusões tiradas de tais acontecimentos e quais os sucessos e fracassos destes?

forte abraço a todos e espero poder manter contato!
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Re: As Cruzadas

Mensagem por Eraldo em Qui Set 25, 2008 7:11 pm

ah... esqueci de perguntar sobre as Mulheres nas cruzadas e ainda sobre a cruzada de São Francisco de Assis!

Vlw
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sex Set 26, 2008 5:53 pm

"Deus o quer!” A esse brado centenas de milhares de guerreiros, monges, peregrinos, comuns, comerciantes, reis, duques, barões, princesas se dirigiram a Terra Santa. Poderia aqui descrever minha tese de que as Cruzadas foram um mal entendido, no entanto como a minha teoria só tem como fundamento a minha mente e as horas vagas é melhor falar sério.
Tomemos como base a idéia de que As Cruzadas não devem ser interpretadas como ataque e nem invasão a povos e nações inocentes, A Guerra não
faz diferença e ainda pensemos que um termo mais correto para As Cruzadas são Retomadas, a Guerra enveredada no Oriente é na verdade uma Guerra que busca retomar as Terras que foram retiradas da cristandade se alguém tinha direito á aquelas Terras, certamente esse alguém não são os islâmicos, pois antes dos séculos VII e VIII lá haviam cristãos, lógico que o controle naquelas terras não era exercido de forma tão presente.


Pense um pouco nesse conceito e mais tarde eu continuo
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Re: As Cruzadas

Mensagem por Eraldo em Sex Set 26, 2008 6:18 pm

fala Levi!!!

vlw pela atenção... aguardo a continuação!!

abraço
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sex Set 26, 2008 10:19 pm

As Cruzadas, de forma didática são “peregrinações armadas” em direção a Terra Santa, aqui vale uma ressalva o termo Cruzadas acabou sendo utilizado para expedições dentro da própria Europa, como no caso de uma Cruzada convocada contra os Albigenses, no Midi, Região Sul da França, era uma seita herética que tomou conotação política criado problemas sérios, que só foram resolvidos depois de anos e chegando a ponto da necessidade da união da cristandade. Retomando, não farei aqui uma esmiuçada diferenciação entre o que é mítico e o que é real em relação As Cruzadas.
Não serei leviano a ponto de afirmar que As Cruzadas tiveram única e exclusivamente objetivos espirituais, lógico que há implicações econômicas, como as geradas pelos butins de guerra, o empobrecimento na Europa estimulava Cavaleiros e homens a se jogarem na Terra Santa na esperança das sobras da guerra, a questão das rotas comerciais, a efervescência comercial, etc. No entanto Eraldo, seria um erro maior ainda não dar o valor espiritual , sem o qual não tenho dúvidas de que o homem medievo não colocaria os pés fora de casa, pensemos pq, imagina em plena Idade Média, expectativa de vida girando no entorno dos 40 anos, o dia terminava as quando muito 18:00 hs, dessa hora em diante somente com muuuiiiiita necessidade alguém sairia de casa, doenças batendo a sua porta, vários “medos e monstros” do lado de fora, lógico criados pela falta de conhecimento e pela falta de luminosidade, agora pensa comigo, a maior distancia percorrida por essas pessoas não ultrapassavam os condados, andanças com duração de 6 a 8 horas, essa pessoa iria arriscar “tudo” dela que não quer dizer muito, para ir ao desconhecido única e exclusivamente para em um possibilidade remota conseguir algum ganho?, de maneiro alguma Eraldo, essas pessoas iam na grande maioria esperando no mínimo uma Graça, caso eu nem chegue próximo a Terra Santa, Deus viu minha intenção e é o que vale, um exemplo concreto dessa época são as peregrinações ( outro assunto lindíssimo da Idade Média) para o homem que peregrinava o que interessava era o caminho que se fazia na maioria das vezes, chegava ele ao seu objetivo dava lá uma duas volta no entorno do Sepulcro ou da Igreja, participava de uma Missa e voltava, caminhou durante meses para não ficar mais do que 3 a 4 dias no seu objetivo, assim estava imbuído tb o Cruzado.
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sex Set 26, 2008 10:44 pm

Depois eu volto e continuo, fé ai que vai chegar ao ponto que vc quer hehehehe.abraço
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matança em nome de DEU$

Mensagem por cloverfield em Sab Set 27, 2008 3:29 pm

o objetivo das cruzadas era retomar para a cristandade a posse de uma terra onde passavam rotas comercias e onde existia uma indústria de reliquias e indulgencias.

Concordo que alguns achavam que era em nome de Deus, mas o principal motivo era a ganancia do papado e monarquias medievais.

Quanto a posse da terra por direito, se alguem tinha o direito de estar lá não seriam os cristão e sim os judeus, nao é isso que diz a biblia?
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sab Set 27, 2008 11:03 pm

Fala Cloverfield, como vai? Então, concordamos na idéia da Retomada, a qual realmente aconteceu, vou um pouco mais longe, um dos estímulos foi a Reconquista, a Europa antes de se jogar as Cruzadas lidavam com as invasões islâmicas, que só foram barradas na Batalha de Poitiers em 732, bastante tempo antes do inicio das Cruzadas. Segundo Grousset “ a cruzada se opõe e se iguala verdadeiramente ao djihâd” de onde se conclui que a primeira causa das Cruzadas foi a expansão mulçumana,por fim os cristãos ocidentais foram convocados, a partir da retomada por parte dos turcos seldjúcidas na expansão mulçumana que pressionou o Império Bizantino que pediu socorro ao Ocidente.
A referencia correta em relação as rotas comerciais não é a Terra Santa e sim o mar Mediterrâneo, a REABERTURA das rotas comerciais foi uma conseqüência das Cruzadas e não um objetivo, e essa reabertura se deu devido ao domínio do mar Mediterrâneo e não da Terra Santa, tanto que mesmo após tomada da Terra Santa em meados do século XIII pelos islâmicos, não fez com que o comércio entrasse em decadência. No âmbito terrestre a região mais importante do ponto de vista econômico é a Síria e não Jerusalém ( Santo Sepulcro, objetivo por excelência ), que faz costa com o mar e ponto de encontro de rotas e caravanas.
“Industria de relíquias e indulgencias”, Anacronicamente inviável, ao me referi a um determinado acontecimento ou tenho fontes creditavéis do que falo ou apenas repito o que os outros dizem, quando acontecerem esse problemas (relíquias e indulgências ) eles foram muito mais acentuados na Europa e não na Terra Santa, e ainda pelo menos 200 a 300 anos mais tarde.
Quando vc diz que “Concordo que alguns achavam que era em nome de Deus, mas o principal motivo era a ganancia do papado e monarquias medievais.” Realmente não sei quem vc tem lido, para afirmar tal prerrogativa, aqui eu não faço “achismo”, as idéias aqui apresentadas estão baseadas em pensadores tais como: Geoffrey Barraclouch : Os Papas na Idade Média, Franco Júnior, Hilário A idade Média : nascimento do ocidente, ANDRÉ, Vauchez. A Espiritualidade na Idade Média Ocidetal, JACQUES, Le Goff. A civilização do Ocidente Medieval, alguns que posso citar de relance, e sinceramente nenhum desses vê dessa forma.
“... certamente esse alguém não são os islâmicos, pois antes dos séculos VII e VIII lá haviam cristãos...” Em relação a essa frase, eu não disse que a Terra
Santa pertencia única e exclusivamente ao cristãos, eu disse sim que em relação aos islâmicos que a tomaram nos séculos VII e VIII, os cristãos tinham maisdireito, e ainda os cristãos não a tomaram dos judeus, pq esses a abandonaram por volta do ano 70 d. C., quando houve a Diáspora Judaica, e ainda quando Abraão chega a Canaã, A Terra Prometida lá viviam outras tribos, finalizando os estudos mais proeminentes em arqueologia não definem que a Terra pertence a “A” ou “B", o que define essas condições são fatores políticos.

Fique a vontade para comentar, não precisa concordar, no entanto para comentar faça uso do conhecimento e não do "achismo".
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sab Set 27, 2008 11:19 pm

Ai Eraldo em relação a Cruzada das Crianças....
Em relação a Cruzada das crianças ela nem é considerada na tradição da divisão das Cruzadas, o que acontece é que esse é dos acontecimentos lendários, o que é certo de ter acontecido é que foram duas levas uma na França e outra na Alemanha, que tem alguma semelhanças e acabaram sendo agrupadas no mesmo nterim, por volta de 1212 havia uma pregação popular de que os pecados dos homens cegavam-nos e por isso perderam e não conseguiam conquistar a Terra Santa, que o objetivo dessas levas era a Terra Santa não temos provas concretas, ao fim uma dessas levas teve um fim trágico a da Alemanha, centenas de crianças foram escravizadas, no caso Frances houve a tentativa de dispersão da marcha.
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Sab Set 27, 2008 11:34 pm

Em relação a São Francisco, participou entre a IV e V Cruzada, não como soldado, mas como religioso, foi levado a presença do Sultão do Egito em 1219, não houve nem por parte de um nem de outro convencimento da fé alheia, no etanto é considerado um ato de bravura de São Francisco e de respeito pelo Sutão do Egito.
Citarei aqui um techo de uma tese minha em relação a São Francisco, especificamente em relação ao "ethos da cavalaria"

"Uma das razões do porque da História de São Francisco ser tão cara ao espírito medievo, faz menção ao seu mundo tão rico, foi religioso em um mundo
ocidental Cristão, e também mesmo não sendo nobre nutriu anseios de um nobre, fazia parte de uma classe nascente, foi poeta, e viveu como um jovem a imagem da sua sociedade, sendo assim um sentimento muito caro a juventude de Francisco era o ethos da cavalaria, em um mundo dominado pelo conflito, vivendo próximo ao auge da cavalaria, Francisco ainda que não fosse nobre desejava ser cavaleiro.Para o jovem Francisco esse espírito o ethos da cavalaria era caro e ainda a cavalaria possui além do significado militar a conotação social que envolve o ato de se fazer parte da cavalaria em especial entre os séculos XI e XIV antes do advento dos arqueiros e da artilharia, é pertinente a observação de que não era aberto o caminho para se tornar cavaleiro para qualquer um. A nobreza que confere a regulamentação a esse patamar de cavaleiro, a ponto de a cavalaria representar a nobreza, ou melhor, o braço militar da nobreza, Tanto vale ressaltar que São Francisco de Assis fazia parte de uma família de comerciantes importantes, ou seja, não possui status suficiente para ser cavaleiro.”Por nascimento, pertencia á nova sociedade dos artesãos e comerciantes que abria caminho na vida pública (...); porém, seu temperamento cavalheiresco o fazia sintonizar com o ambiente feudal dos cantos de gesta e com as virtudes humanas da cavalaria andante: cortesia, lealdade, liberdade, valentia, compaixão pelos seres débeis e indefesos””[1] [1] Lazaro Iriarte, O.F.M.Cap. História Franciscana vozes 1985 Pp 39

Com a desagregação de um poder central em fins do primeiro milênio como conseqüência surge uma maior fortalecimento dos feudos e do avanço bélico de sua alçada, o que acontece é que os senhores feudais acabam tornando-se o referencial de poder local, ainda existiam os reis, porém é preciso ter a prerrogativa de que a Europa dos séculos IX em diante tem profunda dificuldade de locomoção e de disseminação das informações, só pra constar às estradas construídas pelo Império Romano ainda eram as melhores rotas, ou seja, ficava custosa e muito demorada a locomoção de tropas e administração para determinadas áreas o que obviamente resulta em um maior fortalecimento do senhor feudal que possui em seu território um contingente preparado para o combate e apito a resolver as querelas da sua região, no que diz respeito à segurança o Forte ou CasteloZ esse senhor está muito mais próximo que o Castelo do Rei."


Texto : MARCOS LEVI DE OLIVEIRA. São Francisco de Assis no Contexto das Heresias Medievais. 2007
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Entrevista com Thomas Madden, historiador americano

Mensagem por Eraldo em Qui Out 02, 2008 9:00 pm

Fala Levi... Obrigado pelos esclarecimentos
e segue uma entrevista, da uma olhada
vlw


Novas descobertas sobre as Cruzadas
Entrevista com Thomas Madden, historiador americano



Os cruzados não eram ávidos depredadores ou colonizadores medievais como afirmam alguns livros de história, diz um especialista ao concluir um estudo com novas revelações. Thomas Madden, professor associado da Faculdade de História da Universidade de San Luis (Estados Unidos) e autor de «A Concise History of the Crusades» («Breve História das Cruzadas»), sustenta que os cruzados representavam uma força defensiva que não aproveitava as próprias empresas para ganhar com isso riquezas terrenas ou territórios. Madden traçou os mitos mais difundidos sobre os cruzados e os novos descobrimentos históricos que os privam de fundamento.

Quais são os erros historiográficos mais comuns sobre as Cruzadas e sobre os cruzados?

Madden: — Alguns dos mitos mais comuns e as razões de sua falta de fundamento são os seguintes:

Mito número 1:

As cruzadas eram guerras de agressões provocadas contra um mundo muçulmano pacífico. Esta afirmação é completamente errônea. Desde os tempos de Maomé os muçulmanos haviam tentado conquistar o mundo cristão. E inclusive haviam obtido êxitos notáveis. Após vários séculos de contínuas conquistas, os exércitos muçulmanos dominavam todo o norte da África, o Oriente Médio, a Ásia Menor e grande parte da Espanha. Em outras palavras, ao final do século XI, as forças islâmicas haviam conquistado dois terços do mundo cristão. Palestina, a terra de Jesus Cristo; Egito, onde nasce o cristianismo monástico; Ásia Menor, onde São Paulo havia plantado as sementes das primeiras comunidades cristãs. Estes lugares não estavam na periferia da cristandade, mas eram seu verdadeiro centro. E os impérios muçulmanos não acabavam ali. Seguiram expandindo-se para o Ocidente, para Constantinopla e mais além chegando até os confins da Europa. As agressões provinham, portanto, da parte muçulmana. Chegados a um certo ponto, a parte que ficava do mundo cristão não tinha mais remédio além de se defender, se não quisesse sucumbir à conquista islâmica.

Mito número 2:

Os cruzados levavam crucifixos, mas a única coisa que lhes interessava era conquistar riquezas e terras. Suas intenções piedosas eram só uma cobertura sob a que se escondia uma avidez voraz. Há tempos, os historiadores afirmavam que na Europa se havia produzido um aumento demográfico que levou a um número excessivo de nobres secundários, adestrados nas artes da guerra de cavalaria, mas privados da herança de terras feudais. As cruzadas, portanto, eram vistas como uma válvula de escape que impulsionava estes homens guerreiros a sair da Europa para terras por conquistar a expensas de outros. A historiografia moderna, com a ajuda da chegada das bases de dados computadorizadas, destruiu este mito. Hoje sabemos que foram mais os primogênitos da Europa os que responderam ao chamado do Papa em 1095 e à conseguinte Cruzada. Ir a uma cruzada era uma operação muito custosa. Os senhores se viam obrigados a vender ou hipotecar as próprias casas para conseguir fundos necessários. Muitos deles, também, não tinham interesse em constituir um reino de ultramar. Mais ou menos como os soldados de hoje, os cruzados medievais se sentiam orgulhosos de cumprir com seu dever, mas ao mesmo tempo desejavam voltar para casa.

Após os êxitos espetaculares da primeira cruzada, com a conquista de Jerusalém e de grande parte da Palestina, praticamente todos os cruzados voltaram para casa. Só uma mínima parte ficou para consolidar e governar os novos territórios. Desta forma o ganho era escasso. Ainda que os cruzados tivessem sonhado com grandes riquezas nas opulentas cidades orientais, praticamente quase nenhum conseguiu nem sequer recuperar os gastos. Contudo, o dinheiro e a terra não eram o motivo para se lançar à aventura de uma cruzada, iam para expiar os pecados e ganhar a salvação mediante as boas obras em uma terra distante. Enfrentavam gastos e fatigas porque acreditavam que, indo socorrer suas irmãs e seus irmãos cristãos no Oriente, haveriam acumulado riquezas onde nem a ferrugem nem a traça corroem. Eram bem conscientes da exortação de Cristo, segundo a qual quem não toma sua cruz não é digno dEle. Recordavam também que «ninguém tem um amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos».

Mito número 3:

Quando os cruzados conquistaram Jerusalém, em 1099, massacraram todos os homens, mulheres e crianças da cidade, até inundar as ruas e sangue. Esta é uma das histórias preferidas por quem quer demonstrar a natureza malvada das Cruzadas. Certamente é verdade que muitas pessoas em Jerusalém encontraram a morte depois que os cruzados conquistaram a cidade. Mas este aspecto se deve considerar no contexto histórico. O princípio moral aceito em todas as civilizações européias ou asiáticas pré-modernas era que uma cidade que havia resistido à captura e havia sido tomada pela força pertencia aos vencedores. E isto não incluía somente os edifícios e os bens, mas os habitantes. Por esta razão, cada cidade ou fortaleza tinha que pesar cuidadosamente se podia se permitir resistir aos sitiadores. Se não, era mais sábio negociar os termos da rendição. No caso de Jerusalém, tentou-se a defesa até o último momento. Calculava-se que as formidáveis muralhas da cidade deteriam os cruzados até a chegada de uma força proveniente do Egito. Mas estavam em um erro. E quando a cidade caiu, foi saqueada. Deu-se morte de muitos habitantes, mas outros muitos foram resgatados ou libertados. Segundo o critério moderno, isto pode parecer brutal. Mas um cavaleiro medieval poderia fazer notar que um número muito maior de homens, mulheres e crianças inocentes morreria cada dia mediante as modernas técnicas de guerra, comparado com o número de pessoas que podiam cair sob a espada durante um ou dois dias. Há que observar que nas cidades muçulmanas que se renderam aos cruzados, as pessoas não foram atacadas. Suas propriedades eram confiscadas e se lhes deixavam livres para professar a própria fé.

Mito número 4:

As cruzadas eram uma forma de colonialismo medieval revestido de atributos religiosos. É importante recordar que na Idade Média o Ocidente não era uma cultura poderosa e dominante que se aventurava em uma região primitiva e atrasada. Na realidade, quem era potente, acomodado e opulento era o Oriente muçulmano. A Europa era o Terceiro Mundo. Os Estados Cruzados, fundados após a primeira cruzada, não eram novos assentamentos de católicos em um mundo muçulmano, semelhante às colonizações britânicas na América. A presença católica nos Estados cruzados era sempre muito reduzida, em geral inferior 10% da população. Eram governantes e magistrados, comerciantes italianos e membros das ordens militares. A grande maioria da população dos Estados cruzados era muçulmana. Não eram, portanto, colônias no sentido de plantações ou fábricas, como no caso da Índia. Eram postos de avanço. A finalidade última dos Estados cruzados era defender os santos lugares na Palestina, especialmente Jerusalém, e proporcionar um ambiente seguro para os peregrinos cristãos que visitavam aqueles lugares. Não havia um país de referência dos Estados cruzados com o qual pudessem manter relações econômicas, nem os europeus obtinham benefícios econômicos destes Estados. Pelo contrário, os gastos das cruzadas para manter o Oriente latino pesavam fortemente sobre os recursos europeus. Como posições de vanguarda, os Estados cruzados tinham um caráter militar. Enquanto os muçulmanos combatiam entre eles, os Estados cruzados estavam a salvo, mas, quando os muçulmanos se uniram, foram capazes de derrubar as fortificações, tomar as cidades e, em 1291, expulsar completamente os cristãos.

Mito número 5:

As cruzadas se fizeram também contra os judeus. Nenhum Papa lançou jamais uma cruzada contra os judeus. Durante a primeira cruzada, um numeroso bando de malfeitores, não pertencentes ao exército principal, invadiram as cidades de Renania e decidiram depredar e assassinar os judeus que ali residiam. Isto se produziu em parte por pura avidez e em parte por uma errônea concepção pela qual os judeus, enquanto responsáveis pela crucificação de Cristo, eram objetivos legítimos da guerra. O Papa Urbano II e os Papas sucessivos condenaram energicamente estes ataques contra os judeus. Os bispos locais e os outros eclesiásticos e leigos trataram de defender os judeus ainda que com pouco êxito. De modo parecido, durante fase inicial da segunda cruzada, um grupo de renegados assassinou muitos judeus na Alemanha, antes que São Bernardo conseguisse alcançá-los e detê-los. Estes desvios do movimento eram um indesejado subproduto do entusiasmo das Cruzadas, mas não eram o objetivo das Cruzadas. Par usar uma analogia moderna, durante a Segunda Guerra Mundial alguns soldados americanos cometeram crimes enquanto se encontravam em ultramar. Foram presos e castigados por tais crimes, mas o motivo pelo qual haviam entrado em guerra não era o de cometer crimes.

Pensa que a luta entre o Ocidente e o mundo muçulmano é de certo modo uma reação às Cruzadas?

Madden: — Não. Pode parecer uma estranha a resposta se consideramos que Osama Bin Laden e outros islâmicos com freqüência se referem aos americanos como «Cruzados». É importante recordar que durante a Idade Média, na realidade até finais do século XVI, a superpotência do mundo ocidental era o islã. As civilizações muçulmanas gozavam de grande bem-estar, eram sofisticadas e imensamente poderosas. O que hoje chamamos Ocidente era atrasado e relativamente fraco. Há que fazer notar que, com a exceção da Primeira Cruzada, praticamente o restante das Cruzadas lançadas pelo Ocidente --e houve centenas-- não tiveram êxito. As Cruzadas podem haver freado o expansionismo muçulmano mas de nenhum modo o detiveram. O império muçulmano continuou expandindo-se para territórios cristãos, conquistando os Bálcãs, grande parte da Europa do Leste e inclusive a maior cidade cristã do mundo, Constantinopla.

Desde a perspectiva muçulmana, não tiveram tanta importância. Se você tivesse perguntado a alguém do mundo muçulmano pelas Cruzadas no século XVIII, não saberia nada do tema. Eram importantes para os europeus porque foram esforços massivos que fracassaram. Contudo, durante o século XX, quando os europeus começaram a conquistar e colonizar países do Oriente Médio, muitos historiadores --especialmente escritores franceses nacionalistas ou monárquicos-- começaram a denominar as Cruzadas como o primeiro intento da Europa de levar os frutos da civilização ocidental ao mundo muçulmano atrasado. Em outras palavras, as Cruzadas foram transformadas em guerras imperialistas.

Estas histórias se ensinavam nas escolas coloniais e se converteram no ponto de vista normalmente aceitado no Oriente Médio e mais além. No século XX, o imperialismo foi desacreditado. Islamistas e alguns nacionalistas árabes assumiram a visão colonial das Cruzadas, denunciando que o Ocidente era responsável por sua miséria porque havia depredado os muçulmanos desde as Cruzadas.

Diz-se com freqüência que o povo no Oriente Médio tem uma memória duradoura; é verdade. Mas no caso das Cruzadas, tem uma memória reconstruída, fabricada por seus conquistadores europeus.

Há semelhanças entre as Cruzadas e a atual guerra contra o terrorismo?

Madden: — Junto ao fato de que os soldados de ambas guerras desejavam servir a alguém maior que eles mesmos e que desejavam voltar para casa enquanto acabaram, não vejo outras semelhanças entre os cruzados medievais e a guerra contra o terror. As motivações da sociedade secular de depois do Iluminismo são muito diferentes das do mundo medieval.

Em que as Cruzadas se diferenciam da jihad islâmica ou de outras guerras de religião?

Madden: O objetivo fundamental da jihad (guerra santa) é estender o «Dar al-Islã» - (A Morada do Islã). Em outras palavras, a jihad é expansionista, busca conquistar os não-muçulmanos e impor-lhes o regime muçulmano.

Aos que são conquistados é dada uma só possibilidade. Para os que não são do Povo do Livro --em outras palavras, os que não são cristãos ou judeus-- a única opção é converter-se ao islã ou morrer. Para os que pertencem ao Povo do Livro, a opção é submeter-se ao regime muçulmano e à lei islâmica ou morrer. A expansão do islã, portanto, estava diretamente ligada ao êxito militar da jihad. Os cruzados eram outra coisa. Desde seus inícios a Cristandade sempre proibiu a conversão forçada de qualquer tipo. A conversão pela espada, por conseguinte, não era possível para a Cristandade.

o contrário da jihad, o objetivo dos cruzados não era estender o mundo cristão nem expandir a Cristandade mediante conversões forçadas. Os cruzados eram uma resposta direta e relacionada com os séculos de conquistas muçulmanas de terras cristãs. O acontecimento que fez explodir a Primeira Cruzada foi a conquista turca de toda Ásia Menor de 1070 a 1090.

A Primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em 1095 em resposta a uma urgente petição de ajuda do imperador bizantino de Constantinopla. Urbano fez um chamado aos cavaleiros da Cristandade para que acudissem a ajudar seus irmãos do Oriente. A Ásia Menor era cristã. Formava parte do império bizantino e foi em primeiro lugar evangelizada por São Paulo. São Pedro foi o primeiro bispo de Antioquia. Paulo escreveu sua famosa carta aos cristãos de Éfeso. O credo da Igreja foi redigido em Nicéia. Todos estes lugares estão na Ásia Menor. O imperador bizantino suplicou aos cristãos do Ocidente ajuda para recuperar estas terras e expulsar os turcos. As Cruzadas foram esta ajuda. Seu objetivo, contudo, não era só reconquistar a Ásia Menor, mas recuperar outras terras antigamente cristãs perdidas por causa das jihads islâmicas. Inclusive a Terra Santa.

Em poucas palavras, portanto, a maior diferença entre Cruzada e jihad é que a primeira foi uma defesa contra a segunda. Toda a história das Cruzadas no Oriente é uma resposta à agressão muçulmana.

Tiveram algum êxito os cruzados em converter o mundo muçulmano?

Madden: — Quero fazer notar que no século XIII alguns franciscanos iniciaram uma missão no Oriente Médio para tentar converter os muçulmanos. Não tiveram êxito, em grande parte porque a lei islâmica castiga a conversão a outra religião com a pena de morte. Este intento, contudo, era uma coisa distinta das Cruzadas, que não tinham nada a ver com a conversão. E foi um intento e persuasão pacíficos.

Como a Cristandade assimilou sua derrota nas Cruzadas?

Madden: — Da mesma maneira que os judeus do Antigo Testamento. Deus negou a vitória a seu povo porque era pecador. Isto levou a um movimento devocionista de grande escala na Europa, cujo objetivo era purificar totalmente a sociedade cristã.


Fonte:

(ZENIT.org)
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Re: As Cruzadas

Mensagem por LeoLacerda em Qui Mar 05, 2009 9:39 am

Só falando mais um pouco sobre algumas Cruzadas.
A Cruzada Albigense, por exemplo que foi a cruzada contra o cataricismo. Muitos diziam que os Cátaros (do grego katharós, "puro") eram hereges e a igreja catolica medieval decidiu extinguir esse pensamento cátaro. Os Cátaros receberam grande influencias antigas em usas tradições e alguns dizem até que eles tinham o seu próprio religioso-chefe (o que seria o Papa), essas influencias antigas pode ser chamada de gnose, mas o que não vem ao caso, o que vem ao caso é que eles não seguiam os dogmas impostos pela igreja romana e isso faz deles herege (mesma coisa dizer hoje em dia que o islamismo é uma religião herege (o que ja foi dito antigamete), absurdo). A religiosidade dos cátaros se espandiu com o tempo, eles construiram catedrais e diversas outras construções do tipo que com a tecnologia morderna fica complicado de se construir, e durantes muitos anos varias pessoas de muitos lugares da Europa haviam se convertido ao cataricismo.
Isso claro, pertubou muito o Papa, pois o cristianismo havia encontrado um certo rival. A ordem foi data: "Matem todos, Deus reconhecerá os dele".

Abraços e paz.
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Qui Mar 05, 2009 2:10 pm

Olá Léo, seja muito bem vindo, precisando de qualquer coisa manda aew....

Então vamos ao seu comentário, eu tenho um artigo sobre o tema por vc abordado escrito por mim em 2006 na UERJ. Nas linhas seguintes eu destaco que a Cruzada convocada contra Cátaros só chegou as vias de fato depois de muitas tentativas, não sei se vc sabe dos interesses pessoais que moviam os líderes cátaros e foi exatemnte por causa desses interesses que o Prelado do Papa foi executado por eles, a convocação de uma Cruzada contra os albigenses foi vista como a única saída plausível para o momento, após a morte do prelado do Papa, que estava na região do sul da França, fez com que o Papa Inocêncio III convocasse a Cruzada, que se reuniu em junho de 1209 em Lyon, durante o tempo da Cruzada a crueldade das batalhas foi característica, tomada de terras e feudos e derrubas de senhores, até a assinatura da Paz, em Paris em 1229, muito sangue jorrou e o jogo de interesse pelas terras foi ávido, não que a assinatura da Paz tenha levado ao fim dos cátaros o que efetivamente aconteceu somente no século XIV. Continunado vc algumas afirmações anacrônicas, quando diz que é um absurdo o conceito de ser considerado herege por não seguir os dogmas está dizendo isso a luz do nosso dia, pq as pessoas daquele época não assim consideravam como afirma só para vc ter idéia , “A ruptura da unanimidade é um escândalo. No século XIII, o grande canonista Huguccio declara que quem se não alia à maioria é turpis (indecente)[1], . Um ismlâmico não é considerado herege ele é considerado infiel.

[1] Le Goff, Jacques, A civilização do ocidente
medieval 1ª edição Lisboa, Editora Estampa, 1983 Pp.51



Em relação ao Cataros :



Os cátaros foram uns dos grupos heréticos mais destacáveis, durante o séculos XII e XIII, teve também o maior número de crentes, segundo as teses formuladas por esses heréticos, concebiam que existiam um dualismo. “ Dualismo, nesse sentido, significa a crença de que a bondade existe somente no mundo espiritual do deus bom e que o mundo material é mau e foi criado por um deus mau ou espírito chamado Satã[1]Um outro cronista cita uma estranha carta enviada em 1177 pelo conde Toulouse ao capítulo de Cister, na qual pela primeira vez está explicitamente escrito que a heresia dos dois ”princípios”
propaga-se por toda a parte[2]
Os cátaros consideravam a matéria má e o mundo mau, isso era consenso, o homem deveria reverter esse quadro, dessa forma restabelecendo a comunhão com Deus. Como eles podiam conceber que Deus, que é bom teria criado um mundo mau, então o mundo, claro seria criação de um deus mau, por meio desse ato, enfrentava o deus bom. Nesse caso há confusão entre grupos cátaros da França e da Itália, os da França, acreditavam que os dois coexistiam sem que um fosse criatura do outro, já os da Itália, interpretavam como se o deus mau fosse encarnação do bem. Uma das grandes atrações dos cátaros é que segundo a sua doutrina no fim dos tempos o deu bom venceria o mau e todos seriam salvos, antes disso todos teriam sido purificados na Terra, não havendo então inferno e purgatório, para o homem medievo, que é crente e vive em mundo religioso, tal idéia é convincente e atraente.
As origens dos cátaros se remetem aos bogomilos[3]. Missões são mandadas para diversas regiões, inclusive a França, então com a pregação itinerante, começam a se agrupar crentes em volta da pregação dos cátaros, o número vai crescendo progressivamente, da sua organização:

“ Os bispos eram secundados por diáconos itinerantes, intermediários entre os bispos e os perfeitos, cabendo-lhes a administração material da igrejas. Possuíam casas onde os Perfeitos viviam em comunidade e recebiam os neófitos para o estágio obrigatório.(...) Essas casas, espalhadas por todo o Languedoc Ocidental, eram dirigidas por um superior ou superiora, além de serem uma instituição pública até o momento da Cruzada organizada contra os heréticos”[4]

Segundo Falbel, uma das razões para o crescimento dos cátaros no sul da França, era a ostentação e a riqueza do clero romano, as eleições para cargos eclesiásticos eram joguetes nas mãos dos nobres, que ditavam as regras na região, de onde se conclui que o clero não era muito zeloso e dedicado. Por outro lado, esses mesmos senhores, gananciosos cada vez mais por terras, então apoiavam o crescimento do movimento cátaro, para assim tomarem as terras pertencentes a Igreja.
Uma seita profundamente pessimista, entendia como benéfico o suicídio, contra o casamento, contra as relações sexuais, jejuns rigorosos, não comiam carne, é possível perceber que era uma seita segundo a designação de eleitos, dividia-se em dois grupos: os “Perfeitos” e os “Crentes”. Os “Perfeitos” eram a elite sacerdotal, por meio do consolamentum[5] “ (...) na presença de muitos homens e mulheres que recebem o consolamentum ( ou a imposição das mãos), bispos reunidos com seu conselhos procederam à nomeação e ordenação de novos bispos no Midi[6]. Esse grupo se distanciava do cotidiano por considerar obra do deus mau tudo que foi criado, por isso não aceitavam o que vinha desse mundo, apenas o essencial a sua sobrevivência, ainda podiam ministrar duas espécies de sacramentos, a ordem e a partilha do pão, que não deve ser confundido com o sacramento da Eucaristia, porque os cátaros não acreditavam na presença real do Cristo no pão. O resto dos adeptos eram os Crentes, que não alcançavam o status de “Perfeitos” por não guardarem bem as proibições, as recusas das relações sexuais. Esses Crentes eram os responsáveis pela manutenção do movimento, porque eram os braços responsáveis pela força de trabalho e de sustento dos “Perfeitos”. Os Cátaros ainda foram responsáveis por uma reinterpretarão do Novo Testamento, e o levavam a interpretação literária, segundo os cátaros, Jesus apenas indicou o caminho para a Salvação, pois não acreditavam na encarnação de Deus. Esses Crentes só começavam a fazer parte da Igreja cátara quando recebiam o consolamentum, até então estão as margens desses considerados parte integrante da Igreja, estariam em preparação para receber tal sacramento, no seio da doutrina havia um problema serio segundo Falbel, os Crentes que não quisessem ou não conseguissem alcançar o consolamentum, poderiam no fim da vida recebê-lo extraordinariamente, ora, a vida de um “Perfeito” era custosa demais, não havia a insegurança de que houvesse um inferno, então o que acontecia era que não havia o real monopólio da força religiosa dos cátaros, a exemplos dos católicos, e a questão moral também ficava resumida aos “Perfeitos”. A pregação desses era violenta e ofensiva aos católicos, segundo os cátaros a Igreja de Satã, de forma mais intrínseca atacavam ferozmente os clérigos católicos, criticavam a cruz as imagens e os sacramentos. A reação da Igreja católica ao avanço dos cátaros será delineada do capitulo seguinte.






[1] Falbel, Nachman . Heresias Medievais Editora Perpectiva SP 1976 Pp36
[2] Le Goff, Jacques & Schimitt, Jean-Claude Dicionário Temático do Ocidente Medieval Tomo I EDUSC SP 2002 Pp 511
[3] Por pressão do Império Bizantino os maniqueístas se agruparam sobre a égide dos bogomilos para sobreviver, essa Igreja se reagrupa por volta do século XII.
[4] Falbel, Nachman . Heresias Medievais Editora Perpectiva SP 1976 Pp 39
[5]Espécie de sacramento como o batismo aonde os Perfeitos impunham as mãos sobre os crentes , por esse sacramento o Crente então fazia parte da Igreja Cátara, durante um tempo estipulado o crente ficava sobre os cuidados de um mestre, se ao fim o mestre entendesse que ele tinha condições de ser eleito então se faria a cerimônia.Agora era um Perfeito e por isso renunciava ao bens do mundo, se fosse casado tinha que abandonar a esposa.
[6] Le Goff, Jacques & Schimitt, Jean-Claude Dicionário Temático do Ocidente Medieval Tomo I EDUSC SP 2002 Pp 511

















Última edição por M.Levi em Qui Mar 05, 2009 2:19 pm, editado 1 vez(es)
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Qui Mar 05, 2009 2:16 pm

Em Relação a heresia:





É necessário que entre vós haja partidos para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos[1]


Conceber as heresias e antes conhecer o mundo Ocidental Cristão Católico, em virtude do seguinte, herético é aquele cristão que por um desvio que veremos adiante é considerado contra a fé, porque discorda e faz a opção por outro caminho, ele por um momento compartilhou dos dogmas e preceitos da Igreja Católica, diferentemente de um islâmico ou judeu, esses são considerados infiéis e não heréticos, porque não compartilharam a mesma fé.


“Heresia (do latim haeresis que, por seu lado, vem do grego haíresis que significa capacidade de escolher) é qualquer doutrina cristã contrária aos dogmas da Igreja Católica. Opõe-se, desta forma, à ortodoxia. Por extensão, designa-se por heresia a qualquer desvio de uma religião, credo ou sistema religioso que pressuponha uma doutrina ortodoxa. Da mesma forma, a palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros. Ao fundador de uma heresia dá-se o nome de heresiarca”[2]





Ora, quando pensamos em heresias medievais o referencial é a Igreja Católica, sendo a mesma a única e oficialmente considerada, ou seja, é considerado herético aquele que se afasta da Igreja considerada oficial. Entretanto é preciso levar em consideração que a opinião de um único homem não deve ser onsiderada heresia é preciso ter alcance tal atitude, no caso estudado entendo que as heresias são fenômenos de grupos, e mais, as heresias levam a tona assuntos delicados e complexos, isso sempre contra o poder constituído, desde Constantino[3] a Igreja é oficial, sendo assim, qualquer ato contra a Sè, também deve ser considerado contra o Estado, por isso me refiro às heresias frente à
Igreja.


O que diferencia as heresias medievais das da Antigüidade é o caráter popular das mesmas. As heresias medievais estão preocupadas principalmente com a questão moral e a função real da Igreja, ostentar luxo e poder, ou servir aos anseios do Cristo, e ainda o valor dos sacramentos, essas seitas ou movimentos heréticos na maioria dos casos, estão pregando uma volta ao cristianismo primitivo, assim como São Francisco pregou também, a volta a pobreza evangélica. Nesse sentido é fácil perceber as diferenças entre as heresias da Antigüidade e da Idade Média. Durante a Antiguidade ainda não se havia formado o que é denominado cânon do Novo Testamento, havia ainda um sem número de dúvidas, em relação à divindade de Cristo, a humanidade de Cristo, a Santíssima Trindade, entre outros, essas aberturas possibilitavam diversas idéias que os Concílios acabavam por findar, até que esse corpus foi definido como ortodoxo e descendente direto de ensinamentos do Cristo, podendo estar fisicamente visívela Igreja invisível, com uma constituição que na verdade, ou seja, é o Credo, conjunto de leis básicas e imutáveis comum entre toda cristandade, dando origem a uma Igreja Universal Católica, sucessivamente foi sendo formado a idéia dos dogmas o que se constitui no cânon. Então nesse ínterim que oscismaticos[4],como o montanismo[5]seita herética do segundo século, que pregava o fim do mundo e o retorno de Jesus, espalhando-se pela Ásia. Os cátaros pregavam um rigorismo como penitências exaustivas jejuns prolongados a renuncia ao casamento e que seus participantes não aceitassem cargos públicos. Outro exemplo, foi o maniqueísmo, seu fundador Manes[6],pregava que existam dois
princípios criadores, o Bem e o Mal, Deus era o bem e o Diabo era o mal, esses dois deuses brigavam entre si, ambos eternos e criadores, na sua juventude, Santo Agostinho[7]foi um ferrenho defensor de tal doutrina, após sua conversão ao cristianismo, escreveu trabalhos e foi um dos principais combatentes dessa doutrina.


“ A Natureza da sociedade feudal cristã conduzia a visão da heresia como quebra da ordem divina e social alicerçada sobre a fides. (...) via na heresia uma falta grave, quivalente no plano religioso à quebra de um juramento defidelidade do vassalo a seu senhor de tal modo que a “infidelidade” social e religiosa se confundem” [10]

Depois de decorrer sobre o que é uma heresia e, quais as diferenças entre as da Antiguidade e da Idade Média, na verdade da Baixa Idade Média. Razões como a fervescência dos grandes centros urbanos, o renascimento comercial, as trocas culturais, a invasão dos textos árabes, o aumento de traduções de textos filosóficos para o latim, as trocas também aconteciam com o Oriente, e até mesmo entre diferentes pontos do próprio Ocidente, as cidades serão o centro facilitador e divulgador das heresias, assim como lócus onde são fomentadas tais idéias. Poucos destaques tiveram as heresias nas áreas mais afastadas, como o interior. Iremos propriamente discutir as principais correntes heréticas no século XIII, o século herético por definição, em decorrência não só do surgimento ou da sedimentação de grupos heréticos, mais também por causa da reação da Igreja, como por exemplo, a Cruzada convocada contra os heréticos da França, os albigenses, o uso das ordens do franciscanos e dos dominicanos no combate, até que culmina com o aparato inquisitorial e a Inquisição que se oficializa em 1231.







[1] Bíblia Sagrada 31ª Edição Ave Maria ( ICor 11,19)
[2]“Diponível em” <http://enciclopedia.tiosam.com/enciclopedia/enciclopedia.asp?title=Heresia>“Acesso em “2006-01-07 as 18:11.
[3]Nascido em 274 e faleceu em 337 d. C. conhecido como Constantino Magno ou Constantino I, foi imperador por cerca de 31 anos e se converte ao cristianismo no ano de 312 e progressivamente os cristãos vão obtendo destaque na corte de Constantino, os cristãos não são mais perseguidos, em 313 promulga o edito de Milão que concedia liberdade total ao culto dos cristãos, Constantino recebeu o batismo somente no fim da vida em 337.
[4]Ramificações surgidas por desacordo em relação ao nascente corpus da Igreja Católica, esses grupos eram considerados fora da Igreja e condenados, sofrendo perseguições e execuções.
[5] Por volta do ano de 175 d. C. um sacerdote chamado Montano se converte ao cristianismo na região da Ásia Menor, entretanto ele não negou totalmente o paganismo e acaba voltando a ser pagão no seio da Igreja fundando essa seita dos montanistas, sendo condenado pelo Papa São Zeferino (199-217)
[6] Também chamado de Mani, era um persa que nasceu na Mesopotâmia pelo ano de 215, e fundou essa doutrina quando tinha cerca de 25 anos, o interessante é que os próprios pagãos perseguiram tal seita, porque tal doutrina acabava levando há uma constatação pessimista demais, até que o rei da Pérsia Barâ I ordenou que Mani fosse morto, essa doutrina se dispersou chegando até a se infiltra no cristianismo e no budismo.
[7]Nascido no norte da África, filho de Santa Mônica e de um pagão chamado Patrício, Santo Agostinho estudou nas melhores instituições de sua época, era um importante orador em Milão e Roma, teve um filho antes dos 20 anos o qual veio a falecer tempos depois, por volta do ano de 387 é batizado por Santo Ambrósio, em seguida recebe a ordenação sacerdotal e feito bispo pouco tempo depois, se destacou pela escritos filosóficos que serviram de base para os estudos da Igreja até pelo menos século XIII.
[8] Sacerdotede Alexandria que teria começado a difundir tal idéia de que Cristo era menor que Deus Pai, baseado em textos bíblicos, isso ocorreu por volta do ano de 319.
[9] Realizado em 325 em Nicéia. Ficou decidido nesse Concilio que a doutrina de Ario era condenável e foi acrescentado ao
credo a parte que fazia referência a divindade do Cristo “Deus de Deus, Luz da Luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro...”
[10] Falbel, Nachman . Heresias Medievais EditoraPerpectiva SP 1976 Pp.15



Sei que os comentários são longos, mas acredito que serão de muito proveito para todos, pq as dúvidas do Leo são as de muitos, qualquer coisa não deixem de
comentar!!!!
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Re: As Cruzadas

Mensagem por LeoLacerda em Seg Mar 09, 2009 8:52 pm

Levi, descupa ao ter respondido antes é que ainda nao tive muito tempo de ler tudo!
Logo faço um comentario.
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Re: As Cruzadas

Mensagem por M.Levi em Seg Mar 09, 2009 8:56 pm

Fica a vontade, sem pressa e não deixe de comentar, que dessa forma a gente vai produzindo conhecimento!!!!
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Re: As Cruzadas

Mensagem por LeoLacerda em Dom Mar 22, 2009 8:57 am

Levi, desculpa por ter demorado tanto para responder! É porque estava sem tempo para ler com calma.
Mas agora ja li tudo. Parabéns! Muito boa sua formação realmente informações muito boas no seu texto. Agora uma duvida que eu tenho a respeito da crença cátara, que é de onde eles tiraram seus crenças? Acredito que não foram invenções, acho que eles já receberam essas crenças de um povo anterior a eles ou não? Sabe me responder?

Abraços e paz!
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As Cruzadas e São Francisco!

Mensagem por Milene Guimarães em Dom Abr 05, 2009 12:59 am

Entre a IV e a V Cruzadas, houve algumas expedições militares contra os infiéis. De uma delas, que aportou no Egito, participou São Francisco. São Francisco teve a audácia de se fazer conduzir à presença do sultão, tendo somente sua fé por salvaguarda. O sultão o escutou com a maior atenção, como que subjugado. O Bem-aventurado Francisco começou a pregar, e ofereceu-se para entrar no fogo juntamente com um sacerdote sarraceno, para assim provar ao sultão que a Lei de Cristo era verdadeira. Mas o sultão respondeu: "Irmão, eu não creio que algum sacerdote sarraceno queira entrar no fogo por sua fé".
Depois, temendo que alguns do seu exército, pela eficácia da palavra de São Francisco, fossem convertidos para o Senhor, e para que não passassem ao exército dos cristãos, o sultão o fez conduzir, com toda sorte de considerações e em perfeita segurança, ao campo dos nossos, dizendo-lhe por despedida:
"Reze por mim, para que Deus se digne de me revelar a lei e a fé que mais lhe agrada". (G. Bordonove, "Les Templiers" - p. 151)
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Re: As Cruzadas

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