Interpretação da Bíblia

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Interpretação da Bíblia

Mensagem por Binhokraus em Seg Fev 21, 2011 9:15 am

Não é raro a gente ver aqui no fórum pessoas que dão uma interpretação livre da Bíblia. Principalmente os não católicos, que dão a interpretação mais conveniente com a doutrina de suas igrejas e seitas não católicas. Ora, o Espírito Santo é UM SÓ, assim como Deus é um só, logo, como esse ÚNICO espírito pode gerar várias interpretações da bíblia de forma que possa haver tantas religiões e seitas? Deus é ambiguo?

Sabemos que ELE não é contraditório, e também não pode desdizer-se, porém desde o grande cisma com lutero, os homens tem-se dado o direito de interpretar livremente a bíblia a luz de sua própria consciência e daí tirar o entendimento que lhe satisfaça melhor a sua consciência.

Por essa razão gostaria de lembrar três passagens importantes, existem outras eu sei, mas acredito que só essas três passagens já vão dar panos para mangas.... como dizemos por aqui...

Começando pela inspiração divina da Sagrada Escritura, para reafirmar que as escrituras provém de Deus, e somente em Deus podemos compreende-las.

"Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." (II Tm. 3.16,17)

Agora uma das mais importantes passagens a esse respeito. Sabendo que a escritura é inspirada por Deus, o trecho abaixo deve ser um alerta para todos que se põe a ler a Bíblia.

"Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (2 Pd 1.20,21)

Aqui quero comentar que, NINGUEM pode livremente dar a interpretação que sua consciência julga ser a mais razoável, ou que satisfaça a si próprio, pois como vimos, a interpretação das escrituras NÃO É PESSOAL! Logo, quem utiliza o argumento de que sua consciência diz isso ou aquilo a cerca das escrituras, comete um terrível engano, pois as escrituras não são para serem interpretadas de maneira pessoal e sozinho!

Continuando, passamos para a terceira passagem...

"Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e decaiais da vossa firmeza." (2 Pd 3.16,17)

Aqui, São Pedro, fala a respeito da dificuldade de se entender algumas passagens e epístolas, e critica os indoutos, e inconstantes. Ora, se alguém não estuda as escrituras, como podem se por a falar dela? Estudar as escrituras não é somente a ler mil vezes, mas compreender suas figuras de linguagem, o tempo e período específico em que foram escritas, e muitas outras coisas mais.
Mesmo alguém que seja um profundo estudioso e conhecedor da bíblia, mesmo esse, não pode sozinho dar uma livre interpretação desta de modo que a sua interpretação satisfaça sua consciência. É necessária a ação do Espírito Santo. Mas, o Espírito Santo age de acordo com as capacidades das pessoas, por isso é importante estudar as escrituras. E mesmo assim, sendo estudioso, e clamando o espírito santo, não podemos interpretar sozinhos e livremente de acordo com nossa consciência.

Enfim, com isso espero que podemos olhar com mais calma para as escrituras, e mais que isso, possamos tomar todo cuidado ao afirmar categoricamente que tal passagem diz isso ou aquilo. Com que autoridade, ou com que fundamentos podemos dizer isso ou aquilo sobre as escrituras.
Graças a DEUS eu posso dizer que sempre que coloco algo a respeito das escrituras, estou apoiado em 2 mil anos de estudos da mesma, e além disso, eu sempre oro ao Espírito Santo para que me ilumine e me faça compreender as escrituras. Então eu tenho 2 mil anos de estudos e o Espírito Santo, e mesmo assim, muitas vezes eu posso cometer algum equívoco, pois sou humano. Agora, imaginem aqueles que se apoiam somente em si mesmos??? Mesmo que peçam ao Espírito Santo, eles tem muito mais chances de equívocar, pois interpretam pessoalmente as escrituras, o que é condenado pela própria escritura.

Permaneçam em Deus!!!

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Fev 21, 2011 3:34 pm

Caro Binho.

Excelente questao. Vamos por aqui o Papa disse recentemente sobre esse tema, na Verbum Domini.


A Igreja, lugar originário da hermenêutica da Bíblia

29. Outro grande tema surgido durante o Sínodo, sobre o qual quero debruçar-me agora, é a interpretação da Sagrada Escritura na Igreja. E precisamente a ligação intrínseca entre Palavra e fé põe em evidência que a autêntica hermenêutica da Bíblia só pode ser feita na fé eclesial, que tem o seu paradigma no sim de Maria. A este respeito, São Boaventura afirma que, sem a fé, não há chave de acesso ao texto sagrado: «Esta é o conhecimento de Jesus Cristo, do qual têm origem, como de uma fonte, a segurança e a inteligência de toda a Sagrada Escritura. Por isso é impossível que alguém possa entrar para a conhecer, se antes não tiver a fé infusa de Cristo que é lanterna, porta e também fundamento de toda a Escritura ».84 E São Tomás de Aquino, mencionando Santo Agostinho, insiste vigorosamente: « A letra do Evangelho também mata, se faltar a graça interior da fé que cura ».85

Isto permite-nos assinalar um critério fundamental da hermenêutica bíblica: o lugar originário da interpretação da Escritura é a vida da Igreja. Esta afirmação não indica a referência eclesial como um critério extrínseco ao qual se devem submeter os exegetas, mas é uma exigência da própria realidade das Escrituras e do modo como se formaram ao longo do tempo. De facto, «as tradições de fé formavam o ambiente vital onde se inseriu a actividade literária dos autores da Sagrada Escritura.

Esta inserção englobava também a participação na vida litúrgica e na actividade externa das comunidades, no seu mundo espiritual, na sua cultura e nas vicissitudes do seu destino histórico.

Por isso, de modo semelhante, a interpretação da Sagrada Escritura exige a participação dos exegetas em toda a vida e em toda a fé da comunidade crente do seu tempo ».86 Por conseguinte, « devendo a Sagrada Escritura ser lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita »,87 é preciso que os exegetas, os teólogos e todo o Povo de Deus se abeirem dela por aquilo que realmente é: como Palavra de Deus que Se nos comunica através de palavras humanas (cf. 1 Ts 2, 13). Trata-se de um dado constante e implícito na própria Bíblia: «Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular, porque jamais uma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que os homens santos falaram em nome de Deus » (2 Pd 1, 20-21). Aliás, é precisamente a fé da Igreja que reconhece na Bíblia a Palavra de Deus; como admiravelmente diz Santo Agostinho, «não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica».88 O Espírito Santo, que anima a vida da Igreja, é que torna capaz de interpretar autenticamente as Escrituras. A Bíblia é o livro da Igreja e, a partir da imanência dela na vida eclesial, brota também a sua verdadeira hermenêutica.

30. São Jerónimo recorda que, sozinhos, nunca poderemos ler a Escritura. Encontramos demasiadas portas fechadas e caímos facilmente em erro. A Bíblia foi escrita pelo Povo de Deus e para o Povo de Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Somente com o « nós », isto é, nesta comunhão com o Povo de Deus, podemos realmente entrar no núcleo da verdade que o próprio Deus nos quer dizer.89

Aquele grande estudioso, para quem « a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo »,90 afirma que o carácter eclesial da interpretação bíblica não é uma exigência imposta do exterior; o Livro é precisamente a voz do Povo de Deus peregrino, e só na fé deste Povo é que estamos, por assim dizer, na tonalidade justa
para compreender a Sagrada Escritura. Uma autêntica interpretação da Bíblia deve estar sempre em harmónica concordância com a fé da Igreja Católica. Jerónimo escrevia assim a um sacerdote:

« Permanece firmemente apegado à doutrina tradicional que te foi ensinada, para que possas exortar segundo a sã doutrina e rebater aqueles que a contradizem ».91

Abordagens do texto sagrado que prescindam da fé podem sugerir elementos interessantes ao deterem-se sobre a estrutura do texto e as suas formas; inevitavelmente, porém, tal tentativa seria apenas preliminar e estruturalmente incompleta.

De facto, como foi afi rmado pela Pontifícia Comissão Bíblica, repercutindo um princípio compartilhado
na hermenêutica moderna, « o justo conhecimento do texto bíblico só é acessível a
quem tem uma afi nidade vital com aquilo de que fala o texto ».92 Tudo isto põe em relevo a relação
entre a vida espiritual e a hermenêutica da Escritura.

De facto, « com o crescimento da vida no Espírito, cresce também no leitor a compreensão das realidades de que fala o texto bíblico ».93 Uma intensa e verdadeira experiência eclesial não pode deixar de incrementar a inteligência da fé autêntica a respeito da Palavra de Deus; e, vice-versa, a leitura na fé das Escrituras faz crescer a própria vida eclesial. Daqui podemos compreender de um modo novo a conhecida afirmação de São
Gregório Magno: « As palavras divinas crescem juntamente com quem as lê ».94 Assim, a escuta da Palavra de Deus introduz e incrementa a comunhão eclesial com todos os que caminham na fé.

Grande abraço.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Binhokraus em Seg Fev 21, 2011 3:57 pm

Muito bom Pe. Anderson. Como sempre nos brindando com textos excelentes a respeito de assuntos deveras importantes.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Paulo Henrique Viana em Seg Fev 21, 2011 9:19 pm

Olá Binho.
Ao ler o texto de II Timoteo 3.16, compreendo que a autoridade da Bíblia é a mais autoritativa do que tudo que já foi escrito neste mundo afora e que a verdade acerca da pessoa de Deus e do plano de salvação só é encontrada nela. Paulo considerava o Antigo Testamento como letras sagradas e esta é a sua indicação para a firmeza da fé de Timoteo, pois o que Timoteo havia aprendido desde a sua infância foram os livros do Antigo Testamento. Então, jamais deveria se afastar deles porque haveria de receber benefícios para a sua vida espiritual.
Outra coisa que este texto me faz pensar é que a Escritura que Paulo se refere estava nas mãos do povo judeu. Como afirma a Escritura,que aos judeus foram entregues os oráculos de Deus. E que a Escritura era ensinada por meio de homens que estavam preparados para ensiná-las (escribas). Porém Timoteo foi instruído pela sua avó e pela sua mãe. Elas, acredito eu, não usaram nenhuma interpretação pessoal da Escritura, porém, foram fiéis para transmitir ao neto e ao filho, tudo aquilo que Deus havia dado a Moisés, salmos e profetas.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Binhokraus em Seg Fev 21, 2011 10:14 pm

É verdade Paulo. Claro que todos esses foram instruídos pelos seus, como vc bem disse, mas não por uma interpretação pessoa, mas pela tradição. O problema em falar de tradição aqui, é que virão as mesmas pessoas, falar as mesmas falácias tantas vezes refutadas e respondidas sobre a tradição. Infelizmente temos que conviver com isso. Mas é muito estimulante ver opiniões como a sua, ou de alguns outros membros. Opiniões realmente sóbrias e não tendenciosas de pessoas que tem realmente uma clara visão dos fatos.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Fabricio em Qui Fev 24, 2011 8:15 am

Prezado Paulo Henrique,
Muito boa sua colocação, mas faço uma ressalva. O sr. inicia o texto com a expressão "compreendo". Mais tarde o sr. fala q a verdade "só é encontrada nela (na Escritura)". Desta forma, recai-se nos dois maiores erros de Lutero: o livre exame e a Sola Scriptura, cujo resultado, muito bem exposto pelo BinhoKraus, é o que vemos hoje no protestantismo: DIVISÃO! A própria Escritura nos recomenda a guardar a Tradição passada seja por carta ou palavra (vide cartas de São Paulo aos Colossenses), em suas epístolas São João deixa claro que não passará todas as instruções por carta, algumas passará pessoalmente. São Paulo pede a Timóteo que passe adiante o que "ouviu dele diante de testemunhas". A própria Escritura refere-se à Igreja como "coluna e sustentáculo da verdade", de forma que a compreensão da Bíblia à margem da Igreja não passa de opinião pessoal. Quanto à sua compreensão de que as Escrituras são a única autoridade, cabe lembrar que os primeiros cristão compreendiam diferente. Ainda nos primeiros séculos do cristianismo o bispo de Lião Santo Irineu (que foi batizado por São Policarpo, discípulo de São João apóstolo), em seu célebre tratado "Contra as Heresias" falava da pouca utilidade das Escrituras para ensinar aos bárbaros, visto que eles não sabiam ler, mas que ainda assim, os ensinamentos apostólicos, passados de viva voz, tinham a mesma autoridade. Há milhares de outros exemplos similares no cristianismo primitivo. Será que a "compreensão" dos primeiros cristãos, muitos dos quais conheceram os apóstolos, estava errada? Cabe aqui uma reflexão.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qui Fev 24, 2011 9:21 am

A autoridade de cada coisa depende da confiança que cada coisa nos merece, quer sejam os escritos, quer as pessoas, quer as organizações.
Quando as coisas nos são impostas contra a nossa consciência deixa de haver autoridade mas autoritarismo. A sugestão é uma arma muito forte na publicidade e no hipnotismo quer seja usada individual quer colectivamente.
A luta pela hegemonia religiosa e quem tem o poder de a controlar é hoje muito renhida.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Fabricio em Qui Fev 24, 2011 1:38 pm

Ter opinião divergente é uma coisa, cada qual seguir a sua opinião é outra. O debate é sempre sadio, mas até mesmo numa democracia há uma instância superior para definir que rumo seguir (por exemplo, uma Suprema Corte), com base num conjunto de regras ou costumes previamente acordados (por exemplo, a Constituição), à despeito das opiniões de cada um. Caso contrário teríamos uma anarquia. Sempre houve opiniões divergentes dentro do Cristianismo, por isso são convocados os Concílios, para que se defina o caminho certo e se condene o erro. O que não pode é cada crer no que quer, pois dessa forma não haveria unidade. Mesmo Doutores da Igreja, como São Jerônimo, tiveram opiniões divergentes mas mantiveram a obediência porque também tiveram humildade para reconhecer a possibilidade de estarem errados e se submeteram a uma autoridade superior, à despeito de suas opiniões. Ninguém obrigado a seguir a Igreja, mas caso queira seguir será exortado a confiar em nossos guias, pois eles velam por nossas almas e delas prestarão conta.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Binhokraus em Qui Fev 24, 2011 2:01 pm

É triste constatar que o maior legado que Lutero nos deixou foi a terrível e ouso dizer diabólica livre interpretação da Bíblia.

Não se sujeitar a ninguém para interpretar a bíblia, e dar a sua interpretação status de verdadeira interpretação é mesmo muito diabólico no sentido literal da palavra, pois é justamente isso que causa tantas divisões.
Se alguma coisa está em desacordo com o que julga minha consciência, eu me separo e sigo minha consciência, pois sou orgulhoso demais para admitir que estou errado. E mais frequentemente, eu me separo, e fundo uma nova seita pseudocristã, segundo a minha interpretação das escrituras, e declaro que ela é a mais acertada, pois a minha consciência com ajuda do espírito santo me dizem isso. Ora, já discutimos várias vezes, só existe um único Espírito Santo, e por isso mesmo, só existe uma única verdade acerca das escrituras. Os que assim procedem são instrumentos do diabo na sua função de dividir, e com isso cada vez mais se afastam da sã doutrina da salvação, e ainda atribuem seu comportamento a sua percepção superior, e a graça do Espírito Santo, que lhe abriram os olhos. Cada vez mais fica difícil, pois com tantas doutrininhas que pregam as pessoas aquilo que elas querem ouvir e não a verdade, mais e mais são seduzidos para essas seitas pseudocristãs.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Fabricio em Sex Fev 25, 2011 7:20 am

Sobre as conseqüências do livre exame, fala o seu próprio fundador Martinho Lutero:

" Este não aceitara o batismo, aquele nega o sacramento, o outro põe um mundo de diferenças entre este o ultimo dia. Alguns ensinam que Cristo não é Deus, outros ensinam isto e aqueles outras coisas. Existem tantas seitas e credos como existem cabeças. Nenhum aldeão é tão rude como quando tem sonhos e fantasias que crêem haver sido inspirados pelo Espirito Santo e ser um profeta " (De Wette III, 61. Dito em O'Hare, Los Hechos de Lutero, 208)

" Homens , cidadão e campoeses todas as classes entendem o Evangelho melhor que eu ou São Paulo, agora são sábios e se pensam mais cultos que todos os ministros" (Walch XIV, 1360. Dicho en O’Hare, Los Hechos de Lutero, 209. )

"Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm" ( Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Fev 25, 2011 4:24 pm

Caros amigos,

Mensagem excluida do senhor Manuel. Paciencia tem limites e estamos cansados de ouvir sempre as mesmas "preciosidades".

Grande abraço a todos.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Sab Fev 26, 2011 8:45 pm

Caros amigos,

Desejo a todos a paz do Senor Jesus !

Depois de tão rica exposição a respeito do tema proposto, há muito pouco a ser acrescentado, e ao mesmo tempo, há muito sobre o que se refletir.

Binho foi muito feliz quando fez esta afirmação:

"Se alguma coisa está em desacordo com o que julga minha consciência, eu me separo e sigo minha consciência, pois sou orgulhoso demais para admitir que estou errado. E mais frequentemente, eu me separo, e fundo uma nova seita pseudocristã, segundo a minha interpretação das escrituras, e declaro que ela é a mais acertada, pois a minha consciência com ajuda do espírito santo me dizem isso."

Não há como se entender a proliferação de tantas seitas se não temos o nosso olhar voltado para essa concepção que Binho nos apresenta.

Não é por acaso que Jesus nos chama à unidade (Jo 17), como também não é acaso que as Sagradas Escrituras nos convidam a dizermos a mesma coisa. Isso é mais que suficiente para compreendermos que há uma única e verdadeira interpretação da Bíblia, interpretação esta, confiada à única Igreja instituída por Nosso Senhor.

Aqui quero me referir a um fato que me chama a atenção. Trata-se da maneira como os falseadores da religião e das Palavras das Sagradas Escrituras se apropriam vergonhosamente daquilo que não lhes pertence. Acho que quando alguem se sente impulsionado a fundar qualquer intituição, deve, inicialmente, estabelecer os seus fundamentos, seus regimentos e suas leis. Nete sentido, percebemos com a maior clareza que nos é evidente, que um dos maiores erros dos que promovem a desunidade é o apoderarem-se de forma indevida da Palavra de Deus, palavra esta, confiada unicamente à sua Igreja.

Se a idéia inicial de quem faz isso era a fundação de uma nova religião e se para tornar concreta essa mesma idéia era necessária a existência de um livro como a Bíblia, o Alcorão ou outro, creio que deveria escrever o seu próprio livro, ao contrário de, mais do que apropriar-se do que não lhe pertece, deturpá-lo de forma ingnominiosa como vemos tanto.

Creio que isso pode servir como reflexão para compreensão de tamanho absurdo.

Um grande abraço a todos.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Sab Mar 05, 2011 3:25 pm

os líderes religiosos do tempo de Cristo conheciam e liam as escrituras, sobretudo Isaías e não reconheceram em Cristo o Messias.
realmente o Espírito Santo é um só, mas as mente são muitas.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Dom Mar 13, 2011 7:12 am

A professora Erenice escreveu:

"O ESPÍRITO SANTO É UM SÓ, MAS AS MENTES SÃO MUITAS"

Não há dúvida alguma sobre estas duas verdades aqui levantadas pela professora. As mentes são muitas, e é exatamente por terem a tendência natural de agirem de formas diferentes que o Espírito Santo nos é dado, para que, em matéria de fé, possamos chegar ao conhecimento pleno da verdade.

Compreender a fé e viver de acordo com esta mesma fé, implica ao homem, necessariamente, abrir mão daquilo que determina sua mente para ser instruido pelo Espírito Santo de Deus.

Para ser instruido pelo Espírito Santo de Deus, não basta crer n'Ele, mas é preciso se submeter a Ele. Do contrário, corremos o risco de querermos submeter o Espírito Santo às nossas mentes, ao nosso livre arbítrio, à nossa vontade, protagonizando uma inversão de papéis.

O Espírito Santo de Deus é protagonista da UNIDADE em torno de tudo aquilo que Jesus nos ensinou.

Aqueles que querem justificar a falta de unidade em matéria de fé que se instalou a partir das interpretações particulares provenientes da reforma protestante se colocam na condição absurda de se auto-definirem como "criadores" do "Espírito Santo" à sua imagem e semelhança, o que se constitui numa barbaridade sem precedentes.

Que absurdo !!!
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Dom Mar 13, 2011 8:11 am

Aqueles que querem justificar a falta de unidade em matéria de fé que se instalou a partir das interpretações particulares provenientes da reforma protestante se colocam na condição absurda de se auto-definirem como "criadores" do "Espírito Santo" à sua imagem e semelhança, o que se constitui numa barbaridade sem precedentes

A falta de unidade em relação a fé se instalou ao surgir o pppapado trocando a guarda do sábado para o domingo, vendendo o perdão, e colocando imagens na igreja. ou seja,quando a igreja sofreu ataques heréticos.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Binhokraus em Dom Mar 13, 2011 9:54 am

Minha cara professora, seu compromisso é realmente com a verdade???? A senhora de fato lê o que agente escreve em tantos tópicos???? Desculpa perguntar, mas parece que não. Continua levianamente fazendo acusações infundadas. Em todas as igrejas ditas cristãs, não tem nenhuma que seja mais unida que a igreja de Nosso Senhor, ou seja, a Igreja Católica. Fora da Igreja Católica, as outras denominações cristãs só tem um ponto de concordancia, o ódio e repulsa ao catolicismo e tudo que provém deste. Fora isso, doutrinariamente, existe muita confusão, cada igreja protestante tem sua própria doutrina, e algumas nem tem doutrina alguma. As igrejas protestantes divergem de opinião entre elas em muitos pontos fundamentais da filosofia cristã. Se existe uma falta de unidade esta é claramente a presença das seitas protestantes. Começando por lutero, e se estendendo até os dias de hoje. Isto é inegável.

Acusar o papado de quebrar a unidade é ridículo, já que no século primeiro da era cristã, já encontramos documentos que nos falam dos papas. Será que logo após a morte de dos apóstolos a igreja já se perdeu, e só recentemente voltou ao caminho???.... bom já me estendi demais, mas fico muito triste, em ver pouca ou nenhuma vontade de diálogo da sua parte. A sensação que eu tenho quando respondo a senhora e a outros aqui no fórum, é que jogo pérola aos porcos, pq vc´s simplesmente ignoram TUDO que agente fala, e continuam repetindo sistematicamente as mesmas inverdades e falácias a respeito daquilo que NÃO CONHECEM!!!

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Dom Mar 13, 2011 10:26 am

eu
respondi o que o flavio disse. ele criticou . eu não posso responder? ele disse que as divergencias começaram com os protestantes, mas como eu conheço a história disse que não. começou com aascenção do papado e é claro que continua entre os protestantes e será assim até o fim. se todos aceitassem o que a bíblia diz sem conjecturas seria tão bom. por exemplo aceitassem que o sá bado é o dia de descanso como diz o mandamento, mas não mudam as escrituras e já viu... isso é tudo que o diabo quer.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por alessandro em Dom Mar 13, 2011 3:18 pm

a senhora diz que conhece a história, mas não cita fontes. Diz que foi o papado que mudou o dia de guarda, mas se ler o Novo Testamento com a mente aberta perceberá que já lá há indícios do domingo ser o dia de reunião dos cristãos.


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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Dom Mar 13, 2011 4:39 pm

Deus não dá indícios. ele escreveu sua lei com seu dedo. algo tão impotante ele não mudaria pra deixar indícios pelo contrário Cristo afirma em Mateus 5:17 que não veio abrogar a lei.indicios que os cristãos se reunião aos domingos não significam alteração do dia sagrado, se assim fosse estaria isso explicito na palavra. sem contar que no livro de Atos é citado reuniões de oração aos sábados. o próprio Paulo ao chegar o sábado procurou um lugar para oração:E dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade.

E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaramatos 16: 12 e 13
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por alessandro em Dom Mar 13, 2011 11:32 pm

Essa questão do sábado já foi exaustivamente discutida no seguinte tópico:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t776-o-sabado-no-novo-testamento?highlight=s%E1bado

Penso que retomá-la aqui foi um erro. Peço que, caso queira, continue a discussão no tópico apropriado.

Desvirtuações dos temas dos tópicos tem sido um dos problemas mais graves do nosso fórum.

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Seg Mar 14, 2011 7:09 am

não fui eu que retomou a discussão rs
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Mar 15, 2011 12:32 pm

O grande mal é haver crenças a mais e interpretar a Bíblia, nas entrelinhas, segundo essas crenças.
As divisões das pessoas não são a causa, mas o efeito.

(1ª Reis 11)
(Romanos 1.24-25)
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Manuel Portugal Pires

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Mar 23, 2011 9:29 am

Caros amigos,

Voltando ao tema da interpretaçao da Bíblia segundo a Tradiçao, coloco aqui um texto da Verbum Domini, do Bento XVI.


Tradição e Escritura

17. Reafirmando o vínculo profundo entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus, lançamos também as bases para compreender o sentido e o valor decisivo da Tradição viva e das Sagradas Escrituras na Igreja. De facto, uma vez que Deus «amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3, 16), a Palavra divina, pronunciada no tempo, deu-Se e «entregou-Se» à Igreja definitivamente para que o anúncio da salvação possa ser efi cazmente comunicado em todos os tempos e lugares. Como nos recorda a Constituição dogmática Dei Verbum, o próprio Jesus Cristo «mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente, comunicando-lhes assim os dons divinos.

Isto foi realizado com fidelidade tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação».56

Além disso o Concílio Vaticano II recorda que esta Tradição de origem apostólica é realidade viva e dinâmica: ela « progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo »; não no sentido de mudar na sua verdade, que é perene, mas « progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas », com a contemplação e o estudo, com a inteligência dada por uma experiência espiritual mais profunda, e por meio da « pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade ».57

A Tradição viva é essencial para que a Igreja, no tempo, possa crescer na compreensão da verdade revelada nas Escrituras; de facto, «mediante a mesma Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente e torna-se incessantemente operante».58 Em última análise, é a Tradição viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus.

Embora o Verbo de Deus preceda e exceda a Sagrada Escritura, todavia, enquanto inspirada por Deus, esta contém a Palavra divina (cf. 2 Tm 3, 16) «de modo totalmente singular».59

18. Disto conclui-se como é importante que o Povo de Deus seja educado e formado claramente para se abeirar das Sagradas Escrituras na sua relação com a Tradição viva da Igreja, reconhecendo nelas a própria Palavra de Deus. É muito importante, do ponto de vista da vida espiritual, fazer crescer esta atitude nos fiéis. A este respeito pode ajudar a recordação de uma analogia desenvolvida pelos Padres da Igreja entre o Verbo de Deus que Se faz «carne» e a Palavra que se faz «livro».60 A Constituição dogmática Dei Verbum, ao recolher esta tradição antiga segundo a qual «o corpo do Filho é a Escritura que nos foi transmitida» – como afi rma Santo Ambrósio61 –, declara: «As palavras de Deus, com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se intimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai Se assemelhou aos homens tomando a carne da fraqueza humana».62 Vista assim, a Sagrada Escritura, apesar da multiplicidade das suas formas e conteúdos, aparece-nos como uma realidade unitária.

De facto, «através de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus não diz mais que uma só palavra, o seu Verbo único, em quem totalmente Se diz (cf. Hb 1, 1-3)»,63 como claramente afirmava já Santo Agostinho: «Lembrai-vos de que o discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só, e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados».64

Em última análise, através da obra do Espírito Santo e sob a guia do Magistério, a Igreja transmite a todas as gerações aquilo que foi revelado em Cristo. A Igreja vive na certeza de que o seu Senhor, tendo falado outrora, não cessa de comunicar hoje a sua Palavra na Tradição viva da Igreja e na Sagrada Escritura. De facto, a Palavra de Deus dá-se a nós na Sagrada Escritura, enquanto testemunho inspirado da revelação, que, juntamente com a Tradição viva da Igreja, constitui a regra suprema da fé.65


Grande abraço a todos.
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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Mar 23, 2011 12:43 pm

Contudo, todas as tradições são de homens e estão sujeitas ao erro.
YHWH respeita as tradições dos homens e deixa-as ir até certo ponto. Nessa altura ELE intervém e divide as pessoas como fez
1) em Babel, (Genesis 11,9)
2) Com os Israelitas (1ª Reis 11,4-12)
3) e também com a cristandade romana.

Isto leva as pessoas à reflexão evitando que se afundem na sua soberba.
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Manuel Portugal Pires

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Re: Interpretação da Bíblia

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Mar 24, 2011 12:23 pm

Caro Manuel,

É exatamente a soberba a que leva à divisao, à incompreensao, à intolerância, ao chamado atualmente "cristiano-fobia" e à "catolico-fobia". Lembramos que o nome "diabo" significa o que causa divisao.

A vontade de Cristo è a unidade para todos e a Igreja de Cristo continua trabalhando por essa incansavelmente. De forma que os católicos sao mais de 1 bilhao de 200 milhoes de pessoas atualmente e em 10 anos o seu número cresceu em 17 milhoes de pessoas, o equivalente à populaçao de Grecia e Malta juntos.

9. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
10. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado.

11. Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós. Jo, 9-11

A Tradiçao é uma realidade que está amplamente documentada na Biblia, que, tambem chama a Igreja de "coluna e sustento da verdade". Ou seja, a Biblia diz que é a Tradiçao que pode intepretar a Bíblia e o "sola Scriptura" nao se encontra em nenhum lugar das mesmas Sagradas Escrituras.

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t406-sagrada-tradicao?highlight=Tradi%E7ao

am escritos entre os anos 50 e 90, quer dizer, mais ou menos de 20 a 30 anos depois de Cristo. E o que faziam os Apóstolos antes de escrever os ensinamentos do Senhor? Pregavam seus ensinamentos! Lembramos que o Senhor nao escreveu nada e nao ordenou (ao menos nao lemos isso explicitamente nos Evangelhos) aos seus discípulos escreverem nada. No entanto, Ele interpretou as Escrituras e as explicou aos seus Apóstolos. A esse conjunto de interpretaçao dos textos antigos feito por Cristo, transmitidos aos Apóstolos e posteriormente à Igreja, nós chamamos de Tradiçao. Tradiçao vem do verbo "tradere", entregar. Significa tudo o que Cristo entregou aos Apóstolos como ensinamento. É claro que essa Tradiçao é anterior cronologicamente às Escrituras. As Escrituras surgiram quando os Apóstolos perceberam que iam deixar essa vida, e sentiram a necessidade de colocar por escrito a pregaçao do Senhor (junto com a sua interpretaçao das Escrituras). Portanto, a Escritura nasce da Tradiçao, do que Cristo entregou aos Apóstolos.

Essa Tradiçao de Cristo nao é, como é obvio, a Tradiçao dos fariseus e saduceus, que o Senhor tantas vezes condena nos Evangelhos. Nós católicos defendemos a Tradiçao que provêm de Cristo e nao a que provêm dos partidos judaicos da época de Cristo. Isso para nós é evidente, mas alguns se confundem nisso.

Sobre a Tradiçao podemos citar a explicaçao dada pelo Concílio Vaticano II:

E assim, a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão contínua, até à consumação dos tempos. Por isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, advertem os fiéis a que observem as tradições que tinham aprendido quer por palavras quer por escrito (cfr. 2 Tess. 2,15), e a que lutem pela fé recebida dama vez para sempre (cfr. Jud. 3)(4). Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos, abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita.

Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração (cfr. Lc. 2, 19. 51), quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende contìnuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus.

Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante. Mediante a mesma Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente e torna-se incessantemente operante; e assim, Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo - por quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja e, pela Igreja, no mundo - introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza (cfr. Col. 3,16).

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