Ordinariato para ex membros da Igreja Anglicana.

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Ordinariato para ex membros da Igreja Anglicana.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Mar 03, 2011 5:22 pm

Fabrício: Não sei se esse tópico seria o espaço mais apropriado, mas gostaria de tirar uma dúvida com os amigos. Como ficará a situação dos anglicanos recém-convertidos? Eles formarão uma Igreja sui juris com adimissão de padres casados? Alguém sabe algo a respeito?

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SACERDOTES CASADOS: EXCEÇÃO QUE DEVE SER ENTENDIDA COMO TAL

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Mar 03, 2011 5:29 pm

Caro Fabricio,

Sobre a questao do celibato, coloco aqui um texto de um professor da Universidade onde estudo, em Roma.

SACERDOTES CASADOS: EXCEÇÃO QUE DEVE SER ENTENDIDA COMO TAL

Entrevista com o Pe. Laurent Touze, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz

Por Carmen Elena Villa
ROMA, terça-feira, 9 de março de 2010 (ZENIT.org).- Um momento para a reflexão e o aprofundamento no tema do celibato sacerdotal foi realizado na Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma), nos dias 4 e 5 de março.

O evento acadêmico, do qual participaram centenas de sacerdotes de Roma e de diversas dioceses do mundo, assim como dezenas de leigos e religiosos, contou, entre outros, com a presença do prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Claudio Humes O.F.M, e do prefeito da Congregação para a causa dos Santos, Dom Angelo Amato.

Diferentes sacerdotes, leigos e acadêmicos falaram sobre a natureza do celibato, sua origem e sentido, assim como sobre as exceções que a Igreja permitiu, especialmente em alguns ritos orientais e nos sacerdotes ex-anglicanos que contraíram matrimônio e que desejam entrar em plena comunhão com a fé católica.

O Pe. Pablo Gafael, em sua conferência, “O celibato sacerdotal nas igrejas orientais”, reconheceu que, no tema das exceções que a Igreja permite, é preciso entrar “na ponta dos pés”, enquanto o Pe. Stefan Heid mostrou, em sua conferência, como a Igreja, ao longo da história, foi discernindo e assimilando a importância de que os sacerdotes vivam a continência perfeita pelo Reino de Deus.

Para esclarecer este tema, Zenit entrevistou o Pe. Laurent Touze, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz de Roma, que participou desde congresso com a conferência “O celibato está vinculado ao sacramento da Ordem? Para uma teologia espiritual do celibato”.

-O celibato é um dogma de fé ou uma disciplina?

Laurent Touze: Nem um nem outro. Não é um dogma de fé, porque atualmente se vê na Igreja que existem sacerdotes casados, como, por exemplo, alguns da Igreja Católica oriental. Nem todos, mas alguns admitem sacerdotes casados ou, como se recordou recentemente no motu proprio do Santo Padre, Anglicanorum coetibus, publicado em 4 de novembro de 2009: entre os ex-anglicanos que querem voltar à comunhão com a Igreja Católica, serão admitidos sacerdotes casados.

-Com esta medida, você acha que o celibato poderia um dia chegar a ser voluntário também para os sacerdotes do rito latino?

Laurent Touze: Não, porque a Igreja está entendendo cada vez mais a relação entre o sacerdócio, o episcopado e o celibato. É algo que poderia se assemelhar à revelação de um dogma, ainda que não o seja neste momento e se tende sempre mais a entender que se deve promover entre todos os sacerdotes, e também entre os sacerdotes católicos orientais, uma prática que seja verdadeiramente similar à que se vivia nos primeiros séculos.

-Mas, se nos primeiros séculos havia tantos sacerdotes casados, entre eles os apóstolos...

Laurent Touze: Estudos demonstraram de forma convincente que este fato deve ser interrogado: não se vivia a continência de todos os clérigos, mas desde o momento da inclusão da ordem sacerdotal, estes homens deveriam viver a continência com a permissão da própria esposa, porque isso era um compromisso do casal.

-Então por que são feitas exceções?

Laurent Touze: Historicamente, porque houve uma manipulação de textos e penso que uma má tradução que a Igreja oriental, que se separou de Roma e reconheceu que havia declarado contrariamente à tradição, poderia ser aceita. Neste sentido, há verdadeiramente algumas exceções. A Igreja descobriu que tinha a possibilidade de admitir exceções, mas que deveriam ser entendidas dessa forma. Respeitavelmente, como sublinhou o Concílio Vaticano II, nas igrejas católicas orientais há sacerdotes casados santíssimos que contribuíram muito para a história da Igreja e da fé em épocas de perseguição, mas são verdadeiramente exceções.

-Mas, com os bispos, não são feitas estas exceções. O celibato episcopal tem algum significado especial?

Laurent Touze: É muito diferente, tanto teológica como historicamente. Mais ainda, o Concílio Vaticano II, com a constituição Lumen Gentium, definiu que o episcopado é a plenitude do sacramento da ordem. É necessário descobrir a especificidade do episcopado e, por conseguinte, o celibato episcopal. E pode ser demonstrado com o fato de que, no celibato ou continência do bispo, jamais foi feita uma exceção.
Isso é algo estudado pela Igreja, sobre o qual o pontificado romano teve de refletir mais recentemente na história contemporânea depois da Revolução Francesa, porque alguns bispos, ou melhor, ex-bispos, pediam para se casar.

Isso foi estudado e se disse que era impossível, que isso não deveria ser feito nunca, que estava em jogo o assunto dogmático ou, ainda mais recentemente, com a ordenação de homens casados e bispos esposados que se efetuaram na ex-Tchecoslováquia por imposição ou com a pressão do partido comunista ao poder. Também aí, a Igreja havia afirmado que o bispo sempre deve ser celibatário.

Continuaremos com a exposiçao do tema. Grande abraço.

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O caso dos seminaristas já casados será analisado individualmente

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Mar 03, 2011 5:32 pm

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O caso dos seminaristas já casados será analisado individualmente

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé publicou uma declaração para explicar que não existe desacordos entre Bento XVI e expoentes vaticanos sobre a questão do celibato e dos pastores ou seminaristas anglicanos que pretendem regressar à comunhão plena com a Igreja Católica.

A declaração, do Pe. Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Informação da Santa Sé, desmente, citando o cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que o atraso na publicação da constituição apostólica do Papa sobre os ordinariados pessoais para anglicanos se deva a diferenças de posição na Santa Sé.

A nota revela que a “Constituição” e as “Normas” que se seguirão para a acolhida destas comunidades anglicanas serão concluídas no final da primeira semana de novembro.

“O atraso é meramente técnico, pois se trata de assegurar a coerência da linguagem canônica e das referências”, afirma nesta declaração o cardeal Levada.

Um artigo de imprensa e as conseguintes interpretações em foros de discussão e blogs na internet haviam afirmado em 29 de outubro que o documento do Papa não havia sido publicado ainda ante a divergência de posições sobre a possibilidade de que seminaristas de tradição anglicana casados possam ser ordenados sacerdotes.

A nota vaticana esclarece esta questão com estas palavras: “pelo que se refere aos futuros seminaristas, considerou-se como mera especulação o fato de que haja casos em que se poderia pedir uma dispensa da regra do celibato. Por esta razão, serão desenvolvidos critérios objetivos sobre estas possibilidades (por exemplo, seminaristas casados que já estão em formação) entre o ordinariado pessoal e a conferência episcopal, apresentados para a aprovação da Santa Sé”.

Pelo que se refere aos pastores anglicanos que decidem entrar em comunhão plena com a Igreja Católica, a declaração confirma o que já havia anunciado em uma coletiva de imprensa o cardeal Levada (Cf. ZENIT, 20 de outubro de 2009 ): “antigos ministros anglicanos casados podem ser admitidos ao ministério sacerdotal na Igreja Católica, segundo o critério de caso por caso”.

Portanto, estes pastores, bispos ou sacerdotes anglicanos, ao regressar à Igreja, poderão ser ordenados sacerdotes e seguir mantendo sua vida matrimonial com sua esposa.

CONSTITUIÇÃO SOBRE ANGLICANOS NÃO ALTERA CELIBATO NA IGREJA LATINA

Santa Sé não só ratifica a disciplina, mas também seu amor

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira 9 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A constituição apostólica de Bento XVI “Anglicanorum coetibus”, para acolher grupos anglicanos no seio da Igreja Católica, que permite a ordenação de sacerdotes casados, não altera nem a disciplina nem o amor da Igreja Católica latina pelo celibato, esclareceu a Santa Sé.

Uma nota de imprensa, que acompanhou nesta segunda-feira a publicação do documento, precisa que “a possibilidade prevista na constituição apostólica da presença de alguns clérigos casados nos ordinariados pessoais não significa de nenhuma maneira uma mudança na disciplina da Igreja acerca do celibato sacerdotal”.

“Este, como afirma o Concílio Vaticano II, é sinal e ao mesmo tempo estímulo da caridade pastoral e anuncia de forma resplandecente o Reino de Deus (Cf. Catecismo da Igreja Católica, número 1579)", conclui.

Segundo a constituição, “aqueles que exerceram o ministério de diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos, que respondem aos requisitos estabelecidos pelo direito canônico e não estão impedidos por irregularidades ou outros impedimentos, podem ser aceitos pelo ordinário como candidatos para as sagradas ordens na Igreja Católica”.

Na realidade, a admissão às funções sacerdotais de homens casados que exerceram ministérios em Igrejas ou comunidades cristãs ainda separadas da comunhão católica e que buscam a comunhão plena com a Igreja católica não é uma novidade.

Esta prática já tinha sido exposta pela encíclica de Paulo VI "Sacerdotalis coelibatus" (n. 42) e pela declaração da Congregação para a Doutrina da Fé de 1 de abril de 1981 sobre a admissão à plena comunhão com a Igreja Católica de alguns membros do clero e do laicato pertencentes à Igreja Episcopalina. (Anglicana)

A constituição apostólica esclarece também um debate que tinha surgido em dias passados sobre a possibilidade de que nos ordinariados pessoais de tradição anglicana possam se ordenar seminaristas casados.

O documento estabelece que “o ordinário, em plena observância da disciplina do celibato clerical na Igreja latina, pro regula admitirá somente homens celibatários à ordem do presbiterado. Poderá pedir ao Pontífice Romano, como uma derrogação do cânon 277, § 1, admitir, caso por caso, à Ordem Sagrada do presbiterado também homens casados, segundo os critérios objetivos aprovados pela Santa Sé”.

Grande abraço.

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Re: Ordinariato para ex membros da Igreja Anglicana.

Mensagem por Fabricio em Qui Mar 10, 2011 1:10 pm

Padre Anderson,
Em primeiro lugar peço-lhe a benção!
Achei interessante as exposições do Pe Laurent Touze, principalmente em dois pontos: o primeiro quando ele fala que o celibato não é meramente uma disciplina, eu sempre havia entendido dessa forma, mas quando ele situa o celibato como uma revelação de dogma parece bastante interessante; o segundo ponto refere-se a condição celibatária dos "padres casados" da Igreja dos primeiros séculos. Achei uma reflexão bastante interessante. Muito obrigado pela sua resposta. Agradeço-lhe imensamente.
Que o Senhor continue lhe iluminando em sua vida sacerdotal.
Grato,
Fabrício

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Re: Ordinariato para ex membros da Igreja Anglicana.

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Mar 17, 2011 4:26 pm

Caro Fabricio,

Obrigado por suas palavras. Esse tema foi mais desenvolvido nesse tópico:
http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t188p60-celibato-sacerdotal?highlight=celibato#6694

Depois, o estudo mais completo, histórico, jurídico e teológico sobre o celebato foi feito pelo cardeal Stickler, alguns anos atrás. Eu fiz a traduçao desse texto e o colocamos em outra página. Se voce tiver interesse, confira. O professor Touze está totalmente de acordo com esse artigo. Se voce quiser, posso te enviar mais uns artigos sobre esse tema, em italiano. Um abraço.

http://www.presbiteros.com.br/site/celibato-eclesiastico-historia-fundamentos-teologicos/

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Re: Ordinariato para ex membros da Igreja Anglicana.

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