Suicidio.

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Suicidio.

Mensagem por Ambrosio em Qui Mar 31, 2011 8:17 pm

"Aquele que pecar contra o irmão será perdoado. Aquele que pecar contra o pai será perdoado. Mas aquele que pecar contra o Espírito Santo não será perdoado."

1º Todo suicidio é um pecado contra o Espírito Santo?
2º Deixar ser morto, sem motivo, é um suicidio?
3º Deixar ser morto, defendendo a ideologia de Deus, é um suicidio?

Ambrosio

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Re: Suicidio.

Mensagem por Binhokraus em Sex Abr 01, 2011 12:22 am

Salve Ambrosio! Seja muito bem vindo ao nosso Fórum.

Quanto as suas questões, bom, por ser novo, vc não deve conhecer ainda como funciona o fórum. Qualquer um que seja membro pode responder a qualquer questão, mas, temos alguns membros que são moderadores, e estes nós chamamos de tira dúvidas oficiais. Lembrando sempre que a minha resposta pode ser sempre corrigida ou complementada por um tira dúvidas oficial. Bom vamos lá.

"1º Todo suicidio é um pecado contra o Espírito Santo?"

Vamos ver o que nos diz o catecismo sobre o que é o pecado contra o Espírito Santo.

"§1864 "Todo pecado, toda blasfêmia será perdoada aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada" (Mt 12,31). Pelo contrário, quem a profere é culpado de um pecado eterno. A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna"

Então vemos que o pecado contra o Espírito Santo é um pecado contra a misericórdia de Deus. Ora, se alguém pretende cometer ou comete suicídio, este o faz justamente por não ter mais confiança na misericórdia de Deus, e por isso, o suicídio pode ser considerado um pecado contra o Espírito Santo e isso pode levar tal pessoa a condenação, justamente por rejeitar a misericórdia de Deus. Porém, este julgamento não cabe a ninguem, mas somente a Deus. Pois como vimos no catecismo, Deus tem seus caminhos e pode possibilitar que mesmo alguém que tenha cometido suicídio se salve. Mas veja bem, se uma pessoa atenta contra a própria vida, infelizmente é muito provável que ela rejeite a misericórdia de Deus até na hora de sua morte.


"2º Deixar ser morto, sem motivo, é um suicidio?"

Bom, mais uma vez vamos recorrer ao catecismo para nos ajudar.

§2258 "A vida humana é sagrada porque desde sua origem ela encerra a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é o dono da vida, do começo ao fim; ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente."

§2268 O HOMICÍDIO VOLUNTÁRIO - O quinto mandamento proscreve como gravemente pecaminoso o homicídio direto e voluntário. O assassino e os que cooperam voluntariamente com o assassinato cometem um pecado que clama ao céu por vingança.

§2280 O SUICÍDIO Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que "lha deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra dele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela.

§2281 O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente ao amor do próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo.

§2282 Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, principalmente para os jovens, o suicídio adquire ainda a gravidade de um escândalo. A cooperação voluntária ao suicídio é contrária à lei moral.

Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida.

§2283 Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida.

Deixar ser morto sem motivo, ou seja, não fazer nada para evitar a própria morte é uma forma de atentar contra a própria vida. E todo atentado contra a vida, seja sua mesma ou de outra pessoa, é considerado falta grave, e pode sim ser considerado como uma forma de suicídio. Isso retorna a questão anterior.

Quanto a sua última questão, eu não tenho conhecimentos de filosofia ou sociologia suficientes para lhe dar uma resposta que seja satisfatória. Por isso prefiro me abster de falar, ao tentar falar e acabar dizendo besteiras. Só gostaria de lhe indicar que Deus não é uma ideologia. Se alguém vive a religião ou toma a Deus como mera ideologia somente, esse não vive uma fé verdadeira. É preciso diferenciar idéia, ideal e ideologia. Espero que tenha lhe ajudado de alguma forma. Estou sempre a disposição para ajudar sempre que for preciso!

Fica com Deus. Paz e unção!

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Re: Suicidio.

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Abr 01, 2011 4:32 pm

Caros amigos,

Caro Ambrosio, seja muito bem vindo ao nosso forum. Muito obrigado por sua participaçao conosco, com essas excelentes questoes.

Creio que o Binho já respondeu tudo. Obrigado mesmo Binho. Quanto à terceira questao, gostaria de dizer que a fé crista nao é uma Ideologia. Uma Ideologia é uma versao parcial, unilateral da realidade tomada como verdade absoluta. Ou, como dizia Chesterton: "Ideologia é uma idéia verdadeira transformada em loucura". A fé crista nao é isso, definitivamente.

A fé crista é um encontro com Cristo, uma vida com Ele. Como o Binho bem afirmou, devemos a obrigaçao moral de nos defender das agressoes injustas. A "legítima defesa" é uma obrigaçao para todo cristao, pois devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. Ou seja, temos que amar a nós mesmos.

Outra coisa é o martírio, quando alguem é levado a morte, de forma involuntária e injusta por defender sua fé em Cristo. Certamente a fé é o maior dom que temos, maior mesmo da nossa vida e por isso nao podemos trair esse dom maravilhoso que Deus nos deu.

Evidentemente o "martírio" é algo que supera nossa natureza, ou seja, só é possível vive-lo quando Deus dá a graça para vive-lo.

Acho que é isso. Grande abraço a todos.
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Re: Suicidio.

Mensagem por Binhokraus em Seg Abr 04, 2011 1:50 pm

Só queria acrescentar que no caso dos mártires, eles não se deixaram ser mortos. Não cometeram suicídio para defender uma ideologia de Deus. Enquanto puderam, eles sempre procuravam se esconder, e fugir das ocasiões de prisão pois bem sabiam que se pegos, seriam condenados a morte. Depois de presos, faziam o possível para se defender das acusações, mesmo sabendo que na maioria das vezes, a decisão já estava tomada antes mesmo de haver um julgamento. Isso, quando havia um julgamento. Eles faziam sempre todo o esforço possível para preservar suas vidas, mas nunca negariam a fé em Jesus Cristo. Então, entregavam sua vida com alegria não por que não a queriam mais, ou por vontade de morrer, mas, como o Pe. Anderson bem disse, por meio de uma graça especial concedida por Deus, eles entregavam a vida pela obra da salvação, pela fé, tinham uma forte razão para faze-lo, razão que vai além de mera ideologia.
A coragem de dar a vida por algo só acontece quando conhecemos profundamente este algo e sabemos que seu valor é inestimável. Ora, a realidade de Cristo não é simplesmente algo, ou alguma coisa, é uma realidade de um encontro com uma pessoa, um encontro profundo com uma pessoa que transformou de tal modo a vida destes mártires que, mesmo sob o risco de perderem suas vidas, estes não tinham mais como negar que esta pessoa que eles encontraram trazia para eles todo o sentido, toda a razão, saciava toda a sede que tinham, dava eles uma esperança que extrapola e muito a efêmera existência terrena. Como não anunciar uma realidade dessas???
Então, morrer por uma pessoa assim parece ser bastante razoável.

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Re: Suicidio.

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Abr 11, 2011 6:34 am

Caríssimos irmãos,

Essa questão é muito interessante, mas é também complicada ao extremo. Tudo o que foi postado por Binho e pelo Pe. Anderson foi explanado com muita propriedade à luz do nosso catecismo e, portanto, fundamentado nas Sagradas Escrituras.

Porém, há algo que me torna irrequieto quando começo a refletir sobre a fragilidade humana de alguém que se caracteriza como um "pré-suicida", ou alguem que está pensando na prática do suicídio, e que aqui descrevo, no sentido de contribuir com o tema proposto neste tópico.

Acredito que qualquer ato humano, para ser caracterizado como pecado, implica necessariamente o uso da razão e o consentimento de tal atitude em estado de sã consciência, o que não me parece observável em vários casos de suicidas. Creio que grande parte daqueles que cometeram o suicídio assim o fez por estar total ou parcialmente desprovido do uso da razão.

Quando era aínda criança, numa homilia, ouvi um exemplo da vida de São João Maria Vianey (Santo Cura d'Ars) em relação a esta questão. Tratava-se, dentre outros detalhes, do suicídio do esposo de uma paroquiana que se jogara de uma ponte por sobre o rio. A palavra do sacerdote, no sentido de confortar aquela paroquiana foi a seguinte: "ENTRE A PONTE E O RIO EXISTE UM ESPAÇO, E ESSE ESPAÇO É DESTINADO À MISERICÓRDIA DE DEUS".

Fiz questão de citar este exemplo porque nunca consegui me esquecer dele, mesmo tendo tomado conhecimento dele quando ainda era criança muito pequena, em um tempo que sequer sabia que seria um evangelizador, mas por outro lado, devido ao ministério que abracei pela causa do Evangelho, onde sempre me encontro com situações de pessoas que vivem pensando no suicídio, ou diante de familiares de pessoas que se suicidaram, sempre me recordo desse exemplo e dele faço uso, no sentido de mostrar que a misericórdia de Deus é sem limites.

Um grande abraço a todos !!!
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