Páscoa 2011

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Páscoa 2011

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Abr 05, 2011 1:25 pm

Consultem aqui o calendário judaico deste ano, em sincronia com o calendário gregoriano.


O dia 1 de Nisan (4a5 de Abril) foi quando começou a lua NOVA, que é quando a mesma se tornou visível. É depois da conjunção (sol-lua-terra):Abril 03 14:32.
O dia 14 de Nisan (17-18 de Abril) é lua cheia (Segunda-feira, dia 18 de abril de 2011 às 04:44:00 horas)
O dia 14 de Nisan (também chamado de preparação da Páscoa) é o dia de Páscoa segundo o A.T. (Esdras 6,19; Exodo 12;
Segundo o calendário judaico o dia terminava ao pôr do sol e começava novo dia.
Portanto foi neste dia 14 de Nisan depois do pôr do sol do dia 13 de Nisan que Cristo comeu a sua última ceia com os seus discípulos (João 19,14.31.42).
e disse: Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós (Lucas 22,19)
No calendário judaico essa comemoração anual vai cair na noite de 17 de Abril deste ano de 2011 (depois do pôr do sol e ainda é domingo).
Contudo as leis do clero da Igreja Católica Apostólica Romana vão celebrá-la na 5ª feira seguinte, (21 de Abril) porque está indexada ao domingo seguinte à Páscoa (24 de Abril).
Cristo foi morto no dia 14 de Nisan de dia, no mesmo dia em que segundo o calendário judaico celebrou a sua última ceia com os seus discípulos.
Mas no nosso calendário o 14 de Nisan deste ano é já na 2ª feira dia 18 de Abril de 2011.
Assim, no nosso calendário são dias diferentes (o da ceia e o da morte) porque o dia da morte começa à meia-noite, ao passo que no calendário judaico já tinha começado ao pôr do sol e foi tudo no mesmo dia: 14 de Nisan (ou ABIB).
Quando Cristo suspirou, (14 de Nisan) os judeius estavam a matar o cordeiro pascal e comeram-no após o pôr do sol do dia 14, já no dia 15 de Nisan, 1º dia o dos pães não fermentados (ásimos). Neste ano será ainda 18 de Abril de 2011 (Segunda) no nosso calendário, mas esse sábado (Levitico 23,11) vai até ao pôr do sol do dia 19 de Abril (Terça).
O 1º dia dos pães não fermentados era um dia de descanso (sábado) mesmo que não caísse no 7º dia da semana.
Neste ano de 2011 (5771 judaico) esse sábado (15 de Nisan) cai numa 3ª feira (18 para 19 de Abril).

Não se sabe o ano exacto da morte do Senhor, mas é colocada entre os anos 30 a 35 do calendário gregoriano.
Quanto ao dia da Ressurreição há polémicas entre se devemos contar 3 dias e 3 noites após ter sido sepultado. (Mateus 12,40) e se foi no 3º dia (3 dias incompletos, isto é apenas um dia completo, alguns segundos do 1º dia e alguns segundos ou horas do 3º dia ).
A Igreja católica optou pela segunda hipótese.
Também não se sabe a hora exacta da ressurreição do Senhor. Pode ser posta entre o pôr do sol do 7º dia da semana do ano em que foi morto e antes da alvorada (nascer do sol) do 1º dia da semana, agora chamado de domingo, a seguir à sua morte. Foi pela alvorada do 1º dia da semana desse ano que apareceu a Maria Madalena pela primeira vez, já ressuscitado.

Para os judeus tanto se chama de Páscoa o dia da morte do cordeiro, como o dia em que ele é comido.
O próprio cordeiro pascal é a Páscoa.
Da mesma forma Yeshua é a NOSSA Páscoa como está escrito em
(1ª de Corintios 5,7)

Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.

Quanto ao pão ásimo que foi acompanhado pelo vinho na última ceia era já costume dos Judeus usarem esse pão a partir do dia 14 de Nisan.
Também quanto ao significado do pão há uma relação com o A.T. pois Israel tinha que colocar todos os sábados 12 pães no Templo como memorial eterno.

(Levitico 24,5-9)

Os 12 pães são tantos como as 12 tribos de Israel.
O pão que Yeshua ofereceu aos seus discípulos é o seu CORPO.
avatar
Manuel Portugal Pires

Mensagens : 781
Data de inscrição : 06/05/2010
Idade : 73
Localização : Europa: Portugal - Porto - Valongo - Ermesinde

Ver perfil do usuário http://sites.google.com/site/rrfn001/temas/sa

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Abr 05, 2011 2:34 pm

Uma curiosidade!
Nenhum dos escritos do N.T. faz alusão ao sacrifício de qualquer cordeiro nem que tenha sido servido durante a última ceia do Senhor!

Na verdade o cordeiro que iria ser sacrificado nesse dia 14 de Nisan era o próprio Cristo que deu o seu último suspiro quando os Judeus estavam a sacrificar o seu cordeiro pascal como já era hábito desde o tempo de Moisés.

O evangelho segundo João fala do dia da PREPARAÇÃO da Páscoa como sendo o dia em que está a ser morto o Cristo Yeshua. (Consulte João 19,14.31.42)

Os outros relatos do Evangelho dizem que foi no dia da preparação (véspera do sábado, ou melhor dia antes do sábado).

Todos os relatos se completam e estão de acordo quanto ao dia.

Porquê?

O dia da Preparação da Páscoa era no dia 14 de NISAN. O dia 15 de Nisan era um Sábado (independentemente do ida em que caísse).
O dia da preparação era o dia antes do sábado, seja esse sábado o 7º dia da semana ou um dia festivo obrigatório como era sempre o dia 15 de NISAN.

Na verdade Cristo não comeu a Páscoa nesse seu último ano, mas comeu uma refeição de despedida nesse dia de Preparação (da Páscoa). Não comeu qualquer carne de cordeiro sacrificado. Porquê?! É que o cordeiro só seria sacrificado de dia (isto é no fim da tarde) do dia 14 de NISAN. ELE FOI o cordeiro PASCAL desse ano sacrificado uma só vez para sempre. (Hebreus 9,26)

23Era, pois, necessário que as figuras das realidades celestes fossem purificadas por tais meios, mas as realidades do céu deviam sê-lo por sacrifícios maiores do que esses. 24*Na realidade, Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, figura do verdadeiro santuário, mas entrou no próprio céu, para se apresentar agora diante de Deus em nosso favor. 25E nem entrou para se oferecer a si mesmo muitas vezes, tal como o Sumo Sacerdote, que entra cada ano no santuário com sangue alheio; 26*nesse caso, deveria ter sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo.
Agora, porém, na plenitude dos tempos, apareceu uma só vez para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27E, assim como está determinado que os homens morram uma só vez e depois tenha lugar o julgamento, 28*assim também Cristo, que se ofereceu uma só vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá uma segunda vez, não já por causa do pecado, mas para dar a salvação àqueles que o esperam.
(Hebreus 9, 23-28)
avatar
Manuel Portugal Pires

Mensagens : 781
Data de inscrição : 06/05/2010
Idade : 73
Localização : Europa: Portugal - Porto - Valongo - Ermesinde

Ver perfil do usuário http://sites.google.com/site/rrfn001/temas/sa

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Pe. Anderson em Ter Abr 05, 2011 4:41 pm

Caros amigos,

Agora façam a comparaçao com o seguinte texto:

1. A data da Última Ceia

O problema da datação da Última Ceia de Jesus assenta no contraste, a este respeito, entre os Evangelhos sinópticos, de um lado, e o Evangelho de João, do outro. Marcos, que Mateus e Lucas seguem no essencial, oferece a este propósito uma datação precisa. «No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-Lhe: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” [...] Chegada a noite, Jesus foi com os Doze» (Mc 14, 12.17). A tarde do primeiro dia dos Ázimos, quando no templo se imolavam os cordeiros pascais, é a vigília da Páscoa. Segundo a cronologia dos sinópticos trata-se de uma quinta-feira.

Depois do ocaso, começava a Páscoa, e foi então consumida a ceia pascal por Jesus com os seus discípulos, bem como por todos os peregrinos idos a Jerusalém. Na noite de quinta para sexta-feira – sempre segundo a cronologia sinóptica –, Jesus foi preso e apresentado ao tribunal, na manhã de sexta-feira foi condenado à morte por Pila- tos e sucessivamente, «pela hora tércia» (cerca das nove da manhã), foi crucificado. A morte de Jesus deu-se à hora nona (cerca das três horas da tarde). «Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, José de Arimateia [...] foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus» (Mc 15, 42-43). A sepultura devia fazer-se ainda antes do ocaso porque depois começava o sábado. O sábado é o dia do repouso sepulcral de Jesus. A ressurreição tem lugar na ma- nhã do «primeiro dia da semana», no domingo.

Esta cronologia vê-se comprometida pelo seguinte problema: o processo e a crucifixão de Jesus teriam acontecido na festa da Páscoa, que naquele ano calhava na sexta-feira. É verdade que muitos estudiosos procuraram demonstrar que o processo e a crucifixão eram compatíveis com as prescrições da Páscoa. Mas, não obstante toda a erudição, resta problemático que, naquela festa muito importante para os judeus, fossem admissíveis e possíveis o processo diante de Pilatos e a crucifixão. Aliás, esta hipótese vê-se obstaculizada também por uma informação fornecida por Marcos. Afirma ele que, dois dias antes da festa dos Ázimos, os sumos sacerdotes e os escribas procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à má-fé para O matarem, mas a propósito declaravam: «Durante a festa não, para que o povo não se revolte» (14, 2; cf. v. 1). Segundo a cronologia sinóptica, porém, a execução capital de Jesus terá de facto tido lugar precisamente no dia da festa.
Vejamos agora a cronologia joanina. João tem o cuidado de não apresentar a Última Ceia como ceia pascal. Pelo contrário, as autoridades judaicas, que levam Jesus ao tribunal de Pilatos, evitam entrar no pretório «para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa» (18, 28). A Páscoa começa apenas ao entardecer; durante o processo, ainda se está a pensar na ceia pascal; processo e crucifixão têm lugar no dia antes da Páscoa, na parasceve, a «preparação», e não na própria festa. Naquele ano, portanto, a Páscoa estende-se do ocaso de sexta-feira até ao ocaso de sábado, e não do entardecer de quinta-feira até ao entardecer de sexta-feira.

Quanto ao resto, o desenrolar dos acontecimentos permanece o mesmo. Na tarde de quinta-feira, a Última Ceia de Jesus com os discípulos, que não é porém uma ceia pascal; na sexta-feira, a vigília da festa, e não a própria festa, o processo e a execução capital; no sábado, o repouso no sepulcro; no domingo, a ressurreição. Com esta cronologia, Jesus morre na hora em que são imolados no templo os cordeiros pascais. Morre como o verdadeiro Cordeiro, que estava apenas preanunciado nos cordeiros.

Esta coincidência, teologicamente importante, de Jesus morrer contemporaneamente com a imolação dos cordeiros pascais tem levado muitos estudiosos a desmerecerem a versão joanina como cronologia teológica. João teria mudado a cronologia para construir esta coincidência teológica, que todavia no Evangelho não é explicitamente afirmada. Mas, hoje, vai-se vendo de maneira cada vez mais clara que a cronologia joanina é historicamente mais provável do que a sinóptica, visto que – como se disse – processo e execução capital no dia da festa parecem pouco concebíveis. Por outro lado, a Última Ceia de Jesus aparece tão estreitamente ligada à tradição da Páscoa que a negação do seu carácter pascal redunda problemática.

Por isso desde há muito que se fazem tentativas para conciliar as duas cronologias. A mais importante e, em vários dos seus pormenores, fascinante de chegar a uma compatibilidade entre as duas tradições provém da estudiosa francesa Annie Jaubert, que desde 1953 tem vindo a desenvolver a sua tese numa série de publicações. Dado que aqui não devemos entrar nos detalhes da sua proposta, limitamo-nos ao essencial.

A senhora Jaubert baseia-se principalmente em dois textos antigos que parecem apontar para uma solução do problema. O primeiro é a indicação de um calendário sacerdotal antigo, presente no Livro dos Jubileus, que foi redigido em língua hebraica na segunda metade do século II antes de Cristo. Este calendário não toma em consideração a translação da Lua, prevendo um ano de 364 dias, dividido em quatro estações de três meses, dois dos quais têm 30 dias e o outro 31. Cada trimestre, sempre com 91 dias, contém exactamente 13 semanas, e cada ano 52 semanas. Consequentemente, as festas litúrgicas de cada ano seriam sempre no mesmo dia da semana. Isto significa que, no caso da Páscoa, o 15 de Nisan seria sempre à quarta-feira, sendo a ceia pascal consumada depois do ocaso na noite de terça-feira. Jaubert defende que Jesus terá celebrado a Páscoa segundo este calendário, isto é, na terça-feira à noite, e sido preso nessa noite que dá para quarta-feira.

Deste modo, a estudiosa vê resolvidos dois problemas: por um lado, Jesus terá celebrado uma verdadeira ceia pascal, como referem os sinópticos; por outro, João tem razão em que as autoridades judaicas, atendo-se ao seu próprio calendário, celebraram a Páscoa só depois do processo de Jesus; e, por conseguinte, Jesus terá sido justiçado na vigília da verdadeira Páscoa e não no próprio dia da festa. Assim a tradição sinóptica e a joanina apresentam-se igualmente certas com base na diferença que há entre dois calendários diversos. A segunda vantagem sublinhada por Annie Jaubert mostra, simultaneamente, o ponto fraco desta tentativa de encontrar uma solução.

Observa a estudiosa francesa que as cronologias referidas (nos sinópticos e em João) têm de conjugar uma série de acontecimentos no reduzido espaço de poucas horas: o interrogatório na presença do Sinédrio, a transferência para Pilatos, o sonho da mulher de Pilatos, o envio a Herodes, o regresso a Pilatos, a flagelação, a condenação à morte, a via crucis e a crucifixão. Colocar tudo isto num arco de poucas horas parece – segundo Jaubert – quase impossível. A este propósito, a sua solução proporciona um espaço temporal que vai da noite entre terça-feira e quarta-feira até à manhã de sexta-feira.

Neste contexto, a estudiosa mostra que, em Marcos, nos dias de «Domingo de Ramos», segunda-feira, terça-feira e quarta-feira, existe uma sequência concreta dos acontecimentos, mas depois se salta di- rectamente para a ceia pascal. Por conseguinte, segundo a datação referida, ficariam dois dias sobre os quais nada se refere. Por fim, re- corda Jaubert que, deste modo, teria podido funcionar o projecto das autoridades judaicas de matar Jesus ainda antes da festa. Mas Pilatos, com a sua titubeação, teria depois adiado a crucifixão até sexta-feira.

No entanto, contra a mudança da data da Última Ceia de quinta para terça-feira fala a antiga tradição da quinta-feira, que em todo o caso encontramos claramente já no século II. A isto objecta a senhora Jaubert citando o segundo texto sobre o qual assenta a sua tese: trata-se da chamada Didascália dos Apóstolos, um escrito do início do século III que fixa a data da Ceia de Jesus na terça-feira. A estudiosa procura demonstrar que este livro terá recolhido uma tradição antiga, cujos vestígios poderão ser encontrados também noutros textos.

A isto, porém, é preciso responder que os vestígios da tradição encontrados são demasiado frágeis para poderem convencer. A outra dificuldade consiste no facto de ser pouco verosímil o uso, por parte de Jesus, de um calendário difundido principalmente em Qumrân. Nas grandes festas, Jesus frequentava o templo. E, embora tenha predito o seu fim confirmando-o com um acto simbólico dramático, Ele seguiu o calendário judaico das festividades, como mostra sobretudo o Evangelho de João. Poder-se-á, sem dúvida, admitir com a estudiosa francesa que o Calendário dos Jubileus não estava estritamente confinado a Qumrân e aos Essénios. Mas isto não basta para poder fazê-lo valer para a Páscoa de Jesus. Assim se explica que a tese, à primeira vista fascinante, de Annie Jaubert seja rejeitada pela maioria dos exegetas.

Ilustrei esta tese de maneira particularmente detalhada porque ela permite imaginar algo da multiplicidade e da complexidade do mundo judaico no tempo de Jesus: um mundo que, não obstante o considerável aumento dos nossos conhecimentos das fontes, podemos reconstituir apenas de modo insuficiente. Portanto, não negaria a esta tese qual- quer probabilidade, mas, tendo em consideração os seus problemas, penso que não é pura e simplesmente possível acolhê-la.

Que dizer então? A avaliação mais cuidada de todas as soluções tentadas até agora, encontrei-a no livro sobre Jesus de John P. Meier, que, no final do seu primeiro volume, expôs um amplo estudo sobre a cronologia da vida de Jesus. E chega à conclusão de que é preciso escolher entre a cronologia sinóptica e a joanina, demonstrando, com base no conjunto das fontes, que a decisão deve ser favorável a João.

João tem razão quando afirma que, no momento do processo de Jesus diante de Pilatos, as autoridades judaicas ainda não tinham comi- do a Páscoa e por isso deviam conservar-se cultualmente puras. Tem razão ao dizer que a crucifixão não teve lugar no dia da festa, mas na sua vigília. Isto significa que Jesus morreu na altura em que se imola- vam no templo os cordeiros pascais. Que depois os cristãos tivessem visto nisso mais do que um puro acaso, que tivessem reconhecido Je- sus como o autêntico Cordeiro, que precisamente assim tivessem encontrado o rito dos cordeiros elevado ao seu verdadeiro significado – tudo isso é simplesmente normal.
Resta a pergunta: mas, então, porque é que os sinópticos falam de uma ceia pascal? Em que se baseia esta linha da tradição? Uma resposta verdadeiramente convincente a esta pergunta, nem Meier a pôde dar. Todavia, faz a tentativa, como aliás muitos outros exegetas, através da crítica redaccional e literária; procura demonstrar que os textos de Mc 14, 1a e 14, 12-16 – os únicos lugares onde se fala da Páscoa em Marcos – terão sido inseridos posteriormente. Na narrativa verdadeira e própria da Última Ceia, não seria mencionada a Páscoa.

Esta operação, apesar dos numerosos nomes importantes que a sustentam, é artificial. Mas é justa a indicação de Meier segundo a qual, na narrativa da própria Ceia feita pelos sinópticos, o ritual pascal aparece tão pouco como em João. Assim, poder-se-á, embora com alguma reserva, subscrever a afirmação de que «toda a tradição joanina [...] concorda plenamente com a tradição original dos sinópticos relativamente ao carácter da Ceia como não pertencente à Páscoa» (A Marginal Jew, I, p. 398).

Mas então o que foi, verdadeiramente, a Última Ceia de Jesus? E como se chegou à concepção, seguramente muito antiga, do seu carácter pascal? A resposta de Meier é surpreendentemente simples e, sob muitos aspectos, convincente. Jesus estava consciente da sua mor- te iminente; sabia que não mais iria poder comer a Páscoa. Nesta clara certeza, convidou os seus para uma Última Ceia de carácter muito particular, uma Ceia que não pertencia a nenhum rito judaico determinado, mas era a sua despedida, na qual Ele deu algo novo, isto é, Se deu a Si mesmo como o verdadeiro Cordeiro, instituindo assim a sua Páscoa.

Em todos os Evangelhos sinópticos fazem parte desta Ceia as profecias de Jesus sobre a sua morte e sobre a sua ressurreição. Em Lucas, elas assumem uma forma particularmente solene e misteriosa: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus» (22, 15-16). A frase permanece equívoca: pode significar que Jesus come, pela última vez, a Páscoa habitual com os seus; mas pode significar também que já não a come mais, encaminhando-se para a nova Páscoa.

Um dado é evidente em toda a tradição: o essencial desta Ceia de despedida não foi a Páscoa antiga, mas a novidade que Jesus realizou neste contexto. Mesmo se esta refeição de Jesus com os Doze não foi uma ceia pascal segundo as prescrições rituais do judaísmo, num olhar retrospectivo tornou-se evidente, com a morte e a ressurreição de Jesus, o significado intrínseco do todo: era a Páscoa de Jesus. E, neste sentido, Ele celebrou a Páscoa e não a celebrou. Os ritos antigos não podiam ser praticados; quando chegou o momento, Jesus já estava morto. Mas Ele entregara-Se a Si mesmo e assim tinha celebrado com eles verdadeiramente a Páscoa.

Desta forma, o antigo não tinha sido negado, mas – e só assim poderia ser – levado ao seu sentido pleno.
O primeiro testemunho desta visão unificadora do novo e do antigo que é operada pela nova interpretação da Ceia de Jesus em relação com a Páscoa no contexto das suas morte e ressurreição encontra-se em Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios 5, 7: «Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (cf. Meier, A Marginal Jew, I, p. 429 s.). Como em Marcos 14, 1, também aqui se sucedem o primeiro dia dos Ázimos e a Páscoa, mas o sentido ritual de então é transformado num significado cristológico e existencial. Agora, os «ázimos» devem ser os próprios cristãos, libertados do fermento do pecado. E o Cordeiro imolado é Cristo. Nisto, Paulo concorda perfeitamente com a descrição joanina dos acontecimentos. Assim, para ele, morte e ressurreição de Cristo tornaram-se a Páscoa que permanece.

Com base nisto, pode-se compreender como a Última Ceia de Je- sus – que não era só um prenúncio, mas nos dons eucarísticos compreendia também uma antecipação de cruz e ressurreição – bem depressa acabou por ser considerada como Páscoa, como a sua Páscoa. E era-o verdadeiramente.

Fonte: http://www.zenit.org/article-27462?l=portuguese
avatar
Pe. Anderson
Admin

Mensagens : 952
Data de inscrição : 10/09/2008
Idade : 35
Localização : Roma

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Binhokraus em Ter Abr 05, 2011 5:15 pm

Muito bom o artigo. E é impressionante que de todas as formas as pessoas tentem tirar a credibilidade da Santa Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, fazendo análises superficiais e tirando conclusões pra lá de precipitadas. Nem mesmo os exegetas e estudiosos e eruditos nestas questões estão totalmente de acordo. Então, como pode alguém que não estuda a fundo essas questões fazer qualquer afirmação ao contrário?

_________________
Cleber Nunes Kraus
Biólogo

"Quem não ora, não precisa de demônio que o tente." Sta. Tereza D'Avila
avatar
Binhokraus
Moderadores

Mensagens : 736
Data de inscrição : 26/09/2008
Idade : 35
Localização : Petrópolis

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por quemtembocadizaverdade em Qua Abr 06, 2011 9:40 am

Acho bom que a cristandade seja despertada em algum momento para morte e ressusrreição do Senhor. Não importa se a data é a mesma ou não. Na realidade todos os dias devemos meditar nessas coisas. Isso nos inspira gratidão.
avatar
quemtembocadizaverdade

Mensagens : 342
Data de inscrição : 15/09/2010
Localização : sao paulo

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Pe. Anderson em Qua Abr 06, 2011 10:11 am

E otimo esse forum. Um nao catolico diz que os catolicos vamos celebrar o domingo de Pascua numa quinta-feira! Preciso dar essa genial ideia ao Papa. Acho que ele vai concordar e anteciparemos a Pascua para 5 feira.

Cada dia aprendemos uma coisa.

Grande abraco.
avatar
Pe. Anderson
Admin

Mensagens : 952
Data de inscrição : 10/09/2008
Idade : 35
Localização : Roma

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Abr 06, 2011 12:09 pm

As forças Católico-Romanas preocupam-se demais com os dias de semana relativamente aos acontecimentos Pascais durante os quais, nesse ano, Yeshua fez o seguinte:
1) comeu a sua última ceia com os discípulos e disse «Tomai, comei, isto é o meu corpo», que colocam numa noite de 5ª feira, a que antecede a 6ª feira. Nessa hora, para os judeus já seria 6ª feira, se realmente o dia 14 de NISAN ocorreu nesse ano nesse dia da semana.
2) o dia da semana da morte do Senhor, que colocam numa 6ª feira.
3) que só houve apenas um dia inteiro entre a sepultura de Yeshua e a sua Ressurreição e que esse dia foi um sábado (7º dia da semana).
4) que a ressurreição ocorreu domingo de manhã.

Eu porém, prefiro pensar nos dias da morte e ressurreição de Yeshua tendo em consideração não os dias da semana, mas os dias do mês como era costume entre os judeus.
Os dias da semana servem apenas de apoio ao «domingo».

Pe.Anderson
.... ....
Um nao catolico diz que os catolicos vamos celebrar o domingo de Pascua numa quinta-feira! Preciso dar essa genial ideia ao Papa. Acho que ele vai concordar e anteciparemos a Pascua para 5 feira.
Curiosa observação jocosa:
Celebrar um "domingo .... numa 5ª feira" ?!!!
Muito estranho! Deve haver confusão! Muita confusão.

Mas este aparte é apenas um aparte. O que a mim me confunde no texto copiado para
aqui, é o que trata acerca do que disse a senhora Jaubert acerca do tal dito calendário que colocava o dia 15 de Nisãn (suponho sempre) à 4ª feira.
Gostava de ver bem explicado como é que era esse calendário de que fala essa senhora.
Isso seria possível se cada mês tivesse um número completo de semanas, isto é 4 ou 5 semanas e o mês de Nisãn (seria mesmo Nisan?!) começasse sempre numa 4ª feira. Então o dia 15 também seria numa 4ª feira.
E nesse calendário, a que horas começava o dia?! A seguir ao pôr do sol como no calendário judeu, ou ao meio da noite escolhido segundo uma lei civil como acontece agora?!
A colocação posta pelo Sr. Padre, deixa muito a desejar e só serve para confundir, mas não deixa de ter interesse. Eu já tinha lido acerca desse suposto calendário numa nota ao fundo da página duma tradução católica da Bíblia (a tradução dos Capuchinhos).

Quanto à menção do 1º dia dos pães ásimos mencionado nos sinópticos eu já li uma tese que aí há um erro de tradução ou precisão oral do aramaico para o grego.
(Mateus 26,17 ; Marcos 14,12 ).
No link a seguir há quem explique esta ambiguidade:

http://www.torahviva.org/index.php?p=5_106

Segundo esta tese todas as palavras mencionadas da bíblia se encaixam perfeitamente.
Também lá fala numa diferença de calendário usada entre o calendário essénio/saduceu e o calendário fariseu.

Também encontrei um sítio em que existem comentários muito bem elaborados que defendem o dia da morte do Senhor numa 6ª feira:

http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com/2011/01/o-dia-da-crucificacao-foi-uma-sexta_6235.html

Vale a pena ler ambas as posições dos dois links que mencionei que defendem raciocínios diferentes.
avatar
Manuel Portugal Pires

Mensagens : 781
Data de inscrição : 06/05/2010
Idade : 73
Localização : Europa: Portugal - Porto - Valongo - Ermesinde

Ver perfil do usuário http://sites.google.com/site/rrfn001/temas/sa

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Pe. Anderson em Qui Abr 07, 2011 10:28 am

Caros amigos,

Contudo as leis do clero da Igreja Católica Apostólica Romana vão celebrá-la na 5ª feira seguinte, (21 de Abril) porque está indexada ao domingo seguinte à Páscoa (24 de Abril).

Realmente há muita confusao aqui!

Mas essa questao já foi tratada:

http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t368-a-pascoa-seu-significado-e-data?highlight=Pascoa

Mas para acrescentar, vejamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica:


Celebração da Páscoa entre os cristãos e os Judeus

§1096 Liturgia judaica e liturgia cristã. Um conhecimento mais aprimorado da fé e da vida religiosa do povo judaico, tais como são professadas e vividas ainda hoje, pode ajudar a compreender melhor certos aspectos da liturgia cristã. Para os judeus e para os cristãos, a Sagrada Escritura é uma parte essencial de suas liturgias: para a proclamação da Palavra de Deus, a resposta a esta palavra, a oração de louvor e de intercessão pelos vivos e pelos mortos, o recurso à misericórdia divina. A Liturgia da palavra, em sua estrutura própria, tem sua origem na oração judaica. A Oração das horas, bem como outros textos e formulários litúrgicos, tem seus paralelos na oração judaica, o mesmo acontecendo com as próprias fórmulas de nossas orações mais veneráveis, entre elas o Pai-Nosso. Também as orações eucarísticas inspiram-se em modelos da tradição judaica. As relações entre liturgia judaica e liturgia cristã mas também a diferença de seus conteúdos são particularmente visíveis nas grandes festas do ano litúrgico, como a Páscoa. Cristãos e judeus celebram a Páscoa; Páscoa da história, orientada para o futuro, entre os judeus; Páscoa realizada na morte e na Ressurreição de Cristo, entre os cristãos, ainda que sempre à espera da consumação definitiva.

P.21.3 Conseqüências da Páscoa de Cristo

§1225 Foi em sua Páscoa que Cristo abriu a todos os homens as fontes do Batismo. Com efeito, já tinha falado da paixão que iria sofrer em Jerusalém como de um "batismo" com o qual devia ser batizado. O sangue e a água que escorreram do lado traspassado de Jesus crucificado são tipos do Batismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova: desde então é possível "nascer da água e do Espírito" para entrar no Reino de Deus (Jo 3,5).

Vê, quando és batizado, donde vem o Batismo, se não da cruz de Cristo, da morte de Cristo. Lá está todo o mistério: ele sofreu por ti. E nele que és redimido, é nele que és salvo e, por tua vez, te tornas salvador.

P.21.4 Consumação da Páscoa

§1096 Liturgia judaica e liturgia cristã. Um conhecimento mais aprimorado da fé e da vida religiosa do povo judaico, tais como são professadas e vividas ainda hoje, pode ajudar a compreender melhor certos aspectos da liturgia cristã. Para os judeus e para os cristãos, a Sagrada Escritura é uma parte essencial de suas liturgias: para a proclamação da Palavra de Deus, a resposta a esta palavra, a oração de louvor e de intercessão pelos vivos e pelos mortos, o recurso à misericórdia divina. A Liturgia da palavra, em sua estrutura própria, tem sua origem na oração judaica. A Oração das horas, bem como outros textos e formulários litúrgicos, tem seus paralelos na oração judaica, o mesmo acontecendo com as próprias fórmulas de nossas orações mais veneráveis, entre elas o Pai-Nosso. Também as orações eucarísticas inspiram-se em modelos da tradição judaica. As relações entre liturgia judaica e liturgia cristã mas também a diferença de seus conteúdos são particularmente visíveis nas grandes festas do ano litúrgico, como a Páscoa. Cristãos e judeus celebram a Páscoa; Páscoa da história, orientada para o futuro, entre os judeus; Páscoa realizada na morte e na Ressurreição de Cristo, entre os cristãos, ainda que sempre à espera da consumação definitiva.

§1164 O povo de Deus, desde a lei mosaica, conheceu festas fixas a partir da páscoa para comemorar as ações admiráveis do Deus salvador, dar-lhe graças por elas, perpetuar-lhes a lembrança e ensinar às novas gerações a conformar sua conduta com elas. Na era da Igreja, situada entre a páscoa de Cristo, já realizada uma vez por todas, e a consumação dela no Reino de Deus, a liturgia celebrada em dias fixos está toda impregnada da novidade do mistério de Cristo.

P.21.5 Cumprimento da Páscoa do Reino de Deus

§1403 Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no Reino de Deus: "Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino de meu Pai" (Mt 26,29). Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta promessa, e seu olhar se volta para "aquele que vem" (Ap 1,4). Em sua oração, suspira por sua vinda: "Maran athá" (1 Cor 16,22), "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20), "Venha vossa graça e passe este mundo!"

P.21.6 Dia da celebração da Páscoa

§1170 No Concílio de Nicéia (em 325), todas as Igrejas chegaram a um acordo acerca de que a páscoa cristã fosse celebrada no domingo que segue a lua cheia (14 Nisan) depois do equinócio de primavera. Por causa dos diversos métodos utilizados para calcular o dia 14 de mês de Nisan, o dia da Páscoa nem sempre ocorre simultaneamente nas Igrejas ocidentais e orientais. Por isso busca-se um acordo, a fim de se chegar novamente a celebrar em uma data comum o dia da Ressurreição do Senhor.

P.21.7 Eucaristia memorial da Páscoa de Cristo

§1340 Ao celebrar a última Ceia com seus apóstolos durante a refeição pascal, Jesus deu seu sentido definitivo à páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus a seu Pai por sua Morte e sua Ressurreição, a Páscoa nova, é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia que realiza a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino.

§1362O MEMORIAL SACRIFICAL DE CRISTO E DE SEU CORPO, A IGREJA A eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.

§1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos dos acontecimento do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.

§1364 O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, rememora a páscoa de Cristo, e esta se toma presente: o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz torna-se sempre atual: "Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual Cristo nessa páscoa foi imolado, efetua-se a obra de nossa redenção."

§1365 Por ser memorial da páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrifical da Eucaristia é manifestado nas próprias palavras da instituição: "Isto é o meu Corpo que será entregue por vós", e "Este cálice é a nova aliança em meu Sangue, que vai ser derramado por vós" (Lc 22,19-20). Na Eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que, entregou por nós na cruz, o próprio sangue que "derramou por muitos para remissão dos pecados" (Mt 26,28).

§1366 A eucaristia é, portanto, um sacrifício porque representa (toma presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos:

[Cristo nosso Deus e Senhor ofereceu-se a si mesmo a Deus Pai uma única vez, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, a fim de realizar por eles (os homens) uma redenção eterna. Todavia, como sua morte não devia pôr fim ao seu sacerdócio (Hb 7,24.27), na última ceia, "na noite em que foi entregue (1 Cor 11,13), quis deixar à Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza humana) em que seria representado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se uma vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício este cuja memória haveria de perpetuar-se até o fim dos séculos (l Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à remissão dos pecados que cometemos cada dia.

P.21.8 Nomes da Páscoa

§1169 Por isso, a páscoa não é simplesmente uma festa entre outras: é a "festa das festas", "solenidade das solenidades", como a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos (o grande sacramento). Santo Atanásio a denomina "o grande domingo como a semana santa é chamada no Oriente "a grande semana". O mistério da ressurreição, no qual Cristo esmagou a morte, penetra nosso velho tempo com sua poderosa energia até que tudo lhe seja submetido.

P.21.9 Realização da Páscoa de Cristo

§731 No dia de Pentecostes (no fim das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo, que é manifestado, dado e comunicado como Pessoa Divina: de sua plenitude, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito.

P.21.10 Significação da Páscoa dos Judeus

§1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos dos acontecimento do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.

P.21.11 Ultima Páscoa da Igreja

§677 A Igreja só entrará na glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição. Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará sua Esposa descer do Céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa.

P.21.12 Última Páscoa do cristão

§1680 OS FUNERAIS CRISTÃOS Todos 0os sacramentos, principalmente os da iniciação cristã, têm por finalidade a última Páscoa do Filho de Deus, aquela que, pela morte, o fez entrar na vida do Reino. Agora se realiza o que o cristão confessa na fé e na esperança: "Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir.

§1681 A última Páscoa do cristão O sentido cristão da morte é revelado à luz do mistério pascal da Morte e Ressurreição de Cristo, em que repousa nossa única esperança. O cristão que morre em Cristo Jesus "deixa este corpo para ir morar junto do Senhor".

§1382 A Missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós.

§1683 A Igreja que, como mãe, trouxe sacramentalmente em seu seio o cristão durante sua peregrinação terrena, acompanha-o, ao final de sua caminhada, para entregá-lo "ás mãos do Pai". Ela oferece ao Pai, em Cristo, o filho de sua graça e deposita na terra, na esperança, o germe do corpo que ressuscitar na glória. Esta oferenda é plenamente celebrada pelo Sacrifício Eucarístico. As bênçãos que a precedem e a seguem são sacramentais.

P.21.13 União dos fiéis na Páscoa de Cristo

§793 Ele nos une a sua Páscoa. Todos os membros devem esforçar-se por se assemelhar a ele "até Cristo ser formado neles" (Gl 4,19). "Por isso somos inseridos nos mistérios de sua vida associamo-nos a suas dores como o corpo à Cabeça, para que padecendo com ele, sejamos com ele também glorificados.

Grande abraço e que o Senhor abençoe a todos.
avatar
Pe. Anderson
Admin

Mensagens : 952
Data de inscrição : 10/09/2008
Idade : 35
Localização : Roma

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Páscoa 2011

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum