Igreja e Estado

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Igreja e Estado

Mensagem por Pe. Anderson em Sex Set 09, 2011 1:13 pm

Caros amigos,

Como há muita confusao sobre esses temas, colocamos aqui um texto que trata de maneira excelente as relaçoes que deve haver entre Igreja e Estado. Espero que possa ajudar a todos.


Igreja e Estado

A salvação realizada por Cristo e, consequentemente, a missão da Igreja, dirige-se ao homem em sua integridade e, portanto, como pessoa que vive em sociedade.
02 de dezembro de 2010

1. A missão da Igreja no mundo

A salvação realizada por Cristo e, consequentemente, a missão da Igreja, dirige-se ao homem em sua integridade: por isso, quando a Igreja propõe sua doutrina social, não só não se afasta da sua missão, mas cumpre-a fielmente. Mais ainda, a evangelização não seria autêntica se não levasse em consideração a relação entre o Evangelho e a conduta pessoal, tanto em nível individual quanto social. Além disso, a Igreja vive no mundo e, é lógico, inclusive necessário, que se relacione com ele de modo harmônico, respeitando a estrutura e finalidade próprias da natureza das diversas organizações humanas.

Assim, pois, a Igreja tem a missão, que é também um direito, de ocupar-se dos problemas sociais; e quando o faz, “não pode ser acusada de ultrapassar seu campo específico de competência e, muito menos, o mandato recebido do Senhor” [1].

A missão da Igreja neste âmbito não se limita a propor uma normativa ética. Trata-se, mais basicamente, de mostrar a dimensão evangélica da vida social, segundo a completa verdade sobre o homem, de ensinar a conduta congruente com essa verdade e de exortar seu cumprimento.

De fato, entre a vida cristã e a promoção humana existe uma profunda e essencial união: um nexo antropológico, um vinculo teológico e um dever de caridade [2]. Essa harmonia, entretanto, não comporta sua confusão: a meta da conduta cristã é a identificação com Cristo; sua liberação é, essencialmente, libertação do pecado, que certamente exige o empenho nas liberações setoriais [3]. Esta distinção é a base da autonomia das realidades terrenas.

Os ensinamentos do Magistério neste campo não se estendem, portanto, aos aspectos técnicos, nem propõem sistemas de organização social que não pertencem à sua missão. Estes ensinamentos pretendem apenas a formação das consciências; e assim não levantam obstáculos à autonomia das realidades terrenas [4].

Assim, pois, não compete à Hierarquia uma função direta na organização da sociedade; sua missão é ensinar e interpretar de modo autêntico os princípios morais nesse campo. Por isso, a Igreja aceita qualquer sistema social em que se respeite a dignidade humana; e os fiéis devem acolher o Magistério social com uma adesão da inteligência, da vontade e das obras (cf. Lc 10, 16; Catecismo, 2032 e 2037).

2. Relação entre a Igreja e o Estado

A religião e a política são âmbitos distintos, embora não separados, pois o homem religioso e o cidadão se fundem na mesma pessoa, que é chamada a cumprir tanto seus deveres religiosos quanto seus deveres sociais, econômicos e políticos. É necessário, entretanto, que “os fiéis aprendam a distinguir com cuidado os direitos e os deveres que lhes concernem por sua filiação à Igreja e os que lhes competem enquanto membros da sociedade humana. Esforcem-se por conciliá-los entre si, tendo presente que em qualquer assunto temporal devem guiar-se pela consciência cristã, dado que nenhuma atividade humana, nem sequer na ordem temporal, pode subtrair-se ao império de Deus. Em nosso tempo, concretamente, é da maior importância que esta distinção e esta harmonia brilhem com suma claridade no comportamento dos fiéis” [5]. Pode-se dizer que nestas palavras resume-se a maneira pela qual os católicos devem viver o ensinamento do Senhor: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

A relação entre a Igreja e o Estado comporta, portanto, uma distinção sem separação, uma união sem confusão (cf. Mt 22, 15-21). Essa relação será correta e frutuosa se obedecer a três princípios fundamentais: aceitar a existência de um âmbito ético que precede e informa a esfera política; distinguir a missão da religião e da política; favorecer a colaboração entre esses dois âmbitos.

a) Os valores morais devem informar a vida política

A proposta de um “Estado ético”, que pretende regular o comportamento moral dos cidadãos, é uma teoria amplamente rejeitada, já que, com frequência, leva ao totalitarismo ou, pelo menos, implica numa tendência marcadamente autoritária. Não compete ao Estado decidir o que está bem ou o que está mal, mas sim a obrigação de buscar e promover o bem comum e, para isso, às vezes, necessitará regular sobre o comportamento dos cidadãos.

Esta rejeição a um “Estado ético”, entretanto, não deve conduzir ao erro oposto: a “neutralidade” moral do mesmo, que, de fato, não existe, nem se pode dar. Com efeito, os valores morais indicam os critérios que favorecem o desenvolvimento integral das pessoas; esse desenvolvimento, em sua dimensão social, faz parte do bem comum terreno; e o principal responsável pelo bem comum é o Estado. O Estado deve, entre outras coisas, favorecer a conduta moral das pessoas, pelo menos na vida social.

b) A Igreja e o Estado se distinguem por sua natureza e por seus fins

A Igreja recebeu de Cristo o mandato apostólico: “ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19-20). Com sua doutrina e com sua atividade apostólica, a Igreja contribui para a reta ordenação dos assuntos temporais, de modo que sirvam ao homem para alcançar seu fim último e não o desviem dele.

Os meios que a Igreja utiliza para levar a cabo sua missão são, antes de tudo, espirituais: a pregação do Evangelho, a administração dos sacramentos, a oração. Necessita também utilizar de meios materiais, adequados à natureza de seus membros, que são pessoas humanas (cf. At 4, 32-37; 1 Tm 5,18); estes meios deverão ser sempre conformes ao Evangelho. A Igreja necessita ainda de independência para realizar sua missão no mundo, mas não de um predomínio de caráter político ou econômico (cf. Catecismo, 2246; Compêndio, 426) [6].

O Estado é uma instituição que deriva da natural sociabilidade humana, cuja finalidade é o bem comum temporal da sociedade civil; este bem não é apenas material, mas também espiritual, pois os membros da sociedade são pessoas com corpo e alma. O progresso social requer, além dos meios materiais, outros muitos bens de caráter espiritual: a paz, a ordem, a justiça, a liberdade, a segurança etc. Estes bens só podem ser alcançados mediante o exercício das virtudes sociais, que o Estado deve promover e tutelar (por ex. a moralidade pública).

A diversidade entre o âmbito religioso e o político implica que o Estado não goza de “sacralidade”, nem deve governar as consciências, já que o fundamento moral da política se encontra fora dela; além disso, a Igreja não possui um poder político coercitivo; enquanto a filiação a ela, do ponto de vista civil, é voluntária, sua potestade é de caráter espiritual e não impõe uma única solução política. Dessa forma, Estado e Igreja se ajustam a suas próprias funções, e isto favorece a liberdade religiosa e social.

Daqui derivam dois importantes direitos: o direito à liberdade religiosa, que consiste na imunidade de coerção por parte do Estado, em matéria religiosa; e o direito à liberdade de atuação dos católicos em relação à Hierarquia em matéria temporal, ainda que com a obrigação de seguir o Magistério (cf. CIC, 227). Além disso, a Igreja, “ao pregar a verdade evangélica, iluminando todos os setores da ação humana com sua doutrina e com o testemunho dos cristãos, respeita e promove também a liberdade e a responsabilidade política dos cidadãos” [7].

c) Colaboração entre a Igreja e o Estado

A distinção entre a Igreja e o Estado não comporta – como já se disse – sua total separação, nem que a Igreja deva reduzir a própria ação ao âmbito privado e espiritual. Certamente, a Igreja “não pode e nem deve substituir o Estado. Mas tampouco pode, nem deve permanecer à margem, na luta pela justiça” [8]. Neste sentido, a Igreja tem o direito e o dever “de ensinar sua doutrina sobre a sociedade, exercer sua missão entre os homens sem qualquer obstáculo e dar seu juízo moral, inclusive sobre matérias relativas ao poder político, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou da salvação das almas” [9].

Assim, por exemplo, a Igreja pode e deve afirmar que uma lei é injusta por ser contrária à lei natural (leis sobre o aborto ou o divórcio), ou que determinados costumes ou situações são imorais, ainda que sejam permitidas pelo poder civil, ou que os católicos não devem dar seu apoio àquelas pessoas ou partidos que se proponham objetivos contrários à lei de Deus, e portanto à dignidade da pessoa humana e ao bem comum [10].

Tanto a Igreja como a atividade política – que exercem os governantes através das diversas instituições, ou dos partidos – ainda que por razão diversa, estão a serviço do homem, e “este serviço o realizarão com tanta maior eficácia, para bem de todos, quanto mais sadia seja a cooperação entre elas” [11]. Se a comunidade política (isto é, a sociedade tomada em seu conjunto: governantes e governados de um determinado Estado) ignora a Igreja, põe-se em contradição consigo mesma, pois estará impedindo os direitos e os deveres de uma parte dos cidadãos, concretamente os fiéis católicos.

As formas práticas de regular estas relações podem variar segundo as circunstâncias: por exemplo, não será a mesma em países de tradição católica que em outros nos quais a presença de católicos é minoritária.

Um aspecto essencial que se deve cuidar sempre é a segurança do direito à liberdade religiosa [12]. Velar pelo respeito a este direito é velar pelo respeito de toda a ordem social. O direito à liberdade social e civil em matéria religiosa é a fonte e síntese de todos os direitos do homem [13].

Em muitos países, a Constituição (o sistema de leis fundamentais que regulam o sistema de governo de um Estado) garante amplamente a liberdade religiosa de todos os cidadãos e grupos religiosos; por este caminho, pode também a Igreja encontrar liberdade suficiente para cumprir sua missão e espaço para desenvolver suas iniciativas apostólicas [14].

Além disso, quando possível, a Igreja procura estabelecer acordos com o Estado, chamados, em geral, Concordatas, nas quais se pactuam soluções concretas para as questões eclesiásticas relacionadas com a finalidade do Estado: liberdade da Igreja e de suas entidades para exercer sua missão, convênios em matéria econômica, dias de festa etc.

3. Regime sobre as questões mistas

Há matérias em que tanto a Igreja como o Estado devem intervir em virtude de suas respectivas competências e finalidades (chamadas questões mistas), como a educação, o matrimônio, a comunicação social, a assistência aos necessitados [15]. Nestas matérias, é especialmente necessária a colaboração, de modo que cada um possa cumprir sua missão, sem impedimento por parte do outro [16].

a) À Igreja compete regular o matrimônio dos católicos, ainda que somente de um dos contratantes; também porque o matrimônio é um sacramento e à Igreja compete estabelecer as normas para sua administração. Enquanto que ao Estado compete regular os efeitos de ordem civil: regime de bens entre os cônjuges etc. (cf. CIC, 1059). O Estado tem o dever de reconhecer aos católicos o direito a contrair o matrimônio canônico.

b) A educação dos filhos – também em matéria religiosa – compete aos pais por direito natural; são eles que devem determinar o tipo de ensino que desejam para seus filhos e os meios de que se servirão para esse fim (escola, catequese etc.) [17]. Onde não for suficiente a iniciativa dos pais ou dos grupos sociais, o Estado deve, subsidiariamente, estabelecer suas próprias escolas, respeitando sempre o direito dos pais sobre a orientação da educação de seus filhos.

Neste direito está incluído que podem promover e dirigir escolas, nas quais seus filhos recebam educação adequada; tendo em conta a função social destas escolas, o Estado deve reconhecê-las e subvencioná-las [18]. E também que seus filhos recebam nas escolas – estatais ou não – um ensino que esteja de acordo com suas convicções religiosas [19].

Compete ao Estado ditar as normas relativas ao ensino que sejam necessárias ao bem comum (níveis, graus, acesso de todos à instrução, conteúdos mínimos para obter os graus correspondentes, reconhecimento de títulos etc.). É tirania que o Estado pretenda reservar para si, ainda que indiretamente, o monopólio do ensino (cf. CIC, 797).

À Igreja compete sempre determinar e vigiar tudo o que se refere ao ensino e difusão da religião católica: programas, conteúdos, livros, idoneidade dos professores. É um aspecto da potestade de magistério que compete à Hierarquia, e um direito da Igreja para defender e garantir sua própria identidade e a integridade da sua doutrina. Ninguém pode, portanto, erigir-se em mestre da doutrina católica (nas escolas de qualquer nível) se não for aprovado pela autoridade eclesiástica (cf. CIC 804-805).

A Igreja tem ainda o direito de estabelecer seus próprios centros de ensino (oficialmente católicos), e que sejam reconhecidos e recebam ajudas estatais, nas mesmas condições que os demais centros não-estatais, sem ter, para isso, que renunciar a seu ideário católico ou a sua dependência da autoridade eclesiástica (cf. CIC, 800).

c) A Igreja tem também o direito de promover iniciativas sociais que sejam condizentes com sua missão religiosa (hospitais, meios de comunicação, orfanatos, centros de acolhida) e a que o Estado reconheça estas obras “católicas” nas mesmas condições que as demais iniciativas deste tipo promovidas por particulares (isenções fiscais, titulação do pessoal, subvenções, colaboração de voluntários, possibilidade de receber donativos etc.).

4. Laicidade e laicismo

Um tema de grande atualidade é a distinção entre laicidade e laicismo. Por laicidade entende-se que o Estado é autônomo a respeito das leis eclesiásticas; enquanto que o laicismo pretende uma autonomia da política em relação à ordem moral e ao próprio desígnio divino, e tende a encerrar a religião à esfera puramente privada. Deste modo, infringe o direito à liberdade religiosa e prejudica a ordem social (cf. Compêndio, 572). Uma autêntica laicidade evita dois extremos: a imposição de uma teoria moral que transforme a sociedade civil em um Estado ético [20], e o desprezo a priori dos valores morais que provêm de âmbitos culturais, religiosos etc., que são de livre escolha e não devem ser geridos pelo poder [21].

Deve-se, além disso, sublinhar que é ilusório e injusto pedir que os fiéis atuem em política “como se Deus não existisse”. É ilusório porque todas as pessoas atuam com base em suas convicções culturais (religiosas, filosóficas, políticas etc.), derivadas ou não de uma fé religiosa; são, portanto, convicções que influem no comportamento social dos cidadãos. É injusta porque os não-católicos aplicam suas próprias doutrinas, independentemente de qual tenha sido sua origem.

Atuar na política de acordo com sua própria fé, se for coerente com a dignidade das pessoas, não significa que a política esteja submetida à religião; significa que a política está a serviço da pessoa e, portanto, deve respeitar as exigências morais, que equivale a dizer que deve respeitar e favorecer a dignidade de todo ser humano. Da mesma forma, viver o empenho político por um motivo transcendente se ajusta perfeitamente à natureza humana e, por isso, estimula esse empenho e produz melhores resultados.

5. O pluralismo social dos católicos

Tudo o que foi dito concorda com o legítimo pluralismo dos católicos no âmbito social. Com efeito, os próprios objetivos úteis podem ser conseguidos através de diversos caminhos; é, portanto, razoável um pluralismo de opiniões e de atuações para se alcançar certa meta social. É natural que os partidários de cada solução busquem legitimamente realizá-la; todavia, nenhuma opção tem a garantia de ser a única alternativa adequada – entre outras coisas porque a política trabalha em grande parte com probabilidades: é a arte de realizar o possível – e, ainda menos, de ser a única que responde à doutrina da Igreja [22]: “A ninguém é permitido reivindicar, de forma exclusiva, a favor de seu parecer, a autoridade da Igreja” [23].

Neste sentido, todos os fiéis, especialmente os leigos, têm o direito a que na Igreja se reconheça sua legitima autonomia para gerir os assuntos temporais segundo suas próprias convicções e preferências, sempre que sejam concordes com a doutrina católica. E têm o dever de não comprometer a Igreja em suas decisões pessoais e atuações sociais, evitando apresentar essas soluções como soluções católicas [24].

O pluralismo não é um mal menor, mas um elemento positivo – da mesma forma que a liberdade – da vida civil e religiosa. É preferível aceitar a diversidade nos aspectos temporais, do que lograr uma presumida eficácia uniformizando as opiniões com diminuição da liberdade pessoal. O pluralismo, entretanto, não deve ser confundido com o relativismo ético [25]. Mais, um autêntico pluralismo requer um conjunto de valores como suporte das relações sociais.

O pluralismo é moralmente admissível enquanto se trate de decisões encaminhadas ao bem pessoal e social; mas não o é se a decisão é contrária à lei natural, à ordem pública e aos direitos fundamentais das pessoas (cf. Catecismo, 1901). Evitados esses casos extremos, convém fomentar o pluralismo em matérias temporais, como um bem para a vida pessoal, social e eclesial.

Enrique Colom

Bibliografia básica

Catecismo da Igreja Católica, 2104-2109; 2244-2246; 2419-2425.

Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 74-76; e Declar. Dignitatis humanae, 1-8; 13-14.

João Paulo II, Ex. ap. Christifideles laici, 30-12-88, 36-44.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia Amar o mundo apaixonadamente, em Questões Atuais do Cristianismo, 113-123

Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e à conduta dos católicos na vida política, 24-11-2002.

Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 49-55; 60-71; 189-191; 238-243; 377-427.

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[1] João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 30-12-1987, 8. Cf. Paulo VI, Ex. Ap. Evangelii nuntiandi, 8-12-1975, 29 e 30; João Paulo II, Discurso em Puebla, III; Enc. Redemptor hominis, 4-03-1979, 15; Compêndio, 64 e 71.

[2] Cf. Paulo VI, Ex. Ap. Evangelii nuntiandi, 31. A união do humano com o divino é muito própria do Opus Dei: seu Fundador dizia que toda a vida de seus fieis é “um serviço de metas exclusivamente sobrenaturais, porque o Opus Dei não é e nunca será – nem poderá sê-lo – um instrumento temporal; mas é ao mesmo tempo um serviço humano, porque não fazeis mais que tratar de conseguir a perfeição cristã no mundo, limpamente, com vossa libérrima e responsável atuação em todos os campos de atividade cidadã. Um serviço abnegado, que não avilta, mas que educa, que engrandece o coração – torna-o mais romano, no sentido mais alto da palavra – e leva a buscar a honra e o bem das pessoas de cada país: para que haja cada dia menos pobres, menos ignorantes, menos almas sem fé, menos desesperados, menos guerras, menos insegurança, mais caridade e mais paz” (São Josemaria, Carta 31-05-1943, n. 1 em J.L. Illanes, F. Ocáriz, P. Rodríguez, El Opus Dei en la Iglesia, Rialp, Madri 1993, p. 178).

[3] Cf. Paulo VI, Ex. Ap. Evangelii nuntiandi, 9, 33-35; Congregação para a Doutrina da Fé, Inst. Libertatis conscientia, 23-03-1986, 23.

[4] Falando dos valores que favorecem o desenvolvimento da dignidade humana, o Compêndio indica: “O respeito da legítima autonomia das realidades terrenas, leva a Igreja a não assumir tarefas específicas de ordem técnica e temporal, mas não a impede de intervir, para mostrar como, nas diferentes opções do homem, estes valores são afirmados ou negados” (Compêndio, 197). Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 36 e 42; Paulo VI, Enc. Populorum progressio, 26-03-1967, 13; João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 41; Compêndio, 68 e 81.

[5] Concílio Vaticano II, Const. Lumen gentium, 36. Cf. Catecismo, 912.

[6] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 76; Declar. Dignitatis humanae, 13.

[7] Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 76.

[8] Bento XVI, Enc. Deus caritas est, 25-12-2005, 28. Cf. Bento XVI, Discurso em Verona, 19-10-2006.

[9] Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 76.

[10] Cf. Ibidem, 40 e 41.

[11] Ibidem, 76. Cr. Compêndio, 425.

[12] Este direito não consiste em que o homem tenha liberdade diante de Deus para escolher uma ou outra religião, porque só há uma verdadeira religião e o homem tem obrigação de buscar a verdade e, uma vez encontrada, abraçá-la (cf. Concílio Vaticano II, Declar. Dignitatis Humanae, 1). O direito à liberdade religiosa “consiste em que todos os homens devem estar livres de coação, tanto por parte das pessoas particulares, como de grupos sociais e de qualquer outro poder humano, e isto de tal maneira, que em matéria religiosa nem se obrigue ninguém a agir contra sua consciência nem se impeça que atue conforme a ela, privadamente ou em público, só ou em associação a outras pessoas, dentro dos limites devidos” (Concílio Vaticano II, Declar. Dignitatis humanae, 2).

“O respeito, por parte do Estado, do direito à liberdade religiosa é um sinal de respeito aos demais direitos humanos fundamentais, porque é o reconhecimento implícito da existência de uma ordem que supera a dimensão política da existência, uma ordem que nasce da esfera da livre adesão a uma comunidade de salvação anterior ao Estado” (João Paulo II, 9-01-1989,6). Diz-se que a comunidade de salvação é anterior ao Estado porque a pessoa se incorpora a ela com vistas a um fim que se encontra em um plano superior aos fins da comunidade política.

[13] Cf. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 1-5-1991, 47.

O direito à liberdade em matéria religiosa “está ligado ao de todas as demais liberdades”; mais ainda, todas elas a “reclamam como fundamento” (João Paulo II, Discurso, 23-03-91, 2).

[14] Cf. Concílio Vaticano II, Declar. Dignitatis humanae, 13.

[15] Sempre que as circunstâncias o permitam, a Santa Sé estabelece relações diplomáticas com os Estados para assim manter um canal de diálogo permanente nas questões que interessam às duas partes (cf. Compêndio, 427).

[16] Deve-se, portanto, sustentar claramente que não é verdade que haja oposição entre ser bom católico e servir fielmente à sociedade civil. Como «não têm porque combater a Igreja e o Estado, no exercício legítimo de suas respectivas autoridades, frente à missão que Deus lhes confiou» (São Josemaria, Sulco, 301).

[17] “O direito e o dever da educação são para os pais, primordiais e inalienáveis” (Catecismo, 2221). Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Familiaris consortio, 22-11-1981, 36.

[18] Cf. João Paulo II, Ex. Ap. Familiaris consortio, 40.

[19] “Os pais, como primeiros responsáveis pela educação de seus filhos, têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda a suas próprias convicções. Este direito é fundamental. Enquanto seja possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os ajudem em sua tarefa de educadores cristãos. Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais de seu exercício” (Catecismo, 2229).

[20] Cf. Paulo VI, Carta Ap. Octogesima adveniens, 14-05-1971, 25; João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 25.

[21] Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e a conduta dos católicos na vida política, 24-11-2002,6; Compêndio, 571.

[22] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et spes, 75; Paulo VI, Carta Ap. Octogesima adveniens, 50; Compêndio, 417.

[23] Ibidem, 43.

[24] Cf. São Josemaria, Questões Atuais do Cristianismo, 117.

[25] “Uma concepção relativista do pluralismo nada tem a ver com a legítima liberdade dos cidadãos católicos de escolher, entre as opiniões políticas compatíveis com a fé e a lei moral natural, aquela que, segundo o próprio critério, melhor se conforma com as exigências do bem comum. A liberdade política não está, nem pode estar, baseada na idéia relativista segundo a qual todas as concepções sobre o bem do homem são igualmente verdadeiras e possuem o mesmo valor, mas sobre o fato de que as atividades políticas sinalizam, caso a caso, para a realização extremamente concreta do verdadeiro bem humano e social em um contexto histórico, geográfico, econômico, tecnológico e cultural bem determinado. A pluralidade das orientações e soluções, que devem ser em cada caso moralmente aceitáveis, surge precisamente da concretização dos fatos particulares e da diversidade das circunstancias” (Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e à conduta dos católicos na vida política, 24-11-2002, 3). Cf. Compêndio, 569 e 572.

Fonte: http://www.opusdei.org.br/art.php?p=41705

Grande abraço a todos.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Sex Set 09, 2011 1:24 pm

Prezados,

Segue aqui a meus comentários sobre a última postagem do sr. Manuel no tópico sobre Inquisição. Estou colocando aqui para organizar melhor o fórum, como propôs o Pe. Anderson.

Vamos lá...

Senhor Manuel

Parece que não leu minha última postagem. Não fugi da questão, lhe falei, dentre outras coisas, do acordo entre Nosso Senhor e o rei Abgar, e o senhor convenientemente nem tocou no assunto...Quanto a judeus e romanos, volto a falar que para se fazer um tratado, ambas as partes devem assumir seus compromissos, os quais por muitas vezes envolvem renúncias. Se nem judeus nem romanos estavam dispostos a renunciar em favor de Cristo, logo não queriam um tratado. Eram estas instituições que estavam recusando um tratado com Jesus, e não Jesus recusando um tratado com as instituições.

Outro ponto: não há como negar o caráter teocrático do Estado de Israel na época vétero-testamentária. Já na Lei de Moisés previa-se um tributo (dízimo) para sustentar os serviços religiosos. O clero era praticamente uma classe de funcionários públicos, e tudo mais...só mesmo o senhor para negar uma realidade tão clara.

Volto a falar, o senhor critica os tratados do Vaticano sem ao menos conhecer seus conteúdos. Senhor Manuel, não é prudente julgar o que não se conhece (São Judas, 1:10).

Quanto a essa sua teoria da incessante busca de poder pela Igreja (baseada sabe-se lá em quê), ela não se sustenta quando confrontada com a realidade histórica. Fosse a sua versão verdadeira, a Igreja não teria deixado Santo Ambrósio negar a comunhão ao imperador, teria agido diferente na questão das investiduras, teria cedido a Henrique VIII e anulado seu casamento, não teria condenado a escravidão na América Latina, teria cedido aos caprichos de Napoleão.

Vamos ser mais atuais, quisesse a Igreja o poder a qualquer custo, já teria aprovado há muito tempo o divórcio, os métodos contraceptivos, o uso do códon, a ordenação de mulheres etc. Sabes quantos fiéis a Igreja perde por causa destes temas? Imaginas o quanto a Igreja cairia nas graças do mundo se cedesse a essas pressões! Imaginas quanto poder não significaria isso! Quase que a totalidade das comunidades protestantes já cedeu a essas pressões, no entanto a Igreja resiste, e sabes por quê? Simples, senhor Manuel, porque a Igreja busca simplesmente cumprir a sua missão, que é anunciar o Reino de Deus, ela não busca poder, como o senhor apregoa sem a mínima fundamentação.

O senhor vem com a pérola: “O clero não são os vassalos de Cristo, porque têm um proceder diferente.” Meu caro, como pode soltar uma dessas? Esquece-se de Padre Pio, Cura Dars, Maximiliano Kolbe e outros tantos? E quanto ao senhor, tens um proceder igual ao de Cristo? Não seria prudente olhar para a trave no seu olho antes de reparar o cisco nos olhos dos outros? Veja sua contradição: condena a nós quando louvamos a santidade de alguns homens, mas não vê problemas quando o senhor os julga pecadores. O nome disso é soberba!

Por fim, volta aos velhos sofismas de Inquisição, Cruzadas... Lembre-se que se não fosse a Inquisição e as Cruzadas a Europa e boa parte do mundo estaria hoje a proclamar que “Só Alah é Deus e Maomé seu único profeta!” no lugar de “Jesus Cristo é o Senhor”. Graças a Inquisição e as Cruzadas que minha esposa não precisa usar “burka”e eu não preciso me curvar para Meca.

Quanto aos frutos a Igreja, veja as universidades, os hospitais, os avanços da arquitetura, agricultura e astronomia, o desenvolvimento do sistema judiciário, o alfabeto cirílico, a preservação da cultura clássica etc. Por um acaso, se tens uma Bíblia hoje, agradeça a Igreja e seus monges copistas. Há muitos outros frutos, incontáveis, tanto tangíveis quanto intangíveis. Mas isso não lhe interessa, não é mesmo? Estás mais preocupado em garimpar pecados alheios do que em reconhecer a santidade nos outros.

Senhor Manuel, fica patente em sua missiva que infelizmente o senhor é movido não pelo amor à Verdade, mas sim pelo ódio a Igreja.

Fabricio

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sab Set 10, 2011 7:39 am

Caro Fabricio,
A história de Abgar suponho que seja mais uma dessas lendas inventadas que se contam.
Mesmo que tenha existido esse tal Abgar,
http://en.wikipedia.org/wiki/Abgar_V_of_Edessa

Pois é, como fundamenta as suas premissas em lendas, por mais piedosas que parecem!
Por aqui se vê que a sua conclusão no final da sua última intervenção é forçada e subjectiva.

Mas punhamos essas coisas de parte.

Porquẽ confiarmos mais nos homens traiçoeiros do que em YHWH DEUS fiel?! ...
Foi assim que fez Yeshua ... !?!

23Bem sei, SENHOR,{=YHWH} que o homem não é dono do seu destino,
e o caminhante não pode dirigir os seus passos.
(Jeremias 10,23)
3Confia ao SENHOR{=YHWH} todos os teus empreendimentos,
e os teus projectos terão bom êxito.(Provérbios 16,3)
9Nada mais enganador que o coração,
tantas vezes perverso:
quem o pode conhecer? (Jeremias 17,9
3Confia ao SENHOR {=YHWH} todos os teus empreendimentos,
e os teus projectos terão bom êxito. (Provérbis 16,3)
24O SENHOR {=YHWH} é quem dirige os passos do homem;
como poderá o ser humano compreender o seu destino? (Provérbios 20,24)
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Set 12, 2011 7:21 am

Senhor Manuel,
A despeito das obras de Eusébio de Cesaréia e Egeria, dos trabalhos criteriosos conduzidos por arqueologistas compententes e tantos outros dados históricos, o senhor, com uma simples pesquisa de WikiPedia, chega a conclusão de que a História do rei Abgar é falsa. Engraçado que o trabalho de pessoas pouco críveis como o "doutor" Alberto Rivera já lhe mereceram muito crédito, ao passo em que pesquisas sérias conduzidas por gente qualificada de nada lhe valem... Vês como é contraditório? Olhe o critério que o senhor usa: se é contra a Igreja é eu acredito, se é a favor da Igreja eu não acredito... volto a dizer que infelizmente o senhor é movido não pelo amor à Verdade, mas sim pelo ódio a Igreja.

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Set 12, 2011 7:45 am

Prezados,

Só para tentar seguir no tema, posto aqui alguns pontos da Concordata do Brasil com o Vaticano. Como a gente pode ver, apesar dos protestos raivosos de ateus, laicistas e demais contrários a Igreja de Cristo, grande parte do acordo regula a assistência da Igreja ao Estado, seja dispondo de sua estrutura de assistência social, ou seja dispondo de seu patrimônio artístico e cultural. Além disso, é interessante notar que a Igreja não requer tratamento diferenciado em relação a nenhuma outra instituição. Ou seja, na concordata não há nada contrário a soberania do Estado, e muito menos aos valores cristãos. O problema de sempre é que as pessoas julgam o que não conhecem (São Judas, 1:10). Deus tenha misericórdia.

Artigo 2º
A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro.

Artigo 5º
As pessoas jurídicas eclesiásticas, reconhecidas nos termos do Artigo
3º, que, além de fins religiosos, persigam fins de assistência e
solidariedade social, desenvolverão a própria atividade e gozarão de
todos os direitos, imunidades, isenções e benefícios atribuídos às
entidades com fins de natureza semelhante previstos no ordenamento
jurídico brasileiro, desde que observados os requisitos e obrigações
exigidos pela legislação brasileira.

Artigo 6º
§ 2º. A Igreja Católica, ciente do valor do seu patrimônio cultural,
compromete-se a facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram
conhecer e estudar, salvaguardadas as suas finalidades religiosas e as
exigências de sua proteção e da tutela dos arquivos.

Artigo 10
A Igreja Católica, em atenção ao princípio de cooperação com o Estado,
continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis,
a serviço da sociedade, em conformidade com seus fins e com as
exigências do ordenamento jurídico brasileiro.

O texto completo pode ser consultado no link
http://res-publica.com.ar/public/Concordata%20Brasil%20Vaticano%202008%20pt.pdf

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Seg Set 12, 2011 8:56 am

Sr. Fabricio!
Então acha que esse rei Abgar teve mesmo correspondência com o Cristo?! ... ...
O Sr. falou de gente que lhe merecia confiança, mas nem sequer mencionou os nomes! Falou apenas no abstracto!
Mas, na verdade as pessoas que lhe podem merecer confiança a si podem não merecer a minha confiança.
Por exemplo:
Suponha que o sr. andou a estudar no seminário e eu não!
Assim o sr. comeu, bebeu, habitou e estou lá de graça (ou quase de graça).
Com certeza teve do clero muitos benefícios que se irão manifestar durante toda a sua vida!
Deve estar por isso muito grato! e isso influi grandemente na confiança que deposita no clero e seus cúmplices.
Mas uma pessoa que nunca foi aceite, não pode ter a mesma confiança que o sr. tem dessas pessoas.
Mas estará muito mais interessada em saber os porquês, tanto sociais, como espirituais que originam tal.

Quanto aos artigos da concordata brasileira que citou e copiou para o forum só lhe posso dizer o seguinte:
Na verdade mostram que a sua igreja é constituída por pessoas muito diplomatas.
Portugal também tem uma concordata com a «santa sé» há já muitos anos.
Se assim não fosse a sua igreja teria já sido crucificada como foi o Cristo!
Nada disso prova que é a Igreja do Cristo, mas apenas uma instituição deste mundo!
Eu não ando a enxovalhar a sua igreja, antes pelo contrário. Ela merece reconhecimento social.
Mas isso não me dá o direito nem a força de dizer que ela representa o Cristo, pois é apenas isto que eu quero dizer.
Se dissesse o contrário seria hipócrita.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Set 12, 2011 8:00 pm

Senhor Manuel,

Primeiro ponto: eu não tenho Igreja. Por favor, a Igreja não é minha, é de Cristo.

Segundo ponto: desculpe a sinceridade, mas não se deixe levar pela hipocrisia. Já cansei de contar as vezes que o senhor ofendeu a nós e a nosso clero e agora vem aqui dizer que não anda a enxovalhar a Igreja.

Terceiro ponto: nunca estudei em seminário, nem obtenho ou já obtive nenhuma vantagem pessoal do clero, apenas sou bem mais criterioso que o senhor quando busco fontes de informação. Já lhe citei os nomes de Eusébio de Cesaréia e Egésia. Há também historiadores contemporâneos que tratam deste assunto. Pode procurar em qualquer Enciclopédia de História do Cristianismo (de papel, por favor... chega de WikiPedia)

Quarto ponto: as próprias Escrituras recomendam o respeito as autoridades constituídas. Por que motivos então a Igreja deveria dispensar a diplomacia? Só mesmo a sua cabeça para conceber uma ideia dessas...

Quinto ponto: não estamos discutindo aqui as provas de autenticidade da Igreja, isso já está sendo discutido em outro tópico. Só estamos esclarecendo a licitude das relações entre a Igreja e o Estado. Assunto este, aliás, que até agora o senhor só criticou mas não refutou de maneira concisa. Não apresentou um argumento sequer que comprove suas acusações, só disparou a metralhadora de acusações infundadas...

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Set 12, 2011 11:07 pm

Caros amigos,

Só para completar: As Sagradas Escrituras, no Novo Testamento, nos ensinam a rezar pelas autoridades constituídas e a colaborar na organizaçao da vida social em todos os assuntos que sao lícitos.

1 Tim. 2, 1-4: Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; 2pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

Sobre os assuntos das Concordatas já foram explicitadas:

Além disso, quando possível, a Igreja procura estabelecer acordos com o Estado, chamados, em geral, Concordatas, nas quais se pactuam soluções concretas para as questões eclesiásticas relacionadas com a finalidade do Estado: liberdade da Igreja e de suas entidades para exercer sua missão, convênios em matéria econômica, dias de festa etc.

Evidentemente sò que nao conhece que sao esses acordos pode acusar a Igreja, só por mero vício de se criticar o que nao se conhece e o que nao se quer conhecer (chamado de catolico-fobia). Isso só pode ser feito por causa da superficialidade e do ódio irracional pelo que nao se conhece. À ignorancia e às calùnias, nós respondemos com a paciência e com a justa informaçao.

Grande abraço a todos.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Set 13, 2011 6:37 am

Eu sei muito bem que a Igreja Católica não se dedica apenas ao espiritual.
O PAPA é ao mesmo tempo um chefe religioso e um chefe de ESTADO.
É na sua posição de chefe de estado que faz as concordatas, que recebe honras militares etc.
Portanto, tenta abarcar as duas espécies de honras: as do mundo e as do espírito.
Como sociedade humana eu não tenho nada contra isso, mas isso implica que se afaste do exemplo dado pelo Mestre. Tenta agradar a «gregos» e «troianos».
Uma coisa é tornar-se cúmplice com os governos. Outra coisa é respeitar as autoridades.
Se não respeitarmos a bem respeitaremos a mal e acabamos por ser vítimas de represálias. Quanto às orações pelas autoridades devem ser no sentido de elas não se afastarem muito dos objectivos do Criador e não no sentido de sermos cúmplices e bajuladores. (Romanos 13,1-7)
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Ter Set 13, 2011 7:32 am

Senhor Manuel,

Como sempre o senhor diz que sabe muito bem das coisas, mas não mostra uma evidência sequer. Se o senhor se propõe a criticar alguma coisa, antes de tudo tem que conhecê-la. Partindo da premissa que conheces, eu esperaria pelo menos algo do tipo:

"Este artigo da concordata está errado por causa de tal motivo ..."; ou

"Não concordo com este ponto desta concordata porque é contrário a tal premissa..."

Assim poderíamos construir um debate.

Infelizmente, até o momento o senhor não contra-argumentou nada! Não apresentou uma refutação sequer, só fica repetindo esses velhos sofismas. Isso só prova que o senhor julga o que não conhece (São Judas, 1:10).

Por favor, se desejas debater sobre alguma coisa, primeiro estude bastante e tome conhecimento do assunto. Debates movidos por paixões não somam nada a ninguém...

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Set 13, 2011 1:00 pm

10*Estes, porém, falam impiamente de tudo o que desconhecem; e, quanto ao que conhecem por instinto natural, como animais irracionais, isso só lhes serve para se corromperem.(Judas 10)
Por favor coloque a passagem dentro do contexto. Por favor leia a partir do verso 4.

Agora você quer-me transformar num negociante de concordatas do Vaticano.
O problema não está no conteúdo das concordatas, mas nas próprias concordatas.
Elas são um sinal de identificação entre dois Estados e dois chefes de Estado!
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Ter Set 13, 2011 7:32 pm

Senhor Manuel,
Está claro como água: o senhor não tem a menor ideia do conteúdo das concordatas, no entanto coloca-se a criticá-las fervorosamente. Não sabe absolutamente nada sobre as relações entre Igreja e Estado, no entanto condena apaixonadamente. Não vejo uma gota de racionalidade neste comportamento. Por isso não me resta dúvida que o senhor julga o que não conhece, estás apenas a se deixar levar por paixões, como muitos já faziam desde os tempos apostólicos. Até agora não vi um argumento conciso da sua parte. Me parece que o senhor não quer debater nada, quer apenas um palanque para propagar suas ofensas à Igreja.

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qui Set 15, 2011 7:44 am

Fabricio escreveu:... ofensas à igreja»
Ora, "Igreja" aqui significa «padres», «clero», «Estado do Vaticano». Devo, pois, informar que apenas quero demonstrar que tudo isto não é nem representa a igreja do Cristo, mas uma instituição deste mundo que se comporta como o mundo e outras instituições semelhantes e não como Cristo.
Ora isto é ofensa?!

Portanto, se quer ser verdadeiro deveria ponderar as suas palavras que brotam do seu coração. Mas se procura discutir a qualidade das concordatas deve escolher um opositor que lhes seja favorável dentro da sua instituição, mas que não concorde com alguns pontos. Eu sei que há grupos «ateus» que o têm feito publicamente. Mas escolha pessoas do seu país, pois as concordatas nem sempre são iguais em todos os países, apesar de este mundo do presente estar muito nivelado (e por baixo, infelizmente).
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Qui Set 15, 2011 8:09 pm

Senhor Manuel,
Deixe de demagogia! São incontáveis as vezes que o senhor acusou a Igreja de corrupta, ambiciosa e tudo mais... agora vem dizer que não está a ofendê-la! Por favor, assuma as consequências de seus atos!
Seu discurso já passou a muito para o lado do absurdo. Só falta dizer-me que a Igreja não representa Cristo porque o Papa viaja de avião, e Cristo não viaja de avião (pode parecer absurdo, mas já ouvi coisas do tipo. Se o senhor também vier com uma dessas não me surpreendo).
Já lhe falei que Nosso Senhor manteve contato cordial com um rei, e que as próprias Escrituras recomendam o respeito as autoridades, e o senhor vem me falar que a Igreja não é de Cristo porque ela fez acordos com alguns Estados, sem nem ao menos dizer no quê estes acordos contradizem o Evangelho. Por favor, senhor Manuel, assim não dá! Isto aqui está parecendo conversa com um bêbado: eu lhe mostro o quão vazio é o seu discurso e o senhor simplesmente repete os mesmos sofismas.
Quousque tandem abutere, senhor Manuel, patientia nostra?

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Sex Set 16, 2011 8:55 am

Demagogo é o que ensina o «povo».
Pedagogo é o que ensina a criança.
Ora não pretendo nem ensinar, nem ludibriar ninguém.
Eu nem tenho jeito para a politiquice.

O «papa» não é o cristo nem seu representante na SUA IGREJA, porque a realeza de Cristo não é deste mundo e a do papa é.

Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.»
(João 18,36)
Os discípulos do Cristo também não são deste mundo, embora estejam temporáriamente neste mundo:
14Entreguei-lhes a tua palavra, e o mundo odiou-os, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 15*Não te peço que os retires do mundo, mas que os livres do Maligno. 16De facto, eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo.
17*Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra. (João 17,14-17)

O papa é o chefe do ESTADO do VATICANO e da «Igreja Católica {Apostólica} ROMANA» cujo poder obteve dos homens: os seus súbditos (que o servem e os poderosos do mundo que o colocaram nessa cátedra do PODER».

Esta realidade, que não se pode esconder, é bem identificativa e serve de SINAL.

Quanto à sua expressão latina:
Quousque tandem abutere, senhor Manuel, patientia nostra?
Fique sabendo que eu não sei latim, por isso tive que ir ao google para a traduzir:
Fique descansado sr. Fabricio, que nunca quis abusar da sua paciência.
E por favor, não me compare com "Catilina", já que não sou nem nunca fui nem político nem conspirador.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Set 19, 2011 9:51 am

Meu caro, aqui no Brasil usamos a palavra demagogo para descrever aqueles que se valem das paixões para alimentarem seus discursos. Dito isto, vamos lá.
Numa coisa concordo contigo: os discípulos de Cristo não são desse mundo, mas eles estão no mundo. Isso também se aplica ao Papa. Ora, se estão no mundo, devem respeitar as leis humanas, sempre que não contrariarem a Lei de Deus. Isso é amplamente confirmado pelas Escrituras.
O Papa ocupa um cargo de chefe de Estado, e graças a essa prerrogativa a Igreja têm conseguido assistir aos doentes com mais facilidade, graças a essa prerrogativa a Igreja tem acolhido os órfãos e viúvas com mais eficiência, graças a essa prerrogativa a Igreja têm denunciado as injustiças do mundo com mais ímpeto... por fim, graças a essa prerrogativa a Igreja tem propagado o Evangelho com muito mais vivacidade!
Por fim, não há como condenar o bom uso das leis humanas pela Igreja. O condenável seria o mau-uso destas leis. Daí, volto a dizer-lhe que se o senhor condena as relações da Igreja com os Estados, por favor, aponte-nos uma contradição entre os acordos firmados pela Igreja com a Lei de Deus.

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Qua Set 21, 2011 7:43 am

Não! Está enganado, em relação ao PAPA.
Ele está sim neste mundo e é deste mundo.
Prova: é o chefe do Estado do Vaticano; Recebe honras militares pelos estados deste mundo como qualquer chefe de estado deste mundo. Isto é um sinal identificativo.
Os Papas, como governantes deste mundo chegaram a estar acima dos governos da terra, tendo eles coroado e deposto reis, oficialmente.
Uma coisa interessante é que o Brasil foi uma colónia portuguesa por direito, devido à aprovação do PAPA no chamado «Tratado de Tordesilhas».
Nesse tratado as terras do mundo a descobrir que ficassem a ocidente de uma linha imaginária (o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde) pertenceriam à Espanha e as que ficassem a Oriente pertenceriam a Portugal.

Yeshua disse:
Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»
(Mateus 6,24)
(Lucas 16,13)

Muito curioso:
Os chefes de estado estão directamente ligados à economia representada pelo dinheiro: até têm o direito de cunhar moeda.
A politica e a economia fazem um casamento perfeito! ...
E para os poderosos deste mundo, a religião faz o trio com a politica e a economia ... ... ...
(Apocalipse 18)
... ... ... até que chegue o dia final ...
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Qua Set 21, 2011 1:01 pm

Sr Manuel
Já lhe falei antes dos benefícios que trazem a Igreja o fato do Vaticano ser reconhecido como um Estado. Ora, se o Vaticano é um Estado, precisa de um chefe. Mas parece que o senhor nem leu... ou leu, não conseguiu refutar, e fingiu que não leu.
Quanto a sua acusação ao Papa, não é muito prudente. Afinal, sabes o que se passa no coração do Papa? É o senhor por um acaso menos pecador que ele?
Estás propondo uma separação ilógica. Ora, eu não deixo de ser cristão quando sou cidadão. Fossemos seguir sua ótica tosca chegaríamos a conclusão de que um chefe de Estado não pode ser cristão. Ora, mas Cristo veio para todos, inclusive para os chefes de Estado.
Senhor Manuel, a missão do Estado é bem mais abrangente que a cunhagem de moedas. Esta sua ogeriza pelas instituições não passa de um gnosticismo barato.
Daí, de absurdo em absurdo, chegas até o Tratado de Tordesilhas. Fala novamente sem conhecimento de causa. Cadê sua prudência, senhor Manuel? Talvez o senhor pense que a Igreja deveria lavar as mãos, enquanto Portugal e Espanha caminhavam para a guerra. Senhor Manuel, lembre-se que por causa de uma "lavagem de mãos" que Nosso Senhor foi cruficicado.

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Set 24, 2011 9:49 pm

Caros amigos,

Eu me divirto muito com afirmações do tipo: "a Igreja é deste mundo": "o Papa está nesse mundo e é desde mundo". Mas o que é que essas pessoas querem? Que o Papa e que a Igreja fossem de Marte? ou de Júpiter?

É claro que a Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica (LG 8) está presente nesse mundo e por isso mesmo une esse mundo a Deus. Uma Igreja que existisse somente no outro mundo seria uma inutilidade. Para que serviria? A Igreja está nesse mundo, que foi Criado por Deus, para trazer redenção a esse mundo. E nesse sentido entra o serviço do Papa, sucessor de Pedro e de Paulo.

O Vaticano é um Estado simplesmente para garantir a neutralidade do vaticano em questões Políticas. Se fosse inserido num Estado qualquer correria o risco de ser manipulado pela Política, assim como ocorre na Igreja Anglicana, que funciona como um ministério da Inglaterra. O Vaticano é um Estado reconhecido somente para se manter independente moralmente do poder estatal.

Grande abraço a todos.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Pe. Anderson em Sab Set 24, 2011 10:05 pm

Caros amigos,

Publicamos aqui um excelente discurso do Papa Bento XVI sobre essa questão.


Discurso de Bento XVI ao Parlamento alemão
BERLIM, quinta-feira, 22 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o discurso que Bento XVI pronunciou hoje aos membros do Parlamento Federal Alemão e às autoridades máximas do Estado, no plenário do Bundestag.

* * *

Ilustre Senhor Presidente Federal!
Senhor Presidente do Bundestag!
Senhora Chanceler Federal!
Senhor Presidente do Bundesrat!
Senhoras e Senhores Deputados!

Constitui para mim uma honra e uma alegria falar diante desta Câmara Alta, diante do Parlamento da minha Pátria alemã, que se reúne aqui em representação do povo, eleita democraticamente para trabalhar pelo bem da República Federal da Alemanha. Quero agradecer ao Senhor Presidente doBundestag o convite que me fez para pronunciar este discurso, e também as amáveis palavras de boas-vindas e de apreço com que me acolheu. Neste momento, dirijo-me a vós, prezados Senhores e Senhoras, certamente também como concidadão que se sente ligado por toda a vida às suas origens e acompanha solidariamente as vicissitudes da Pátria alemã. Mas o convite para pronunciar este discurso foi-me dirigido a mim como Papa, como Bispo de Roma, que carrega a responsabilidade suprema da Igreja Católica. Deste modo, vós reconheceis o papel que compete à Santa Sé como parceira no seio da Comunidade dos Povos e dos Estados. Na base desta minha responsabilidade internacional, quero propor-vos algumas considerações sobre os fundamentos do Estado liberal de direito.

Seja-me permitido começar as minhas reflexões sobre os fundamentos do direito com uma pequena narrativa tirada da Sagrada Escritura. Conta-se, no Primeiro Livro dos Reis, que Deus concedeu ao jovem rei Salomão fazer um pedido por ocasião da sua entronização. Que irá pedir o jovem soberano neste momento tão importante: sucesso, riqueza, uma vida longa, a eliminação dos inimigos? Não pede nada disso; mas sim: «Concede ao teu servo um coração dócil, para saber administrar a justiça ao teu povo e discernir o bem do mal» (1 Re 3, 9). Com esta narração, a Bíblia quer indicar-nos o que deve, em última análise, ser importante para um político. O seu critério último e a motivação para o seu trabalho como político não devem ser o sucesso e menos ainda o lucro material. A política deve ser um compromisso em prol da justiça e, assim, criar as condições de fundo para a paz. Naturalmente um político procurará o sucesso, que, de per si, lhe abre a possibilidade de uma acção política efectiva; mas o sucesso há-de estar subordinado ao critério da justiça, à vontade de actuar o direito e à inteligência do direito. É que o sucesso pode tornar-se também um aliciamento, abrindo assim a estrada à falsificação do direito, à destruição da justiça. «Se se põe de parte o direito, em que se distingue então o Estado de uma grande banda de salteadores?» – sentenciou uma vez Santo Agostinho (De civitate Dei IV, 4, 1). Nós, alemães, sabemos pela nossa experiência que estas palavras não são um fútil espantalho. Experimentámos a separação entre o poder e o direito, o poder colocar-se contra o direito, o seu espezinhar o direito, de tal modo que o Estado se tornara o instrumento para a destruição do direito: tornara-se uma banda de salteadores muito bem organizada, que podia ameaçar o mundo inteiro e impeli-lo até à beira do precipício. Servir o direito e combater o domínio da injustiça é e permanece a tarefa fundamental do político. Num momento histórico em que o homem adquiriu um poder até agora impensável, esta tarefa torna-se particularmente urgente. O homem é capaz de destruir o mundo. Pode manipular-se a si mesmo. Pode, por assim dizer, criar seres humanos e excluir outros seres humanos de serem homens. Como reconhecemos o que é justo? Como podemos distinguir entre o bem e o mal, entre o verdadeiro direito e o direito apenas aparente? O pedido de Salomão permanece a questão decisiva perante a qual se encontram também hoje o homem político e a política.

Grande parte da matéria que se deve regular juridicamente, pode ter por critério suficiente o da maioria. Mas é evidente que, nas questões fundamentais do direito em que está em jogo a dignidade do homem e da humanidade, o princípio maioritário não basta: no processo de formação do direito, cada pessoa que tem responsabilidade deve ela mesma procurar os critérios da própria orientação. No século III, o grande teólogo Orígenes justificou assim a resistência dos cristãos a certos ordenamentos jurídicos em vigor: «Se alguém se encontrasse no povo de Scizia que tem leis irreligiosas e fosse obrigado a viver no meio deles, (…) estes agiriam, sem dúvida, de modo muito razoável se, em nome da lei da verdade que precisamente no povo da Scizia é ilegalidade, formassem juntamente com outros, que tenham a mesma opinião, associações mesmo contra o ordenamento em vigor» [Contra Celsum GCS Orig. 428 (Koetschau); cf. A. Fürst, «Monotheismus und Monarchie. Zum Zusammenhang von Heil und Herrschaft in der Antike», in Theol.Phil. 81 (2006) 321-338; a citação está na página 336; cf. também J. Ratzinger, Die Einheit der Nationem, Eine Vision der Kirchenväter (Salzburg-München 1971) 60].

Com base nesta convicção, os combatentes da resistência agiram contra o regime nazista e contra outros regimes totalitários, prestando assim um serviço ao direito e à humanidade inteira. Para estas pessoas era evidente de modo incontestável que, na realidade, o direito vigente era injustiça. Mas, nas decisões de um político democrático, a pergunta sobre o que corresponda agora à lei da verdade, o que seja verdadeiramente justo e possa tornar-se lei não é igualmente evidente. Hoje, de facto, não é de per si evidente aquilo que seja justo e possa tornar-se direito vigente relativamente às questões antropológicas fundamentais. À questão de saber como se possa reconhecer aquilo que verdadeiramente é justo e, deste modo, servir a justiça na legislação, nunca foi fácil encontrar resposta e hoje, na abundância dos nossos conhecimentos e das nossas capacidades, uma tal questão tornou-se ainda muito mais difícil.

Como se reconhece o que é justo? Na história, os ordenamentos jurídicos foram quase sempre religiosamente motivados: com base numa referência à Divindade, decide-se aquilo que é justo entre os homens. Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus. Deste modo, os teólogos cristãos associaram-se a um movimento filosófico e jurídico que estava formado já desde o século II (a.C.). De facto, na primeira metade do século II pré-cristão, deu-se um encontro entre o direito natural social, desenvolvido pelos filósofos estóicos, e autorizados mestres do direito romano [cf. W. Waldstein, Ins Herz geschrieben. Das Naturrecht als Fundament einer menschlichen Gesellschaft (Augsburg 2010) 11ss; 31-61]. Neste contacto nasceu a cultura jurídica ocidental, que foi, e é ainda agora, de importância decisiva para a cultura jurídica da humanidade. Desta ligação pré-cristã entre direito e filosofia parte o caminho que leva, através da Idade Média cristã, ao desenvolvimento jurídico do Iluminismo até à Declaração dos Direitos Humanos e depois à nossa Lei Fundamental alemã, pela qual o nosso povo reconheceu, em 1949, «os direitos invioláveis e inalienáveis do homem como fundamento de toda a comunidade humana, da paz e da justiça no mundo».

Foi decisivo para o desenvolvimento do direito e o progresso da humanidade que os teólogos cristãos tivessem tomado posição contra o direito religioso, requerido pela fé nas divindades, e se tivessem colocado da parte da filosofia, reconhecendo como fonte jurídica válida para todos a razão e a natureza na sua correlação. Esta opção realizara-a já São Paulo, quando afirma na Carta aos Romanos: «Quando os gentios que não têm a Lei [a Torah de Israel], por natureza agem segundo a Lei, eles (…) são lei para si próprios. Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, como resulta do testemunho da sua consciência» (Rm 2, 14-15). Aqui aparecem os dois conceitos fundamentais de natureza e de consciência, sendo aqui a «consciência» o mesmo que o «coração dócil» de Salomão, a razão aberta à linguagem do ser. Deste modo se até à época do Iluminismo, da Declaração dos Direitos Humanos depois da II Guerra Mundial e até à formação da nossa Lei Fundamental, a questão acerca dos fundamentos da legislação parecia esclarecida, no último meio século verificou-se uma dramática mudança da situação. Hoje considera-se a ideia do direito natural uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo.

Queria brevemente indicar como se veio a criar esta situação. Antes de mais nada é fundamental a tese segundo a qual haveria entre o ser e o dever ser um abismo intransponível: do ser não poderia derivar um dever, porque se trataria de dois âmbitos absolutamente diversos. A base de tal opinião é a concepção positivista, quase geralmente adoptada hoje, de natureza e de razão. Se se considera a natureza – no dizer de Hans Kelsen - «um agregado de dados objectivos, unidos uns aos outros como causas e efeitos», então realmente dela não pode derivar qualquer indicação que seja de algum modo de carácter ético (Waldstein, op. cit., 15-21). Uma concepção positivista de natureza, que compreende a natureza de modo puramente funcional, tal como a explicam as ciências naturais, não pode criar qualquer ponte para a ética e o direito, mas suscitar de novo respostas apenas funcionais. Entretanto o mesmo vale para a razão numa visão positivista, que é considerada por muitos como a única visão científica. Segundo ela, o que não é verificável ou falsificável não entra no âmbito da razão em sentido estrito. Por isso, a ética e a religião devem ser atribuídas ao âmbito subjectivo, caindo fora do âmbito da razão no sentido estrito do termo. Onde vigora o domínio exclusivo da razão positivista – e tal é, em grande parte, o caso da nossa consciência pública –, as fontes clássicas de conhecimento da ética e do direito são postas fora de jogo. Esta é uma situação dramática que interessa a todos e sobre a qual é necessário um debate público; convidar urgentemente para ele é uma intenção essencial deste discurso.

O conceito positivista de natureza e de razão, a visão positivista do mundo é, no seu conjunto, uma parcela grandiosa do conhecimento humano e da capacidade humana, à qual não devemos de modo algum renunciar. Mas ela mesma no seu conjunto não é uma cultura que corresponda e seja suficiente ao ser humano em toda a sua amplitude. Onde a razão positivista se considera como a única cultura suficiente, relegando todas as outras realidades culturais para o estado de subculturas, aquela diminui o homem, antes, ameaça a sua humanidade. Digo isto pensando precisamente na Europa, onde vastos ambientes procuram reconhecer apenas o positivismo como cultura comum e como fundamento comum para a formação do direito, enquanto todas as outras convicções e os outros valores da nossa cultura são reduzidos ao estado de uma subcultura. Assim coloca-se a Europa, face às outras culturas do mundo, numa condição de falta de cultura e suscitam-se, ao mesmo tempo, correntes extremistas e radicais. A razão positivista, que se apresenta de modo exclusivista e não é capaz de perceber algo para além do que é funcional, assemelha-se aos edifícios de cimento armado sem janelas, nos quais nos damos o clima e a luz por nós mesmos e já não queremos receber estes dois elementos do amplo mundo de Deus. E no entanto não podemos iludir-nos, pois em tal mundo autoconstruído bebemos em segredo e igualmente nos "recursos" de Deus, que transformamos em produtos nossos. É preciso tornar a abrir as janelas, devemos olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo.

Mas, como fazê-lo? Como encontramos a entrada justa na vastidão, no conjunto? Como pode a razão reencontrar a sua grandeza sem escorregar no irracional? Como pode a natureza aparecer novamente na sua verdadeira profundidade, nas suas exigências e com as suas indicações? Chamo à memória um processo da história política recente, esperando não ser mal entendido nem suscitar demasiadas polémicas unilaterais. Diria que o aparecimento do movimento ecológico na política alemã a partir dos Anos Setenta, apesar de não ter talvez aberto janelas, todavia foi, e continua a ser, um grito que anela por ar fresco, um grito que não se pode ignorar nem acantonar, porque se vislumbra nele muita irracionalidade. Pessoas jovens deram-se conta de que, nas nossas relações com a natureza, há algo que não está bem; que a matéria não é apenas uma material para nossa feitura, mas a própria terra traz em si a sua dignidade e devemos seguir as suas indicações. É claro que aqui não faço propaganda por um determinado partido político; nada me seria mais alheio do que isso. Quando na nossa relação com a realidade há qualquer coisa que não funciona, então devemos todos reflectir seriamente sobre o conjunto e todos somos reenviados à questão acerca dos fundamentos da nossa própria cultura. Seja-me permitido deter-me um momento mais neste ponto. A importância da ecologia é agora indiscutível. Devemos ouvir a linguagem da natureza e responder-lhe coerentemente. Mas quero ainda enfrentar decididamente um ponto que, hoje como ontem, é largamente descurado: existe também uma ecologia do homem. Também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece. O homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando ele escuta a natureza, respeita-a e quando se aceita a si mesmo por aquilo que é e que não se criou por si mesmo. Assim mesmo, e só assim, é que se realiza a verdadeira liberdade humana.

Voltemos aos conceitos fundamentais de natureza e razão, donde partíramos. O grande teórico do positivismo jurídico, Kelsen, em 1965 – com a idade de 84 anos –, abandonou o dualismo entre ser e dever ser. Dissera que as normas só podem derivar da vontade. Consequentemente, a natureza só poderia conter em si mesma normas, se uma vontade tivesse colocado nela estas normas. Entretanto isto pressuporia um Deus criador, cuja vontade se inseriu na natureza. «Discutir sobre a verdade desta fé é absolutamente vão» – observa ele a tal propósito (citado segundo Waldstein, op.cit., 19). Mas sê-lo-á verdadeiramente? – apetece-me perguntar. É verdadeiramente desprovido de sentido reflectir se a razão objectiva que se manifesta na natureza não pressuponha uma Razão criadora, um Creator Spiritus?
Aqui deveria vir em nossa ajuda o património cultural da Europa. Foi na base da convicção sobre a existência de um Deus criador que se desenvolveram a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana em cada pessoa e a consciência da responsabilidade dos homens pelo seu agir. Estes conhecimentos da razão constituem a nossa memória cultural. Ignorá-la ou considerá-la como mero passado seria uma amputação da nossa cultura no seu todo e privá-la-ia da sua integralidade. A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma. Este tríplice encontro forma a identidade íntima da Europa. Na consciência da responsabilidade do homem diante de Deus e no reconhecimento da dignidade inviolável do homem, de cada homem, este encontro fixou critérios do direito, cuja defesa é nossa tarefa neste momento histórico.

Ao jovem rei Salomão, na hora de assumir o poder, foi concedido formular um seu pedido. Que sucederia se nos fosse concedido a nós, legisladores de hoje, fazer um pedido? O que é que pediríamos? Penso que também hoje, em última análise, nada mais poderíamos desejar que um coração dócil, a capacidade de distinguir o bem do mal e, deste modo, estabelecer um direito verdadeiro, servir a justiça e a paz. Obrigado pela vossa atenção!

Fonte: http://www.zenit.org/article-28899?l=portuguese

Grande abraço a todos.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Dom Out 02, 2011 9:07 am

Caro Fabricio,
Já reparou que o sr. aprova os actos históricos e acomoda-se com os mesmos.-
Pelo contrário, eu tenho repúdio pelos mesmos. Ao analisá-los vejo claramente que não são inspirados nem são a acção do Cristo, mas sim daquele que O condenou e matou.
É verdade que o mundo tem as suas leis e devemos submeter-nos a elas, mesmo contra vontade, para não entrarmos em conflito, mas não devemos ser nós a tomar o PODER deste mundo para fazermos igual ou pior que os que agora o detêm.

Este mundo vale apenas como sendo uma escola de experiências falhadas.
Mas é nisto que este mundo tem valor.

Um cientista depois de centenas de experiências falhadas chegou a descobrir algo de muito importante. Um jornalista depois de o louvar pelo sucesso disse-lhe: «Conseguiu vencer depois de centenas de experiências falhadas»:
O cientista respondeu: «não foram experiências falhadas como lhe chama, porque foram elas que me conduziram ao sucesso. Se eu tivesse desistido nunca teria conseguido.»
Da mesma forma, procuremos aprender com as nossas experiências falhadas e com as do mundo e da sua história.
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Flávio Roberto Brainer de em Seg Out 03, 2011 5:52 am

Como afirmou o Pe. Anderson, eu também me me divirto com outro tipo de afirmação:

"ESTE MUNDO VALE APENAS COMO SENDO UMA ESCOLA DE EXPERIÊNCIAS FALHADAS"

É preciso ter uma mentalidade muito estreita para tecer um colóquio dessa natureza. O mundo tem vivido muitas "experiências falhadas", mas tem vivido também muitas experiências positivas, e em uma quantidade muito maior que as coisas negativas.

É preciso que vejamos o mundo como um presente de Deus, como aquele paraíso da história da criação, mesmo sabendo que, com o passar do tempo, muitas coisas foram modificadas pelo homem que, em muitos casos, descaracterizou alguns aspectos daquele paraiso inicial. Mas isso não significa que tudo esteja perdido, que tudo seja vão, que tudo sejam "experiências falhadas". Seria um absurdo pensar dessa maneira.

Existem muitos erros no mundo, é verdade, e estes nos ensinam muito, como também existem muitas coisas boas acontecendo neste mesmo mundo e que nos ensinam muito mais. É muito perigosa essa concepção de generalização do mundo, das coisas, das pessoas, das instituições, de tudo, enfim.

Não posso afirmar que a instituição policial é má por considerar os procedimentos errôneos de alguns dos seus membros compósitos. Há policiais envolvidos em crimes, corrupções e falcatruas, mas estes não representam toda uma corporação, pois existem, na mesma corporação policial, muitos policiais dígnos e corretos. Da mesma forma, em tudo o que nos cerca neste mundo, há coisas boas e más, corretas e erradas, mas é maldito aquele que só vê o que não presta e cega-se a si mesmo para não ver as maravilhas que o Senhor realiza a cada momento.

Retomando a discussão proposta no tópico, tomo como referencial para essa relação Igreja/Estado aquilo que nos ensinam as Sagradas Escrituras:

"FELIZ A NAÇÃO CUJO DEUS É O SENHOR" (Sl 33,12)

Por si só, esta frase nos ensina que esta relação é um desejo do próprio Deus.

É pena que algumas pessoas ainda não acordaram para essa realidade. Penso que tais pessoas, se tivessem asas, estariam sempre voando sem jamais pousarem em qualquer lugar da face da terra para nela não contaminarem os seus pés. Antes, estas pessoas não perceberam ainda que a maior contaminação está nas suas mentes poluídas que lhes impedem do cumprimento da missão que Deus lhes deu: "CRESCEREM , MULTIPLICAREM-SE, POVOAREM E DOMINAREM A TERRA" (Gn 1,26-31).

Um grande abraço a todos !!!
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Manuel Portugal Pires em Ter Out 04, 2011 7:36 pm

Na verdade farto-me de ver experiências falhadas ao passo que os êxitos se é que existem no mundo são na maioria grandes falhas.
Dou como exemplo a governação no «nosso» ex-primeiro ministro de Portugal: Sócrates, que para ele estava tudo correndo muito bem quando tinha alguém que lhe emprestasse dinheiro para ir pagando os compromissos de Estado que eram uma grande dívida. Pagava a dívida com outra dívida e isso era óptimo para ele, embora a dívida fosse sempre aumentando exponencialmente.
Ele teve muito êxito, até ao momento em que as exigências para novos empréstimos para amortizar os anteriores se tornaram insuportáveis.
Assim arranjou uma artimanha politica, pediu demissão e despediu-se com muita cortesia.
É assim que eu vejo os gritos de triunfo neste mundo de pessoas semelhantes ao «Sócrates português». Mesmo na ciência que vai avançando à custa de muitas tentativas se chega à conclusão que uma afirmação de ontem é algo que hoje está caduco e o mesmo acontecerá no futuro em relação ao presente. Afinal são triunfalismos passageiros.
E o que são os heróis?! Muitas vezes não passam por covardes que lutaram porque não tiveram outra saída.
No entanto, há neste mundo muito de positivo, mas isso não se deve ao homem que persiste até em destruir este planeta com o avanço da sua tecnologia e ciência. O que há de positivo vem de DEUS.
A criação é uma obra magnifica e incomparável de DEUS.
O homem descobre Leis da Natureza; Deus criou essas leis que afinal podem servir para o bem e para o mal, dependendo do móbil e da ocasião.
Quando as leis universais de DEUS são usadas segundo os propósitos de DEUS podem ser como que degrau para o êxito, mas quando são usadas para o homem dominar o outro homem, acabam em destruição.
Por exemplo «o poder da pólvora» pode servir para rachar rochas e fazer blocos de pedra e assim construir habitações; mas também pode servir para a guerra que com o uso de armas destroem a humanidade.
E a energia atómica?! Pode servir para a produção de electricidade desde que seja usada com muita prudência e zelo; mas também serviu para fazer bombas muito mais destruidoras que as que foram lançadas no Japão no fim da 2ª guerra mundial.
E na economia?! Antigamente quer o ar como a água eram puros, gratuitos e em abundância. Agora a água já é paga na maior parte dos casos e pode um dia termos que pagar pelo ar que respiramos.
E na religião?! O que impera é o fanatismo e a preocupação de hegemonia isto é a supremacia de uma classe (ou religião) sobre as outras.
Há ainda lugar para os «santos».
Na verdade, penso que no meio de tanta miséria há pessoas «santas», só que ninguém sabe quem são.
O que nos contam, são na maior parte dos casos histórias inventadas misturadas com alguma verdade, por isso indignas de credibilidade.
Muitas vezes comparam-se a histórias de fadas e é difícil distinguir a verdade da ficção e dos mitos.
Eu não estou a ser mais exagerado que as escrituras quando afirmam;

... ... ... todos estão sob o domínio do pecado.
10*Assim está escrito:
Não há justo algum, nem um sequer. (Sl 14,1-3; 53,2-4.)
11Não há quem seja sensato,
não há quem procure a Deus.
12Todos se extraviaram, todos se corromperam.
Não há quem faça o bem,
não há um sequer.
13*Sepulcro aberto é a sua garganta,
com a sua língua espalhavam enganos;
há nos seus lábios veneno de serpente. ( Sl 5,10; 140,4)
14*A sua boca está cheia de maldição e azedume.(Sl 10,7.)
15*Velozes são os seus pés para derramar sangue; ( Pr 6,18; Is 59,7-8.)
16há devastação e miséria pelos seus caminhos,
17e o caminho da paz, não o conheceram.
18*Não há temor de Deus diante dos seus olhos. (Sl 36,2)
19Ora, nós sabemos que tudo o que a Lei diz, é dito para os que estão sob a Lei, a fim de que toda a língua se cale, e todo o mundo se reconheça culpado diante de Deus.
(Romanos 3, 9-19)
Devemos notar que Paulo não se estava a lamentar, mas apenas a comparar os dois povos: judeus e gentios.
Ora se isto foi verdade no tempo de Paulo, embora pareça uma profecia com uma pequenina dose de exagero, agora é ainda mais verdade. Aliás, Paulo limitou-se a repetir por suas palavras o que já estava escrito nas Escrituras hebraicas.
(Sl 14,1-3)(Salmo 53,2-4)
(Salmo 5,10; ; Salmo 140,4)
(Salmo 10,7)Provérbios 6,18
(Isaías 59, 7 e 8)
(Salmo 36,2)
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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Fabricio em Seg Out 17, 2011 6:11 am

Sr Manuel,
Na sua visão pessimista de mundo, o senhor, não sei se intensionalmente, apresenta o mal como substância. Incorre numa terrível heresia gnóstica. Se continuares a somente procurar pecado no mundo, certamente o encontrará, mas pobre da criatura que vive assim, mergulhada em ódio... O senhor lança descrédito nas hagiogragias, diz que são "histórias inventadas", mas novamente o faz sem apresentar provas. Pobre do senhor, que pauta-se apenas em suas angústias para emitir seus juízos...
Os santos existem, aos montes, estão por aí trazendo a luz de Deus ao mundo. A história da Irmã Dulce, da dra Zila Arns, de Maximiliano Kolbe, Madre Tereza, não são inventadas...
Curioso que a Madre Tereza, que conheceu de perto a pobreza e tinha tudo para reclamar do mundo, quando questionada sobre o que era preciso mudar na Igreja, respondeu simplesmente: "Eu e tu!". Atitude bem diferente da sua, senhor Manuel...

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Re: Igreja e Estado

Mensagem por Pe. Anderson em Seg Out 17, 2011 10:28 am

O que definitivamente está mal no mundo é que ninguém se pergunta pelo que está bem no mundo" (Chesterton).
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Re: Igreja e Estado

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